FACILITAÇÃO DE FUGA

Presos dois dos sete envolvidos

Na residência de um eles, a polícia apreendeu um pacote com US$ 14,7 mil em notas de 100

ADILSON ROSA
Da Reportagem

Dois dos sete envolvidos na segunda fuga milionária na Cadeia Pública do Carumbé, ocorrida na última sexta-feira de madrugada, estão presos. Com os ex-agentes carcerários Edvan de Almeida Oliveira e Valdir de Carvalho Evangelista foram apreendidos um pacote com 14 mil e 700 dólares, todos em notas de 100, escondidos no guarda-roupa numa residência, em Cuiabá. O ex-carcereiro Joanildo Aparecido Barbosa conseguiu fugir. Os três foram exonerados horas depois da fuga.

O dinheiro veio do narcotráfico da região de Cáceres, da quadrilha do piloto Marcos Aurélio Batista Ferreira, chefiada pelo narcotraficante Quinzote que financiou parte da fuga. Outra parte foi "doada" pela quadrilha de Osvaldo Moreira, preso com 393 quilos de cocaína em Juara.

Os suspeitos de facilitação apontaram mais três agentes carcerários e três PMs, sendo um soldado e dois sargentos que trabalham na vigilância externa. De acordo com as investigações, a fuga custou cerca de 100 mil dólares, apenas para os envolvidos diretos (agentes carcerários e policiais militares).

Os ex-agentes carcerários foram presos, ontem de madrugada, por policiais da Coordenadora Operacional e de Informações, chefiados pelo delegado José Rosa e major Rodrigues. Na Delegacia Metropolitana de Cuiabá, Edvan revelou que foi procurado, a cerca de um mês, pelo sargento Santos e pelo colega Joanildo, que perguntou se ele tinha coragem de participar de uma facilitação de fuga do piloto Marcos Aurélio. "Eu iria receber uma bolada boa", completou.

Uma semana depois, os dois o procuraram novamente para uma nova proposta. Havia mais três pessoas que iriam fugir. Seriam um assaltante de banco e mais dois traficantes. Posteriormente, um novo encontro foi marcado entre os três para fechar o plano de fuga. Foi quando apareceu uma quarta pessoa que se identificou como "Roberto". Na reunião, eles tinham convencido o sargento PM Aurélio a entrar no esquema. A fuga, então, foi marcada para o a madrugada do dia 16, pois todos os envolvidos estariam de plantão.

O agente carcerário Valdir, por sua vez, relatou que a cerca de um mês foi procurado pelo piloto Marcos Aurélio que lhe fez uma proposta de facilitação de fuga oferecendo "muito dinheiro".

No dia 16, por volta das 14h, ele recebeu um telefonema de Edivan para se deslocar próximo ao Parque de Exposição onde se encontrou com um senhor branco, cabelos lisos, aparentando uns 30 anos, sendo chamado de "Bigode de Arame". No encontro, ele recebeu dois pacotes: um lacrado com pouco mais de R$ 14 mil dólares e outro aberto, com menos dólares. Esse segundo pacote seria entregue na casa de Edvan. Ele embarcou no Pálio preto do Bigode de Arame. No trajeto, retirou duas notas de 100 dólares e as colocou no bolso.

Ontem de manhã, os dois ex-agentes carcerários foram encaminhados para o 7o Distrito Policial do CPA. Eles foram enquadrados no crime de facilitação de fuga, previsto no artigo 351 do Código Penal. Se condenados, podem pegar de um a quatro anos de prisão.


Plano de fuga foi muito bem arquitetado

Da Reportagem

A fuga dos quatro presos mostra que o plano arquitetado obedeceu os mínimos detalhes e que contou com a conivência de agentes carcerários e policiais militares. Por volta da 1h da madrugada, após o blecaute, os traficantes José Nunes Pereira Neto, Marcos Aurélio Batista Ferreira e João de Souza Silva, além do assaltante de banco Júlio Martins Jr., estavam nas celas 20 e 21 da Ala H.

Eles saíram tranqüilamente após serrar dois gomos da grade de ferro e foram levados para o pátio pelos agentes carcerários Edio Gomes e Claudinei José Cruz. Lá, eles aguardaram o sinal do sargento Aurélio. Em seguida, foram até o portão principal onde o soldado Magalhães os aguardava. Os detentos só passaram pelo PM após deixar o pagamento.

Nesse momento, sargento Aurélio, que se encontrava na torre principal do Carumbé, observava tudo e permitiu a fuga. Na saída, os fugitivos foram recebidos pelo agente carcerário Joanildo que os conduziu até o estacionamento do Carumbé, já do lado de fora.

Lá, dois veículos, um Gol e um Parati, os esperavam. Nessa parte, há a suspeita da participação de dois policiais civis. A partir daí, a polícia não possui mais informações. Cerca de uma hora depois, o agente carcerário Valdir esteve na casa de Edvan e entregou os dois pacotes de dólares à esposa dele. Ela deveria entregá-los quando chegasse do plantão.


CARUMBÉ/FARSA

Ex-presidiário que depôs contra Denilson desaparece

Da Reportagem

O ex-presidiário que depôs contra Denilson Pereira de Souza, ex-diretor da Cadeia Pública do Carumbé, está desaparecido de Cuiabá desde o dia que seu nome e profissão foram publicados num jornal local. Ele foi informado pela amásia sobre a divulgação e para não correr risco de vida, não foi mais encontrado em Cuiabá. "Ele (o ex-presidiário) já está sabendo e não sei onde ele está", comentou um policial.

O ex-presidiário revelou que na semana passada havia sido procurado por "emissários" de Souza que estiveram três vezes em sua residência para uma conversa. O assunto não foi revelado pelos emissiários. Temendo algo pior, o jovem mandou avisar que estava viajando.

O ex-presidiário, que cumpria pena por tráfico de drogas, revelou à Corregedoria Geral de Polícia Civil que recebeu uma proposta de Souza para incriminar os quatro agentes carcerários envolvidos na falsa rebelião. Ele recebeu R$ 200,00 em dinheiro.

Além do falso testemunho, o ex-presidiário denunciou também um "esquema de propina" liderado por Souza que caracterizava "pelo pagamento do conforto dos presos mais ricos".

Ele relatou à delegada corregedora Virgínia Leite que acusasse os agentes carcerários Janildo Telles do Couto, Edson de Arruda Pinto, Rutênio de Arruda, Janildo Aparecido Barbosa, Adão Fontoura e os policiais militares Francisco Figueiredo Dias e Nelson Benacho, ambos lotados no Batalhão de Policiamento de Guarda (BPGuardas).

O ex-presidiário disse ainda que no dia 23 de marços deste ano, horas após a fuga, ele foi chamado pelo ex-diretor para que propôs para que ele assinasse o depoimento mentiroso. Como recompensa, seria transferido. E de fato, ele saiu do Carumbé para uma Delegacia Distrital da Capital. Na transferência, Souza argumentou que o jovem estava "marcado para morrer".

Ele foi procurado por um ex-PM que intermediou a proposta no valor de R$ 200,00 mais a transferência para outro local, onde deveria cumprir a pena. No dia 8 de abril, o ex-presidiário foi transferido para uma Delegacia da Capital como preso de sala livre. Na época, o discurso do ex-presidiário foi outro.

Ao ser procurado pela reportagem sobre o pedido de prisão preventiva de Souza, disse que "Denilson era um dos melhores diretores que o Carumbé já teve. Ele é gente fina, mesmo", afirmou. O inquérito que investiga a farsa no Carumbé retornou ao 7o Distrito Policial do CPA, onde o delegado João Merino vai fazer novas investigações.


VENDEDOR

Jovem baleado morre no PSM

Da Reportagem

O vendedor Valdenilson José Gomes, 27, morreu, na última sexta-feira à tarde, no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, onde estava internado desde a última quinta-feira em estado grave. Ele foi baleado no tórax quando participava de um evento na Praça do Popeye, no bairro Tijucal. Houve um tumulto e Vandenilson foi atingido por uma bala perdida.

Segundo a polícia, havia vários jovens no local dançando ao som das músicas de alguns carros estacionados nas proximidades. Um desconhecido sacou um revólver e começou a atirar, pedindo para que os presentes corressem na tentativa de se proteger.

Esse é o segundo assassinato ocorrido na mesma praça nesse mês. No dia 4 (um domingo), a jovem Dulcinéia Ramos da Silva, 21, foi morta a tiros pela adolescente Danielli que teria jogado uma garrafa em direção da jovem.


BRIGA EM ESCOLA

Um vai para a delegacia e o outro para o hospital

Da Reportagem

A Escola de Ensino Básico Elmaz Gatass Monteiro, em Várzea Grande, se transformou em palco de briga envolvendo dois estudantes do ensino médio que se enfrentaram no murro, socos, pontapés e até cadeiradas. Um deles chegou a desmaiar e foi levado para o Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande. Ao melhorar foi detido. O outro foi levado para a Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente (Deca).

A briga aconteceu na última sexta-feira, um pouco antes das 20h30, quando termina a segunda aula. O adolescente S.M.S., 17 anos, acertou um murro na boca do estudante Vilson Pinto da Costa, 19. Para se defender, ele acertou várias cadeiradas nas costas e na cabeça do adolescente que desmaiou. Os dois estudantes havia se atracado e rolado no chão.

Segundo Vilson, havia vários estudantes na sala e ele resolveu estudar para a prova na quarta aula. Um dos colegas começou a apagar e acender as lâmpadas da sala. Irritado, o estudante pediu para que parasse. Um colega disse: "Esse guri é do Capão Grande". Quando ouviu a referência maldosa em relação ao bairro onde mora, se armou com uma cadeira e disse que iria jogar no colega.

No primeiro golpe, ele se defendeu com a mão. Em seguida, tomou a cadeira e acertou um murro na boca do menor. Os dois rolaram no chão, para o delírio dos colegas. Vilson se levantou, pegou uma cadeira e

acertou dois golpes na cabeça do adolescente que chegou a desmaiar. Os colegas perceberam que poderia acontecer uma tragédia e separaram os dois.


ACIDENTE/BH

Nove morreram no ônibus que caiu no rio

PAULO PEIXOTO
Agência Folha - BH

Continuavam internados na manhã de ontem nos hospitais de Belo Horizonte 23 passageiros do ônibus urbano que caiu na noite de anteontem dentro do ribeirão Arrudas, no centro da capital mineira, após acidente que envolveu dois carros e uma moto. No ônibus estavam 83 pessoas. O veículo poderia transportar até 88 passageiros.

A queda do ônibus de uma altura de aproximadamente 15 metros provocou a morte de nove passageiros (seis mulheres, sendo uma grávida, e três homens) e ferimentos em 74 pessoas, segundo dados da Polícia Militar.

O passageiro Ronaldo Conceição, 40, é o único que continua em estado grave. Com ferimentos intestinais, ele foi operado durante a madrugada. O motorista do ônibus, José Paulino de Souza, 29, estava ontem entre os feridos que continuavam internados. Ele negou que tivesse avançado o semáforo com a luz vermelha. "Foi tudo muito rápido. Fui fechado pela moto e tentei desviar. Um outro carro bateu no ônibus e caí no rio", disse.

Outro motorista, no entanto, disse que o colega avançou o sinal. Francisco Barbosa, 44, que estava dirigindo outro ônibus, disse que parou no semáforo, enquanto Souza prosseguiu. "Infelizmente, o colega passou no sinal vermelho."

O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), estiveram no Hospital João 23 no final da noite de anteontem para visitar os feridos e levar "solidariedade". O acidente foi flagrado pelo cinegrafista Gilmar Peixoto, do Canal 23, emissora de TV a cabo, que fazia reportagem sobre o trânsito no local.


CADEIA

Presos fazem jejum contra superlotação

CHRISTIANNE GONZÁLEZ
Agência Folha - BH

Cerca de 150 detentos da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes de Belo Horizonte (MG) anunciaram ontem que vão permanecer em greve de fome até que a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado atenda suas reivindicações. Os detentos estão sem comer desde a última terça-feira para protestar contra a superlotação das celas na delegacia de Tóxicos e Entorpecentes e a suspensão das visitas.

A delegacia de Tóxicos e Entorpecentes mantém 201 presos em oito celas com capacidade para comportar 79 pessoas. Dos 201 detentos, 84 já foram condenados pela Justiça, mas permanecem na delegacia por falta de vagas nos presídios do Estado.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a Superintendência Geral de Polícia do Estado já encaminhou correspondências para a SOP (Superintendência de Organização Penitenciária) da Secretaria de Justiça e para a Vara de Execuções Penais solicitando providências.

Até a tarde de ontem, a Superintendência Geral de Polícia não havia recebido resposta dos órgãos de Justiça, segundo informações da assessoria de imprensa da Polícia Civil. O delegado da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes, Euler Costa da Cruz, disse que não tem como resolver o problema da superlotação a curto prazo.

Segundo Cruz, somente as reivindicações relativas às visitas podem ser atendidas. Ele informou que as visitas foram suspensas por questões de segurança. A comida recusada pelos detentos está sendo doada à Associação Comunitária do bairro Nazaré (periferia de Belo Horizonte).