PRIVATIZAÇÃO

Cemat é vendida por R$ 391,5 milhões

O consórcio vencedor, Grupo Rede e Inepar, pagou um ágio de 21,09% sobre o preço mínimo

ERALDO LIMA
Enviado Especial ao Rio

Ontem às 10h59, depois de 96 lances, o controle das Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat) foi vendido para o grupo Rede-Empresas de Energia Elétrica, de São Paulo, em associação com o grupo paranaense Inepar, por R$ 391,5 milhões, em leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O ágio foi de 21,09% sobre o preço mínimo, de R$ 323,3 milhões, e os novos controladores assumirão dívidas da Cemat de cerca de R$ 700 milhões. As ações vendidas reprsentam 86,91% do capital da empresa.
A disputa pelo controle da Cemat foi feita por dois dos três únicos grupos privados que nos anos 70 e 80 atuavam na área de energia: o Rede, do empresário Jorge Queiroz de Moraes Junior, e o Cataguazes-Leopoldina, do empresário Ivan Botelho. Pela primeira vez em um leilão de empresa de energia, nenhum grupo estrangeiro depositou garantias para entrar na operação.
O leilão começou às 10h06, e a Cataguazes quase levou a Cemat, já que a sua foi a maior proposta em envolepe fechado _ R$ 370 milhões. Como a diferença em relação à proposta do grupo Rede, a segunda melhor (R$ 358,8 milhões) foi inferior a 10%, o leilão - pela primeira vez neste sistema de envelope fechado - teve de ser concluído a viva voz. Havia dois outros consórcios inscritos, mas não chegaram a entregar proposta. Um era liderado pela Escelsa, do Espírito Santo, e outro pelo VBC, que junta Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa.
Na disputa lance a lance, a viva voz, o Rede_ representada pela corretora Omega _ demonstrou todo o tempo estar com mais fôlego, pois aumentava suas ofertas imediatamebnte após as do oponente. Já o Cataguazes-Leopoldina _ representada pela Cindam _, embora desse saltos maiores no preço por várias vezes, somente apresentou lance quando o leiloeiro estava prestes a encerrar a operação. Por fim, 53 minutos após ter começado, o leilão terminou com a vitória do grupo Rede, associado ao Inepar, que se propôs a comprar o controle da Cemat por R$ 391,5 milhões, valor R$ 500 mil maior que o último lance do Cataguazes.
O governador Dante de Oliveira comemorou a venda da Cemat, lembrando que o ágio de 21,09% foi bom para uma empresa endividada. Dante de Oliveira disse que a empresa foi mal administrada ao longo dos últimos 30 anos e, que em seu governo, ele saneou e preparou a empresa para a privatização, através de uma gestão compartilhada com o BNDES e a Eletrobrás.
O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio disse que a Cemat foi o primeiro caso de gestão compartilhada em uma empresa de energia e sua reestruturação foi um desafio, uma vez que se trata de uma empresa muito endividada. O próprio presidente da Eletrobrás e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, chegaram a integrar o conselho de administração da empresa, para facilitar a solução dos seus muitos problemas.
Potencialmente, avaliou Sampaio, a Cemat é ótima e terá disponibilidade de energia, uma vez que o grupo norteamericano Enron está apenas esperando autorização do Departamento Nacional de Petróleo (DNP) para construir um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia no Mato Grosso. Deste modo, o estado, que sempre importou energia, terá gás para produzí-la.


Irmão de Dante entra na Justiça contra Cemat

Do enviado especial ao Rio

Na abertura do leilão, às 10 horas, foi lida uma notificação judicial aos participantes, segundo a qual Armando de Oliveira, irmão do governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), considera-se credor de R$ 13 milhões da Cemat, valor que está cobrando na Justiça. O governador não demonstrou constangimento pelo fato de seu irmão ter recorrido à Justiça contra a Cemat. Ele explicou que Armando é dono da empresa Amper que instalou linhas de transmissão no estado, antes que ele, Dante fosse eleito governador _ no governo Jaime Campos_, e que agora reivindica o pagamento de R$ 13 milhões.
A Cemat contesta o valor e durante a reestruturação da empresa a Eletrobrás e Armando Oliveira não conseguiram chegar a um acordo. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, afirmou que o governador não interferiu na negociação em nenhum momento. O contrato com Oliveira foi submetido normalmente a revisão, tal como várias dezenas de outros, assim que a Eletrobrás passou a participar da gestão da Cemat.
Na revisão, a Eletrobrás concluiu que não teria de pagar R$ 13 milhões, já que não concordava com os cálculos de Oliveira quanto à conversão dos valores do contrato na época do lançamento do real. O irmão do govenrador, assim, recorreu à Justiça e agora negociará com os controladores privados.
Segundo o secretário chefe da Casa Civil e de Modernização, esta ação foi impetrada pela empresa Amper há mais de oito meses.
Também foi lido para os interessados em adquiri a Cemat um documento elaborado pela direção do Sindicato dos Urbanitários, solicitando ao presidente da Bolsa de Valores que assegurasse a venda de 11% das ações ordinárias aos funcionários da empresa.


Mato Grosso ficará com R$ 170 milhões

Do Enviado Especial

O governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, disse que dos R$ 391,5 milhões obtidos no leilão da Cemat, R$ 170 milhões ficarão com o Estado, R$ 140 milhões irão para a Eletrobrás, e R$ 35 milhões para o BNDES, que fez uma antecipação de receita para o Estado. O dinheiro deverá ser entregue para o Estado no próximo dia 4 de dezembro.
Segundo Dante de Oliveira, ainda não está decidido se metade dos recursos que couberem ao estado serão destinados ao pagamento da dívida do governo com a União, conforme resolução do Senado. Isso porque, segundo ele, o Estado do Mato Grosso já vem comprometendo 15% de sua receita líquida com o pagamento da dívida com governo federal, que está em R$ 900 milhões.
Se os R$ 170 milhões permanecerem no caixa estadual, Dante de Oliveira explicou que entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões irão para o pagamento dos servidores, inclusive do 13º salário. O restante será destinado a investimentos em infra-estrutura, principalmente na área de transportes e nos setores sociais. O valor do programa social, no entanto, ainda não está definido porque o projeto só ficará pronto em dez dias.
Em Cuiabá, Dante de Oliveira disse que poderá entrar com uma ação de inconstitucionalidade contra a resolução do Senado que destina metade dos recursos para pagamento de dívidas do governo contra a União.


PRIVATIZAÇÃO

Grupo Rede começou no interior de SP

Empresa que lidera o consórcio que comprou a Cemat, atua no ramo energético desde o início do século

Da redação

O Grupo Rede, que detém 65% do consórcio que adquiriu a Cemat, é a denominação de um conjunto de empresas que formam a holding Denerge - Desenvolvimento Energético S.A., presidida por Jorge Queiroz de Moraes Júnior. A Denerge, que foi criada para centralizar a administração de um grupo de empresas cujas atividades principais estão voltadas ao setor de energia elétrica.
Com sede na cidade de São Paulo e com capital nacional, a Denerge é hoje a holding controladora de seis concessionárias de serviços públicos de energia elétrica, são elas: Empresa Elétrica Bragantina S.A. (EEB), Empresa de Eletricidade Vale Paranapanema S.A. (EEVP), Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE), Caiuá Serviços de Eletricidade S.A. (CAIUÁ), Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins (CELTINS) e Companhia Força e Luz do Oeste (CFLO).
O Grupo Rede foi formado em 1981, para a aquisição da Empresa de Eletricidade Vale Paranapanema, a holding Denerge, que já controlava a Empresa Elétrica Bragantina, em 1984, comprou a Companhia Nacional de Energia Elétrica e, em 1985, a Caiuá.
Em 1989, através de uma parceria inédita com o Governo do Estado do Tocantins, a Denerge assumiu o controle acionário da Celtins e, em 1995, comprou a Companhia Força e Luz do Oeste, no Estado do Paraná.
A Denerge, através de suas concessionárias, formadoras da Rede, fornece energia para 201 municípios, localizados nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Tocantins, abrangendo uma área total de 307.575 km2. A Denerge é, hoje, um dos maiores grupos privados de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica do país. O grupo conta 1.829 funcionários e mais de 600 mil consumidores, que consomem anualmente mais de 3 milhões de MW.
HISTÓRIA - O grupo começou com a Empresa Elétrica Bragantina, de Bragança Paulista, um dos mais antigos municípios do Estado de São Paulo, fundado em 1763. Cidade pioneira no desenvolvimento de serviços públicos, já em 1893 havia criado a "Companhia Telephonica Bragantina", e em 1903, implantou os seus serviços de energia elétrica com a então Leme, Siqueira, Gordinho & Cia. Ltda. Esta precursora da Bragantina, iniciou suas atividades com a construção e operação das usinas Flores e Guaraciaba localizadas no município de Vargem.
Em 1923, a concessionária recebe a denominação de Empresa "Electrica Bragantina" Sociedade Anônima, passando a ser administrada por Coronel Antônio Gordinho Filho e outros membros de sua família, que detinham o controle acionário da nova sociedade.
Ao longo do tempo a Bragantina, oferecendo o suporte da energia elétrica, foi ajudando a forjar o desenvolvimento da região. Por volta de 1941, a empresa passa a atuar interestadualmente, ampliando seus serviços ao município de Extrema, no sul do Estado de Minas Gerais.
Em 1966, Jorge Queiroz de Moraes, Leônidas Lopes de Oliveira, Joaquim Gordinho do Amaral e Antonieta Chaves Cintra Gordinho adquiriram dos descendentes diretos do Coronel Antônio Gordinho Filho, o controle acionário da Sociedade e assumiram sua direção.
Ao longo da década de 60, a região retomou o seu desenvolvimento, atraindo investimentos de diversos grupos empresariais que ali instalaram suas unidades fabris, transformando a região em importante pólo industrial. Para apoiar e impulsionar tal recuperação econômica a Bragantina realizou grandes mudanças técnicas e administrativas, e ampliou suas linhas de distribuição de energia elétrica inclusive à outras cidades do sul de Minas.
Atualmente, sob o comando de Jorge Queiroz de Moraes Júnior - maior acionista da empresa, - neto do Coronel Antônio Gordinho Filho e filho de Jorge Queiroz de Moraes, a Bragantina deu origem ao conjunto das concessionárias que hoje formam o Grupo Rede.
A empresa fornece energia elétrica numa área de 3.455 km2, a 15 municípios da região de Bragança Paulista em São Paulo e Sul de Minas.
A Vale Paranapanema teve sua origem na Empresa José Giorgi - empreiteira de obras públicas contratada em 1912, pelo governo do Estado de São Paulo, para a construção de 400 km de linhas de ferrovia no prolongamento da Estrada de Ferro Sorocabana. À medida em que matas iam sendo derrubadas e os trilhos assentados a Empresa José Giorgi substituía os lampiões a gás de seus acampamentos pela luz elétrica gerada por máquinas a vapor e caldeiras a lenha.
Em 1940 a empresa passou a adotar a denominação de Empresa de Eletricidade Vale Paranapanema S. A. e, em 1980, foi adquirida pela Denerge.
Hoje, a Vale Paranapanema possui uma área de concessão de 11.770 km2 atendendo a 25 municípios da região de Assis e Tupã no Estado de São Paulo.
A Companhia Nacional de Energia Elétrica, sucessora da Empresa Elétrica de Catanduva, nasceu praticamente com aquela cidade em 1917, quando o seu fundador - Gataz Neme Maluf - conseguiu uma concessão municipal para distribuir energia elétrica na então Vila Adolpho. Como muitos outros, o povoado originou-se em 1910, com a chegada da Estrada de Ferro Araraquarence, vetor do desenvolvimento que, com os novos atores da cultura cafeeira, trouxeram à região inúmeras construções e intensa atividade comercial
Em 1984, a Denerge adquire a Nacional, que passa a integrar o Grupo de concessionárias formado, até então, pela Bragantina e pela Vale Paranapanema .
Hoje, a Nacional possui uma área de concessão de 4.500 km2, servindo a 15 municípios da região de Catanduva e Novo Horizonte, Estado de São Paulo.
Em Presidente Prudente, cidade que tem raízes ligadas à expansão da cultura cafeeira e à penetração dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, está a sede da Caiuá.
Os serviços de energia elétrica local tiveram início em 1924, com a Cia. Marcondes de Colonização Indústria e Comércio seguindo, anos depois, com a Empresa Elétrica de Presidente Prudente Ltda. que juntas, em 2 de janeiro de 1929, formaram a Companhia "Electrica Cayuá".
Em 1985, a Caiuá adquirida pela Denerge.
Hoje, a Caiuá atua em uma área de concessão de 9.150 km2 abrangendo 22 municípios da Alta Sorocabana no Estado de São Paulo.
Antes da criação do Tocantins, em 1988, o fornecimento de energia elétrica à região era feito pela Centrais Elétricas de Goiás S.A. - Celg. Em agosto de 1989 os ativos da Celg foram transferidos para o governo do novo Estado e uma nova companhia a Celtins - Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins, foi criada.
Como estratégia política de governo a Celtins, em setembro de 1989, foi privatizada. O processo de privatização foi realizado através de concorrência pública, vencida pelo consórcio das empresas Caiuá, Nacional, Bragantina e Vale Paranapanema que assumiu o seu controle acionário. A privatização se deu de forma inédita e é um exemplo de associação entre governo e iniciativa privada para solucionar os problemas energéticos da região. À iniciativa privada coube assumir a responsabilidade pela execução de um ambicioso plano de obras que está dando ao Estado do Tocantins a infra-estrutura, em energia elétrica, necessária ao seu desenvolvimento.
A Celtins atua na totalidade do Estado do Tocantins, em uma área de 277.500 km, atendendo 123 municípios.
A Força e Luz do Oeste, em 1910, com o Sr. Gabriel Lopes Branco, iniciou a exploração dos Serviços Públicos de geração e distribuição de energia elétrica no município de Guarapuava (PR). Mais tarde, sua concessão foi vendida à firma Silvio Colle & Ciscato, dissolvida em 1921, sendo seus ativos assumidos pelo sócio Luiz Ciscato, que firmou novo contrato com o município para a exploração do potencial hidráulico da região.
Em 1995, a Denerge adquire a Força e Luz do Oeste, que também passa a integrar o conjunto das concessionárias da Rede.
Atualmente, a Força e Luz do Oeste fornece energia elétrica ao município de Guarapuava e às localidades de Guará e Jordão, abrangendo uma área de concessão de 1.200 km2 no Estado do Paraná.


Enron pode ser sócia da Inepar

Do enviado especial ao Rio

Segundo informações do governador Dante de Oliveira, a empresa norte-americana Enron, está participando com a metade do capital da cota da Inepar na Cemat, que é de 35%.
A Enron era considerada uma das favoritas no leilão de privatização da Cemat, porém, não se habilitou a participar do leilão. Fontes do mercado acreditam que a Enron de fato entrou como sócia da Inepar no leilão da Cemat.
O Grupo Inepar, com sede em Curitiba, no Paraná, atua nas áreas de Energia - geração, transmissão e distribuição, Telecomunicações - Sistema Iridium de Comunicação Global, telefonia convencional e celular (rural e urbano), tv a cabo, rádio-chamada (paging) e Automação de sistemas, incluindo controle de tráfego.
No ano passado o faturamento do grupo foi de R$ 700 milhões, gerando um lucro de R$ 35,6 milhões. O grupo presidido por Atilano de Oms Sobrinho, conta com quase mil funcionários.
O controle da Inepar é exercido pela família de Oms Sobrinho. Fundos de pensão detém 40% do capital do grupo.


BNDES considera venda heróica

Do Enviado Especial

O vice-presidente do BNDES, José Pio Borges, considerou a venda da Cemat ontem um "feito heróico". Pio Borges explicou que quando foi iniciado o processo de privatização, a empresa não pagava os funcionários e ainda por cima carregava uma dívida de mais de R$ 600 milhões.
A dívida não foi solucionada mas recebeu da Eletrobrás, maior credora, a garantia de prazos mais longos. Os investimentos obrigatórios, de mais de R$ 100 milhões depois da privatização, também tiveram a certeza dos recursos do BNDES para serem executados.
O ágio de 21,08% obtido no leilão de ontem superou as expectativas do vice-presidente do banco, que agora está ainda mais confiante sobre o resultado dos próximos leilões do ano.
"Se a Cemat conseguiu esse ágio, Energipe, no dia 3, e Cosern, no dia 12, serão vendidas por um preço muito maior do que o estimado" prevê.
Pio Borges informou ainda que, com as distribuidoras programadas para este ano praticamente vendidas, as atenções vão se voltar para a privatização da Eletrosul, primeira grande geradora que será oferecida à iniciativa privada.


Terceiro pior ágio do setor

Do Enviado Especial ao Rio

O ágio de 21,09% obtido no leilão da Cemat foi o terceiro mais baixo, desde que começou o programa de privatização do setor elétrico, em maio de 1996.
A primeira empresa a ser privatizada no setor, a Light, do Rio de Janeiro, não teve ágio e foi vendida por R$ 2,217 bilhões para um consórcio liderado pela empresa francesa Eletricité de France.
O segundo pior ágio foi da empresa de energia do Espírito Santo, Escelsa, que conseguiu um ágio de 11,78%, ao ser vendida em julho do ano passado por R$ 357,92 milhões.
O ágio mais alto até o momento é o da privatização da empresa do Rio Grande do Sul, Cia Centro-Oeste de Distribuição, que atingiu 93,55%, com o valor de R$ 1,510 bilhão pago pela empresa norte-americana AES Co, em outubro deste ano.
Nos últimos dois leilões, após a crise nas bolsas de valores, os ágios foram de 70,1% e 83,7%, da CPFL, de São Paulo e a sul-matogrossense Enersul, respectivamente. O grande problema da Cemat é a sua dívida, mais de R$ 600 milhões, que foram transferidas para o novo dono.


Kandir elogia ágio da Cemat

Da Agência Estado - Brasília

O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, afirmou que a combinação de sistemas de envelope fechado e viva-voz no leilão das Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat), adotada pela primeira vez numa privatização, garantiu um aumento no preço da empresa. Segundo Kandir, a adoção da técnica mista para a venda de estatais é uma determinação do Conselho Nacional de Desestatização (CND).
De acordo com Kandir, as próximas privatizações, especialmente no setor elétrico, adotarão a técnica mista. Na área federal, a próxima privatização, marcada para fevereiro de 1998, será a da Eletrosul.
Kandir também destacou o interesse dos investidores na compra da Cemat, que foi vendida por R$ 391,05 milhões e alcançou ágio de 21,09%. "É mais uma demonstração de que os que estão preocupados com os investimentos de médio e longo prazo continuam acreditando no Brasil", argumentou Kandir. "Poucas pessoas imaginavam que o ágio pudesse ser tão alto."
O uso do sistema combinado para a privatização já havia sido articulado em outras privatizações, mas apenas ontem, na venda da Cemat, foi possível acioná-lo pela primeira vez.


Grupo Rede acredita que Cemat irá crescer 30%

Do enviado especial ao Rio

Os novos donos das Centrais Elétricas do Mato Grosso (Cemat) têm plena consciência de que será necessário um trabalho estafante para levantar a companhia, segundo admite o próprio presidente do Grupo Rede - que, junto com a Inepar, adquiriu o controle da companhia -, Jorge Queiroz. No entanto, ele acredita que a empresa tem um potencial de crescimento de 30% nos próximos anos, o que já valerá o esforço.
Nos primeiros nove meses destre ano, a Cemat apresentou um prejuízo de R$ 100 milhões, pouco menor que os R$ 270 milhões apresentados no mesmo período do ano passado. A taxa de perdas de energia elétrica da empresa hoje é a maior do sistema Eletrobrás e atinge a casa dos 27% - das quais 13% são comerciais. O endividamento da Cemat atualmente ultrapassa os R$ 600 milhões, entre dívidas de curto e longo prazos.
Com a aquisição da Cemat, o Grupo Rede passa a deter a fatia de 2,5% do total de consumidores de energia do país. Já incluindo a distribuidora do Mato Grosso, o grupo possui sete empresas e um faturamento anual de R$ 700 milhões. A "holding" do grupo é a Denerge, que controla a Empresa Elétrica Vale do Paranapanema - a controladora da Empresa Elétrica Bragantina, Companhia Nacional de Energia Elétrica, Caiuá Serviços Elétricos, Companhia de Força e Luz do Oeste e a Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins.
"No capital da Vale Paranapanema, nós temos uma sociedade com a CSW Texas, que detém uma participação de 22% do capital votante e 36% do total na companhia", disse o executivo. (EL)


Novos donos devem tomar posse no dia 5 de dezembro

Do Enviado Especial ao Rio

O novo dono das Centrais Elétricas Matogrossenses, o paulista José Queiroz de Moraes Junior, do Grupo Rede, pretende investir cerca de US$ 40 milhões por ano na Cemat. Ele acredita que essa quantia não será suficiente para o desenvolvimento da empresa, mas crê no seu crescimento e afirma que ela passará a dar lucro logo nos primeiros meses da nova administração.
O grupo que vai assumir a Cemat ainda não definiu a data da posse na nova empresa. Segundo Moraes, a posse e reunião com os novos acionistas da empresa estava projetada para o próximo dia 5 de dezembro. "Mas essa data ainda não foi confirmada pela direção da empresa que sai e a que entra", disse. Já o atual presidente da Cemat, Jaconias Aguiar, garantiu que a data da posse está marcada para o dia 5.
O executivo do Grupo Rede descartou a possibilidade de fazer investimentos na área de geração de energia elétrica. "O grupo esta mais interessado, neste momento, em fazer crescer a demanda reprimida de energia elétrica de Mato Grosso. A nossa intenção é a de levar energia nos mais distantes municípios do Estado", assinalou. (EL)