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Cuiabá MT, Sábado, 08 de Agosto de 2020
BRASIL
Quinta-feira, 09 de Julho de 2020, 00h:00

PANDEMIA

Ambientes fechados podem aumentar contágio da Covid-19

LARISSA TEIXEIRA
Da Folhapress - São Paulo

As baixas temperaturas e o tempo seco, comuns no inverno, fazem com que as pessoas frequentem locais com pouca ventilação e fiquem aglomeradas. Esses hábitos facilitam a disseminação de vírus, como o novo coronavírus.

Luiz Gustavo Góes, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e da plataforma Científica Pasteur-USP, explica que vírus respiratórios, em geral, tendem a circular mais em períodos frios. Isso pode estar relacionado a fatores como incidência solar, temperatura e umidade, mas ainda não se sabe o funcionamento exato ou a "condição ideal" para que o vírus se prolifere. "A sazonalidade é um fator importante, mas não é delimitadora para surtos ou epidemias em si", diz Góes.

Apesar dessa tendência, isso não significa que lugares quentes estejam protegidos. O pesquisador exemplifica com o que aconteceu na cidade de Manaus (AM), onde houve um grande surto de Covid-19 mesmo com o clima quente e úmido.

Por outro lado, "existe uma chance de aumentar [o contágio] devido o comportamento da população", complementa Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Ele explica que em períodos mais frios, as pessoas costumam ficar em ambientes pouco ventilados e aglomerações, o que facilita a proliferação.

Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, afirma que o tempo seco também afeta o organismo das pessoas. Neste período, as mucosas respiratórias ficam mais sensíveis e a secreção mais espessa. Isso propicia que vírus, bactérias e partículas de poluição fiquem mais tempo em contato com o corpo, aumentando as chances de contaminação.

Quando as mucosas estão umedecidas, o organismo consegue eliminar os agentes externos com mais facilidade. Para isso, vale lavar o nariz com soro fisiológico e umidificar o ambiente com uma toalha molhada no quarto, por exemplo. "Isso contribui para reduzir sintomas que podem ocorrer apenas pelo tempo seco", acrescenta Zicker.

Os infectologistas explicam que o novo coronavírus causa sintomas semelhantes a outras infecções respiratórias como dor no corpo, febre e tosse. Weissmann e Zicker ressaltam que caso a febre passe de 24 horas, haja mal-estar ou desconfortos respiratórios, como falta de ar e cansaço extremo a esforços que eram habituais, é importante procurar atendimento médico.

As formas de prevenção contra o novo coronavírus nesta época do ano não são diferentes das orientações anteriores. A infectologista Michelle Zicker, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, reforça que este não é o momento para relaxar nos cuidados.

O pesquisador Luiz Gustavo Góes, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o infectologista Leonardo Weissmann, do Emílio Ribas, e Zicker recomendam evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, utilizar máscara, higienizar as mãos com frequência, evitar tocar o rosto, seguir a etiqueta respiratória (cobrir nariz e boca com braço dobrado ou lenço descartável ao tossir e espirrar), manter os ambientes ventilados e, se possível, carregar álcool em gel na bolsa. Além disso, é importante manter a hidratação e alimentação correta.

Apesar de não haver uma vacina contra o novo coronavírus, os infectologistas destacam que é muito importante se proteger de outros vírus que também são frequentes nesta época do ano, como o influenza, que é o causador da gripe. Na cidade de São Paulo, a campanha de vacinação foi prorrogada até o dia 24 de julho.

Além disso, Goés recomenda que todos que tiveram algum sintoma, como febre ou dor de cabeça, evitem sair ao máximo. Ele explica que apesar de assintomáticos e pré-sintomáticos poderem transmitir a Covid-19, quando as pessoas que apresentam sintomas não estão na rua, as taxas de transmissão da doença diminuem.

Vírus respiratórios, em geral, tendem a circular mais em períodos frios Isso pode estar relacionado à umidade, à incidência solar e à temperatura Há diversos estudos que visam entender as sazonalidades de diferentes vírus No entanto, acredita-se que isso está diretamente relacionado com o comportamento da população nesta época e não com uma influência do clima sobre o vírus.

 

CLIMA E VÍRUS

 

- Isso não significa que lugares quentes estejam protegidos

Apesar do clima quente e temperatura elevada, a cidade de Manaus, teve um grande surto de coronavírus, por exemplo

- Como a transmissão ocorre? O novo coronavírus é transmitido pela secreção respiratória; Ou seja, gotículas de saliva que saem quando alguém fala, espirra ou tosse Gotículas maiores tendem a ser puxadas pela gravidade e depositadas em superfícies, como o chão ou uma mesa

- Apesar de ficarem pouco tempo suspensas e atingirem pequenas distâncias, elas também podem contaminar pelo ar.

- Em climas quentes, esta partícula seca e o vírus perdem a infectividade

- Ao mesmo tempo, se a umidade é elevada, ele se liga a partículas de água e é depositado em algum local

- Já quando o clima está seco, o vírus consegue permanecer mais tempo no ar Lembre: fatores como umidade, temperatura e incidência solar variam muito. Não há respostas definitivas sobre a "condição ideal" para o vírus se proliferar.

- O novo coronavírus é recente e há diversos estudos sendo feitos

- No inverno Nesta época do ano, as pessoas tendem a ter comportamentos que favorecem a disseminação de vírus, como: Ficar em ambientes fechados; Pouco ventilados; Se aglomerar

- Estes fatores facilitam a transmissão de vírus; Ou seja: O vírus pode propagar por causa do comportamento das pessoas

Como o tempo seco afeta o organismo

- O inverno do sudeste é caracterizado pelo frio e tempo mais seco

- A tendência é que haja mais poluição do ar

- Neste clima, as mucosas respiratórias ficam mais sensíveis e a secreção tende a ficar mais espessa, afetando o mecanismo de defesa do corpo

- Pois assim, as partículas de poluição, vírus e bactérias tendem a ficar mais tempo em contato com o corpo.

- Quando a mucosa está umedecida, é mais fácil eliminá-las

- Umidificar as mucosas nasais, com soro fisiológico por exemplo,

reduz sintomas que podem ocorrer apenas por causa do tempo seco

 

Este cenário favorece a incidência de outras doenças respiratórias como bronquite e asma Como se prevenir? Fique informado sobre os riscos

- Evite aglomerações

- Caso precise sair, procure horários que tenham menos pessoas

- Siga o distanciamento social

- Sempre que sair de casa, use máscaras

- Higieniza as mãos

- Evite tocar o rosto

- Cumpra a etiqueta respiratória

- Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com braço dobrado ou lenço descartável

- Procure manter os ambientes mais ventilados possíveis

- Tome muito líquido

- Tenha uma alimentação saudável

- Lave o nariz com soro fisiológico

- Procure umidificar os ambientes, colocando uma toalha molhada no quarto, por exemplo

 

Vacina

- Apesar da vacina contra a gripe não prevenir contra a Covid-19, é importante se proteger de outras doenças também

- Lembre que há outros vírus circulando

 

Preste atenção

- Os sintomas das doenças que afetam o sistema respiratório podem ser semelhantes, como: Tosse, febre, coriza, dor no corpo e de cabeça

- Caso tenha algum deles, evite sair de casa

No entanto, caso haja desconfortos como: Cansaço excessivo para atividades que fazia habitualmente

- Febre prolongada por mais de 24h Pode ser necessário procurar o atendimento de saúde

 


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