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CIDADES
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021, 00h:00

EDUCAÇÃO

Escola com meio século é fechada pelo Governo do Estado

Em Juscineira, os 305 alunos, dos quais 15 portadores de necessidades especiais, terão que procurar vagas

EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Ao léu. É assim que se encontram os 305 alunos matriculados na Escola Estadual Campos Salles, em Juscimeira (148 km ao Sul de Cuiabá).

Não somente eles, mas 13 professores e dois servidores contratados da unidade de ensino se encontram na mesma situaão.

Isso, por conta do seu fechamento imediato, que foi anunciado em 18 de dezembro, numa videoconferência, pelo assessor pedagógico da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Enilton Moreira dos Santos.

Aos pais dos alunos resta correr atrás de outra escola na cidade, onde funcionam as escolas estaduais João Mateus Barbosa e Antônio José de Lima, ambas no máximo de suas capacidades, com algumas salas recebendo mais de 35 estudantes, segundo a presidente do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar (CDCE) de Juscimeira, Neuzi Jesus de Morais.

Quanto aos professores contratados e os servidores nas mesmas condições, nem mesmo a Seduc sabe responder e Enilton Moreira dos Santos não toca nessa questão.

A direção da escola tentou uma audiência com o secretário de Educação, Alan Porto, mas não conseguiu agendamento.

A diretora da escola, professora Nilza Moreira de Aguiar, que preside a subsede local ao Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), se diz “chocada” com a decisão da Seduc, tomada em plena pandemia do coronavírus.

Segundo ela, a decisão vai na contramão de todas as medidas preventivas contra a doença que assola o mundo, que pregam o distanciamento, enquanto a mesma ocasionará aglomeração, e também fere a lógica educacional.

Em nome do CDCE, Neuzi protocolou um documento junto ao Ministério Público da comarca de Jaciara pedindo providências.

Segundo ela, um decreto do governador Mauro Mendes estabelecia que algumas escolas seriam desativadas, mas gradativamente, num processo que se iniciaria neste ano de 2021 e se estenderia a 2025.

Porém, a comunidade escolar foi colhida de surpresa com o anúncio feito por Enilton Moreira.

Neuzi explica que o decreto definia que neste ano não seriam feitas novas matrículas, e que ano a ano, seguido as determinações do documento, a escola se esvaziaria, sem causar trauma aos alunos.

No documento ao Ministério Público o OCDE pede que a Justiça seja acionada para determinar ao governo, por meio da Seduc, que seja realizada audiência pública para debater o tema.

“Ninguém nos ouviu. Ninguém conversou com a direção da escola nem com os pais dos alunos”, desabafa Neuzi.

A Escola Campos Salles foi criada em 1965, com o nome de Grupo Escolar Campos Sales e atende alunos do 1º ao 9º ano.

Com a emancipação de Juscimeira, em 10 de dezembro de 1979, o grupo passou a pertencer ao município, que cedeu suas instalações ao Governo.

No ano passado, uma emenda parlamentar do deputado estadual Max Russi (PSB) destinou R$ 50 mil para sua reforma, e a comunidade escolar também contribuiu doando mão de obra e materiais de construção.

Seus alunos se dividem entre moradores na cidade e em assentamentos da reforma agrária.

Dentre eles, 15 são portadores de necessidades especiais.

O fechamento da escola faz parte de um plano administrativo para a Educação, mas, segundo Neuzi, não leva em conta nenhuma resistência por parte do prefeito Moisés dos Santos (DEM) quanto a utilização do prédio pela Seduc.

Na comunidade escolar, o clima é de indignação, segundo Neuzi.

Pais de alunos resistem em procurar matrículas para os filhos em outras escolas. “Eles (os pais) manterão esse posicionamento até o limite possível”, resume Neuzi.


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