TAÇA DAVIS

Brasil sofre humilhação nas duplas

Guga e Oncins estiveram péssimos na quadra e acabaram perdendo por três sets a zero para os franceses

ROBERTO DIAS
Da Agência Folha – Pau, França

Com uma derrota por 3 sets a 0 nas duplas para os franceses, ontem, o Brasil ficou em uma situação difícil para avançar às semifinais da Copa Davis. Os dois países definem hoje quem avançará na mais importante competição entre países no tênis.

Nos dois primeiros dias do confronto na cidade francesa de Pau, nenhuma das duas equipes conseguiu definir a disputa, mas a França, ao ganhar ontem a partida de duplas, precisa de uma vitória hoje em dois jogos, para eliminar a equipe brasileira.

Sexta-feira, a equipe brasileira saiu na frente com a vitória de Gustavo Kuerten, quinto mundo, sobre Sébastien Grosjean, 34º, em um jogo dramático de cinco sets e quase cinco horas de duração.

Mas os franceses empataram na sequência, com Cédric Pioline, 25º do ranking, batendo o brasileiro Fernando Meligeni, 30º.

Ontem, nas duplas, Kuerten e Jaime Oncins, que jogou muito mal, sofreram seu primeiro revés em oito partidas que disputaram juntos da Davis: perderam para Olivier Delaitre e Fabrice Santoro por 7/6, 6/4 e 6/4.

Hoje, a partir da 7h (horário de Mato Grosso), Kuerten enfrenta Pioline no jogo que reúne os dois tenistas número um de cada país. Se Kuerten vencer, jogam, na sequência, Meligeni e Grosjean.

Como mandantes, os franceses depositam suas esperanças no piso escolhido para as partidas, o carpete, uma superfície rápida e na qual o Brasil tem deficiência. Além disso, os brasileiros têm que enfrentar a torcida francesa presente ao Palácio dos Esportes de Pau (pronuncia-se "pô").

O duelo com os franceses é o maior desafio de Kuerten - jogador que obteve os melhores resultados na história do tênis do Brasil - na Copa Davis.

Se vencer, a equipe brasileira duelará nas semifinais contra Bélgica ou Suíça, que também se enfrentam neste final de semana, em Bruxelas. Os belgas lideram por 2 jogos a 1.

Se o Brasil se classificar, será a segunda vez na história que a equipe disputa uma semifinal, repetindo o feito alcançado em 1992, quando, depois de derrotar Alemanha e Itália, em casa, perdeu, na Europa, para a Suíça.

Caso o rival seja a Bélgica, o Brasil terá que jogar novamente fora de casa, como contra Espanha e França. Passando a Suíça, o confronto será no Brasil.


Guga precisa vencer para conseguir adiar decisão

Da Agência Folha – Pau, França

Responsáveis pelas vitórias de seus países na primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, Gustavo Kuerten e Cédric Pioline voltam a decidir hoje o futuro de suas equipes no torneio.

Pioline terá, a partir das 7h30 (horário de Mato Grosso), a chance de selar uma vitória no confronto entre Brasil e França. A Kuerten cabe a missão de vencer e postergar a decisão do confronto para a quinta partida, entre Fernando Meligeni e Sébastien Grosjean.

Atualmente ocupando a quinta posição do ranking mundial, Kuerten garantiu a vitória do Brasil sobre a Espanha ao vencer três jogos no país europeu, em abril.

Superou Alex Corretja, a dupla Corretja e Albert Costa (jogando ao lado de Jaime Oncins) e Carlos Moyá, definindo nesse jogo a classificação brasileira.

Foi uma vitória histórica, a primeira do país fora de casa no Grupo Mundial, a elite da Davis.

Já Pioline foi o grande jogador quando a equipe da França, jogando em casa, bateu a Holanda, também em abril último.

Basicamente, fez o mesmo que Kuerten. Ganhou seu primeiro jogo de simples (contra Paul Haarhuis), o de duplas (ao lado de Guillaume Raoux, superando Haarhuis e Jan Siemerink) e definiu o confronto contra o número um rival, Richard Krajicek.

Em Pau, o cenário estava sendo traçado de forma semelhante ao dos confrontos passados - até o "tropeço" de Kuerten nas duplas, ontem. Kuerten tinha ganho seu primeiro jogo, após uma disputa de quase cinco horas com o francês Sébastien Grosjean. Marcou 3 sets a 2. Pioline, por sua vez, superou Fernando Meligeni, com facilidade, por 3 sets a 0, em menos de duas horas de jogo.

Pioline já foi finalista de dois Grand Slams - o Aberto dos EUA e o Torneio de Wimbledon - e tem hoje a vantagem de jogar em um piso rápido, caso do carpete colocado no Palácio dos Esportes de Pau, cidade no sudoeste da França.

Ele tem também um retrospecto favorável frente a Kuerten. Na única vez em que se enfrentaram, no ano passado, no Torneio de Montecarlo (saibro), venceu por 2 sets a 0.

Por fim, Pioline tem mais experiência do que Kuerten em Copas Davis. Enquanto o brasileiro só começou a disputar o torneio em 1996, o francês já participa da mais importante competição do mundo entre equipes desde 1994.

E, de quebra, foi campeão uma vez, em 1996, jogando como titular de sua equipe e batendo a Suécia na decisão.


Meligeni tenta um milagre

Da Agência Folha – Pau, França

Será sua sétima chance, e Fernando Meligeni terá hoje, contra Sébastien Grosjean, que vencer seu primeiro jogo, "para valer", no Grupo Mundial da Davis.

Em todas as outras vezes em que ele ganhou uma partida na competição, o Brasil estava disputando o classificatório (tentando subir ou evitar a queda) ou uma divisão inferior do torneio.

E em todos os confrontos em que que o Brasil tentou avançar no Grupo Mundial, Meligeni, atual 30º do mundo, perdeu.

Há, é verdade, a possibilidade de ele nem entrar em quadra hoje. Isso ocorrerá se Kuerten perder no quarto jogo e o capitão brasileiro, Ricardo Acioly, optar por dar chance a outro jogador - possivelmente André Sá.

Mas Meligeni confia em Kuerten e disse, após a derrota para Cédric Pioline, sexta-feira, que vê boas chances de ter o futuro do país na Davis em suas mãos.

Aí, além de Grosjean, 34º do mundo, teria de vencer ainda mais um obstáculo: sua pouca familiaridade com o carpete, piso do confronto com a França.

Em sua carreira profissional, o brasileiro jogou apenas seis vezes nesse tipo de piso - venceu duas e perdeu quatro. E, das duas que ganhou, uma foi por W.O. (ausência) e a outra foi em 1991, em um torneio challenger no Brasil.

Na França, ele é visto como o mais afetado pela escolha de piso feita pelo time da casa, sobretudo após ir às semifinais de Roland Garros em quadra de saibro.


VÔLEI

Brasileiros prometem a vingança no Pan-Americano

A seleção volta a enfrentar os cubanos na próxima semana prometendo a vitória

JOSÉ ALAN DIAS
Da Agência Folha – Mar del Plata, Argetina

Uma semana após a derrota para Cuba nas semifinais da Liga Mundial de vôlei, a seleção brasileira terá a chance de devolver o resultado a seu algoz, mas num torneio que não é tomado como prioritário neste ano.

A equipe masculina, que terminou ontem à noite sua participação no torneio, disputando o terceiro lugar com a Rússia, em Mar del Plata (Argentina), viaja já na quarta-feira para o Canadá, onde disputa o Pan-Americano.

No sábado, fará sua estréia contra Cuba, por quem foi batida sexta-feira à noite por 3 sets a 0 (25/ 20, 27/25, 25/19), em apenas uma hora e oito minutos de jogo. Para o mesmo time, perdera também a disputa do bronze, no Mundial, em novembro passado.

Do elenco de Mar del Plata, estão confirmadas três substituições: saem os atacantes Max e Kid e o levantador Maurício, que serão substituídos por Axé, André Heller e o levantador Marcelo Elgarten. O atacante Nalbert também deve ser desfalque, pois sofreu uma fissura no dedo mínimo da mão direita, no jogo com a Itália, na terça-feira, e nem pôde atuar na semifinal.

Além de Cuba, o Brasil jogará na fase classificatória do Pan com Barbados (no dia 26) e Venezuela (no dia seguinte). Na outra chave, estão Colômbia, Canadá, Argentina e EUA. No dia 31, acontecem as semifinais, com os dois primeiros times de cada grupo. A final do torneio será em 2 de agosto.

O revezamento foi o meio-termo encontrado pelo técnico Radamés Lattari para diminuir o desgaste dos atletas sem entrar em atrito com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que fez um "apelo" para que todos os esportes coletivos estivessem representados por suas equipes principais.

A um ano dos Jogos de Sydney, o Pan tem posição estratégica para o COB, que, com dificuldades de patrocínio - e boas chances de medalhas -, quer ter garantida sua exposição na mídia.

No caso da seleção masculina, a meta pós-Liga Mundial é outra: a vaga na Olimpíada.

O primeiro passo será dado no Sul-Americano, em setembro, em Córdoba (Argentina). Vencendo o Sul-Americano, o Brasil garante vaga na Copa do Mundo, que reúne os campeões continentais, em novembro, no Japão.

Estarão classificados para Sydney os três primeiros do evento japonês. Não figurando no grupo, o Brasil teria que participar de um classificatório da América do Sul, em janeiro - Argentina e Venezuela são os únicos que podem proporcionar resistência.

Se ainda não conseguir se classificar, a seleção vai para uma eliminatória Mundial, em agosto.


Argentina torce pelos brasileiros

Da Agência Folha – Mar del Plata, Argentina

Descrentes nas chances de seu país conseguir se classificar para a Copa do Mundo, os dirigentes argentinos estão tomando uma postura paradoxal dada a rivalidade das duas seleções: declaram abertamente torcer para o Brasil.

"Dado o momento pelo qual passamos, seria até bom", declarou o presidente da federação local, Mario Goijman.

Ficando entre os três primeiros em novembro, a seleção abriria uma vaga na América do Sul. Por esse posto, a Argentina teria um rival de menos peso: a Venezuela.

Seria um alívio para os argentinos, depois de uma temporada de infortúnios - cumpriram papel vexatório no Mundial: 11º lugar.

Na Liga Mundial, como anfitriões, já tinham desde o início da etapa classificatória, uma vaga na fase final.

O sexto lugar, atrás da Espanha, custou o cargo do treinador Daniel Castellani, bronze em Seul-88, como jogador, e que dirigia a equipe desde 1994.

Até a sua saída será complicada: a imprensa argentina noticiou que Castellani terá a receber cerca de US$ 260 mil, entre indenização e salários atrasados.

Na segunda-feira, em Buenos Aires, será lançado o Mundial de 2002, abrigado no país (o feminino, no mesmo ano, será no Brasil). Estrela local, o meio-de-rede Marcos Milinkovic será o garoto-propaganda do evento.


BASQUETE

Seleção precisa da vitória

Da Agência Folha – São Paulo

Contra o Panamá, hoje à noite, a seleção brasileira masculina de basquete joga sua sobrevivência no Pré-Olímpico das Américas, disputado em Porto Rico, e a esperança de continuar na disputa por uma vaga em Sydney-2000.

Após o revés dos panamenhos contra a Venezuela na madrugada de ontem, os brasileiros obtêm a vaga para a segunda fase com uma vitória sobre o rival - mesmo que percam, se houver um tríplice empate entre Brasil, Panamá e República Dominicana, ainda podem se classificar, mas dependerá do saldo de pontos.

Quatro equipes de cada um dos dois grupos avançam à próxima fase, no qual será formado um grupo com oito seleções. Em quatro rodadas, os times procedentes do Grupo A enfrentam os do B.

As quatro melhores equipes, somados os resultados de primeira e segunda fases, avançam às semifinais. As vencedoras, além de passar à final, estão classificadas para a Olimpíada do ano que vem.

O Grupo A já definiu os times da segunda fase: EUA, Canadá, Argentina e Uruguai. O de Cuba, com três derrotas, foi eliminado.


FÓRMULA-INDY

Andretti corre como favorito

Da Agência Folha – São Paulo

O norte-americano Michael Andretti tenta hoje consolidar a boa fase de sua equipe, a Newman-Haas, e assumir pela primeira vez no ano a liderança na Indy.

Ele tem 95 pontos no campeonato, 18 a menos que o líder da temporada, o colombiano Juan Pablo Montoya, da Ganassi.

Caso vença o GP de Toronto, 11ª etapa da Indy, hoje, e Montoya fique abaixo do 11º lugar, Andretti chegará ao topo da classificação.

O norte-americano é o piloto com maior evolução nas últimas provas. Em três corridas, saiu do sexto lugar na tabela do campeonato para atingir a vice-liderança.

A Newman-Haas também demonstra boa evolução. Chegou ao ápice no último domingo, com uma "dobradinha" - Christian Fittipaldi e Andretti - no pódio de Elkhart Lake (EUA).

A favor de Montoya está seu melhor desempenho em circuitos mistos. Ele conseguiu 53% de seus pontos nessa configuração de pista. Andretti, 42%.


COPA AMÉRICA

Ronaldinho quer o título da Copa

O brasileiro quer vencer, provar que está recuperado e depois promover uma mudança total em sua imagem

ALEXANDRE GIMENEZ E JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
Da Agência Folha – Foz do Iguaçu, PR

O atacante Ronaldo, 22, quer usar a final da Copa América, entre Brasil e Uruguai, hoje, em Assunção (Paraguai), como o marco inicial de sua mudança de imagem.

O atleta quer tirar da mídia a figura do garotão playboy, que namora modelos oxigenadas e dirige carros de luxo em alta velocidade pelas ruas do Rio de Janeiro e de Milão (Itália), preservando a sua vida privada.

Para isso, os homens que controlam a sua carreira - os empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta - contrataram um assessor de imprensa para moldar a nova imagem do jogador. "Agora, as coisas vão ficar mais organizadas para mim", disse Ronaldo, que disputa no Paraguai seu primeiro torneio oficial pela seleção brasileira após a crise nervosa que sofreu horas antes da final da Copa do Mundo de 98, na França.

Ronaldo disse que sentiu a necessidade de mudar a forma como sua imagem estava sendo explorada dois meses atrás, quando permitiu que uma emissora de televisão registrasse a compra de uma Ferrari por US$ 350 mil.

O atleta só avisou a TV para obter um desconto na compra do automóvel, já que o proprietário da concessionária prometeu baixar o preço da Ferrari se a negociação fosse vinculada em "horário nobre". Deu certo, já que o novo "brinquedo" de Ronaldo foi a principal atração do telejornal noturno dessa emissora.

"Não deu três dias para me arrepender do que tinha feito. Não por ter comprado o carro, mas sim por ter mostrado isso na TV, já que o nosso país vive uma situação tão difícil", disse Ronaldo.

Quando adquiriu o automóvel, o atacante havia afirmado que "ter uma Ferrari no Brasil é muito diferente do que possuir uma na Itália", onde o jogador tem um carro similar.

A intenção de Ronaldo em mudar sua imagem surgiu com o aprofundamento de sua amizade com o meia Leonardo, que pediu dispensa da seleção brasileira alegando não concordar com os métodos de trabalho do técnico Wanderley Luxemburgo.

Antes da final da Copa da França, Leonardo liderou o grupo que apoiou a escalação do atacante, mesmo com os problemas vividos por Ronaldo.

Como moram na mesma cidade (Milão), os dois jogadores costumam encontrar-se frequentemente para jantar. Antes de abandonar a seleção, Leonardo dividia o quarto com Ronaldo na concentração em Foz do Iguaçu. "Conversamos muitas vezes sobre como minha imagem estava sendo usada. O Leonardo acha que ela poderia ser explorada para um lado mais social", disse o atacante da seleção.

Além da imagem de "cidadão", Ronaldo precisa ainda recuperar a reputação de jogador de futebol, muito arranhada desde a final do Mundial da França.

Na Copa América, esse objetivo tem sido alcançado apenas parcialmente, já que o atacante tem alternado boas e más atuações.

O "fundo do poço" de Ronaldo no torneio sul-americano foi na partida contra o México, nas semifinais da competição. Após uma péssima atuação, Ronaldo foi substituído aos 35min do segundo tempo.

Irritado, foi direto ao vestiário, sem cumprimentar o técnico Wanderley Luxemburgo, praxe na seleção brasileira. "Eu nunca vivi nada parecido em minha carreira. É difícil entender o público. Ele se entusiasma quando você marca um gol, mas vaia se erra apenas uma jogada. É difícil", disse Ronaldo.


Atacante pensa no italiano

Da Agência Folha – Foz do Iguaçu, PR

O atacante Ronaldo vai iniciar os treinamentos para o próximo Campeonato Italiano no dia 20 de agosto, uma semana antes de seus companheiros de Inter de Milão.

Como o jogador exigiu não ser convocado para a Copa das Confederações, entrará em férias hoje à noite, após o jogo em Assunção. "Vou treinar com o Filé (Nilton Petrone, fisioterapeuta da seleção brasileira) no Rio de Janeiro, para chegar em boa forma na Itália" afirmou o atacante.

A principal preocupação de Ronaldo é em relação a seu peso. Quando iniciou a sua preparação para a Copa América, o atacante estava com cerca de 90 kg, 8 a mais do que seu peso ideal.

"Estou precisando de férias. Tive um ano muito estressante, com muitas cobranças e críticas", disse o atacante, que sofreu com muitos problemas físicos durante a última temporada do Italiano.

Ronaldo disse que ainda não planejou onde irá passar suas férias. "Quero um lugar para relaxar ao máximo", completou o atacante da seleção brasileira, que não teve um período de descanso prolongado nos últimos quatro anos.


Uruguai quer voltar à elite

RODRIGO BERTOLOTTO
Da Agência Folha – Assunção, Paraguai

Se baterem o Brasil hoje na decisão da Copa América, cada um dos jovens jogadores uruguaios vão receber como prêmio um cheque de US$ 16,5 mil. Se perderem, o valor será de US$ 9.500. A novidade não são os valores modestos, mas sim o emitente dos cheques.

O documento não estará em nome da AUF (Associação Uruguaia de Futebol), mas sim da empresa Tenfield, que gerencia a seleção nos próximos dez anos.

Essa terceirização é só um indício do projeto ambicioso para reinserir o país na elite do futebol mundial, deixando para trás o presente de campeonatos deficitários e as ausências em Copas do Mundo, o que só reforça o saudosismo pelos ouros olímpicos de 1924 e 1928 e pelos títulos mundiais de 1930, batendo na final a Argentina, e 1950, quando venceu o Brasil no Maracanã.

"Não somos megalomaníacos. Tudo é perfeitamente factível. Uma prova disso é nosso bom desempenho na Copa América do Paraguai, que considerávamos um banco de teste para nosso projeto", afirma Eugenio Figueredo, presidente da AUF.

Para a seleção, a idéia dos uruguaios é descobrir constantemente novos jogadores, formá-los nas categorias sub-17 até sub-23 e mesclá-los com os já consagrados na equipe principal.

Para o Campeonato Uruguaio, a solução apresentada é explorar ao máximo os direitos de televisionamento e os licenciamentos.

A Tenfield é propriedade do todo-poderoso empresário Francisco "Paco" Casal, detentor da maioria dos passes de jogadores no país. Seu sócio é o ex-futebolista e campeão da Copa América em 1995 Enzo Francescoli.

A empresa deu US$ 50 milhões à AUF e assumiu o futebol. A entidade esportiva repassou US$ 16 milhões para os clubes do país para que eles aprovassem o acordo.

Os times aceitaram na hora, afinal, nos últimos tempos, estão fazendo qualquer coisa para fazer caixa e sair do vermelho.

Um exemplo disso são os times que servem de "ponte" em transferências internacionais para burlar impostos - foi o caso da transferência do meia Zé Roberto (hoje titular da seleção de Luxemburgo), da Lusa para o Real Madrid, passando pelo modesto Central Español, de Montevidéu.

A Tenfield está bancando também todos os custos da delegação na Copa América. Outro exemplo de sua ingerência foi a contratação do argentino Daniel Passarella como técnico principal - seu salário mensal, superior a US$ 100 mil, é irreal para os padrões uruguaios.

Em troca, a Tenfield recebe todo o dinheiro das rendas e dos direitos de televisionamento e decide quais amistosos o Uruguai deve fazer na temporada.

Com tanta influência, recai sobre Casal a suspeita que ele também escala a seleção com os jogadores que lhe interessam.

Por esse motivo também está na sociedade Francescoli, considerado como a "reserva moral" do futebol cisplatino.

Mas nada melhor para os investimentos do que triunfos. Por isso, o objetivo é ganhar, nada mais nada menos, que a medalha de ouro em Sydney-2000 e a Copa de 2002 (a última participação uruguaia foi em 1990). "Jogadores, nós temos. Só estão faltando os resultados", analisa o meia Magallanes, titular da jovem equipe nesta Copa América.

Uma prova da existência de vários bons jogadores no país foi o amistoso em junho entre o Uruguai de Passarella, com os "europeus" Fonseca, Otero, Poyet e Montero na equipe, contra o Uruguai do técnico Víctor Púa, com os mesmos Zalayeta, Coelho, Lembo e Magallanes que estão agora no Paraguai.

Os astros que jogam no exterior ganharam férias e foram poupados para as eliminatórias. Enquanto isso, a equipe B, tendo como base o selecionado sub-20 vice-campeão mundial em 1997, foi colocada à prova na Copa América. Seu teste definitivo, porém, será o Pré-Olímpico e a Olimpíada de 2000.

Com tanta ambição pela frente, os calouros uruguaios têm ainda menos motivos para serem saudosistas. "Vamos esquecer um pouco do Maracanazo, porque ele nunca vai se repetir. Temos de buscar novos feitos", sentencia o zagueiro Alejandro Lembo, sobre a vitória do Uruguai sobre o Brasil na final do Mundial de 1950.


Carini é o destaque uruguaio

Da Agência Folha – Assunção, Paraguai

"Fiquem tranquilos: um pênalti, pelo menos, eu defendo." Com essa frase, o goleiro uruguaio Fabián Carini, 19, incentivou seus companheiros nas cobranças que classificaram sua seleção à semifinal e, depois, à final.

Defendendo um pênalti paraguaio e outro chileno, o mais jovem integrante da equipe titular com menor média de idade do torneio (22,8 anos) virou uma estrela, com direito a especulações sobre sua transferência à Europa.

Chama a atenção ainda o sucesso precoce na posição mais longeva do futebol. Só no torneio sul-americano havia três exemplos de veteranos: o argentino Burgos (30 anos), o mexicano Jorge Campos (32) e o chileno Ramírez (34).

Mas seu histórico em pênaltis vem das campanhas da seleção sub-20 nos Mundiais da Malásia (97) e da Nigéria (99). "Olho o cobrador até o último momento e escolho o canto."

Na concentração, Carini recebeu a visita de Máspoli, goleiro campeão da Copa de 1950 e atual dirigente do Peñarol. Antes de escolher o posto de goleiro, Carini tentou ser atacante em equipes juvenis.


Zalayeta promete vencer

Da Agência Folha – Assunção, Paraguai

A presença na Copa América do atacante Marcelo Zalayeta, 20, marca a volta dos jogadores negros à seleção uruguaia, após sua desaparição nas últimas décadas.

Na história do futebol local, esses atletas se destacaram nas conquistas internacionais.

É o caso do lateral Leandro Andrade, nas Olimpíada de 1924 e 28 e na Copa de 1930. Na Copa de 1950, os representantes eram Rodríguez Andrade (lateral) e o mulato Obdulio Varela (capitão).

"Não preciso dizer que me inspiro neles e espero ser exemplo para os garotos que estão começando, mas procuro não me diferenciar dos outros", diz Zalayeta. "Não sou mais hábil ou forte por ser negro. O que acrescento para a seleção é o que qualquer jogador pode dar", completa o artilheiro da equipe na Copa América, com três gols.

A presença "black" no Uruguai só não foi maior na Copa América porque outro atacante, Nicolás Olivera, se contundiu.

Zalayeta e Olivera formaram a dupla de ataque no vice-campeonato mundial sub-20 da Malásia. Naquele selecionado, os dois representavam 18% dos jogadores em campo. Na população do Uruguai, os habitantes de origem africana são 4% do total.

Eles se concentram na capital, Montevidéu, principalmente nos bairros Sur e Palermo. Além do esporte, a presença cultural dos negros no Uruguai também é forte na música (o candomblé) e nas festas populares.


Treinador uruguaio resolve usar terno

Da Agência Folha – Assunção, Paraguai

O técnico Víctor Púa é uma espécie de versão uruguaia de Cilinho, ex-técnico do São Paulo. Dois talentos unem ambos: a aptidão para revelar novos talentos e para conservar um físico sempre com vários quilos a mais.

Mas o rechonchudo Púa, 42, já escolheu uma forma para tentar disfarçar a silhueta. Trocou os agasalhos esportivos, sempre apertados, por ternos soltos e de cor preta, que, dizem, emagrece.

Hoje, Luxemburgo deve encontrar um técnico a sua altura em termos de elegância. Púa, porém, nega que seu novo estilo seja influência de Daniel Passarella, seu superior hierárquico.

"Eu tinha um terno no armário e decidi trazer para o Paraguai. Nem pensei no Passarella", brinca o técnico, que tem em seu currículo um vice-campeonato (Malásia-1997) e o quarto lugar (Nigéria-1999) em Mundiais sub-20.

Antes da final de hoje, Púa distribuiu frases de confiança em sua equipe. "Experiência nunca ganhou uma partida. Só quem joga bem, seja velho ou jovem, conquista alguma coisa", afirmou, quando questionado sobre o encontro com o Brasil.


COPA AMÉRICA

Brasil joga em busca do bicampeonato

Uma vitória hoje, em Assunção, contra os uruguaios garante o primeiro título brasileiro na era Luxemburgo

ALEXANDRE GIMENEZ E JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
Da Agência Folha – Foz do Iguaçu, PR

A mentalidade da população brasileira é uma das principais preocupações do técnico Wanderley Luxemburgo para a decisão da Copa América, hoje, às 17h05 (horário de Mato Grosso), contra o Uruguai.

Para o treinador brasileiro, uma derrota em Assunção, a capital paraguaia, provocará uma série de críticas injustificáveis a seu trabalho frente à seleção, iniciado há pouco mais de dez meses. "Para o brasileiro, o que importa é ganhar. Ele não aceita uma derrota. Ganhar mesmo fazendo um trabalho ruim já é o suficiente", afirmou. "Mas eu não penso assim. Para mim, o que interessa é o trabalho realizado, formar um grupo para o futuro. E quanto a isso eu estou satisfeito."

Segundo ele, a base que está sendo formada será mantida, independente do resultado da final de hoje, que pode significar o primeiro bicampeonato obtido pelo Brasil na história da Copa América e a primeira competição oficial vencida por Luxemburgo.

"O que acontece é que, se perdermos, vão ficar dizendo que fomos derrotados por uma seleção sub-23. Só que se o Uruguai chegou até aqui é porque teve seus méritos", desabafou, referindo-se à média de idade do time adversário, que é de 22,8 anos.

Assim como o atacante Ronaldo, o treinador lamenta que, apesar de a equipe ter obtido cinco vitórias em cinco jogos no torneio contra apenas uma do Uruguai, as atuações da seleção foram criticadas. "Eu vejo futebol de modo diferente de vocês (jornalistas)", explicou, ao defender a tese de que o time obteve rendimento progressivo durante toda a competição.

Mais uma vez, Luxemburgo, que hoje completa 16 jogos dirigindo o Brasil - nos 5 anteriores, ganhou 11, empatou 3 e perdeu apenas 1, para a Coréia do Sul -, faz questão de frisar que o trabalho que está sendo desenvolvido é para a conquista da Copa do Mundo de 2002.

"Esse é o nosso plano", afirmou, respaldado por Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, que deve assistir ao jogo hoje em Assunção e comentou que "não esperava resultados tão rápidos".

Retrospecto

Em relação ao melhor retrospecto do adversário no torneio - assim como os argentinos, os uruguaios ganharam a Copa América por 14 vezes, contra apenas 5 títulos do Brasil -, os jogadores fazem pouco caso.

"Era uma outra época", explicou o zagueiro Antônio Carlos. "Só nos últimos anos, principalmente depois que o São Paulo conquistou a Libertadores, os brasileiros começaram a se preocupar mais em ganhar títulos na América do Sul."

E, de fato, se o Brasil ganhar hoje a taça, ficará com três títulos recentes, obtidos de 1989 para cá, mesmo número de conquistas que obteve entre 1916 e 1987.

O primeiro título da seleção no torneio foi em 1919. Os demais datam de 1922, 1949, 1989 e 1997, este último na Bolívia, quando o Brasil, também com sua força máxima, ganhou o torneio pela primeira vez fora de casa.

Já em relação à rivalidade com o Uruguai, acentuada a partir de 1950, quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo daquele ano no Maracanã, sofrendo uma virada no final por 2 a 1, os jogadores também não vêem problemas. "Aquilo faz muito tempo. Eu nem pensava em nascer", brincou o atacante Amoroso, sobre a derrota de 50. E depois caçoou: "Sabia que iriam nos perguntar sobre isso, porque quando se trata de Brasil e Uruguai os brasileiros, talvez até mais do que os uruguaios, só falam nisso".

Na Copa América, a última vez em que brasileiros e uruguaios se defrontaram foi em 1995, justamente na decisão do torneio, que naquele ano aconteceu no Uruguai. A equipe da casa acabou se sagrando campeã, na disputa por pênaltis, já que, no tempo regulamentar, o jogo acabou empatado.

Da equipe brasileira que começou aquela decisão, apenas o lateral-esquerdo Roberto Carlos integra o grupo que hoje busca a revanche em Assunção.

BRASIL

Dida; Cafu, João Carlos, Antônio Carlos, Roberto Carlos; Émerson, Flávio Conceição, Zé Roberto, Rivaldo; Amoroso e Ronaldo. Técnico - Wanderley Luxemburgo

URUGUAI

Carini; Del Campo, Lembo, Picún, Bergara; Fleurquín, Callejas. Coelho, Magallanes; Zalayeta e Alvez. Técnico - Víctor Púa

Local - estádio Defensores del Chaco, em Assunção (Paraguai)

Horário - 17h05

Juiz - Oscar Ruiz (Colômbia)


Cafu espera muita correria

Da Agência Folha – Foz do Iguaçu, PR

Os jogadores da seleção e o técnico Wanderley Luxemburgo esperam não só muita garra, mas muita correria da equipe uruguaia na decisão de amanhã. "Pelo que a gente pôde ver, eles tocam bem a bola e jogam com velocidade, porque é um time muito jovem", disse o lateral Cafu, capitão da seleção brasileira.

Como ele, o zagueiro Antônio Carlos espera "muita correria" dos rivais. "Sem esquecer da tradicional raça uruguaia, que é uma coisa que eles passam de geração para geração."

Luxemburgo, por sua vez, além de ter definido os uruguaios como "aguerridos", lembra que eles têm bom poder de recuperação. "No jogo contra o Paraguai, mostraram que não se entregam de jeito nenhum."

Fora a preocupação com o adversário, os brasileiros esperam contar amanhã com o apoio da torcida. E pedem para ela, diferentemente do que aconteceu em Ciudad del Este, evitar vaias nos momentos em que a seleção tiver queda de produção.

"É normal, numa partida você tem altos e baixos e, especialmente numa final de campeonato, isso acaba acontecendo. Só esperamos que haja mais altos do que baixos e que a torcida esteja do nosso lado", comentou Cafu, referindo-se à primeira partida que o time faz em Assunção.


Dida confia nos zagueiros

Da Agência Folha – Foz do Iguaçu, PR

O goleiro Dida acha que o segredo da defesa brasileira, que só sofreu dois gols nos últimos seis jogos - cinco pela Copa América e um amistoso em Curitiba, contra a Letônia -, é o sistema de marcação adotado pelo time.

E é por isso que diz que até Ronaldo e Amoroso, a dupla de ataque titular do Brasil, têm méritos pelo que chama de "eficiência do sistema defensivo".

"Eles também são responsáveis por isso, porque a nossa marcação começa lá na frente. Com os dois marcando a saída de bola, dá tempo para a gente se organizar atrás, o que dificulta que o adversário nos pegue de surpresa."

Mas, apesar dos elogios, Dida diz que, no início do torneio, as coisas não estavam tão boas para a defesa brasileira. "No começo, reconheço que tivemos alguns problemas de posicionamento, deixávamos alguns buracos entre a zaga e a dupla de volantes", comentou o goleiro, que evitou que o Brasil sofresse outros dois gols na Copa América, ao defender pênaltis contra o Chile e a Argentina.

"Com a sequência de jogos, fomos melhorando o posicionamento, tapando os espaços e as coisas ficaram mais fáceis."

Sobre a possibilidade de o jogo de hoje ser decidido nos pênaltis, o goleiro torce para que isso não ocorra. "Eles estão mais acostumados, porque já ganharam duas decisões nos pênaltis", lembrou, referindo-se aos jogos contra Paraguai e Chile.


Ronaldo vai usar aparelho

Da Agência Folha – Foz do Iguaçu, PR

Assim que retornar do México, onde vai disputar a Copa das Confederações com a seleção brasileira, entre 24 de julho e 4 de agosto, o atacante Ronaldinho irá colocar aparelho nos dentes.

Dentuço como o titular Ronaldo, que já usou aparelho na boca, o comandante de ataque do Grêmio afirma que a decisão não foi sua, mas do departamento médico da equipe gaúcha.

"Não, não é para ficar mais bonito, é para que eu possa correr mais", explicou. "Se eu corrigir meus dentes, vou poder respirar melhor. E, com isso, meu fôlego também vai melhorar. Não que eu não esteja correndo bem ou esteja sentindo falta de fôlego, mas se dá para melhorar mais ainda, então vamos lá."

Com relação aos pedidos da torcida, que normalmente começam no início do segundo tempo, para que entre em campo, diz que gosta de ouvi-los. "Não sinto a responsabilidade nas costas. Para mim, quanto mais gritam, mais vontade eu tenho de jogar melhor. Mesmo que eu entre só 15 minutos, quero dar o máximo de mim nestes 15 minutos."

Na Copa das Confederações, no entanto, acha que os 15 minutos poderão se transformar em 90. Sem Ronaldo e Amoroso, Ronaldinho deve começar o torneio no México como titular. "Ainda não falaram nada comigo sobre isso, mas, se der para começar, é claro que vai ser melhor. Vou ter mais tempo para mostrar meu futebol."


Barbosa confia em Dida

Da AJB – Rio

Hoje, diante da TV, um torcedor muito especial estará vibrando com as defesas de Dida. Na pacata e bonita Praia Grande, no litoral paulista, Moacir Barbosa, 78 anos, para muitos o maior goleiro da história do futebol brasileiro, estará acompanhando atentamente a final entre Brasil x Uruguai. Destaque entre os meados dos anos 40 e 50 no Expresso da Vitória que conduziu o Vasco, entre outros títulos, ao Sul-Americano de 1948, Barbosa, na verdade, foi o segundo negro a brilhar no gol da Seleção Brasileira - o primeiro foi Jaguaré, também do Vasco, no fim dos anos 20 -, e prevê sucesso para Dida. "Ele vai dominar a posição por muitos anos. Peço para que Deus o proteja. O goleiro é o fiel da balança de um time de futebol."

O que Dida tem que mais espanta Barbosa é a tranqüilidade, apesar dos 25 anos. "Lembra muito o Gilmar. Especialmente nos momentos adversos. Mostra que tem condições de se redimir. Ninguém é perfeito, todo mundo falha", afirmou Barbosa, que destaca outra virtude em Dida. "É a segurança, a mão firme. Dificilmente larga uma bola."

Barbosa, vice-campeão do mundo em 1950, ficou impressionado também com a facilidade de Dida em defender pênaltis. "Não dá nem pra dizer que os adversários bateram mal. Ele foi lá no cantinho e pegou, levantando logo. É muito ágil.

Para o ex-goleiro, porém, Dida precisa corrigir algumas falhas. "Ele precisa falar mais. Sinto falta de entrosamento com os zagueiros. A posição do goleiro é privilegiada, está sempre de frente para o jogo. É quem está melhor colocado, não pode ficar calado. Além disso, precisa aprimorar as saídas do gol, apesar de ter mostrado melhora. Ele tem que dominar a área, ainda mais pela sua estatura", disse Barbosa, que, ao contrário de Dida (1,95m), era baixo para a posição, com 1,67m. "Tinha que treinar impulsão."

Resistência - Problema de altura Jairo do Nascimento não teve. Hoje com 52 anos e escolinhas de futebol em Curitiba, o ex-goleiro que começou no Fluminense mas se destacou no Coritiba e no Corinthians na década de 70 tinha porte parecido com o de Dida. Com seu 1,90m, chegou a integrar a Seleção Brasileira em 1976, convocado pelo técnico Oswaldo Brandão. "Mas joguei pouco.