CAMPEONATO MATO-GROSSENSE

Mixto e Operário estão prontos para o "clássico dos milhões"

As duas equipes prometem determinação, garra e muita raça em campo, como exige o clássico que agita os torcedores

JONAS JOZINO
Da Editoria de Esportes

Mixto e Operário, renovados, jogam amanhã no Verdão, depois de dois anos sem nenhum partida entre as duas equipes. E com uma nova estrutura profissional e com patrocinadores de peso prometem reviver os áureos tempos do "clássico dos milhões". As duas equipes estão bem diferentes em relação aos últimos jogos, quando fracassaram. Passaram a semana contratando jogadores, mostrando ao torcedor que querem mais do que a vitória no clássico o título. O jogo de amanhã promete ser emocionante para o torcedor que for ao Verdão.

O Operário iniciou a semana promovendo profundas mudanças em seu plantel. Entrou Valdelício Acácio na supervisão da equipe, sai Lino Miranda que passa a cuidar do departamento jurídico. Mudou a forma de tratar os jogadores. A diretoria se empenhou e foi buscar reforços, de goleiro a ponta esquerda. O time ainda carece de entrosamento, mas o técnico Dorival Silva, que nas horas vagas se apega à igreja, não tem dúvidas de que terá em campo jogadores determinados a buscar a vitória. "Este clássico vem agitando o torcedor. Não se fala em outra coisa na cidade. Por isso nos empenhamos mais do que o normal para colocar os jogadores em condições de brigar pela vitória. Mesmo com a falta de entrosamento não tenho dúvidas de que o Operário tem tudo para buscar três pontos", afirma.

Valdelício Acácio, o novo homem forte do clube também não tem dúvidas de que o Operário vence o clássico. "Numa partida como esta não existe vencedor de forma antecipada. Entretanto, conheço a força do Operário, que cresce em uma decisão e tenho certeza de que a mística vai falar mais alto no Domingo", anuncia.

Mas se no Operário existe a convicção de que a vitória vai para Várzea Grande, no Mixto, que após dois anos de licença voltou a disputar o profissionalismo a certeza é de que o time, totalmente remodelado com as novas contratações tem tudo para buscar uma grande vitória.

Geraldo Duarte, um técnico meticuloso, que busca na conversa e no trabalho tático acertar o time, comandou vários coletivos durante toda a semana. Também enfrentou problemas. Vários jogadores se apresentaram e existe a falta de entrosamento para uma partida tão difícil como esta. Mas o otimismo é grande e no clube ninguém admite falar em derrotas.

Rocha, que chegou ao clube no início da semana, agradou o técnico Geraldo Duarte e acredita que pode ser uma peça importante para se buscar a vitória. "Não vim para o Mixto par ser um mero participante", avisa. Já o japonês Hidê, liberado pelo departamento médico espera entrar no segundo tempo da partida e ajudar seu time a vencer. "Estou devendo um gol para a nossa torcida e nada melhor do que marcar em um clássico como este que é o mais importante do estado", declara

OPERÁRIO

Leandro (Reinaldo); Taiada, Clodoaldo, Maurinho e Carlinhos (Junior); Lindomar, Beto Ovídio (Canu), Jurandir e Fábio (Paulo); Paulinho (Provatti)

MIXTO

Alexandre; Choque, Gonçalvez, Leandro e Rocha; Clebinho, Eraldo e Adriano; Hidê, Bujica e Júlio César. Técnico: Geraldo Duarte.

Juiz: Jamil Rodrigues da Silva

Local: Estádio Governador José Fragelli (Verdão)

Horário: 17h


Jogadores do Mixto confiam na conquista de uma vitória

Da Editoria de Esportes

Artilheiro por onde passou, Bujica, que iniciou sua carreira nas equipes inferiores do Flamengo onde se profissionalizou enfrenta amanhã o Operário, um clube onde deixou sua marca. Defendendo o Mixto, o artilheiro, casado com uma cuiabana e que não titubeia em largar clubes grandes para ficar no futebol mato-grossense, promete fazer o seu primeiro gol no estadual e iniciar sua luta pela artilharia. Ele demonstra a forte dose de confiança do clube para este que é chamado de o "clássico dos milhões".

Já joguei nos dois times em outras temporadas e sei muito bem como é enfrentar este clássico. A torcida exige muito de nós jogadores. Ninguém quer perder. É o principal jogo do campeonato. Tive uma semana para me entrosar com os jogadores e estou preparado para este clássico", diz certo de que poderá corresponder o que os torcedores desejam para esta partida: a vitória. "Vamos a campo para vencer e depois fazer a festa com a nossa torcida", esclarece.

Mas se Bujica não esconde a confiança na vitória, o meia Adriano, filho do técnico Geraldo Duarte, prefere ser mais cauteloso. "O Mixto tem muito para mostrar para a torcida. O time ainda não está bem entrosado. Vários jogadores estão chegando e isso acaba prejudicando um pouco. Mas acho que com garra e muita determinação vamos conseguir um resultado favorável neste clássico", explica.

E o zagueiro Gonçalves, o xerife do time na defesa sabe que não haverá facilidades para o setor no jogo de amanhã. Segundo ele o Operário vem de dois resultados negativos e com os novos reforços querendo mostrar que pode se recuperar. "Eles vão querer jogar no abafa, principalmente nos primeiros minutos da partida para nos surpreender. Vamos ter de jogar com muita cautela e acima de tudo não dando nenhum espaço", ensina. Além disso lembra que é um clássico onde ninguém conhece ninguém. "As duas equipes estão em formação. Muitos jogadores estão chegando e isso dificulta na armação de um esquema para parar este ou aquele jogador", diz.

Para o goleiro Alexandre Júnior o importante será ter atenção em campo e jogar em velocidade, aproveitando todas as oportunidades que possam surgir. "Se os nossos atacantes não desperdiçarem as chances, eu, debaixo dos três paus, vou fazer tudo para não tomar gols", promete.


Taiada prega a humildade para o clássico de amanhã

Da Editoria de Esportes

Dois jogos, uma derrota de 3 a 0 para o Palmeiras de Barra do Bugres, no Verdão e um empate sem gols para o Cáceres, uma das piores equipes do estadual. Este é o saldo do Operário que iniciou a temporada de forma conturbada, contratando jogadores, dispensando logo em seguida quase um time inteiro e que nesta semana contratou quase um time para tentar buscar o título estadual.

Amanhã a equipe quer iniciar a sua caminhada a este título. E conquistando a sua primeira vitória na temporada, exatamente contra o seu maior rival, o Mixto. Para isso o presidente João Carlos de Oliveira Santos e o diretor de futebol Wandir Sguarezzi, que ontem anunciou o acerto do patrocínio coma Tele Centro-Sul, não mediram esforços. Contrataram Valdelício Acácio para a supervisão e jogadores de vários cantos do país. Todos chegaram prontos para a estréia e garantindo que vão a campo para buscar a vitória. No clube se entendem que vencer é fundamental para a sobrevivência de todos.

Canu, um dos novos reforços e que agradou muito nos treinamentos sofreu ontem uma pequena contusão e é dúvida para o clássico. Ele está em tratamento intensivo com o massagista Geraldo Malaquias e acredita que até amanhã estará em condições de jogo. "Eu tenho facilidade para me recuperar das contusões. Esta não é tão grave e como estou me cuidando muito acredito que até a hora do jogo estarei bom. Se isso acontecer vou a campo disposto a dar o máximo de mim para ajudar este time que me acolheu e esta torcida maravilhosa", diz o jogador.

Um dos mais experientes do atual elenco e que escapou da degola dos últimos dias quando vários jogadores foram dispensados é o zagueiro Taiada. Dono de uma boa impulsão e de muita determinação no combate ao adversário, ele acredita que o Operário, agora melhor entrosado tem tudo para conquistar sua primeira vitória. "O time foi formado às pressas e não houve tempo de um bom entrosamento. Vários jogadores continuam chegando ao clube. Mas, felizmente, conseguimos realizar alguns treinos e isso foi importante para que possamos entrar em campo amanhã e buscar os três pontos", observa enquanto que o ataque Jurandir, que garante não estar preocupado com o entrosamento a avisa que o Mixto terá de tomar cuidado. "Se bobearem vão buscar muitas bolas na rede. Estou com fome de gols"


FÓRMULA-1

Ferrari faz melhor tempo e Rubinho fica em segundo

Mas os treinos que valem acontecem hoje e McLaren promete uma reação

FLAVIO GOMES
Da Warm-Up, Imola, Itália

MATÉRIA: Ferrari fica em 1º e 2º nos treinos livres

O GP de San Marino começou bem para a Ferrari. A equipe italiana fez ontem os dois melhores tempos nos treinos livres para a corrida de Imola. Michael Schumacher, com 1min26s944, foi o mais rápido. Rubens Barrichello ficou em segundo, a 0s373 do alemão.

"Foi um treino bom, não tive problemas de acerto do carro, e só tive mesmo um problema no motor no começo que me fez ficar parado nos boxes muito tempo", disse o brasileiro. "Mas no momento em que estive andando meu carro sempre melhorou e o tempo que eu virei no final foi até bom, porque o pneu já estava um pouco mais rodado e eu ainda tinha bastante gasolina no tanque. Comparado com o que o Michael fez, acho que foi bom."

Barrichello chegou a rodar durante o treino, e não encontrou explicação para o fato. "Pedimos até o vídeo da câmara do meu cockpit para a FIA, porque ele começou a rodar de uma vez sem avisar, quase no final da curva, e eu acredito que alguma coisa aconteceu no carro. Eles conseguem ver que o carro bate no chão na hora, mas até agora a gente não sabe direito o que foi."

O brasileiro prevê uma disputa mais apertada com a McLaren hoje, no treino que define o grid de largada. "Largar na pole é muito importante em Imola porque é uma pista de poucas ultrapassagens. Eu acho que a gente tem um carro melhor aqui do que nos outros circuitos por onde a gente passou. Dá para falar que a gente está bem condicionado para lutar pela pole."

Mesma opinião tem Schumacher. "Podemos largar na frente, como poderíamos ter conseguido a pole também na Austrália e no Brasil", avaliou o alemão, dizendo-se surpreso com o pequeno público ontem em Imola. "Achei que as arquibancadas estavam um pouco vazias. Mas tenho certeza que no sábado e no domingo nossos torcedores vão vir em peso e nos dar uma força."

Uma das razões para a ausência dos fanáticos ferraristas em Imola é o alto preço dos ingressos. A "Colina da Paixão", área entre a Rivazza e a Variante Baixa que até 98 era uma espécie de "geral", onde a turba acampava durante três dias dormindo na grama, foi definitivamente "civilizada" neste ano, com a colocação de cadeiras numeradas. "Está tudo muito caro", reclamou o estudante Giuseppe Fresta, 19 anos, de Padova. "Achei que aqui seria mais barato do que em Barcelona, mas me enganei", acrescentou o espanhol Jose Ortega Muñonez, que veio de Sevilha para ver a prova.

O grid de largada para o GP de San Marino, terceira etapa do Mundial, sai hoje na sessão que vai das 7h às 8h (de Mato Grosso). A meteorologia indica que o dia será como ontem, com sol, mas frio - a máxima chegou a 12 graus. A corrida, amanhã, começa às 8h e terá 62 voltas.


Fia vai limitar a eletrônica

Da Warm-Up, Imola, Itália

Uma equipe foi pega no pulo, e por isso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu limitar a eletrônica embarcada nos carros de Fórmula 1. É uma nova revolução na categoria, ou "involução", como preferem alguns. A partir do GP da Inglaterra, no próximo dia 23, a entidade pretende proibir a instalação da maioria dos sensores eletrônicos que os bólidos da categoria carregam hoje.

A decisão foi tomada porque os técnicos da FIA desconfiam que alguns times escondem sob esses sensores dispositivos proibidos pelo regulamento. Pelo menos uma equipe fez todo mundo de bobo no ano passado, de acordo com o presidente da entidade, Max Mosley, que revelou ontem em Imola a disposição de brecar a roubalheira. "Não dizemos quem foi por falta de provas, mas acreditamos que um time usou controle de tração em 99 e precisamos evitar que essas coisas continuem", falou o dirigente.

No final de 93, a FIA estancou com uma canetada a invasão da eletrônica nos carros da F-1. Proibiu o uso de sistemas comandados por computadores, como os controles de tração (cuja função era evitar que os carros "patinassem" nas curvas, equalizando a potência despejada sobre cada roda), os câmbios totalmente automáticos, programados previamente nos boxes, e as suspensões ativas - que "liam" as irregularidades do asfalto e mantinham os carros sempre na mesma altura em relação à pista, erguiam o bico nas retas e abaixavam nas curvas, sempre sem a intervenção dos pilotos.

A FIA desconfia que um dispositivo usado por todos os times, o botão no volante que limita a velocidade na área dos boxes, possa estar sendo usado para esconder controles de tração ou algum sistema que otimiza o procedimento de largada. Em Silverstone, ele será proibido. "É quase certo que todos os pilotos vão ter problemas nos boxes, porque um carro de F-1 é quase incontrolável para andar a 60 km/h", diz Rubens Barrichello, da Ferrari. "Mas se a FIA acha que as pessoas estão fazendo controle de tração através do limitador, aí tem de ser tirado, não tem jeito. Isso é um pouco de pânico numa hora em que eles acharam que tem alguém fazendo alguma coisa que não deve. Se é desse jeito que eles acham que dá para ter certeza de que ninguém está roubando, é dessa maneira que tem de ser."

Segundo Mosley, a FIA soube que no ano passado uma equipe estava usando de recursos "inaceitáveis". "Não estou preparado para revelar qual foi o time, mas posso dizer que é uma equipe capacitada para fazer algo que não diz respeito a interpretação do regulamento, mas sim algo que fere as regras. O fato é que temos de parar de acreditar que grandes empresas jamais estariam envolvidas em trapaças. Não podemos mais confiar em ninguém", disse o dirigente.

Mosley contou que durante os testes de inverno deste ano a equipe trapaceira foi flagrada. "Mas como não temos 100% de provas, o melhor a fazer é colocar um ponto final nisso, sem discutir muito. Nossa função é garantir que as corridas sejam justas. Não há nada pior no automobilismo do que uma cultura de burlar as regras. Quando se chega a esse ponto, até o mais honesto dos homens tem de trapacear para ser competitivo."

As equipes suspeitas são McLaren e Ferrari. Não necessariamente nesta ordem.


Carros são monitorados

DA Warm-Up, Imola, Itália

Os carros de F-1, hoje em dia, têm sensores espalhados por todos os lados. Eles fornecem informações em tempo real para os engenheiros sobre os mais diversos parâmetros, como giros do motor, temperatura de óleo, água e freios, desgaste da borracha, comportamento do sistema hidráulico que comanda acelerador e câmbio, rigidez e movimento das suspensões - nada passa em branco. Nos boxes, diante de seus computadores, os técnicos sabem tudo o que acontece no carro durante uma corrida.

A FIA desconfia que muitos desses sensores escondem dispositivos proibidos. Em vez de apenas fornecer informações sobre determinados componentes, eles agiriam sobre eles - o que configuraria o que se chama de "ajuda externa" aos pilotos.

Outro problema para a entidade é a virtual impossibilidade de vasculhar os softwares que controlam determinadas funções de motor e câmbio. As equipes são obrigadas a liberar o acesso a eles para as vistorias técnicas. Mas qualquer "nerd" do mundo da informática sabe que esconder informações vitais em programas de computador é mais fácil do que cortar manteiga com faca quente.


Libera geral!

FLAVIO GOMES

Louvável a pretensão de Max Mosley de barrar a roubalheira na F-1. Mas inútil. Todas as iniciativas da FIA para evitar que seu regulamento seja driblado, quando se fala em eletrônica, têm sido um fiasco. O problema é que não há uma equipe que roube mais do que a outra. Há, sim, equipes que têm mais dinheiro para trapacear do que outras. E estas trapaceiam mais. Simples.

Desde o final de 93, quando a eletrônica embarcada — leia-se controle de tração, suspensão ativa e câmbio automático — foi proibida, os engenheiros da F-1 gastam boa parte de seu tempo bolando formas de esconder sob os chips que comandam seus carros dispositivos que, se detectados, podem resultar em humilhações públicas — desclassificações, pontos cassados, acusações de desonestidade.

Há suspeitas muito fortes, nunca provadas, de que a Benetton, em 94, tinha um sistema de largada automática jamais descoberto pelos técnicos da FIA. Os rumores sobre um eventual controle de tração que a McLaren usaria são frequentes há pelo menos dois anos. A Ferrari, incapaz de fazer algo igual, alimentava a boataria até, finalmente, desenvolver algo parecido.

Tudo isso, no entanto, não passa de suspeita. Alguns sistemas, como os de suspensão ativa, são impossíveis de esconder. Olhando o carro na pista dá para perceber se ele sacode menos do que devia. Em 98, a mesma McLaren inventou um sistema maluco de freios que dosava a carga sobre cada roda nas curvas, fazendo a função do controle de tração. Fotografias desvendaram a maracutaia, mostrando que em algumas freadas um disco ficava incandescente, e o outro não. A FIA proibiu.

Outros, no entanto, são impossíveis de descobrir. Estão ocultos por códigos e processadores microscópicos. Podem estar disfarçados de sensores minúsculos, enfiados no meio de cabos e tubos de titânio.

O jeito de evitar tanta marotice seria liberar geral. O que dá para controlar, que seja controlado — como o tamanho de componentes aerodinâmicos, altura em relação ao solo, medidas do carro, cilindrada, número de marchas, uso de determinados metais, aquilo que, afinal, é visível aos olhos dos comissários técnicos. O resto é difícil. Numa categoria que se vangloria de ser o supra-sumo da tecnologia, de transportar para os carros de rua aquilo que foi desenvolvido em laboratório e nas pistas, brecar o progresso parece ser um contra-senso. Por mais que as intenções sejam nobres.


Jaguar pode promover Burti

FÁBIO SEIXAS
Da Agência Folha – Imola, Itália

Piloto de testes da Jaguar, Luciano Burti, 25, pode se tornar o quarto brasileiro na F-1 a partir do GP da Espanha, em Barcelona, no início de maio.

Embora não haja confirmação, há fortes rumores de que Johhny Herbert deixará a categoria após a próxima etapa do campeonato, o GP da Inglaterra. Burti seria o substituto.

"Não posso dizer muita coisa, ainda não fui comunicado oficialmente de nada", afirmou ontem o piloto brasileiro. "Muita gente me perguntou isso hoje. Começou com a imprensa inglesa, depois a italiana, agora é a brasileira."

Na F-1 desde 1989, com 146 GPs disputados, Herbert é o segundo maior veterano da categoria. Perde apenas para o francês Jean Alesi, da Prost, com 169 corridas.

Vice-campeão da F-3 inglesa, Burti foi levado para a Stewart por Geraldo Rodrigues, seu ex-empresário, e por Rubens Barrichello, seu amigo pessoal. Foi bem-sucedido em treinos pela equipe em 1999 e foi mantido no posto pela direção da Ford, que comprou a equipe, rebatizando-a de Jaguar.

"Só posso garantir que na Inglaterra eu não corro. Se fosse correr lá, já estaria sabendo", declarou Burti.


FÓRMULA-3000

Junqueira faz pole em Imola

Da Warm-Up, Imola, Itália

O brasileiro Bruno Junqueira fez ontem a pole-position para a primeira etapa do Campeonato Internacional de F-3000, a última categoria antes da F-1 na hierarquia do automobilismo mundial. Piloto da Petrobras Jr., ele fez o tempo de 1min38s038 na segunda sessão de classificação em Imola. A corrida, primeira das dez etapas da competição, será disputada hoje.

Mais quatro brasileiros disputam o campeonato. O companheiro de Junqueira, Jaime Melo Jr., larga em quarto. Ele é estreante na categoria. O quinto no grid é Enrique Bernoldi, da Red Bull Jr., time-satélite da Sauber. Mario Haberfeld, da Fortec, sai em décimo. Ricardo Maurício, também da Red Bull, é o 13º.

Dos 30 pilotos que treinaram, 26 largam. Entre os quatro que ficaram fora da corrida está o russo Viktor Maslov, da Arden Team Russia, uma equipe financiada por empresas do país, cujo patrocínio principal está pintado na lateral de seus carros vermelhos em alfabeto cirílico.


TÊNIS

Guga garante o empate para o Brasil

Está empatada a disputa entre Brasil e Eslováquia. Guga e Oncins jogam hoje com a missão de virar a disputa

MÁRIO MOREIRA E ALEXANDRE GIMENEZ
Da Agência Folha – Rio

Após 6h04min de confronto, deu empate. Brasil e Eslováquia terminaram o primeiro dia de disputa da série quartas-de-final do Grupo Mundial da Copa Davis, no Rio, em igualdade.

O eslovaco Dominik Hrbaty, principal atleta da equipe européia (47º colocado no novo ranking mundial), manteve o seu ótimo retrospecto contra Fernando Meligeni (88º do mundo) e superou o brasileiro em fáceis 3 sets a 0 (6/1, 7/5 e 6/2), em apenas 2h11min. Antes dessa partida, Hrbaty havia batido o brasileiro em quatro oportunidades.

Depois, Gustavo Kuerten, oitavo no ranking mundial, teve que superar a sua irregularidade e o cansaço para empatar a série, superando Karol Kucera, número 90 do mundo, por 3 sets a 2 (2/6, 6/3, 4/6, 7/5 e 6/1), em 3h53min. No primeiro set, por exemplo, Kuerten não conseguiu confirmar nenhuma vez o seu serviço.

"A guerra continua. Eles não podem pensar que vão ganhar todas as partidas por 3 sets a 0", disse Meligeni após a sua derrota para Hrbaty, antes mesmo de saber o placar da partida de Kuerten.

A série continua hoje com o jogo de duplas, entre as parcerias formadas por Kuerten e Jaime Oncins, pelo Brasil, e Hrbaty e Kucera, pela Eslováquia.

Amanhã, a partir das 9h, enfrentam-se Kuerten e Hrbaty, seguidos de Meligeni e Kucera.

Pelo regulamento da Copa Davis, classifica-se para a semifinal da competição o país que obtiver três triunfos. O vencedor da série entre Brasil e Eslováquia enfrentará Austrália ou Alemanha, que estão jogando em Adelaide - os australianos fecharam o primeiro dia com vantagem de 2 a 0.

A última vez que o Brasil chegou à semifinal da Davis foi em 1992, quando superou, também no Rio de Janeiro, a Alemanha - que na época contava com Boris Becker, um dos melhores tenistas desta década.

Antes da criação do Grupo Mundial, o time brasileiro foi finalista da Zona Internacional em 1966 e 1971 - este era o último passo antes da final do torneio.

A classificação para a semifinal da Davis, o mais importante torneio entre países do circuito, tem um significado especial para Kuerten. Essa é das poucas competições em que ele - o primeiro e único brasileiro até agora que conquistou um Grand Slam e colocou-se entre os dez melhores do ranking - não obteve sucesso.

Desde que passou a integrar a equipe brasileira, em 1996, o melhor resultado obtido por Kuerten no torneio foi a classificação para as quartas-de-final, no ano passado e na atual temporada. No início do ano, o brasileiro afirmou que a Davis e Roland Garros são as suas prioridades para este ano.


Quadra prejudica os jogadores

Por Mário Moreira e Alexandre Gimenez, Enviado especial

Da Agência Folha – Rio

A estratégia da equipe brasileira de encharcar a quadra montada no Marapendi Racket Center para favorecer a performance de seus atletas revelou-se exagerada.

Antes do início da primeira partida de ontem, entre Fernando Meligeni e Dominik Hrbaty, os extremos da quadra central tiveram que ser raspados para tirar o excesso do pó de saibro, que quase transformou-se em lama por causa do acúmulo de água.

Mesmo assim, Meligeni e Hrbaty tiveram problemas e acabaram escorregando algumas vezes durante a primeira série.

No intervalo para o segundo set, a quadra foi novamente molhada para a compactação da camada superior do saibro, que com o calor acabou secando e transformando-se em pó.

Porém a ação acabou sendo excessiva. Os juízes do confronto tiveram que interromper a partida por cerca de dez minutos para esperar que o piso secasse. Para ajudar no processo, mais pó de saibro foi jogado na quadra. "A quadra estava perfeita. O problema foi que jogaram muita água no intervalo. Depois, ficou tudo normal", afirmou Meligeni.

Durante a semana, os brasileiros orientaram o time de manutenção a molhar o máximo possível a quadra para deixar o piso macio. Essa condição favorece os jogadores de quadra lenta, já que permite ao atleta "deslizar", compensando a falta de velocidade para chegar à bola.


Árbitro adverte os torcedores

Da Agência Folha – Rio

O time brasileiro foi advertido pelo juiz australiano Wayne McKewen por causa da atitude da torcida durante o set final da partida entre Gustavo Kuerten e Karol Kucera. McKewen não aprovou as constantes manifestações do público durante os saques do eslovaco.

Segundo o código de conduta da ITF (Federação Internacional de Tênis), em caso de mau comportamento dos torcedores, as punições variam da simples advertência até a eliminação da equipe.

As manifestações inoportunas do público já preocupavam a direção da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) desde o início da semana. A entidade mandou imprimir uma "cartilha" para tentar "ensinar" ao público como torcer numa partida de tênis.

Em 1992, o Brasil foi punido pela ITF com a perda de um mando de jogo na Davis por causa dos incidentes registrados no confronto com a Alemanha, também no Rio.

O problemas com os torcedores começaram já na partida entre Fernando Meligeni e Dominik Hrbaty. No segundo set do confronto, uma pessoa lançou um pedaço de papel dobrado na quadra.


CICLISMO

Liga mato-grossense promove amanhã uma etapa do estadual   

MARCIA MARAFON
Da Reportagem

Acontece amanhã a terceira etapa do 1o Campeonato Estadual de Ciclismo, promovido pela Liga Mato-grossense de Ciclistas. O evento terá início às 9h, com largada na avenida Beira Rio Aquário Municipal até o contorno do Supermercado Modelo Beira Rio e retornando ao local da partida. O percurso é de 40 quilômetros e as inscrições podem ser feitas no local, o valor é de R$ 5,00.

Esta é a terceira, das doze etapas do Campeonato que tem a participação de cinco categorias. Estão sendo esperados, pela organização, mais de 50 participantes. Estão confirmadas a presença de atletas de Cáceres, Tangará da Serra, Nova Olímpia, Rondônia, Cuiabá e Várzea Grande.

A premiação para este circuito é a arrecadação do valor das inscrições que serão divididas entre os três primeiros colocados. O curioso da prova é que nas duas primeiras etapas nenhuma mulher participou.

O objetivo da Liga Mato grossense de Ciclistas é, com este campeonato, em 2001, participar de provas fora do estado.

O vencedor é o atleta que conseguir maior número de pontos. Nas duas etapas já realizadas, Elivelton Souza está em primeiro lugar na categoria Ciclismo Elite. O atleta Kerman está em primeiro na categoria Balão MTB/Elite e na categoria Ciclismo Master, Kim Fernandes está na frente. Os três atletas são de Cuiabá.


Guga diz que não foi fácil

Da Agência Folha – Rio

O tenista brasileiro Gustavo Kuerten reconheceu, após derrotar Karol Kucera, que entrar na quadra em seguida à derrota de Fernando Meligeni foi uma situação "difícil".

"Não é a condição que gostaria de encontrar. É difícil entrar perdendo o confronto por 1 a 0, mais ainda quando se perde o primeiro set, como aconteceu comigo", afirmou Kuerten.

"Mas esse é justamente o charme da competição, ter que lidar com a obrigação de ganhar", acrescentou.


CAMPEONATO MATO-GROSSENSE

Corinthians tenta manter tabus com o time reserva

A ordem é vencer a Matonense e manter os 100% de aproveitamento

Da Agência Folha – São Paulo

Com dez reservas no time, o Corinthians enfrenta hoje a Matonense, às 15h, em Matão, correndo o risco de perder três marcas que o clube tem atualmente no Campeonato Paulista.

Com uma derrota hoje, o Corinthians irá perder uma invencibilidade de três anos e 13 jogos no interior do Estado pelo Paulista.

Uma vitória da Matonense também quebra uma série geral de 15 jogos, que começou no ano passado, sem derrota do time da capital no Campeonato Estadual.

Por último, com um empate ontem o time perde o aproveitamento de 100% dos pontos disputados no Paulista-2000.

"É uma situação de emergência, mas é um risco calculado", diz o técnico Oswaldo de Oliveira, sobre a estratégia de usar os reservas enquanto os titulares treinam em Quito para o jogo da terça-feira, contra a LDU, pela Libertadores.

Para montar o time, Oliveira precisou fazer improvisações.

O zagueiro Márcio Costa joga na lateral esquerda, já que Édson, recém-contratado, ainda se recupera de contusão.

Com isso, Oliveira também irá promover a volta de Batata, afastado do time titular há um ano.

"A falta de entrosamento vai exigir mais sacrifício, mas o Corinthians vai jogar pensando na vitória", afirma Oliveira, que amanhã, com mais nove jogadores, viaja para se juntar ao resto do elenco no Equador.

No ataque, o Corinthians também tem problemas. Fernando voltou a sentir uma contusão, obrigando Oliveira a escalar Gil, 19, que irá formar o ataque do time com Dinei.

"Tenho que jogar bem para depois ter outras chances", afirma Gil, que começa uma partida como titular do Corinthians pela segunda vez na carreira.

Para o próximo jogo do Campeonato Paulista, na próxima quinta-feira, mais uma vez contra a Matonense, o Corinthians pode usar os reservas novamente.

"Tudo depende dos próximos jogos", diz Oliveira, sem se preocupar com uma possível punição financeira da Federação Paulista.

MATONENSE

Hiran; Nelsinho, Gérson, Adeílson (Maurício) e Marcão; Alexandre Silva, Guará (Marcelinho), Piá e Marco Aurélio; Júlio César e Gílson Batata. Técnico: Luís Carlos Ferreira

CORINTHIANS

Maurício; Índio, João Carlos, Batata e Márcio Costa; Marcos Senna, Edu, Luiz Mário e Andrezinho; Gil e Dinei. Técnico: Oswaldo de Oliveira

Local: estádio Dr. Hudson Buck Ferreira, em Matão

Horário: 15h

Juizes: Ilson Honorato dos Santos e Sálvio Espínola Fagundes Filho


Scolari reclama da altitude

Da Agência Folha – São Paulo

"A altitude não é decisiva. Não serve nem vai servir como desculpa", disse o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, na véspera do jogo contra o The Strongest, pela Libertadores, em que o Palmeiras foi derrotado por 4 a 2 na Bolívia.

Ontem, porém, o técnico se rendeu aos 3.600 m de La Paz e usou sim a altitude como desculpa.

"Jogar lá não é fácil. A velocidade e o tempo da bola são diferentes. O jogador tem vontade, mas o raciocínio fica mais lento. A gente só não fala isso para o jogador antes da partida para ele não entrar em campo derrotado", disse.

O Palmeiras já havia perdido na Libertadores para o El Nacional, em Quito (2.850 m), por 3 a 1.

Luiz Felipe Scolari poupou o goleiro Marcos, que admitiu após a partida ter falhado em lances decisivos - o jogador deixou até sua vaga de titular à disposição, sugerindo ao técnico que escalasse Sérgio no jogo de amanhã contra o Rio Branco, pelo Paulista.

"Não foi só ele que falhou. O atacante falhou, o técnico falhou, o fisiologista falhou. Eu confio no Marcos. Eu posso escalar outro, mas não quero. Ele nos salvou mil vezes. Tem muito crédito. E vai readquirir a confiança jogando", disse o treinador palmeirense.

Marcos evitou falar com a imprensa ontem sobre o episódio.

Scolari está preocupado com a condição física de seus atletas, que têm três partidas até quinta-feira.

"A derrota em La Paz foi normal. O pior foi a viagem cansativa, a dor de cabeça que muitos jogadores sentiram na Bolívia", disse.

Para a partida de domingo, Scolari deverá contar com um importante reforço. O meia Alex está recuperado de uma lesão no joelho e tem presença confirmada.

O meia-atacante Marcelo Ramos, que não atuou na partida de ontem em La Paz porque não está escrito na Libertadores, também deve aparecer na equipe.


Machucado, Rogério pode desfalcar o São Paulo

Da Agência Folha – São Paulo

O goleiro Rogério poderá desfalcar o São Paulo no jogo de amanhã contra a Portuguesa Santista, no Morumbi, pelo Paulista.

Ele se machucou no treino de ontem à tarde, numa trombada com Sandro Hiroshi - o atacante, que está suspenso pela Justiça Desportiva por ter falsificado documentos, tentou driblar Rogério e os dois chocaram os joelhos.

De acordo com o médico são-paulino Luiz Augusto Gaspar, "Rogério sofreu um forte trauma no joelho direito, que está bastante dolorido. Vamos esperar para ver se ele melhora".

Se o titular não puder atuar, Paulo Sérgio o substituirá. A diretoria do clube estuda negociar o volante Alexandre com o Atlético-MG, que fez uma proposta para tê-lo por empréstimo.

Os dirigentes aguardavam a autorização de Levir Culpi para negociar o volante, que vem ficando na reserva. Ontem, o treinador deu aval à transação, mas disse que o empréstimo teria que ser por pouco tempo.

Na partida de domingo, o meia Raí, autor do gol da equipe na derrota por 2 a 1 para o Comercial-MS, pela Copa do Brasil, na última quarta-feira, deve permanecer na reserva.


CAMPEONATO CARIOCA

Edmundo não deve atuar no clássico

Rio de Janeiro

Um exame clínico na manhã de amanhã vai definir a participação do atacante Edmundo, no clássico contra o Botafogo. A opinião do jogador também deve ser levada em conta pelos médicos para decidir se vão liberá-lo. Edmundo tem um edema no tendão de aquiles do pé direito e não treinou novamente ontem. Sem participar de nenhum coletivo essa semana, o atacante dificilmente vai jogar e deve ser substituído por Viola.

O técnico Abel Braga parece conformado em não contar com um dos seus dois principais jogadores no clássico que pode definir o primeiro turno do Campeonato Carioca. "Se ele não puder jogar, paciência, entra o Viola", lamentou. O treinador garantiu que vai esperar o resultado do exame para definir o time.


Falta de criatividade deixa técnico do Flamengo preocupado

Rio de Janeiro

O treinador Paulo César Carpegiani admitiu que há falta de criatividade ao meio-campo do Flamengo.

Ele ficou convencido disso depois da modesta vitória de 1 a 0 sobre o Ríver, na última quarta-feira, no Maracanã, pela Copa do Brasil.

"Pedi para que o Iranildo não corresse muito em campo, mas nada adiantou. Ele se esforçou demais e com apenas 20 minutos de jogo cansou. Isso não pode acontecer", disse.

"Além disso, estamos enfrentando alguns problemas, pois alguns jogadores estão retornando e a equipe também fica meio indecisa quando está diante do gol", comentou Carpegiani.

Iranildo discorda do treinador e diz que o problema está nas finalizações:

"Acho que não falta criatividade ao meio-campo. Creio que as finalizações é que não estão saindo direito. Contra o Ríver tivemos várias oportunidades de gol e não as aproveitamos - explicou Iranildo.


CAMPEONATO MATO-GROSSENSE

Berga é favorito contra o Cáceres

Dono do melhor ataque do estadual, o Berga quer buscar mais uma goleada, mesmo jogando em Cáceres

MARCIA MARAFON
Da Reportagem

Mesmo com problemas na sua praça de esportes, o estádio Geraldão, o Cáceres vai jogar contra o Berga, amanhã, às 16h. O dono da casa está confiante na vitória. O adversário também. Pelo visto o jogo será bem movimentado. A equipe cuiabana joga sem Robledo e o zagueiro Batista retorna ao time.

Ontem o Cáceres realizou o apronto final. Na oportunidade o técnico Baianinho aproveitou para conversar muito com seus jogadores e insistir para que tenham atenção durante a partida para que o Berga, que tem um ataque considerado arrasador não consiga criar oportunidades de gols. "O Berga tem um time muito bem armado e que vem fazendo muitos gols. Vamos ter de tomar cuidados no sistema defensivo. Se conseguirmos isso vamos sair com a vitória", ensina.

Já pelo lado do Berga o clima é de euforia. Jogadores e comissão técnica sabem que passam por um excelente momento e que é importante aproveitar esta fase para buscar mais uma vitória. O técnico Eder Taques comandou na tarde de ontem o apronto e tem certeza de que se sua equipe tiver tranquilidade e humildade tem tudo para sair com mais três pontos. "Vamos Ter de respeitar o Cáceres, que vai jogar em casa e com o apoio de sua torcida. Se o Berga mostar o mesmo ritmo que apresentou nas outras partidas e muita objetividade pode vencer", diz

Robledo cumpre suspensão automática neste jogo. A novidade é o retorno do zagueiro Batista que também cumpriu suspensão automática por uma partida.

Dito Siqueira que estava machucado, se recuperou mas fica no banco, e pode entrar em campo no decorrer da partida.

No Cáceres estreia Farias, que é, como todos os jogadores do time, prata da casa. A equipe está com provável escalação. O técnico Baianinho está em dúvida quanto a zaga. Damião, que sofreu uma torção no tornozelo está em tratamento intensivo. Agora pela manhã no recreativo, Baianinho define se ele joga ou se entra o zagueiro Abacate.

Clodoaldo e Chiquinho voltam da suspensão automática que cumpriram no jogo contra o Grêmio de Jaciara, no domingo passado.

CÁCERES

Ronaldo; Miguel, Vaguinho, Damião (Abacate) e Farias; Chiquinho, Kelão, Clodoaldo e Maradona; Pelezinho e Lourival. Técnico: Baianinho.

BERGA

Heverton; Odair Junior, Marcelão, Batista e Hugo; Odielson, Indio, Yuca e Moreno; Valdo e Jair. Técnico: Éder Taques.

Juiz: Edilson Ramos da Mata

Local: Estádio Geraldão (Cáceres)

Horário: 16h


Sinop busca a reabilitação

Da Reportagem

O Sinop está com novos reforços para o jogo contra o União, de Rondonópolis, hoje, no estádio Municipal de Sinop, às 20h. Uma das contratações é Tatau, artilheiro pelo mesmo Sinop no Campeonato Estadual do ano passado.

O União, após a desclassificação na Copa do Brasil, quando perdeu em casa para o Grêmio Porto-alegrense por 4 a 0 - nas duas primeiras fases da Copa do Brasil, se o time visitante vencer por uma diferença de dois se classifica, eliminando o segundo jogo - demitiu e contratou novos jogadores, entre eles um goleiro, que estréiam neste jogo.

Agora, como o pensamento voltado apenas para o Campeonato Estadual/2000, mesmo jogando fora de casa o União promete lutar por um bom resultado. A equipe foi formada recentemente e espera-se que o conjunto seja adquirido com o decorrer dos jogos.

Pelo lado do Sinop, que pela Copa do Brasil venceu o Ubiratan de Mato Grosso do Sul, a vitória é tida como muito importante, já que na sua estréia foi derrotado, em casa, pelo Palmeiras de Barra do Bugres. O Sinop, que na próxima fase da Copa do Brasil enfrentará o São Paulo ou o Comercial-MS, chegou a condicionar a sua permanência do estadual ao seu desempenho na Copa do Brasil. O presidente do clube, Aldair Cavaglieri, chegou até a falar em desistir do campeonato caso seu time não passasse para a fase seguinte da Copa do Brasil.

O Sinop ainda não terminou o seu ciclo de contratações e demissões. O goleiro Marcos Roberto, titular contra o Ubiratan no jogo de volta e contra o Palmeiras de Barra do Bugres foi dispensado. O motivo foi o pedido de aumento de salário. O time não aceitou o reajuste proposto pelo jogador. Aranha, será o goleiro para o jogo contra o União.

O clube está negociando com o goleiro Vilson, que está disputando em Foz do Iguaçu(PR), a série B do Campeonato Paranaense.

Segundo informações, o que estaria atrapalhando sua vinda para o Sinop seria a quebra de contrato. Ele tem contrato com o clube paranaense de quatro meses, o que impossibilita o clube mato-grossense de pagar a rescisão do jogador.

Tatau, que chegou ontem à tarde em Sinop, estava parado desde julho do ano passado. Ele sofreu uma contusão e passou por duas operações. Ontem mesmo começou o tratamento de fisioterapia e hoje já treina com bola. A expectativa do técnico é de que em 30 dias ele possa voltar a jogar. O lateral-esquerdo Everaldo estréia no Sinop no jogo de amanhã. Ele jogava no futebol amador do Paraná e se profissionalizará no clube mato-grossense.

UNIÃO

O time do União fez um coletivo apronto ontem de manhã e viajou para Sinop às 14h. Três reforços vão estrear. O goleiro Daia, "prata da casa", entra no lugar de Jeferson que, após péssimas partidas, finalmente desceu na barca. Mesmo assim, o União está procurando um goleiro titular. Em negociação está o goleiro Hugo, do Atlético Mineiro.

Estreiam também o meio-campista Gerson Caçapa e Cocão, que estava disputando pelo Sinop a Copa do Brasil. Vale lembrar que em menos de duas semanas o jogador que defendia o Sinop vai estar jogando contra. A escalação oficial só será dada momentos antes da partida, já que o técnico Edson Buaro tem uma dúvida. O lateral-esquerdo Augusto ainda está em recuperação de uma contusão e poderá ser substituído por Souza. (Colaborou Rosivaldo Senna)

 

SINOP

Aranha; Saci, Silva, Paraúna e Suliman; Elias, Tiganá, Alexandre e Marcelinho; Índio e Newton. Técnico: Nilo Neves.

UNIÃO

Daia; Bira, Cocão, Viana e Augusto (Souza); Baré, Gerson Caçapa, Barbosa e Claudinho; Edmilson e Zumbi. Técnico: Edson Buaro.

Juiz: Ari Euclides Pereira

Local: Estádio Gigantão do Norte (Sinop)

Horário: 20h30


Palmeiras recebe o Jaciara

Da Reportagem

O Palmeiras de Barra do Bugres enfrenta o Grêmio de Jaciara, amanhã, às 15h30, no estádio municipal de Barra do Bugres. A equipe barra-bugrense, está com alguns jogadores contundidos. O técnico Mosca está com dúvidas quanto à equipe que joga amanhã e vai decidir alguns jogadores somente momentos antes da partida.

Mosca informou que três de seus atacantes estão contundidos. Marquinhos, que estava voltando de uma suspensão automática que sofreu no jogo contra o Sinop, teve uma torção no treino de ontem e poderá ficar fora do jogo.

Renato Mineiro e Rivair que se machucaram antes do jogo da semana passada e não participaram da partida contra o Sinop. "O Rivair está com uma contratura muscular e fica no banco. Os três estão em tratamento e provavelmente ficam no banco.

O time de Jaciara está confiante na vitória. Dois jogadores estão no departamento médico, os meio-campistas, Toninho e Andrezinho, que se contundiram no último jogo, mas segundo o técnico, Amilton Brandão "provavelmente vão jogar."

Ontem aconteceu um treino recreativo antes da viagem até Barra do Bugres no sábado de manhã.

PALMEIRAS

Adilson; Douglas, Edinho, Cícero, Renatinho e Bicó; Jonas, Valdecir e Geraldinho; Cristiano e Marcelo. Técnico: Mosca.

GRÊMIO

Neto; Alexandre, Tucho, Pereira, Joãozinho e Binha; Toninho, Airton Calango e Robson; Matheus e Ailton. Técnico: Amilton Brandão.

Juiz: Aparecido Claudino da Silva

Local: Estádio Municipal de Barra do Bugres

Horário: 15h30


Clubes buscam patrocinadores

Da Reportagem

É sabido que o futebol de Mato Grosso não vai bem das pernas... e do bolso. Os torcedores desanimados, sumiram dos estádios e a pergunta é: O que fazer para reerguer, reestruturar os clubes do estado? A resposta é simples. Parceria. Patrocínio. Afinal foi o futebol que projetou o Brasil no exterior e tornou Pelé, a pessoa mais conhecida do mundo.

E foi Pelé que aprimorou a lei Zico, que trouxe, da Europa para o Brasil, a novidade de transformar times em clube-empresa. Como a lei Pelé já foi sancionada em 24.3.98, a partir de 2001, todos os times profissionais, para disputar qualquer campeonato, deverão ser controlados por empresas, ou seja, transformarem-se em clube-empresa.

As dirigentes são unânimes em afirmar que os clubes de Mato Grosso precisam mesmo é de patrocínio.

BERGA - O técnico do Berga Esporte Clube, Éder Taques, que exerce também função burocrática no clube declarou que ao contrário do que todos pensam, há mais de um ano o clube sobrevive apenas do bolso de seu presidente, o empresário do setor imobiliário e construção civil, Éttore Bergamaschi.

Éttore é italiano, de Bérgamo e reside em Cuiabá há 15 anos. Éder não descarta a possibilidade de manter parcerias com times da Europa, mas por enquanto diz que não tem nada de concreto. "Com empresas do estado também estamos mantendo contato, mas as conversas estão no princípio. Por enquanto só conversas", conversou Éder.

A intenção do clube, para este ano, é disputar o campeonato mato-grossense e seguir para a Itália para realizar algumas partidas. "Está bastante adiantada as conversações. Falta ser oficializada para jogar na Europa."

Outra boa intenção do Berga e todos os outros times mato-grossenses, é o de chegar à primeira divisão do futebol brasileiro. "Para chegarmos na primeira divisão e representar Mato Grosso, precisamos de patrocínio ou parcerias, afinal para sairmos da terceira e irmos para a primeira deve demorar uns quatro anos", explicou o técnico.

O Berga tem hoje uma despesa mensal de R$ 25 mil reais. Possui sede própria e treina no campo, arrendado por um ano, da Codemat. Ao todo são 25 jogadores alojados e 13 funcionários entre comissão técnica e serviços elementares.

Na opinião do técnico, e que segundo ele, ilustra o pensamento da diretoria, o futebol de Mato Grosso só precisa de um empurrão. "Se os clubes se unissem, se empenhassem para levar o torcedor de volta ao estádio, seria mais fácil. Uma das formas é não cobrar ingresso de mulheres e crianças. O que falta no futebol brasileiro de um modo geral é uma maior exploração."

OPERÁRIO - O presidente do Esporte Clube Operário, João Carlos de Oliveira Santos, também acredita que o futebol mato-grossense tem jeito e condições de chegar a primeira divisão, mas de uma maneira um pouco diferente. "Tudo mudou. Antigamente conseguíamos muitos abnegados para trabalhar em prol da paixão que era o futebol. Hoje não temos mais ninguém, se o time não tem parceria não consegue nada. A solução é vender o Campeonato para alguma televisão para cobrir pelo menos as despesas do clube."

As despesas do Operário são altas, mas sem números. O clube mantém mais de 20 jogadores alojados no Centro de Treinamento do Tio Sam em Várzea Grande e segundo o presidente só a renda dos jogos não cobrem um terço dos gastos.

Ele acrescentou que uma das soluções para levar o torcedor de volta ao estádio é de abrir os portões. "Mas para abrir os portões, que eu até concordo, teríamos que ter patrocínio. Ou então fazer sorteio de brindes para os torcedores que comparecessem ao estádio. É uma forma de incentivar o público." E concluiu. "O que precisamos é de patrocínio para contratar grandes craques e montar uma boa equipe."

João Carlos também alencou fatores que impedem uma melhora no futebol mato-grossense. "Além da falta de patrocínio, os torcedores não têm ônibus suficientes que os levem até o estádio. Outro fator é a falta de segurança nos estádios."

Sobre o projeto do deputado José Riva, o presidente afirmou que está de acordo. "Tem que se tentar coisas novas e criativas porque futebol é paixão mas os dirigentes não podem arcar com as despesas do clube sozinhos."

O diretor do clube, Wandir Sguarezzi está em negociação com a Tele Centro Sul, já há alguns dias e segundo informações o contrato de patrocínio deverá ser fechado até o dia 18 deste mês.

MIXTO - Mesmo com um patrocínio de R$ 100 mil da Rede/Cemat, o presidente do Mixto Esporte Clube, Orlando Craici está a procura de melhores condições para conseguir que o clube chegue até o final do campeonato.

Conforme Orlando Craici, hoje as despesas do Mixto chegam à R$ 50 mil mensais com folha de pagamento e demais despesas.

Ele acredita que com a ajuda da torcida o time ganhará estímulo para continuar acreditando na final do Campeonato. "Estamos carentes de patrocínio e acho difícil reerguer o futebol do estado assim. Mas pretendemos disputar a terceira divisão e chegar pelo menos até a segunda."

Conforme o presidente, "se tivesse patrocínio poderia até abrir os portões do estádio para que o torcedor voltasse a participar dos jogos. Mas sem o patrocínio ou mesmo parceria é quase impossível fazer isto. De onde tiraríamos o dinheiro para arcar com as despesas", pergunta.


Verdão comemora hoje 24 anos

Da Reportagem

Não é só Cuiabá que aniversaria hoje. O estádio Governador José Fragelli, o Verdão também. No dia 8 de abril de 1976, 44.021 pessoas estiveram presente na inauguração do maior estádio de Mato Grosso. Neste dia jogaram, em rodada quadrangular inaugural, Mixto e Dom Bosco e Flamengo, com Zico, contra o Operário.

No primeiro jogo, o Mixto goleou o Dom Bosco de 3 a 0. E o Flamengo ganhou do Operário por apenas um gol.

Na história do estádio ficou gravado o primeiro gol oficial do gramado. Pastoril, meio-esquerda do Mixto, abriu o placar e num bonito lance marcou 1 a 0 contra o Dom Bosco.

Muitos times já passaram por lá. Jogadores que despontaram e fizeram carreira no futebol. Outros terminaram suas vidas no gramado que tanta alegria levou aos torcedores.

Hoje o Verdão está sendo palco apenas do Campeonato Estadual e não é frequentado por tantos torcedores afoitos por gols.


CAMPEONATO MATO-GROSSENSE

Torcida sonha com os velhos tempos

O sonho do torcedor é ver craques como Bife, Mosca, Ruiter e Gilson Lira, que mostravam um futebol arte

ROSIVALDO SENNA
Secretário de Redação

Hoje, Mixto e Operário fazem, no Verdão, o primeiro do chamado "clássico dos milhões" válido pelo Campeonato Estadual/2000. A partida tem tudo para reeditar a velha rivalidade entre as duas torcidas. Afinal, os dois times não se enfrentam há mais de dois anos. O Mixto, mergulhado na sua maior crise da história, abandonou o campeonato, voltando este ano. O Operário, que desmontou seu time de craques, continuou nos campeonatos seguintes como mero participante, um verdadeiro saco de pancadas, possibilitando que times do interior do estado, como Sinop e Juventude, assumissem a hegemonia do futebol mato-grossense. Mas, para este ano, os dirigentes, tanto do Operário como do Mixto, afirmam que tudo será diferente.

Mesmo com contratações ainda muito aquém dos times de craques que tiveram no passado, e com fraca participação neste início de campeonato, ambos estão se reforçando e prometendo, a partir deste domingo, uma "nova era" para o futebol do estado.

E este clima de euforia já começa a conquistar as torcidas que deverão comparecer em massa no Estádio Governador José Fragelli. As torcidas organizadas prometem verdadeiros duelos, incentivando seus times.

Os torcedores mais antigos tentam deixar de lado a razão e partem para a emoção. As críticas não são direcionadas apenas aos dirigentes que, ao longo dos anos, destruíram o pouco de organização que existia. O Operário perdeu tudo que tinha. No jogo de vaidades, mas em "nome da sua reestruturação", mudou de Clube Esportivo Operário Varzea-grandense para Operário Esporte Clube.

"Não acrescentou nada. Apenas encerrou aquele clube de glórias para dar lugar a um clube medíocre, sem expressão e endividado. E se não bastasse a incompetência desses dirigentes, ainda temos uma federação que só pensa nela, se esquecendo que para que tenha dividendo é preciso ter times fortes", afirmou o operariano Ataíde Barbosa Lima.

Acostumado a freqüentar o estádio Eurico Gaspar Dutra, o Dutrinha, onde viu craques como Bife; Gilson Lira; César, o "Diabo Loiro"; Mosca; Fião; Gerson Lopes e outros defendendo o seu tricolor, disse que temeu quando da inauguração do Verdão. "Mas o começo foi excelente. Grandes times, grandes jogos e grandes torcidas. Qualquer jogo amistoso ou válido pelo campeonato era motivo para lotar o estádio. Mas tudo acabou e hoje vivemos do passado. Porém, mesmo a contra-gosto da federação vamos reerguer o nosso futebol. Se depender de nós, torcedores operarianos, os bons tempos voltarão", afirmou Ataíde Barbosa Lima.

O Mixto Esporte Clube, depois de desastradas gestões, perdeu até a sua sede na avenida Getúlio Vargas. A velha guarda bem que tentou reeguer o time. Mas os esforços foram em vão. Os tempos eram outros e a prioridade da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), na eterna caça de votos, deixou de ser os grandes clubes da Capital.

Já para o estudante de Direito Elisson Luiz, a decisão de torcer para o Mixto Esporte Clube se deve a torcida "Boca Suja". "Dessa fase gloriosa do Mixto só sei através dos torcedores mais antigos. Os últimos suspiros, já na fase Verdão, não peguei muita coisa porque ainda era muito pequeno. Passei a torcer para o alvinegro justamente no ano em que ele fez a sua última participação no campeonato. E foi a torcida "Boca Suja" que me fez decidir pelo Mixto. E foi num domingo no Dutrinha, contra um time do interior, quando a "Boca Suja" foi fantástica", disse.

Mesmo descontente com tudo que vem acontecendo com o futebol no estado, principalmente o da Capital, Elisson Luiz ainda crê em dias melhores e, segundo ele, para isso basta o presidente da Federação Mato-grossense "entregar o boné" e os dirigentes se conscientizarem de que bom futebol necessita de organização e craques. "Espero que uma nova página do futebol mato-grossense comece a ser escrita a partir deste domingo e que o Mixto vença e convença", concluiu.


Zé Pulula prega o profissionalismo

Da Redação

A possibilidade da recuperação do futebol de Mato Grosso, que para muitos torcedores começa amanhã, com o jogo Mixto e Operário, o antigo "clássico dos milhões", vem mexendo com as torcidas, jogadores e dirigentes. Pelo lado do Operário, que chegou a adiar um jogo - o da última quarta-feira, por falta de jogadores - não tinha goleiro - está e a oportunidade de firmar-se de vez no Campeonato estadual/2000.

E mesmo com um time montado às pressas, o otimismo é muito grande. E toda essa euforia mexe também com os ex-jogadores. José Eustáquio da Silva, ou simplesmente Zé Pulula, defensor por muitos anos da ponta-direita operariana, torce pela recuperação do futebol mato-grossense. Hoje, radialista e assessor de imprensa da Câmara Municipal de Várzea Grande, Zé Pulula ainda reserva uma parte de seu tempo para o futebol e, inclusive, está lançando um livro sobre a história do Operário.

Mesmo considerando uma tarefa muito difícil, Zé Pulula ainda acredita na recuperação do futebol de Mato Grosso. Mas para que isso aconteça, sugere várias mudanças. "Antes de mais nada é preciso que a coisa seja feita com profissionalismo, tanto por parte dos clubes como da Federação Mato-grossense de Futebol. Tudo tem que ser repensado. Horário, patrocínio e contratações. Não basta contratar jogadores baseados apenas na indicação de empresários, porque no dia seguinte a barca volta lotada", disse Pulula.

Sobre a queda de público nos estádios, o ex-jogador culpa, além da falta de craques, a concorrência cruel com as televisões. "Estamos pagando o preço do progresso. Antigamente, não tínhamos este bombardeio de jogos ao vivo e a única opção era ir ao estádio. Mas tudo poderia ser contornado. Por que a federção não marca os jogos de domingo, por exemplo, no período da manhã? Em 73, empatamos em 1 a 1 com o São Cristivão, do Rio, no Dutrinha, com casa cheia."

Outro ponto importante para Pulula para que o futebol melhore, é a mudança de comando da FMF. "Não que o Carlos Orione seja um mau administrador. É que a entidade precisa de uma nova mentalidade, de pessoas mais engajada com a modernidade que está aí." Para o jogo de hoje, Pulula não quis arriscar palpites, mas disse que espera uma boa vitória do Operário. (R.S)


Pupula prepra um livro que conta história do Operário

Da Redação

Dono de um imenso acervo histórico do Operário de Várzea Grande, em entrevista exclusiva para o Diário, Zé Pulula falou sobre os bons e maus momentos do clube. O ex-jogador deverá lancar nos próximos meses um livro contando a história do Operário, seus títulos, jogadores e fatos interessantes.

Vindo do Londrina-PR, o jogador chegou para o Operário em 1973, e ajudou o tricolor a conquistar o campeonato estadual daquele ano que, segundo ele, foi decidido em fevereiro de 74, antes da divisão do estado, e pela primeira vez integrando os times do hoje Mato Grosso do Sul.

O time campeão de 73, pelo menos o da foto oficial, era: Carlos Pedra; Paulinho, Malaquias, Gaguinho e Lira; Dirceu Batista, Valdécio e Ruíter; Pulula, Bife e Odenir. O título foi disputado entre Operário e Dom Bosco, numa melhor de quatro pontos.

"No primeiro jogo perdemos por 2 a 1. O segundo foi 0 a 0. Com melhor campanha, fomos para a decisão com um ponto de bonificação e na época a vitória valia 2 pontos. Com isso, o Dom Bosco foi para o último jogo necessitando apenas do empate. Vencemos por 4 a 1 e demos a volta olímpica", disse Pulula.

O time do Dom Bosco era: Moacir; Luiz Carlos, Saborosa, Miro e Bota; Adalberto, Celsinho e Marinho; Jota Alves; Zezé e Ernani. Uma das formações do Mixto em 74 era: Josias; JK, Felizardo, Fernandão e Luziano Adão; Rômulo, Cicílio e Nato; Renê, Filinto e Arnon. (R.S)


CAMPEONATO MATO-GROSSENSE

Nha Barbina e a paixão pelo Mixto

Torcedora símbolo ela diz que quer ver seu Mixto voltar a dar grandes alegrias como nas décadas de 70 e 80

MARCIA MARAFON
Da Reportagem

2 a 1. Este é o placar que a torcedora símbolo do Mixto, Nha Barbina quer ver no jogo de amanhã, entre seu time do coração e o Operário, no Verdão. O Mixto Esporte Clube sempre esteve presente na vida dessa senhora que em agosto completa 80 anos e que desde os dezoito elegeu o Mixto como o "melhor do Mato Grosso".

Fundadora da primeira torcida organizada do Mixto, a torcida "O mais querido", de 15 de agosto de 1975, ela conta que sua paixão pelo futebol e mais, pelo Mixto, nasceu quando, muito religiosa, foi ajudar na venda de ingressos para um jogo entre Mixto e Operário, em que a arrecadação ajudaria o padre Quirino da Catedral Metropolitana. "Vendi os ingressos e fui assistir o jogo. Como o centro-avante, Carlos Leônidas (quem não se lembra), era jogador do Mixto comecei a torcer para o time. No final da partida, com a vitória do Mixto me apaixonei."

Desde então começou a coordenar a torcida do time e segundo ela, "arrastava as mulheres, suas amigas, para o estádio", coisa que na época não era bem vista, mas que "elas nem ligavam".

O nome de batismo de Nha Barbina, é Maria Zeferina da Silva. O apelido carinhoso, ela recebeu do sargento Zarur que comandava a torcida do arqui-adversário Operário por conta de uma personagem da novela "As pupilas do senhor Reitor, que passava na época. "Ele me apelidou de Nha Barbina porque eu gritava demais nos jogos. Eu não parava um minuto e ele achava que eu era parecida com ela", recorda.

Com as recordações vem a decepção de ver o alvinegro falido. Ela critica a atuação do presidente da Federação Mato-grossense de Futebol, Carlos Orione, e do presidente do Mixto Esporte Clube, Orlando Craici. "O Carlos Orione está na Federação há muito tempo e não faz nada que presta. Está a maior bagunça o futebol daqui (do estado). E o Orlando Craici, afundou o Operário de Campo Grande e veio prá cá afundar o Mixto. Não quero morrer e deixar ele no comando do meu time. Um homem que chegou a afirmar que não precisa da torcida, não merece ser presidente do meu time", disse veemente.

Nha Barbina conta que em 1976, o Mixto foi disputar a final do Campeonato Brasileiro no Maracanã (RJ), contra o Vasco. Ela organizou uma caravana e foi assistir o jogo. "O Mixto perdeu de 1 a 0, porque o jogador Pastoril perdeu um pênalti. O Maracanã foi o lugar mais distante que já fui ver o Mixto jogar."

Ela recordou de um jogo em que, depois de "tomar uma cervejinha" foi sentar, uniformizada, armada e com a devida bandeira do Mixto, na torcida do Operário. "Apanhei e a polícia viu a minha arma, segundo ela, uma pistolinha, e quase fui presa. A polícia pegou quem me bateu e eu fui sentar com a minha torcida", recorda a passagem divertida.


Mixtenses promete agitar o Verdão

Da Reportagem

Um dos maiores clubes do estado, o Mixto, que já disputou o campeonato brasileiro e teve seu momentos de glória na década de 70 e começo da década de 80, hoje tenta se recuperar e voltar a disputar o campeonato brasileiro depois de dois anos licenciado.

Apesar disso o clube continua entre os 50 maiores do país. Segundo a Revista Placar de novembro de 99, ele está em 39o lugar, num universo de 50 dos maiores times brasileiros do século. E mesmo sem participar de qualquer disputa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), está em 43o lugar no ranking da CBF.

O alvinegro, já venceu 10 vezes o Campeonato Estadual. O seu último título foi conquistado em 96.

O presidente do clube alvinegro, Orlando Craici, relembrou estes tempos e disse que antigamente o futebol mato-grossense não tinha uma concorrência tão desleal como tem hoje. A televisão. "Hoje existe a dispersão que não havia outrora. A televisão é uma das grandes responsáveis por isso. O torcedor prefere ficar em casa assistindo jogos pela TV, do que comparecer no estádio para ver os times mato-grossenses jogar."

O diretor do clube, José Luis Paes de Barros acredita que o Mixto vai voltar a ser grande. "Com o patrocínio que recebemos da Rede/Cemat, o Mixto vai voltar a ser forte. A diretoria está trabalhando para que o time se fortaleça e encontre uma saída para esta crise que está passando."

José Luis explicou que é mixtense desde que nasceu, mas só começou a participar do clube em 1975, quando seu pai, José Ranulpho Paes de Barros faleceu. "O Mixto foi fundado em 1934. Em 1938, meu pai assumiu o clube e eu só comecei a participar mesmo da diretoria em 75, quando ele faleceu. De lá para cá, estou no Mixto."

Como o diretor José Luis, o fundador da "torcida desorganizada Comando Zero", que hoje faz três anos, Frank Sabiá é da mesma opinião. "Sou mixtense desde que nasci. Minhas fraldas eram branca e preta."

Sabiá, concorda com Orlando Craici ao dizer que a TV é uma das culpadas pela decadência do futebol de MT. "A televisão tirou os torcedores do estádio, mas não foi a única culpada. Em outros tempos, Cuiabá não tinha opção de divertimento, o Verdão era uma novidade e haviam craques de verdade em Mato Grosso. Mas a TV não é a única culpada. Os próprios torcedores é que tiraram os torcedores do estádio, quando começaram as confusões."


Maior artilheiro do Verdão,  Bife reclama do esquecimento

Da Reportagem

Bife. Este é o nome do maior artilheiro que o futebol mato-grossense já conheceu e que em apenas 18 anos de carreira profissional, marcou 572 gols, pelos clubes que defendeu. Seu currículo inclui, passagem pelo futebol português e muitos títulos de campeão estadual.

O artilheiro, iniciou e encerrou sua carreira de glórias no Chicote da Fronteira e hoje se diz esquecido por todos. "Deus me deu a graça de ser o maior artilheiro de Mato Grosso e é difícil de explicar o esquecimento".

A história de Bife começou em 1971 quando jogava no esporte amador em Campo Grande. Rubens dos Santos, na época presidente do clube, viu o rapaz de 20 anos jogar e não teve dúvidas. Trouxe-o para o Operário. Foi aí que sua carreira deslanchou. Jogou no clube até 75, quando voltou para Campo Grande.

Em 76, foi contratado pelo Mixto onde ficou até 81. Neste ano recebeu convite de jogar em outro país. Foi para Portugal e ficou por lá 1 ano e 7 meses. Voltou para o Mato Grosso e para o Operário em 82 onde ficou até o fim de sua carreira, em 85.

Bife foi tetracampeão pelo Operário nos anos de 72, 73, 83 e 85. E tricampeão pelo Mixto em 79, 80 e 81.

Bife dá uma receita para melhorar o futebol mato-grossense. "É preciso, primeiro, mudar a presidência da Federação. Depois é bom fazer promoção, bingo, sorteios para levar o torcedor de volta ao estádio. Outra mudança poderia ser o valor do ingresso. Devia ser de R$ 3,00 e só para os homens. Senhoras e crianças seriam isentas. Isso iria trazer a realidade do que era antigamente o futebol de Mato Grosso."

O artilheiro está disputando a Copa Gazeta, mas não se sente prestigiado. "A Copa Gazeta é a copa dos pau-rodados. Só dão valor para jogadores que vem de fora. Não valorizam os pratas da casa."

O Campeonato Estadual está sendo acompanhado por ele, através dos jornais. Depois de uma carreira tão brilhante, hoje Bife é professor da escolinha de futebol da prefeitura de Cuiabá, no projeto "Bom de Bola, Bom de Escola".

Com certeza ele tem muito o que ensinar e a garotada muito o que aprender com este ídolo do futebol mato-grossense.