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Cuiabá MT, Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020
CIDADES
Sábado, 12 de Setembro de 2020, 20h:00

IMUNIZAÇÃO

MT segue tendência nacional e não atinge metas de vacinação

Um exemplo é a tríplice viral que protege contra o sarampo, rubéola e a caxumba, segundo a Saúde

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Divulgação
Neste ano, até o momento, a cobertura estadual da tríplice é de 58,7% e, em 2019, ficou em 88,6%

A exemplo do que acontece em nível nacional, a procura pelas vacinas que fazem parte do calendário nacional de imunização para proteção de crianças e adolescentes está abaixo do considerado ideal, em Mato Grosso.

Algumas dessas doenças são contagiosas e podem levar a morte.

Um exemplo é o sarampo, enfermidade que o Estado voltou a confirmar, agora em 2020, o primeiro caso após 20 anos.

Neste ano, dados parciais da Secretaria de Estado de Saúde (Ses) mostram que Mato Grosso não alcançou o percentual de vacinação preconizado dentre 12 imunizantes.

Este é o caso da tríplice viral, que além do sarampo também previne contra a rubéola e a caxumba, e da tetra viral aplicada contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

Neste ano, até o momento, a cobertura estadual da tríplice é de 58,7% e, em 2019, ficou em 88,6%.

Já a tetra alcança 53,9%, agora em 2020, e 78,3%, no ano passado. O registro de sarampo aconteceu há cerca de cinco meses na cidade de Lucas do Rio Verde (350 quilômetros, ao norte de Cuiabá), em um bebê de 9 meses, já curado.

À época, a Ses-MT informou que o vírus não estava circulando no Estado e a ocorrência foi um caso isolado.

Quanto a poliomielite, que protege contra a paralisa infantil, é de apenas 58,5%, neste ano.

Em 2019, chegou a 84,6%. Ainda neste ano, os percentuais se mantêm abaixo da meta também para a BCG (62,5%), hepatite B (56,1%), rotavírus humano (60,9%), influenza (58,1%), meningococo C (63,4%), penta (54,5%), a pneumocócica (67,4%), febre amarela (53,6%) e a hepatite A (58,3%).

No geral, dentre as 12 vacinas, a cobertura atingida pelo Estado variou de 71,5% (penta) e 89,3% (pneumocócica), em 2019.

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual de Saúde (Ses-MT) esclareceu que a estratégia de vacinação é uma responsabilidade dos municípios.

Também informou que as vacinas BCG e rotavírus precisam alcançar uma cobertura vacinal de 90%. Já as vacinas pentavalente, pneumocócica, febre amarela, tríplice viral, tetra viral, hepatites A e B, a meningocócica e a poliomielite precisam atingir 95%.

Até o ano de 2018, o percentual preconizado contra influenza era 80% de imunização e, a partir de 2019, foi para 90%.

Dentre os municípios com menores coberturas vacinais do calendário básico um deles é Nova Nazaré (800 quilômetros de Cuiabá), que neste ano, alcançou os percentuais de imunização de 2,63% para BCG e de 7,89% para poliomielite, conforme dados do órgão estadual de saúde.

Outro exemplo é Nova Monte Verde (972 quilômetros da Capital) com 2,17% para BCG e 16,30% para pólio. Já Porto Estrela (196 quilômetros de Cuiabá), aparece no levantamento da Ses-MT com 0% de imunização em relação a tríplice viral, tetra, hepatite “A” e a febre amarela.

OBRIGATORIEDADE - No país, um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, a partir de dados do Programa Nacional de Imunizações, aponta que nenhuma das metas de vacinação infantil foram cumpridas, em 2019, mantendo uma tendência de queda na cobertura vacinal nos últimos cinco anos.

Nesta semana, após cerca de seis meses falando de remédios sem comprovação científica para a população, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que não pode obrigar as pessoas a se vacinarem contra a Covid-19 quando a vacina estiver disponível no Brasil.

“A gente não pode injetar qualquer coisa nas pessoas e muito menos obrigar. Eu falei, inclusive, que ninguém vai ser obrigado a tomar vacina, e o mundo caiu na minha cabeça. A vacina é uma coisa que, no meu entender, você faz a campanha e busca uma solução. Você não pode amarrar o cara e dar a vacina nele. Eu acho que não pode ser assim”, defendeu.

Contudo, a declaração contrasta com uma lei sancionada pelo próprio presidente em fevereiro deste ano, que permite a vacinação compulsória como forma de enfrentar a pandemia.

Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente determina ser “obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.

A fala preocupa profissionais da saúde pelo risco de menosprezar a importância das imunizações e de incentivar movimentos antivacina.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) encaminhou, no último dia 09, um manifesto ao Ministério da Saúde (MS), no qual pede que sejam tomadas providências urgentes para estimular a adesão às campanhas de vacinação e facilitar o acesso da população a esse serviço.

O pedido dos pediatras ocorre após a revelação de que o país não atingiu a meta para nenhuma das principais vacinas infantis, conforme dados do Programa Nacional de Imunizações, divulgados pela imprensa.

“Para a SBP, a manutenção do quadro atual configura grave sinal de alerta para as autoridades sanitárias. A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que, independentemente do contexto da pandemia de Covid-19, estratégias devem ser elaboradas de modo urgente para que pais e responsáveis possam manter as cadernetas de vacinação das crianças em dia”, diz a nota.

“O cuidado com a saúde das crianças e dos adolescentes é uma missão que recai sobre pais e responsáveis. Por isso, eles devem ser orientados a levar seus filhos aos postos de saúde. Trata-se de uma responsabilidade cívica com o bem-estar individual e coletivo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente”, completa a médica Luciana Rodrigues Silva.

A declaração de Bolsonaro também repercutiu junto à Organização Mundial da Saúde (OMS). Em transmissão online, a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, destacou que o primeiro aspecto a ser considerado é que as vacinas erradicaram doenças como sarampo e varíola e fizeram muito pela humanidade.

A OMS reforçou que nenhuma vacina para a Covid-19 será liberada antes de os órgãos reguladores estarem confiantes sobre a segurança e eficácia da imunização.


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