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Cuiabá MT, Sábado, 19 de Setembro de 2020
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2020, 00h:00

EMERGÊNCIA

MT decreta situação de calamidade por conta das queimadas

Desde janeiro deste ano, o Estado contabiliza 32.230 focos de calor, um aumento de 39% em relação a 2019

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Sem controle, os incêndios florestais se alastram por Mato Grosso. Ontem (14), o governo do Estado anunciou a decisão em decretar estado de calamidade por conta das queimadas que consomem a vegetação no Pantanal, em Chapada dos Guimarães e em áreas indígenas, como o Alto Xingu. A medida permite dobrar a estrutura para a prevenção, combate e autuação dos focos de calor, especialmente, na região pantaneira.

O anúncio foi feito pelo governador Mauro Mendes, após reunião com os secretários de Segurança Pública (Sesp), Alexandre Bustamente, e de Meio ambiente (Sema), Mauren Lazzaretti, bem como os comandantes do Corpo de Bombeiros (CB), coronel Alessandro Borges, e da Defesa Civil, coronel Cesar Viana Brum. Desde janeiro deste ano, Mato Grosso contabiliza 32.230 focos de calor, o que representa um aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado. O maior número de ocorrências tem sido registrado nos municípios pantaneiros de Poconé (3.723) e Barão de Melgaço (3.180) e Cáceres (1.653).

Com o decreto, o Estado poderá receber aportes do Sistema Nacional de Proteção de Defesa Civil. “O governador já determinou que duplicássemos todas as ações de enfrentamento aos incêndios florestais no Estado de Mato Grosso”, informou ontem (14), o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Dércio Silva. Segundo ele, com a medida governamental, os bombeiros estão de prontidão para dar resposta imediata frente à adversidade.

Por meio da assessoria de imprensa, Mendes ressaltou que o governo do Estado tem planejado e atuado na frente de prevenção desde março, sendo que hoje há em torno de 2.500 profissionais envolvidos no combate, “das forças de segurança, da Defesa Civil, dos Bombeiros, voluntários e até no Exército Brasileiro”. Além disso, mais de R$ 22 milhões de recursos próprios já foram investidos para o combate às queimadas neste ano.

“Temos seis aeronaves ajudando nesse combate, três helicópteros e 40 equipes em todo o estado. Vamos baixar um decreto de calamidade que vai nos permitir contratar em regime de urgência, o que vai permitir dobrar essa estrutura e também ampliar toda a estrutura existente hoje para proteção dos animais, para resgate, principalmente para o Pantanal”, explicou.

Contudo, para o governador, as circunstâncias climáticas têm colaborado para que os incêndios tenham tomado grandes proporções. “Estamos em um período de longa estiagem, são mais de 100 dias sem chover em Mato Grosso. A umidade relativa do ar está baixa e em algumas regiões abaixo de 10%. É uma umidade comparada a deserto. Isso cria condições para que esses incêndios possam ocorrer e aí resulta nessas imagens que todos nós estamos vendo”.

Também será permitido o uso de retardante para controlar o fogo. Ainda, segundo a assessoria, a utilização da substância já foi testada pelo Corpo de Bombeiros e aprovada pela equipe técnica da Sema. Mendes reforçou a política de tolerância zero para quem causar incêndios de forma criminosa. Somente de janeiro a agosto, já foram aplicados R$ 107,3 milhões em multas pelo uso irregular do fogo e R$ 805 milhões por desmatamento ilegal.

Outra ferramenta que tem sido usada é o sistema de monitoramento via satélite, que detecta os focos de calor quase em tempo real. Com esses dados, já foi possível realizar perícia em várias regiões aonde ocorreram incêndios, inclusive o Pantanal. Recentemente já foram divulgados os dados que comprovaram que os incêndios ocorridos nos 40 mil hectares da reserva particular, em Barão de Melgaço (Sesc Pantanal), na Fazenda Espírito Santo, Rodovia Transpantaneira e na Fazenda São José, foram provocados por ação humana.

Os casos já estão sob investigação da Delegacia de Meio Ambiente (Dema) para punir os responsáveis. “Peço a colaboração da população para denunciar se vir alguém fazendo um desses incêndios de forma criminosa. A grande maioria é acidental, mas quando começa fica incontrolável face a grande massa de matéria orgânica acumulada e as condições climáticas. Não iremos economizar recursos para minimizar o impacto desses incêndios em todo o estado de Mato Grosso”, completou.


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