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Cuiabá MT, Segunda-feira, 12 de Abril de 2021
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Domingo, 17 de Janeiro de 2021, 08h:54

SAÚDE PÚBLICA

Hanseníase é subnotificada e não há medicamento em Mato Grosso

Vítimas do mal de Hansen se afastaram dos postos e a rede pública não tem medicamento para quem faz tratamento

EDUARDO GOMES
Da Reportagem

À frente da desconfortável liderança do ranking nacional em hanseníase, Mato Grosso enfrenta duas situações complicadas nessa área, que contribuem para o agravamento de seu cenário hiperendêmico: a subnotificação de casos, por conta da pandemia do coronavírus, e o desabastecimento do Cloridrato de Minociclina 100 mg, medicamento no combate ao Mal de Hansen e fabricado na Índia.

Essa situação agrava ainda mais a Saúde Pública e deixa vulneráveis pacientes que sofrem interrupção do tratamento.

Com base em número de 2019, Mato Grosso lidera o ranking nacional, com 77,5 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira é de 10,1 casos para igual grupo.

Os números parciais de 2020 não devem ser considerados, pois o ano foi caracterizado pela subnotificação, uma vez que portadores da doença e os que apresentaram sintomas da mesma evitaram os postos de saúde, por orientação de autoridades sanitárias e pelo temor generalizado diante da pandemia.

Desde março de 2020, os postos de Saúde que atendem portadores ou suspeitos de terem contraído a doença, estão às moscas, praticamente sem procura.

Para agravar, em meados do ano, o Ministério da Saúde alertou que, em razão da pandemia da Covid-19, a Índia suspenderia a exportação de Minociclina, o que atingiria Mato Grosso diretamente.

Esse problema não é escondido por autoridades mato-grossenses, que, ao contrário, o denunciam.

Em Várzea Grande, Marcelo Vieira, que responde pelo Programa de Combate à Hanseníase, disse que o desabastecimento se arrasta há algum tempo.

O quê da questão vai muito além daquela cidade.

Cícero Fraga, que coordena o programa estadual de enfrentamento da doença, também admite o esvaziamento das prateleiras.

O pior é que não se sabe ainda quanto tempo mais durará a falta do medicamento, que é distribuído pelo Governo Federal.

Dentro do possível, Mato Grosso tenta ampliar sua presença do combate à doença e na assistência aos sequelados.

Em novembro, a Secretaria de Estado de Saúde firmou um termo de cooperação técnica com a ong Aliança Contra a Hanseníase, para fortalecimento do programa “Mato Grosso em Redes: Cuidado Integral em Hanseníase”.

Reprodução

Cloridato

O Cloridrato de Minociclina 100 mg, fabricado na Índia, está em falta no laboratórios de atendimento em Mato Grosso

A presidente da entidade, Laila de Laguiche, e o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, disseram que a meta do entendimento é a implementação de estratégias inovadoras e permanentes (contra a doença) nos 141 municípios mato-grossenses.

DATA – Na companha nacional de conscientização e prevenção contra a hanseníase, se criou o Janeiro Roxo.

Esse mês foi escolhido para tal, porque o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase é a data móvel do último domingo do mês.

HISTÓRICO – Mato Grosso tem longo histórico de hanseníase.

No passado, quando a doença era chamada de lepra, era estigmatizada.

Os portadores do Mal de Hansen eram isolados e mantidos em lazaretos.

Em Cuiabá, entrou em funcionamento, em 25 de abril de 1816, a Casa Pia São Lázaro, que, mais tarde, seria o Hospital São João dos Lázaros, desativado em 1941, com a construção da Colônia de Leprosos São Julião, em Campo Grande e para onde eram encaminhados numa viagem sem volta, os portadores da doença que residiam em Mato Grosso.

À época, Campo Grande era município mato-grossense e, agora, é Capital de Mato Grosso do Sul.

A ciência avançou e se descobriu a cura da doença, o que pode ser feito com tratamento domiciliar que dura entre seis meses e um ano.

O paciente, uma vez iniciado o uso do medicamento, deixa de transmiti-la.

O relatório com os números sobre a hanseníase ainda não foi concluído, mas serão apresentado em março.

Até lá, todo dado será com base em estimativa. Sobre o prazo para sua divulgação, não há dúvida.

O que não se sabe em Mato Grosso e nos demais estados é quando chegará da Índia o medicamento Cloridrato de Minociclina 100 mg, sem o que o paciente pode voltar à estaca zero de seu tratamento.


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