OSCAR
Brasil tenta pela Quarta vez o
prêmio
Amir Labaki
Da Agência Folha São Paulo
Com "Central do Brasil'', o cinema brasileiro
testa pela quarta vez sua sorte na mais
idiossincrática de todas as categorias do Oscar -a
de melhor filme em língua não-inglesa. Os próprios
especialistas no assunto reconhecem.
Um deles, John Harkness, na mais recente edição
de sua enciclopédia sobre o prêmio ("The
Academy Awards Handbook'', Pinnacle Film, 1999), é
escancaradamente irônico sobre qualquer previsão.
"Calcule cuidadosamente o filme que parece
ter mais chance de vencer e o escolha. Calcule
cuidadosamente o filme com menores chances e o
escolha. Ou escolha o filme sobre o qual ninguém
ouviu falar. Os três sistemas funcionam igualmente
bem.''
Historicamente, foi mesmo mais ou menos assim.
Recentemente, porém, as coisas mudaram um pouco,
sobretudo a partir da alteração das regras em 1976.
A apresentação dos concorrentes manteve-se
inalterada, com a indicação de uma produção por
país, mas moralizou-se o sistema de votação,
restringindo-se o eleitorado aos membros da Academia
que de fato assistiram aos cinco indicados.
Principal mudança: dos últimos 21 vencedores, 16
eram cineastas quase desconhecidos, mesmo no cenário
internacional. As exceções foram o francês
Bertrand Blier ("Préparez Vous Mouchoirs'',
78), o alemão Volker Schlöndorff ("O Tambor'',
79), o húngaro István Szabó ("Mephisto'',
81), o sueco Ingmar Bergman ("Fanny e
Alexander'', 83) e o russo Nikita Mikhalkov ("O
Sol Enganador'', 94).
Uma tendência histórica, contudo, se manteve: a
do eurocentrismo. Nos 50 anos de reconhecimento para
produções em língua não-inglesa, apenas por seis
vezes a regra foi quebrada. Só uma vez o Oscar de
filme estrangeiro reconheceu uma produção
latino-americana: em 1985, com "A História
Oficial'', a reconstituição do drama dos
desaparecidos na Argentina dirigida por Luiz Puenzo.
Dentro da Europa, França e Itália lideram a
lista histórica de vencedores, com 12 triunfos cada,
contando-se os Oscars honorários atribuídos antes
da oficialização plena da categoria a partir de
1956. A Itália de "A Vida É Bela'' apresenta
vantagem ainda em outro quesito: a dos diretores mais
premiados. Vittorio de Sica e Federico Fellini
contaram cada um quatro vitórias na categoria.
Fellini leva vantagem na soma total, pois recebeu um
Oscar honorário em 1992.
Se fecharmos o foco nas premiações mais
recentes, eis o cinema italiano exibindo mais uma vez
sua força. Foram duas vitórias ("Cinema
Paradiso'', 89, "Mediterrâneo'', 91), empatadas
na liderança com duas do cinema holandês ("A
Excêntrica Família de Antônia'', 95,
"Caráter'', 97) -ambas, aliás, contra
brasileiros ("O Quatrilho'' e "O Que É
Isso, Companheiro?'').
O grande trunfo de "Central do Brasil'' é o
currículo de seu produtor internacional, Arthur
Cohn, que ostenta cinco Oscar, três por vitórias
nesta categoria. A dupla indicação do filme
sinalizou sua força dentro da Academia.
Cohn é contudo um vitorioso de outros tempos, em
que os concorrentes participavam ainda mais
marginalmente do grande mercado fílmico americano.
Um fator hoje importante é o poder de fogo
publicitário das distribuidoras. O pesado arsenal da
Miramax de "A Vida É Bela'' bateu de longe a
artilharia da Sony de "Central''.
Mas falar em Oscar "comprado'' é bobagem. As
regras são essas não é de hoje. Neste ano, a
disputa entre filmes estrangeiros aproximou-se como
nunca da guerra industrial aberta das demais
categorias. Entendido esse processo, "Central''
já fez história, vitorioso ou não.
O bardo inglês versus Spielberg
José Emilio
Rondeau
Da Agência Globo Los Angeles
Se 1998 foi o ano de "Titanic" - que
disparou na frente com 14 indicações, dominando com
facilidade a disputa - em 1999 a lista de indicados
para o Oscar sublinha uma concentração em dois
temas principais: a Segunda Guerra Mundial e a era
elisabetana.
Três dos filmes com maior número de indicações
se passam durante a Segunda Guerra - "O resgate
do soldado Ryan", de Steven Spielberg, com 11
indicações, entre elas para os prêmios de melhor
filme, ator (Tom Hanks) e diretor; "Além da
linha vermelha", indicado em sete categorias,
inclusive melhor filme e diretor (Terrence Malick) e,
por fim, "A vida é bela", de Roberto
Benigni, que concorre aos troféus de melhor filme,
filme estrangeiro, ator (Roberto Benigni), diretor,
montagem, trilha sonora de filme dramático e roteiro
adaptado.
Por outro lado, os tempos da rainha Elizabeth I
são o pano de fundo de dois filmes:
"Shakespeare apaixonado" - este ano o
recordista de indicações, com 13 chances de vencer,
concorrendo, sobretudo, aos prêmios de melhor filme,
atriz (Gwyneth Paltrow), ator coadjuvante (Geoffrey
Rush) e atriz coadjuvante (Dame Judi Dench, no papel
da própria rainha) - e "Elizabeth", que
conta com sete indicações, entre elas nas
categorias melhor filme e atriz (Cate Blanchett, que
já é dona do Globo de Ouro da mesma categoria).
Uma jornalista americana de rádio, falando na
emissora KCRW-FM, em Los Angeles, encontrou uma
explicação para o número de indicações de
"Shakespeare apaixonado", superior ao do
filme tido até então como o favorito, "O
resgate do soldado Ryan": segundo ela, não
havia mulheres no elenco do filme de Spielberg, o
bastante para deixar de figurar entre as indicações
para os prêmios de melhor atriz principal e de atriz
coadjuvante.
As surpresas ficaram por conta das sete
indicações de "A vida é bela" - cruzando
as fronteiras que costumam limitar o reinado dos
filmes estrangeiros no Oscar - da inclusão de Edward
Norton entre os candidatos ao prêmio de melhor ator-
nem tanto pelo trabalho de Norton, mas pelo filme em
que atuou, "American history X", uma
produção marcada pela controvérsia e pelo
desentendimento entre seu diretor, o inglês Tony
Kaye, e as demais pessoas envolvidas com a
realização e a comercialização do filme - e de
pelo menos duas grandes ausências.
Embora "Elizabeth" esteja concorrendo ao
Oscar de melhor filme e sua atriz principal tenha
grandes chances de ser premiada, a Academia de Artes
e Ciências de Hollywood ignorou completamente o
trabalho magnífico do diretor indiano Shekkar Kapur,
o principal responsável pelo tom especialíssimo da
produção. Além disso, contrariando todas as
expectativas, também ficou de fora o muito elogiado
"Gods and monsters", apesar de seu astro
principal, Ian McKellen, estar disputando o prêmio
de melhor ator, e de outra integrante de seu elenco,
Lynn Redgrave, ter sido indicada para a estatueta de
melhor atriz coadjuvante.
E "O show de Truman", que desde seu
lançamento, um ano atrás, vinha sendo considerado
um dos favoritos, simplesmente implodiu, e recebeu
não mais que três indicações: melhor diretor
(Peter Weir), ator coadjuvante (Ed Harris) e roteiro
original (de autoria de Andre Niccol). Jim Carrey -
premiado dias atrás com o Globo de Ouro - também
não foi lembrado, e o filme ficou de fora das
principais indicações.
História do Oscar começou na década de 20
Da redação
A mais importante associação do cinema surgiu em
1927. A idéia foi do presidente da Metro-Goldwin
Mayer, Louis B. Mayer que uniu-se a um grupo de 36
diretores e atores para criar a Academia de Artes e
Ciências Cinematográficas. O objetivo era
incentivar produções de qualidade.
Só os 4.755 membros da Academia têm direito a
votos. Todos são profissionais do ramo: atores e
atrizes, produtores, diretores, roteiristas,
cenógrafos, monatdores, fotógrafos, músicos,
maquiadores. Cada um vota apenas na sua respectiva
categoria, mas todos elegem o Melhor Filme.
As cédulas são enviadas pelo correio e
devolvidas à Academia em envelopes sem identifição
do remetente. Já a apuração é feita por
computador e colocada em envelopes lacrados, que são
abertos apenas na noite da entrega do Oscar. Nem a
Academia sabe de quantas estatuetas vai precisar.
Mas, isto não foi assim sempre: até 1940, os
jornais recebiam a lista de premiados antecipadamente
e assumiam o compromisso de só divulgá-la no final
da noite. Um ano antes, o Los Angeles Times quebrou o
acordo. Desde então, a Academia decidiu manter
segredo até a abertura dos envelopes lacrados.
Estatueta
O troféu mede 34 centímetros e pesa 3,850
quilos. É composto de 92,5% de estanho e 7,5 % de
cobre e folheado a ouro catorze quilates. O custo de
fabricação de cada um é de 150 dólares. E durante
a Segunda Guerra, sua estrutura básica passou a ser
de gesso para economizar metal.
Os vencedores assumem o compromisso de nunca
vendê-los, a não ser para a própria Academia e
pelo preço simbólico de 10 dólares. Mesmo assim,
num leilão de 1993, o Oscar que Vivien Leigh ganhou
em 1940 por ...E o Vento Levou foi arrematado por 562
mil dólares.
Até 1931, o prêmio era chamado apenas de
estatueta. Nesse ano, conta-se que a bibliotecária
da Academia, Margaret Herrick, ao observar a
estatueta em cima da mesa de um dos diretores da
academia, comentou: "Parece meu tio Oscar".
Ela se referia a Oscar Pierce, um fazendeiro do
Texas. Um crítico de cinema conceituadíssimo
chamado Sidney Skolsky ouviu a brincadeira, publicou
e o nome pegou.
Homenagem a Elia Kazam gera protesto
Da redação
Aos 89 anos, Elia Kazan vai subir ao palco do
Dorothy Chandler Pavilion para receber o Oscar
honorário pelo conjunto da obra. A premiação tenta
dissociar do grande diretor de Um Bonde Chamado
Desejo, A Leste do Éden e Sindicato de Ladrões a
marca que o persegue desde os tempos do macarthismo.
Feroz campanha anti-comunista desencadeada pelo
senador Joseph McCarthy na década de 50, no auge da
Guerra Fria, o macartismo atirou para todos os lados
e levou à falência e ao desespero artistas,
produtores e intelectuais que entravam na "lista
negra" por supostas relações com o comunismo.
Pressionado pelo nefasto Comitê de Atividades
Anti-Americanas, Kazan acabou delatando oito de seus
companheiros da companhia nova-iorquina Group
Theather, incluindo o dramaturgo Clifford Odets e a
atriz Paula Strassberg. A delação permitiu que o
diretor continuasse produzindo verdadeiras
obras-primas, mas garantiu também o exílio moral
imposto pelos membros da comunidade cinematográfica.
Se obra e caráter são coisas distintas, o ator
Karl Malden tratou de estabelecer as diferenças
fazendo um discurso emocionado ao comitê diretor da
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de
Hollywood, que inclui o ator Gregory Peck, o
executivo Lew Wasserman e o produtor Saul Zaentz.
Malden, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante
por Sindicato de Ladrões, intercedeu por Kazan
destacando sua imensa contribuição para o cinema.
Depois de tanto tempo, o passado de Kazan continua
despertando discussões acaloradas em Hollywood. Há
dois anos, seus detratores conseguiram impedir que
que a Associação de Críticos de Cinema de Los
Angeles homenageasse o diretor por sua obra.
O reconhecimento da Academia já está provocando
protestos. Cerca de 30 pessoas estão organizando uma
manifestação contra o prêmio no sábado que
antecede a entrega do Oscar, dia 20 de março. O
Comitê Contra o Silêncio agrega antigos membros da
"lista negra", como o roteirista da
primeira versão de Além da Linha Vermelha em 1964,
Bernard Gordon.
Em um comunicado distribuído à imprensa, o
comitê coloca o protesto como "uma forma de
demonstrar desaprovação pela insensibilidade e
falta de consciência da Academia. Não se levantem e
não aplaudam Kazan. Sentem sobre suas mãos. Deixem
que os espectadores ao redor do mundo saibam que
existem algumas pessoas em Hollywood, alguns
americanos, que não apóiam delatores".
Os convidados para a cerimônia costumam aplaudir
de pé os homenageados pelo Oscar honorário, como na
emocionada ovação a Charles Chaplin em 1972, cinco
anos antes de sua morte. No dia 21 de março, a
redenção de Kazan diante de bilhões de
espectadores dirá se o tempo curou a mágoa que a
América ainda parece sentir de um de seus maiores
cineastas.
A Vida é Bela surpreende com sete
indicações e ofusca Central do Brasil
Gustavo Galvão
Especial para o DIÁRIO
Depois de três fracassadas tentativas rumo ao
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, os brasileiros
sabem que não podem cantar vitória antes do tempo.
Ao contrário de O Que é Isso, Companheiro?, que em
1998 disputou a estatueta com filmes sem expressão,
Central do Brasil enfrentará um rival duríssimo e
outras três produções recheadas de boas
referências.
O mais forte de todos, aliás, é tão forte que
concorre a outros seis Oscar além daquele que
consagra a melhor produção em língua não-inglesa.
E ao disputar os prêmios de Melhor Filme, Ator,
Diretor, Roteiro Original, Trilha Sonora e Montagem,
A Vida é Bela dá uma amostra do impacto que cerca o
nome de Roberto Benigni.
Depois de trabalhar para mestres como Federico
Fellini (A Voz da Lua), o mais famoso comediante
italiano do momento iniciou nos anos 80 bem-sucedida
carreira como diretor. A consagração absoluta,
entretanto, só aconteceria com A Vida é Bela. Foram
US$ 50 milhões arrecadados só no país natal, desde
a estréia em dezembro de 1997, o que despertou o
interesse da toda-poderosa Miramax
distribuidora do grupo Disney.
Responsável pela campanha de três dos oito
últimos vencedores na categoria, Kolya,
Mediterrâneo e Cinema Paradiso, a Miramax investiu
US$ 12 milhões no lançamento da fita de Benigni nos
EUA Steven Spielberg não apostou mais que US$
2 milhões em O Resgate do Soldado Ryan. Tanto
barulho responde pelos US$ 18 milhões embolsados
até agora na América, enquanto Central do Brasil
comemora escassos US$ 1,7
milhão.
Não à toa, a 26ª indicação concedida ao
tradicionalíssimo cinema italiano sempre foi
considerada certa. O seu 12º Oscar, por sua vez,
está ainda mais próximo ao se considerar o exemplo
de Z. A obra-prima do cineasta grego Costantin
Costa-Gavras concorreu a cinco estatuetas (Melhor
Filme, inclusive) em 1968. Levou uma: a de Melhor
Filme Estrangeiro.
Se o caminho de Central do Brasil tornou-se tão
tortuoso graças a um filme apenas, é importante
lembrar que os três candidatos restantes também
prometem conquistar muitos votos. A princípio, não
passam de figurantes. Mas as zebras sempre marcaram
presença na noite de gala do cinema norte-americano
que este ano acontece em um domingo, dia 21 de
março.
Neste quesito, por exemplo, destacam-se o espanhol
Carlos Saura e o italiano Vittorio Storaro, dois
monstros sagrados do cinema. Eles assinam,
respectivamente, direção e direção de fotografia
do documentário musical Tango. Curiosamente, ele é
o representante da Argentina em 1999.
Houve grande controvérsia quando o
filme foi inscrito, se ele realmente era argentino ou
não. Mas o diretor não é espanhol, é um artista.
O resto da produção é totalmente argentina: os
atores, o capital, o equipamento, tudo,
destacou, em entrevista por telefone, o produtor
Luís Scalella, que não escondeu a admiração pelos
adversários. Dividir indicação com
filmes tão maravilhosos quanto estes é motivo de
orgulho para qualquer produtor. Eu não vou ficar
abalado se Tango não ganhar o Oscar. Pelo
contrário. É uma honra, completa.
Ao desbancar aspirantes mais badalados como o
francês A Vida Sonhada dos Anjos e o dinamarquês
Festa de Família, Crianças do Paraíso pode marcar
pontos exatamente a partir da alienação dos
norte-americanos. Dirigido por Majid Majidi, ele
apresenta ao país mais rico do planeta o que já é
realidade há pelo menos uma década: o cinema
iraniano. Presença obrigatória nos principais
festivais do mundo, a produção do Irã acaba de
estrear nos EUA.
No final da lista surge El Abuelo. Desprezado na
entrega dos prêmios Goya o Oscar espanhol
, o novo filme de José Luis Garci aposta na
tradição, detalhe importante numa briga tão
acirrada. Esta é a 17ª indicação concedida a um
país que já conta com dois Oscar no currículo
um deles para Garci, por Volver a Empezar
(1982).
Plano para as indicações começou no
Sundance
Hugo Sukman
Da Agência Globo - Rio
O estranhamento provocado pelo fato de ter sido
Fernanda Montenegro a agradecer o Globo de Ouro de
filme estrangeiro dado a "Central do
Brasil" - e não o diretor Walter Salles, como
seria o normal, ou o produtor Arthur Cohn, a quem o
prêmio pertence pela lógica de Hollywood - foi
justificado, com sua indicação ao Oscar de melhor
atriz. A decisão de dar vez e voz a Fernanda na
cerimônia de entrega do Globo de Ouro, mesmo que ela
não ganhasse o prêmio como atriz - tomada pelo
próprio Michael Barker, presidente da distribuidora
americana do filme, a Sony Classics - é um ótimo
exemplo para se entender o que é uma campanha de
marketing para a conquista de um Oscar.
Com cinco estatuetas de melhor filme estrangeiro
na estante de sua casa na Suíça (entre as quais a
recebida por "O jardim dos Finzi Contini",
de Vittorio de Sica), Arthur Cohn é um especialista
em conquistar o Oscar. Unido a Barker, da Sony, ele
coordenou pessoalmente, dia-a-dia, a campanha que
custou à distribuidora cerca de US$ 1 milhão (nada
se comparado aos US$ 12 milhões investidos pela
Miramax para conseguir as sete indicações para
"A vida é bela", muito se comparado aos
US$ 2 milhões gastos pelas 11 indicações de
"O resgate do soldado Ryan").
A decisão de investir em "Central" para
o Oscar foi tomada quando Barker viu a primeira
sessão pública do filme, no Sundance Film Festival
do ano passado, onde a Sony adquiriu os direitos de
distribuição vencendo a Miramax na disputa.
"Escreva o que estou falando:
"Central" vai ganhar o Oscar de filme
estrangeiro e, pelo menos, Fernanda Montenegro
também vai ser indicada - disse Barker, como uma
premonição, na saída da primeira e consagradora
sessão.
O objetivo, desde então, passou a ser promover
filme e atriz, e obter pelo menos duas indicações
ao Oscar. A primeira medida foi fazer com que o filme
excursionasse por festivais europeus para angariar
prestígio. O Urso de Ouro de melhor filme no
Festival de Berlim e o prêmio de melhor atriz para
Fernanda começaram a série de 32 prêmios que
conferiram o tal prestígio.
Depois foi o mais difícil: tornar "Central
do Brasil" conhecido no mercado americano,
refratário a filmes estrangeiros. O filme foi
lançado nas duas principais praças americanas, Nova
York e Los Angeles e, depois da boa aceitação,
espalhou-se por outras 40 cidades. Já faturou mais
de US$ 2 milhões nos EUA, o que é pouco comparado
aos 471 mil espectadores do filme na França até a
semana passada, a boa performance em outros países
europeus e aos 1,6 milhão de espectadores no Brasil,
mas já pode ser considerado sucesso.
Porém, para conquistar o Oscar era preciso
conquistar antes os eleitores. O próprio Michael
Barker assinou, ano passado, uma carta publicada na
"Variety", principal revista da indústria
cinematográfica, chamando a atenção dos eleitores
da Academia para "Central", não só para
melhor filme estrangeiro como para as outras
categorias. O objetivo era, também, indicar
Fernanda. Depois da conquista do Globo, a campanha
ficou mais forte. Todo dia saía uma página de
anúncio na edição da Califórnia (onde
concentra-se a maior parte dos eleitores) do
"New York Times". Paralelamente, o
Instituto Sundance (que já premiara o roteiro de
"Central") promovia sessões e atores como
Gregory Peck e Jeniffer Jones faziam a campanha de
Fernanda entre seus pares.
País concorre pela 3a vez nesta década
Da Agência Folha
São Paulo
Não é a primeira vez que o Brasil vai ao Oscar.
Tudo começou -de forma bem postiça- em 1959, com
"Orfeu do Carnaval'', de Marcel Camus, baseado
no musical de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que
levou, para a França, o Oscar de produção
estrangeira.
Em 1963, porém, o país entrou com um
representante genuinamente nacional na disputa:
"O Pagador de Promessas'', de Anselmo Duarte,
premiado em Cannes.
Bem mais tarde, em 1986, o Brasil teve novamente
de se contentar em torcer por um filme mais
estrangeiro que nacional. "O Beijo da Mulher
Aranha'' tinha um diretor argentino radicado no
Brasil (Hector Babenco), elenco misto e era falado em
inglês. William Hurt saiu com a estatueta de melhor
ator, o que foi comemorado como um Oscar brasileiro
-não era.
Depois disso veio a era Collor, o fim da
Embrafilme e a paralisação do cinema brasileiro.
Mas, em meados da década de 90, a produção
nacional foi retomada, o público voltou às salas e,
numa mistura de lobby bem-feito e filmes com cara da
Academia, o Brasil emplacou três indicações na
categoria produção estrangeira.
Em 96, foi "O Quatrilho'', de Fábio Barreto.
Em 98, outro Barreto, Bruno, conseguiu uma
indicação por "O Que É Isso, Companheiro?''.
Em ambos, os brasileiros saíram derrotados por
produções holandesas: o primeiro por "A
Excêntrica Família de Antônia'' e o segundo por
"Caráter''.
Sony
Pode-se dizer que o lobby para levar "Central
do Brasil'' ao Oscar começou logo na escolha do
produtor, Arthur Cohn, com cinco estatuetas na
estante.
O roteiro foi premiado pelo Sundance Institute, o
que praticamente garantiu sua exibição no
prestigiado festival, no ano passado.
Por causa de "Central'', o Festival de Berlim
aceitou mudar suas regras e o longa foi exibido em
Sundance primeiro e na Alemanha depois. Saiu de lá
com o Urso de Ouro de melhor filme e com o Urso de
Prata de melhor atriz.
A Sony Pictures Classics, distribuidora do filme
nos EUA, armou uma estratégia para que a produção
ultrapassasse a barreira das legendas. Publicou no
semanário "Hollywood Reporter'' uma
carta-aberta aos membros da Academia convidando-os a
assistir ao filme e a considerá-lo também para os
prêmios principais.
No dia 20 de novembro, o filme estreou em Nova
York, para depois ir a Los Angeles e a cerca de 30
outras cidades. As estréias foram acompanhadas por
uma turnê do diretor e dos protagonistas Fernanda
Montenegro e Vinicius de Oliveira pelo país. A
produção ganhou elogios de pessoas-chave da
indústria, como Gregory Peck.
A estratégia rendeu prêmios da Associação de
Críticos de Los Angeles, do National Board of Review
e do Globo de Ouro, no qual Fernanda Montenegro foi a
única a fazer os agradecimentos -tentativa de
lembrá-la para o Oscar de melhor atriz.
Oscar de filme estrangeiro passa em branco
Ivan Finotti
Da Agência Folha São Paulo
Você lembra o nome de alguma fita que já ganhou
o Oscar de melhor filme estrangeiro?
Se sua resposta foi "ahnnn'', não se
considere um ignorante em cinema. A reportagem fez
essa pergunta a seis personalidades relevantes da
cultura brasileira -e a resposta da maioria foi a
mesma.
O cineasta Walter Hugo Khouri, o poeta Décio
Pignatari, o diretor teatral José Celso Martinez
Corrêa, o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa e a
cantora e compositora Rita Lee não conseguiram se
lembrar de nenhum vencedor.
Mesmo a artista plástica Adriana Varejão, a
única que se lembrou, é um caso à parte.
"Agora, por exemplo, não me vem à cabeça
nenhum filme que ganhou o Oscar principal.
Geralmente, presto mais atenção na premiação do
filme estrangeiro mesmo'', afirma, sem se lembrar do
óbvio "Titanic'' (melhor filme em 98), mas
citando "A Festa de Babette'' (Dinamarca, melhor
estrangeiro em 88) e "A Excêntrica Família de
Antônia (Holanda, 96).
Por isso, Adriana fala com propriedade quando se
refere ao Oscar de filme estrangeiro como "uma
maneira de ficar conhecido no mundo todo. Mas acho
que, em termos de qualidade, isso não é medida''.
O cineasta Walter Hugo Khouri concorda. "É
um prêmio local, para os americanos. Nunca ninguém
ligou. Agora que o Brasil é concorrente, se torna
importante. É bom ganhar, mas não é tão
importante quanto se pensa'', afirma.
Khouri, que não assistiu "Central do
Brasil'', não se recorda de antigos vencedores de
melhor filme estrangeiro. "Nem ligo.''
Para o poeta Décio Pignatari, "o filme tem
chances, sim. Mas a verdadeira chance foi ter chegado
lá. É um filme de grande qualidade? Não. O roteiro
começa de um jeito e termina de outro. É
demagógico. Mas tem coisas ótimas''.
"Por que torço?'', continua, "Porque
"Central do Brasil' conseguiu uma coisa
raríssima: penetrar no sistema americano. É lógico
que é importante. O Oscar é o símbolo do ibope
internacional. Mas realmente não me lembro de nenhum
que tenha ganho. Assim de pronto, não.''
Torcida mesmo é com o autor de novelas Benedito
Ruy Barbosa. "Quem sabe se concedessem esse
Oscar, levantaria o moral do povo. Para nós, seria a
redenção do cinema brasileiro'', afirma.
"Tenho o pé atrás, mas é muito importante
ganhar o Oscar devido a interesses comerciais. Mas
não tenho lembrança de outro filme que ganhou o
prêmio'', diz Benedito.
Para a cantora e compositora Rita Lee, o filme tem
chances, mas "resta saber se os americanos não
vão se encantar muito com aquele "overacting'
todo do Benigni... Cá pra nós, a vida é bela e
chata''.
Rita também não se lembrou de nenhum Oscar de
filme estrangeiro. "Realmente não. Só lembro
dos países que nos destronaram. Para mim, ficou
registrado como uma disputa de Copa do Mundo que nós
perdemos.''
O diretor teatral José Celso Martinez Corrêa vai
pelo mesmo caminho. "Achei o filme correto, mas
muito conformista. Walter Salles é um cineasta
interessante, mas o povo brasileiro é muito mais
louco que isso'', diz.
"Não. Não me lembro de nenhum filme que
ganhou Oscar estrangeiro, nem de nenhum americano que
ganhou qualquer tipo de Oscar.''
Central do Brasil: em busca de um País
perdido
Da redação
Se em Terra Estrangeira Walter Salles focalizou a
busca da identidade em um país estraçalhado por uma
política econômica predatória, em Central do
Brasil o diretor realizou uma busca inversa: pela
possibilidade de sonhar com um país palpável e por
uma identidade pessoal.
Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para
analfabetos na Central do Brasil, a estação
ferroviária carioca onde milhares de pessoas
anônimas chegam e partem, em destinos sofridos e
lutas diárias.
A mãe de Josué (Vinícius de Oliveira) dita uma
carta, tentando se comunicar com o pai do garoto, que
nunca conheceu o filho. Como sempre faz, a
ex-professora não envia a carta e embolsa o
dinheiro. Quando a mãe de Josué morre atropelada,
ela decide vender o menino a traficantes de
crianças, pensando que Josué vai acabar bem em
alguma família européia rica. Acaba voltando
atrás, quando começa uma profunda transformação
em seu desencanto amargo.
Odisséia premiada
Dora e Josué partem para o sertão nordestino em
busca do pai do garoto, empreendendo sua odisséia
particular. O Brasil do sertão ressequido pelo
sofrimento aparece em todas as suas cores e nuances.
O filme brasileiro mais esperado em muitos anos
traz um certo encanto imantado, alheio às
premiações que atraíram milhares de pessoas em
todo o País. Berlim comoveu-se e ofereceu ao filme
suas premiações máximas: o Urso de Ouro de melhor
filme e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda
Montenegro, um feito inédito em 48 anos de festival.
Foi o primeiro passo para uma carreira premiada,
que inclui o Globo de Ouro de melhor filme
estrangeiro e indicações para os prêmios César,
Spirit Award e Golden Satellite Awards. A indicação
histórica para o Oscar de melhor filme estrangeiro e
melhor atriz para Fernanda Montenegro tem em A Vida
é Bela, comédia de Roberto Begnini, seu principal
concorrente.
Galeria do Oscar acolhe a grande dama
brasileira
Da readação
Está aposentada a máxima de que Fernanda
Montenegro é a grande dama do teatro brasileiro.
Desde a manhã de ontem, Fernanda Montenegro é
reconhecida como uma das maiores atrizes do mundo. A
artista carioca de 69 anos a menina pobre que
se acomodava no colo da mãe para assistir a filmes
do Carlitos num mafuá do Engenho de Dentro
foi indicada para o Oscar de melhor atriz, e essa
indicação é ainda maior que a de Central do Brasil
para o título de melhor filme estrangeiro.
Era mais ou menos previsível a indicação do
longa de Walter Salles. A grande surpresa seria a
não-indicação. E mais: desde as nominações de O
Quatrilho, em 1996, e O que É isso, Companheiro?, no
ano passado, o Brasil meio que se acostumou a figurar
na categoria. A indicação para melhor atriz, no
entanto, não era certa.
Dificilmente um artista que não fala inglês
consegue passar na seleção da Academia de Artes e
Ciências Cinematográficas de Hollywood. Nunca uma
brasileira chegou perto disso. Pela atuação em
filmes de língua não-inglesa, apenas nove atrizes
concorreram na categoria (a sueca Liv Ullmann e a
francesa Catherine Deneuve, entre elas). Da turma,
só uma ganhou, a italiana Sophia Loren, pelo
desempenho em Duas Mulheres, de 1961.
A indicação da Academia só confirma aquilo que
muito cidadão brasileiro de peito estufado
já alardeava: nós temos atrizes tão boas ou
melhores que a Susan Sarandon ou a Meryl Streep.
Arlette Pinheiro Esteves da Silva, 70 anos no
próximo 16 de outubro, mulher do ator Fernando
Torres, mãe da atriz Fernanda Torres e do diretor de
cinema Cláudio Torres, ex-locutora de rádio,
ex-radioatriz, a grande dama do teatro brasileiro, a
grande dama da TV nacional, a milionária boazinha de
Guerra dos Sexos, a milionária malvada de Brilhante,
a milionária voadora de Zazá, a cafetina de O Dono
do Mundo, a cartomante de A Hora da Estrela, a mulher
que cata feijão em Eles não Usam Black-tie, a
atormentada Petra von Kant, o alter-ego de Adélia
Prado, a compadecida do auto de Guel Arraes, a
escrevinhadora de cartas de Central do Brasil, essa
é uma das maiores atrizes do mundo.
Pérolas de interpretação
A primeira atriz brasileira indicada ao Oscar já
soma 54 anos de carreira. A estréia de Fernanda
Montenegro não foi no palco. Em 1945, aos 15 anos, a
jovem Arlette começou a trabalhar na Rádio MEC do
Rio como redatora, locutora e radioatriz. Sua
primeira peça de rádio, escrita pelo gaúcho Ernani
Fornari, se chamava Sinhá Moça Chorou e era
ambientada na Revolução Farroupilha. No teatro,
Fernanda estreou numa montagem amadora de As Alegres
Canções da Montanha, no final dos anos 40, ao lado
de Nicete Bruno, Beatriz Segall e Fernando Torres,
com quem se casaria.
A Falecida, dirigido por Leon Hirszman e
baseado numa peça teatral de Nelson Rodrigues, foi o
primeiro filme em que Fernanda apareceu. Sua fama no
teatro já era grande e a estréia em uma obra
premiada no 1º Festival Internacional do Rio de
Janeiro aumentou o prestígio da atriz. Em Família,
seu filme seguinte, chegou ao Festival de Moscou. A
esses dois títulos seguiram-se produções de pouca
expressividade. Inclusive um inacreditável A Vida de
Jesus Cristo produzido por William Cobbett, em que
ela interpretava o papel de Maria. O segundo momento
da carreira cinematográfica veio no final dos anos
70 com Tudo Bem, de Arnaldo Jabor, e Eles não Usam
Black-tie, realizado por Leon Hirszman e
multipremiado no Festival de Veneza.
Da cartomante de A Hora da Estrela à castelã
paulista de Fogo e Paixão ou à vizinha curiosa de O
que É isso, Companheiro?, Fernanda tem feito
pequenos papéis que são verdadeiras pérolas de
interpretação. Em Porto Alegre, pode ser vista nos
três episódios de Traição e no oscarizável
Central do Brasil.
FILMOGRAFIA
1965 A Falecida, de Leon Hirszman *
1968 Em Família, de Paulo Porto
1970 Pecado Mortal, de André Farias
1971 A Vida de Jesus Cristo, de André
Reggatieri
1972 Minha Namorada, de Armando Costa e Zelito
Viana
1976 Marília e Marina, de Luiz Fernando
Goulart
1978 Tudo Bem, de Arnaldo Jabor *
1981 Eles não Usam Black-tie, de Leon
Hirszman *
1985 A Hora da Estrela, de Suzana Amaral *
1988 Fogo e Paixão, de Márcio Kogan e Isay
Weinfeld
1994 Veja esta Canção, de Carlos Diegues *
1997 O que É isso, Companheiro?, de Bruno
Barreto *
1998 Central do Brasil, de Walter Salles *
1998 Traição, de Arthur Fontes, Cláudio
Torres e José Henrique Fonseca
* disponíveis em vídeo
Confira os indicados ao Oscar 99
Filme
"Além da Linha Vermelha''
"Elizabeth''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"A Vida É Bela''
Direção
John Madden ("Shakespeare Apaixonado'')
Peter Weir ("The Truman Show'')
Roberto Benigni ("A Vida É Bela'')
Steven Spielberg ("O Resgate do Soldado Ryan'')
Terrence Malick ("Além da Linha Vermelha''
Ator
Roberto Benigni ("A Vida É Bela'')
Tom Hanks ("O Resgate do Soldado Ryan'')
Ian McKellen ("Gods and Monsters'')
Nick Nolte ("Temporada de Caça'')
Edward Norton ("American History X'')
Atriz
Cate Blanchett ("Elizabeth'')
Fernanda Montenegro ("Central do Brasil'')
Gwyneth Paltrow ("Shakespeare Apaixonado'')
Meryl Streep ("Um Amor Verdadeiro'')
Emily Watson ("Hilary e Jackie'')
Ator coadjuvante
James Coburn ("Temporada de Caça'')
Robert Duvall ("A Civil Action'')
Ed Harris ("The Truman Show'')
Geoffrey Rush ("Shakespeare Apaixonado'')
Billy Bob Thornton ("A Simple Plan'')
Atriz coadjuvante
Kathy Bates ("Segredos do Poder'')
Brenda Blethyn ("Little Voice'')
Judi Dench ("Shakespeare Apaixonado'')
Rachel Griffiths ("Hilary e Jackie'')
Lynn Redgrave ("Gods and Monsters'')
Filme estrangeiro
"Central do Brasil'' (Brasil)
"Crianças do Paraíso'' (Irã)
"El Abuelo'' (Espanha)
"Tango'' (Argentina)
"A Vida É Bela'' (Itália)
Roteiro original
"Bulworth''
"A Vida É Bela''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"The Truman Show''
Roteiro adaptado
"Gods and Monsters''
"Irresistível Paixão''
"Segredos do Poder''
"A Simple Plan''
"Além da Linha Vermelha''
Direção de arte
"Elizabeth''
"Pleasantville''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"Amor Além da Vida''
Fotografia
"A Civil Action''
"Além da Linha Vermelha''
"Elizabeth''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
Montagem
"A Vida É Bela''
"Irresistível Paixão''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"Além da Linha Vermelha''
Figurino
"Bem Amada''
"Elizabeth''
"Pleasantville''
"Shakespeare Apaixonado''
"Velvet Goldmine''
Maquiagem
"Elizabeth''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
Som
"Armageddon''
"A Máscara do Zorro''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"Além da Linha Vermelha''
Efeitos sonoros
"Armageddon''
"A Máscara do Zorro''
"O Resgate do Soldado Ryan''
Efeitos especiais
"Armageddon''
"Poderoso Joe''
"Amor Além da Vida''
Trilha sonora original (comédia ou musical)
"Vida de Inseto''
"Mulan''
"Patch Adams - O Amor É Contagioso''
"O Príncipe do Egito''
"Shakespeare Apaixonado''
Trilha sonora original (drama)
"Elizabeth''
"A Vida É Bela''
"Pleasantville''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Além da Linha Vermelha''
Canção original
"I Don't Want to Miss a Thing''
("Armageddon'')
"The Prayer'' ("A Espada Mágica'')
"A Soft Place to Fall'' ("O Encantador de
Cavalos'')
"That'll Do'' ("Babe - O Porquinho
Atrapalhado na Cidade'')
"When You Believe'' ("O Príncipe do
Egito'')
Documentário
"Dancemaker'', de Matthew Diamond e Jerry Kupfer
"The Farm: Angola, U.S.A.'', de Jonathan Stack e
Liz Garbus
"The Last Days'', de James Moll e Ken Lipper
"Lenny Bruce: Swear to Tell the Truth'', de
Robert B. Weide
"Regret to Inform'', de Barbara Sonneborn and
Janet Cole
Documentário de curta-metragem
"The Personals: Improvisations on Romance in the
Golden Years Keiko Ibi''
"A Place in the Land''
"Sunrise over Tiananmen Square''
Curta-metragem de animação
"Bunny''
"The Canterbury Tales''
"Jolly Roger''
"More''
"When Life Departs''
Curta-metragem
"Culture''
"Election Night''
"Holiday Romance''
"La Carte Postale''
"Victor''
Conheça os candidatos ao Oscar de melhor
filme
ELIZABETH - Indicado para o Oscar
em sete categorias, o drama histórico Elizabeth é
ambientado na Inglaterra de 1554, com direção do
indiano Shekhar Kapur. A trama se estrutura em torno
da luta entre católicos e protestantes para a tomada
do poder.
O RESGATE DO SOLDADO RYAN - Um
roteiro impecável, a maestria técnica do gigante do
entretenimento Steven Spielberg e a presença do
maior astro de Hollywood na atualidade, Tom Hanks,
são os elementos de O Resgate do Soldado Ryan, filme
indicado para 11 Oscar. O tema do filme, a Segunda
Guerra Mundial, tem sido resgatado nos Estados Unidos
com uma enxurrada de reedições de livros e novos
filmes sobre o assunto.
ALÉM DA LINHA VERMELHA
Há vinte anos longe das câmeras, o diretor
norte-americano Terrence Malick retorna com um drama
de guerra que já faturou sete indicações ao Oscar
e conquistou o Urso de Ouro de melhor filme no
Festival de Berlim de 1999. O filme é uma
adaptação do romance autobiográfico de James
Jones. Além da Linha Vermelha focaliza a sangrenta
campanha americana em Guadalcanal, ilha do Pacífico
controlada pelos japoneses durante a 2ª Guerra
Mundial.
SHEAKESPEARE APAIXONADO - Obscura
e controvertida, a vida de William Shakespeare gera
tantas especulações como análises percorrem sua
obra monumental. Com 13 indicações ao Oscar,
consagrada no Globo de Ouro e nas bilheterias
americanas, a comédia Shakespeare Apaixonado, de
John Madden, explora esse filão biográfico ao
reinventar a juventude do bardo de
Stratford-upon-Avon.
A VIDA É BELA - A Vida é Bela
é uma comédia e por isso desperta fúria e
comoção. Fúria porque para alguns judeus e os
politicamente corretíssimos o massacre nazi-fascista
não deveria jamais servir de argumento para uma
história tão leve e bem-humorada sobre o sofrimento
no holocausto. Comoção porque conta a luta heróica
de um pai determinado em fazer da guerra um jogo
pueril para proteger o filho da cruel realidade dos
seguidores de Hitler e Mussolini.
Veja as chances dos concorrentes a melhor
atriz
Fernanda Montenegro (Central do
Brasil)
Historicamente a Academia nunca dá o Oscar para
uma atriz que não fala a língua inglesa, a única
exceção foi a italiana Sofia Loren, em 1961. Por
coincidência, a mesma Sofia Loren é quem entregará
a estatueta para a melhor atriz hoje.
Cate Blanchett (Elizabeth)
Pela lógica, é a favorita ao Oscar. Afinal, a
rainha Elizabeth I do filme de Shekhar Kaphur já
bateu Fernanda Montenegro, Emily Watson e Meryl
Streep na disputa do Globo de Ouro em filme
dramático. Australiana de 30 anos, Cate vem se
destacando desde Oscar & Lucinda (1996). Seu
papel em Elizabeth lhe valeu ainda o Broadcast Film
Critics Association Awards. É sua primeira
indicação ao Oscar.
Gwyneth Paltrow (Shakespeare
Apaixonado)
Há três anos, ela era apenas a namorada do galã
Brad Pitt. Mas a loirinha de 27 anos foi mais longe
que seu ex-amor. Com a comédia romântica de John
Madden, venceu o Globo de Ouro na categoria
musical/comédia. Antes, a atriz norte-americana
tinha se destacado em Emma, primeiro papel como
protagonista, e Seven Os Sete Pecados
Capitais. Disputa o Oscar pela primeira vez.
Emily Watson (Hilary and Jackie)
A atriz inglesa ganhou destaque internacional na
produção dinamarquesa, Ondas do Destino (de Lars
Van Trier), de 1997. Desta vez, vive a violoncelista
Jacqueline Du Pré. O trabalho ainda não lhe rendeu
nenhum prêmio relevante, mas foi indicada ao Globo
de Ouro, ao Golden Satellite Award e ao Chicago
Critics Film Award. Disputou o Oscar uma vez, e
perdeu.
Meryl Streep (Um amor Verdadeiro)
O papel de protagonista no drama de Carl Franklin
rendeu a Meryl Streep a 11ª indicação ao Oscar
(entre atriz principal e coadjuvante). Das
concorrentes, é de longe a mais experiente. Já
ganhou a estatueta duas vezes: com Kramer vs. Kramer
(como coadjuvante) e A Escolha de Sofia (na categoria
principal). A última indicação tinha sido há dois
anos, por As Pontes de Madison.
Veja as chances dos concorrentes a melhor
ator
Roberto Benigni ("A Vida É
Bela'')
Causou certa surpresa ao levar o prêmio da
Associação dos Atores; nos últimos dois anos, a
premiação da associação e o Oscar só não
coincidiram na categoria atriz coadjuvante
Tom Hanks ("O Resgate do Soldado
Ryan'')
O ator prova, depois de dois Oscar,ser um dos mais
conceituados de Hollywood, mas, na verdade, suas
chances de levar a terceira estatueta não são tão
grandes
Ian McKellen ("Deuses e
Monstros'')
Ganhou alguns dos principais prêmios da crítica
deste ano e ainda é apontado como favorito, mas pode
ser prejudicado no Oscar pelo fato de seu filme ser
pequeno
Nick Nolte ("Temporada de
Caça'')
Apesar da longa carreira, nunca levou um Oscar;
sua atuação foi bastante elogiada e, mesmo sendo um
filme pequeno, o fato de ser americano e veterano
pode ajudar
Edward Norton ("American History
X'')
Um dos mais elogiados atores da nova geração
ganha sua segunda indicação, que, mesmo aplaudida,
foi surpresa; o filme, sobre neonazistas, pode ser
pesado demais para a Academia