TELEVISÃO

Sônia Braga, a força da maturidade  

Elena Corrêa
Da Agência Globo – Rio

A pele continua no tom cravo-e-canela. Mas a sensualidade que Sonia Braga exalava ao interpretar Gabriela, personagem-título da novela exibida pela Rede Globo em 1975, tem agora um toque de maturidade. Aos 48 anos, ela entra para o rol das atrizes escaladas para viver a mãe do mocinho, ou mocinha, da história. Depois de um afastamento dos folhetins brasileiros por mais de duas décadas - período em que foi morar nos Estados Unidos - a atriz volta à cena pelas mãos de Gilberto Braga, em "Força de um desejo", trama das 18h que estreou nesta segunda-feira. Na história, também escrita por Alcides Nogueira, ela aparecerá nos 15 primeiros capítulos, em uma participação especial, como Helena Sobral, mãe de Inácio (Fábio Assunção) e Abelardo (Selton Mello).

- Fazer papel de mãe é uma experiência bonita. Eu não tive filhos, então é bacana, em cena, perceber como é o amor incondicional que só vivem as mães. Além do mais, terei como filhos dois excelentes atores. Estou orgulhosa deles - brinca a atriz.

Não que a maternidade na ficção seja uma novidade. Há 21 anos, Sonia teve sua primeira experiência na televisão nesse papel. A história, "Dancin'Days", também era de Gilberto Braga e a personagem, a ex-presidiária Júlia Mattos, emocionou o público por sua luta para conquistar a filha, Marisa (Glória Pires), que a rejeitava. Diferentemente de Júlia, Helena vai ser muito amada pelos rebentos. Com Fábio Assunção, Sonia gravou pouco, já que Inácio sai de casa logo no primeiro capítulo, após brigar com Henrique (Reginaldo Faria).

- Ele se revolta ao descobrir que o pai mantém a mãe presa em casa e tem uma amante na vila.

Já Abelardo, o caçula, vivido por Selton Mello, tentará provar que é tão bom quanto o irmão. Para Selton, é um privilégio trabalhar com Sonia e outros grandes nomes do elenco, como Reginaldo e Cláudio Corrêa e Castro.

- Está sendo muito bom não só porque a Sonia esteve fora tanto tempo, mas também por ela ser divertida e muito agradável - afirma o ator.

Uma onda de nostalgia tem cercado o regresso de Sonia à emissora. Muitos de seus colegas agora fizeram parte do começo de sua história como atriz. O diretor Marcos Paulo é um deles.

- O primeiro contato que tive com o universo teatral foi com o Vicente Sesso, pai do Marcos. Eu tinha uns 14 anos de idade. Então, quando eu vejo o Marquinhos, o meu olhar vai muito além do que está aqui - lembra Sonia.

Estas lembranças estão longe de ter um tom melancólico. Sempre a mil por hora, Sonia viaja nas cenas do passado com a mesma velocidade com que se faz marcante em cada situação presente. Fica até difícil imaginar uma mulher tão contemporânea mergulhada numa personagem do século passado. Os louros dessa façanha ela faz questão de dividir com todos os envolvidos neste trabalho, de maquiadores e figurinistas a camareiras e assistentes.

- É uma equipe maravilhosa que consegue fazer novela de época em ritmo de "Malhação". E olha que aqui não é só trocar de camiseta - destaca.

Para julho, a atriz já tem outro projeto, que foi oferecido pelo coordenador do Conselho de Criação da Rede Globo, Daniel Filho. Vai será uma minissérie que está sendo escrita por João Emanuel Carneiro, roteirista do "Central do Brasil". Sonia ainda sabe muito pouco sobre o programa, mas arrisca sugerir alguns nomes para o elenco:

- Eu gostaria de contracenar com o Caio Blat e com o Marcos Palmeira.

Uma volta aos Estados Unidos não está descartada. Mas esta não é sua maior vontade:

- Nunca parei de trabalhar lá fora, mas sou uma brasileira quase cinqüentona. Quero mostrar meu trabalho na fase atual também aqui no Brasil.

E ela não tem pudores em correr atrás das oportunidades.

- Uma vez a Bette Davis publicou um anúncio no jornal dizendo que era uma atriz à procura de emprego. Por causa do glamour da profissão, as pessoas acham que se o artista não está trabalhando é porque está numa festa. Vou terminar de gravar a novela esta semana e, se não tiver algo engatilhado para depois da minissérie, darei continuidade ao meu trabalho lá fora.


Viagem ao tempo do romantismo  

A pós nove anos sem produzir novelas de época - a última foi "Salomé" - a Rede Globo volta a investir no gênero. "Força de um desejo", que estreou esta semana às 18h, é uma trama inspirada em romances de Visconde de Taunay e ambientada na segunda metade do século passado. A história de Gilberto Braga e Alcides Nogueira resgata o lirismo dos antigos folhetins em uma superprodução que tem a direção-geral de Mauro Mendonça Filho. O elenco, além de Sonia Braga, reúne Malu Mader, Fábio Assunção, Paulo Betti, Reginaldo Faria, Selton Mello e Cláudia Abreu, entre outros.

A trama principal vai girar em torno do amor de Inácio (Fábio Assunção) e Ester (Malu Mader). Filho do poderoso barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria), Inácio não se conforma com o tratamento cruel que o pai dá à mulher, Helena (Sonia Braga), e vai embora para a Corte. Lá, ele se apaixonará por Ester, a bela cortesã.

Mas, no capítulo 15, Helena morrerá. E o jovem voltará à fazenda para ajudar o pai e o irmão caçula, Abelardo (Selton Mello). E acabará se separando da namorada, devido a uma rede de intrigas armada contra os dois. O tempo passará e, um dia, Henrique conhecerá Ester, com quem se casará. Só após a união sacramentada é que ela saberá que ele é o pai de Inácio. Os três morarão na mesma fazenda. Mas o barão não desconfiará que sua nova mulher é o grande amor de seu filho.

Em "Força de um desejo", momentos da história política e social brasileira do século XIX serão lembrados. Entre eles, o declínio dos senhores de engenho e a ascensão dos cafeicultores, o movimento abolicionista e o surgimento da burguesia.

- Não contaremos os fatos de uma maneira realista, mas, como o pano de fundo é a História do Brasil, a novela acabará sendo educativa - afirma Marcos Paulo, diretor do núcleo responsável pela trama.

Um minucioso e amplo trabalho de pesquisa foi realizado. Antes de começarem a gravar, os atores participaram de um workshop em que tiveram palestras sobre o Brasil Imperial, Romantismo e Mitologia. Alguns também receberam treinamento em equitação, esgrima, caligrafia e trabalhos de corpo e de voz. Tudo para se adaptarem ao comportamento da época.


HISTÓRIAS ANTIGAS

Viajar no tempo custa caro

Globo investe cerca de R$ 90 mil em cada capítulo da nova novela das seis, que tem no elenco Malu Mader, Fábio Assunção, Selton Mello, Cláudia Abreu e Lavínia Vlasak

Na trama de Gilberto Braga e Alcides Nogueira, que estreou esta semana, a Globo está investindo cerca de R$ 16 milhões — R$ 90 mil por capítulo. Ao mesmo tempo, traz ao horário das seis elenco de primeira, encabeçado por Malu Mader, Fábio Assunção, Selton Mello, Paulo Betti e Reginaldo Faria. ‘‘Acho que pode dar uma sacudida no horário, já que o público gosta do gênero’’, torce o autor Gilberto Braga.

  Apesar dos altos custos e da mínima possibilidade de merchandising, a emissora espera bom retorno de Força de um Desejo. Os objetivos da emissora com a novela não se resumem apenas à audiência. Uma reedição do sucesso de Escrava Isaura não seria mal. Afinal, a novela que projetou Gilberto como grande novelista em 1976 tem boa repercussão até hoje.

  Tanto que é o produto mais negociado da empresa no exterior — mais de 100 países já compraram a produção. Com o dólar lá em cima, é boa hora para reforçar o caixa. Como atrativo a mais, o fato de Força de um Desejo não ter o apelo sexual, comum em outras novelas — o que facilita a negociação com países onde a temática do sexo não é tratada tão abertamente como no Brasil. ‘‘É história romântica, com visual bonito e bem-cuidado’’, promete Alcides Nogueira, criador da trama.

  O visual requintado da novela tem preço. Somente as externas na gravação do primeiro capítulo, feitas em Lumiar, região serrana do Rio de Janeiro, envolveram mais de 100 profissionais, outros 100 figurantes, 44 mulas, 15 cavalos e 23 veículos. Foram gastos mais de R$ 2 mil por dia em cachê e cerca de R$ 18 mil em diárias de hospedagem. Isso sem contar gastos extras, alimentação e transporte. Além disso, equipe e elenco acordavam todo dia às seis horas da manhã, encaravam estradas de terra e mais 800 metros de percurso a pé. ‘‘Ninguém imagina o trabalho que dá fazer novela de época’’, desabafa o diretor Mauro Mendonça Filho.

  As externas são problema para o gênero. As locações são limitadas, já que nem toda rua ou praia pode ser utilizada. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Passeio Público, localizado no centro da cidade, era cenário ideal para muitas cenas, mas foi descartado devido à localização movimentada, o que prejudica a privacidade da produção. As tomadas de fazendas foram feitas em Lumiar, Magé e Três Rios, na Região Serrana Fluminense. Cenas de praia só na pouco movimentada e quase rústica Grumari, Zona Oeste carioca.

  Takes de trem foram parar em estação desativada em Guapimirim, também na Serra. Para seqüências em salões luxuosos e aristocráticos, só utilizando o Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado, o salão nobre do Fluminense Football Club, ambos no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, ou o Teatro Municipal de Niterói. ‘‘Novela de época significa reconstituição histórica. Temos de estar atentos a todos os detalhes’’, valoriza o diretor Marcos Paulo.

PROFISSIONAIS EM DOBRO

Não é novidade que o gênero requer trabalho de pesquisa intenso, principalmente por parte da direção de arte, cenografia e figurino. Mas montar e vestir elenco e figurantes também é desgastante. Cada figurante de Força de um Desejo, por exemplo, leva no mínimo meia hora para estar maquiado, penteado e vestido. Só Malu Mader, que faz papel da cortesã Ester, fica mais de uma hora entregue aos cabeleireiros e maquiadores. Para agilizar o trabalho, o número de profissionais foi dobrado — agora são oito cabeleireiros e oito maquiadores.

Antes de encarar o século passado, porém, atores, diretores e produtores fizeram espécie de workshop. Durante um mês, tiveram aulas de prosódia, expressão corporal, voz, entre outras, direcionadas para a época retratada. Além disso, todos assistiram a filmes ambientados no século passado, além de palestras de historiadores. O objetivo era tentar entender e absorver o século XIX. ‘‘É um universo bem diferente’’, enaltece Malu Mader. ‘‘Será uma novela muito rica’’, aposta Gilberto Braga.

TEMÁTICA CLÁSSICA

Com base em três romances de Visconde de Taunay — A Mocidade de Trajano, A Retirada de Laguna e Inocência — Força de um Desejo vai utilizar a conhecida fórmula do triângulo amoroso. A novela é centrada em Ester, famosa cortesã dona de bordel, vivida por Malu Mader. Ela vai se envolver com Inácio, papel de Fábio Assunção, mas acaba se casando com o Barão Henrique Sobral — Reginaldo Faria —, pai de Inácio.

Paralelamente, Inácio acaba se envolvendo com a mau-caráter Alice — Lavínia Vlasak —, a grande paixão de Abelardo, o caçula de Sobral vivido por Selton Mello. O ator, aliás, volta a atuar em um trabalho de Gilberto Braga — estreou em 1984 em Corpo a Corpo. ‘‘Tive cuidado ao aceitar o papel pois não queria jogar no lixo todo o reconhecimento que consegui em A Indomada’’, diz Selton, referindo-se à novela de Aguinaldo Silva na qual interpretou o autista Emanuel.

Força de um Desejo terá como pano de fundo fatos marcantes da História do Brasil, como a Guerra do Paraguai e o Movimento Abolicionista. ‘‘O que dá o clima especial é a ambientação’’, acredita Alcides Nogueira. A idéia original da nova atração global das seis, aliás, é do próprio novelista. Foi ele quem desenvolveu a pré-sinopse quando ainda colaborava em Torre de Babel. Por isso, a Globo chamou Gilberto Braga para tocar o projeto com Alcides apenas acompanhando o trabalho nesta fase inicial. ‘‘Assim que estiver descansado, retomo a história com ele’’, avisa Alcides.


MEMÓRIA

Cartunismo perde o seu mestre maior

Saul Steinberg, cuja obra foi comparada a de Picasso e Klee, morre em Nova Iorque aos 84 anos, após ter influenciado gerações de artistas

Da AJB – Nova York

Saul Steinberg, um dos maiores cartunistas do século, cujo obra foi comparada a de Picasso, Paul Klee e Marcel Duchamp, morreu quarta-feira, em Nova York, aos 84 anos, de causa não revelada. Entre seus trabalhos mais conhecidos se destaca O mundo visto da 9° Avenida (1975), que antes de ganhar o mundo, ornamentar milhões de paredes em todos os países e se tornar numa das obras mais populares das artes plásticas, foi capa do The New Yorker Magazine, para quem Steinberg trabalhou durante mais de 50 anos e para quem fez 85 capas e 642 desenhos.

The New Yorker Magazine publicou o primeiro desenho de Steinberg em 1942 (25 de outubro), quando ele ainda se encontrava na Europa envolvida em plena Segunda Guerra Mundial, e tentava encontrar refúgio nos Estados Unidos. Saul Steinberg nasceu em Ramnicul-Sarat, perto de Bucareste, na Romênia, em 1914. Começou a desenhar em 1934, estudou na Universidade de Bucareste e na Polytechnico Facoltá di Architettura de Milão, na Itália, onde se formou em arquitetura em 1940. Desde seus primeiros traços descobriu que o cartum seria sua grande paixão nas artes plásticas. Em 1943, se tornou um cidadão americano e se alistou na Marinha. Exerceu diferentes tarefas durante a guerra e o período que esteve mobilizado, entre elas ensinar guerrilheiros chineses a dinamitar pontes e desenhar grotescas caricaturas de Adolf Hitler e Benito Mussolini e material de propaganda anti-nazista para ser atirado atrás das linhas inimigas. Muitos desenhos de Steinberg foram usados pela imprensa clandestina de resistência nos países ocupados pelos alemães.

Nos anos 50 andou pelo Brasil, tendo inclusive feito trabalhos para algumas publicações brasileiras. Curiosamente, seus desenhos do período passado no Brasil são pobres se comparados aos realizados em outros lugares por onde andou. O traço peculiar de Steinberg, principalmente em nanquim, influenciou toda uma geração de cartunistas e artistas plásticos, do francês Folon ao brasileiro Millôr Fernandes. Seus trabalhos incluem fantasias arquitetônicas, paisagens em aquarelas, caricaturas, desenhos e incontáveis cenas da vida nas ruas de Nova Iorque, quase sua marca registrada, mostrando uma visão pessimista da vida urbana. Para o crítico de arte Harold Rosenberg, Steinberg era "um escritor de paisagens, um arquiteto de discursos e sons, um porta-voz da reflexão política".

Muitos trabalhos de Saul Steinberg exibem uma forte influência dos surrealistas e mostram também uma genial síntese de outros estilos modernos. Os desenhos de Steinberg fazem parte hoje dos mais conceituados e importantes acervos e coleções particulares dos Estados Unidos e da Europa. Suas obras podem ser vistas na American Academy of Arts and Letters, Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Smithsonian Institute, The Museum of Modern Art, National Collection of Fine Arts, Smithsonian Institute, Whitney Museum of American Art, Museu de Arte Moderna de Paris e Israel Museum (Jerusalém).

Sua obra está registrada em numerosas publicações, entre elas All in line (1945), The new world (1965) e The discovery of America (1993).

Em 1943, Steinberg casou-se em com Hedda Lindenberg Sterne que ainda vive em Nova Iorque. Eles se separaram em 1970, mas nunca se divorciaram.


PENSAR

Eterna juventude

Às vésperas do século XXI, ainda vale a pena ler a obra do escritor francês Honoré de Balzac, nascido há 200 anos

Alexandre Machado
Especial para o DIÁRIO

Demiurgo. O termo foi cunhado pelos seguidores de Platão para designar o criador e organizador do universo. Em Honoré de Balzac, a alcunha viria sob medida. O escritor francês produziu mais de cem romances — somente na edição póstuma da Comédia Humana, publicada entre 1869 e 1876, constam 137 romances, dos quais 50 incompletos.

 E não se trata apenas da quantidade. Ilusões Perdidas, O Velho Goriot e Eugénie Grandet atestam a indiscutível inclusão do autor francês no cânone do século XIX. No dia 20 de maio, Balzac completaria 200 anos de nascimento. Diante de obra tão caudalosa quanto complexa, vale a indagação: ainda há razões para se ler Balzac?

  A professora de pós-graduação do curso de comunicação da Universidade de São Paulo (USP), Leda Tenório da Mota tenta responder tal pergunta, afirmando: ‘‘A modernidade e pós-modernidade, na qual vivemos, explodiram a modalidade realista. As grandes literaturas do século XX são explosões da literatura realista de Balzac’’, explica.

 Especialista em literatura francesa, Leda Tenório da Mota conheceu a obra de Balzac em 1983. Fazia doutorado sobre Marcel Proust na Universidade de Paris (Sorbonne), com a renomada pesquisadora e escritora búlgara Julia Kristeva.

 ‘‘Balzac tentou fazer uma literatura de seu tempo. E se valeu de um grande aporte na ciência do século XIX. É lugar-comum que o ponto crucial do prólogo da Comédia Humana é uma analogia feita entre o humano e o animal’’, cita.

  O outro lado da avaliação de Leda Tenório enaltece o grande testemunho histórico da obra de Balzac. Para a professora da USP, é digno de nota, pelo caráter realista, a grande maneira de fazer conhecer o século anterior. ‘‘Temos um panorama do século XIX quase totalizante. De tal forma ele representa a história de seu momento, da vida cotidiana na Comédia Humana, que Balzac é um tópico da História’’, qualifica.

  E não é tudo. Há uma terceira via pela qual Leda entende que Balzac pode ser lido. Na busca de uma radiografia do século, entende a professora, o escritor francês fez algo mais: ‘‘Um mundo-livro’’.

  ‘‘A Comédia Humana é o Aleph (obra-prima de Jorge Luis Borges) do século XIX. Todos os mundos formam uma modalidade que é moderna. Balzac foi excedido pelo próprio trabalho. Ler o século XIX com o olhar do século XX e ler o XX com o olhar de XIX é uma incestuosidade enorme. Temos todos os autores misturados. É um processo dialético. A explicação da literatura dentro da literatura. Balzac faz sentido porque houve Dante (Aligheri) e porque haverá, depois, Borges’’, encadeia.

Feminilidade

 Diz-se da mulher de 30 anos que é balzaquiana. O adjetivo talvez seja o legado mais conhecido do escritor. Hoje ficou algo ultrapassado. Para a professora do programa do departamento de psicologia clínica da UnB, Terezinha de Camargo Viana, ater-se a essa concepção seria restringir a apreensão da riqueza balzaquiana. Ela identifica Balzac com questões contemporâneas ligadas à feminilidade, desejo, erotismo, maternidade e relações entre os sexos.

 Terezinha Viana lança, no próximo dia 19, A Comédia Humana, Cultura e Feminilidade, pela editora da UnB. O objeto de estudo da obra é uma aproximação ao mundo feminino de Balzac.

 ‘‘A questão não é por que se ler Balzac, mas por que se ler os clássicos. O grande autor se sustenta quando dá respostas àquilo que é o humano. Balzac vai atrás do humano’’, justifica.

  A autora do livro acredita: Balzac retrata a realidade em todas as dimensões. E que, dessa forma, o tom enciclopédico do trabalho possibilita a particularização de um aspecto sem perder de vista a totalidade.

  ‘‘Balzac transcende sua época. A obra escrita por ele dá elementos para a compreensão da subjetividade contemporânea. A questão da feminilidade é intrínseca à produção. E adquire matizes extremamente ricas. Muita gente não lê o escritor, mas fala da balzaquiana. O que explicita como ele é contemporâneo’’, diz.

 Pelas avaliação de Terezinha, nada menos que 5 mil personagens — entre fictícios e reais — passaram pelas páginas da Comédia Humana. Num universo onde a mulher não fez figuração e ocupou lugar central. ‘‘Ele não isola a mulher na sociedade cambiante. Ele configura a diversidade feminina com genialidade. E é um recorte não alheio ao propósito de falar de uma sociedade’’, analisa.

Rónai

A diversidade de Balzac, no Brasil, comporta uma unanimidade: Paulo Rónai. Húngaro de nascimento, naturalizado brasileiro, pertenceu à equipe responsável pela primeira edição completa de A Comédia Humana no Brasil. Quando a editora Globo, capitaneada por Érico Verissimo, ficava em Porto Alegre.

 Maior especialista em Balzac no país, Ronai (que nos livros que escreveu teimava em colocar a data de nascimento do escritor como sendo 16 de maio) se apresentou para atualizar a vasta obra-prima em 1989. A editora Globo, já em São Paulo, aceitou a proposta. E decidiu reeditar, em 17 volumes, toda A Comédia Humana. ‘‘A segunda edição, organizada pelo Rónai, é que está no mercado. Ele fez todo trabalho de revisão de texto que o tornou mais compreensível, graças a introduções esclarecedoras’’, relembra a editora-executiva da editora Globo, Eliana Sá.

 Responsável pela parte editorial do projeto, Eliana lembra que Rónai praticamente a obrigou a ir até a Maison de Balzac, em Paris, conhecer a casa do escritor, hoje museu.

 A paixão e o zelo pelo trabalho do pesquisador húngaro eram de tal expressão que escreveu 10 mil notas para o trabalho de revisão. Entre 1989 e 1992. ‘‘Ele falava no Balzac a todo instante’’, relembra Eliana Sá. Rónai escreveu ainda dois livros sobre a vida e obra de Honoré de Balzac: Balzac e A Comédia Humana e A Vida de Balzac.

 Paulo Rónai morreu em 1992. Mesmo ano que saiu o último volume da obra cuja revisão ficou a seus cuidados. Era o capítulo final da vida de um apaixonado por Honoré de Balzac.

SERVIÇO
A Comédia Humana

Coleção de 17 volumes da obra-prima de Honoré de Balzac. Editora Globo. R$ 31,00 (brochura) e R$ 35,70 (capa dura), cada volume

Balzac e A Comédia Humana

De Paulo Rónai. Editora Globo. 148 páginas. R$ 12,30

A Vida de Balzac — Uma Biografia Ilustrada

De Paulo Rónai. Editora Globo. 141 páginas. R$ 12,00

A Comédia Humana, Cultura e Feminilidade

De Terezinha de Camargo Viana. Editora da UnB. 239 páginas. R$ 24,00


A comédia do ser humano

A Comédia Humana foi a grande obra de Honoré de Balzac. Veio a público em 1842, depois de ter sido trabalhada entre os anos de 1830 e 1848. O nome fazia alusão à Divina Comédia, de Dante Aligheri.

  Mas enquanto Dante procurou a via dos deuses para explicar os padrões da sociedade, Balzac calcou-se em critérios cientificistas, em voga na sociedade a que pertencia.

  A Comédia Humana é coleção de romances que se dividem em três partes: Estudos dos Costumes do Século XIX — Cenas da Vida Privada, Cenas da Vida da Província, Cenas da Vida Parisiense, Cena da Vida Política e Cenas da Vida Militar; Estudos Filosóficos; Estudos Analíticos.

  O grande romance da obra chama-se Ilusões Perdidas, mas destacam-se também A Casa do Gato que Brinca, Os Camponeses, O Velho Goriot e A Mulher de Trinta Anos — este último deu origem ao adjetivo balzaquiano, numa referência às mulheres acima dos 30, na época idade tardia para o casamento.

  No plano social, A Comédia Humana traça painel da sociedade pós-revolução francesa. Com a consolidação de uma burguesia que dá origem a novas formas de enlaces sociais.


Messias Bruxo

Mulheres à vista
Não se fala em outra coisa, no meio jovem. Sábado agora, dia 22, é o dia da festa que vai fazer a juventude cuiabana ferver. É a Transpiração, que marca a abertura da 1ª Copa de Futebol Feminino, promovida por este Bruxo, em parceria com o AZUL, rádio Transamérica FM , Tv Brasil Oeste e Tv Cidade Verde. O agito vai começar às 22 horas, em ponto, no Buffet Itália.

Transamérica na Festa
Na primeira parte, as atletas entram e vão poder curtir uma programação especial, durante a qual se dará a escolha do padrinho mais bonito e do uniforme mais espetacular. A escolha será feita por um júri seleto.

Depois, o show esquenta de vez com a presença muito especial do DJ Quezinho vindo especialmente da Transamérica, de S. Paulo - do programa Adrenalina, o programa de maior sucesso da emissora -, para comandar o baile ao lado do DJs Celso e Melancia. O grupo de pagode e axé Sensatez anima o rebolado das garotas.

Parceiros no evento
A Transpiração e a 1ª Copa de Futebol Feminino conta com o apoio da Tv Cidade Verde, Tv Brasil Oeste, Produtora Sérgio Ricardo, Unic, do Colégio Expressão, Wizard Idiomas, Prefeito Jaime Campos, vereador Campos Neto, dos postos Simarelli, do deputado Moacir Pires, Toco Palma - futuro candidato a vereador e já trabalhando pela juventude -, Magrelo’s Dog, Mauro Carvalho(Distribuidora Diskol), Auto Escola Sucesso(Fernando Metelo), Água Ibirá, lojas Contágio e Ady Boutique.

E atenção para a relação dos times já confirmados na Copa: Xeretas, Cocotas, As Pé-de-cana, K-Loo Girls, Tulipet’s, Bafonet’s, Nananzão, 2 a 1, Tigurias, Las Lunas, As Rainhas, Sedex, Tênis Clube, Mega, As Poderosas, Juventinas, Ninfetas, As Patricinhas, Consil, As Vitaminadas. Vinte times! E as inscrições continuam abertas até o dia 20. Corra, que os prêmios para o time vencedor serão anunciados na festa de abertura.

Bingo
A partir desta segunda, o Bingo Mato Grosso estará abrindo, todo dia, pontualmente às 17 horas, e a sua primeira rodada que corre às 18 horas será inteiramente gratuita.

E as atrações da casa são as mais variadas: às quintas, o Promomil, com mil reais em prêmios e o Sabadão Vale tudo, com mil em prêmios em jogo à meia noite de sábado.

Vale a pena dá uma passagem pela Praça do Choppão e tentar a sorte.

Estilo chique
Continuando com sua programação de aniversário, o Getúlio Grill lançou a partir do final de semana, suas porções individuais. Com preços que variam de R$ 3,50 a 5,50 mantendo a mesma qualidade.

É o Getúlio 5 anos economizando com você.

Caldeirão
A disputa entre as equipes femininas já começaram e estão rolando à toda nos bastidores da Copa. As Bafonet’s, por exemplo, acusam as Tulipet’s de falta de criatividade, na bolação do seu nome. Ficou mesmo parecido. E aí? Quem é que ganha essa?

As Garotas K-Loo estão acusando as Juventinas pela utilização da cor-rosa em seus uniformes. Segundo a K-Loo o rosa seria uma exclusividade K-Loo. Mas desde quando? Vamos ver como é que essas duas equipes vão desfilar no Sábado. Qual será o rosa mais chocante? No mais, vamos deixar de briga. Que nessa Copa tudo é festa e alegria.

As garotas do Nananzão também garantem que as Cocotas fizeram um uniforme muito parecido com o seu. Dúvidas como só poderão ser tiradas no sábado, durante o julgamento para a escolha do melhor uniforme.

É unâmime a reclamação contra garotas com cara de homem. Nenhum time quer aceitar. Que tal, então, ter um pouco de simancol e caprichar na feminilidade.

Curioso e constrangedor. Na festa do colunista Zacarias Costa, quinta-feira, no Várzea Grande Tênis Clube, a platéia se dividiu em duas: de um lado, se juntando em torno da primeira dama D. Lucimar, os partidários de Jaime Campos. Do outro, os partidários de Carlos Gomes, que foi pessoalmente. Em outra mesa à parte, Nico Baracat comia pela beirada, tendo ao lado o irmão Fernando.

As línguas boca de matilde, que diziam que Marcelo Marini havia pifado, se enganaram. Aguardem novidades no cenário. Cartas estão saindo da manga. A vingança será maligna.

Curioso como o pessoal da cortesia reapareceu de forma tão repentina. Eles voltaram a cercar os promoteurs. Em época de crise, jacaré nada de bruços.

Campos Neto
Foi uma bela festa cívica. Na noite de sexta-feira, na Câmara de Cuiabá, a entrega de títulos de cidadania e outras honrarias se constituiu em uma solenidade que emocionou a todos. Velhos e novos varzea-grandenses, todos irmanados em torno do evento comandado pelo jovem vereador Campos Neto que, decididamente, vem dinamizando os trabalhos daquele Legislativo.