NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 06 de Julho de 2020
ARTIGOS
Segunda-feira, 15 de Junho de 2020, 12h:15

ROSANA DE BARROS

“Sinal vermelho”, muitas vidas...

Que o sinal vermelho ultrapasse a fronteira da indiferença e descaso

Importante campanha do Conselho Nacional de Justiça, intitulada “Sinal Vermelho para a Violência contra a Mulher”, oferece ao gênero feminino ferramenta de ação. Com um simples gesto, vidas são resgatadas.           

O ano de 2020 trouxe enorme desafio. O surgimento do coronavírus anunciou ao país a necessidade do isolamento social. A situação diferenciada uniu dentro dos lares, muitas vezes sem possibilidade de reação, mulheres vítimas de violência doméstica e seus agressores. Umas se encontravam dentro do ciclo da violência, outras, se descobriram durante a quarentena.           

É sabido que durante os desentendimentos que acontecem nos lares, o primeiro objeto a ser retirado delas é o aparelho celular. Ficam, assim, reféns de portas e janelas abertas. Toda mulher dentro do relacionamento amoroso é vulnerável. Se não o for pela compleição física, visível, o é pela historicidade patriarcal vivida e sentida.           

Simone de Beouvoir, sempre atual, foi enfática: “Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.” Com a pandemia não foi diferente. Aliado ao sofrimento da impossibilidade de circular livremente e o temor em contrair a doença, elas ainda enfrentam adversidades dentro de casa.           

No início da quarentena constatou-se a diminuição das estatísticas. Os motivos foram claros. A uma, por se encontrarem com os algozes em isolamento, sem qualquer possibilidade de reação. E, a duas, por não possuírem conhecimento sobre quais órgãos e poderes estariam à disposição para as atender.  E quando não há qualquer possibilidade de fazer uso de telefone e internet?           

As subnotificações foram realidade. A certeza foi constatada pelo Fórum Nacional de Segurança Pública com a divulgação dos números. Apenas o aumento dos feminicídios aconteceu. Motivos, não existem. Todavia, o “inconformismo com o término do relacionamento” tem engrossado lamentáveis dados.           

Os delitos praticados contra mulheres dentro de casa são anunciados. Os feminicídios acontecem precedidos de outros crimes, sendo apenas o final da “saga” contra elas. Podem, sim, ser evitados. Ações positivas e políticas afirmativas são essenciais. 

É preciso reforçar que humilhação, constrangimento e agressão de qualquer órbita, no ambiente doméstico e familiar pode redundar na confecção de boletim de ocorrência com as implicações da Lei Maria da Penha e pedido de medidas protetivas de urgência

       

Tamanha situação, sensibilizou o Conselho Nacional de Justiça - CNJ. Pensando nas mulheres vítimas, lança importante campanha, mesmo nas localidades com “lockdown” decretado. Agora, com a impossibilidade de reação das vítimas, as farmácias e drogarias se tornaram aliadas. Com um “X” vermelho na palma das mãos, ou a exibição de qualquer objeto vermelho, a polícia será acionada. O primordial não será a prisão do agressor, mas, sim, identificar, libertar e salvar mulheres.           

Em agosto de 2019, foi realizada pesquisa do Data Senado apontando que 72% das mulheres que sofrem violência doméstica e familiar preferem não buscar ajuda do Poder Público por medo do agressor.           

É preciso reforçar que humilhação, constrangimento e agressão de qualquer órbita, no ambiente doméstico e familiar pode redundar na confecção de boletim de ocorrência com as implicações da Lei Maria da Penha e pedido de medidas protetivas de urgência.             

A Conselheira Maria Cristiana Simões Amorim Ziouva, coordenadora do Movimento Permanente de Combate à Violência Doméstica do CNJ, também coordena o grupo de trabalho criado no Poder Judiciário através da Portaria 70/2020, em razão da pandemia. Agora, com força, empenho e ternura movimenta a Campanha “Sinal Vermelho para a Violência Contra as Mulheres”, primeiro resultado prático do grupo.           

Que o sinal vermelho ultrapasse a fronteira da indiferença e descaso, se tornando importante via de defesa das mulheres, sempre e sempre!           

Um sinal, inúmeras vidas...                       

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual em Mato Grosso.


Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.




ENQUETE
O que você achou da decisão da Justiça de decretar lockdown em Cuiabá e VG?
Acertada
Demorou
Antes tarde...
Tanto faz
PARCIAL