FIM DA LINHA

Presos 2 integrantes de quadrilha especializada em roubo de insumos

Sete estão foragidos e seriam altos funcionários da Cyanamid e Agrofel

SÉRGIO ROBERTO
Da Sucursal de Tangará da Serra

Agentes da Polícia Civil de Sapezal e Tangará da Serra _ a 220 quilômetros de Cuiabá _ detiveram, ontem, nove pessoas acusadas de integrarem uma quadrilha especializada em roubo de insumos agrícolas, em grande escala, na região compreendida entre os dois municípios. Os prejuízos às vítimas já podem ter superado os R$ 500 mil.
Dos nove homens capturados, pelo menos dois confessaram o esquema de roubo de insumos. Tratam-se de Dionízio Antônio Mazieiro, 39, ex-funcionário da empresa Agrofel, que comercializa insumos, e Vicente Ferreira da Silva, 31, ajudante de caminhão, que confessou integrar a quadrilha.
Os outros sete não tiveram, por enquanto, seus nomes revelados, mas sabe-se que três deles possuem cargos de gerência em três grandes empresas, de nível nacional, como são os casos da Agrofel e da Cyanamid. A primeira comercializa insumos e a segunda é fabricante destes produtos.
O inquérito está sob responsabilidade do delegado Douglas Turíbio, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Tangará da Serra. Ele solicitou a prisão preventiva de Dionízio e Vicente, além da prisão temporária de outros sete integrantes da quadrilha.
O esquema montado pela quadrilha é bastante simples: os produtos são roubados dos depósitos das fazendas e empresas agrícolas da região e revendidos por um preço muito baixo. Em alguns casos os bandidos se desdobram em grupos e roubam os insumos duas vezes, vitimando os primeiros receptadores da mercadoria roubada. Há suspeitas de que parte dos produtos roubados esteja sendo enviada para a Bolívia, o que poderá motivar a presença da Polícia Federal na região.
De acordo com o delegado Douglas Schutze, o depoimento do elemento Dionízio foi extremamente minucioso, com relatos precisos do esquema adotado pela quadrilha. Entretanto, algo não coincidiu, que é justamente a data dos sucessivos roubos da quadrilha.
Testemunhas falam em ocorrências no mês de outubro e Dionízio garante que os crimes iniciaram em setembro. Pela incompatibilidade deste detalhe com o caso, e pelo detalhismo exagerado de Dionízio, o delegado suspeita que o elemento poderá estar ocultando revelações surpreendentes.
"Enquanto aguardamos a confirmação das prisões destes acusados, estamos trabalhando ao mesmo tempo com outras hipóteses", afirmou o delegado, que disse ainda se tratar de um caso complicadíssimo e provavelmente com um grande número de cúmplices, o que certamente irá apresentar um extenso desenrolar nos próximos dias.


CASO PIRAN

Parecer de procurador da república deve sair hoje

Da Reportagem

O parecer do procurador da república em Mato Grosso Gino de Oliveira Litione nos processos de contrabando e porte ilegal de arma contra o empresário Valdir Agostinho Piran deve sair ainda hoje. Em seguida, retorna para o juiz Alexandre Vidigal da 3ª Vara Criminal que poderá condecer ou não liberdade provisória para o comerciante, a pedido de seu advogado, Zoroastro Teixeira.
O juiz anexou a certidão negativa do INI (Instituto Nacional de Identificação). Essa consulta é obrigatória quando se trata de pedido de liberdade provisória.
Nessa certidão consta que o empresário responde a três processos, sendo dois por estelionato. Piran se encontra internado no Hospital Jardim Cuiabá e seu estado de saúde agravou. Se recuperar nas próximas horas, deverá ir para uma das celas da Delegacia do Complexo do CPA ficando à disposição da Justiça.
O procurador foi sorteado porque trabalha com processos da 3ª Vara e seu colega, o também procurador Cléber Eustáquio Neto se encontra licenciado por problemas de saúde. Gino Litione não foi encontrado pela reportagem para falar sobre o seu parecer.
Para o advogado do comerciante, Zoroastro Teixeira, que esperava que o caso estivesse com o procurador Pedro Taques, a escolha de Litione é indiferente. "A justiça é a mesma. Cabe a mim aguardar a decisão".
Piran está preso há três dias, quando foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma. Em sua residência foram apreendidas uma escopeta calibre 12 e três revólveres de calibre 357, 22 e 38. Estes dois últimos de uso proibido.
O crime é afiançável, mas oor ter pena superior a três anos, a fiança deve ser arbitrada pelo juiz. Ao chegar no Fórum Criminal, o juiz Antônio Teixeira Nogueira Neto negou o pedido. No dia seguinte, o advogado Zoroastro Teixeira entrou com pedido de liberdade provisória.
Ao consultar o promotor Edmilson da Costa Pereira, este alegou que havia dois crimes, o de porte ilegal de armas e também o contrabando, já que a escopeta é de fabricação americana. O processo foi para a esfera federal e o ritual começou da estaca zero. O prazo para o Juiz Alexandre Vidigal termina no próximo domingo, à tarde.


NÃO FOI DESTA VEZ

Polícia militar consegue evita fuga no Carumbé

ADILSON ROSA
Da Reportagem

A polícia evitou uma fuga em massa que deveria ter ocorrido anteontem à noite na Cadeia Pública do Carumbé após receber uma denúncia anônima de que alguns cadeados estavam arrebentados. Uma equipe de policiais militares esteve na Cadeia e verificou que três barras de uma das celas da ala L estavam cerradas e coladas com sabão. O espaço seria suficente para passar uma pessoa gorda.
Na cela que estava com 10 presos, foram apreendidas duas "mariateresa" _ corda artesanal confeccionada com pedaços de lençóis e camisetas _, cinco chuços _ arma confeccionada com pedaço de madeira _ e vários litros de refrigerantes com areia que seriam amarrados na porta das mariateresa servindo como gancho.
Segundo capitão Durval, de plantão na Copom (Central de Operações da Polícia Militar), se os presos saíssem das celas, poderiam arrebentar o cadeados das outras três celas e deixar os presos pronto para uma fuga em massa. Um agente carcerário informou que havia, pelo menos 50 presos, na ala L.
"Saimos checando cela por cela, batendo o martelo nas grades para descobrir algumas irregularidades e encontramos a cela onde estava as barras serradas", comentou. Capitão Durval explicou que esse tipo de revista é feita durante a tarde. "A barra de ferro inteira tem um som característica. Se for serrada, o barulho é outro".
Após descobrir a irregularidade, o diretor da Cadeia, Denilson Pereira determinou a tranferência dos presos para outra cela. Hoje de manhã, as barras estavam sendo soldadas.
Para capitão Durval, a fuga foi evitada porque os policiais agiram rápido. "A fuga, com certeza, aconteceria à noite, e muita gente iria tentar fugir", completou.


Mata Grande teve início de rebelião

PEDRO RIBEIRO
Da Sucursal de Rondonópolis

A ação rápida da Polícia Militar que fazia guarda na Penitenciária de Médio Porte de Mata Grande, em Rondonópolis (210 quilômetros ao Sul de Cuiabá), em conjunto com os agentes carcerários daquela prisão, evitou que vários presos fugissem. A tentativa frustrada aconteceu na manhã de ontem, por volta das 10h.
Segundo informou o tenente PM João Batista de Farias, diretor da Penitenciária, o objetivo dos presos era sair correndo pelo portão principal, dificultando o trabalho dos policiais.
Conforme relatou o diretor do presídio, uma equipe de evangélicos estava realizando um culto junto aos presos. Ao final do culto, quando o pastor saia da área onde ficam os detentos, um deles, José Jesus Carvalho de Almeida (29), condenado a cinco anos e quatro meses por trágico de drogas, tentou sair correndo, quando então foi alvejado com um tiro na perna.
Vendo que José Jesus havia levado um tiro, os outros presos que estavam no pátio tentaram forçar o portão, mas foram contidos pelos PMs e carcereiros. A direção do presídio solicitou reforço policial e, cerca de 60 soldados foram enviados ao local para garantir a segurança e a ordem.
O clima na Mata Grande estava tenso durante toda a manhã; os presos recusavam a voltar para as celas sem antes falar com a juíza Maria Aparecida Ferreira Fagos, corregedora dos presídios em Rondonópolis.


ESPERTINHAS

Bolivianas presas com 8 kg de cocaína colada ao corpo

CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres

Duas bolivianas "caíram" ontem na barreira que o Exército Brasileiro mantém no Destacamento de Corixa, na fronteira com a Bolívia. Elas carregavam, colados ao corpo, pacotes que totalizavam 8,100 kg de cocaína. Rita Ortiz Pera, 45 e Mariela Ribeira Urtada, 19, viajavam em um ônibus da empresa Transjaó, que faz a linha Santa Cruz e Cáceres, e a droga foi descoberta durante a revista feita em todos os passageiros do ônibus.
Os pacotes de cocaína foram embrulhados com esparadrapo, parecendo gesso e estavam amarrados nas pernas das traficantes, que usavam saias largas e longas. A revista em passageiros do sexo feminino é feita por esposas de militares que ficam no destacamento.
Encaminhadas à Delegacia Federal de Cáceres, elas declararam ao delegado Robinson Fucks que a droga seria entregue a um brasileiro, na rodoviária de Cáceres, e que cada uma delas receberia 1.500 dólares pelo transporte da droga.
O delegado Fucks afirmou que as bolivianas funcionavam como "mulas" no tráfico de entorpecentes, ou seja, as pessoas que transportam a droga em quantidades menores. Mas Mariela Ribeiro Urtada viajava com seu passaporte, levantando suspeitas de que a droga poderia ser levada para fora do Brasil.
No último semestre, o Exército Brasileiro apreendeu mais de 30 quilos de cocaína na fronteira, um trabalho de apoio que o delegado Fucks considera eficaz e essencial.


LOJÃO DO QUEIMA

Apreendidas 11 mil peças de roupas roubadas em São Paulo

Da Reportagem e Sucursal de Rondonópolis

Cerca de 11 mil peças de roupas, entre camisetas, calças e vestidos, foram apreendidas de duas lojas "Lojão do Queima" pertencentes ao empresário Edmilson Paulista _ uma de Rondonópolis e uma de Cuiabá _ e da Magazine Oba, de Cuiabá. A apreensão terminou antoentem à tarde, após a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA) receber uma carta precatória da polícia paulista.
O empresário, que foi candidato a prefeito em Rondonópolis, nas últimas eleições ficando em segundo lugar, informou, através de seu advogado que deverá ser ouvido pela polícia, na próxima semana. O delegado Sebastião Ribeiro, titular da DERFVA solicitou ao juiz Antônio Teixeira Nogueira Neto, da 11ª Vara Criminal um mandado de busca e apreensão das mercadorias a pedido da Delegacia de Furtos, Roubos e Desvio de Cargas de São Paulo.
A apreensão foi realizada, na última segunda-feira, por dois oficiais de justiça, a pedido das confecções Hering que alegou nunca ter vendido seus produtos para o "Lojão do Queima". Outras vítimas são Confecções Cristina e Juju que também se sentiram lesadas. As mercadorias fazem parte de uma carga, avaliada em cerca de R$ 190 mil que foi roubada junto com um caminhão Mercedes Benz, furgão, placas LWR 5360, da empresa Transporte Urbano, de Blumenau (SC). O caminhão foi roubado por dois homens armados com revólveres no bairro da Penha, em São Paulo, no dia 30 de setembro deste ano. Parte da carga de seis toneladas de confecção deveria ser entregue no aeroporto de Guarulhos e o restante, para uma firma atacadista, mas foi roubada durante o trajeto. As mercadorias apreendidas estão num caminhão contratado pela Transporte Urbano e deverão ser levadas para o 40º Distrito Policial (DP) em São Paulo. Na Delegacia de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, o delegado Osvaldo Moraes está investigando uma nota fiscal da firma Pathorss, indústria de confecções, localizada no bairro Brás, em São Paulo (SP).


PRE

PMs detidos por causa de 5 armas

Da Reportagem

Cerca de 50 policiais militares do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (PRE) estão detidos no próprio Batalhão após o sumiço de seis armas de dentro do quartel. Segundo os oficiais do dia, os soldados estão recebendo treinamento e assistindo vídeos educativos. Mas um soldado disse que foram punidos mesmos.
Uma equipe do programa Aqui Agora, da TV Cidade Verde flagrou os soldados, por volta das 23 horas, sentados do lado externo do quartel. Os PMs estão presos desde a manhã de anteontem quando foi detectado o sumiço das armas, não especificadas.