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BRASIL
Terça-feira, 27 de Agosto de 2019, 09h:36

MILITARES

Em crise, Bolsonaro ensaia reaproximação com militares

GUSTAVO URIBE E TALITA FERNANDES
Da Folhapress - Brasília

Após jantar com o presidente Jair Bolsonaro, na última terça-feira (20), quatro ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) deixaram o Palácio da Alvorada com uma dúvida: "Como chama aquele general da articulação política?", questionaram, em conversa com jornalistas.
Um deles arriscou um palpite: "Santos, né?", referindo-se ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido em junho pelo presidente. A resposta certa era Luiz Eduardo Ramos, que chefia a Secretaria de Governo.
Em governos anteriores, os articuladores políticos do governo costumavam ser rostos conhecidos, mas não depois de mudança instituída pelo presidente na correlação de forças do Palácio do Planalto.
Na tentativa de afastar a pecha de que é tutelado no cargo, Bolsonaro se distanciou da cúpula militar e diminuiu a influência dos generais palacianos em decisões do governo.
Antes com forte ascendência sobre o chefe do Poder Executivo, o núcleo fardado passou a ser menos ouvido pelo presidente, perder quedas de braço com o grupo ideológico e ser atravessado em decisões administrativas.
Na última quinta-feira (22), com a eclosão da crise ambiental, o presidente alterou a postura e, agora, ensaia uma reaproximação, na tentativa de ganhar respaldo contra a pressão internacional pela série de incêndios na floresta amazônica.
Ao evocar o princípio da soberania nacional, que é caro ao núcleo militar, ele entrou em contato com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e costurou decreto que permitiu o emprego das Forças Armadas na Amazônia Legal.
Nas redes sociais, em mais um aceno de mudança, compartilhou entrevista do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e considerado um decano entre os militares, na qual ele se posicionou contra a interferência de nações estrangeiras nas discussões sobre preservação ambiental no Brasil.
Apesar da utilização do contingente militar para o combate ao crime ser um tema controverso entre membros do comando, a reaproximação do presidente foi bem-vista por integrantes do núcleo fardado. Eles ponderam, contudo, que ainda é necessário aguardar para ver se o movimento não é apenas de ocasião.
Desde o início do mandato, o grupo militar vinha exercendo um papel moderador no Palácio do Planalto. Incomodado com a fama de ser influenciado, no entanto, o presidente passou a ignorá-lo e radicalizou o discurso em uma tentativa de demonstrar independência.
Com a a adoção de uma retórica de que quem manda é ele, Bolsonaro tem repetido que não quer passar para a história como um "banana". Em conversas reservadas, tem dito que não quer repetir o erro da ex-presidente Dilma Rousseff, que passou o mandato à sombra de seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva.


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