| ENERGIA Enron inaugura hoje termelétrica de Cuiabá
LARISSA FERNANDES
Da reportagem
Hoje a Pantanal Energia subsidiária integral
da Enron no Brasil inaugura as atividades da Usina
Termoelétrica de Cuiabá, no Distrito industrial de
Cuiabá. A inauguração contará com a presença do
ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, o
presidente da Enron do Brasil, James Bannantine e do
governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira
Ganhadora da licitação aberta pela Eletronorte em
julho de 97, a Enron foi habilitada a financiar,
construir, operar e ser proprietária de uma usina
termelétrica em Mato Grosso, sendo o primeiro projeto de
fornecimento de energia por produtor independente da
região, alimentado por gás natural. O investimento, que
inclui a construção da usina e do ramal do gasoduto é
de aproximadamente US$ 500 milhões.
Iniciada em 12 de fevereiro deste ano, a obra deverá
ter todas as suas fases concluídas em três anos. Nesta
primeira fase, a usina começa a operar com uma turbina
movida a óleo diesel, com capacidade de produção de
150 megawatts (MW) de energia. Só no fim de 1999, a
unidade irá ampliar sua capacidade de produção para
300 MW, quando o diesel será substituído pelo gás
natural na alimentação das turbinas. A previsão é que
nesta época chegará a Cuiabá um ramal do o Gasoduto
BolíviaMato Grosso.
A etapa final da Usina Termelétrica será concluída
no ano 2000, quando será instalada a nova turbina com
capacidade de geração de mais de 180 megawatts e a
conversão para o sistema de ciclo combinado, gerando
potência máxima de 480 megawatts.
A tecnologia de ciclo combinado, ou seja, uma junção
de ciclo simples e ciclo convencional a vapor, congrega
duas formas de geração de energia, através da queima
de um combustível, possibilitando assim maior
eficiência na geração e menor custo da eletricidade. E
apesar de ser pouco utilizado no país, este sistema é
comum em outros países como os Estados Unidos, possuindo
vantagens por se tratar de tecnologia com menor volume de
emissões, menor utilização do solo e menor uso de
combustível, devido à eficiência no uso do gás.
Nesta primeira etapa a usina recebeu uma turbina V
84.3A, a maior de gás natural até agora já instalada
no Brasil. Vindo da Alemanha, este equipamento, pesando
190 toneladas, chegou junto com um gerador de 260
toneladas pelo Atlântico, passaram pelo porto de Buenos
Aires, e navegaram pelos rios Paraná e Paraguai. Em
Cáceres, um cais alternativo foi construído para o
desembarque. A utilização de navio como meio de
transporte para a turbina é inédito no país, e neste
caso, foi considerada a opção mais rápida e segura,
pois eliminou as dificuldades da via terrestre.
GASODUTO
O Gasoduto Bolívia-Mato Grosso será construído, a
partir de fevereiro de 1999, pela subsidiária da Enron
no Brasil, a GasOcidente de Mato Grosso Ltda.
Com 626 quilômetros de extensão, este trecho do
gasoduto deverá estar concluído até fim de 1999,
servindo para transporte de gás natural até Mato
Grosso, passando pelos municípios de Cáceres, Poconé,
Nossa Senhora do livramento, Várzea Grande e Cuiabá.
Com um estudo sobre os impactos ambientais realizado
pela empresa de engenharia Yaakko Poyry, a GasOcidente
levantou os problemas que o empreendimento poderá causar
onde for implantado, e apresentar posteriormente as
medidas previstas para minimizar estes impactos.
Dois tipos de análises foram realizadas: análise do
traçado e uma avaliação qualitativa das
conseqüências que o empreendimento pode ter sobre o
ambiente. De acordo com as conclusões do estudo, os
impactos ambientais são pequenos e de curta duração.
Entre as principais conseqüências positivas estão os
benefícios sócio-econômicos do empreendimento para o
estado, que vão desde geração direta e indireta de
empregos, qualificação da mão de obra até a
diversificação do parque industrial e a integração
energética e industrial com o Mercosul.
Enron
é uma gigante de US$ 23 bilhões
LARISSA FERNANDES
Da reportagem
A Enron Corp. é uma das maiores empresas integradas
de gás natural do mundo, possuindo um ativo de
aproximadamente US$ 23 bilhões, além de mais US$ 20
bilhões em projetos em desenvolvimento espalhados pelo
mundo.
A empresa opera o maior sistema privado de gasodutos
do ocidente e o segundo maior do mundo, ficando atrás
apenas da Gazprom que detém o monopólio do transporte
de gás na Rússia. Também é uma das maiores
fomentadoras e produtoras independentes de eletricidade,
tendo 3.600 megawatts (MW) em operação, mais de 3.500
MW em construção e 3.700 MW em desenvolvimento.
A Enron Corp. é proprietária da Enron International
que atua no desenvolvimento de projetos, fornecimento de
combustível, obtenção de financiamento e
administração de projetos fora da América do Norte. A
empresa está expandindo significativamente seus
negócios tradicionais no desenvolvimento de projetos de
infra-estrutura, oferecendo também serviços de
financiamento, comercialização e gerenciamento de
riscos nos mercados emergentes.
No Brasil a Enron está no mercado desde 1992, atuando
através da subsidiária Enron Serviços do Brasil Ltda.,
oferecendo seus serviços de desenvolvimento para
importantes projetos, como o Gasoduto Bolívia-Brasil e
projetos para geração térmica de energia.
Com a licença para atuar no mercado mato-grossense, a
empresa prossegue os investimentos no país, concorrendo
para o fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso
do Sul.
A empresa também tem tomado parte de processos de
privatização na área energética, como a CEG -
Riogás, no Rio de Janeiro. Recentemente comprou a
Gaspart, adquirindo assim uma participação acionária
significativa em sistemas de distribuição de gás de
sete estados brasileiros: Bahia, Recife, Alagoas,
Sergipe, Paraíba, Santa Catarina e Paraná.
MT
se prepara para exportar energia
LARISSA FERNANDES
Da reportagem
O mercado de energia elétrica em Mato Grosso vem
apresentando um dos maiores crescimentos anuais do
Brasil, devido à intensa expansão da fronteira
agrícola e o conseqüente crescimento da agroindústria
e atividades agrícolas, principalmente a soja.
A precariedade de fornecimento elétrico e o
crescimento da demanda em torno de 10% ao ano no Estado
têm sido uma preocupação da população, empresários
e governantes. O atual perfil energético de Mato Grosso
tem capacidade de suprimento em torno de 565 MW. Em 98 a
demanda do sistema interligado ultrapassou 530 MW.
"Com este crescimento e o precário abastecimento,
com certeza teríamos racionamento para 1999. Com a Usina
Termelétrica, será possível cobrir a deficiência na
primeira fase, gerando cerca de 90 MW na ponta, enquanto
não funciona com gás natural", explica o diretor
Adjunto Técnico da Rede Cemat, Clécio José Ramalho.
Hoje, Mato Grosso é abastecido por geração própria
da Cemat (4%), pela Eletronorte (75,7%), pelas usinas
Juba I e II, Casca I e II, Brasnorte I e II (13,8%) e
outras pequenas usinas no estado (6,5%).
"A importância desse passo para a melhoria
energética de Mato Grosso é estratégica. A previsão
é que nos próximos seis anos, com os projetos de
abastecimentos de eletricidade de Itiquira, Ponte de
Pedra e Guaporé, Mato Grosso irá reverter os papéis, e
se tornar um grande exportador de energia", finaliza
Ramalho.
CRONOLOGIA
Usina termelétrica de Cuiabá
NOVEMBRO 94
- Executivos da Enron procuram o senador Júlio Campos
(PFL) para levar a idéia de construir uma termelétrica
em Cuiabá. Campos pede que os executivos procurem o
recém eleito governador Dante de Oliveira.
JANEIRO 95
- Dante de Oliveira assume o governo de Mato Grosso e
é procurado pelos executivos da Enron, interessados em
investir no Estado
- No primeiro encontro com o presidente FHC, Dante
mostra o interesse em usar o gás boliviano para gerar
energia em Mato Grosso.
MARÇO 95
- Assinado o Memorando de Entendimento (MOU) entre a
Enron e a Cemat, para estudar a viabilidade de um projeto
de energia para Mato Grosso.
AGOSTO 95
- É criada uma comissão interministerial formada
pelos ministério das Minas e Energia, Relações
Exteriores, Cemat, Petrobras, Eletrobras, para estudar a
possibilidade de utilização do gás boliviano para
suprimento de energia em Mato Grosso.
SETEMBRO 95
- É concluído o MOU entre a Enron e Cemat, após o
estudo de sete possibilidades energéticas, concluíram
ser viável a implantação de uma termelétrica em
Cuiabá de 450 MW, usando o gás boliviano.
- É assinado, no dia 22, um Acordo de desenvolvimento
do Projeto (pré-contrato) entre a Enron e a Cemat
DEZEMBRO 95
- A comissão interministerial conclui a viabilidade
de usar o gás natural boliviano para uso enrgético em
Mato Grosso, com base na recomendação desta comissão o
Grupo Coordenador de Planejamento do Sistemas Elétricos
(GCPS), aprova e inclui o projeto no Plano Decenal de
Expansão 199672005.
JANEIRO 96
- O Departamento Nacional de Água e Energia (DNAEE)
baixa portaria autorizando o estudo de viabilidade do
projeto nos moldes brasileiros.
MARÇO 96
- A empresa norte-americana International Pipeline
Engineers é contratada para definir a rota do gasoduto.
ABRIL 96
- A empresa The Black & Veatch Internatinal
finaliza o estudo de viabilidade técnico-econômica do
projeto para a aprovação do DNAEE
MAIO 96
- DNAEE aprova a construção da Termelétrica de
Cuiabá
- Rebecca Mark, principal executiva da Enron
International visita Cuiabá por 2h20 e pede que os
parlamentares de MT autorizem a Cemat a entrar em uma
joint-venture para a construção da usina..
- No dia 29, numa tumultuada sessão na Assembléia
Legislativa, os deputados aprovam a criação da
joint-venture entre a Cemat e a Enron.
AGOSTO 96
- O Governo Federal, através do Ministério das Minas
e Energia, aborta a criação da joint-venture e comunica
ao governo que a criação da termelétrica será feita
após a concorrência pública para fornecimento de
energia de um produtor independente. A concorrência
será feita pela Eletronorte.
JULHO 97
- A Enron ganha a concorrência aberta pela
Eletronorte, para a construção da Termelétrica de
Cuiabá
NOVEMBRO 97
- O contrato de fornecimento de energia é assinado
pela Enron com a Eletronorte.
- Com a empresa alemã Siemens, a Enron assina um
contrato para a execução da obra em turn key (os
alemães terão que entregar a usina pronta para a Enron)
FEVEREIRO 98
- No dia 12, começam oficialmente as obras de
Construção da Usina Termelétrica de Cuiabá
NOVEMBRO 98
- Dia 23, é inaugurada a primeira fase da Usina
Termelétrica de Cuiabá
Gasoduto
para Cuiabá terá 626km
Da redação
O gasoduto Bolívia-Mato Grosso terá 626 quilômetros
de extensão. Seu início será no quilômetro 242 do
gasoduto Brasil-Bolívia, próximo ao rio San Miguel. Em
território boliviano serão 359 quilômetros, até as
proximidades da cidade de San Matias. O gasoduto se
estenderá por 267 quilômetros em Mato Grosso, da
fronteira com a Bolívia, passando por Cáceres, até
chegar a termelétrica de Cuiabá, que está sendo
construída no Distrito Industrial de Cuiabá.
O gasoduto terá 18 polegadas de diâmetro e,
inicialmente, poderá transportar diariamente 2,8
milhões de metros cúbicos de gás e, futuramente,
ampliada esta capacidade para 7,5 milhões de metros
cúbicos por dia. Segundo Kirk Sherr, este aumento na
capacidade transportada poderá ser feito com
investimentos em tecnologia de compressão de gás. Os
dutos serão enterrados cerca de 90 centímetros abaixo
do solo.
Uma das preocupações da Enron, segundo Sherr, é com
as questões ambientais, já que o gasoduto passará numa
região próxima ao Pantanal. "A Enron atende e até
mesmo ultrapassa todas as exigências estatais, federais
e internacionais em termos de legislação
ambiental", disse Sherr.
O estudo ambiental do traçado do gasoduto foi feito
pela empresa finlandesa Jaakko Poyry. Foram feitos dois
tipos de análise, uma de traçado e outra de análise
clássica.
A análise de traçado, consiste na elaboração de
uma "carta de vulnerabilidade", onde é
identificado geograficamente os pontos de maior
fragilidade ambiental do projeto. Já a análise
clássica objetiva avaliar qualitativamente as
consequências do empreendimento sobre o meio-ambiente.
No projeto estão previstas três tipos de travessias
especias: nos rios, nas áreas de montanha e nas áreas
baixas entre San Matias e Cáceres.
Nos rios que serão cortados pelo gasoduto _ Jauru,
Paraguai e Cuiabá _ será utilizada a técnica do furo
direcionado, com a passagem dos dutos cerca de 2 metros
abaixo do leito dos rios.
Para atravessar as montanhas, o projeto procurou
escolher o traçado entra as cotas mais baixas.
Já a travessia dos dutos nas área baixas entre San
Matias e Cáceres, o projeto busca evitar as áreas de
alagado permanente e as obras deverão ser executadas no
período da seca.
Gás
natural é limpo e seguro
Da redação
O gás natural, que movimentará a usina de Cuiabá a
partir do final do próxima ano, é considerado o
combustível do futuro: uma alternativa energética
abundante, limpa, eficiente, segura e mais barata que
outros combustíveis fósseis, como o carvão e o
petróleo, sendo mundialmente conhecido como o
"combustível verde". Menos poluente que outros
combustíveis fósseis, o gás natural tem baixo impacto
ambiental, contribui para a preservação da natureza e
oferece enormes vantagens econômicas para países em
desenvolvimento.
Usinas termelétricas a gás natural são muito mais
econômicas do que as alimentadas por outros
combustíveis. Além disso, o tempo de construção de
uma usina a gás chega a metade do tempo necessário para
a construção de uma usina a carvão e um terço do
necessário para uma usina hidroelétrica.
A geração de energia através de gás natural é
atualmente a que mais cresce em todo o mundo. No início
do próximo século, o gás natural deverá ser
responsável por um terço da geração mundial de
energia.
Nos países industrializados, o gás natural vem sendo
utilizado em larga escala como substituto natural dos
derivados do petróleo, respondendo em média por 20% das
necessidades energéticas, enquanto que no Brasil essa
participação atinge 2 a 3%.
As reservas mundiais de gás natural estão estimadas
em 397 trilhões de metros cúbicos, dos quais 142
trilhões constituem reservas privadas.
O gás natural é utilizado pelas indústrias para a
alimentação de caldeiras e fornos, substituindo o óleo
combustível, o diesel e outros combustíveis agressivos
ao meio ambiente, em processos que vão desde a
pasteurização do leite até a produção de cerâmica.
No Brasil, o uso industrial do gás natural ainda é
inexpressivo, com o gás da Bacia de Campos (RJ) e de
Santos (SP) sendo fornecido a indústrias do Rio e de
São Paulo.
O gás natural é uma riquíssima fonte de
matéria-prima para a indústria química. Sendo seu
principal componente, o metano, um hidrocarboneto muito
simples, o gás natural pode gerar muitos outros
compostos hidrocarbonos através de processos industriais
de separação.
Siemens
construiu a usina
Da redação
O grupo alemão Siemens é o responsável pela
construção da Usina Termelétrica de Cuiabá. O
contrato entre a Siemens e a Enron envolve o fornecimento
de pacote completo de equipamentos, engenharia e
monatgem. A execução do trabalho está sendo feita em
regime turn key ou EPC (Engineering, Procurement and
Construction).
A usina de Cuiabá, com suas três fases concluídas
no ano 2000, terá capacidade de gerar 480 megawatts
(MW). Pioneira, a usina de Cuiabá é a primeira planta
de grande porte no Brasil a operar em ciclo combinado com
turbinas a gás e tecnologia avançada, sendo abastecida
inicialmente com óleo destilado. Numa Segunda etapa,
irá utilizar gás natural como combustível e será
abastecida por um ramal do gasoduto Brasil
Bolívia.
A Siemens mundial é um dos maiores conglomerados
industriais do mundo, atuando com destaque nos setores de
geração, transmissão e distribuição de energia,
telecomunicações, informática, transportes,
eletromedicina, componentes eletrônicos, entre outros.
Com sede em Munique, na Alemanha, a Siemens AG está
comemorando 150 anos de atividade e obteve, no exercício
encerrado em setembro de 1997, faturamento da ordem de
US$ 60 bilhões, empregando cerca de 380 mil pessoas em
todo o mundo.
Gasodutos
vão alterar matriz energética
Da redação
No ano 2000, o gás natural responderá por 7% a 8% da
matriz energética, participação que, pelas projeções
da Petrobrás, deverá chegar a 12% em 2010. Hoje, essa
fonte de energia, relativamente barata e menos poluente,
representa apenas 2,5% da matriz, um percentual muito
baixo se comparado aos 27% nos Estados Unidos, 30% na
Inglaterra, 49% na Argentina e 11,2% no Japão.
A grande virada neste quadro decorrerá da
importação do gás natural da Bolívia, a partir de
1999, e da Argentina, no ano seguinte, afirma Eugênio
Mancini, chefe do Departamento Nacional de
Desenvolvimento Energético e ex-secretário nacional de
Energia.
As reservas provadas de gás natural no país somam
157,7 bilhões de metros cúbicos, dos quais 62 bilhões
se referem aos poços da Bacia de Campos, no Estado do
Rio de Janeiro, maior área de reserva do combustível,
seguida da Bacia do Solimões (campos de Urucu e Juruá,
na Amazônia), com 28 bilhões de metros cúbicos. No
entanto, com exceção do projeto de produção nos
campos de Urucu e Juruá, atualmente em fase de estudo de
viabilidade técnica e econômica, a extração não é
prioridade.
A opção da Petrobrás, neste momento, é pela
importação de gás de países vizinhos, "mas
viável do ponto de vista econômico, em razão da
proximidade dos grandes centros econômicos", afirma
Antônio Luiz Silva de Menezes, vice-presidente da
Petrofértil e responsável pelos projetos relativos ao
gás natural. A empresa, diz ele, pretende esgotar as
possibilidades de importação da Bolívia e da
Argentina, podendo ainda suprir-se com o gás natural da
Bacia de Caniseia, no Chile, para só mais tarde partir
para a exploração das reservas brasileiras.
Projeções - Pelas projeções do Ministério de
Minas e Energia a oferta de gás nos campos do país
crescerá, de toda forma, mesmo sem vultosos
investimentos. A comercialização de gás nacional pela
Petrobrás passará dos atuais 12 milhões de metros
cúbicos por dia, para 14 milhões em 1998, 16 milhões
em 1999, 21 milhões no ano 2000 e 25 milhões em 2001.
Só a Bacia de Campos, que hoje comercializa seis
milhões de metros cúbicos, pode chegar a 15 milhões,
diz Mancini. A Petrobrás já produz hoje 26,8 milhões
de metros cúbicos por dia, mas só oferta ao mercado
menos da metade.
Paralelamente, o país começará a importar da
Bolívia, em 1999, oito milhões de metros cúbicos por
dia, saltando a 13 milhões no ano 2000 e a 19 milhões
em 2001. Adicionando-se o gás que será comprado da
Argentina e chegará ao país por Uruguaiana (RS), em
quatro anos o país já contará com uma oferta de 48
milhões de metros cúbicos diários, diz Eugênio
Mancini.
O Gasoduto Bolívia-Brasil foi dimensionado para
permitir o transporte de até 30 milhões de metros
cúbicos por dia do combustível boliviano, embora, a
partir da inauguração de seu primeiro trecho, prevista
para dezembro de 1999, devam ser transportados apenas
oito milhões de metros cúbicos por dia. Pelo contrato
firmado em 1993 entre a Petrobrás e a empresa boliviana
YPFB, as quantidades deveriam aumentar gradativamente
até o patamar de 16 milhões de metros cúbicos/dia do
oitavo ano de funcionamento do gasoduto.
Compra adicional - Mas a programação inicial de
importação foi considerada insuficiente para atender
demanda estimada para a próxima década. Por isso, a
Petrobrás já está negociando uma compra adicional, que
elevará os volumes para 24 milhões de metros cúbicos
por dia já no quarto ano de operação, informa Menezes.
Hoje, a Bolívia não teria condições de fornecer
mais que oito milhões de metros cúbicos diários.
Investimentos terão que ser feitos naquele país para
aumentar a produção. Mas tampouco o Brasil teria como
absorver de chofre oferta muito maior, embora o imenso
potencial de consumo possa a se realizar em curto espaço
de tempo.
O Gasoduto Bolívia-Brasil contempla o suprimento de
gás natural às Regiões Sul e Sudeste e Centro-Oeste,
que, juntas, respondem por mais de três quartos do
Produto Interno Bruto (PIB) e do consumo de energia do
país. De acordo com a projeção da demanda feita pela
própria Petrobrás, o volume da oferta (disponibilidade
de gás importado da Bolívia e Argentina somada à
produção nacional) ainda ficará abaixo das
necessidades na região a ser atendida pelo gasoduto.
Segundo o gerente de Gás da estatal, Paulo Roberto
Costa, a estimativa é que somente nas Regiões Sul e
Sudeste e no Estado do Mato Grosso do Sul a demanda
atinja 40 milhões de metros cúbicos por dia no início
do novo século, chegando a pouco mais de 60 milhões de
mestros cúbicos por dia em todo o Brasil, no mesmo
período. Ainda de acordo com o mesmo levantamento, em
2009 a demanda nacional pelo energético deverá ser da
ordem de 100 milhões de metros cúbicos por dia. A
tendência, portanto, é que a oferta se mantenha abaixo
da demanda.
Termelétrica - O grande problema está na adequação
entre oferta e demanda no início das operações do
Gasoduto Bolívia-Brasil. No primeiro momento, a oferta
cresce muito. "Por isso, precisamos implantar usinas
termelétricas, para criar consumo e dar sustentação ao
programa", afirma Mancini. "A termelétrica é
uma âncora do programa porque consome, num só lutar,
uma quantidade muito grande de gás, para gerar energia
elétrica".
Chegar com o gás diretamente ao mercado industrial é
uma outra história. Para tanto, a Transportadora
Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A (TBG) precisará
contar com o empenho das companhias distribuidoras em
cada estado. "Essas distribuidoras têm que se
desenvolver, têm que investir, para levar o gás até as
indústrias e os centros de comércio, potenciais
consumidores que estão espalhados nas cidades, nos
distritos, por todo o interior do país", afirma
Mancini.
Como essas empresas de distribuição de gás
canalizado, embora estejam sendo privatizadas,
continuarão como monopólio em sua área de concessão,
se elas não fizerem um esforço de investimento, de
marketing, de política diferenciada de preços, o
desenvolvimento do mercado industrial para a venda de
gás natural será mais lento.
"Na verdade, o programa nacional do gás natural
depende fundamentalmente do desenvolvimento das
companhias distribuidoras", afirma Mancini. Como
esses investimentos das distribuidoras podem demorar, a
TBG terá que contar no primeiro momento com a execução
dos projetos de termelétricas.
O consomo hoje do gás natural se dá basicamente
pelas indústrias, que absorvem 83,5% da produção
nacional. No setor petroquímico, a utilização do
combustível é da ordem de 7,3% e na área residencial
de 4% (apenas no Rio e em São Paulo). Mas é um consumo
pequeno para a oferta gerada a partir do início da
operação do Gasoduto Bolívia-Brasil.
|