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CIDADES
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020, 10h:02

BAÍA MAL-ASSOMBRADA

Pesquisa levanta impactos ambientais das queimadas no Pantanal

Animais terrestres são os primeiros a sentir a ação do fogo, mas as espécies aquáticas são diretamente afetados

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Reprodução/TV Globo
As cinzas de incêndios florestais podem causar a mortandade de peixes em rios, córregos e lagos

Pesquisadores da Universidade do Estado e Mato Grosso (Unemat) vão à campo para avaliar as consequências das queimadas, no Pantanal, a maior planíce alagável do planeta.

O local escolhido é a “Baía Mal-Assombrada”, às margens da BR-070, próximo a Cáceres (235 km a Oeste de Cuiabá).

O bioma sofre com a seca de mais de 100 dias e os focos de calor de grandes extensões e terra.

Animais terrestres são os primeiros a sentir a ação do fogo, mas as espécies aquáticas e os estoques pesqueiros também são diretamente afetados.

Os pesquisadores são ligados ao Centro de Pesquisa em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal (Celbe/Unemat).

“São 16 anos trabalhando no Pantanal. Nunca vi uma queimada nesse porte, nessa intensidade. Queimadas ocorrem no ambiente pantaneiro, como a gente já presenciou, mas em áreas menores. Este ano, em função principalmente da falta de chuva, nós temos uma área muito grande comprometida”, disse o professor Claumir César Muniz, que pesquisa o ambiente pantaneiro desde 2004 e é considerado um dos maiores especialistas sobre o ecossistema.

De acordo com o cientista, o problema para os peixes é ainda mais grave porque eles vão sentir os reflexos do fogo depois, principalmente com a perda de alimentos e redução da qualidade das águas.

Por meio da assessoria da Unemat, ele informa que em ambientes inundáveis, muitas espécies vegetais fornecem abrigo e alimento e, em contrapartida, os peixes dispersam suas sementes, contribuindo com a manutenção das florestas.

“Há uma relação interessante entre peixe e planta. Os peixes engolem os frutos e levam as sementes rio acima ou lateralmente. Eles promovem a recuperação florestal, favorecendo a formação de ilhas de espécies frutíferas que, futuramente, vão oferecer alimentos para os próprios peixes. A gente observa aqui uma enormidade de espécies que estão completamente destruídas pelo fogo. Com isso, esse ciclo é perdido”, disse.

A relação peixes e plantas do Pantanal também vai virar um livro ilustrado, com apoio do Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental, patrocinado pela Petrobras.

CINZAS - Além da perda de alimentos, há o incremento de cinzas na água provocando um processo chamado “decoada”.

O fenômeno ocorre quando há aumento de matéria orgânica no corpo da água e, para quebrar essa matéria, há um consumo de oxigênio. Então, há uma drástica diminuição de oxigênio nesses locais.

O professor Claumir Muniz explica que a decoada é um processo natural no ambiente pantaneiro, mas em função das queimadas, tudo indica que será potencializada.

“Para a ictiofauna, as consequências negativas não são sentidas imediatamente, mas sim, com o início da cheia no Pantanal. O que está queimado próximo às baías e aos rios, quando for carreado pelas primeiras chuvas para dentro dos corpos d'água, vai provocar uma diminuição abrupta de oxigênio, otimizando esse processo de decoada e comprometendo a ictiofauna”.

Além disso, grandes extensões de terra, que em outras estações ficam alagadas, sofrem com a ação direta do fogo. “É possível observar pegadas de animais terrestres, que são os que sofrem primeiro com a ação do fogo. Eles são afugentados e alguns, inclusive, morrem em função disso”.

Os prejuízos ambientais poderão ser sentidos a quilômetros de distância a partir do local do incêndio.

“Mamíferos de médio e grande porte, como antas, queixadas, catetos e cutias, desempenham o papel de jardineiro das florestas. Eles são dispersores de sementes. Quando essa área é queimada, os frutos acabam e o potencial de atuação desses mamíferos para a recomposição florestal é comprometido”, disse o biólogo Derick Campos.


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