TERREMOTO

Tremor de terça-feira foi o 2º mais forte registrado no estado

Os sismógrafos registraram 5.2 pontos da escala Richter (máximo é 9), o que é considerado forte para o Brasil

ANSELMO CARVALHO PINTO
Da Reportagem

O tremor de terra sentido em Cuiabá e em cidades do norte do Estado anteontem à noite foi um dos maiores já registrados no Brasil e o segundo da história de Mato Grosso.
De acordo com os sismógrafos do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Unb), o abalo, cujo epicentro foi observado na região de Juara, atingiu 5.2 pontos de magnitude na escala Richter, que vai de zero a 9. Em outra medida, a de intensidade, o tremor alcançou de 5 a 6 MM (veja quadro e box).
Mato Grosso, aliás, é o Estado onde se registrou o maior terremoto do país, em 31 de janeiro de 1955, na serra do Tombador, entre os rios Arinos e Juruena, também no Norte: 6.6 de magnitude Richter.
"O abalo de ontem (anteontem) foi forte em se tratando de Brasil", disse o chefe do Observatório Sismológico da Unb, Lucas Vieira Barros. "Mas não deve ser motivo de preocupação".
A região já havia sofrido outro abalo sísmico há menos de um mês, com epicentro em Porto dos Gaúchos e magnitude Richter de 3.6.
Quatro professores do departamento de geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) viajam hoje de manhã para a região de Juara, a fim de fazer um levantamento dos danos.
"Queremos saber se há locais que precisam ser interditados", afirmou o professor de Geologia Dharani Sondaram.
"Pode ter havido também desvio de leito de córregos".
Os sismógrafos de Brasília registraram 5.2 Richter. "Nos outros espalhados pelo mundo, a média ficou em 4.9", disse Lucas Barros. A diferença é considerada normal. "Os nossos números são mais confiáveis".
O Observatório da Unb pretende instalar na Amazônia Legal pelo menos nove sismógrafos, por meio do projeto Amazonscop. Quatro já estão montados, um em Araguaiana, no nordeste de Mato Grosso. "Vamos colocar outro em Porto dos Gaúchos", disse Barros. A instalação de um desses aparelhos custa US$ 50 mil.

PORTO DOS GAÚCHOS
O tremor foi sentido com maior intensidade em Juara, Tabaporã e Porto dos Gaúchos, cidade que já está se tornando notória pela quantidade de tremores.
Dos 22 terremotos de maior intensidade catalogados pelo Observatório de Sismolologia da Unb, 18 tiveram epicentro em Porto dos Gaúchos.
Em Juara, o prédio da prefeitura teve uma das paredes rachadas. Em entrevista ao DIÁRIO, o prefeito Priminho Riva (PSDB) informou que a população da cidade ficou assustada. "Muitas pessoas correram para o meio das ruas", disse.
Em Cuiabá, o tremor foi sentido de forma leve. No edifício Veneza, na avenida do CPA, os moradores ficaram assustados.
"Eu senti a terra e a televisão tremerem", lembrava ontem à tarde o fazendeiro João Garcia Sanches. "De imediato desci até o térreo e tentei buscar informações sobre o que havia acontecido".


Que são intensidade e magnitude Richter

Da Reportagem

"A magnitude Richter avalia o tamanho do terremoto", ensina Lucas Vieira Barros, da Universidade de Brasília (Unb). O índice Richter é fixo, quer dizer, mesmo se afastando do epicentro, o número permanece igual.
Isso não acontece com a escala que mede a intensidade do abalo, a Mercali Modificada (MM), cujo máximo é 12. Quanto mais se afasta do epicentro, menor será a intensidade MM. O tremor de anteontem variou de 5 a 6 MM. Tal escala só é medida depois de contatos com a região afetada. Para se chegar a 5 MM, é preciso que algumas pessoas sintam o tremor, louças quebrem, objetos caiam e portas e janelas se abram. Se for 6 MM, toda a população terá sentido, pessoas saíram das casas e construções foram afetadas. (ACP)


Abalo em Tabaporã foi muito intenso, relatam moradores

Da Redação

O município de Tabaporã, 698 quilômetros ao Norte de Cuiabá, foi um dos que mais sentiram o tremor de terras na última terça-feira à noite. A população, segundo o secretário municipal de Educação, Adélcio Francisco Fernandes, está com medo de que novos tremores voltem a acontecer.
"Estamos completamente apavorados", disse ontem o secretário. "Tudo começou com um estrondo. Depois veio a tremedeira: os quadros saltavam das paredes", descreveu, comentando que o fenômeno durou entre 45 segundos e um minuto, mas foi o suficiente para deixar a população com medo. Numa casa da periferia parte do telhado chegou a desabar, mas ninguém ficou ferido.
Segundo o secretário geral do município, Clarismundo Pires Lopes, a principal preocupação da prefeitura é quanto a zona rural, onde o acesso, nessa época do ano, é difícil por causa das chuvas. "Se acontecer alguma coisa em um sítio ou fazenda, teremos dificuldades", afirmou.

JUARA - Em Juara, citada pelo relatório da UnB como um dos epicentros do fenômeno, o prefeito Priminho da Riva (PSDB) afirmou que já está mantendo contatos com os técnicos de Brasília, para que prefeitura e UnB possam trabalhar juntas na investigação do fenômeno.
"Temos receio do que possa acontecer", comentou ontem.
Na cidade vivem cerca de 19 mil pessoas, segundo o IBGE.


Movimento de placas provoca terremotos

Da Reportagem

Terremotos podem acontecer por causa do movimento das placas tectônicas da Terra. Essas placas são camadas de rochas superficiais que formam a crosta terrestre em constante, porém lenta movimentação.
"Duas placas se empurram lentamente durante anos", explica o professor Lucas Barros, da UnB. "Chega um ponto em que uma cede e a outra se desloca bruscamente. Daí há o tremor". Quando o deslocamento acontece abaixo dos oceanos, acontecem os maremotos.
A Eurasiática, Norte-Americana, Sul-Americana, Indu-Australiana, a do Pacífico, a Africana e a Antártica são as placas tectônicas mais conhecidas. (ACP)


COMUNICAÇÃO SOCIAL

Administração da UFMT apresenta cronograma para entrega de prédio

Professores avaliam primeira semana de mobilização pró-reconhecimento do curso

CAMILA BINI
Da Reportagem

A primeira semana de paralisação das atividades acadêmicas do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso obteve um avanço, sob a análise da professora Maria Helena Antunes. "Não estamos mais clamando no deserto", afirmou, referindo-se à reunião de ontem entre professores e as Pró-reitorias de Ensino e Graduação e Planejamento da UFMT, em que foram discutidas reivindicações apresentadas pelos professores à reitoria na semana passada como condição para o início do ano letivo de 98. Outras reuniões estão agendadas para esta semana.
O departamento reivindica a contratação de nove professores substitutos para 98, a garantia por parte da reitoria de nove vagas para o curso no próximo concurso público para docentes da UFMT, definição de espaço físico e equipamentos e técnicos para os laboratórios. "Nossas prioridades no momento são o reconhecimento do curso, que existe desde 91, e seu pleno funcionamento", enfatizou Maria Helena.
Além de discutirem a pauta de reivindicações, os pró-reitores apresentaram um novo cronograma para as obras de construção do prédio que será destinado ao curso. "Iremos fiscalizar as obras, mas a construção do prédio não é condição para a volta às aulas. O que queremos é definir que local da universidade será cedido ao curso", explicou a professora. Em 97, os alunos de Comunicação ocuparam salas de outros cursos nos blocos do Centro de Ciências Sociais, do Instituto de Linguagens e do laboratório de fotografia, que fica perto da gráfica da UFMT.
Alegando que o curso não pode continuar perpetuando uma situação que deveria ser provisória, Maria Helena afirma que mesmo com os nove professores substitutos (cujo contrato de trabalho não ultrapassa dois anos) o problema de pessoal não termina. "Para o funcionamento pleno do curso, precisamos de um quadro mínimo de professores para ofertar as 42 disciplinas", esclareceu. Se as aulas já tivessem iniciado, 16 disciplinas não seriam oferecidas neste semestre.
Contando com o apoio dos alunos (toda reunião é acompanhada por um representante do Centro Acadêmico), o departamento rechaça a versão de que estaria "atrasando" o reconhecimento. "As exigências feitas pelo Ministério da Educação que cabiam ao departamento foram cumpridas", afirmou a professora, complementando ainda que a grade curricular do curso foi reelaborada e acrescida de 670 horas.


AMBIENTE

Mato Grosso cria "Movimento de Cidadania pelas Águas"

ALINE CUBAS
Da Reportagem

Com o objetivo de envolver a sociedade na preservação dos recursos hídricos, foi lançado ontem, o Centro de Referência do "Movimento de Cidadania pelas Águas" que, em Mato Grosso, funcionará na sede da Fema. Brasília, Fortaleza, Vitória, Porto Alegre, Belo Horizonte, entre outras capitais, já têm esses centros.
O movimento é uma iniciativa da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério de Meio Ambiente, mas a expectativa é que ele não fique resumido a uma ação governamental. "O que se quer é o envolvimento e mobilização dos cidadãos em favor das águas porque a idéia nasceu com o reconhecimento, pelo governo, de sua incapacidade de tratar sozinho dessa questão", afirmou o representante do Ministério do Meio Ambiente, Luis Carlos Baeta, que esteve em Cuiabá para o lançamento do movimento.
O Brasil tem 100 mil cursos d'água, sendo que todos apresentam poluição em algum grau. O uso inadequado da água potável é responsável ainda pela ocupação de 72% dos leitos dos hospitais e pela morte de 4 milhões de pessoas anualmente.
Segundo o IBGE, seis em cada 10 municípios brasileiros não têm água tratada. "E nos municípios que têm as pessoas mantêm a `cultura da abundância', de achar que a água é um recurso infinito resultando no desperdício", destacou Baeta.
Mas estudos científicos apontaram que somente nos últimos 100 anos o consumo cresceu sete vezes e que apenas uma parcela ínfima de toda água do planeta (cerca de 1%) é doce e acessível ao homem. Do restante, 97% são salgadas e 2% estão em forma de geleiras.
Neste contexto, o Brasil é um país privilegiado com 8% de toda água doce da Terra. Mas do total, 80% estão localizadas na região Amazônica, onde se encontram 5% da população. Para os outros 95% de brasileiros espalhados pelo território sobram apenas 20% desses mananciais.


EDUCAÇÃO 2

Matrículas superam em 40% a expectativa do Ministério

ANSELMO CARVALHO PINTO
Da Reportagem

A Semana Nacional de Matrícula em Mato Grosso superou em quase 40% as estimativas do governo federal. De acordo com o Ministério da Educação, o estado tinha até o ano passado 45.256 crianças entre 7 e 14 anos fora da sala de aula. A campanha de matrícula, entre 7 e 14 de fevereiro, conseguiu cadastrar 62.167 alunos na idade.
A informação foi dada ontem pela manhã pelo secretário estadual de Educação, Fausto Faria. "Os números são excelentes e superaram o que nós havíamos previsto", disse o secretário.
O projeto Toda Criança na Escola, do governo federal, irá financiar a construção e ampliação de salas de aula, além do transporte para os alunos matriculados na rede pública. O investimento será de R$ 500 milhões.
De acordo com o número de crianças matriculadas, os municípios deverão elaborar projetos de financiamento e enviá-los à Seduc até dia 23. Tais projetos deverão ser repassados para a Delegacia do Ministério da Educação até dia 31. Até o dia 31 de abril, deverão chegar ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
O Estado já havia solicitado ao MEC a construção de 176 salas de aula. Após o resultado da campanha, a Seduc precisou fazer novo direcionamento das salas. "No Pedra 90, nós havíamos estipulado duas salas", disse o secretário. "Depois dos resultados, precisamos construir mais 13".
Para Faria, embora haja estudantes fora das escolas, em todos lugares há salas sobrando. Das 1.245 salas da rede estadual em Mato Grosso, 1.196 estão ocupadas de manhã, 1.045 à tarde e 800 à noite.


AMBIENTE 2

Ministério Público e ONGs elegerão pauta prioritária

Da Reportagem

O Ministério Público Estadual, por meio da Procuradoria de Meio Ambiente, convocou dez entidades não governamentais ambientalistas de Cuiabá e Várzea Grande para uma reunião na Associação do Ministério Público nesta sexta-feira. O objetivo é elencar os principais problemas ambientais da Baixada Cuiabana para um trabalho em conjunto que deve envolver ainda as secretarias municipais de meio ambiente dos dois municípios.
A partir da reunião, promotoria e entidades devem eleger prioridades para o trabalho em parceria.
Os motivos alegados pelo promotor de justiça Domingos Sávio de Barros Arruda para o trabalho em conjunto são as dificuldades de operacionalização tanto das entidades como da Procuradoria do Meio Ambiente. "Podemos fazer um intercâmbio, prestando esclarecimentos jurídico-legais e recebendo em troca a sustentação necessária no aspecto ambiental", afirmou o promotor. No começo da semana que vem, a procuradoria deve se reunir com as secretarias de meio ambiente de Cuiabá e Várzea Grande. (CB)