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Cuiabá MT, Sábado, 19 de Setembro de 2020
ARTIGO
Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020, 15h:10

EDUARDO PÓVOAS

De novo, novamente o Pantanal

Como nós, cidadãos urbanos, o pantaneiro também tem seus direitos e deveres

Resolvi me esconder do “corongo” vírus em um pesqueiro dentro do nosso santuário, o Pantanal.

Na ida, ao me aproximar da cidade de Poconé, deparo-me com uma barreira sanitária montada pela Prefeitura.

Fui impedido de entrar pois rebocava eu um pequeno barco conhecido como voadeira, e a Prefeitura achou que os barcos estariam levando aglomeração e o vírus para o Pantanal.

O prefeito não sabe que o vírus entra no seu município com as pessoas dentro de seus automóveis e até pelas vans que levam turistas ao Porto Cercado para lá embarcarem em uma lancha com mais ou menos 20 a 30 pessoas e descerem, às vezes, mais de uma vez por semana.

Ali, no Porto Cercado, caberia uma barreira sanitária, e não na entrada da cidade rotulando pequenas embarcações de vilões.

Fiz no pesqueiro uma pequena ceva para tentar comer uma pacupeva e matar o desejo.

Na ceva, o dourado não deixava os pequenos peixes em paz, mas, como não quero pegar trinta anos de cadeia, resolvi não tocar em nenhum.

Nunca vi ou ouvi alguém dizer que o jacaré é, sim, um predador de peixe. Sempre a culpa cai nas costas do pescador amador

Descendo rio abaixo, na região da Ilha Camargo, impressionou-me a imensa população de jacarés. Já escrevi sobre isso e tal qual a Pôncio Pilatos, lavo minhas mãos.

Nunca vi ou ouvi alguém dizer que o jacaré é, sim, um predador de peixe. Sempre a culpa cai nas costas do pescador amador.

Um dos meus amigos pantaneiros perdeu em um só dia, seis bezerros, pela ação predadora da onça pintada. Disse-me que hoje em dia é mais fácil se deparar com uma onça pintada no pantanal do que avistar uma cobra.

A onça coloca a mão dentro da boca do bezerro retira sua língua junto com a traqueia, come tudo e deixa para os urubus o corpo.

E vai além, me dizendo assim: “Dotô, eles querem encher um barco de turista com máquina fotográfica na mão pra tirar foto de onça. Isso é 'fazê' gentileza com chapéu 'aieio'. Então, paga nós!”

Tem ONGs para defender quem cria gado no pantanal? Tem ONG pra defender quem com um suor miserável adquire seu gado e os entrega às onças?

Há proteção de alguém ou de alguma forma a esses micro pecuaristas?

Ninguém está aqui para defender a incineração do felino, mas sim para defender quem não tem voz e muito menos perna pra procurar um amparo.

Chega de demagogia e de excesso de frescura nestas causas.

Como nós, cidadãos urbanos, o pantaneiro também tem seus direitos e deveres.

O dourado, o jcaré (um quis na semana passada comer uma máquina fotográfica de uma turista dentro do barco) e a onça pintada, logo logo formarão a trilogia do mal da planície pantaneira.

Ao homem pantaneiro, aquele que realmente sabe cuidar desse paraíso, meus reconhecimentos pela bravura e senso de equilíbrio ecológico.

EDUARDO PÓVOAS é odontólogo em Cuiabá.


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