OSCAR

Brasil tenta pela Quarta vez o prêmio

Amir Labaki
Da Agência Folha – São Paulo

Com "Central do Brasil'', o cinema brasileiro testa pela quarta vez sua sorte na mais idiossincrática de todas as categorias do Oscar -a de melhor filme em língua não-inglesa. Os próprios especialistas no assunto reconhecem.

Um deles, John Harkness, na mais recente edição de sua enciclopédia sobre o prêmio ("The Academy Awards Handbook'', Pinnacle Film, 1999), é escancaradamente irônico sobre qualquer previsão.

"Calcule cuidadosamente o filme que parece ter mais chance de vencer e o escolha. Calcule cuidadosamente o filme com menores chances e o escolha. Ou escolha o filme sobre o qual ninguém ouviu falar. Os três sistemas funcionam igualmente bem.''

Historicamente, foi mesmo mais ou menos assim. Recentemente, porém, as coisas mudaram um pouco, sobretudo a partir da alteração das regras em 1976. A apresentação dos concorrentes manteve-se inalterada, com a indicação de uma produção por país, mas moralizou-se o sistema de votação, restringindo-se o eleitorado aos membros da Academia que de fato assistiram aos cinco indicados.

Principal mudança: dos últimos 21 vencedores, 16 eram cineastas quase desconhecidos, mesmo no cenário internacional. As exceções foram o francês Bertrand Blier ("Préparez Vous Mouchoirs'', 78), o alemão Volker Schlöndorff ("O Tambor'', 79), o húngaro István Szabó ("Mephisto'', 81), o sueco Ingmar Bergman ("Fanny e Alexander'', 83) e o russo Nikita Mikhalkov ("O Sol Enganador'', 94).

Uma tendência histórica, contudo, se manteve: a do eurocentrismo. Nos 50 anos de reconhecimento para produções em língua não-inglesa, apenas por seis vezes a regra foi quebrada. Só uma vez o Oscar de filme estrangeiro reconheceu uma produção latino-americana: em 1985, com "A História Oficial'', a reconstituição do drama dos desaparecidos na Argentina dirigida por Luiz Puenzo.

Dentro da Europa, França e Itália lideram a lista histórica de vencedores, com 12 triunfos cada, contando-se os Oscars honorários atribuídos antes da oficialização plena da categoria a partir de 1956. A Itália de "A Vida É Bela'' apresenta vantagem ainda em outro quesito: a dos diretores mais premiados. Vittorio de Sica e Federico Fellini contaram cada um quatro vitórias na categoria. Fellini leva vantagem na soma total, pois recebeu um Oscar honorário em 1992.

Se fecharmos o foco nas premiações mais recentes, eis o cinema italiano exibindo mais uma vez sua força. Foram duas vitórias ("Cinema Paradiso'', 89, "Mediterrâneo'', 91), empatadas na liderança com duas do cinema holandês ("A Excêntrica Família de Antônia'', 95, "Caráter'', 97) -ambas, aliás, contra brasileiros ("O Quatrilho'' e "O Que É Isso, Companheiro?'').

O grande trunfo de "Central do Brasil'' é o currículo de seu produtor internacional, Arthur Cohn, que ostenta cinco Oscar, três por vitórias nesta categoria. A dupla indicação do filme sinalizou sua força dentro da Academia.

Cohn é contudo um vitorioso de outros tempos, em que os concorrentes participavam ainda mais marginalmente do grande mercado fílmico americano. Um fator hoje importante é o poder de fogo publicitário das distribuidoras. O pesado arsenal da Miramax de "A Vida É Bela'' bateu de longe a artilharia da Sony de "Central''.

Mas falar em Oscar "comprado'' é bobagem. As regras são essas não é de hoje. Neste ano, a disputa entre filmes estrangeiros aproximou-se como nunca da guerra industrial aberta das demais categorias. Entendido esse processo, "Central'' já fez história, vitorioso ou não.


O bardo inglês versus Spielberg

José Emilio Rondeau
Da Agência Globo – Los Angeles

Se 1998 foi o ano de "Titanic" - que disparou na frente com 14 indicações, dominando com facilidade a disputa - em 1999 a lista de indicados para o Oscar sublinha uma concentração em dois temas principais: a Segunda Guerra Mundial e a era elisabetana.

Três dos filmes com maior número de indicações se passam durante a Segunda Guerra - "O resgate do soldado Ryan", de Steven Spielberg, com 11 indicações, entre elas para os prêmios de melhor filme, ator (Tom Hanks) e diretor; "Além da linha vermelha", indicado em sete categorias, inclusive melhor filme e diretor (Terrence Malick) e, por fim, "A vida é bela", de Roberto Benigni, que concorre aos troféus de melhor filme, filme estrangeiro, ator (Roberto Benigni), diretor, montagem, trilha sonora de filme dramático e roteiro adaptado.

Por outro lado, os tempos da rainha Elizabeth I são o pano de fundo de dois filmes: "Shakespeare apaixonado" - este ano o recordista de indicações, com 13 chances de vencer, concorrendo, sobretudo, aos prêmios de melhor filme, atriz (Gwyneth Paltrow), ator coadjuvante (Geoffrey Rush) e atriz coadjuvante (Dame Judi Dench, no papel da própria rainha) - e "Elizabeth", que conta com sete indicações, entre elas nas categorias melhor filme e atriz (Cate Blanchett, que já é dona do Globo de Ouro da mesma categoria).

Uma jornalista americana de rádio, falando na emissora KCRW-FM, em Los Angeles, encontrou uma explicação para o número de indicações de "Shakespeare apaixonado", superior ao do filme tido até então como o favorito, "O resgate do soldado Ryan": segundo ela, não havia mulheres no elenco do filme de Spielberg, o bastante para deixar de figurar entre as indicações para os prêmios de melhor atriz principal e de atriz coadjuvante.

As surpresas ficaram por conta das sete indicações de "A vida é bela" - cruzando as fronteiras que costumam limitar o reinado dos filmes estrangeiros no Oscar - da inclusão de Edward Norton entre os candidatos ao prêmio de melhor ator- nem tanto pelo trabalho de Norton, mas pelo filme em que atuou, "American history X", uma produção marcada pela controvérsia e pelo desentendimento entre seu diretor, o inglês Tony Kaye, e as demais pessoas envolvidas com a realização e a comercialização do filme - e de pelo menos duas grandes ausências.

Embora "Elizabeth" esteja concorrendo ao Oscar de melhor filme e sua atriz principal tenha grandes chances de ser premiada, a Academia de Artes e Ciências de Hollywood ignorou completamente o trabalho magnífico do diretor indiano Shekkar Kapur, o principal responsável pelo tom especialíssimo da produção. Além disso, contrariando todas as expectativas, também ficou de fora o muito elogiado "Gods and monsters", apesar de seu astro principal, Ian McKellen, estar disputando o prêmio de melhor ator, e de outra integrante de seu elenco, Lynn Redgrave, ter sido indicada para a estatueta de melhor atriz coadjuvante.

E "O show de Truman", que desde seu lançamento, um ano atrás, vinha sendo considerado um dos favoritos, simplesmente implodiu, e recebeu não mais que três indicações: melhor diretor (Peter Weir), ator coadjuvante (Ed Harris) e roteiro original (de autoria de Andre Niccol). Jim Carrey - premiado dias atrás com o Globo de Ouro - também não foi lembrado, e o filme ficou de fora das principais indicações.


História do Oscar começou na década de 20

  Da redação

A mais importante associação do cinema surgiu em 1927. A idéia foi do presidente da Metro-Goldwin Mayer, Louis B. Mayer que uniu-se a um grupo de 36 diretores e atores para criar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O objetivo era incentivar produções de qualidade.

Só os 4.755 membros da Academia têm direito a votos. Todos são profissionais do ramo: atores e atrizes, produtores, diretores, roteiristas, cenógrafos, monatdores, fotógrafos, músicos, maquiadores. Cada um vota apenas na sua respectiva categoria, mas todos elegem o Melhor Filme.

As cédulas são enviadas pelo correio e devolvidas à Academia em envelopes sem identifição do remetente. Já a apuração é feita por computador e colocada em envelopes lacrados, que são abertos apenas na noite da entrega do Oscar. Nem a Academia sabe de quantas estatuetas vai precisar.

Mas, isto não foi assim sempre: até 1940, os jornais recebiam a lista de premiados antecipadamente e assumiam o compromisso de só divulgá-la no final da noite. Um ano antes, o Los Angeles Times quebrou o acordo. Desde então, a Academia decidiu manter segredo até a abertura dos envelopes lacrados.

Estatueta

O troféu mede 34 centímetros e pesa 3,850 quilos. É composto de 92,5% de estanho e 7,5 % de cobre e folheado a ouro catorze quilates. O custo de fabricação de cada um é de 150 dólares. E durante a Segunda Guerra, sua estrutura básica passou a ser de gesso para economizar metal.

Os vencedores assumem o compromisso de nunca vendê-los, a não ser para a própria Academia e pelo preço simbólico de 10 dólares. Mesmo assim, num leilão de 1993, o Oscar que Vivien Leigh ganhou em 1940 por ...E o Vento Levou foi arrematado por 562 mil dólares.

Até 1931, o prêmio era chamado apenas de estatueta. Nesse ano, conta-se que a bibliotecária da Academia, Margaret Herrick, ao observar a estatueta em cima da mesa de um dos diretores da academia, comentou: "Parece meu tio Oscar". Ela se referia a Oscar Pierce, um fazendeiro do Texas. Um crítico de cinema conceituadíssimo chamado Sidney Skolsky ouviu a brincadeira, publicou e o nome pegou.


Homenagem a Elia Kazam gera protesto

Da redação

Aos 89 anos, Elia Kazan vai subir ao palco do Dorothy Chandler Pavilion para receber o Oscar honorário pelo conjunto da obra. A premiação tenta dissociar do grande diretor de Um Bonde Chamado Desejo, A Leste do Éden e Sindicato de Ladrões a marca que o persegue desde os tempos do macarthismo. Feroz campanha anti-comunista desencadeada pelo senador Joseph McCarthy na década de 50, no auge da Guerra Fria, o macartismo atirou para todos os lados e levou à falência e ao desespero artistas, produtores e intelectuais que entravam na "lista negra" por supostas relações com o comunismo.

Pressionado pelo nefasto Comitê de Atividades Anti-Americanas, Kazan acabou delatando oito de seus companheiros da companhia nova-iorquina Group Theather, incluindo o dramaturgo Clifford Odets e a atriz Paula Strassberg. A delação permitiu que o diretor continuasse produzindo verdadeiras obras-primas, mas garantiu também o exílio moral imposto pelos membros da comunidade cinematográfica.

Se obra e caráter são coisas distintas, o ator Karl Malden tratou de estabelecer as diferenças fazendo um discurso emocionado ao comitê diretor da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que inclui o ator Gregory Peck, o executivo Lew Wasserman e o produtor Saul Zaentz. Malden, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por Sindicato de Ladrões, intercedeu por Kazan destacando sua imensa contribuição para o cinema.

Depois de tanto tempo, o passado de Kazan continua despertando discussões acaloradas em Hollywood. Há dois anos, seus detratores conseguiram impedir que que a Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles homenageasse o diretor por sua obra.

O reconhecimento da Academia já está provocando protestos. Cerca de 30 pessoas estão organizando uma manifestação contra o prêmio no sábado que antecede a entrega do Oscar, dia 20 de março. O Comitê Contra o Silêncio agrega antigos membros da "lista negra", como o roteirista da primeira versão de Além da Linha Vermelha em 1964, Bernard Gordon.

Em um comunicado distribuído à imprensa, o comitê coloca o protesto como "uma forma de demonstrar desaprovação pela insensibilidade e falta de consciência da Academia. Não se levantem e não aplaudam Kazan. Sentem sobre suas mãos. Deixem que os espectadores ao redor do mundo saibam que existem algumas pessoas em Hollywood, alguns americanos, que não apóiam delatores".

Os convidados para a cerimônia costumam aplaudir de pé os homenageados pelo Oscar honorário, como na emocionada ovação a Charles Chaplin em 1972, cinco anos antes de sua morte. No dia 21 de março, a redenção de Kazan diante de bilhões de espectadores dirá se o tempo curou a mágoa que a América ainda parece sentir de um de seus maiores cineastas.


A Vida é Bela surpreende com sete indicações e ofusca Central do Brasil

Gustavo Galvão
Especial para o DIÁRIO

Depois de três fracassadas tentativas rumo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, os brasileiros sabem que não podem cantar vitória antes do tempo. Ao contrário de O Que é Isso, Companheiro?, que em 1998 disputou a estatueta com filmes sem expressão, Central do Brasil enfrentará um rival duríssimo e outras três produções recheadas de boas referências.

O mais forte de todos, aliás, é tão forte que concorre a outros seis Oscar além daquele que consagra a melhor produção em língua não-inglesa. E ao disputar os prêmios de Melhor Filme, Ator, Diretor, Roteiro Original, Trilha Sonora e Montagem, A Vida é Bela dá uma amostra do impacto que cerca o nome de Roberto Benigni.

Depois de trabalhar para mestres como Federico Fellini (A Voz da Lua), o mais famoso comediante italiano do momento iniciou nos anos 80 bem-sucedida carreira como diretor. A consagração absoluta, entretanto, só aconteceria com A Vida é Bela. Foram US$ 50 milhões arrecadados só no país natal, desde a estréia em dezembro de 1997, o que despertou o interesse da toda-poderosa Miramax — distribuidora do grupo Disney.

Responsável pela campanha de três dos oito últimos vencedores na categoria, Kolya, Mediterrâneo e Cinema Paradiso, a Miramax investiu US$ 12 milhões no lançamento da fita de Benigni nos EUA — Steven Spielberg não apostou mais que US$ 2 milhões em O Resgate do Soldado Ryan. Tanto barulho responde pelos US$ 18 milhões embolsados até agora na América, enquanto Central do Brasil comemora ‘‘escassos’’ US$ 1,7 milhão.

Não à toa, a 26ª indicação concedida ao tradicionalíssimo cinema italiano sempre foi considerada certa. O seu 12º Oscar, por sua vez, está ainda mais próximo ao se considerar o exemplo de Z. A obra-prima do cineasta grego Costantin Costa-Gavras concorreu a cinco estatuetas (Melhor Filme, inclusive) em 1968. Levou uma: a de Melhor Filme Estrangeiro.

Se o caminho de Central do Brasil tornou-se tão tortuoso graças a um filme apenas, é importante lembrar que os três candidatos restantes também prometem conquistar muitos votos. A princípio, não passam de figurantes. Mas as zebras sempre marcaram presença na noite de gala do cinema norte-americano — que este ano acontece em um domingo, dia 21 de março.

Neste quesito, por exemplo, destacam-se o espanhol Carlos Saura e o italiano Vittorio Storaro, dois monstros sagrados do cinema. Eles assinam, respectivamente, direção e direção de fotografia do documentário musical Tango. Curiosamente, ele é o representante da Argentina em 1999.

‘‘Houve grande controvérsia quando o filme foi inscrito, se ele realmente era argentino ou não. Mas o diretor não é espanhol, é um artista. O resto da produção é totalmente argentina: os atores, o capital, o equipamento, tudo’’, destacou, em entrevista por telefone, o produtor Luís Scalella, que não escondeu a admiração pelos adversários. ‘‘Dividir indicação com filmes tão maravilhosos quanto estes é motivo de orgulho para qualquer produtor. Eu não vou ficar abalado se Tango não ganhar o Oscar. Pelo contrário. É uma honra’’, completa.

Ao desbancar aspirantes mais badalados como o francês A Vida Sonhada dos Anjos e o dinamarquês Festa de Família, Crianças do Paraíso pode marcar pontos exatamente a partir da alienação dos norte-americanos. Dirigido por Majid Majidi, ele apresenta ao país mais rico do planeta o que já é realidade há pelo menos uma década: o cinema iraniano. Presença obrigatória nos principais festivais do mundo, a produção do Irã acaba de estrear nos EUA.

No final da lista surge El Abuelo. Desprezado na entrega dos prêmios Goya — o Oscar espanhol —, o novo filme de José Luis Garci aposta na tradição, detalhe importante numa briga tão acirrada. Esta é a 17ª indicação concedida a um país que já conta com dois Oscar no currículo — um deles para Garci, por Volver a Empezar (1982).


Plano para as indicações começou no Sundance

Hugo Sukman
Da Agência Globo - Rio

O estranhamento provocado pelo fato de ter sido Fernanda Montenegro a agradecer o Globo de Ouro de filme estrangeiro dado a "Central do Brasil" - e não o diretor Walter Salles, como seria o normal, ou o produtor Arthur Cohn, a quem o prêmio pertence pela lógica de Hollywood - foi justificado, com sua indicação ao Oscar de melhor atriz. A decisão de dar vez e voz a Fernanda na cerimônia de entrega do Globo de Ouro, mesmo que ela não ganhasse o prêmio como atriz - tomada pelo próprio Michael Barker, presidente da distribuidora americana do filme, a Sony Classics - é um ótimo exemplo para se entender o que é uma campanha de marketing para a conquista de um Oscar.

Com cinco estatuetas de melhor filme estrangeiro na estante de sua casa na Suíça (entre as quais a recebida por "O jardim dos Finzi Contini", de Vittorio de Sica), Arthur Cohn é um especialista em conquistar o Oscar. Unido a Barker, da Sony, ele coordenou pessoalmente, dia-a-dia, a campanha que custou à distribuidora cerca de US$ 1 milhão (nada se comparado aos US$ 12 milhões investidos pela Miramax para conseguir as sete indicações para "A vida é bela", muito se comparado aos US$ 2 milhões gastos pelas 11 indicações de "O resgate do soldado Ryan").

A decisão de investir em "Central" para o Oscar foi tomada quando Barker viu a primeira sessão pública do filme, no Sundance Film Festival do ano passado, onde a Sony adquiriu os direitos de distribuição vencendo a Miramax na disputa.

"Escreva o que estou falando: "Central" vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro e, pelo menos, Fernanda Montenegro também vai ser indicada - disse Barker, como uma premonição, na saída da primeira e consagradora sessão.

O objetivo, desde então, passou a ser promover filme e atriz, e obter pelo menos duas indicações ao Oscar. A primeira medida foi fazer com que o filme excursionasse por festivais europeus para angariar prestígio. O Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim e o prêmio de melhor atriz para Fernanda começaram a série de 32 prêmios que conferiram o tal prestígio.

Depois foi o mais difícil: tornar "Central do Brasil" conhecido no mercado americano, refratário a filmes estrangeiros. O filme foi lançado nas duas principais praças americanas, Nova York e Los Angeles e, depois da boa aceitação, espalhou-se por outras 40 cidades. Já faturou mais de US$ 2 milhões nos EUA, o que é pouco comparado aos 471 mil espectadores do filme na França até a semana passada, a boa performance em outros países europeus e aos 1,6 milhão de espectadores no Brasil, mas já pode ser considerado sucesso.

Porém, para conquistar o Oscar era preciso conquistar antes os eleitores. O próprio Michael Barker assinou, ano passado, uma carta publicada na "Variety", principal revista da indústria cinematográfica, chamando a atenção dos eleitores da Academia para "Central", não só para melhor filme estrangeiro como para as outras categorias. O objetivo era, também, indicar Fernanda. Depois da conquista do Globo, a campanha ficou mais forte. Todo dia saía uma página de anúncio na edição da Califórnia (onde concentra-se a maior parte dos eleitores) do "New York Times". Paralelamente, o Instituto Sundance (que já premiara o roteiro de "Central") promovia sessões e atores como Gregory Peck e Jeniffer Jones faziam a campanha de Fernanda entre seus pares.


País concorre pela 3a vez nesta década

Da Agência Folha – São Paulo

Não é a primeira vez que o Brasil vai ao Oscar. Tudo começou -de forma bem postiça- em 1959, com "Orfeu do Carnaval'', de Marcel Camus, baseado no musical de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que levou, para a França, o Oscar de produção estrangeira.

Em 1963, porém, o país entrou com um representante genuinamente nacional na disputa: "O Pagador de Promessas'', de Anselmo Duarte, premiado em Cannes.

Bem mais tarde, em 1986, o Brasil teve novamente de se contentar em torcer por um filme mais estrangeiro que nacional. "O Beijo da Mulher Aranha'' tinha um diretor argentino radicado no Brasil (Hector Babenco), elenco misto e era falado em inglês. William Hurt saiu com a estatueta de melhor ator, o que foi comemorado como um Oscar brasileiro -não era.

Depois disso veio a era Collor, o fim da Embrafilme e a paralisação do cinema brasileiro. Mas, em meados da década de 90, a produção nacional foi retomada, o público voltou às salas e, numa mistura de lobby bem-feito e filmes com cara da Academia, o Brasil emplacou três indicações na categoria produção estrangeira.

Em 96, foi "O Quatrilho'', de Fábio Barreto. Em 98, outro Barreto, Bruno, conseguiu uma indicação por "O Que É Isso, Companheiro?''. Em ambos, os brasileiros saíram derrotados por produções holandesas: o primeiro por "A Excêntrica Família de Antônia'' e o segundo por "Caráter''.

Sony

Pode-se dizer que o lobby para levar "Central do Brasil'' ao Oscar começou logo na escolha do produtor, Arthur Cohn, com cinco estatuetas na estante.

O roteiro foi premiado pelo Sundance Institute, o que praticamente garantiu sua exibição no prestigiado festival, no ano passado.

Por causa de "Central'', o Festival de Berlim aceitou mudar suas regras e o longa foi exibido em Sundance primeiro e na Alemanha depois. Saiu de lá com o Urso de Ouro de melhor filme e com o Urso de Prata de melhor atriz.

A Sony Pictures Classics, distribuidora do filme nos EUA, armou uma estratégia para que a produção ultrapassasse a barreira das legendas. Publicou no semanário "Hollywood Reporter'' uma carta-aberta aos membros da Academia convidando-os a assistir ao filme e a considerá-lo também para os prêmios principais.

No dia 20 de novembro, o filme estreou em Nova York, para depois ir a Los Angeles e a cerca de 30 outras cidades. As estréias foram acompanhadas por uma turnê do diretor e dos protagonistas Fernanda Montenegro e Vinicius de Oliveira pelo país. A produção ganhou elogios de pessoas-chave da indústria, como Gregory Peck.

A estratégia rendeu prêmios da Associação de Críticos de Los Angeles, do National Board of Review e do Globo de Ouro, no qual Fernanda Montenegro foi a única a fazer os agradecimentos -tentativa de lembrá-la para o Oscar de melhor atriz.


Oscar de filme estrangeiro passa em branco

Ivan Finotti
Da Agência Folha – São Paulo

Você lembra o nome de alguma fita que já ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro?

Se sua resposta foi "ahnnn'', não se considere um ignorante em cinema. A reportagem fez essa pergunta a seis personalidades relevantes da cultura brasileira -e a resposta da maioria foi a mesma.

O cineasta Walter Hugo Khouri, o poeta Décio Pignatari, o diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa e a cantora e compositora Rita Lee não conseguiram se lembrar de nenhum vencedor.

Mesmo a artista plástica Adriana Varejão, a única que se lembrou, é um caso à parte. "Agora, por exemplo, não me vem à cabeça nenhum filme que ganhou o Oscar principal. Geralmente, presto mais atenção na premiação do filme estrangeiro mesmo'', afirma, sem se lembrar do óbvio "Titanic'' (melhor filme em 98), mas citando "A Festa de Babette'' (Dinamarca, melhor estrangeiro em 88) e "A Excêntrica Família de Antônia (Holanda, 96).

Por isso, Adriana fala com propriedade quando se refere ao Oscar de filme estrangeiro como "uma maneira de ficar conhecido no mundo todo. Mas acho que, em termos de qualidade, isso não é medida''.

O cineasta Walter Hugo Khouri concorda. "É um prêmio local, para os americanos. Nunca ninguém ligou. Agora que o Brasil é concorrente, se torna importante. É bom ganhar, mas não é tão importante quanto se pensa'', afirma.

Khouri, que não assistiu "Central do Brasil'', não se recorda de antigos vencedores de melhor filme estrangeiro. "Nem ligo.''

Para o poeta Décio Pignatari, "o filme tem chances, sim. Mas a verdadeira chance foi ter chegado lá. É um filme de grande qualidade? Não. O roteiro começa de um jeito e termina de outro. É demagógico. Mas tem coisas ótimas''.

"Por que torço?'', continua, "Porque "Central do Brasil' conseguiu uma coisa raríssima: penetrar no sistema americano. É lógico que é importante. O Oscar é o símbolo do ibope internacional. Mas realmente não me lembro de nenhum que tenha ganho. Assim de pronto, não.''

Torcida mesmo é com o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa. "Quem sabe se concedessem esse Oscar, levantaria o moral do povo. Para nós, seria a redenção do cinema brasileiro'', afirma.

"Tenho o pé atrás, mas é muito importante ganhar o Oscar devido a interesses comerciais. Mas não tenho lembrança de outro filme que ganhou o prêmio'', diz Benedito.

Para a cantora e compositora Rita Lee, o filme tem chances, mas "resta saber se os americanos não vão se encantar muito com aquele "overacting' todo do Benigni... Cá pra nós, a vida é bela e chata''.

Rita também não se lembrou de nenhum Oscar de filme estrangeiro. "Realmente não. Só lembro dos países que nos destronaram. Para mim, ficou registrado como uma disputa de Copa do Mundo que nós perdemos.''

O diretor teatral José Celso Martinez Corrêa vai pelo mesmo caminho. "Achei o filme correto, mas muito conformista. Walter Salles é um cineasta interessante, mas o povo brasileiro é muito mais louco que isso'', diz.

"Não. Não me lembro de nenhum filme que ganhou Oscar estrangeiro, nem de nenhum americano que ganhou qualquer tipo de Oscar.''


Central do Brasil: em busca de um País perdido

Da redação

Se em Terra Estrangeira Walter Salles focalizou a busca da identidade em um país estraçalhado por uma política econômica predatória, em Central do Brasil o diretor realizou uma busca inversa: pela possibilidade de sonhar com um país palpável e por uma identidade pessoal.

Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil, a estação ferroviária carioca onde milhares de pessoas anônimas chegam e partem, em destinos sofridos e lutas diárias.

A mãe de Josué (Vinícius de Oliveira) dita uma carta, tentando se comunicar com o pai do garoto, que nunca conheceu o filho. Como sempre faz, a ex-professora não envia a carta e embolsa o dinheiro. Quando a mãe de Josué morre atropelada, ela decide vender o menino a traficantes de crianças, pensando que Josué vai acabar bem em alguma família européia rica. Acaba voltando atrás, quando começa uma profunda transformação em seu desencanto amargo.

Odisséia premiada

Dora e Josué partem para o sertão nordestino em busca do pai do garoto, empreendendo sua odisséia particular. O Brasil do sertão ressequido pelo sofrimento aparece em todas as suas cores e nuances.

O filme brasileiro mais esperado em muitos anos traz um certo encanto imantado, alheio às premiações que atraíram milhares de pessoas em todo o País. Berlim comoveu-se e ofereceu ao filme suas premiações máximas: o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro, um feito inédito em 48 anos de festival.

Foi o primeiro passo para uma carreira premiada, que inclui o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e indicações para os prêmios César, Spirit Award e Golden Satellite Awards. A indicação histórica para o Oscar de melhor filme estrangeiro e melhor atriz para Fernanda Montenegro tem em A Vida é Bela, comédia de Roberto Begnini, seu principal concorrente.


Galeria do Oscar acolhe a grande dama brasileira

Da readação

Está aposentada a máxima de que Fernanda Montenegro é a grande dama do teatro brasileiro. Desde a manhã de ontem, Fernanda Montenegro é reconhecida como uma das maiores atrizes do mundo. A artista carioca de 69 anos – a menina pobre que se acomodava no colo da mãe para assistir a filmes do Carlitos num mafuá do Engenho de Dentro – foi indicada para o Oscar de melhor atriz, e essa indicação é ainda maior que a de Central do Brasil para o título de melhor filme estrangeiro.

Era mais ou menos previsível a indicação do longa de Walter Salles. A grande surpresa seria a não-indicação. E mais: desde as nominações de O Quatrilho, em 1996, e O que É isso, Companheiro?, no ano passado, o Brasil meio que se acostumou a figurar na categoria. A indicação para melhor atriz, no entanto, não era certa.

Dificilmente um artista que não fala inglês consegue passar na seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Nunca uma brasileira chegou perto disso. Pela atuação em filmes de língua não-inglesa, apenas nove atrizes concorreram na categoria (a sueca Liv Ullmann e a francesa Catherine Deneuve, entre elas). Da turma, só uma ganhou, a italiana Sophia Loren, pelo desempenho em Duas Mulheres, de 1961.

A indicação da Academia só confirma aquilo que muito cidadão brasileiro – de peito estufado – já alardeava: nós temos atrizes tão boas ou melhores que a Susan Sarandon ou a Meryl Streep.

Arlette Pinheiro Esteves da Silva, 70 anos no próximo 16 de outubro, mulher do ator Fernando Torres, mãe da atriz Fernanda Torres e do diretor de cinema Cláudio Torres, ex-locutora de rádio, ex-radioatriz, a grande dama do teatro brasileiro, a grande dama da TV nacional, a milionária boazinha de Guerra dos Sexos, a milionária malvada de Brilhante, a milionária voadora de Zazá, a cafetina de O Dono do Mundo, a cartomante de A Hora da Estrela, a mulher que cata feijão em Eles não Usam Black-tie, a atormentada Petra von Kant, o alter-ego de Adélia Prado, a compadecida do auto de Guel Arraes, a escrevinhadora de cartas de Central do Brasil, essa é uma das maiores atrizes do mundo.

Pérolas de interpretação

A primeira atriz brasileira indicada ao Oscar já soma 54 anos de carreira. A estréia de Fernanda Montenegro não foi no palco. Em 1945, aos 15 anos, a jovem Arlette começou a trabalhar na Rádio MEC do Rio como redatora, locutora e radioatriz. Sua primeira peça de rádio, escrita pelo gaúcho Ernani Fornari, se chamava Sinhá Moça Chorou e era ambientada na Revolução Farroupilha. No teatro, Fernanda estreou numa montagem amadora de As Alegres Canções da Montanha, no final dos anos 40, ao lado de Nicete Bruno, Beatriz Segall e Fernando Torres, com quem se casaria.

 A Falecida, dirigido por Leon Hirszman e baseado numa peça teatral de Nelson Rodrigues, foi o primeiro filme em que Fernanda apareceu. Sua fama no teatro já era grande e a estréia em uma obra premiada no 1º Festival Internacional do Rio de Janeiro aumentou o prestígio da atriz. Em Família, seu filme seguinte, chegou ao Festival de Moscou. A esses dois títulos seguiram-se produções de pouca expressividade. Inclusive um inacreditável A Vida de Jesus Cristo produzido por William Cobbett, em que ela interpretava o papel de Maria. O segundo momento da carreira cinematográfica veio no final dos anos 70 com Tudo Bem, de Arnaldo Jabor, e Eles não Usam Black-tie, realizado por Leon Hirszman e multipremiado no Festival de Veneza.

Da cartomante de A Hora da Estrela à castelã paulista de Fogo e Paixão ou à vizinha curiosa de O que É isso, Companheiro?, Fernanda tem feito pequenos papéis que são verdadeiras pérolas de interpretação. Em Porto Alegre, pode ser vista nos três episódios de Traição e no oscarizável Central do Brasil.

FILMOGRAFIA
1965 – A Falecida, de Leon Hirszman *
1968 – Em Família, de Paulo Porto
1970 – Pecado Mortal, de André Farias
1971 – A Vida de Jesus Cristo, de André Reggatieri
1972 – Minha Namorada, de Armando Costa e Zelito Viana
1976 – Marília e Marina, de Luiz Fernando Goulart
1978 – Tudo Bem, de Arnaldo Jabor *
1981 – Eles não Usam Black-tie, de Leon Hirszman *
1985 – A Hora da Estrela, de Suzana Amaral *
1988 – Fogo e Paixão, de Márcio Kogan e Isay Weinfeld
1994 – Veja esta Canção, de Carlos Diegues *
1997 – O que É isso, Companheiro?, de Bruno Barreto *
1998 – Central do Brasil, de Walter Salles *
1998 – Traição, de Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique Fonseca
* disponíveis em vídeo


Confira os indicados ao Oscar 99

Filme
"Além da Linha Vermelha''
"Elizabeth''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"A Vida É Bela''
Direção
John Madden ("Shakespeare Apaixonado'')
Peter Weir ("The Truman Show'')
Roberto Benigni ("A Vida É Bela'')
Steven Spielberg ("O Resgate do Soldado Ryan'')
Terrence Malick ("Além da Linha Vermelha''
Ator
Roberto Benigni ("A Vida É Bela'')
Tom Hanks ("O Resgate do Soldado Ryan'')
Ian McKellen ("Gods and Monsters'')
Nick Nolte ("Temporada de Caça'')
Edward Norton ("American History X'')
Atriz
Cate Blanchett ("Elizabeth'')
Fernanda Montenegro ("Central do Brasil'')
Gwyneth Paltrow ("Shakespeare Apaixonado'')
Meryl Streep ("Um Amor Verdadeiro'')
Emily Watson ("Hilary e Jackie'')
Ator coadjuvante
James Coburn ("Temporada de Caça'')
Robert Duvall ("A Civil Action'')
Ed Harris ("The Truman Show'')
Geoffrey Rush ("Shakespeare Apaixonado'')
Billy Bob Thornton ("A Simple Plan'')
Atriz coadjuvante
Kathy Bates ("Segredos do Poder'')
Brenda Blethyn ("Little Voice'')
Judi Dench ("Shakespeare Apaixonado'')
Rachel Griffiths ("Hilary e Jackie'')
Lynn Redgrave ("Gods and Monsters'')
Filme estrangeiro
"Central do Brasil'' (Brasil)
"Crianças do Paraíso'' (Irã)
"El Abuelo'' (Espanha)
"Tango'' (Argentina)
"A Vida É Bela'' (Itália)
Roteiro original
"Bulworth''
"A Vida É Bela''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"The Truman Show''
Roteiro adaptado
"Gods and Monsters''
"Irresistível Paixão''
"Segredos do Poder''
"A Simple Plan''
"Além da Linha Vermelha''
Direção de arte
"Elizabeth''
"Pleasantville''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"Amor Além da Vida''
Fotografia
"A Civil Action''
"Além da Linha Vermelha''
"Elizabeth''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
Montagem
"A Vida É Bela''
"Irresistível Paixão''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"Além da Linha Vermelha''
Figurino
"Bem Amada''
"Elizabeth''
"Pleasantville''
"Shakespeare Apaixonado''
"Velvet Goldmine''
Maquiagem
"Elizabeth''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
Som
"Armageddon''
"A Máscara do Zorro''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Shakespeare Apaixonado''
"Além da Linha Vermelha''
Efeitos sonoros
"Armageddon''
"A Máscara do Zorro''
"O Resgate do Soldado Ryan''
Efeitos especiais
"Armageddon''
"Poderoso Joe''
"Amor Além da Vida''
Trilha sonora original (comédia ou musical)
"Vida de Inseto''
"Mulan''
"Patch Adams - O Amor É Contagioso''
"O Príncipe do Egito''
"Shakespeare Apaixonado''
Trilha sonora original (drama)
"Elizabeth''
"A Vida É Bela''
"Pleasantville''
"O Resgate do Soldado Ryan''
"Além da Linha Vermelha''
Canção original
"I Don't Want to Miss a Thing'' ("Armageddon'')
"The Prayer'' ("A Espada Mágica'')
"A Soft Place to Fall'' ("O Encantador de Cavalos'')
"That'll Do'' ("Babe - O Porquinho Atrapalhado na Cidade'')
"When You Believe'' ("O Príncipe do Egito'')
Documentário
"Dancemaker'', de Matthew Diamond e Jerry Kupfer
"The Farm: Angola, U.S.A.'', de Jonathan Stack e Liz Garbus
"The Last Days'', de James Moll e Ken Lipper
"Lenny Bruce: Swear to Tell the Truth'', de Robert B. Weide
"Regret to Inform'', de Barbara Sonneborn and Janet Cole
Documentário de curta-metragem
"The Personals: Improvisations on Romance in the Golden Years Keiko Ibi''
"A Place in the Land''
"Sunrise over Tiananmen Square''
Curta-metragem de animação
"Bunny''
"The Canterbury Tales''
"Jolly Roger''
"More''
"When Life Departs''
Curta-metragem
"Culture''
"Election Night''
"Holiday Romance''
"La Carte Postale''
"Victor''


Conheça os candidatos ao Oscar de melhor filme

ELIZABETH - Indicado para o Oscar em sete categorias, o drama histórico Elizabeth é ambientado na Inglaterra de 1554, com direção do indiano Shekhar Kapur. A trama se estrutura em torno da luta entre católicos e protestantes para a tomada do poder.

O RESGATE DO SOLDADO RYAN - Um roteiro impecável, a maestria técnica do gigante do entretenimento Steven Spielberg e a presença do maior astro de Hollywood na atualidade, Tom Hanks, são os elementos de O Resgate do Soldado Ryan, filme indicado para 11 Oscar. O tema do filme, a Segunda Guerra Mundial, tem sido resgatado nos Estados Unidos com uma enxurrada de reedições de livros e novos filmes sobre o assunto.

ALÉM DA LINHA VERMELHA – Há vinte anos longe das câmeras, o diretor norte-americano Terrence Malick retorna com um drama de guerra que já faturou sete indicações ao Oscar e conquistou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim de 1999. O filme é uma adaptação do romance autobiográfico de James Jones. Além da Linha Vermelha focaliza a sangrenta campanha americana em Guadalcanal, ilha do Pacífico controlada pelos japoneses durante a 2ª Guerra Mundial.

SHEAKESPEARE APAIXONADO - Obscura e controvertida, a vida de William Shakespeare gera tantas especulações como análises percorrem sua obra monumental. Com 13 indicações ao Oscar, consagrada no Globo de Ouro e nas bilheterias americanas, a comédia Shakespeare Apaixonado, de John Madden, explora esse filão biográfico ao reinventar a juventude do bardo de Stratford-upon-Avon.

A VIDA É BELA - A Vida é Bela é uma comédia e por isso desperta fúria e comoção. Fúria porque para alguns judeus e os politicamente corretíssimos o massacre nazi-fascista não deveria jamais servir de argumento para uma história tão leve e bem-humorada sobre o sofrimento no holocausto. Comoção porque conta a luta heróica de um pai determinado em fazer da guerra um jogo pueril para proteger o filho da cruel realidade dos seguidores de Hitler e Mussolini.


Veja as chances dos concorrentes a melhor atriz

Fernanda Montenegro (Central do Brasil)

Historicamente a Academia nunca dá o Oscar para uma atriz que não fala a língua inglesa, a única exceção foi a italiana Sofia Loren, em 1961. Por coincidência, a mesma Sofia Loren é quem entregará a estatueta para a melhor atriz hoje.

Cate Blanchett (Elizabeth)

Pela lógica, é a favorita ao Oscar. Afinal, a rainha Elizabeth I do filme de Shekhar Kaphur já bateu Fernanda Montenegro, Emily Watson e Meryl Streep na disputa do Globo de Ouro em filme dramático. Australiana de 30 anos, Cate vem se destacando desde Oscar & Lucinda (1996). Seu papel em Elizabeth lhe valeu ainda o Broadcast Film Critics Association Awards. É sua primeira indicação ao Oscar.

Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado)

Há três anos, ela era apenas a namorada do galã Brad Pitt. Mas a loirinha de 27 anos foi mais longe que seu ex-amor. Com a comédia romântica de John Madden, venceu o Globo de Ouro na categoria musical/comédia. Antes, a atriz norte-americana tinha se destacado em Emma, primeiro papel como protagonista, e Seven — Os Sete Pecados Capitais. Disputa o Oscar pela primeira vez.

Emily Watson (Hilary and Jackie)

A atriz inglesa ganhou destaque internacional na produção dinamarquesa, Ondas do Destino (de Lars Van Trier), de 1997. Desta vez, vive a violoncelista Jacqueline Du Pré. O trabalho ainda não lhe rendeu nenhum prêmio relevante, mas foi indicada ao Globo de Ouro, ao Golden Satellite Award e ao Chicago Critics Film Award. Disputou o Oscar uma vez, e perdeu.

Meryl Streep (Um amor Verdadeiro)

O papel de protagonista no drama de Carl Franklin rendeu a Meryl Streep a 11ª indicação ao Oscar (entre atriz principal e coadjuvante). Das concorrentes, é de longe a mais experiente. Já ganhou a estatueta duas vezes: com Kramer vs. Kramer (como coadjuvante) e A Escolha de Sofia (na categoria principal). A última indicação tinha sido há dois anos, por As Pontes de Madison.


Veja as chances dos concorrentes a melhor ator

Roberto Benigni ("A Vida É Bela'')

Causou certa surpresa ao levar o prêmio da Associação dos Atores; nos últimos dois anos, a premiação da associação e o Oscar só não coincidiram na categoria atriz coadjuvante

Tom Hanks ("O Resgate do Soldado Ryan'')

O ator prova, depois de dois Oscar,ser um dos mais conceituados de Hollywood, mas, na verdade, suas chances de levar a terceira estatueta não são tão grandes

Ian McKellen ("Deuses e Monstros'')

Ganhou alguns dos principais prêmios da crítica deste ano e ainda é apontado como favorito, mas pode ser prejudicado no Oscar pelo fato de seu filme ser pequeno

Nick Nolte ("Temporada de Caça'')

Apesar da longa carreira, nunca levou um Oscar; sua atuação foi bastante elogiada e, mesmo sendo um filme pequeno, o fato de ser americano e veterano pode ajudar

Edward Norton ("American History X'')

Um dos mais elogiados atores da nova geração ganha sua segunda indicação, que, mesmo aplaudida, foi surpresa; o filme, sobre neonazistas, pode ser pesado demais para a Academia