SEQUESTRO

Pedaço da orelha é de Wellington

O exame de DNA comprovou que o pedaço de orelha enviado à emissora de TV em Goiânia é mesmo de Wellington Camargo

ÁULUS RINCON GODINHO
Da Agência Folha - Goiânia

O exame de DNA feito pelo Laboratório Genomic Engenharia Molecular, em São Paulo, comprovou que o pedaço de uma orelha enviada na madrugada de sábado à emissora de TV Serra Dourada, retransmissora do SBT em Goiânia, é mesmo de Wellington José de Camargo, irmão dos cantores Zezé di Camargo e Luciano, e que está sequestrado há 90 dias.

O anúncio foi feito na tarde de ontem pelo secretário da Segurança Pública e Justiça de Goiás, Demóstenes Xavier Torres, que distribuiu à imprensa o resultado do exame, que confirma ser o material biológico enviado proveniente de um filho de Helena Siqueira Camargo, mãe do sequestrado.

O pedaço da orelha foi enviado à emissora, que funciona no Setor Campinas, em Goiânia, e estava acondicionado dentro de uma embalagem térmica de plástico que estava cheia de areia.

Um bilhete, supostamente escrito pelo refém, estava junto com o pedaço do órgão. Nele, Wellington, após afirmar estar cansado e com medo de ser morto, pedia agilidade nas negociações.

No momento em que a orelha foi encontrada no sábado, um perito do Instituto de Medicina Legal de Goiânia comprovou -por meio da coagulação de sangue- que ela havia sido arrancada da vítima a no máximo três horas antes de sua localização.

A polícia acredita que o refém vem sendo mantido em um cativeiro distante a no máximo 200 quilômetros de Goiânia. Segundo Demóstenes Xavier Torres, somente o exame grafotécnico, que deverá ficar pronto hoje de manhã, poderá confirmar com 100% de certeza se a letra do bilhete realmente é a de Wellington Camargo.

O secretário disse não ter dúvidas de que ele tenha realmente sido escrito pelo refém. Torres afirmou que não iria falar qual valor está sendo exigido pelos sequestradores de Wellington, mas afirmou que tudo caminha para um desfecho rápido.

O secretário disse que o resgate ainda não aconteceu porque, na sexta-feira, um apresentador de televisão se ofereceu para criar uma forma de arrecadar os US$ 3 milhões supostamente pedidos para libertação do sequestrado.

Paralítico desde os dois anos de idade, Wellington Camargo é gerente de uma lanchonete de pamonhas em Goiânia e colabora com Zezé di Camargo em algumas composições.

Ele foi levado de dentro de sua casa, localizada no Jardim Europa, bairro da periferia goiana, por quatro homens armados e encapuzados na noite do dia 16 de dezembro.

Os sequestradores fizeram, segundo parentes do refém, 16 contatos, e enviaram, antes de sábado, três provas de que ele está vivo, duas em forma de bilhete e uma fotografia, na qual Wellington aparece sentado com as mãos para traz e trazendo no colo armas de grosso calibre, como fuzil AR-15, metralhadora, pistola e escopeta.


SEQUESTRO II

Polícia procura bando que sequestrou mãe de Salgadinho

MARCELO OLIVEIRA
Da Agência Folha – São Paulo

A polícia ainda procura três integrantes do bando que sequestrou Catarina Luiza Nogueira, 50, mãe do cantor Salgadinho, vocalista do grupo de pagode Katinguelê.

Anteontem à noite, dois sequestradores -Julio Cezar Santos, 20, e Renata Cristina Novaes, 24, foram presos às 21h na casa vizinha à de Catarina, onde Renata pediu para assistir TV.

Aproveitando o descuido, Catarina havia conseguido fugir meia hora antes e avisado à polícia. Santos e Renata, segundo a polícia, também moravam em Pedreira (zona sul de SP), onde Catarina vive há nove anos.

Segundo o delegado Maurício Guimarães Soares, titular da Delegacia Especializada Anti-Sequestro (Deas) todos os sequestradores tinham uma "proximidade" com a vítima. "Mas essa proximidade não era amizade. Eles eram vizinhos de Catarina", disse. O delegado afirmou que os acusados podem estar envolvidos com tráfico de drogas e terem sido motivados para o sequestro após a repercussão do caso de Goiânia, no qual é vítima o irmão da dupla Zezé di Camargo e Luciano, Wellington de Camargo.

Segundo o delegado, este é o primeiro sequestro com vítima ligada ao meio artístico em São Paulo.

Santos já havia sido preso sob acusação de tráfico de drogas. E havia fugido do 51º DP, em Butantã. Na casa onde os sequestradores foram presos estavam mais cinco pessoas, inclusive um adolescente de 13 anos. Todos foram detidos pela PM, mas liberados ontem de manhã.

A Polícia Civil afirma que eles não têm ligação com o caso. Uma dessas pessoas, J.C., 48, que pediu para não ser identificado, teme uma vingança por parte dos sequestradores que restam soltos. A testemunha foi contratada pelos sequestradores para fazer a ligação elétrica da casa onde Catarina foi mantida como refém. A casa pertencia a um homem conhecido como Bastos, assassinado em 98. Segundo a testemunha, um dos sequestradores dizia ter permissão do filho de Bastos para alugar o imóvel.

Moradores da rua Sinfonia Fantástica afirmam ter visto no local a Kombi dos sequestradores. Um desses moradores disse que na terça-feira ouviu um deles dizer o seguinte ao telefone: "Pode vir que o bagulho chegou". Segundo este morador, ele teria visto o vulto de uma mulher no interior da casa. Mas ele afirma que não era possível identificá-la.


MINAS

Itamar Franco rejeita apelo de Lula

FÁBIA PRATES E CARLOS HENRIQUE SANTIAGO
Da Agência Folha – Belo Horizonte

Os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu, presidente nacional do partido, não conseguiram convencer o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), a voltar a integrar o fórum dos governadores de oposição, com o qual Itamar anunciou rompimento na última quinta-feira.

Lula e Dirceu reuniram-se ontem por cerca de três horas com Itamar e saíram do encontro dizendo que a unidade entre os Estados para discutir suas questões domésticas com o governo federal é secundária.

"A questão nacional é prioridade na nossa relação com o governo de Minas. Até porque Itamar sabe resolver os problemas de Minas e Olívio Dutra, os do Rio Grande do Sul" disse Lula.

A postura dos petistas tem a ver com a recusa de Itamar de participar de um encontro com os seis governadores dos partidos de esquerda (PT, PDT e PSB) no próximo dia 23. A Agência Folha apurou que Lula e Dirceu fizeram o convite a ele durante o encontro de hoje.

Itamar está insatisfeito com os seis governadores de esquerda, que depois de acordarem uma série de exigências para haver diálogo com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na Carta de Porto Alegre, foram ao encontro de FHC, no último dia 26, contra a vontade de Itamar. O governador mineiro chegou a dizer que se arrependeu de assinar a carta.

Oficialmente, Itamar nunca admitiu ser integrante de bloco de oposição, até por integrar um partido que faz parte da base de apoio do governo federal. Mas, na prática, ele assumiu a liderança anti-FHC ao decretar a moratória e ao tentar mobilizar os demais governadores no enfrentamento ao governo federal.

Sem unidade de ação entre Itamar e os seis governadores de esquerda na relação com o governo federal, Dirceu disse que há dois caminhos, o de Itamar e os dos outros seis governadores. O ponto de coesão entre Itamar, o PT e o chamado bloco de oposição será as críticas à política macroeconômica.

"É preciso constituir uma unidade que perpasse os governadores de oposição, mas que atinja outros segmentos da sociedade para que a gente possa combater não apenas a figura do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas o modelo econômico que está implantado nesse país que está quebrado", declarou Lula.

Eles acertaram uma série de mobilizações para chamar a sociedade a protestar contra o Fundo Monetário Internacional e o encaminhamento dado por FHC ao país, a partir do próximo dia 26 até o dia 7 de setembro.

O principal ato está agendado para 21 de abril, em Ouro Preto. Tradicionalmente o governo de Minas se transfere para a cidade durante a solenidade oficial no Dia de Tiradentes. Neste ano, a solenidade deve se transformar num grande ato contra o governo FHC.

Ontem, Lula lançou em Belo Horizonte o "Fórum Nacional de Lutas" e vai viajar para outros Estados para dar continuidade. À tarde, ele e Dirceu participaram de um seminário na Assembléia Legislativa que discutiu o pacto federativo. Parlamentares de vários Estados participaram do encontro.

O presidente do PT reiterou o apoio a Itamar e chegou a sugerir que os governadores de oposição erraram ao ir a Brasília se encontrar com Fernando Henrique Cardoso em fevereiro. Segundo ele, o encontro não teve resultados práticos.


IUGOSLÁVIA

Kosovares aceitam acordo de paz

Eles anunciaram aos mediadores internacionais que estão "prontos para assinar" um acordo de paz

DUSAN STOJANOVIC
Da AP - Paris

Os kosovares albaneses anunciaram ontem aos mediadores internacionais que estão "prontos para assinar" um acordo de paz, que dá ampla autonomia política à província por três anos embora Kosovo continue a ser parte da Sérvia. O acordo é resultado de cinco semanas de intensa pressão diplomática de mediadores ocidentais, que querem dar ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, um ultimato claro: ou aceita o plano de paz ou sofre um bombardeio da Otan.

Horas depois de começar a segunda etapa das conversas de paz para Kosovo em Paris, o Ministério das Relações Exteriores da França emitiu um comunicado em que dizia que os responsáveis pela negociação, o secretário britânico de Relações Exteriores, Robin Cook, e seu colega francês, Hubert Vedrine, receberam uma carta de Hasjim Thaci, líder dos kosovares albaneses, declarando-se preparado para assinar o acordo. "Ainda temos esperança de que os iugoslavos também assinem o acordo de Rambouillet ", disse o documento, em referência à resistência dos sérvios em negociar o deslocamento de tropas da Otan para Kosovo, elemento-chave no acordo. A comunidade internacional insiste em que todos os itens do tratado sejam cumpridos.

Nas negociações de ontem, as duas partes, sérvios e kosovares albaneses, tiveram encontros separadas com os mediadores. Vedrine e Cook se reunirão à tarde com os dois grupos. Em sua carta, Thaci disse que sua aceitação é decorrente de um "ambiente positivo" nos grupos políticos e militares em Kosovo. Alguns kosovares albaneses, que são 90 por cento dos dois milhões de habitantes de Kosovo, estão relutantes em aceitar porque não conseguiram a independência que querem e seus guerrilheiros terão que ser desarmados.


PARAGUAI

Decisão de Cubas sobre caso do general Oviedo divide partido Colorado

PEDRO SERVÍN
Da AP - Assunção

O Partido Colorado, no governo, está praticamente rachado, com duas direções rivais, na véspera de uma sessão legislativa que deve discutir o pedido de impeachment do presidente Raúl Cubas por suposto desacato à justiça. No poder desde 1947, o partido era controlado pela facção "Reconciliação Colorada", liderada pelo vice-presidente Luis María Argaña, desafiada por Cubas e pelo general da reserva Lino César Oviedo, mentor político do presidente.

O partido realizou anteontem uma convenção com 378 delegados, para eleger os tribunais eleitoral e de conduta para as eleições internas de maio, para designar os novos dirigentes partidários. A reunião transcorreu em clima tenso e houve incidentes violentos entre os partidários de Argaña e de Oviedo e Cubas, que se agrediram com socos e objetos contundentes.

O presidente da convenção, Darío Montes, anunciou então que, por ampla maioria, os delegados tinham resolvido prorrogar por tempo indeterminado o mandato da atual direção "argañista", liderada pelo senador Bader Rachid Lichi. O anúncio provocou protestos indignados da corrente "União Nacional de Colorados Éticos (UNACE)", de Oviedo, que se retirou para deliberar em outro local.

Os "oviedistas" elegeram uma "comissão de emergência", chefiada pelo veterano político Carlos Zayas, com o apoio de de 189 delegados. A comissão foi autorizada a intervir no Partido Colorado e readmitir Oviedo como afiliado. O militar fora expulso depois de uma condenação judicial a dez anos de prisão, por tentativa de rebelião em 1996. O grupo paralelo também pedirá à justiça eleitoral que convoque eleições internas para escolher os líderes definitivos do partido. Cubas recebeu anteontem à noite os "oviedistas".

Hoje a Câmara dos Deputados se reunirá para discutir o pedido de julgamento político de Cubas, por desacato à ordem da Corte Suprema, de enviar Oviedo de novo para a prisão, para cumprir sua pena. O presidente se recusou a cumprir a ordem.

Oviedo anunciou ontem: "Nosso amigo e presidente, Cubas não será submetido a julgamento político porque amanhã não conseguirão reunir dois terços dos votos na Câmara dos Deputados. Nosso presidente não será destituído pelos corruptos".

A Câmara dos Deputados, de 80 membros, aparentemente conseguirá reunir hoje, em sua sessão extraordinária, os 53 votos necessários para julgar Cubas. Se conseguir, o julgamento será feito pelo Senado, de 45 membros. No caso de Cubas ser destituído, assumirá a presidência o vice-presidente Argaña.


EQUADOR

População corre aos bancos

CARLOS CISTERNAS
Da AP - Quito

Centenas de clientes correram ontem aos bancos para retirar seus depósitos, depois do congelamento das contas anunciado pelas autoridades, enquanto milhares de taxistas bloqueavam as estradas com seus veículos para protestar contra o governo. Segundo autoridades, a situação de hoje é conseqüência de uma crise econômica agravada este mês, com a retirada maciça de dinheiro dos bancos diante dos rumores de bloqueio por parte do governo com o objetivo de impedir uma possível quebra do setor bancário.

O ministro de Defesa, José Gallardo, advertiu que a polícia e as forças armadas reprimirão manifestações: "Qualquer ato violento será reprimido com o devido rigor", Por sua vez, o Ministério da Educação decretou feriado escolar em todo o país, por tempo indeterminado. E a Confederação de Nacionalidades Indígenas ameaçou com um "levantamento indígena" para exigir que o governo derrube suas medidas econômicas.

Manuel de Castro, dirigente dessa entidade, disse que os protestos incluem principalmente o bloqueio de estradas por tempo indeterminado, até que o governo aceite as exigências.

O governo decretou um inesperado feriado bancário de sete dias, que se estendeu até ontem, e na quinta-feira anunciou um duro pacote de medidas econômicas, que inclui o congelamento de depósitos bancários, a duplicação do preço da gasolina e o aumento de 10 a 15 por cento do Imposto do Valor Agregado (IVA).

A capital e outras cidades amanheceram ontem em meio ao caos provocado por milhares de taxistas, que bloquearam as principais estradas e avenidas em protesto contra o aumento da gasolina. "Aqui não se pode viver. O governo quer nos matar de fome", afirmou Francisco Delgado, líder dos taxistas. A polícia tentou retirar com bombas de gás lacrimogêneo os carros parados a quatro quarteirões do Palácio do Governo, mas não teve sucesso.

A situação crítica foi agravada pelas longas filas que cedo começaram a ser formadas por pessoas nas portas dos bancos para retirar seus depósitos. O dinheiro foi entregue aos clientes, mas houve atraso no atendimento e críticas por falta de policiamento para manter a ordem. Foram registrados alguns incidentes diante da impaciência dos clientes para serem atendidos.

As retiradas maciças de dinheiro têm como base a desconfiança da população sobre a estabilidade do sistema bancário, abalado há meses por dívidas causadas pela crise, que se caracteriza por uma inflação chegou a 40 por cento, a mais alta da América Latina, e um déficit fiscal entre 1,200 e 1,500 bilhão de dólares. Desde dezembro, sete bancos sofreram intervenção do governo para evitar que quebrassem e, segundo fontes financeiras, o risco atingiu a todas as instituições financeiras, inclusive as mais importantes.

A população começou a retirar o dinheiro para comprar dólares. Em uma semana, a moeda nacional chegou a perder quase 25 por cento de seu valor, o que levou o governo a declarar feriado bancário. Para restabelecer a liquidez, as autoridades anunciaram quinta-feira um congelamento dos depósitos em moeda nacional de até 50 por cento, porcentagem que permanecerá um ano sem modificações. Para as contas em moeda estrangeira é permitido retirar até 500 dólares. Valores superiores ficarão congelados por um ano.


COLÔMBIA

Paramilitares criticam Chávez

Da AP - Bogotá

Carlos Castaño, chefe dos grupos paramilitares da Colômbia, disse que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, "não deve converter seu país em refúgio de guerrilheiros" porque pode desencadear um confronto com suas forças irregulares. "Se Caracas se tornar refúgio dos grandes chefes da guerrilha, para programarem violentas ofensivas contra nosso país, a autodefesa irá a Caracas", advertiu Castaño, líder das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), em matéria publicada ontem pelo jornal EL Tiempo.

Castaño exortou o presidente Chávez a ser "muito prudente com as atitudes que está assumindo", sem ultrapassar o limite de emprestar seu território para eventuais negociações de paz. Chávez disse que dará asilo político aos guerrilheiros que pedirem e fará as gestões a seu alcance para facilitar o processo de paz na Colômbia. "Não queremos um problema de fronteira, mas o presidente Chávez precisa ser prudente", reiterou Castaño, afirmando que, para as AUC, o principal grupo contraguerrilheiro da Colômbia, é "uma obrigação natural, moral, perseguir esses bandidos até lá".

Castaño disse que o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda guerrilha colombiana, está militarmente "dizimada" pelo assédio de suas forças, que calculou em 6.000 combatentes. Segundo ele, o comando central do ELN e seus efetivos em breve terão que se deslocar para o Rio Guarumito, perto de Puerto Santander, na fronteira com a Venezuela, e nesse momento pode haver o risco de um confronto entre as AUC e o exército venezuelano. Castaño disse que o governo deve buscar uma saída política com o ELN, sem "pisotear seu orgulho e dignidade", fazendo concessões para chegar a um acordo de paz.

Acrescentou que, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior e mais antiga das guerrilhas de esquerda, também é possível chegar a um acordo de paz, mas é necessário "ajudá-las para que transformem seu poder militar em político". Em sua opinião, o presidente Andrés Pastrana avança na direção correta, ao negociar com as Farc e fazer concessões, como a desocupação militar de 42.000 quilômetros quadrados no sudoeste do país. Em sua opinião, o governo terá todo o apoio internacional para uma guerra total contra as Farc, se as negociações de paz fracassarem.


AFEGANISTÃO

Facções podem negociar a paz

ALEXANDER VERSHININ
Da AP – Ashgabat, Turquemenistão

As facções rivais do Afeganistão disseram ontem que se reunirão novamente em abril para ultimar os detalhes de um eventual acordo de paz destinado a acabar com mais de 20 anos de guerra. Um acordo inicial feito anteontem, que não chegou a entrar em detalhes, sugeriu a criação de uma coalizão que inclui o movimento islâmico Talibã, atualmente no governo, e uma aliança do grupo de oposição com base no norte do país.

"Concordamos com os princípios fundamentais para criar um governo unificado e amplamente representativo", disse Wakil Ahmed Muttawakil, chefe da delegação talibã. Um representante da delegação oposicionista, Said Younus Qanuni, disse que "toda a história de Afeganistão demonstra que se um grupo dominar o governo, a paz no país será muito frágil e nunca durará muito tempo".

As duas partes disseram que a nova rodada de conversações se realizará no próximo mês no Afeganistão, mas não anunciaram datas. O presidente do Turquemenistão, Saparmurad Niyazov, se reuniu ontem com as duas delegações em separado, nesta capital, antes que seus representantes regressassem ao Afeganistão, onde o acordo foi recebido com cautela, pois vários planos de paz já fracassaram no curso dos anos. A guerra já destruiu grande parte do país e fez milhões de refugiados.

O acordo obriga as duas partes a:

- Libertar 20 prisioneiros de ambos os lados o mais rápido possível, através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha;

- Formar um Poder Executivo compartilhado, um Poder Legislativo e um Poder Judiciário.

- Continuar as conversações a fim de resolver as questões pendente e colocar em vigor as decisões já tomadas.