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Cuiabá MT, Quarta-feira, 21 de Abril de 2021
AMBIENTE
Sexta-feira, 09 de Abril de 2021, 09h:12

DEVASTAÇÃO NO PANTANAL

60% dos incêndios têm ligação com atividades agropastoris

Queimadas persistentes e letais no bioma resultaram impactos à biodiversidade, à saúde humana e à economia

Da Reportagem
Canal Rural
Assim como os desmatamentos no Estado, as queimadas se concentraram em propriedades particulares

O Pantanal registrou recorde de incêndios florestais, em 2020.

As queimadas persistentes e letais no bioma resultaram impactos incalculáveis à biodiversidade, à saúde humana e à economia.

Diante deste cenário, os setores de geoprocessamento do Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) e do vizinho Mato Grosso do Sul (MP-MS) elaboraram relatório técnico para que possam traçar estratégias de atuação para trabalhar tanto na forma preventiva, quanto na repressiva, visando minimizar ocorrências como estas em período futuro.

Segundo os dados apresentados em reunião virtual sobre a “Atuação dos Ministérios Públicos contra os incêndios no Pantanal”, pôde-se constatar que a área atingida nos dois estados, no período de 1° de janeiro a 30 de novembro de 2020, foi de 4,5 milhões de hectares, em 21 municípios, prejudicando 2.058 propriedades (32 prejudicadas por incêndios que vieram dos países vizinhos), 16 unidades de conservação (UC) e seis terras indígenas.

Grande parte da área queimada configura-se como de formação campestre (36,30%), campos alagados/áreas pantanosas (23,09%) ou formação florestal (25,54%).

O que chama atenção é que boa parte deste incêndio, que prejudicou inúmeros municípios e milhares de propriedades rurais, originou-se em, aproximadamente, 286 pontos de ignição, sendo 152 em propriedades privadas (registradas no CAR), 80 em áreas indígenas, 53 em áreas não identificadas e apenas 1 em UC.

Foram isolados os focos iniciais de incêndios nestas propriedades traçando um raio de 200 metros de redes elétricas (2,43%), estradas públicas (0,97%), estradas particulares (16,99%) e margens de rios (21,84%), sendo que 57,77% dos focos iniciais ocorreram no interior destas, o que demonstra uma grande probabilidade de terem ligação com as atividades agropastoris.

Por meio da assessoria de imprensa, o promotor de Justiça e Diretor do Núcleo Ambiental, Luciano Furtado Loubet, disse que esta informação é de vital importância para a definição das estratégias de trabalho a partir de agora, pois, sabendo-se que uma boa parte dos pontos de ignição ocorrem no interior de apenas algumas propriedades privadas, longe de rios, estradas, redes elétricas ou outras possíveis causas de ignição, cabe aos proprietários rurais no Pantanal – com orientação, apoio e cobrança do poder público – adotar medidas necessárias para a prevenção destes incêndios, já que somente eles podem controlar o interior de seus imóveis.

MPF - A atuação do Ministério Público Federal (MPF), além da instauração de procedimentos e de investigações voltadas à identificação dos responsáveis pelos focos de ignição registrados em 2020, está centrada na estruturação dos sistemas de combate a incêndios.

O órgão ministerial, tanto em Mato Grosso como em Mato Grosso do Sul, busca a alocação de recursos para a criação de brigadas permanentes, a fim de agilizar o combate aos focos antes do alastramento do fogo.

De acordo com os procuradores da República Pedro Paulo Grubits e Erich Masson, o MPF trabalha ainda na criação de protocolos junto a órgãos e instituições envolvidos no processo, como Ibama, ICMBio, Secretarias de Meio Ambiente, Polícias Militares Ambientais e Exército, com o objetivo de estabelecer métodos e diretrizes para a rápida ação dos combatentes, sem que se façam necessárias intervenções políticas, sempre onerosas e burocráticas do ponto de vista do controle das crises.

Em Cuiabá, o MPF empreendeu esforços para identificar a origem dos incêndios que atingiram áreas federais e para a melhor estruturação do Corpo de Bombeiros Militar. Além disso, manteve interlocução com os órgãos públicos responsáveis pelo combate ao fogo, buscando integrar a atuação.

Ao constatar a demora do Governo Federal em autorizar a intervenção do Exército no auge da crise, expediu ofício ao gabinete do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas para informarem acerca da liberação de recursos e emprego de pessoal no combate aos incêndios.


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