CINEMA

Novela de Eça de Queirós na telona

"Alves & Cia" é o terceiro longa-metragem de Helvécio Ratton, diretor de "O Menino Maluquinho"

ROBERTA JANSEN
Da Agência Estado - Rio de Janeiro

O cineasta Helvécio Ratton foi buscar na cidade histórica de São João del Rey o ambiente necessário à recriação de Alves & Cia, novela de Eça de Queirós escrita em 1883. É em meio ao casario colonial e a igrejas do século 18 que Ratton está filmando, desde o início do mês, Amor & Cia, longa baseado na obra do escritor português. As filmagens terminam no dia 4 de novembro e a previsão é de que o filme, uma co-produção entre Brasil e Portugal, estréie, nos dois países, no segundo semestre do ano que vem.
Publicada somente em 1925, 25 anos após a morte do escritor, Alves & Cia é um retrato bem-humorado da pequena burguesia lusitana do fim do século passado. "É uma das raras criações de Eça em que o humor está no centro da trama, atingindo seus personagens principais", diz Ratton. A história gira em torno de um triângulo amoroso formado por Alves, um próspero comerciante, sua mulher, Ludovina, e seu sócio, Machado. Na adaptação, os papéis principais são de Marco Nanini, Patrícia Pillar e Alexandre Borges.
No interior da igreja de Nossa Senhora do Pilar, construída em 1721, Marco Nanini e Patrícia Pillar concentram-se para filmar uma das seqüências finais de Amor & Cia. Trata-se da cena em que Alves e Ludovina se reencontram após meses de separação _ forçada pela descoberta do adultério. Sob a luz das velas que iluminam a igreja e um silêncio sepulcral, os dois conversam aos sussurros. Nanini emociona-se com a seqüência e chora. "Essa cena está em uma seqüência engraçada, mas tem uma emoção real e dramática muito forte", justifica Nanini.
SINOS E FOGOS _ Para gravar, a produção tem de lutar ainda contra duas tradições centenárias de São João del Rey: o badalar dos sinos e a queima de fogos nas igrejas e irmandades religiosas, que ocorrem ao longo de todo o dia, sem nenhuma razão especial. Em uma das tomadas, a equipe é surpreendida pelos sinos. Nanini sai-se bem, inserindo as badaladas no contexto da cena. Quebrando o silêncio, o pessoal da produção berra. "Ok, gente, já acabamos, muito obrigado pela colaboração". E a população retoma sua rotina.
Para levar às telas Alves & Cia, o cineasta Helvécio Ratton e o roteirista Carlos Alberto Ratton optaram por adaptar a novela de Eça de Queirós à realidade brasileira do século passado. A escolha de São João del Rey, em meio a tantas outras cidades históricas, até mais bem preservadas, não foi por acaso. "É uma história sobre a burguesia, que se passa em um momento de florescimento do comércio", justifica o diretor. "E São João del Rey tinha essa característica no fim do século passado: era importante entreposto comercial".
Para recriar tal ambiente, a Rua do Comércio, a principal do centro histórico da cidade, foi em parte recriada pela cenografia do filme. As fachadas de algumas casas coloniais foram maquiadas para que a cidade ganhasse estabelecimentos característicos do período, como uma charutaria, uma modista e um café. Um casarão do início do século, praticamente destruído, foi totalmente reformado pela produção do filme, para transformar-se na casa de Alves e Ludovina.
O prédio da prefeitura da cidade, de 1849, teve sua fachada repintada nas cores originais: branco e vermelho. O prédio estava inteiramente pintado de azul, mas um acordo entre a produção e o prefeito Carlos Braga possibilitou a nova pintura. Afastado por impeachment, o prefeito não pôde terminar o serviço. Resultado: a fachada do prédio está metade na cor original e a outra metade em azul. Justamente por conta da colaboração da população, o orçamento do filme, de R$ 3 milhões, está sendo suficiente para a produção. "O fato de filmarmos aqui acaba saindo mais em conta", acredita Ratton. "A maioria dos objetos de cena foi cedida por moradores".
NOVA TRAMA _ A adaptação da história não foi totalmente fiel ao original de Eça de Queirós. "Inseri novos personagens e mudei drasticamente o final", conta Ratton, recusando-se a adiantar as mudanças. Para a composição da personagem Ludovina, diretor e roteirista valeram-se de outras personagens femininas de Eça, como a Luísa, de Primo Basílio. "Em Alves & Cia o adultério é contado do ponto de vista do homem; por isso, me vali de elementos de todos os seus romances para fazer Ludovina".
Patrícia Pillar, cujo desempenho vem sendo largamente elogiado pelo diretor e pelo ator Marco Nanini, participou ativamente do processo de composição da personagem. "Li os romances de Eça que não tinha lido e reli outros", diz. Patrícia acredita estar amadurecendo como atriz. "A cada dia vou ficando mais exigente, vou vendo os personagens de forma mais complexa; tudo isso é muito difícil e doloroso". Para compor sua personagem, a atriz chegou a ter aulas de canto e piano, além de ter pintado os cabelos loiros de castanho escuro. "Nós não inventamos nada disso, é uma exigência da própria personagem que foi aparecendo ao longo do processo".
Já o personagem de Alves, na opinião de Ratton, é muito bem definido na novela. "Se eu conseguir transpor para a tela tudo o que está no livro, estaremos fazendo um dos maiores personagens do cinema brasileiro", acredita. Nanini conta que a maior dificuldade para compor Alves é descobrir o tom certo da ironia de Eça de Queirós. "Trata-se de um humor sutil, encoberto". O ator diz estar muito feliz com o papel. "É uma brincadeira muito gostosa fazer filme de época". Mas não deixa de ter seus percalços: Nanini tomou o maior susto de sua vida, filmando a cena em que Alves foge de um trem em movimento: "Não tinha pedido dublê e o maquinista resolveu acelerar pra valer; foi horrível".
Amor & Cia é o terceiro longa-metragem de Helvécio Ratton, que antes havia dirigido Dança dos Bonecos e O Menino Maluquinho, com Patrícia Pillar.


COLUNA TAMIRES FERREIRA

Sétima Feijoada

A turma da terra já está em contagem regressiva. Assim que anunciamos na última semana a data da 7ª Feijoada Tamires Ferreira, a galera já tem se preparado para o grande dia. O auê fervilhará no dia l3 de dezembro, no Cuiabá Tênis Clube, das l2h30 às l6h. Com a participação especial de 25 componentes da Escola de Samba Grande Rio. Convites limitados.

Quatro ponto zero

Apesar da mudança de local, por motivos do aumento da relação de convidados, nada vai tirar o brilho das comemorações dos quatro ponto zero da primeira-dama do Estado Thelma de Oliveira. Haverá jantar-baile, animação de orquestra SP Três de São Paulo, decoração de Sandro Villar e buffet de Leila Malouf. O aniversário promete ser um dos mais movimentados e concorridos. O coro de "parabéns a você" está programado para esta sexta-feira a partir das 2lh no Salão do Cuiabá Tênis Clube.

Assembléia x moscas

A Assembléia Legislativa está cada dia mais vazia e às moscas. Os nobres deputados daquela casa de leis abandonaram seus postos e quem quiser se esconder dos mesmos é só dar plantão no castelo da rua Barão de Melgaço. Dizem alguns assessores que os representantes do povo mato-grossense estão nas ruas à procura dos votos para 98. Bom sinal. Isso quer dizer que nada fizeram durante os 4 anos que exerceram seus mandatos, e agora estão desesperados na recuperação do tempo perdido. Na minha avaliação e de mais alguns experientes no assunto, não adianta fazer mais nada. O povo está mais esperto, não se deixa levar na promessas de última hora, além do agravante fato de já terem feito várias promessas em palanques e nunca terem cumprido. Os bons com certeza voltarão àquela casa para continuar fazendo um bom trabalho, pena que será a minoria, pois a maioria deve colocar a viola no saco e procurar outro palco.

SOCIAL

**** Começou ontem e vai até sexta-feira a semana da leitura, na Unic. Numa inicitiva da própria universidade com os professores de ensino.

**** Em busca de votos para as eleições do ano que vem, Moacir Pires de Miranda, Antônio Eugênio Belluca - marinheiro de primeira viagem -, Campos Neto e Mauro Lúcio Rodrigues - que sairão candidatos a deputados estaduais e federais - fazem sessão caça ao tesouro.

**** O que será que os secretários de estado estão pensando em presentear à primeira-dama do Estado, Thelma de Oliveira? No ano passado eles presentearam a número um com um belíssimo conjunto de anel, brincos e colar da H.Stern. Esperamos que este ano o presente seja mais criativo.

**** Em minha mesa o convite de casamento do colunista social Ubiratam Figueiredo, de São Caetano (São Paulo). Ele sobe ao altar no dia 20 de novembro com a jornalista Jô Sperate, às 20h. As cerimônias religiosa e civil serão na Mansão Padoveze, na cidade de Santo André (SP). Ele é diretor proprietário do Jornal "ABC News", de São Caetano.

**** Os jornalistas Valéria del Cueto a Cacá de Souza estão felizes com a aprovação de seus projetos pela lei Rouanet. Para eles não poderia ser melhor a aprovação dessa portaria. São só sorrisos.

**** A maçã voltou bem mais caramelada. A temporada de separação de Tatiana Clemente e Shipu Dorileo já está sendo de vento a favor para os namorados, um dos mais badalados do high society cuiabano. O amor é lindo, mas às vezes dá um trabalho. Voltaram numa boa.

**** Como todos os anos a residência de Silvana e Ernani Calhao será palco de mais uma bela festa. Tudo porque o anfitrião reunirá um seleto grupo de amigos para o coro de "parabéns a você", no próximo dia 8 de novembro.

**** Os artistas começam a se mobilizar para llº Leilão de Arte a realizar-se no dia 20 de novembro, no Hotel Eldorado. Realização de Fernando Baracat e Emily Ayoub Giglio.

**** Hoje às 20h todas as atenções estarão voltadas para a cerimônia de inauguração do Hospital Santa Rosa. A sociedade, a classe médica e autoridades, marcarão presença.

**** A empresária Emily Ayoub Giglio está nos Estados Unidos, para compras de final de ano.

**** Com um sol de 40 graus em Cancún e curtindo as praias belíssimas em temporada de descanso, estão Marluce Malheiros e Mauro Correa, Marise Malheiros e Léo Cruz.

**** Domingo passado o casal Maria e Benedito Heitor Mansur Bumlai armou festança em torno dos filhos Ana Leila e Leandro. Reuniu amigos e familiares em sua residência para um delicioso almoço à base de peixe com camarão e de sobremesa uma torta gelada de prestígio. Estava dos deuses. Prestigiaram a festa, Neile e Geraldo Grunwald, Frederica e Salim Nadaf, Rosely Arruda e Frede Mansur Gaiva, Didi e Huguinho Blanco, Maria Conceição e Eduardo Carmona, Cássia e Michel Ayoub Clotilde Bumlai Toledo, Larisse Ayoub e uma seleta ala teen.