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Cuiabá MT, Terça-feira, 02 de Junho de 2020
ARTIGOS
Terça-feira, 19 de Maio de 2020, 09h:45

RENATO PEREIRA

Cisne Negro

Nenhuma pessoa viva se lembra do último evento de pandemia

O escritor Nassim Nicholas Taleb, criou e figura do Cisne Negro.  Segundo ele antes do descobrimento da Austrália, as pessoas estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos. 

Nada autorizava a pensar que houvesse cisne de outra cor. Quando encontraram na Austrália essas aves com penas negras foi um espanto.  

Taleb, com seu engenho, passou a usar essa surpresa do encontro com o desconhecido, para cunhar o termo Cisne Negro, assim, com iniciais maiúsculas.  Para ele Cisne Negro é qualquer evento inesperado, aleatório e impactante, positivo ou negativo. 

A característica principal é a imprevisibilidade. Outro detalhe é que após o seu aparecimento, surgem mil teorias para explicá-lo.  

A Covid-19 é um Cisne Negro. Fora um ou dois casos de epidemias mais ou menos localizadas, como é o caso do ebola na África, nenhuma pessoa viva se lembra do último evento de pandemia como foi a gripe espanhola há mais de 100 anos.  

Assim, embora alguns sugerissem a possibilidade de uma doença planetária, ninguém dava bola porque sempre tiramos de letra a gripe suína, a aviária e outras que surgiram em períodos diferentes; além de termos restringido o ebola a alguma regiões subdesenvolvidas.

Mesmo quando surgiu a Covid-19, em dezembro passado, acreditamos que seria como suas primas que tinham baixo potencial de destruição, e para as quais, rapidamente encontramos vacinas eficazes.  

Estávamos enganados como ficou provado para a grande maioria logo em seguida, menos para alguns teimosos alienados que a despeito de todas as evidências ficaram menosprezando o potencial danoso da nova doença. Entre eles o mais poderoso homem do mundo, Donald Trump, seguido pelo seu admirador Jair Bolsonaro.  

Ambos zombaram desse legítimo Cisne Negro, primeiro negando-lhe o poder destruidor, depois, quando as evidências não puderam ser mais contestadas, passaram a defender remédios milagrosos que a ciência não recomendava como remissor da doença.

Foi o caso da cloroquina – obsessão de Trump e Bolsonaro.  

Pra outra coisa não servem máscaras, desinfetantes e distanciamentos, a não ser para evitar que cheguemos todos ao mesmo tempo aos hospitais, disputando limitados equipamentos de suporte à vida

O resultado dessa arrogante ignorância foi que os americanos hoje são os campeões de mortalidade pela Covid-19 e o Brasil, graças ao estímulo do mandatário maior, relaxa o distanciamento, ao tempo em que aumentam perigosamente as contaminações.  

Enquanto a vacina não chega e não se descobre um remédio com real poder de cura, resta-nos ir cozinhando o vírus em pouco fogo, enquanto se aumenta a estrutura da saúde pública e se obtenha mais respiradores, única forma de salvar vidas.

Pra outra coisa não servem máscaras, desinfetantes e distanciamentos, a não ser para evitar que cheguemos todos ao mesmo tempo aos hospitais, disputando limitados equipamentos de suporte à vida.  

Os ex-ministros da Saúde, Henrique Mandetta e Nelson Reich, caíram porque ficaram ao lado da ciência como única forma de vencer a doença.

Com eles fora do Governo, corremos o risco de prosperarem as ideias do presidente, levando o povo a uma desobediência civil.  

Claro que há exageros: Cuiabá que tem cerca de 10% dos leitos de UTI ocupados, não deveria estar em confinamento tão severo quanto São Paulo, onde não há respiradores para todos que precisam.

Mas não é desobedecendo às autoridades que resolveremos o problema.  

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário do setor hoteleiro e escritor em Cuiabá.


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