TEVETEVETEVETEVETEVE 14/12/97

ESPECIAIS/FIM DE ANO

Emissoras preparam pacotão de fim de ano

ANA PURCHIO
Da Agência Estado

Filmes inéditos, programas para gente grande e pequena, especiais natalinos, retrospectivas e muita música são as opções de fim de ano que as emissoras, incluindo aí os canais por assinatura, estão preparando para os telespectadores que preferem assistir TV a fazer uma viagem ou simplesmente jogar conversa fora em companhia de amigos e parentes.
A Bandeirantes promete um fim de ano recheado com bons filmes como “O Inocente”, com Anthony Hopkins e Isabella Rossellini, “Coisas Para Fazer em Denver Quando Você Está Morto”, com Andy Garcia e Christopher Walken, “Um Drinque no Inferno”, com Quentin Tarantino e George Clooney, todos no dia 13, às 22h30. No mesmo horário “Rápida e Mortal”, com Sharon Stone e Gene Hackman (dia 18), “Um Encontro para Sempre”, com Vanessa Redgrave e Uma Thurman (dia 21), “Um Dia de Louco”, com Steve Martin e Juliette Lews (dia 25), “Adoráveis Mulheres”, com Winona Ryder e Susan Sarandon, “Feitiço do Tempo”, com Bill Murray e Andie MacDowell, ambos dia 28 e finalmente “Lancelot, O Primeiro Cavaleiro”, com Sean Connery, Julia Ormond e Richard Gere, dia 31.
Para os baixinhos a emissora exibe o longa “Um Garoto Na Corte do Rei Arthur”, dia 24, às 21h30 e, dia 28 às 18 horas o filme “O Pequeno Lord”. Já o especial gravado inteiramente no Cairo (Egito), “Alladin On Ice”, vai ao ar dia 25, às 20h30, e mistura música, animação e patinação no gelo.
A emissora exibe ainda especiais musicais com a banda Skank (dia 12), com o cantor e compositor João Gilberto (dia 16) e a banda irlandesa U2 (dia 19), todos no horário das 21h40. O show “Noite de Estrelas”, gravado no Piazza di Spagna, em Roma, vai ao ar dia 13 às 20h30 e traz as cantoras Laura Paisini e Lisa Stansfield e o “Serestas Brasileiras” com o cantor, compositor e pesquisador Ernesto Aun, entra dia 18, às 23 horas.
A Cultura reservou bons documentários para o fim de ano como “A Revolução Ilhada”, que vai ao ar dia 16, às 22h30, produzido inteiramente em Cuba. O repórter Luís Cosme e sua equipe fazem uma retrospectiva de Ernesto Che Guevara, o médico que nasceu na Argentina e escolheu ser guerrilheiro, e mostram através de entrevistas e passeios pela cidade o passado e o presente da ilha de Fidel Castro, questionando o futuro de um dos últimos redutos comunistas do mundo. Um “Ensaio” especial, com o cantor e compositor Toquinho, será apresentado dia 17, às 23h30. No programa ele fala com Chico Buarque e Baden Powell, além de lembrar do parceiro Vinícius de Moraes. E dia 19, às 22h30, a emissora exibe o espetáculo de dança “Palco, Academia e Periferia”, realizado no Sesc Pompéia em São Paulo, em agosto deste ano, com participação de Naná Vasconcelos e o grupo de menores carentes Lactomia, Banda Bate Lata e Meninos da Favela Monte Azul.
“Especial San Remo 97” é a atração que a CNT/Gazeta programou para o fim de ano. Dias 13 e 20 próximos, às 21h30, a emissora leva ao ar a 47ª edição do maior festival da canção italiana, com apresentação de Dick Danello e Mike Bongiorno e as participações especiais da top model Valeria Marini, da cantora Nathalie Cole, do grupo Kula Shaker e da diva Mirelle Mathieu. A emissora promove ainda, além da tradicional São Silvestre que vai ao ar às 17 horas do dia 31 e é transmitida também pela Globo, a quarta edição da São Silvestrinha, dia 28, às 9 horas. Participam da prova atletas mirins divididos por idade de 6 a 15 anos e nas categorias masculino e feminino.
A Globo, como todo ano, vem com os tradicionais especiais de Roberto Carlos (dia 23, às 21h40), Xuxa (dia 25, às 21h35) e os amigos Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé di Camargo e Luciano (dia 30, às 21h40), mas este ano ela inova trocando o Faustão por Angélica na virada do ano, dia 31 às 21h40 e repete a queima de fogos a partir da meia-noite, direto da Praia de Copacabana, com um show musical, o “Pagode Globeleza”.
Outra novidade: “O Conto de Natal”, que vai ao ar dia 26, às 21h40. Renato Aragão e convidados especiais como Lima Duarte e Maitê Proença participam de uma adaptação do clássico “O Príncipe e o Mendigo”, de Mark Twain. As crianças ganham ainda um especial com os “Flintstones”, dia 24, às 23h20. A emissora tem ainda uma atração internacional, o show “History Tour”, com o cantor Michael Jackson (dia 24, às 21h40) e outra bem nacional, o filme “Guerra de Canudos”, com José Wilker, Selton Mello, Marieta Severo e grande elenco que será apresentado como minissérie a partir do dia 16, logo após “Por Amor”.
A Retrospectiva 97 acontece só dia 2, às 21h40, mostrando os fatos que marcaram o mundo. E muitos programas da casa ganham edições especiais como o humorístico “Sai de Baixo” e o “Vídeo Show”. A emissora exibe grandes filmes como “Parque dos Dinossauros” (dia 22, às 21h40), “Esqueceram de Mim 2” (dia 25, às 15h20), “Segredos do Coração” (dia 27, às 21h40), “Forrest Gump” (dia 29, às 21h40) e “Menino Maluquinho” (dia 2, às 15h45). A tradicional Santa Missa vai ao ar dia 25, às 7 horas e dia 1º, no mesmo horário, rezada por Dom Eugênio Salles.
A Manchete exibe dia 13, às 21h40, o especial com Bon Jovi em “Uma História de Sucesso”. O programa faz uma retrospectiva da carreira do astro da música pop, mostrando trechos de seus shows, participações exclusivas em filmes e uma entrevista exclusiva e inédita dele no Brasil. No dia 18, às 22h40, a emissora dos Bloch exibe “A História de Papai Noel”, o desenho animado produzido pela CBS americana, que conta como surgiram as tradições natalinas, como a primeira árvore, a renas e o trenó e o próprio dono da festa, o velhinho Nicholas Claus. Para a criançada ainda tem um especial com o palhaço Tiririca, dia 24 às 22h40, que recebe em sua vila convidados especiais como o caipira Nerso da Capitinga (Pedro Bismarck) e a pequena Debby.
A Manchete transmite ainda a tradicional Missa do Galo, diretamente do Vaticano, dia 25, a partir da meia-noite juntamente com a Globo. Um “Toque de Bola Especial” vai ao ar dia 28, às 23h30, com Paulo Stein e Zagallo contando a história das copas e falando com um jogador de cada equipe que foi vitoriosa em 58, 62, 70 e 94. O “Aconteceu em 97” será apresentado dia 30, às 23h40, e fará uma retrospectiva dos principais fatos do ano que passou. A emissora promete ainda um “Mistério Especial”, dia 1º, às 22h40, trazendo todas as previsões para 98.
A Record vem com filmes especiais como “Romance de Natal”, (dia 15, às 22 horas); “A Natividade” (dia 21); “Reunião de Natal” (às 20 horas) e “O Milagre da Rua 34” (às 22h45), ambos dia 27; “Legiões do Nilo” e “A Felicidade Não Se Compra” vão ao ar dia 28, às 19 horas e às 21 horas respectivamente. Já “Vítimas do Poder” entra dia 29, às 22 horas. A minissérie como “Um Natal Diferente” começa dia 22 e vai até dia 26, sempre às 22h10. Outra minissérie, “Jesus de Nazareth”, será exibida de 22 a 31, às 17 horas. A produção independente nacional “Desafio de Elias” será apresentada de 22 a 26, às 21h30. Já a minissérie “Pedro e Paulo” preenche o horário das 22h10, nos dias 25 e 26 e finalmente “Os Invasores” vai ao ar dias 1º e 2, às 22 horas.
Os musicais ficam por conta de Nélson Gonçalves (dia 20, às 23h30); Luciano Pavarotti (dia 27, às 23h45), Ray Charles (dia 28, às 23 horas), Michael Jackson (dia 3/1, às 23h30) e Paul M'Cartney (dia 4, às 21 horas). A emissora exibe também especiais de Natal e ano novo de “Ana Maria Braga” (dia 25 e 29, às 22 horas), “Quem Sabe Sábado” (dias 20 e 27, às 13h30), “Especial Sertanejo, Melhores Momentos” (dia 31, às 21h55) e “Ratinho Livre, Especial de Reveillon” (dia 31, às 21h30). As crianças ganham dois especiais do desenho Asterix. Dia 20 “Asterix e Cleópatra” e dia 27 “Asterix e a Grande Luta”, todos às 16 horas, além do especial musical “A Princesa Encantada”, dia 25, às 22h10.
O SBT, como todo ano, não definiu seus especiais mas promete um “Eliana & Cia”, dia 23, com a cantora Thalia, que esteve recentemente no Brasil divulgando sua participação na trilha sonora do desenho Anastasia.


TV PAGA

Nas tevês por assinatura, o destaque vai para Milton Nascimento, que reunirá o Clube da Esquina para o especial de Natal da HBO, dia 25 às 21 horas. O programa, uma retrospectiva da carreira de Milton, está sendo produzido pela Conspiração Filmes. O cantor já filmou cenas com Lô Borges, Beto Guedes, Fernando Brant e Tavinho Moura, reunindo o Clube da Esquina. O especial terá ainda as participações de Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa e Wagner Tiso, entre outros convidados. Todos cantarão, com Milton, composições de sua autoria.
No canal Bravo Brasil, vai ao ar dia 20, às 21 horas, um documentário de uma hora de duração sobre o compositor baiano Dorival Caymmi, gravado pela Brasiliana Produções. Serão mostradas imagens em preto e branco do filme “Estrela da Manhã”, de 1948, que contou com a participação de Caymmi, no papel de pescador. O programa trará ainda uma série de depoimentos, a começar pelo próprio Dorival, mais seus filhos Dory, Nana e Danilo e a neta Juliana.
Já A DirecTV apresenta dia 25, às 4h45, o show “Com o Natal no Coração”, com apresentação de Kenny Rogers. O programa é um musical dirigido por Jack Cole e tem participação especial de Garth Brooks, Boyz II Men e Trishia Yearwood.


PESQUISA/HUMOR

“Sai de Baixo” foi o melhor humorístico de 97

SÔNIA APOLINÁRIOônia Apolinário
Da Agência Estado

Pelo segundo ano consecutivo, Sai de Baixo foi bem lembrado pelo público consultado para a pesquisa do InformEstado. Em 1996, a produção foi escolhida como o melhor programa do ano por 22% dos entrevistados. Agora, 36% do público o considerou o melhor humorístico exibido pelas TVs em 1997. “Sinto-me premiado”, afirmou um dos diretores, José Wilker.
Segundo ele, o principal esforço da equipe, este ano, foi “tirar o programa do noticiário policial e transferí-lo para o palco, onde é seu lugar”. O “noticiário policial” a que o diretor se referiu foi o fato do humorístico ter sido alvo de várias reportagens por conta de constantes brigas entre seus atores. O último incidente foi protagonizado por Tom Cavalcanti, que chegou a faltar a uma gravação e ameaçou abandonar o programa caso seu personagem Ribamar não ganhasse mais destaque. O humorista ganhou um belo puxão de orelhas do diretor-geral Daniel Filho e tudo ficou por isso mesmo.
Wilker afirmou que não havia “dez por cento” da confusão noticiada pela imprensa. “Durante cinco meses trabalhamos perplexos”, disse o diretor. Ele acredita ter conseguido acalmar os ânimos e, com isso, pôde mostrar “a grande brincadeira” que é o humorístico. “Trata-se de um programa infantil para adultos”, brincou.
Para 1998, o elenco, segundo Wilker, será o mesmo. Os personagens terão seus perfis mais trabalhados e o cenário terá alterações na decoração do apartamento. O próprio Wilker continuará à frente da direção do programa. Para 1998, o único trabalho previsto para ele fazer na TV, como ator, é a narração do especial Casa Grande & Senzala, que Nelson Pereira dos Santos realiza para o GNT, canal da Net/Globosat. No cinema, ele termina de escrever o roteiro do filme O Sim Pelo Não, que irá dirigir além de atuar em Villa-Lobos, de Zelito Viana e Mauá, de Sérgio Rezende.


VÍDEO SHOW

Segunda-feira, 15/12
A atriz Maria Zilda é um dos destaques do “Vídeo Show” desta segunda, dia 15, às 13h40, pela Globo, no quadro “Olha o Passarinho”. Ainda no programa, o bebê de Eduarda (Gabriela Duarte) em “Por Amor”. E no quadro “O Amor é Lindo”, o namoro do jogador de vôlei Maurício com Roberta.

Terça, 16/12
O “Vídeo Show” apresenta nesta terça, dia 16, às 13h30 na Globo,traz o “Making Of” do filme “Guerra de Canudos”. Cid Moreira apresenta o Novo Testamento em discos, e a ainda, as gravações de Renato Aragão em Portugal.

Quarta, 17/12
Com apresentação de Miguel Falabella, o “Vídeo Show” desta quarta- feira, dia 17, às 13h40 na Globo, traz “Making of” do novo clipe de Jorge Benjor. Zezé Motta mostra seu novo visual para participar de “Corpo Dourado”. E a atriz Atila Iório fala sobre a interpretação do mesmo personagem nas duas versões de “Anjo Mau”.

Quinta, 18/12
Nesta quinta, dia 18, às 13h40 pela Globo, o “Vídeo Show” mostra Paulo Autran e Rodrigo Santoro em “Hilda Furacão”. A atriz Adriana Londoo (a Jacqueline da novela “Zazá”) e Valéria Polizzi, escritora, portadoras do vírus da aids na ficção e na vida real, respectivamente, ensinam como conviver com a doença.

Sexta, 19/12
O “Vídeo Show” desta sexta, dia 19, às 13h40 na Globo, mostra os 85 anos de Tarzan, e as várias faces de Antônio Fagundes. O autor Aguinaldo Silva fala da repetição de Serro Azul em suas novelas; e o ator Jackson Antunes recita poesia sertaneja.


MOSCOVIS

Novela das oito reacende a questão do preconceito social

ROSÂNGELA MARQUES
Da Agência Estado.

Além de abordar o problema da discriminação racial, por intermédio do casal Márcia (Maria Ceiça) e Wilson (Paulo César Grande), na novela “Por Amor“, o autor Manoel Carlos reacende a questão de outro tipo de preconceito - o social. Fernando (Eduardo Moscovis) forma com Milena (Carolina Ferraz) um dos pares românticos que mais vem chamando a atenção na trama, por destacar bem esse problema.
Milena, moça rica, apaixona-se pelo rapaz pobre do subúrbio e enfrenta a resistência da mãe, a maquiavélica Branca (Suzana Vieira), que não quer ver a filha namorando um rapaz pobre e faz de tudo para afastá-la dele. Mas, depois de passar uma temporada estudando moda nos Estados Unidos - para onde foi mandada a fim de “esquecer“ Fernando - ela volta em condições de sobreviver financeiramente sem depender dos pais. Aí, resta a Fernando tentar vencer a resistência de sua mãe, Lígia (Regina Braga), que não quer ver o filho pobre envolvido com uma moça rica.
Da mesma forma que mostra o preconceito de ambas as partes no caso da negra Márcia e do loiro Wilson - ele não queria um filho negro e ela não disfarça uma ponta de decepção ao ver que sua filha é loira - Manoel Carlos repete a dose neste caso. Eduardo Moscovis, que começou a se destacar na tevê na novela “De Corpo e Alma“, define seu personagem como “um rapaz discreto, jovem, meio quietão mas que faz sucesso com as mulheres“. Piloto de táxi-aéreo, sonha com vôos mais altos, quer vencer na vida, mas não admite as acusações de Branca, de que ele estaria querendo “dar o golpe do baú“.
Milena, por sua vez, não abre mão de sua espontaneidade e de sua liberdade, a ponto de desafiar abertamente a mãe para manter o romance com Fernando. “Ela é muito sincera e, por isso mesmo, eu me apaixonei por esta personagem“, conta Carolina Ferraz. Curiosamente, Fernando adota um comportamento completamente diferente, mas os dois se atraem. Por isso mesmo, Moscovis não pensa duas vezes para antecipar o fim da história: vai dar Milena e Fernando na cabeça.

AGÊNCIA ESTADO - Você considera importante uma novela estar mostrando tantas questões polêmicas, como a do preconceito social e racial?

EDUARDO MOSCOVIS - Eu acredito que sim, porque é algo que existe muito por aí. No caso do preconceito social, as primeiras pessoas a se manisfestarem são os pais, que ficam com receio de acreditar em um amor sincero e desinteressado, principalmente das classes mais altas para com as menos favorecidas. Até que se prove que o amor é verdadeiro e não está ligado à parte financeira, existe muito preconceito. Não de uma forma generalizada, mas existe sim.

AE - Quais os outros tipos de assuntos polêmicos você acha que poderiam estar sendo abordados pelas novelas?

EM - Acho que existem vários... Um deles, o Manoel Carlos está enfatizando bastante também que é o alcoolismo. O Orestes, interpretado pelo Paulo José, é um alcóolatra que representa o drama vivido por muitas pessoas em todo o País. Como a família trata o dependente e como ele é tratado pela sociedade são situações que aparecem constantemente na novela. Acho que o objetivo do Manoel Carlos em destacar todas essas situações limite - inclusive com a história da troca de bebês - é mostrar tudo o que o amor pode proporcionar, desde seus benefícios até suas consequências.

AE - E quanto ao destino dos personagens? Você aposta em um final feliz?

EM - Acho que no caso da Milena e do Nando, o problema não é tão difícil de ser resolvido. Afinal de contas, apesar dele ter menos dinheiro que ela, não é um pobretão, porque a profissão dele permite que tenha acesso às classes mais ricas. Mas acredito que a própria personalidade da Milena colabore para unir os dois cada vez mais, mesmo depois da viagem que a mãe dela vai planejar para afastá-los. A Milena é uma mulher que não é ligada às coisas materiais, não se deixa dominar e vai lutar pelas coisas que acredita, como o amor que ela sente pelo Nando.

AE - Mas os dois terão de enfrentar as mães para ficarem juntos...

EM - É... Acho que vai ser uma batalha difícil, mas os dois já estão se preparando para uma boa briga. O Nando é uma pessoa de boa índole e a formação familiar que ele teve não permite que ele seja um aproveitador. A Lígia, mãe dele, se preocupa com as situações desagradáveis pelas quais o filho possa enfrentar, principalmente com a personalidade despojada da Milena, mas o Nando tem uma postura muito clara a esse respeito. Ainda não sei qual é o destino do casal, mas acredito que a Milena voltar do exterior, esse amor fique bem mais forte.


SURF

José de Abreu vira surfista na nova novela das sete

SÔNIA APOLINÁRIO
Da Agência Estado

Há cerca de um mês, o ator José de Abreu tem uma nova rotina. Quando faz sol, no Rio, onde mora, ele acorda mais cedo do que de costume e vai para a praia da Barra da Tijuca. Não parece, mas trata-se de trabalho. Ao ser escalado para interpretar o surfista Renato em Corpo Dourado, novela das sete da Globo que estréia dia 12 de janeiro, ele teve que deixar o sedentarismo de lado e se jogar no mar. Sob a orientação do professor Saci, ele tenta aprender a surfar para não fazer feio diante das câmeras.
Apesar de esforçado, o ator é o primeiro a admitir que vai precisar de um dublê para cenas na água. “Não consigo ficar em pé”, confessou. Com 51 anos, esse paulista nascido na interiorana cidade de Santa Rita do Passa Quatro nunca foi um praiano entusiasmado. Agora, teve que deixar o medo das ondas de lado “por amor” ao personagem. “Nunca faria aulas de surfe se não fosse por uma questão profissional”, afirmou.
Por enquanto, Abreu só consegue pegar jacaré, o que acha “fascinante”. O que ele mais tem feito é remar e se sentar na prancha. “Para fazer surfe tem que ter muita perna e a minha musculatura não é trabalhada”, disse. Saci é um professor durão, mas mesmo assim o aluno tem evoluído devagar. Abreu está conformado com a necessidade de um dublê. Mas, para que ele seja usado o mínimo possível, Renato será visto, pelo menos nos capítulos iniciais da novela, mais na areia do que no mar. A desculpa para isso é que ele dá aulas de surfe para um dos seus dois filhos.
Renato é um homem alto astral e engraçado, casado com Taís (Mara Carvalho). Além das aulas de surfe, Abreu teve que tirar a barba e clarear os cabelos para se transformar no personagem. “Fiquei um gatão”, brincou. Tudo isso para que o público se esqueça do delegado Motinha, de A Indomada. “Pelos próximos dois anos, seria fácil continuar no mesmo tipo do Motinha”, disse o ator. “Foi justamente pelo fato de Renato ser totalmente diferente que gostei da idéia de fazê-lo”.
Independente das cenas que terá que realizar surfando, Abreu estabeleceu uma meta: fará aulas sempre que fizer sol e os horários das gravações permitirem. “É ponto de honra ficar em pé na prancha, nem que seja na cena final da novela”, afirmou.


TELEJORNAL

Leila Richers volta ao Rio em dose dupla

CLEIDE CAVALCANTE
Da Agência Estado

Depois de uma temporada em Curitiba, Leila Richers está de volta ao Rio, preparando-se para estrear no dia 3 de janeiro um telejornal voltado ao público daquele Estado. “Será um jornal com notícias internacionais e nacionais, enfocando principalmente a repercussão dos fatos na vida do cidadão carioca”, explica a apresentadora, que também deverá comentar um programa num novo canal da NET - tevê por assinatura.
Ela já se desligou da apresentação do CNT Jornal - atualmente sob o comando de Patrícia Moskwyn e Gilberto Campos - para dedicar-se aos novos projetos. Ainda sem nome, o telejornal terá 30 minutos de duração e será apresentado entre 13 horas e 13h30. “Ele será gerado ao vivo, do Rio de Janeiro”, diz Leila. Segundo ela, a idéia inicial da emissora era a de criar um programa de variedades, mas não deu certo. “Agora essa possibilidade está totalmente descartada”, garante. “Quando abraço um projeto, abraço mesmo...”.
Noticiários regionais, explica a apresentadora, representam uma tendência muito explorada em países como os Estados Unidos. “Esse estilo tem grande receptividade”, explica. “Portanto, acho que vai agradar muito no Rio de Janeiro também”. Quanto à concorrência com telejornais de outras emissoras, Leila diz que esta não é uma preocupação sua. “Nunca me preocupei com isso. Sempre procuro fazer o melhor possível. E esse novo programa jornalístico é, sem dúvida, um bom produto”, enfatiza.

PROGRAMAS EDUCATIVOS

Além do novo telejornal, as atenções de Leila, que tem contrato com a CNT até março de 1998, estão voltadas para outro projeto. Ela foi convidada pela MultiRio, uma produtora da prefeitura carioca, para participar da elaboração da programação de um novo canal da Net, na tevê a cabo. “Já trabalhei um ano e meio com eles e agora fui chamada para formar um conselho editorial para criar projetos”, informa. O canal deve entrar no ar em março de 1998, com programação voltada para a cultura e educação. “Eu acredito no trabalho da MultiRio, é sério e necessário. Sem contar que a lei do audiovisual está aí. E, por ela, os geradores são obrigados a ter um canal educativo”, destaca.
Segundo Leila, mais importante do que pensar na programação das tevês, seria uma preocupação mais acentuada com o investimento em produções educativas. “É preciso que se mostrem formas de educação mais elaboradas. Se as prefeituras se empenharem, vão ter condições de oferecer mais opções interessantes, fazendo com que a cultura seja, também, entretenimento”, opina.
No novo canal, ainda sem nome definido, Leila também estará à frente de um programa, só que de variedades. “Terá um formato semelhante ao do `Manhattan Connection', só que totalmente direcionado ao Rio de Janeiro. É muito válido buscar um modelo nas fórmulas que já deram certo e adaptar”, argumenta.
A apresentadora comemora a atual fase profissional. “Realmente, estou vivendo um momento muito bom. Um trabalho completa o outro”, assegura. E, quando o assunto é trabalho, Leila lembra de um outro projeto, por enquanto, engavetado: “Comecei a escrever um livro de contos, mas ainda não tive tempo de terminá-lo”, lamenta. A estréia literária da apresentadora deve ocorrer no segundo semestre de 1998.


“GENTE DE EXPRESSÃO”

Bóris Casoy passado a limpo

ROSÂNGELA MARQUES
Da Agência Estado

Bruna Lombardi visitou o jornalista Bóris Casoy em sua casa e, depois de muito tricotar sobre vários assuntos, ela conseguiu passar ao telespectador uma imagem bem diferente daquela que o apresentador faz sugerir quando está trabalhando. No programa “Gente de Expressão” que vai ao ar sábado, dia 20 de dezembro, às 18h30 na Bandeirantes, Bruna revela uma pessoa descontraída, alegre, brincalhona. Quando a apresentadora lembrou a famosa pergunta que ele fez a Fernando Henrique Cardoso, nas eleições para prefeito de São Paulo - “Você acredita em Deus”? - Casoy arrancou gargalhadas com sua resposta: “Eu sou o primeiro judeu no mundo que converteu um presidente ao Cristianismo”.
Ao lembrar sua infância, o jornalista conta que, por causa da paralisia infantil, era chamado de “mula manca” pelas crianças. “Eu ia contar para a minha mãe e ela chorava junto. Eu sabia que eu era uma espécie de pedra, era uma coisa de rejeição”. Na adolescência, quando decidiu trabalhar no rádio, a família foi contra. “Naquela época - lembra - rádio, esse tipo de coisa, era associado à boêmia, à doce vagabundagem, então não era de bom tom”. Outras declarações dadas na entrevista:
- A esquerda vendia uma imagem libertária, mas na prática a URSS e a China não eram libertários. Eu tinha medo disso e, como eu era um garoto que queria liberdade inclusive em relação à minha família, que queria uma vida mais autônoma, na verdade eu transformava isso em ideal político de livre iniciativa, livre pensamento, de não interferência do Estado. Vai ver que era uma forma de contestar os meus pais que queriam me controlar.
- Eu fui situado pelos outros, porque era uma pessoa de liberdade da livre iniciativa e tinha medo do totalitarismo. Fui rotulado de terrorista da direita do comando de caça aos comunistas, coisa que eu não era.
- Eu poderia criticar o bispo (Edir Macedo). Mas eu não vou criticar o bispo à toa para provar que sou macho.
- Eu não gosto de me ver no vídeo, eu me vejo quase sempre que gravo, eu tenho resistência de me ver. Eu não sou nenhuma Bruna Lombardi.


MEMÓRIA

Os monstros que conquistaram o mundo

CLEIDE CAVALCANTE
Da Agência Estado

Nos anos 60, duas famílias muito esquisitas conquistaram o mundo da tevê: “A Família Addams”, comandada pelo bonachão Gomes, e “Os Monstros”, liderados pelo simpático Herman. As duas séries, a primeira produzida pela rede ABC e a segunda pela NBC, foram apresentadas durante o mesmo período - de setembro de 64 a março de 66. Ironicamente, os críticos da época diziam que se tratava de uma coincidência “monstruosa”. Mas o episódio também foi considerado como o primeiro caso de espionagem industrial na TV.
O que mais divertia os telespectadores era o fato de que as séries mostravam de modo bizarro, duas famílias estrangeiras desajustadas. De um lado, a ABC apostava no exótico latino Gomes (John Astin), em sua mulher Mortícia (Carolyn Jones), no tio Fester (Jackie Coogan), no Vovô Addams (Ted Cassidy) e nos meninos Pugsley (Ken Weatherwax) e Wednesday Thursday (Lisa Loring).
Do outro, a NBC, que fez sua série baseada nos personagens criados por Charles Addams em 1932, jogava suas fichas em Fred Gwynne (Herman), Yvonne de Carlo (a vamp Lily), Al Lewis (o vovÔ vampiro), Butch Patrick (o filho lobisomem) e Pat Priest e Beverley Oven (que fizeram a Marilyn Monstro).
“A Família Addams” ganhou duas versões cinematográficas nos anos 90, com Raul Julia e Anjelica Huston nos principais papéis, sem no entanto repetir o sucesso obtido pela série durante muitos anos. As duas séries ainda têm muitos fãs até hoje, Muitas das gozações criadas em “A Família Addams” e “Os Monstros” permanecem atuais ainda hoje, por parodiarem os vícios da classe média. Interessante é que, para eles, esquisitos eram os vizinhos.


PESQUISA-3/NOVELA

“A Indomada” é eleita a melhor novela de 97

SÔNIA APOLINÁRIO
Da Agência Estado

A escolha de A Indomada como a melhor novela de 1997 não surpreendeu um de seus autores, Aguinaldo Silva. “Se eu disser que não esperava isso vou estar sendo desonesto”, afirmou. “Tudo na novela deu certo e isso se refletiu na audiência”. A produção obteve média entre 55 e 57 pontos de audiência com picos de 63. Há tempos a Globo não conseguia tais números com uma novela das oito. “É sempre gratificante saber que sua expectativa foi realizada, como mostra a pesquisa”.
O co-autor Ricardo Linhares se disse “muito feliz” com o resultado. “Ainda sinto saudade dos personagens”, disse. “A novela deu certo tanto nos bastidores quanto na telinha”. Na sua opinião, não existe um único fator que explique o sucesso alcançado por A Indomada. “Foi a novela certa no momento certo”, afirmou. “Acho que o público, naquele momento, estava querendo se divertir com uma história bem-humorada”.
Em 1998, Linhares voltará à tela. Ele foi escalado para escrever a segunda produção para as 18 horas da Globo. Será sua primeira novela como principal autor, na emissora, onde já trabalha há 12 anos. O “mestre” e amigo Aguinaldo Silva fará a supervisão-geral dos primeiros 24 capítulos. Linhares pretende escrever sua história com o mesmo time de autores com quem trabalhou em A Indomada: Nelson Nadotti, Marcia Prates e Maria Elisa Berredo. Ele já criou a trama principal, mas apenas adianta que levará o realismo fantástico para o horário. “Será uma comédia porque é o que gosto de fazer”, disse Linhares.
Já Aguinaldo Silva descansará da TV no próximo ano. Ele, que terminou A Indomada “de mal” com o gênero novela, afirmou ter feito “mais ou menos” as pazes com o grande folhetim. “Eu estava muito cansado no final”, afirmou. “Então, achei que deveria me despedir das novelas com um sucesso”, continuou. “Mas como nós escritores vivemos na corda bamba, pode ser que eu volte a fazer outra”. Aguinaldo fez, porém, uma ressalva: outra novela com certeza, mas não necessariamente para a Globo.
Ele contou que seu contrato vai até março de 1999. Por ele, não tem obrigação de escrever outra novela. “Depois disso, estarei livre”, disse. O escritor negou que já tenha recebido uma proposta de outra emissora, mas se mostrou receptivo a isso. “Ainda está cedo para falar sobre essas coisas”. Sendo assim, ele aproveitará 1998 para escrever o roteiro de um filme - um bang-bang ambientado no Ceará e um romance policial no Rio de Janeiro de 1907.


PESQUISA-2/JORNALISMO

“Globo Repórter” é apontado como o melhor jornalístico do ano

SÔNIA APOLINÁRIO
Da Agência Estado

Como no ano passado, o “Jornal Nacional” voltou a ser o melhor telejornal. Mas a grande vitória jornalística de 1997 da Globo, de acordo com pesquisa do InformEstado, foi o “Globo Repórter”, apontado como o melhor programa do ano. O jornalístico semanal agradou tanto que também foi o escolhido pelo público no quesito “o que foi tão bom em 97 que você gostaria de ver em 98”.
Na pesquisa passada, o “Jornal Nacional” foi escolhido o melhor telejornal por 54% dos entrevistados. Este ano, foi apontado por 29% das pessoas como o melhor programa jornalístico. 1996 foi um ano que marcou o “JN” com a substituição dos tradicionais apresentadores Cid Moreira e Sérgio Chapelin por Willian Bonner e Lillian Witte Fibe. Em 97, o “JN” manteve-se na liderança de audiência do horário, mas com números longe do que um dia já alcançou, na década de 80. A principal crítica feita ao telejornal é de que estaria adotando uma linha mais popularesca justamente para aumentar sua audiência.
Essa crítica foi rebatida pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Evandro Carlos de Andrade, em entrevista à Agência Estado, por fax. “Discordo radicalmente”, afirmou.


PESQUISA-4/MELHOR INFANTIL

“Xuxa Park” é o primeiro infantil na preferência do público

SÔNIA APOLINÁRIO
Da Agência Estado

O melhor programa infantil de 1997 foi o “Xuxa Park”. No ano passado, nenhum infantil foi elogiado pelos entrevistados do InformEstado. Este ano, a atração comandada por Xuxa conquistou a preferência de 35% dos entrevistados. A diretora-geral do programa, Marlene Mattos, se disse contente pela “chance” dada pelo público. “As pessoas nos deram uma chance para ir mudando e melhorando o programa”, afirmou. “Quando não se tem essa receptividade, de nada adianta o trabalho”.
A grande atração do programa, em 98, promete ser a própria apresentadora. No início de dezembro, Xuxa anunciou estar grávida de um mês do namorado Luciano Szafir. Ela prometeu trabalhar normalmente e Marlene confirma sua intenção - pelo menos até agosto, mês previsto para o nascimento do bebê. Na opinião da diretora, não será preciso mudar o ritmo do programa por causa da gravidez. “Xuxa é muito solta”, afirmou. “Se um dia ela não estiver muito disposta ela se senta, explica isso para o público e faz o programa normalmente”. Afinal, como lembra Marlene, ela atualmente grava com a perna engessada e contou, no ar, como tinha se acidentado.
Com a chegada do bebê, Marlene ficou mais atenta às crianças mais novas. Tanto que contratou uma pedagoga para orientar a realização das atrações do programa que irá ao ar em 98. Por enquanto, já está certo que será criado o quadro “Pergunte a Xuxa” onde as respostas serão teatralizadas por crianças. Outro quadro novo será “A Hora do Bebê” que vai dar dicas e tirar dúvidas de mães de “primeira viagem”.
Até às 10 horas, o programa será totalmente voltado para os baixinhos mais baixinhos. Das 11h às 12h, a faixa etária sobe um pouco e começa a hora do recreio do programa, com jogos, mágica e brincadeiras. Para decidir que outras mudanças fará, Marlene vai encomendar uma pesquisa para saber os quadros mais e menos preferidos pelo público. “O que não estiver agradando eu tiro”, disse.
No “Planeta Xuxa”, Marlene pretende fazer poucas alterações. “O programa está ficando cada vez mais do estilo de variedades e não só musical”, afirmou. “Vou manter essa linha”. As entrevistas internacionais estarão ainda mais em alta, em 98. “Quero trazer a moda lá de fora para cá”, disse a diretora.
Os fãs de Xuxa não devem temer que Marlene faça sua pupila trabalhar além da conta. “Sei que grávidas não podem ser contrariadas”, brincou a diretora. “E eu não vou contrariá-la até porque devo esse respeito a Xuxa, já que ela há tempos queria tanto um filho”. Segudo Marlene, o único compromisso profissional que deve ser adiada, por conta da gravidez é o remake de “I Love Lucy”, que começaria a ser realizado em abril, na Espanha. “O pessoal já sabia da possibilidade disso vir a acontecer”, comentou a diretora.
Marlene mesmo vinha sendo “preparada” durante todo o ano de 97 sobre a possível chegada do herdeiro de Xuxa. “Não vamos nunca colocar a gravidez em risco”, afirmou. “Vou ter que me segurar”.