ACIDENTE

Encontrado helicóptero com ator da Globo

O aparelho estava desaparecido desde segunda-feira. Segundo o ator Danton Melo, a aeronave perdeu altura e se espatifou no chão

ZEQUINHA NETO
Especial para a AE – Boa Vista

O helicóptero Esquilo, alugado pela Rede Globo, que estava desaparecido em Roraima, foi localizado no começo da noite de ontem. O aparelho, no qual estavam o ator Danton Mello - o Adriano da novela "Torre de Babel", da Globo e mais cinco pessoas da produção do programa Globo Ecologia, além do piloto, estava na base do Monte Roraima, na divisa com a Venezuela, local de destino da equipe. O comandante Almir, piloto do helicóptero, confirmou há pouco à Rede Globo a morte do operador de áudio Ricardo Cardoso. O corpo está em Uiramutã, e será levado hoje para Boa Vista.

De acordo com as primeiras informações, fornecidas pelo secretário de Turismo da cidade de Uiramutã, Platão Arantes, Danton Mello e o repórter Luiz Fernando Parracho sofreram ferimentos leves e estavam sendo levados para o Hospital Geral de Boa Vista. Porém, há suspeitas de que o ator está com hemorragia no abdôme e, por isso, teria de ser operado. Estas informações, no entanto, ainda não foram confirmadas.

O restante da equipe - composta pelo diretor Cláudio Savaget, pelo cinegrafista Sérgio Verti, o piloto, apenas identificado como Almir - passava bem. Em entrevista à Rede Globo, o ator contou que a aeronave perdeu altura e se espatifou no chão. "Aconteceu muito rápido. O helicóptero se espatifou no chão, a porta abriu... eu fiquei voando do lado de fora, preso pelo cinto", lembrou. A suspeita é que tivesse ocorrido uma pane elétrica com o helicóptero.

Segundo informou Elias Fajardo, chefe de reportagem da Savaget Produções, responsável pelo Globo Ecologia, a equipe havia saído domingo de Boa Vista, capital de Roraima, para gravar com Danton Mello os textos de apresentação das reportagens do programa no Monte Roraima. Como chovia forte, eles pousaram em Uiramutã, ao norte da capital, e levantaram vôo na segunda de manhã. Depois disso, não houve mais contato.

A notícia do desaparecimento mobilizou durante todo o dia de ontem, um avião Bandeirante e dois helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB), pertencentes à Base Aérea de Boa Vista. Os aparelhos deslocaram-se hoje de manhã para Boa Vista, para iniciar uma operação de busca ao helicóptero. Salvamento - As buscas foram coordenadas pelo Serviço de Busca e Salvamento (Salvaero), do Sétimo Comando Militar da Aeronáutica (VII Comar), em Manaus. O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) passou o dia dando informações sobre as buscas realizadas na região de Uiramutã, próximo ao Monte Roraima, ocupada por tribos indígenas.

O grupo da FAB enviado para Roraima é especializado em busca e salvamento. O Bandeirante é usado para rastrear aviões, enquanto os dois helicópteros são adequados para salvamento de passageiros.

O comandante Newton Lima, do hangar do governo do Estado, que cedeu o aparelho para a equipe viajar no domingo até Uiramutã, garantiu no início da tarde que, de lá, a equipe foi para o Monte Roraima.

Logo cedo, outro helicóptero do governo do Estado, também modelo Esquilo, levantou vôo para fazer o mesmo trajeto da equipe da TV Globo. Esse aparelho encerrou as buscas às 17 horas sem nada encontrar.

O comandante Newton explicou que o destino do helicóptero com a equipe de reportagem era a região do Orenduque, situada a cerca de 50 minutos de vôo de Uiramutã. No local, de grande altitude, é muito comum registro de mau tempo.

Segundo o comandante, em caso de pane elétrica ou de motor, a ajuda só poderia chegar pelo ar. "O local é muito acidentado e, se houver pane, fica praticamente impossível um comunicado via rádio, porque não existe antena na região que permita a comunicação", observou.

Torcida - No Rio, a família do ator passou o dia torcendo para que se confirmasse a suposição de que a equipe tivesse pousado numa das aldeias indígenas que existem na região.

A família de Danton Mello tinha esperança de que a falta de notícia fosse conseqüência da carência de infra-estrutura da região. Algumas aldeias indígenas têm rádio, mas a comunicação demora, em média, duas horas. Outras, nem sequer contam com esse recurso.

A Assessoria de Imprensa da Fundação Roberto Marinho, que contrata a produção do Globo Ecologia, informou que equipes do Exército de Boa Vista e de Manaus também participaram das buscas.

A equipe do Globo Ecologia está em Roraima desde o dia 5 de setembro, produzindo três programas sobre o Monte Caboré - recentemente descoberto como o ponto extremo no Norte do Brasil -, sobre o Monte Roraima e sobre o cerrado daquele Estado, incendiado no início do ano.

Danton Mello e Savaget chegaram a Boa Vista no sábado, dia 12, e a volta estava prevista para ontem. "O que nos tranqüiliza é que o piloto é extremamente experiente e tem muitas horas de vôo nessa região", dizia ontem à tarde Elias Fajardo. (Colaboraram Beatriz Coelho Silva e Edson Luiz)


INVASÃO

MST nega intenção de ocupar fazenda de FHC

Da Agência Estado - Brasília

O Palácio do Planalto pediu à Polícia Militar de Minas Gerais que reforce a segurança da Fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso e dos herdeiros do falecido ministro Sérgio Motta, em Buritis (MG). A segurança foi solicitada para evitar uma invasão da fazenda, que estaria sendo preparada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), de acordo com os serviços de informação do governo. O coordenador do movimento no Distrito Federal, Gilberto Portes, negou a informação, assegurando que ela foi produzida por pessoas ligadas ao próprio governo.

De acordo com a assessoria direta do presidente da República, a invasão teria sido decidida na noite de domingo, durante reunião do núcleo do MST de Brasília e Região do Entorno (Minas e Goiás). A reunião de líderes do núcleo começou na sexta-feira e só terminou hoje. De acordo com os serviços de informação do governo, desde o início do encontro a invasão de fazenda era um dos temas em debate. O porta-voz do Palácio, embaixador Sérgio Amaral, afirmou que o presidente considerava a ameaça de invasão "fora de propósito", pois a fazenda é produtiva.

Assim que recebeu a notícia o Planalto reagiu para impedir a invasão. "A fazenda do presidente é intocável", disse um auxiliar direto. No Planalto, a suposta iniciativa do MST é considerada um "ato de desordem" e um "desrespeito à democracia". Para os assessores diretos do presidente, que não admitem falar em manobra para prejudicar a candidatura à reeeleição, trata-se de "um atentado contra o processo eleitoral".

Cumprir a lei - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, confirmou as informações dos assessores do presidente, admitindo até o envio de agentes da Polícia Federal para a região. Segundo ele, todas as providências foram tomadas para impedir a invasão. "Vamos, sem meia-palavra, fazer cumprir a lei", avisou o ministro. "O presidente é símbolo da República e nós não podemos permitir que se arranhe ou se afete um símbolo da República", justificou. Calheiros lembrou também que a fazenda do presidente é produtiva.


SEM-TERRA

Ministro quer membros do MST na cadeia

Da Agência Estado - Brasília

O ministro da Justiça, Renan Calheiros, quer a prisão dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) que mantiveram como reféns três servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Rio Grande do Norte. "Não permitiremos a instituição de ordem pública paralela. Isso não irá em frente em hipótese alguma",

A abertura de inquérito foi solicitada à Policia Federal pelo superintendente regional do Incra, em Natal, José Maria da Rocha. Ontem, os três servidores, Delma Maria de Lima Furtado, Agostinho Barbosa Moura e Manoel de Medeiros Lira, acompanhados pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e pelo presidente do Incra, Milton Seligman, formalizaram a denúncia de sequestro ao ministro da Justiça e ao secretário de Direito Humanos do ministério, José Gregori.

Entre quinta-feira e sábado últimos, eles foram mantidos como reféns e ameaçados com facões por invasores da fazenda Espinheiro, situada no município de Bento Fernandes, a 102 km de Natal. Os funcionários haviam se dirigido ao local a fim de cadastrar os sem-terra para a distribuição de cestas básicas do programa Comunidade Solidária.

O processo de desapropriação da fazenda Espinheiro, onde os servidores ficaram em cativeiro, está em fase de lançamento de Títulos da Dívida Agrária (TDA). O passo seguinte é de ajuizamento e imissão de posse. A regularização total da fazenda está prevista para meados de novembro.

Os reféns não entenderam o motivo do sequestro. "Quando nos libertaram disseram que a conta no restaurante, de onde traziam o almoço e o jantar, já estava muito alta", disse Delma Furtado, a assistente administrativa do Incra, que é hipertensa e passou mal enquanto esteve em cativeiro. As cestas básicas foram entregues no sábado, como estava previsto.

"A pauta de reivindicações do MST, contendo a solicitação de maior urgência nos assentamentos não tem razão de ser", de acordo com o superintendente regional do Incra no Rio Grande do Norte, José Maria da Rocha, que também esteve no Ministério da Justiça.


CONVENÇÃO

Barbalho é eleito presidente do PMDB

GERSON CAMAROTTI
Da Agência Estado - Brasília

Parecia tudo, menos uma convenção do PMDB. Com pouca disputa e uma chapa única para o diretório nacional, o líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), foi escolhido o novo presidente do PMDB para os próximos dois anos. Bem diferente de outros encontros do PMDB, o de hoje foi silencioso, não teve grupo de militantes disputando a força o comando do partido e muito menos discursos inflamados. Pelo contrário. A convenção foi marcada por apertos de mão, tapinhas nas costas e muita negociação de bastidor.

A escolha da nova executiva do partido só foi fechada após um almoço de três horas na casa do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP). A grande dificuldade era para escolher os outros integrantes da executiva. Principalmente a secretaria-geral, que era disputada tanto pelo diretório do Ceará como pelo de Minas Gerais. A vaga acabou ficando com o deputado federal Saraiva Felipe (MG), enquanto o genro do deputado Paes de Andrade (CE), Eunício Oliveira presidente do diretório do Ceará, acabou levando a vaga de primeiro tesoureiro. Já o novo primeiro vice-presidente do PMDB é o ex- governador de Goiás, Maguito Vilela.

Ao final da convenção, foi aprovada uma moção de apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Agora o presidente é formalmente o nosso candidato nessas eleições", comentou Jader. Com a moção, o presidente poderá, em tese, aparecer, na propaganda eleitoral, ao lado de candidatos do PMDB aos governos estaduais.

Ao mesmo tempo em que anunciou o apoiamento, Jader já lançava os planos do partido para a sucessão de 2002.

Com a escolha da nova executiva, o deputado Paes de Andrade (CE) deixou a presidência do partido depois de três anos e quinze dias no comando da legenda. Jader Barbalho chegou a elogiar seu antecessor, lembrando que, apesar das divergências, foi graças a colaboração dele "de forma firme e decisiva, que foi realizada essa festa".


CAMPANHA

Lula aceita pacto na reforma tributária

CARLA FRANCO
Da Agência Estado - Guarulhos

O candidato das esquerdas à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condicionou a formação de um pacto institucional para votar a reforma tributária à inserção na proposta de idéias defendidas pela oposição, como o imposto sobre grandes fortunas e uma maior tributação ao capital especulativo. "Se eles estiverem dispostos a fazer uma proposta em que o rico venha a pagar impostos uma vez nesse País, em que possamos taxar as grandes fortunas e fazer uma política que penalize menos quem investe e mais a especulação, é só dizer", afirmou. "Se a proposta for justa, nós vamos lá e votamos".

A resposta do candidato foi uma referência à proposta defendida pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) de integrar a oposição num pacto institucional para possibilitar a aprovação da reforma tributária. Para Lula, um eventual pacto deve acontecer em torno do conteúdo da proposta de reforma de política tributária. O candidato petista ressalvou, entretanto, que não acredita que o governo "tenha coragem de votar a política tributária agora".

O candidato disse também que o presidente está tentando responsabilizar a oposição pela não aprovação das reformas no Congresso. "O governo pode sozinho fazer reformas que bem entender, porque tem a maioria no Congresso", afirmou. O candidato defendeu a convocação do Congresso para discutir os reflexos provocados pela crise dos mercados internacionais no país. "Não é possivel que diante de tamanha crise o Congresso Nacional esteja às moscas", afirmou. O candidato PT à reeleição para o Senado, Eduardo Suplicy, presente na coletiva de Lula, lembrou ter apresentado um requerimento ao presidente do Congresso, solicitando a convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, para debater a crise na Comissão de Assuntos Econômicos.


RÚSSIA

Boris Yelstin apoia planos de Primakov

Ele pediu ao presidente do Banco Central para que estabilize o rublo e garantiu que as reformas vão continuar

Da AE/Reuter - Moscou

O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, apoiou ontem os planos do primeiro-ministro Yevgeny Primakov para tirar o país da crise econômica e disse para seu novo presidente do Banco Central para que ele estabilize o rublo.

Mas a moeda nacional caiu ontem pela primeira vez em dias contra o dólar, e os russos, em pânico, começaram mais uma vez a correr atrás da divisa norte-americana.

Yeltsin falou ontem por telefone com o presidente francês, Jacques Chirac, e garantiu a ele que as reformas de mercado da Rússia vão continuar apesar da crise. Primakov enviou uma mensagem semelhante ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que garantiu o apoio do G-7 caso a Rússia continue a implementar suas reformas.

Yeltsin, cuja autoridade está em questão devido à crise política e econômica, elaborou uma lista de ordens ao presidente do BC, Viktor Gerashchenko, e ouviu as propostas de Primakov sobre a economia e suas políticas de governo.

"O presidente basicamente aprovou o que o governo está fazendo agora", disse Primakov a jornalistas depois de seu primeiro encontro com Yeltsin desde que o Parlamento confirmou seu nome, na sexta-feira.

Primakov deu apenas alguns detalhes sobre seu plano econômico, afirmando que as bases gerais deveriam ser anunciadas na quinta-feira. Mas o premier adiantou que o pagamento das pensões e dos salários atrasados estava entre suas prioridades.

Apesar das especulações de que ele deverá imprimir dinheiro novo para cumprir este compromisso, ele prometeu que não vai permitir o retorno da inflação galopante.

"Encontraremos as soluções para evitar a hiperinflação e qualquer piora na situação", afirmou o premier.

Yeltsin também pediu a Gerashchenko para que ele proteja as pessoas comuns, mas disse que ele não deveria colocar o sistema financeiro em uma situação de maior risco.

Segundo o Kremlin, Yeltsin descreveu como prioridades do BC a restauração da liquidez do sistema bancário e a atração de mais investimentos estrangeiros e domésticos.

Primakov, Yeltsin e Gerashchenko estão sob pressão do Parlamento, dominado pelos comunistas, para que encontrem uma maneira de facilitar a vida das pessoas comuns, que foram atingidas pela alta dos preços e pela queda brusca do rublo.

Primakov encontrou-se ontem com o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, mas, segundo o próprio Zyuganov, ele não ofereceu nenhum ministério aos comunistas.

Segundo a agência Interfax, Zyuganov afirmou que eles discutiram por duas horas e meia a estrutura do novo gabinete e a situação do país, incluindo o pagamento das aposentadorias e dos salários.


ESCÂNDALO

Clinton deve admitir que mentiu

Da AE/Reuter - Washington

Os líderes do Partido Democrata no Congresso americano querem que o presidente Bill Clinton mude sua estratégia de defesa e admita que mentiu para tentar esconder a verdadeira natureza de suas relações com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.

O deputado Richard Gephardt e o senador Tom Daschle, ambos democratas, crêem que a insistência da defesa em alegar que o presidente não cometeu perjúrio quando declarou em juízo não ter mantido relações sexuais com a jovem deve causar mais danos do que benefícios num possível processo de impeachment.

Pelo raciocínio dos advogados da Casa Branca, sexo oral não se enquadra na categoria de relação sexual. "O julgamento do povo americano não mudará por causa de firulas jurídicas", disse Gephardt. "Dizer a verdade claramente é sempre a melhor estratégia."

A discussão sobre o tema veio à tona por causa da disposição manifestada pela maioria republicana do Congresso de tornar públicas as fitas de vídeo nas quais foram gravadas as declarações de Clinton ao Grande Júri. Fontes da Comissão de Justiça da Câmara de Representantes afirmaram que as fitas podem ser divulgadas ainda esta semana. A exibição de Clinton depondo, tentando confundir os jurados, pode embaraçar ainda mais o presidente aos olhos do público.

O relatório enviado pelo promotor independente Kenneth Starr, responsável por investigar o presidente, ao Congresso recomenda a abertura de um processo de impeachment contra Clinton por perjúrio, indução a perjúrio, obstrução da Justiça e abuso de poder. A Comissão de Justiça da Câmara examina se acata ou não a conclusão de Starr.

A equipe do promotor, a pedido do Senado, informou hoje que gastou US$ 4,4 milhões nos oito meses que duraram a investigação do caso Monica. O custo total da investigação da equipe de Starr, aberta há quatro anos com as suspeitas de falência fraudulenta da imobiliária Whitewater - da qual Bill e Hillary Clinton eram sócios -, está estimado em US$ 40 milhões.

O senador republicano Frank Murkowski entrou com um pedido para que o presidente arque com o pagamento das despesas da promotoria. "O Senado tem o dever de discutir os gastos que o povo americano teve de suportar por causa das mentiras do presidente", disse.


PARAGUAI

Aumentam tensões entre Executivo e Judiciário

Da AE/Reuter - Assunção

A tensão entre os poderes Executivo e Judiciário paraguaios aumentou ainda mais depois que a Corte Suprema de Justiça evitou ontem pronunciar-se sobre a negativa de obter o expediente que perdoou o militar golpista Lino Oviedo.

O órgão máximo da Justiça paraguaia terminou ontem sua segunda reunião plenária sem pronunciar-se sobre o informe enviado pelo presidente Raúl Cubas na sexta-feira, no qual desautoriza a corte a pedir a sentença mediante a qual Oviedo foi libertado.

Oviedo foi condenado a 10 anos de prisão em abril por uma tentativa, em 1996, de um golpe de Estado, mas Cubas, seu aliado político, trocou a pena por uma menor, que já havia sido cumprida.

Há algumas semanas, o mesmo tribunal militar que condenou Oviedo, e que agora é formado por novos membros designados por Cubas, desculpou o ex-general, revisando uma sentença que havia sido ratificada pela Corte Suprema de Justiça.

A corte solicitou, em duas oportunidades, ao presidente do tribunal militar, Pablo Idoyaga, para que ele remetesse o documento da sentença e pediu o processamento do militar já que este se negara a fazê-lo argumentando que os mesmos estavam em poder de Cubas.

O informe de Cubas foi interpretado como um desafio aberto ao Judiciário, que poderia anular a sentença com a qual Oviedo seguiria sendo culpado de atentar contra a ordem e segurança das Forças Armadas.

Ydoyaga, processado por desacato à Corte Suprema de Justiça, declarou ontem diante do juiz que não entregará o expediente sobre o caso Oviedo porque este se encontra em mãos de Cubas.

A corte pode remeter uma nota ao presidente solicitando a apresentação do expediente ou até mesmo ordenar o seqüestro do mesmo.


ALBÂNIA

Nano diz à oposição para entregar as armas

Da AE/Reuter - Tirana

Cerca de 3.000 seguidores do ex-presidente albanês Sali Berisha desafiaram ontem uma proibição governamental e promoveram uma passeata pacífica pelo centro de Tirana enquanto forças de segurança estatais fortemente armadas os observavam.

O primeiro-ministro socialista Fatos Nano, emergindo depois de ter ficado escondido desde a violência de domingo quando seu escritório e residência foram saqueados, acusou Berisha de ter tentado dar um golpe de Estado e exigiu que os partidários da oposição entreguem suas armas.

Num duro discurso televisionado, o normalmente sereno Nano disse que era a hora de a oposição abandonar "o caminho negro do mal" e que a paciência do governo com "criminosos" havia acabado.

"O Estado não irá poupar a vida de nenhum criminoso ou violador que novamente atacam com armas o Estado ou pessoas", afirmou ele.

Nano deixou claro que não tem intenção de renunciar, uma exigência-chave dos oposicionistas democratas, de Berisha, que responsabilizam o premiê pelo assassinato no fim de semana de um líder democrata. O crime deflagrou dois dias de intensos confrontos.

"Nenhum governo eleito pelo voto livre do povo pode aceitar um ultimato de um grupo de terroristas armados, não importando que este grupo atue em nome de um partido político e seja chefiado por pessoas cobertas por imunidade política", disse ele.


AFEGANISTÃO

Irã põe tropas em alerta. Taleban diz que reagirá

Da AE/Reuter - Teerã

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, pôs ontem as tropas do país em alerta para uma possível ação contra o grupo integrista afegão Taleban, que respondeu advertindo que atingirá cidades iranianas se for atacado.

"O Irã precisa saber que, se o solo do Afeganistão for atacado, alvejaremos cidades iranianas e toda a responsabilidade recairá sobre as autoridades iranianas", afirmou o porta-voz do Taleban, Wakil Ahmed, à agência independente Afghan Islamic Press (AIP). "Não queremos uma guerra com o Irã, mas, se o Irã atacar, tomaremos todas as medidas possíveis e necessárias."

Ahmed ressaltou que o grupo muçulmano sunita - que controla 90% do Afeganistão - reforçou suas posições fronteiriças diante da concentração de tropas iranianas na área. O Irã (majoritariamente xiita) já tem 70 mil soldados na fronteira e anunciou que elevará esse total para 200 mil nos próximos dias.

As declarações de Ahmed foram feitas logo depois que Khamenei (comandante-chefe das Forças Armadas iranianas, com 500 mil homens) ordenou o alerta militar. "Todos os funcionários, incluindo as Forças Armadas, precisam estar prontos para pôr em prática com rapidez qualquer medida que as altas autoridades políticas e de segurança considerem necessária e certa para o país", afirmou o aiatolá aos comandantes dos Guardiães da Revolução, o corpo de elite das forças iranianas.

Ele ressaltou que "a situação no Afeganistão é uma questão altamente crucial" para o Irã, que está preocupado com seus desdobramentos nos campos "religioso, nacional, político e humanitário".

Os Guardiães da Revolução, por sua vez, divulgaram um comunicado anunciando que eles e a milícia de voluntários Basij estão prontos "para ajudar o povo oprimido e humilde do Afeganistão" - uma referência à minoria xiita afegã.

Os meios de comunicação iranianos têm acusado o Taleban de promover assassinatos, estupros e saques generalizados após a tomada, domingo, do reduto xiita de Bamiyan, no centro do Afeganistão. As acusações não puderam ser confirmadas por fontes independentes.

No mês passado, após capturar outro bastião da oposição, Mazar-i-Sharif, o Taleban, segundo a Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos, massacrou milhares de civis, incluindo pelo menos um jornalista e nove diplomatas iranianos - o que provocou a atual mobilização de tropas iranianas. O Taleban alega que os iranianos foram mortos por membros "renegados" do grupo.

Os corpos do jornalista e de seis dos diplomatas foram levados segunda-feira de volta a Teerã pela Cruz Vermelha Internacional. Os caixões foram recebidos hoje por milhares de pessoas - muitas aos prantos - no aeroporto da capital, lideradas pelo presidente iraniano, Mohammad Khatami. "Eu lhes garanto que defenderemos nossa integridade territorial e a honra do sagrado sistema da República Islâmica do Irã da melhor forma", afirmou Khatami.

A multidão, vestida de negro, repetia: "Deus é grande! Os mártires estão vivos!" Os caixões foram cobertos pela bandeira iraniana e levados por soldados para o necrotério - seguidos pela multidão.