NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 12 de Julho de 2020
BRASIL
Sexta-feira, 29 de Maio de 2020, 00h:00

PANDEMIA

Taxa de contágio ainda é alta no Brasil

Brasil tem mais de 400 mil casos e 25 mil mortos por covid-19

Com 411.821 casos confirmados e 25.598 mortos pela Covid-19, o país tem taxa média de espalhamento do vírus de 1,9, o que significa que cada dez infectados transmitem a doença a 19 pessoas, segundo o grupo Covid-19 Analytics, do qual participa a PUC-Rio. O índice ainda é bem acima do número 1,0, considerado o necessário para estabilizar a epidemia.

O Brasil ultrapassou na quarta-feira (27) a marca dos 400 mil casos confirmados de pessoas com o novo coronavírus, com mais de 25 mil mortos pela doença — isso segundo os dados oficiais, que, para especialistas, são bem mais baixos que os números reais, pela pouca testagem feita no país.

O Brasil está em segundo lugar no ranking dos mais contaminados do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 1,6 milhão de casos.

Os americanos viram ontem a quantidade de mortos ultrapassar os 100 mil — o número é mais que o dobro do previsto em meados de abril por Donald Trump, que disse na época que a doença deixaria cerca de 50 mil vítimas fatais no seu país.

No Brasil, ainda segundo dados do ministério da Saúde, 219.576 doentes estão em acompanhamento, o que corresponde a 53,3% do total de casos, e 166.647 já se recuperaram, ou 40,5%.

São Paulo é o estado com maior número de doentes em termos absolutos, com 89.483 casos e 6.712 mortes. Em seguida, está o Rio de Janeiro, com 42.398 casos e 4.605 óbitos. Ceará vem em terceiro no ranking, com 37.275 casos e 2.671 mortes. Amazonas é o quarto com mais número de casos, 33.508, mas está em sexto em quantidade de mortes registradas: 1.891.

Pará é o quarto em mortos, com 2.545, mas é o quinto estado com mais número de casos, 31.033. Já Pernambuco está em quinto em mortes, 2.468. Mas, em quantidade de casos, fica em sexta posição.

CONTAMINAÇÃO - Em meio ao aumento no número de mortes, alguns estados, como São Paulo, começam a planejar a flexibilização do isolamento social. Uma pesquisa sobre a taxa de espalhamento do coronavírus, porém, mostra que ela ainda é alta, apesar de ter caído.

Na última semana, cada brasileiro infectado transmitiu o patógeno em média para mais 1,9 pessoa — ou seja, cada dez doentes infectam 19 brasileiros —, índice ainda muito longe do 1,0 necessário para estabilizar a epidemia. Os números foram estimados pelo grupo Covid-19 Analytics, do qual participa a PUC-Rio.

De 2,53 em 1º de maio, o número básico de reprodução (que indica a taxa de espalhamento do vírus e é representado em estudos pela variável R) chegou a 1,92 no domingo, o que ainda é considerado preocupante pelos epidemiologistas.

As taxas mais alarmantes de crescimento estão em estados onde a epidemia ainda não avançou tanto. Hoje, os maiores índices de R estão na região Centro-Oeste e numa faixa do Norte e do Nordeste.

Ninguém possui uma taxa tão alta quanto Goiás. Por lá, cada habitante diagnosticado com Covid-19 aparentou contaminar em média 5,63 pessoas durante o período de infecção. A curva do estado vem se inclinando. No último dia 8, o R era de 1,19.

No Rio Grande do Norte, a ascensão também chama a atenção. Neste mesmo período, o índice subiu de 1,9 para 4,88. Já o Mato Grosso do Sul viu o índice saltar de 0,81 em 30 de abril para 4,93 em 15 de maio. Nos últimos dias, a taxa sofreu apenas leve queda, para 3,81.

É esperado que estados com a epidemia de início mais recente tenham número crescendo mais rápido, dizem os cientistas.

“Goiás tem menos de 3 mil casos registrados. A tendência é de, quando chegar num patamar maior, este número começar a baixar. Está com menos de 400 casos por milhão de habitantes. Quando os casos estão muito baixos, não chega a ser tão preocupante”, afirma Gabriel Vasconcelos, pesquisador da Universidade da Califórnia e membro do Covid-19 Analytics. “O problema é se esse índice se mantiver alto por um longo período”.

É justamente esse o caso de estados como Rio de Janeiro e São Paulo, principais focos da Covid-19 no país. A taxa fluminense é de 2,04. Como o estado é altamente afetado por medidas tomadas pelas autoridades e pela própria população, este índice pode oscilar. É o que tem ocorrido no estado. Em 20 de abril, ele registrava 1,71. Em 2 de maio, chegou a 2,28. Oito dias depois disso, atingiu seu patamar mais baixo, 1,65, para depois crescer novamente.

CAUTELA - Na prática, a taxa atual de 2,04 do Rio indica que o número total de contaminados irá dobrar num intervalo curto de tempo. Nas projeções feitas pelo grupo, o estado chegará aos 80 mil infectados em 9 de junho.

São Paulo, campeão de notificações no país, com quase 90 mil casos, possui índice menor que o do Rio, mas ainda alto: 1,55. Hoje, quem está mais próximo da estabilidade éo Ceará. O terceiro estado em casos de Covid-19 (mais de 37 mil) registra índice de reprodução de 1,08. A taxa cearense foi de 3,01 em 22 de abril e tem caído desde então.

“O índice abaixo de 1,0 significa que, na média, cada doente vai contaminar menos do que uma pessoa. Então, o numero de infectados vai diminuir. Se a taxa for 0,5, quer dizer que, a cada duas pessoas com Covid-19, só uma vai transmitir doença”, Explica Vasconcelos, que vê com cautela as tendências de queda registradas em alguns estados. “Antes da segunda quinzena de junho não vamos ver um índice menor do que 1,0 no Brasil. Talvez em alguns municípios. Mas nos estados demora um pouco”.

O cálculo para chegar ao índice de reprodução inclui fatores como a taxa de crescimento e os números de pacientes recuperados e de casos ativos. O ciclo de infecção da doença considerado foi de 20 dias. 


Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.




ENQUETE
O que você acha da decisão da CPI do Paletó de pedir o afastamento do prefeito?
Ele tem que ser afastado
Ele tem que ser cassado
Ele é inocente
Tanto faz
PARCIAL