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Cuiabá MT, Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
CIDADES
Quinta-feira, 09 de Julho de 2020, 00h:00

OBITUÁRIO

Coronavírus silencia voz do pastor Sebastião

Líder da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Mato Grosso morre aos 89 anos depois de lutar pela vida numa UTI em Cuiabá

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Divulgação
O pastor Sebastião Rodrigues de Souza tinha 89 anos e morreu vítima da Covid-19

Sem uma mão sequer para segurar a sua na hora do derradeiro fechar dos olhos. Vítima da pandemia do coronavírus, assim partiu o pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus em Mato Grosso, Sebastião Rodrigues de Souza, 89, na madrugada da quarta-feira, 8 de julho, em Cuiabá. Nem mesmo a ele, que incontáveis vezes esteve à cabeceira da cama de enfermos levando conforto espiritual, foi dado o direito de receber o último olhar, o derradeiro aperto de mão. Nas calamidades e tragédias Deus põe à prova seus filhos – Essa era a crença do evangelizador e líder espiritual, que em nome dela certamente concluiu o ciclo da vida terrena com um sorriso na alma, ao Pai onipresente que a tudo assistia e em sua onipotência o confortava, pois, sua onisciência testemunhou todos os atos daquele filho ao longo de quase nove décadas, e que desde o distante ano de 1959, quando foi Consagrado ao diaconato, dedicou sua vida à evangelização.

Nascido na pequena Pirajuba, no Triângulo Mineiro, o pastor Sebastião encontrou na fé e na família os pilares que o sustentariam ao longo de sua vida que começou com seu primeiro choro, em 11 de agosto de 1931. Antes de iniciar a caminhada evangelizadora com o diaconato, ele levou ao altar aquela que seria sua mulher e companheira até que a morte os separasse, Nilda Paula.

O pastorado aconteceu em 1965 e o levou a assumir igrejas em Minas Gerais e São Paulo, até que no final de 1974 desembarcou em Cuiabá, de onde nunca mais sairia.

A missão do pastor Sebastião em Cuiabá se divide em duas áreas: a espiritual e seu lado empreendedor representando sua igreja.

Voz que se fazia ouvir, não por imposição, mas por fundamentação semeando a palavra bíblica de Gênesis ao Apocalipse, o pastor Sebastião foi uma mistura de guia espiritual e conselheiro. Quantos casais não se reconciliaram, quantos jovens não se afastaram das drogas, quanto perdão não se concedeu, quanta violência cedeu lugar à paz, por quem o procurou? Gerações se deixaram arrastar por sua luz cristã é a resposta que melhor define esses questionamentos.

Em 1985 Cuiabá tinha 240 mil habitantes e o pastor Sebastião se lançou ao desafio de construir o Grande Templo, uma igreja para abrigar 22 mil pessoas sentadas na nave central erguida numa área coberta com coberta de 80.500m². Para alguns o projeto parecia utópico, mas para seu idealizador, não. Ele sabia que a cidade cresceria e que a concepção arquitetônica asseguraria espaços para abrigar escola, faculdade, centro social e ambientes para outras destinações. Em 1996, quando o inaugurou, a população cuiabana era de 465.107 residentes.

O pastor Sebastião não deixa vazio, pois na concepção de seus fiéis, vago é a ausência de Deus. Fica seu legado rico em exemplos e que apontam o caminho que se deve seguir. Seu sepultamento na tarde de ontem, no Cemitério Parque Bom Jesus, em Cuiabá, foi precedido por uma carreata fúnebre silenciosa, que partiu do Grande Templo, mas sem direito a velório pelo alto risco de contágio pelo coronavírus. Os que se despediram dele foram os mesmos que cinco dias antes, também deram adeus ao seu filho e pastor Rubens de Souza, 68, também vítima da mesma doença.

Em nota o governador Mauro Mendes lamentou: “Tinha por ele uma grande admiração pelo líder e homem de Deus que ele sempre foi. Sua igreja e a sua fé permanecerão vivos para sempre. Eu e minha esposa Virginia Mendes estamos em oração para que Deus conforte o coração dos familiares, amigos e dos milhares de fiéis”. O governo de Mato Grosso decretou três dias de luto pela morte do pastor.

O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho, decretou luto oficial por três dias no Parlamento e os 24 deputados aprovaram moção de pesar por conta da morte do pastor.

A prefeitura de Cuiabá decretou luto oficial por três dias, pela morte do pastor. Num trecho da nota da decretação o prefeito Emanuel Pinheiro disse que foi “Uma grande perda para a sociedade cuiabana, para Mato Grosso. Que Deus conforte o coração da família e dos irmãos da Assembleia de Deus”.

Osvaldo Sobrinho, que foi deputado estadual, deputado federal, secretário de Estado e vice-governador lamentou a morte do pastor e o definiu enquanto “liderança formidável e uma figura emblemática neste Estado”.

 


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O governador é o culpado
O prefeito da Capital também tem culpa
Essa briga prejudica as ações de combate à Covid-19
É uma disputa político-eleitoral
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