VISÃO 2000

Projeto quer prevenir cegueira de índios e ribeirinhos amazônicos

Primeira fase do projeto foi desenvolvida em aldeias xavantes e bororos de Mato Grosso e ribeirinhos da Ilha do Marajó

GIBRAN LACHOWSKI
Especial para o DIÁRIO

"É coisa pra inglês ver". Assim pode se definir o Projeto Amazônia - Visão 2000, um programa de saúde ocular e prevenção da cegueira, realizado com ribeirinhos do Rio Amazonas e aldeamentos indígenas da Amazônia Legal. Criado em 95, o projeto inicia sua etapa mais importante e profissional em março de 98, tendo como trunfo a tecnologia de ponta, e prossegue até 2001. As primeiras etapas ocorreram em Mato Grosso.
O programa é uma iniciativa da Faculdade de Medicina do ABC paulista e do Hospital das Forças Armadas de Brasília e conta com o apoio da Sociedade Paraense de Oftalmologia, Secretaria de Saúde do Pará, Ministério da Saúde, da Marinha e a empresa Alcon Laboratórios do Brasil e dos Estados Unidos.
O objetivo é educar e prevenir a população em relação à saúde ocular. Isso vai ser feito por meio da adaptação de um navio em hospital oftalmológico flutuante, onde os médicos vão realizar desde consultas, prescrições de óculos corretivos, até cirurgias. O navio ficará atracado na beira do rio, com permanência de 30 a 40 dias por ano em cada local.
Uma triagem (avaliação ocular preliminar) definirá quem precisa de tratamento específico. Todos os casos encaminhados ao hospital flutuante serão resolvidos durante a expedição e posteriormente ocorrerão visitas de manutenção.
"O que aparecer pela frente vamos tratar", afirma o coordenador do "Visão 2000", o professor da Faculdade do ABC, José Ricardo Carvalho Lima Rehder. Segundo Rehder, que também é chefe do Banco de Olhos do ABC/SP, o programa custará 1 milhão de dólares.
A Alcon fornece equipamentos e medicamentos, o 4º Comando Naval da Marinha cede o navio e se responsabiliza pela alimentação e estadia da equipe de médicos e o ministério da Saúde também repassa recursos para a manutencão da tripulação e das instalações hospitalares.
A equipe de trabalho é formada por voluntários da Faculdade de Medicina e do Hospital das Forças Armadas, que fazem a triagem. A Sociedade Paraense auxilia no tratamento da população examinada durante os intervalos da ação e após sua finalização. A Secretaria de Saúde se encarrega de organizar e desenvolver estratégias com os agentes de saúde, possibilitando a eficácia do projeto.
HISTÓRICO - O programa Amazônia - Visão 2000 surgiu depois de alguns trabalhos de combate à cegueira da coordenação com o ministério da Saúde por várias localidades do país, quando se descobriu que os ribeirinhos não tinham qualquer atendimento oftalmológico.
Após contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai), o projeto foi concebido por Redher e o major médico do Corpo de Bombeiros do Banco de Olhos do Hospital das Forças Armadas/DF, Halmélio Sobral Neto.
O projeto foi iniciado com atendimento em aldeias de São Félix do Araguaia e Barra do Garças, no leste mato-grossense. Na primeira cidade, a chamada Missão Karajá examinou 200 índios e fez 50 cirurgias de catarata. Em Barra, a Operação Xavante-Bororo prescreveu 200 óculos corretivos e fez 40 intervenções de catarata, havendo a participação de quatro enfermeiras da Funai.
Até hoje foram percorridos 16 aldeamentos e examinados 900 índios. Em missão em setembro à Ilha de Marajó (Pará), a equipe médica atendeu a 440 ribeirinhos, fazendo 60 operações de catarata e tratando de outras patologias, como pterígeo e glaucoma (veja matéria abaixo).


Funai conhece oficialmente projeto e decide se ele terá continuidade

Especial para o DIÁRIO

Apesar de o projeto Amazônia - Visão 2000 ter sido concebido em 95, somente no último dia 4 foi apresentado de forma oficial à Funai. O presidente Sulivan Silvestre, há quatro meses no órgão, afirmou que desconhecia o programa até então.
O assessor de comunicação de Silvestre, Antônio Carlos Lago, funcionário da instituição desde abril de 96, também disse não ter ouvido falar do programa. Lago cogita a possibilidade de uma administração anterior da Funai ter feito um acordo com a coordenação geral do projeto.
Silvestre e os ex-presidentes Julio Gaiger (abril/96 a julho/97) e Rosangela Gonçalves de Carvalho (até agosto/97) não puderam ser consultados por estarem viajando.
Em conversa por telefone, o médico José Rehder afirmou que houve participação da Funai quando das visitas aos índios. Não informou com que liderança acertou a entrada nas aldeias. Procurado, o coordenador da unidade da Funai em São Félix do Araguaia, Georthon Aurélio Lima Brito, afirmou não ter conhecimento do desenvolvimento da missão Karajá, que deu início ao programa.
Brito, que está há 12 anos à frente da unidade, disse que a última campanha contra cegueira realizada nos aldeamentos próximos da cidade ocorreu em 96, liderada pelo Rotary de São Félix do Araguaia e de Brasília e a Aeronáutica do Distrito Federal.
Em contrapartida, a administração regional de Barra do Garças confirmou a existência do projeto em suas áreas indígenas e aprova a iniciativa. Segundo Maria Auxiliadora Bokoromugo, que responde pelo órgão na ausência do administrador Joaquim Silveira de Carvalho, o processo de triagem e o atendimento aos índios foi realizado.
Na época, Bokoromugo era chefe da Casa de Saúde do Índio, mas enviou equipes às aldeias para auxiliar nos trabalhos. Ela contou que houve intermediação entre os médicos e os índios, porém não sabe dizer por parte de quem. Carvalho foi procurado para esclarecer a questão, mas estava viajando.
REUNIÃO - No encontro da última quinta-feira, a Funai recebeu da coordenação do "Visão 2000" a proposta de implantação do projeto, que foi protocolada e encaminhada ao Departamento de Saúde do órgão. Segundo Lago, o parecer definitivo sobre a viabilidade sai nesta semana.
Se a avaliação for positiva, a Funai começará trabalhando com os coordenadores, todavia, outros estudos serão necessários antes da execução do programa. Em caso de parecer negativo, a Funai vai solicitar a retirada imediata da proposta. (GL)


Entenda melhor doenças dos olhos

Especial para o DIÁRIO

Pterígeo, catarata e glaucoma foram as três doenças mais constatadas nas visitas às aldeias indígenas da Amazônia Legal e aos ribeirinhos do Rio Amazonas. Os índices de incidência de problemas visuais surpreenderam pela gravidade e quantidade. O programa Amazônia-Visão 2000 encontrou 57 casos de catarata, 20 de glaucoma, 15 de pterígeo e fez dois transplantes de córnea. Esses dados se referem às visitas aos municípios paraenses Soure, Santa Cruz do Arari, Cachoeira do Arari, Porto de Pedras e Salvaterra. Acrescentam-se à estatística os números registrados nas missões Karajá, Xavante-Bororo e na Ilha de Marajó.
Quem tem catarata enxerga as imagens borradas, sem nitidez. É comum escutar quem tem a doença dizer que não consegue ver a imagem definida, apenas vultos, clarões. Cientificamente, catarata é a opacificação do cristalino (que regula o foco de visão conforme a distância), o que impede que as imagens cheguem à retina. A catarata inicia, geralmente, na juventude e ataca mais intensamente a partir dos 57 anos. Deve ser operada quando a pessoa perde a "visão útil", indispensável para o desenvolvimento da atividade profissional e necessidades básicas.
O pterígeo é o avanço da parte vermelha na ponta do olho, a conjuntiva, sobre a área branca. Se a conjuntiva passa pela córnea e atinge a íris (a parte colorida) provoca a cegueira, pois prejudica/impede que as imagens cheguem com nitidez ao centro do olho (a pupila). O pterígeo é comum em pessoas que passam a maior parte do tempo ao ar livre, como os ribeirinhos e índios. O sol, o vento e a fumaça irritam os olhos e faz a conjuntiva crescer. A doença também é hereditária. Ao contrário da cegueira da catarata, que é totalmente curável, a do pterígeo depende da cicatrização da córnea.
O glaucoma é a mais perigosa das doenças dos olhos porque não tem cura, mas controle. É chamado de "patologia assintomática" pois só se percebe sua existência quando a capacidade da visão diminui. É provocado pelo aumento da pressão dentro dos olhos (intraocular), que varia de 9 a 19 mm de mercúrio. A causa é genética e existem, basicamente, dois tipos: congênito, em crianças; crônico simples, em pessoas de mais de 35 anos. (GL)


Índios xavantes e bororos mostraram medo de cirurgia

Especial para o DIÁRIO

Alguns fatos interessantes, e previsíveis, foram registrados pelo Amazônia - Visão 2000. As diferenças entre o mundo do branco e o do vermelho se expressam em "passagens cotidianas", como a relatada por Maria Auxiliadora Bokoromugo. Segundo ela, a maioria dos xavantes e bororos, que se mostrou bem à vontade na triagem, não teve coragem de fazer cirurgia ou tratamento específico. Assim, suas vagas foram ocupadas pela população carente da cidade goiana de Aragarças, próxima de Barra do Garças. Os índios ficaram receosos de perder os olhos.
José Rehder conta que em uma aldeia karajá e em São Félix do Araguaia ocorreu fato semelhante, porém, dessa vez a equipe médica conseguiu convencer os índios que eram "de paz". O mesmo boato espalhado pelos bororos e xavantes corria no local, mas a suspeita foi desfeita quando os médicos curaram a cegueira do cacique e sua mulher. "Quando trouxemos o casal de volta, descendo sozinho de canoa, e caminhando normalmente, houve uma festa entre os índios", lembra Rehder. (GL)


SAÚDE

Cólica menstrual provoca maioria das faltas femininas ao trabalho

Acredita-se que de 40% a 50% das mulheres sejam atingidas pelo problema

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

A cólica menstrual é um problema que atinge as mulheres desde as mais remotas gerações e já rendeu mitos do tipo "depois que casar, a dor passa". Mas há quem ainda ache que não passa de frescura, uma desculpa para chamar a atenção ou ser mimada.
Especialistas médicos acreditam que a cólica afeta de 40% a 50% das mulheres e que é um dos principais motivos de falta ao emprego. A cólica se manifesta com intensidade diferente de mulher para mulher. Algumas sentem apenas um pequeno desconforto, enquanto outras podem sofrer a ponto de não conseguir trabalhar ou ir à escola.
Isso é o que já aconteceu com a estudante Rikelly Hirata, 16 anos. Rikelly tem cólicas intensas sempre nos primeiros dias da menstruação. Já chegou a faltar à aula e ficar de cama nesses dias. Para aliviar as dores ela costuma usar bolsa de água quente e tomar analgésico.
Cléia Leite, 16 anos, também estudante, já ficou de cama. "Como se não bastasse a dor, incomoda muito", reclamou.
Acredita-se que a cólica menstrual é uma das principais causas de faltas no emprego. Com a crescente participação da mulher no mercado do trabalho, o prejuízo é considerado alto.

CONTRAÇÃO
De acordo com o ginecologista e obstetra Mauro Misawa, a causa da cólica é uma substância chamada prostaglandina. Liberada no período menstrual, a prostaglandina causa a contração do útero e a compressão de vasos e nervos, provocando a dor no baixo ventre.
Outras dores também podem acompanhar as cólicas, como as dores mamárias. Elas podem ainda deixar doloridas outras regiões musculares, como costas e causar reações adversas como náusea, vômito, dor de cabeça e queda de pressão. A cólica menstrual também é chamada de dismenorréia (menstruação difícil).
Misawa explica que existem dois tipos de dismenorréias: a funcional e a orgânica.
A funcional, também conhecida como primária, manifesta-se nas primeiras horas do ciclo menstrual, incomodando durante um ou dois dias. Ocorre, geralmente, nos primeiros anos após a primeira menstruação e pode desaparecer com o tempo, quando o colo do útero vai se abrindo, facilitando a saída do sangue com prostaglandina.
A secretária Cíntia Guazzi Biral, 18 anos, sofre de cólica desde a sua primeira menstruação. O problema começa sempre um dia antes da menstruação.
"Depois da dor de dente, é a pior dor que tem", comparou Cíntia, dizendo que toma analgésico para aliviar as cólicas.
Já a dismenorréia orgânica ou secundária costuma afetar as mulheres depois de algum tempo após o início da menstruação. Normalmente é provocada por inflamações ou outras doenças ginecológicas, como tumores no útero ou ovário, miomas e endometriose.
São pessoas que nunca sofreram de cólica menstrual e começam a senti-la. A recomendação é procurar um especialista para descobrir a verdadeira causa e indicar o melhor tratamento.


Ultra-som ajuda no diagnóstico

Da Reportagem

Antes de tomar remédio indiscriminadamente é preciso buscar as causas da dismenorréia. O ultra-som da pelve é um meio seguro de distinguir os dois tipos de dismenorréia, permitindo afastar doenças que poderiam estar relacionadas à dor da cólica menstrual. Caso indique alguma patologia, o tratamento será indicado pelo médico.
No caso da cólica funcional, alguns medicamentos podem aliviá-la. Os analgésicos são indicados para dores mais leves. Existem também medicamentos que relaxam a musculatura e outros que atuam diretamente no útero.
É recomendável também fazer exercícios, principalmente, os relaxantes como o ioga. Exercícios na região abdominal facilitam a vascularização. Bolsas de água quente também ajudam a aliviar a dor, pois facilitam o fluxo sangüíneo, pois o calor provoca a dilatação dos vasos.
O ginecologista e obstetra Mauro Misawa avisa que problemas emocionais podem agravar a cólica menstrual. Ele afirma que depois que a mulher tem filhos, as cólicas melhoram, pois a gestação provoca a abertura do colo do útero, facilitando a saída da prostaglandina. No entanto, não é preciso esperar até lá para se conseguir superar as dores, já que existe tratamento para isso. (JD)


ÁGUAS/APROVEITAMENTO

Represas podem ajudar a perenizar o Pari

Projeto da UFMT e Associação de Ensino Agrícola Superior (Abeas) prevê técnica de retenção de água no Pari, importante afluente do Cuiabá

ANSELMO CARVALHO PINTO
Da Reportagem

Considerado importante para o sustento econômico de centenas de pequenos proprietários, o rio Pari, afluente da margem direita do Cuiabá, sofre anualmente com a drástica redução no seu volume d'água, entre os meses de junho e agosto, os menos chuvosos do ano. Houve época em que o leito secou.
O problema poderia ser resolvido se um importante projeto da Universidade Federal de Mato Grosso e da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (Abeas) fosse colocado em prática: a perenização da bacia do Rio Pari.
A pouca quantidade de água na bacia do rio Pari determina também a queda na vazão do Cuiabá, que anualmente tem reduzido o seu nível, refletindo na vida do cuiabano. Se antes seu leito possuia um vau _ distância entre as duas margens _ de 120 metros em média, hoje não passa dos 30.
O Cuiabá tem 70 afluentes. Se cada um deixar de contribuir com 10 metros cúbicos por segundo em época de seca, como acontece com o Pari, o rio perderia 700 metros cúbicos a cada segundo.
O projeto da Abeas e da UFMT prevê a construção de 400 represas, de 400 metros cúbicos cada, ao longo do leito, fazendo com que em época de seca, a água dessas represas corra subterraneamente e por capilares em direção ao Pari.
Além de ajudar na manutenção do leito, as represas poderiam ser aproveitadas com atividades produtivas, como piscicultura, e melhorar a irrigação em plantações de mandioca, banana, milho, feijão, arroz e cana, as mais presentes na região.
"O problema é a falta de dinheiro para pôr o projeto em prática", diz um dos responsáveis, o professor Pedro Nonato da Conceição, professor do curso de Engenharia Florestal da UFMT.

EMPREGADOS
A diminuição do nível do rio tem levado os maiores proprietários a construir barragens, o que é errado, e principalmente inviabilizando o sustento dos pequenos produtores, que se vêem obrigados a se tornar empregados em fazendas maiores ou morar na cidade.
De acordo com estudos técnicos, seriam necessários R$ 7,2 milhões para cavar as represas para o projeto. "Poderia haver um crédito a fundo perdido", avalia Pedro Conceição.
Os moradores da região sentem a falta de constância no volume do rio. "Na seca, isso aqui é um sufoco", diz o sitiante Vitorino Sebastião da Conceição. "Fica só um filetinho de água".
O rio Pari corre paralelamente à BR-070, que liga Cuiabá a Cáceres, e é irrigado por uma rede de 577 quilômetros de canais. Tais canais seriam abastecidos pelas represas que, em seguida, abasteceriam seu leito e resolveriam o problema da vazão na seca.
De acordo com o professor Nonato, de outubro a março, os meses mais úmidos, chove 1.500 mililitros de água. "Isso significa 1,5 metro de altura de água por metro quadrado", calcula o professor. "Todo esse líquido vai embora na época da seca. É preciso fazer alguma coisa para retê-lo".


TRÂNSITO

Técnicos do Detran discutem como será implantação do Novo Código

Kasuo Sakamoto, ex-presidente do Contran, alerta para rigor da retirada de CHN

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Será mais difícil retirar ou adquirir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) com a implantação do Novo Código de Trânsito. Esta é a opinião do ex-presidente do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), Kasuo Sakamoto, que participou da elaboração do novo código, aprovado e sancionado pelo Governo Federal, que entra em vigor a partir de 23 de janeiro de 98.
"Vai ser preciso ter conhecimento e formação para retirar a carteira de motorista", comentou Sakamoto.
Kasuo Sakamato participou ontem do Encontro Estadual dos Profissionais do Departamento Estadual de Trânsito, que termina hoje no Hotel Fazenda Mato Grosso, e falou sobre a Municipalização do Trânsito e Engenharia de Tráfego.
O evento está discutindo com profundidade as novas regras que passam a vigorar com o Novo Código de Trânsito. Participam do encontro técnicos do Detran, profissionais de auto-escolas, despachantes e outras autoridades ligadas ao Trânsito.
Sakamoto lembrou que pelo novo código o candidato a motorista receberá uma habilitação provisória, por um ano. Neste período, se não houver infrações graves ou gravíssimas receberá a CNH definitiva. Caso contrário, perde a carteira provisória e terá que fazer novos exames.
O código prevê também punição rigorosa aos infratores, criou multas pecuniárias de valores elevados para motoristas e algumas infrações foram classificadas como crimes de trânsito, e multas para pedestres que desrespeitarem a sinalização.
Sakamoto reconhece, no entanto, que o novo Código Nacional de Trânsito não vai ser implantado definitivamente de um dia para outro.
"Algumas cidades não estão fazendo nada para sua implantação. Outras estão fazendo tudo", ressaltou Sakamoto. "Nessas cidades onde não existe nada sendo feito para a implantação do Código cabe à população cobrar da administração municipal, pois os municípios estarão ocupando um grande espaço no sistema de trânsito.
Como multar e fiscalizar o pedestre é a grande dúvida da maioria das pessoas. "O pedestre é a parte mais frágil, mas não nos preocupamos com a multa, mas no engajamento de todos em passar ao pedestre os riscos em relação ao desrespeito à sinalização", comentou.
De acordo com Sakamoto, um terço das pessoas que morrem no trânsito são pedestres, cerca de 10 mil pedestres/ano. A estimativa é que morrem 28 mil pessoas em acidentes de trânsito por ano. A principal causa é a falta de respeito das autoridades públicas com o pedestre, que têm dificuldades em andar nas calçadas (quando elas existem) por causa de carros mal estacionados, entulhos e falta de sinalização.
O coordenador de Habilitação do Detran/MT, João Shimada, lembrou dos direitos do cidadão previstos pela lei. "A legislação é completa. Além de prever deveres e direitos ao cidadão, o código está sendo severo com os motoristas, e garante ao cidadão o direito de exigir dos órgãos públicos que providências sejam tomadas".


Lombadas: lei dos 40km/h não vem sendo respeitada

A lei que determina o aumento de 30 Km/h para 40 Km/h a velocidade máxima nas lombadas eletrônicas instaladas em Cuiabá e o desligamento dos aparelhos das 20h às 6h não vem sendo cumprida.
A lei número 3.657 de autoria do vereador Carlos Brito (PSDB) foi aprovada na Câmara Municipal em agosto e sancionada pelo prefeito Roberto França no dia 12 de setembro passado.
O vereador Carlos Brito cobrou esta semana que a Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (SMTU) e Detran tomem providências. Para o vereador, "as lombadas estão tendo uma função desvirtuada e operando como máquina arrecadadora".
De acordo com Brito, a lei tem como objetivo adequar as lombadas à realidade local, "portanto não é justo e nem legal multar alguém que não tenha transposto a velocidade de 40km/h, desde a vigência da lei".
A assessoria de imprensa da SMTU informou que já foi encaminhado um ofício ao Detran solicitando o cumprimento das alterações, porém as novas normas não foram ainda executadas pelo órgão. Caso as alterações determinadas não sejam realizadas, o vereador Carlos Brito pode vir a propôr uma nova licitação em que a empresa vencedora deverá cumpri-las.
O presidente do Detran, Carlos Nascimento, disse ontem que já autorizou a SMTU a fazer as alterações necessárias nos aparelhos para que se adéquem à nova lei. (JD)


COMUNICAÇÃO

Telefone celular deve ser programado só para banda A

ANSELMO CARVALHO PINTO
Da Reportagem

A Telemat está enviando comunicado aos usuários da telefonia celular em Mato Grosso solicitando a reprogramação dos telefones para operar somente na banda A.
A intenção é evitar que haja interferência com a banda B, que está entrando no Brasil por meio de empresas privadas de telecomunicação.
As interferências acontecem em locais onde a banda B já está operando, como Brasília (DF). Se não fizer a reprogramação, o mato-grossense em viagem não poderá gerar nem receber qualquer ligação. A medida também antecede problemas que possam aparecer quando a banda B começar a ser operada no Estado.
A Telemat, no entanto, informa que cada marca de aparelho tem sua forma de reprogramação. Acompanhe a seguir os passos a serem seguidos _ cada número representa um passo.
Se o seu aparelho for Ericsson: 1) Tecle FCN e o número 5; 2) Tecle o número 5 até aparecer a indicação "PREF ONLY" no visor; 3) Tecle "STO" para confirmar a programação.
Se for Motorola: 1) Tecle RCL e *; 2) Tecle * até aparecer "SCAN A" no visor; 3) Tecle STO para confirmar a programação.
Se for Gradiente/Nokia: 1) Tecle MENU e 1 (caso o aparelho Nokia seja o modelo 636, tecle MENU e o número 5); 2) Tecle ^ até aparecer "SISTEM SELECT" no visor e tecle STO; 3) Tecle ^ até surgir "HOME TYPE A" no visor; 4) Tecle STO para confirmar.
Se for Sansumg: 1) Tecle FCN e 0; 2) Tecle ^ até aparecer "A ONLY" no visor; 3) Tecle STO para confirmar.
Se for Sony/Sanyo: 1) Pressione dial (botão na lateral do aparelho); 2) Tecle 6 e 1; 3) Pressione o dial novamente; 4) Tecle 1; 5) Tecle END.
Se for da marca Nec: 1) Tecle FCN, 5 e 4; 2) Tecle RCL até aparecer "SYS A ONLY"; 3) Tecle CLR para confirmar a programação.
Esclarecimentos adicionais poderão ser obtidos pelo telefone 1404 ou em qualquer loja da Telemat ou credenciadas.


CÂNCER/FALSIFICAÇÃO

Polícia identifica enfermeiro suspeito de desviar remédios

CLÁUDIO RENATO
Da Agência Estado - Rio

A Polícia do Rio já identificou e obteve o endereço do enfermeiro que teria desviado os medicamentos Granulokine 30 e Dobutrex da enfermaria de um hospital na Baixada Fluminense para que, depois de falsificados, eles fossem vendidos a clínicas no Rio e de outros Estados do Sudeste. O enfermeiro _ cujo nome está sendo mantido em sigilo _ é peça-chave para se desvendar a cadeia de falsificadores do Granulokine, remédio injetável para manter o equilíbrio do organismo de pessoas submetidas à quimioterapia e usado apenas para pacientes terminais de câncer.
Na sexta-feira, a Delegacia Fazendária da Polícia Civil começou a desmantelar a quadrilha, prendendo quatro de seus integrantes, que falsificavam o medicamento e vendiam água como sendo Granulokine. A mesma quadrilha falsificava outro medicamento, o Dobutrex, para cardíacos. O delegado Pedro Paulo Ponte Pinho disse que já dispõe de informações sobre a localização da fábrica onde foram feitas as falsificações. "Só posso dizer que a fábrica fica na região Sudeste, fora do Rio", afirmou.
De acordo com Pinho, o enfermeiro _ que deverá ser ouvido pela polícia amanhã - é o principal suspeito de ter desviado o medicamento, fabricado pela Roche. "Após ouvir o enfermeiro, vamos conferir no hospital o estoque do Granulokine", afirmou. O delegado disse que pretende pedir na Justiça a prisão preventiva do enfermeiro.
Pinho informou que a Roche está colaborando com as investigações. "A fábrica está mandando circular a todos os clientes que compraram Granulokine diretamente dela que use outro medicamento", afirmou.
O delegado disse ainda que, se aparecer médico ou parente de alguém, denunciando que algum paciente morreu, por causa da falsificação do Granulokine, os integrantes da quadrilha serão indiciados por homicídio.