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Terça-feira, 03 de Abril de 2018, 18h:09

SAÚDE/MT

Só um município de fronteira tem UTI

Dados são do Conselho Federal de Medicina (CFM) e estão sendo discutidos, no II Fórum de Médicos de Fronteira, em Campo Grande

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Quatro dos cinco municípios mato-grossenses que fazem fronteira com a Bolívia não possuem nenhum leito de unidade de tratamento intensivo (UTIs) disponível aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, contam com apenas 6.10% de um total de 5.465 de vagas disponíveis para internação existentes em 122 cidades brasileiras fronteiriças do país. No Estado, Cáceres, Comodoro, Poconé, Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade fazem fronteira com a Bolívia. Juntas, contabilizam 169.729 habitantes. Porém, Cáceres é a única com UTI (16 leitos) e também concentra a maioria (186) das vagas ofertadas para internação, num total de 333 leitos, que seguem distribuídos entre Poconé (58), Vila Bela (41) e Comodoro (31). Em Porto Esperidião, não há oferta de vagas em ambos os tipos de acomodação, inclusive, em hospital geral. Neste último caso, por exemplo, o município conta apenas com cinco centros ou unidades básicas de saúde (UBS). Nas 122 cidades brasileiras, são 273 UTIs. Dados sobre a situação da saúde na região de fronteira estão sendo discutidos, no II Fórum de Médicos de Fronteira, que acontece em Campo Grande (MS). Organizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o evento começou ontem (03) e será encerrado hoje (4). Os dados são do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), coordenado pelo Ministério da Saúde. O encontro tem como foco discutir a assistência em saúde nessa região e o papel do médico nesse cenário. Entre os destaques, está a participação de representantes das Forças Armadas, que abordarão a formação do médico militar; uma análise sobre a cooperação internacional e seu impacto no atendimento nessas áreas; e o respeito à saúde indígena. No Brasil, além de Mato Grosso, 10 estados fazem fronteira com outros países, sendo eles, o Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia Roraima e Santa Catarina. Neles, 122 municípios são considerados fronteiriços. Desse total, 42 (34%) não possuem hospital geral. No geral, o estudo aponta ainda que um quinto (27) dos municípios brasileiros não possui nenhum leito de internação disponível no SUS. Além disso, 93% deles não contam com leitos em UTIs. Nessas cidades, também é baixa a oferta de estabelecimentos e de profissionais de saúde na rede pública, e, de forma geral, é alta a incidência de doenças infectocontagiosas. “São localidades distantes dos centros urbanos e muitas vezes de difícil acesso. Nelas vivem uma população que também precisa de ter acesso a diagnósticos e tratamentos. Por isso, a oferta de serviços públicos de qualidade tem sido um desafio”, alerta Carlos Vital, presidente do CFM. No Estado, por exemplo, Cáceres e Vila Bela chamam a atenção por contarem com taxas de tuberculose de 41,81 casos da doença para cada 100 mil habitantes e de 38,9 cada para 100 mil indivíduos, respectivamente. A incidência é superior à média nacional (33,83). Já em três municípios mato-grossenses, a taxa de mortalidade infantil também está acima da nacional (12,42 mortes a cada mil nascidos vivos), sendo eles: Cáceres (13,44), Comodoro (41,42) e Vila Bela (15,44). Em Poconé e Porto Esperidião, as taxas são 10,02 e 11,83 mortes a cada mil nascidos vivos, respectivamente. Os números apurados pelo CFM revelam ainda que os municípios limítrofes concentram 3.869 médicos cadastrados no CNES. Esse número representa 0,9% do total de médicos em atividade em todo o país, segundo registros pelos conselhos de medicina (454 mil). Do Estado, Cáceres é o com maior número de profissionais contando 170 médicos, 133 enfermeiros e 45 odontólogos. Já Comodoro tem o menor número, num total de 18 profissionais entre as três classes.

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