SÃO SILVESTRE

Fita Bayesa não teme mais o percurso

O fundista diz conhecer todo o trajeto e que está preparado para buscar a vitória se reabilitando da derrota de 95.

RONALD FREITAS
Da Agência Estado - São Paulo

A pergunta é inevitável: "Você conhece bem o percurso da São Silvestre?". A resposta de Fita Bayesa é afirmativa e confiante, mas seguida de um embaraço indisfarçável. Sorrindo, o etíope, que está no Brasil para disputar a 73ª edição da corrida, não esconde o desconforto de ter deixado a medalha de ouro lhe escapar do pescoço ao errar o caminho que levava os corredores à linha de chegada da prova, em frente ao prédio da TV Gazeta, em 1995. Terminou em segundo, atrás do queniano Paul Tergat, bicampeão em 1996.
Mas o tropeço na São Silvestre foi apenas o primeiro na carreira do atleta. No ano passado, Bayesa foi vice-campeão de duas provas que liderava por cair nos metros finais da corrida. "No Porto, em Portugal, numa esquina com declive à esquerda, perdi o equilíbrio, caí e fui ultrapassado pelo português Antônio Pinto, a 100 metros da chegada", conta. Em Paris, no Grand Prix, meses depois, a história se repetiu.
Correndo num grupo de que fazia parte o queniano Moses Kiptanui, desequilibrou-se mais uam vez e caiu. "Provavelmente alguém bateu na perna dele por acidente", explica o empresário Edgard de Veer, que administra a carreira de Bayesa. Ainda assim, o etíope está otimista. Há três meses, venceu Tergat, em Petinengo, na Itália, num percurso acidentado de 13 quilômetros _ apenas dois mil metros menor do que o da corrida paulistana. Mas, se depender de resultados recentes, a prova deste ano não tem favoritos.
Batismo _ Paul Tergat é dono da melhor marca dos 15 quilômetros de todos os tempos (42min12), com seis minutos a menos do que o recorde desta temporada, do etíope Worku Bikila, finalista dos 5 mil metros na Olimpíada de Barcelona e nos Mundiais e Stuttgart e Gotemburgo. Além disso, Bikila derrotou Bayesa este ano. A vantagem do queniano resume-se ao fato de ter vencido a São Silvestre sob sol forte e calor intenso. A boa marca de Bikila nos 15 quilômetros foi alcançada em Amsterdã, num percurso plano, sob um frio de 8C.
Casado, o etíope acaba de ser pai. Recebeu a notícia no aeroporto de Amsterdã, pouco antes de embarcar para o Brasil. "Foi uma surpresa por ser prematuro", diz. Como o menino nasceu um mês antes do previsto, ainda está sem nome. Se vencer a corrida, Bikila vai dedicá-la ao filho que pode ser batizado como Silvestre.
No grupo de frente ainda estão os brasileiros Ronaldo da Costa, Vanderlei Cordeiro de Lima, Luís Antônio dos Santos, o mexicano Dionicio Ceron e os quenianos Simon Chemoiyw e Shem Kororia, que estréia na prova. "Não conheço o percurso, mas gosto de trajetos acidentados e com subidas", diz. Especialista em provas de 5 mil metros, Kororia é o campeão mundial da meia-maratona, com a marca de 59min56. Tímido, de fala mansa, recusa-se a fazer previsões. Mas manda um recado provocador a Tergat, seu amigo: "Se ele está bom, eu não estou ruim".


Paul Tergat prevê dificuldades durante a prova

HELENI FELIPPE
Da Agência Estado - São Paulo

O queniano Paul Tergat, de 27 anos e 1,82 m, é bicampeão da Corrida Internacional de São Silvestre e mais uma vez está em São Paulo como o favorito ao título da 73ª edição da prova, credenciado por excelentes resultados na temporada. Fechou o ano como o novo recordista mundial dos 10 mil metros (26min27s85). Tergat disse, ontem, que está bem preparado, mas preferiu a humildade na hora de responder se vai correr pelo tricampeonato. "Vim para fazer uma boa corrida", comentou.
Garantiu, no entanto, que está bem preparado, mas disse que é uma prova que depende de muitas e variadas condições. "Sou um atleta na profissão e na vida e sei que vencer ou perder faz parte."
O fundista, que mora em Nairóbi, no Quênia, deixou o seu país em tempos de eleição, atraído pelo maior cachê da prova (cerca de R$ 12 mil) e pela possibilidade de ganhar os R$ 10 mil do prêmio para o campeão (ao todo a São Silvestre distribuirá R$ 68 mil em premiação). Não se negou a falar de política e dos problemas sociais do Quênia. Contou que se estivesse no Quênia votaria no candidato da situação, Daniel Arap Moi, nas eleições que começaram ontem e seguem hoje.
Tergat, que é popular no Quênia, afirmou que seu país tem muitos problemas, incluindo a pobreza. Pessoalmente, ajuda cinco crianças órfãs custeando seus estudos na cidade de Kabarnet, onde moram seus pais _ fica a 100 Km de El Doret, onde nasceu. Hoje vive em Nairóbi porque sua mulher trabalha na cidade e seus filhos estudam lá. Disse que seu pai era um fazendeiro de café e que pode estudar e ter boas condições de vida, antes de decidir-se pelo atletismo.
Longe dos problemas de seu país e pensando na corrida que fará amanhã, com largada às 16 horas, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), Paul Tergat assegurou que a São Silvestre é uma corrida difícil por causa do calor e da umidade de São Paulo, do percurso com subidas e descidas e da largada. "É grande o número de pessoas na partida, gente cortando a sua frente, exige atenção", comentou Tergat, que estava treinando em Nairóbi, com temperaturas amenas, entre 18 e 22 graus. Indica como adversários diretos na corrida o queniano Shem Kororia, os etíopes Fita Bayesa e Worku Bikila e o sul-africano Hendrick Ramaala.


JUDÔ

Da Agência Estado - São Paulo

As dietas rigorosas a que os judocas se submetem às vésperas das competições para emagrecer podem estar com os dias contados. Os limites de peso de 11 das 14 categorias masculinas e femininas do judô serão aumentados a partir de 1º de janeiro pela Federação Internacional da modalidade, depois de se constatar que os atletas sofriam com o estresse causado por jejuns forçados. "Os estudos feitos pela entidade mostraram que a elevação era a melhor providência", explica o presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Joaquim Mamede de Carvalho Silva.
Apenas os limites das categorias ligeiro feminino (48 quilos) e masculino (60 quilos) e meio-leve feminino (52 quilos) permanecem inalterados. A maior mudança, de seis quilos, dá-se na categoria meio-pesado feminino, a da judoca Edinanci Silva. O limite, que atualmente é de 72 quilos, passa para 78. Com a alteração, a preocupação de perder peso pode acabar ou inverter-se, com os atletas comendo mais e fazendo musculação para fazer o ponteiro e balança subir, para que se mantenham na categoria.
Mas já há quem admita a mudança. Caso da médio Vânia Ishii, que deve perder três de seus 66 quilos para disputar a categoria meio-médio. As médio terão de pesar, a partir de quinta-feira, 71 quilos. "Esse vai ser o caminho seguido pelos que têm dificuldade de ganhar peso: competir na categoria imediatamente abaixo da sua", prevê Mamede.
Controle difícil _ O primeiro teste será nos dia 7 e 8 de janeiro, nas seletivas para o Mundial por equipe, que serão realizadas no Rio. Os 14 judocas que representaram o Brasil no último Campoenato Mundial, em Paris, em outubro, só entram na última etapa das seletivas, em maio. O meio-pesado Aurélio Miguel, que sempre sofreu nas suas lutas contra a balança, não pretende mudar de categoria, cujo limite sobe de 95 para 100 quilos. "Todos os judocas têm dificuldade para controlar o peso, mas eu prefiro esperar a mudança para competir e fazer uma avaliação", diz.
De férias, Aurélio não tem controlado o peso, mas em outubro, às vesperas do Campeonato Mundial da França, teve de seguir uma dieta para ir a Paris como 95 quilos depois de ficar alguns dias parado, recuperando-se de uma contusão no músculo glúteo. O ideal para os atletas é competir com o peso limite ou muito próximo dele para não estar em desvantagem. O estresse detectado no estudo da Federação Internacional de Judô é provocado justamente pela tentativa de chegar ao peso ideal às vésperas da disputa.
Outra mudança no judô que passa a vigorar em 1998 é o uso de quimono azul por um dos judocas nas competições internacionais. A mudança foi autorizada para facilitar a identificação dos atletas pela arbitragem e pelos jornalistas que transmitem as lutas. Atualmente, a diferenciação é feita por uma faixa vermelha usada por um dos dois lutadores.


BASQUETE

Alessandra estréia no Messina da Itália

Da Agência Estado - São Paulo

A falta de definição sobre como será a liga brasileira feminina de basquete levou a pivô Alessandra Oliveira, de 22 anos e 2 metros, para a Itália. A jogadora deixou o País, no sábado, e estréia pelo novo time, o Messina, hoje, em partida do Campeonato Italiano. "Meu time havia sido eliminado do playoff do Campeonato Paulista e ninguém sabia dizer quem iria jogar a liga brasileira", contou. "Na indefinição, resolvi aceitar o convite da Itália também porque acho que vou aprender muito."
Alessandra defendia a Data Control/Net, de Santa Bárbara D'Oeste, no interior de São Paulo, que não ficou entre as quatro paulistas classificadas para a liga nacional. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) informou que as jogadoras de São Paulo poderiam ser emprestadas para equipes de outros Estados, mas até agora não divulgou nenhum critério para que isso ocorra. "Isso aborrece porque quem não joga a semifinal do Paulista está parada, sem saber do futuro."
A pivô considera os quatro meses que passará na Itália, como "um laboratório" para a Women's National Basketball Association (WNBA), a versão feminina da NBA dos Estados Unidos, na qual ingressará em junho. "Estarei adquirindo experiência, aprendendo a viver em outra cultura", comentou Alessandra, que não teme problemas de adaptação com a língua, a alimentação ou o clima. "São coisas que uma atleta de alto nível tem de superar."
Talvez estranhe um pouco o estilo tático do basquete europeu, caracterizado por um sistema defensivo muito forte. Mas acha que será positivo para a carreira. "Será bom se eu puder melhorar o meu trabalho na defesa, mantendo a velocidade que caracteriza o basquete brasileiro." Tudo o que somar em aprendizado, Alessandra, que é campeã mundial e vice-campeã olímpica, pretende usar em favor da Seleção Brasileira.
No meio das duas temporadas, que fará por equipes da Itália e WNBA, Alessandra vai defender a Seleção no Mundial da Alemanha, de 26 de maio a 7 de junho. "O técnico garantiu que meu lugar na Seleção está assegurado", disse Alessandra, referindo-se ao treinador Antônio Carlos Barbosa. "Eu não queria ficar fora da Seleção de jeito nenhum."
Alessandra, que começou a jogar basquete aos 15 anos, depois de desistir do vôlei, integrou a seleção adulta, pela primeira vez, em 1993, no Sul-Americano da Bolívia. Aos 19 anos, foi campeã mundial, e hoje, mais amadurecida, confessa que sequer conhecia a jogadora que marcou _ a famosa Katrina McKlein _, na vitória do Brasil contra os Estados Unidos. Confia no trabalho de sua geração para fazer com que o Brasil vá ao pódio no Mundial da Alemanha. "Eu, a Silvinha, a Leila, a Claudinha, a Cíntia, fazemos parte de uma geração que cresceu aprendendo a ter mentalidade de grupo."


FUTEBOL CHILENO

Brasileiros brilham no futebol chileno

Da Agência Estado - Santiago, Chile

Os jogadores Catê e Pereira estão conquistando no futebol chileno o que não conseguiram no brasileiro: prestígio. Os dois atletas, que foram revelados nas categorias de base do São Paulo, fazem parte da seleção da temporada do Campeonato Chileno, escolhida pela imprensa esportiva do país. Catê, que chegou ao Universidad Católica em 96 como atacante, agora atua na lateral direita da equipe de Santiago. Já o meia defensivo Pereira, é considerado um dos principais jogadores do Colo Colo, que disputou este ano as semifinais da Copa Libertadores e da Supercopa dos Campeões.


FUTEBOL PARAGUAIO

Arce aposta no sucesso do Paraguai durante o mundial

Da Agência Estado - Assunção, Paraguai

O lateral direito da seleção paraguaia, Arce, acredita que sua equipe tem a oportunidade de entrar na história do futebol mundial na Copa da França. O lateral, que atua no Grêmio de Porto Alegre, acha que o fato do Paraguai disputar o Grupo D, considerado um dos mais equilibrados do Mundial (Espanha, Nigéria, Bulgária e Paraguai), é muito positivo. "Jogar contra seleções fortes é uma maneira de crescer", disse o paraguaio. "Se não superarmos os melhores nunca vamos entrar para a história do esporte". Arce acredita que a seleção do Paraguai, dirigida pelo técnico brasileiro Paulo César Carpegiani, tem tudo para terminar a Copa entre as oito melhores. "Temos condições de ficar entre os oito melhores, mas eu quero ser campeão", afirmou o lateral do Grêmio, que está na mira dos dirigentes do Palmeiras.


FUTEBOL ESPANHOL

Edu Manga pretende voltar a jogar no futebol brasileiro

Da Agência Estado - Madrid, Espanha

O Real Valladolid, da Espanha, deve emprestar o passe do meia brasileiro Edu Manga para algum time brasileiro ou argentino, segundo divulgou ontem o jornal Sport, de Madri. O jogador, ex-Palmeiras e Corinthians, que está em férias no Brasil, tem contrato com a equipe espanhola até o final de 98. O Valladolid, que o ocupa a 14ª colocação no Campeonato Espanhol, já emprestou o meia uruguaio Alvaro Gutiérrez ao Rayo Vallecano, que disputa a segunda divisão na Espanha.