Leandro morre depois de 65 dias lutando contra tumor. Fãs choram

Júlio Gama e Fabiana Gitsio
Da Agência Estado - São Paulo

O cantor José Luiz da Costa, o Leandro da dupla sertaneja Leandro & Leonardo, morreu aos dez minutos de ontem (23h10, em Mato Grosso), aos 36 anos, depois de lutar durante 65 dias contra um tumor raro que lhe comprimia o pulmão direito e provocava dores agudas. Foi o final de uma luta - desigual, já se sabia -, que o cantor prometera travar contra o câncer de nome complicado (neuroectodérmico primitivo periférico) que crescia ligeiro.

O último boletim médico do Hospital São Luiz, onde o cantor estava internado, foi divulgado às 2h30, duas horas e 20 minutos depois da morte de Leandro. O objetivo era evitar que seu irmão Leonardo, que fazia um show na cidade baiana de Caldas de Cipó, recebesse a notícia pelo rádio ou tevê. Em respeito a ele, e a pedido da família, esperaram seu show terminar para avisá-lo. O comunicado apontava como causa do óbito a falência de múltiplos órgãos, provocada por um tumor torácico gigante, também conhecido como Tumor de Askins.

A luta de Leandro começou em 19 de abril, quando o cantor sentiu as primeiras pontadas fortes nas costas enquanto pescava em uma de suas fazendas. No dia 30 de abril embarcou para os Estados Unidos, onde submeteu-se a exames no conceituado Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. Os exames comprovaram a existência do câncer, o que já sabiam os médicos brasileiros, mas o núncio só ocorreu dia 8 de maio. Leandro inicou um agressivo tratamento com sessões de quimioterapia, perdeu os cabelos, mas manteve a esperança. "Vou lutar mesmo que tenha 1% de chances de viver", chegou a dizer.

À 1h40 de ontem o cantor Xororó chegou ao Hospital São Luiz. Foi direto para a garagem e chorou muito. Seu irmão, Chitãozinho, já estava no hospital havia uma hora. "Leandro faz muita falta", comentou rapidamente ao chegar. Pouco tempo depois, a apresentadora Hebe Camargo chegou ao hospital. "Vim trazer muito amor e já sinto muita saudade", disse.

O apresentador Otávio Mesquita, que havia visitado o cantor e estava do lado de fora, foi chamado às pressas por Ruy Marco Antonio Junior, filho do superintendente do hospital. Ficou lá dentro durante quase uma hora e voltou ao sagão do hospital visivelmente transtornado. Diante das evidências, muitas das fãs que estavam na frente do hospital começaram a chorar compulsivamente.

À 1h30, o Departamento de Sistema Viário (DSV) interditou as ruas de acesso ao hospital. A apresentadora infantil Eliana chegou, chorando, dez minutos antes da divulgação do boletim. Como todos os outros, nada confirmou. O clima já era de tensão e muito choro entre os fãs.

Velório - Por volta das 5h45 o corpo de Leandro saiu pelo estacionamento do Hospital São Luiz em direção à Assembléia Legislativa. A cantora Martinha, o médico e amigo Herbert Gauss, o superintendente do hospital Ruy Marco Antônio, e a assessora da dupla, Edi Cury, foram os primeiros a chegar.

Ainda era madrugada quando o povo começou a ir aonde o artista estava. Às 6h10, a fila de fãs prolongava-se pelo terreno da Assembléia e dobrava a esquina. Os primeiros familiares chegaram às 6h30. A assessora Edi Cury colocou sobre o caixão uma bandeira do Brasil e um chapéu de caubói.

Leonardo, com quem Leandro subiu ao palco durante 15 anos, chegou ao velório às 10h15. Caminhou até o irmão, debruçou-se sobre o caixão e chorou muito, consolado pelo pai, Seu Avelino e pela mãe, dona Carminha. Leonardo colocou um terço sobre o peito do irmão, ergueu a cabeça e começou a rezar de mãos dadas com os outros seis irmãos, Carmem, Fátima, Cida, Mariana, Carlos e Alessandro.

Do lado de fora da Assembléia uma multidão começou a cantar músicas da dupla. "Não era assim que eu queria ter conhecido ele", dizia a auxiliar de escritório Adriana Cruz, 19 anos, rosto inchado de tanto chorar. Assim como Adriana, uma multidão de adolescentes chorava abraçada a flores e fotos de Leandro.


PERFIL

O cantor sério de voz grave tremia de medo de ficar no escuro

Júlio Gama
Da Agência Estado - São Paulo

No início dos anos 80, quando dois de seus oito filhos decidiram abandonar a rotina dura do roçado, no interior de Goiás, para virar artista na capital, dona Carminha, na falta de vida melhor a oferecer, sentou-se com o marido, Seu Avelino, na mureta da horta, pegou nas mãos dos rapazes e recomendou: "Vai, se não der certo, volta."

Emival Eterno e José Luiz da Costa, pouco mais de 20 anos de idade, partiram para Goiânia. Haviam aprendido a cantar como passa-tempo, nos breves intervalos entre as horas intermináveis que passavam acocorados no plantio de jiló, tomate e pepino. Controlando a respiração com o cheiro do veneno que aplicavam na plantação, os dois jovens cantavam acompanhados pelo som que saia da viola do pai. Podiam não estar tão certos que eram bons intérpretes, mas não havia dúvidas de que não queriam mais acordar às quatro horas da madrugada para encher 600 caixas de tomates e antes do almoço seguir para o colégio.

Desceram do ônibus em Goiânia com uma sacola de plástico e um violão à mão e todo o repertório de Chitãozinho e Xororó na ponta da língua. Fizeram teste logo no primeiro dia numa boate chamada Canta Viola. "Cantaram Sessenta Dias Apaixonado", de Chitãozinho e Xororó. O dono do lugar mandou voltar a noite e contratou os rapazes por quatro salários mínimos todo fim de mês.

A primeira providência da dupla foi trocar os nomes. José Luiz Costa, o mais velho, nascido a 15 de agosto de 1961, passaria a chamar-se Leandro. Emival, de 25 de julho de 63, atenderia por Leonardo. Os nomes homenageavam os filhos gêmeos recém-nascidos de um casal de amigos. Nunca mais, nem entre eles ou os familiares, se tratariam pelo nome de batismo.

"O único incômodo da boate eram as facadas e tapas que rolavam algumas noites", recordou certa vez Leandro. Na cidade nova moraram em um quarto cuja mobília não ia muito além de duas beliches. A dupla dormia numa e um tio e um primo se ajeitavam noutra. Foi assim por três anos. ""Eu olhava aquele tanto de carros e pensava: nenhum é meu", chegou a lembrar Leandro em entrevista quando já fazia sucesso.

O primeiro disco, assim como os 11 que se seguiriam, chamou-se Leandro e Leonardo. Saiu pela gravadora 3M. "Vendeu meia dúzia de cópias", costumava dizer Leandro. Não era bem assim. o Volume 1, lançado em 1986, rebocado pela canção Contradições, chegou a marca de 150 mil exemplares vendidos. O Volume 2, no ano seguinte, com Solidão alcançou 250 mil -, mas o estouro viria dois anos mais tarde com o terceiro disco e a música Entre Tapas e Beijos: 1,3 milhão de cópias vendidas. Pensa em mim - Vendiam muito, mas só tornaram-se fenômenos em 1990. O Volume 4 venderia ao longo dos anos a fabulosa marca de 2,85 milhões de exemplares puxado pelo hit Pense em Mim, a letra mais simples dentre todos os versos simples do repertório da dupla, dizia: "Em vez de você ficar pensando nele/ Em vez de você ficar chorando por ele/ Pensa em mim/ Chore por mim/ Liga pra mim. Não, não liga pra ele/ Não chore por ele". A música invadiu TVs, rádios AMs e FMs, jornais e revistas especializadas, que até então torciam o nariz para o sertanejo, e virou tema de comercial de TV. Foi o melhor momento da carreira de Leandro e Leonardo. Venderam mais que Chitãozinho e Xororó; Zezé di Camargo & Luciano; Gian & Giovani e João Paulo & Daniel.

Até o 11º disco, no ano passado, Leandro e Leonardo venderam a impressionante marca de 12 milhões de discos. Os filhos de dona Carminha voltaram à cidade natal de Goianópolis, mas para tirar a família que dormia amontoada num barraco de adobo. Compraram fazendas, sítios, tiveram todos os carros que um dia sonharam, investiram em imóveis em Goiânia, mas não esqueceram da família. Empregavam cerca de 30 parentes na entourrage dos seus shows pelo Brasil.

Filhos de mesmo pai e mãe, nascidos sob o mesmo signo (leão), Leandro e Leonardo, os fãs sabiam bem, uma vez descreveram assim suas diferenças: Leonardo, voz aguda, irreverente e irônico, gosta da noite: Leandro, voz grave, era sério, falava pouco, era carinhoso, não trocava o descanso pela noitade e tremia de medo de ficar no escuro. Dores no peito - No início do ano passado, enquanto pescava, Leandro sentiu a primeira forte dor no peito que meses mais tarde seria diagnosticada como um tumor malígno, conhecido como tumor de Askin, ou nome científico, tumor neuroectodérmico primitivo periférico. Inicou uma série de exames no Brasil e nos Estados Unidos, submeteu-se a agressivas sessões de quimioterapia, mas não resistiu.

Leandro, aos 36 anos, era pai de três filhos. O mais velho, Tiago, de 12 anos, nasceu do primeiro casamento, com Cecília Gonçalves. Os dois mais novos, Lyandra, de 3 anos, e Leandro, de 4 meses, são filhos do casamento com a modelo Andréa Marques, de quem Leandro estava separado havia pouco.


Mercado vai em busca de outra dupla

Da Agência Folha – São Paulo

Com a morte de Leandro, o mercado fonográfico vai enfrentar um 'vácuo" no segmento de música sertaneja, e seu parceiro e irmão, Leonardo, terá dificuldades para seguir carreira solo. As afirmações são de Manolo Camero, presidente da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco).

'Agora abre-se um vácuo que as gravadores terão de preencher, fazendo tentativas com várias outras duplas", afirmou.

Camero também lamentou a morte de Leonardo. 'Ficamos penalizados. Há, em primeiro lugar, uma comoção pela perda de um artista de enorme importância para a música brasileira", disse.

Sobre Leonardo, ele disse que a possibilidade mais provável, em termos de mercado, é que ele integre uma nova dupla. 'Tenho certeza que ele terá muitas possibilidades de escolha para formar outra dupla."

Segundo Camero, cerca de 200 novas duplas sertanejas são lançadas por ano. 'Mas só de dez em dez anos uma nova consegue entrar para o primeiro time", disse. O critério é atingir vendagem superior a 1 milhão de discos. 'Isso mostra como é uma loteria esse segmento do mercado", afirmou.

Na verdade, três duplas entraram nessa categoria entre o final da década de 80 e início dos anos 90: Chitãozinho e Xororó (PolyGram), Leandro e Leonardo (Continental e agora BMG) e Zezé di Camargo e Luciano (Sony). A maior vendagem da dupla Leandro e Leonardo, no disco 'Volume 4" (que continha o hit 'Pense em Mim", lançado em 1990), chegou a 2,85 milhões de cópias, marcando também o auge do sertanejo no país, em plena Era Collor.

O 12º disco da dupla (sem contar os lançamentos em espanhol), já gravado, deveria ser lançado no dia 15 de julho. Até a tarde de ontem, a BMG ainda não havia divulgado oficialmente se o álbum sairá. Uma das músicas, 'Um Sonhador", integra a trilha sonora da novela 'Era Uma Vez", da Rede Globo.

Últimos a chegar ao topo no gênero, Zezé di Camargo e Luciano venderam mais de 1,5 milhão de cópias de seus quatro discos lançados anualmente a partir de 1994.

Os seis artistas juntos fizeram shows especiais para a Rede Globo e participaram da campanha publicitária da cerveja Bavária, da Antarctica, como os 'Amigos".

A empresa soltou uma nota oficial ontem lamentando a morte do cantor e comunicando que toda a 'atividade publicitária que envolva o nome ou imagem de Leandro" será bloqueada.

'O Grupo Antarctica sente essa perda como todos os brasileiros. Independente da relação comercial que nos unia, a nossa ligação era de amizade e parceria acima de tudo. Somos todos solidários a seus familiares, fãs e amigos", diz a nota, assinada por Carlos Alberto Poletini, diretor de marketing da empresa.


Chances de cura eram pequenas

Da Agência Folha – São Paulo

O tumor de Askin, que ocasionou a morte do cantor Leandro, é raríssimo em adultos. Tanto que não existem dados estatísticos de cura já que o número de casos é muito pequeno.

O câncer, de crescimento muito rápido, estava situado em uma região muito delicada próxima a órgãos como o pulmão e coração. A veloz reprodução das células cancerígenas comprimiu esses órgãos dentro da caixa torácica do cantor.

Segundo a oncologista Maria Lydia de Andrea, foi essa a razão da parada cardiorrespiratória que levou o cantor à UTI, onde permaneceu sedado até morrer.

Para conter o crescimento do tumor, os médicos ainda tentaram, mesmo com Leandro se recuperando de uma infecção generalizada, um novo tratamento quimioterápico às pressas, mas, devido ao comprometimento dos órgão afetados, as chances de cura eram muito pequenas.

Mesmo entre crianças o tumor de Askin é raro. Por volta de 30% a 40% das portadoras se curam. Mas pela falta de exemplos médicos os resultados de cura em crianças acabam não podendo ser passados para os adultos.

O crescimento veloz do câncer que levou o cantor à morte é dado pelo fato de Askin ser conhecido por ser um tumor de crescimento muito rápido ou agressivo.

Essa é a grande diferença da maioria dos tumores da infância e dos tumores de adulto. Os tumores da infância são geralmente mais agressivos, porém com melhor resposta à quimioterapia.

Segundo a oncologista de Leandro, Maria Lydia de Andrea, 'o termo agressivo vem da época em que os médicos não tinham a quimioterapia como tratamento".

'Observava-se que o tumor do adulto evoluía mais devagar. Se um adulto tinha câncer, ele tinha uma sobrevida muito maior, e a criança quando tinha um tumor o crescimento era mais rápido, e ela ia a óbito mais depressa", explicou Andrea.

Esse tipo de tumor ataca, na maioria das vezes, uma costela, o que não foi o caso de Leandro. No mediastino, a possibilidade de operação é muito mais complicada. Para o cirurgião torácido Olavo Ribeiro Rodrigues, que já tratou seis caso de Askin, 'o prognóstico é muito ruim". A quimioterapia administrada em Leandro nas duas etapas alcançadas pelo tratamento era composta por um conjunto de cinco drogas que reagem no período de multiplicação das células.

De acordo com a médica, a quimioterapia estava agindo também na medula óssea do paciente durante a segunda etapa.

Após a primeira etapa do tratamento, a oncologista estava otimista quanto à melhora do quadro clínico do cantor já que a quimioterapia atingia as células que cresciam rapidamente.

Causas

Askin é um tumor de células primitivas neuroectodérmicas, o que não quer dizer que é congênito, como havia sido afirmado pela equipe médica de Leandro na ocasião da divulgação do tumor.

Essas células estão presentes em todo ser humano e dão origem às células nervosas no desenvolvimento embrionário. São células do sistema nervoso periférico.

A diferença é que em determinado momento da vida de algumas pessoas essas células começam a se reproduzir e originam o tumor.

Provavelmente o fenômeno, que causa uma produção desordenada de uma célula primitiva, se deve a alguma causa externa, que pode ser o fumo, um vírus, um contato com agrotóxico ou irradiações.

Porém, não existiam condições de dizer qual foi o fator desencadeante no caso do Leandro.

'São estudos populacionais. O que posso dizer é que por ser fumante ele é de uma população de maior risco, mas não posso dizer que ele desenvolveu o tumor porque fuma", afirmou Andrea.

O que diferencia o tumor de Askin dos outros tipos de câncer é o fato de aparecer com maior frequência no tórax, em adultos jovens e adolescentes.

Não há como saber por que o tumor de Askin aparece em adultos. Mas existe um capítulo da medicina hoje que estuda duas situações que interessam aos pesquisadores de câncer: tumores de crianças em adultos e a situação inversa.

No mesmo grau de raridade podem haver casos de crianças com um tumor de mama ou de pulmão. Para os médicos, esse tipo de resposta continua um mistério.

'As possibilidades de cura de um tumor de Askin são muito pequenas e só serão possíveis quando forem aprimoradas a quimioterapia e o tratamento de suporte", afirmou Andrea.


Tumor aumentou 100% na última semana

Da Agência Folha – São Paulo

Apenas na última semana, o tumor que atacava o cantor Leandro teve um aumento maior que 100%. 'Dava para ver quase a olhos vistos", afirmou hoje o médico oncologista Cláudio Petrilli, da equipe do hospital São Luiz.

'A despeito da quimioterapia, o tumor mais que dobrou de tamanho. Não dá para saber em números exatos, mas todas as veias e artérias que saíam do coração estavam sendo comprimidas", explicou Petrilli.

'Todos os órgãos superiores de Leandro, inclusive o cérebro, deixaram de receber o sangue necessário para o funcionamento. Foi uma falência de múltiplos órgãos."

Para se ter uma idéia da velocidade de expansão do tumor -e de sua violência-, até a prótese ('stent") instalada na veia cava superior do cantor já estava amassada.

O 'stent", composto de uma liga metálica, havia sido colocado na quinta-feira, exatamente para garantir que a veia não fosse comprimida. 'Ficou deformado em apenas quatro dias", afirmou Petrilli.

Na segunda-feira, o pulmão direito de Leandro já estava completamente esmagado pelo tumor. Segundo Petrilli, o câncer já ocupava 'quase toda a cavidade torácica direita e estava invadindo outros espaços".

Para o cirurgião torácico Olavo Ribeiro Rodrigues, da Universidade de Mogi das Cruzes (SP), 'o prognóstico é muito ruim no caso do tumor de Askin".

Em suas duas décadas de trabalho como cirurgião, Rodrigues tratou de cinco crianças e apenas um adulto, de 24 anos. Das crianças, duas sobreviveram. O adulto está atualmente em tratamento quimioterápico e radioterápico. Ele apresenta metástase (evolução do tumor) no pulmão, pleura, omoplata e cérebro.


Polícia espera cerca de 300 mil pessoas em enterro

William França
Da Agência Folha – Goiânia

A Polícia Militar de Goiás estima que entre 250 mil e 300 mil pessoas devem acompanhar hoje, em Goiânia, o sepultamento do cantor Leandro, da dupla sertaneja Leandro & Leonardo.

O cantor será sepultado no cemitério Jardim das Palmeiras, no setor Fama, por volta das 14h. Desde as 6h, o trânsito nas ruas próximas ao cemitério deve estar interditado para carros. A princípio, o acesso à pé será liberado.

Para garantir a segurança, foram deslocados 3.500 policiais militares, além de esquemas paralelos do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Saúde do Estado. A prefeitura montou banheiros em área pública.

Para receber as várias caravanas do interior de Goiás que estão sendo aguardadas, a Polícia Rodoviária Federal e a PM estão desde hoje com esquema especial de trânsito.

O velório aconteceu a partir da noite de ontem no ginásio Rio Vermelho, no setor Central de Goiânia, que pertence ao Estado. Desde o início da tarde os fãs se aglomeravam em volta do ginásio. Às 18h, havia cerca de 500 pessoas numa fila espontânea.

A primeira pessoa a chegar foi Virgínia Oliveira da Cunha, 14, que mora próximo ao ginásio. Ela, que se declarou fã incondicional de Leandro, cantou durante toda a tarde os maiores sucessos da dupla.

A Secretaria de Esportes e Lazer, que administra o ginásio, contratou uma empresa de eventos, a Arprom, para organizar uma passarela, com tapete vermelho, para que os fãs passassem em cortejo em frente ao caixão.

Para a família foi montada uma sala Vip na área dos vestiários. Para os artistas havia outra sala, também montada para a ocasião.

Toda uma ala do ginásio foi destinada às coroas de flores. Até as 17h30 de ontem havia 45, enviadas pelas mais variadas pessoas e entidades, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) de Goiás e sindicatos patronais.

A maior parte da família de Leandro -que nasceu em Goianápolis (distante 40 km de Goiânia)- foi ao aeroporto aguardar o corpo, vindo de São Paulo. Os pais do cantor, que moram em Goiânia, acompanharam o caixão desde a capital paulista.


 A CRONOLOGIA DA DOENÇA 

19/4/98 – Durante uma pescaria, numa de suas fazendas em Tocantins, Leandro sente dores nas costas

23/04 – É internado no Hospital São Luiz, em São Paulo, e faz uma radiografia que revela uma mancha sobre o pulmão direito.

29/04 – Viaja para os Estados Unidos. Uma biópsia irá detectar o tipo de tumor que carrega no peito

4/5 – Submete-se a uma pequena cirurgia pela qual foi tirado um fragmento do tumor para análise

8/5 – No Hospital John Hopkins, em Baltimore, médicos norte-americanos diagnosticam que Leandro está com um tumor maligno no tórax.

12/05 – Volta ao Hospital São Luiz para tratamento quimioterápico. O objetivo é reduzir o tumor

19/5 – Uma boa notícia anima médicos e fãs. O tumor havia reduzido em 30% o seu tratamento em função da quimioterapia.

31/5 – O cantor aparece na sacada de seu apartamento em São Paulo, com a cabeça raspada. A queda de cabelos é um dos efeitos da quimioterapia

15/6 – Sofre uma parada cardíaca em seu apartamento, em São Paulo, e é internado às pressas na Unidade de Terapia Intensiva do São Luiz

16/6 – O boletim médico do hospital dá conta de que o cantor está com uma infecção generalizada. Sedado, Leandro continuava respirando por aparelhos. O quadro era grave.

18/6 – A infecção cede e é anunciada que a terceira etapa do tratamento quimioterápico será iniciada. Leandro é submetido a uma operação para a colocação de uma prótese dentro daveia cava superior – que estava comprimida pela ação do tumor. Além disso, foram obstruídos alguns ramos de artérias que irrigam o tumor. A idéia era "matá-lo de fome".

22/6 – Pela primeira vez, o boletim médico classifica como "muito grave" o estado de saúde do cantor. Exames comprovam que o tumor aumentou de tamanho e invadiu estruturas vizinhas ao pulmão.

23/6 – Leandro morre durante a madrugada.


 DISCOGRAFIA/VENDAGENS 

1986: carro-chefe: "Contradições" (vendagem: 150 mil discos)

1987: "Solidão" (250 mil)

1989: "Entre Tapas e Beijos" (1,3 mil)

1990: "Pense em mim" (2,8 mil)

1991: "Paz na Cama" (1,9 mil)

1992: "Temporal de Amor (1,3 mil)

1993: "Mexe (1,25 mil)

1994: "Dor de Amor não Tem Jeito" (1,3 mil)

1995: "Eu Juro" (800 mil)

1996: "Doce Mistério" (750 mil)

1997: "Anarriê, "Essas Mulheres" e "Cerveja" (376 mil)

Fonte: gravadoras


O avanço da doença

O dia a dia do cantor Leandro desde a descoberta do tumor, as internações e a evolução da doença:

19 de abril - Durante uma pescaria em sua fazenda no Estado do Tocantins, o cantor sentiu uma dor aguda nas costas. Em Cotia (SP), constatou que a dor persistia. Num hospital da cidade, fez uma chapa do tórax na qual aparece uma mancha em seu pulmão direito, do tamanho de uma laranja.

- 22 de abril - Com dores nas costas, o cantor interna-se no Hospital São Luiz, em São Paulo. É diagnosticado o tumor.

- 27 de abril - É anunciado, em São Paulo, que Leandro está com um tumor no tórax. O cantor embarca para os Estados Unidos para fazer realizar exames.

- 30 de abril - Em Baltimore (EUA), Leandro passa por uma consulta com uma equipe médica do Hospital da Universidade Johns Hopkins.

- 4 de maio - O cantor se submete a uma biópsia. O tumor é maligno e está no pulmão.

- 8 de maio - Boletim médico do Hospital Johns Hopkins anuncia que Leandro tem um tumor primitivo neuroectodermal no pulmão, ou tumor de Askin, um tipo de câncer raro em adultos. O tratamento quimioterápico será feito em São Paulo.

- 10 de maio - Leandro volta dos EUA para o Brasil. Ele está otimista.

- 12 de maio - É internado no Hospital São Luiz para iniciar o tratamento quimioterápico. A expectativa é de que o tratamento se estenda por três meses.

- 19 de maio - O Hospital São Luiz divulga que o tumor no pulmão direito do cantor teve uma redução de 30% em relação ao seu volume inicial, equivalente ao tamanho de três laranjas.

- 21 de maio - Leandro deixa o hospital agradecendo a Deus pela evolução do tratamento contra o câncer e canta para os fãs. A previsão é de que ele fique três semanas em casa antes da segunda sessão de quimioterapia.

- 15 de junho - O cantor sofre uma parada cardiorrespiratória em casa e é internado em estado grave no Hospital São Luiz. Ele respira com a ajuda de aparelhos.

- 16 de junho - Os médicos confirmam que o cantor apresenta quadro febril.

- 17 de junho - É confirmada a septicemia (infecção generalizada).

- 18 de junho - Recomeça o tratamento quimioterápico.

- 19 de junho - Leandro é submetido a duas cirurgias não invasivas para reduzir complicações provocadas pelo aumento do tumor - uma colocação de prótese na veia cava superior, para melhorar a circulação, e a obstrução de algumas veias que levavam sangue ao tumor. É uma tentativa de barrar seu crescimento. Uso de medicamentos mais fortes.

- 21 de junho - O tratamento quimioterápico é interrompido por causa de taquicardia e pressão alta. Quadro se agrava.

- 22 de junho - Situação é gravíssima. O tumor aumentou, comprometendo outros órgãos.

- 23 de junho - 0h10. Morre Leandro. Ele teve falência múltipla de órgãos.


 

MÚSICA

O som da terra está cada vez mais viável

A tecnologia e a boa qualidade da nossa música evidencia um mercado promissor

LORENZO FALCÃO
Da Reportagem

O mercado fonográfico mato-grossense está em franca ascenção. Nossa musicalidade vem conquistando cada vez mais espaço e ouvidos. A proliferação de bandas, músicos e os CDs made in Cuiabá que estão pintando são sintomas claros do crescimento do som da terra.

Atuando na produção fonográfica, há aproximadamente oito anos, Carlos Hajime Katayama é uma testemunha ativa desse processo. Carlão, como é mais conhecido, administra o Studio 312, que já atuava nesse mercado desde os tempos da saudosa bolachona de vinil. Com um equipamento de gravação com 16 canais digitais, o Studio 312 garante uma excelente qualidade no produto final. A empresa grava, faz matriz, providencia masterização, faz a prensagem e, quando necessário, trabalha em parceria com empresas especializadas de São Paulo. Mais do que isso, o Studio 312 é hoje um selo, o que lhe confere o status de uma gravadora. Resguardadas as proporções, a empresa é uma espécie de Sony Music ou Som Livre, regional.

A questão do selo é fundamental para assegurar o aspecto autoral no mercado fonográfico. "Os CDs que não tiverem o selo são taxados de piratas e correm risco de apreensão", explica Carlão, que registra os CDs que sua empresa produz e todas as músicas, uma a uma. Mais informações sobre o 312 ser obtidas através do telefone 622 0019.

O produtor salienta que nos dias de hoje a produção de um CD com tiragem de mil unidades sai na faixa dos R$ 8 mil, quase metade do custo para se lançar um trabalho, no tempo dos LPs. Desses oito paus, Carlão explica que 50% são utilizados para os serviços do estúdio, 15% são gastos com a produção gráfica (capa, encarte etc) e os 35% restantes vão para a prensagem e os impostos. Ele destaca que já investiu cerca de R$ 70 mil na sua empresa e que está satisfeito por que o mercado está melhorando. "A tendência do mercado é a expansão. Mas nós trabalhamos também na produção de jingles e trilhas", diz Katayama.

O crescimento do mercado deve-se principalmente, segundo o empresário, a dois fatores fundamentais: a grande quantidade de músicos e compositores de nível que hoje temos e também ao aspecto tecnológico que barateou as produções fonográficas.

OS TRABALHOS

O CD "Rio Abaixo", do cantor e compositor João Ormond, foi 100% produzido no Studio 312. Outro trabalho produzido na totalidade pela empresa é o CD "Modelo Cuiabano", que já está sendo distribuído como brinde aos clientes do Supermercado Modelo. Esse CD, aliás, foi uma iniciativa de Carlos Katayama. Ele entrou com projeto junto ao Conselho Estadual de Cultura e obteve sinal verde para captar recursos, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O Supermercado Modelo bancou o projeto e o grupo 4 Cantos encarnou um repertório pra agradar gregos, troianos e cuiabanos.

Nessa história do CD "Modelo Cuiabano", Carlão abre um parêntese. Ele leu a entrevista do secretário de Cultura, Elismar Bezerra, no DC Ilustrado, na qual, ele afirma que as empresas preferem bancar projetos que mobilizem grande número de pessoas, que causem estardalhaço e que sejam pra lá de populares, tipo os micarecuias da vida. Carlão pede licença pra discordar e explica que o que falta em muitos projetos é uma "amarração" que provoque o interesse dos empresários em patrocinar o projeto.

Ele frisa que o produtor cultural, algumas vezes, consegue o patrocínio, lança o produto e sequer comete a gentileza de presentear o empresário patrocinador com alguns exemplares do produto. No caso do "Modelo Cuiabano", por exemplo, a tiragem, de 5 mil unidades, foi quase toda entregue ao supermercado, para que ele distribua como brinde. Carlão prepara uma tiragem de mais mil unidades para comercialização, via Studio 312, com outra capa.

Também foram produzidos, em regime de parceria coma empresa de Katayama, os CDs "Vera e Zuleika"; prensado e selado no 312 e gravado no estúdio da Banda Terra, e "Abel e China"; gravado no 312 e prensado e selado no Viola de Cocho. Para mostrar que o ecletismo faz parte da política da empresa, no início de agosto, sai mais um CD assinado pelo 312 e, desta feita, no gênero sertanejo: vai ser a vez da dupla Tiãozinho e Thiago.

O Studio 312 tem mais uma bala na agulha, pronta pra detonar. Há um projeto, assinado pela empresa, para gravar um novo CD reunindo uma coletânea com 14 músicos da terra, já tramitando no Conselho Estadual de Cultura. Entre os músicos que fazem parte dessa galera estão João Ormond, 4 Cantos, Neurozito, Paula dos Anjos, Joel, Divino Arbuês, Angélica Mato Grosso, Calixto Marangoni, Amauri Lobo, Rita Cássia, Vânia Ormond e mais alguém que, por descuido, Carlão possa ter se esquecido de mencionar e antecipa desculpas. A coletânea está prevista pra sair final de agosto. Aguardem.


Thamires

Anote na agenda

O final de semana esta esplêndido em sua oferta de eventos e festas sociais. Preparem os modelitos, pois as melhores atrações começam hoje. E tudo indica que será um corre-corre, todos daqui pra lá, e de lá pra cá. A noite promete ser movimentadíssíma e agitada.

Hoje todos os caminhos levam para o restaurante Adriano, onde 100 mulheres foram escolhidas a dedo para juntas aumentam o coro de "parabéns pra você" em torno deste colunista que aniversaria e aproveita a data para comemorar os 10 anos de colunismo social.

Para quem gosta de uma boa arte, nada melhor do que mergulhar nos trabalhos belíssimos do artista plástico Francisco Charneca, que pendura suas telas hoje, às 20h, na galeria de arte F&E, localizada na Av. da Feb (antigo Banco Bemat).

Iracilda Botelho, com a sua equipe, está num corre-corre para o lançamento do baile da Expoagro e a escolha da rainha da Exposição 98. O auê acontece amanhã no Pavilhão de eventos da Acrimat, previsto começar às 18h. E tem mais: serão apresentadas as candidatas, filhas dos pecuaristas e associados que participam do concurso. Entre elas: Janaina Haddad, Jennifer Haddad, Cristiana Arruda, Ana Paula Jorge, Fernanda Gomes, Juliana Arruda, Joana Resende, Fernanda Sorna, Camila Carrija, Annelise Carrija Batista, Denise Senna, Natália Azevedo e Thaís Bezerra. Com toda certeza, as meninas farão bonito na passarela. Uma maravilha!

E, para esta sexta-feira, a sociedade tradicional será brindada com uma tremenda festa de casamento de Sumaya Garcia com Francisco Eduardo Sgaib. A cerimônia está marcada para acontecer no altar da Catedral Metropolitana, seguida de recepção, para muitos e bons, no salão social do Cuiabá Tênis Clube.

Sábado, nada melhor que arrumar um grupo de amigos, animadíssimo e agitar a final da Copa Juventude que também acontece no Cuiabá Tênis Clube.

Como atração especial, os organizadores do evento trazem para Cuiabá a banda U2 cover mais badalada de São Paulo. O bicho vai pegar!

Rasqueado no Micarecuia

Como foi anunciado anteriormente pelo organizadores do Micarecuia, este ano os maiores nomes do rasqueado cuiabano farão uma grande participação e uma festa no trio elétrico quando o Micarecuia em setembro chegar.

Informação dos shows: já confirmaram os cantores Roberto Lucialdo, Henrique e Claudinho.

Detalhe: segundo a produtora Cybele Bussik, que tem a sua participação no Micarecuia, como co-produção "ainda esta aguardando a confirmação de Gilmar Fonseca e Pescuma". Pelo o que tudo indica a av. do CPA vai sacudir do mesmo jeito.

Para os culturettes de plantão, só pra contrariar vai ter 4h de puro rasqueado cuiabano.

Ouro para o Brasil

Com a divulgação dos resultados das competições Cyberlions (internet) e Press & poster (mídia ímpressa), o 45 Festival Internacional de Cannes, principal competição internacional do mercado publicitário, começou de forma extremamente positiva para o Brasil, que foi o segundo país mais premiado da competição de mídia impressa, atrás apenas da Inglaterra. Foram 26 Leões brasileiros – inclusive um de ouro, por peça criada pela DM9DDB para o Masp – contra 27 ingleses.

Ouro para o Brasil II

Além de também ter sido a agência brasileira com maior número de Leões no Press & Poster (dez), a DM9DDB conquistou, igualmente, o único Leão brasileiro no Cyberlions, com o site criado para a Editora Referência para a semana de Criação Publicitária. Foi o primeiro Leão brasileiro na competição de peças criadas para a Internet, que estão sendo avaliadas pela primeira vez em Cannes.

Dakota 98

A partir deste próximo domingo, as candidatas para a maior e mais respeitada seleção de modelos do mundo "Dakota Elite Model Look 98", poderão ter a oportunidade de inscrever-se no piso térreo do Goiabeiras shopping. A final do evento será na Casa do Artesão para 300 convidados vips. Voltaremos com mais informações.

No céu

É muito triste saber de alguém que batalha tanto para fazer sucesso e no apogeu da fama, parte para o andar de cima. Já foi assim com os Mamonas Asassinas, João Paulo e agora com o Leandro.

Os fãs choram e já pensam numa nova dupla: Leonardo e Daniel. Apesar de os dois cantores serem a primeiras voz. Será que no céu o Leandro cantará com João Paulo?