| VISÃO 2000 Projeto quer prevenir cegueira de índios e
ribeirinhos amazônicos
Primeira fase do projeto
foi desenvolvida em aldeias xavantes e bororos de Mato
Grosso e ribeirinhos da Ilha do Marajó
GIBRAN LACHOWSKI
Especial para o DIÁRIO
"É coisa pra inglês ver". Assim pode se
definir o Projeto Amazônia - Visão 2000, um programa de
saúde ocular e prevenção da cegueira, realizado com
ribeirinhos do Rio Amazonas e aldeamentos indígenas da
Amazônia Legal. Criado em 95, o projeto inicia sua etapa
mais importante e profissional em março de 98, tendo
como trunfo a tecnologia de ponta, e prossegue até 2001.
As primeiras etapas ocorreram em Mato Grosso.
O programa é uma iniciativa da Faculdade de Medicina do
ABC paulista e do Hospital das Forças Armadas de
Brasília e conta com o apoio da Sociedade Paraense de
Oftalmologia, Secretaria de Saúde do Pará, Ministério
da Saúde, da Marinha e a empresa Alcon Laboratórios do
Brasil e dos Estados Unidos.
O objetivo é educar e prevenir a população em
relação à saúde ocular. Isso vai ser feito por meio
da adaptação de um navio em hospital oftalmológico
flutuante, onde os médicos vão realizar desde
consultas, prescrições de óculos corretivos, até
cirurgias. O navio ficará atracado na beira do rio, com
permanência de 30 a 40 dias por ano em cada local.
Uma triagem (avaliação ocular preliminar) definirá
quem precisa de tratamento específico. Todos os casos
encaminhados ao hospital flutuante serão resolvidos
durante a expedição e posteriormente ocorrerão visitas
de manutenção.
"O que aparecer pela frente vamos tratar",
afirma o coordenador do "Visão 2000", o
professor da Faculdade do ABC, José Ricardo Carvalho
Lima Rehder. Segundo Rehder, que também é chefe do
Banco de Olhos do ABC/SP, o programa custará 1 milhão
de dólares.
A Alcon fornece equipamentos e medicamentos, o 4º
Comando Naval da Marinha cede o navio e se responsabiliza
pela alimentação e estadia da equipe de médicos e o
ministério da Saúde também repassa recursos para a
manutencão da tripulação e das instalações
hospitalares.
A equipe de trabalho é formada por voluntários da
Faculdade de Medicina e do Hospital das Forças Armadas,
que fazem a triagem. A Sociedade Paraense auxilia no
tratamento da população examinada durante os intervalos
da ação e após sua finalização. A Secretaria de
Saúde se encarrega de organizar e desenvolver
estratégias com os agentes de saúde, possibilitando a
eficácia do projeto.
HISTÓRICO - O programa Amazônia - Visão 2000 surgiu
depois de alguns trabalhos de combate à cegueira da
coordenação com o ministério da Saúde por várias
localidades do país, quando se descobriu que os
ribeirinhos não tinham qualquer atendimento
oftalmológico.
Após contato com a Fundação Nacional do Índio
(Funai), o projeto foi concebido por Redher e o major
médico do Corpo de Bombeiros do Banco de Olhos do
Hospital das Forças Armadas/DF, Halmélio Sobral Neto.
O projeto foi iniciado com atendimento em aldeias de São
Félix do Araguaia e Barra do Garças, no leste
mato-grossense. Na primeira cidade, a chamada Missão
Karajá examinou 200 índios e fez 50 cirurgias de
catarata. Em Barra, a Operação Xavante-Bororo
prescreveu 200 óculos corretivos e fez 40 intervenções
de catarata, havendo a participação de quatro
enfermeiras da Funai.
Até hoje foram percorridos 16 aldeamentos e examinados
900 índios. Em missão em setembro à Ilha de Marajó
(Pará), a equipe médica atendeu a 440 ribeirinhos,
fazendo 60 operações de catarata e tratando de outras
patologias, como pterígeo e glaucoma (veja matéria
abaixo).
Funai
conhece oficialmente projeto e decide se ele terá
continuidade
Especial para o DIÁRIO
Apesar de o projeto Amazônia - Visão 2000 ter sido
concebido em 95, somente no último dia 4 foi apresentado
de forma oficial à Funai. O presidente Sulivan
Silvestre, há quatro meses no órgão, afirmou que
desconhecia o programa até então.
O assessor de comunicação de Silvestre, Antônio Carlos
Lago, funcionário da instituição desde abril de 96,
também disse não ter ouvido falar do programa. Lago
cogita a possibilidade de uma administração anterior da
Funai ter feito um acordo com a coordenação geral do
projeto.
Silvestre e os ex-presidentes Julio Gaiger (abril/96 a
julho/97) e Rosangela Gonçalves de Carvalho (até
agosto/97) não puderam ser consultados por estarem
viajando.
Em conversa por telefone, o médico José Rehder afirmou
que houve participação da Funai quando das visitas aos
índios. Não informou com que liderança acertou a
entrada nas aldeias. Procurado, o coordenador da unidade
da Funai em São Félix do Araguaia, Georthon Aurélio
Lima Brito, afirmou não ter conhecimento do
desenvolvimento da missão Karajá, que deu início ao
programa.
Brito, que está há 12 anos à frente da unidade, disse
que a última campanha contra cegueira realizada nos
aldeamentos próximos da cidade ocorreu em 96, liderada
pelo Rotary de São Félix do Araguaia e de Brasília e a
Aeronáutica do Distrito Federal.
Em contrapartida, a administração regional de Barra do
Garças confirmou a existência do projeto em suas áreas
indígenas e aprova a iniciativa. Segundo Maria
Auxiliadora Bokoromugo, que responde pelo órgão na
ausência do administrador Joaquim Silveira de Carvalho,
o processo de triagem e o atendimento aos índios foi
realizado.
Na época, Bokoromugo era chefe da Casa de Saúde do
Índio, mas enviou equipes às aldeias para auxiliar nos
trabalhos. Ela contou que houve intermediação entre os
médicos e os índios, porém não sabe dizer por parte
de quem. Carvalho foi procurado para esclarecer a
questão, mas estava viajando.
REUNIÃO - No encontro da última quinta-feira, a Funai
recebeu da coordenação do "Visão 2000" a
proposta de implantação do projeto, que foi protocolada
e encaminhada ao Departamento de Saúde do órgão.
Segundo Lago, o parecer definitivo sobre a viabilidade
sai nesta semana.
Se a avaliação for positiva, a Funai começará
trabalhando com os coordenadores, todavia, outros estudos
serão necessários antes da execução do programa. Em
caso de parecer negativo, a Funai vai solicitar a
retirada imediata da proposta. (GL)
Entenda
melhor doenças dos olhos
Especial para o DIÁRIO
Pterígeo, catarata e glaucoma foram as três doenças
mais constatadas nas visitas às aldeias indígenas da
Amazônia Legal e aos ribeirinhos do Rio Amazonas. Os
índices de incidência de problemas visuais
surpreenderam pela gravidade e quantidade. O programa
Amazônia-Visão 2000 encontrou 57 casos de catarata, 20
de glaucoma, 15 de pterígeo e fez dois transplantes de
córnea. Esses dados se referem às visitas aos
municípios paraenses Soure, Santa Cruz do Arari,
Cachoeira do Arari, Porto de Pedras e Salvaterra.
Acrescentam-se à estatística os números registrados
nas missões Karajá, Xavante-Bororo e na Ilha de
Marajó.
Quem tem catarata enxerga as imagens borradas, sem
nitidez. É comum escutar quem tem a doença dizer que
não consegue ver a imagem definida, apenas vultos,
clarões. Cientificamente, catarata é a opacificação
do cristalino (que regula o foco de visão conforme a
distância), o que impede que as imagens cheguem à
retina. A catarata inicia, geralmente, na juventude e
ataca mais intensamente a partir dos 57 anos. Deve ser
operada quando a pessoa perde a "visão útil",
indispensável para o desenvolvimento da atividade
profissional e necessidades básicas.
O pterígeo é o avanço da parte vermelha na ponta do
olho, a conjuntiva, sobre a área branca. Se a conjuntiva
passa pela córnea e atinge a íris (a parte colorida)
provoca a cegueira, pois prejudica/impede que as imagens
cheguem com nitidez ao centro do olho (a pupila). O
pterígeo é comum em pessoas que passam a maior parte do
tempo ao ar livre, como os ribeirinhos e índios. O sol,
o vento e a fumaça irritam os olhos e faz a conjuntiva
crescer. A doença também é hereditária. Ao contrário
da cegueira da catarata, que é totalmente curável, a do
pterígeo depende da cicatrização da córnea.
O glaucoma é a mais perigosa das doenças dos olhos
porque não tem cura, mas controle. É chamado de
"patologia assintomática" pois só se percebe
sua existência quando a capacidade da visão diminui. É
provocado pelo aumento da pressão dentro dos olhos
(intraocular), que varia de 9 a 19 mm de mercúrio. A
causa é genética e existem, basicamente, dois tipos:
congênito, em crianças; crônico simples, em pessoas de
mais de 35 anos. (GL)
Índios
xavantes e bororos mostraram medo de cirurgia
Especial para o DIÁRIO
Alguns fatos interessantes, e previsíveis, foram
registrados pelo Amazônia - Visão 2000. As diferenças
entre o mundo do branco e o do vermelho se expressam em
"passagens cotidianas", como a relatada por
Maria Auxiliadora Bokoromugo. Segundo ela, a maioria dos
xavantes e bororos, que se mostrou bem à vontade na
triagem, não teve coragem de fazer cirurgia ou
tratamento específico. Assim, suas vagas foram ocupadas
pela população carente da cidade goiana de Aragarças,
próxima de Barra do Garças. Os índios ficaram receosos
de perder os olhos.
José Rehder conta que em uma aldeia karajá e em São
Félix do Araguaia ocorreu fato semelhante, porém, dessa
vez a equipe médica conseguiu convencer os índios que
eram "de paz". O mesmo boato espalhado pelos
bororos e xavantes corria no local, mas a suspeita foi
desfeita quando os médicos curaram a cegueira do cacique
e sua mulher. "Quando trouxemos o casal de volta,
descendo sozinho de canoa, e caminhando normalmente,
houve uma festa entre os índios", lembra Rehder.
(GL)
SAÚDE
Cólica menstrual provoca maioria das
faltas femininas ao trabalho
Acredita-se que de 40% a
50% das mulheres sejam atingidas pelo problema
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
A cólica menstrual é um problema que atinge as
mulheres desde as mais remotas gerações e já rendeu
mitos do tipo "depois que casar, a dor passa".
Mas há quem ainda ache que não passa de frescura, uma
desculpa para chamar a atenção ou ser mimada.
Especialistas médicos acreditam que a cólica afeta de
40% a 50% das mulheres e que é um dos principais motivos
de falta ao emprego. A cólica se manifesta com
intensidade diferente de mulher para mulher. Algumas
sentem apenas um pequeno desconforto, enquanto outras
podem sofrer a ponto de não conseguir trabalhar ou ir à
escola.
Isso é o que já aconteceu com a estudante Rikelly
Hirata, 16 anos. Rikelly tem cólicas intensas sempre nos
primeiros dias da menstruação. Já chegou a faltar à
aula e ficar de cama nesses dias. Para aliviar as dores
ela costuma usar bolsa de água quente e tomar
analgésico.
Cléia Leite, 16 anos, também estudante, já ficou de
cama. "Como se não bastasse a dor, incomoda
muito", reclamou.
Acredita-se que a cólica menstrual é uma das principais
causas de faltas no emprego. Com a crescente
participação da mulher no mercado do trabalho, o
prejuízo é considerado alto.
CONTRAÇÃO
De acordo com o ginecologista e obstetra Mauro
Misawa, a causa da cólica é uma substância chamada
prostaglandina. Liberada no período menstrual, a
prostaglandina causa a contração do útero e a
compressão de vasos e nervos, provocando a dor no baixo
ventre.
Outras dores também podem acompanhar as cólicas, como
as dores mamárias. Elas podem ainda deixar doloridas
outras regiões musculares, como costas e causar
reações adversas como náusea, vômito, dor de cabeça
e queda de pressão. A cólica menstrual também é
chamada de dismenorréia (menstruação difícil).
Misawa explica que existem dois tipos de dismenorréias:
a funcional e a orgânica.
A funcional, também conhecida como primária,
manifesta-se nas primeiras horas do ciclo menstrual,
incomodando durante um ou dois dias. Ocorre, geralmente,
nos primeiros anos após a primeira menstruação e pode
desaparecer com o tempo, quando o colo do útero vai se
abrindo, facilitando a saída do sangue com
prostaglandina.
A secretária Cíntia Guazzi Biral, 18 anos, sofre de
cólica desde a sua primeira menstruação. O problema
começa sempre um dia antes da menstruação.
"Depois da dor de dente, é a pior dor que
tem", comparou Cíntia, dizendo que toma analgésico
para aliviar as cólicas.
Já a dismenorréia orgânica ou secundária costuma
afetar as mulheres depois de algum tempo após o início
da menstruação. Normalmente é provocada por
inflamações ou outras doenças ginecológicas, como
tumores no útero ou ovário, miomas e endometriose.
São pessoas que nunca sofreram de cólica menstrual e
começam a senti-la. A recomendação é procurar um
especialista para descobrir a verdadeira causa e indicar
o melhor tratamento.
Ultra-som
ajuda no diagnóstico
Da Reportagem
Antes de tomar remédio indiscriminadamente é preciso
buscar as causas da dismenorréia. O ultra-som da pelve
é um meio seguro de distinguir os dois tipos de
dismenorréia, permitindo afastar doenças que poderiam
estar relacionadas à dor da cólica menstrual. Caso
indique alguma patologia, o tratamento será indicado
pelo médico.
No caso da cólica funcional, alguns medicamentos podem
aliviá-la. Os analgésicos são indicados para dores
mais leves. Existem também medicamentos que relaxam a
musculatura e outros que atuam diretamente no útero.
É recomendável também fazer exercícios,
principalmente, os relaxantes como o ioga. Exercícios na
região abdominal facilitam a vascularização. Bolsas de
água quente também ajudam a aliviar a dor, pois
facilitam o fluxo sangüíneo, pois o calor provoca a
dilatação dos vasos.
O ginecologista e obstetra Mauro Misawa avisa que
problemas emocionais podem agravar a cólica menstrual.
Ele afirma que depois que a mulher tem filhos, as
cólicas melhoram, pois a gestação provoca a abertura
do colo do útero, facilitando a saída da
prostaglandina. No entanto, não é preciso esperar até
lá para se conseguir superar as dores, já que existe
tratamento para isso. (JD)
ÁGUAS/APROVEITAMENTO
Represas podem ajudar a perenizar o
Pari
Projeto da UFMT e
Associação de Ensino Agrícola Superior (Abeas) prevê
técnica de retenção de água no Pari, importante
afluente do Cuiabá
ANSELMO CARVALHO PINTO
Da Reportagem
Considerado importante para o sustento econômico de
centenas de pequenos proprietários, o rio Pari, afluente
da margem direita do Cuiabá, sofre anualmente com a
drástica redução no seu volume d'água, entre os meses
de junho e agosto, os menos chuvosos do ano. Houve época
em que o leito secou.
O problema poderia ser resolvido se um importante projeto
da Universidade Federal de Mato Grosso e da Associação
Brasileira de Educação Agrícola Superior (Abeas) fosse
colocado em prática: a perenização da bacia do Rio
Pari.
A pouca quantidade de água na bacia do rio Pari
determina também a queda na vazão do Cuiabá, que
anualmente tem reduzido o seu nível, refletindo na vida
do cuiabano. Se antes seu leito possuia um vau _
distância entre as duas margens _ de 120 metros em
média, hoje não passa dos 30.
O Cuiabá tem 70 afluentes. Se cada um deixar de
contribuir com 10 metros cúbicos por segundo em época
de seca, como acontece com o Pari, o rio perderia 700
metros cúbicos a cada segundo.
O projeto da Abeas e da UFMT prevê a construção de 400
represas, de 400 metros cúbicos cada, ao longo do leito,
fazendo com que em época de seca, a água dessas
represas corra subterraneamente e por capilares em
direção ao Pari.
Além de ajudar na manutenção do leito, as represas
poderiam ser aproveitadas com atividades produtivas, como
piscicultura, e melhorar a irrigação em plantações de
mandioca, banana, milho, feijão, arroz e cana, as mais
presentes na região.
"O problema é a falta de dinheiro para pôr o
projeto em prática", diz um dos responsáveis, o
professor Pedro Nonato da Conceição, professor do curso
de Engenharia Florestal da UFMT.
EMPREGADOS
A diminuição do nível do rio tem levado os
maiores proprietários a construir barragens, o que é
errado, e principalmente inviabilizando o sustento dos
pequenos produtores, que se vêem obrigados a se tornar
empregados em fazendas maiores ou morar na cidade.
De acordo com estudos técnicos, seriam necessários R$
7,2 milhões para cavar as represas para o projeto.
"Poderia haver um crédito a fundo perdido",
avalia Pedro Conceição.
Os moradores da região sentem a falta de constância no
volume do rio. "Na seca, isso aqui é um
sufoco", diz o sitiante Vitorino Sebastião da
Conceição. "Fica só um filetinho de água".
O rio Pari corre paralelamente à BR-070, que liga
Cuiabá a Cáceres, e é irrigado por uma rede de 577
quilômetros de canais. Tais canais seriam abastecidos
pelas represas que, em seguida, abasteceriam seu leito e
resolveriam o problema da vazão na seca.
De acordo com o professor Nonato, de outubro a março, os
meses mais úmidos, chove 1.500 mililitros de água.
"Isso significa 1,5 metro de altura de água por
metro quadrado", calcula o professor. "Todo
esse líquido vai embora na época da seca. É preciso
fazer alguma coisa para retê-lo".
TRÂNSITO
Técnicos do Detran discutem como será
implantação do Novo Código
Kasuo Sakamoto,
ex-presidente do Contran, alerta para rigor da retirada
de CHN
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Será mais difícil retirar ou adquirir a Carteira
Nacional de Habilitação (CNH) com a implantação do
Novo Código de Trânsito. Esta é a opinião do
ex-presidente do Contran (Conselho Nacional de
Trânsito), Kasuo Sakamoto, que participou da
elaboração do novo código, aprovado e sancionado pelo
Governo Federal, que entra em vigor a partir de 23 de
janeiro de 98.
"Vai ser preciso ter conhecimento e formação para
retirar a carteira de motorista", comentou Sakamoto.
Kasuo Sakamato participou ontem do Encontro Estadual dos
Profissionais do Departamento Estadual de Trânsito, que
termina hoje no Hotel Fazenda Mato Grosso, e falou sobre
a Municipalização do Trânsito e Engenharia de
Tráfego.
O evento está discutindo com profundidade as novas
regras que passam a vigorar com o Novo Código de
Trânsito. Participam do encontro técnicos do Detran,
profissionais de auto-escolas, despachantes e outras
autoridades ligadas ao Trânsito.
Sakamoto lembrou que pelo novo código o candidato a
motorista receberá uma habilitação provisória, por um
ano. Neste período, se não houver infrações graves ou
gravíssimas receberá a CNH definitiva. Caso contrário,
perde a carteira provisória e terá que fazer novos
exames.
O código prevê também punição rigorosa aos
infratores, criou multas pecuniárias de valores elevados
para motoristas e algumas infrações foram classificadas
como crimes de trânsito, e multas para pedestres que
desrespeitarem a sinalização.
Sakamoto reconhece, no entanto, que o novo Código
Nacional de Trânsito não vai ser implantado
definitivamente de um dia para outro.
"Algumas cidades não estão fazendo nada para sua
implantação. Outras estão fazendo tudo",
ressaltou Sakamoto. "Nessas cidades onde não existe
nada sendo feito para a implantação do Código cabe à
população cobrar da administração municipal, pois os
municípios estarão ocupando um grande espaço no
sistema de trânsito.
Como multar e fiscalizar o pedestre é a grande dúvida
da maioria das pessoas. "O pedestre é a parte mais
frágil, mas não nos preocupamos com a multa, mas no
engajamento de todos em passar ao pedestre os riscos em
relação ao desrespeito à sinalização",
comentou.
De acordo com Sakamoto, um terço das pessoas que morrem
no trânsito são pedestres, cerca de 10 mil
pedestres/ano. A estimativa é que morrem 28 mil pessoas
em acidentes de trânsito por ano. A principal causa é a
falta de respeito das autoridades públicas com o
pedestre, que têm dificuldades em andar nas calçadas
(quando elas existem) por causa de carros mal
estacionados, entulhos e falta de sinalização.
O coordenador de Habilitação do Detran/MT, João
Shimada, lembrou dos direitos do cidadão previstos pela
lei. "A legislação é completa. Além de prever
deveres e direitos ao cidadão, o código está sendo
severo com os motoristas, e garante ao cidadão o direito
de exigir dos órgãos públicos que providências sejam
tomadas".
Lombadas:
lei dos 40km/h não vem sendo respeitada
A lei que determina o aumento de 30 Km/h para 40 Km/h
a velocidade máxima nas lombadas eletrônicas instaladas
em Cuiabá e o desligamento dos aparelhos das 20h às 6h
não vem sendo cumprida.
A lei número 3.657 de autoria do vereador Carlos Brito
(PSDB) foi aprovada na Câmara Municipal em agosto e
sancionada pelo prefeito Roberto França no dia 12 de
setembro passado.
O vereador Carlos Brito cobrou esta semana que a
Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano
(SMTU) e Detran tomem providências. Para o vereador,
"as lombadas estão tendo uma função desvirtuada e
operando como máquina arrecadadora".
De acordo com Brito, a lei tem como objetivo adequar as
lombadas à realidade local, "portanto não é justo
e nem legal multar alguém que não tenha transposto a
velocidade de 40km/h, desde a vigência da lei".
A assessoria de imprensa da SMTU informou que já foi
encaminhado um ofício ao Detran solicitando o
cumprimento das alterações, porém as novas normas não
foram ainda executadas pelo órgão. Caso as alterações
determinadas não sejam realizadas, o vereador Carlos
Brito pode vir a propôr uma nova licitação em que a
empresa vencedora deverá cumpri-las.
O presidente do Detran, Carlos Nascimento, disse ontem
que já autorizou a SMTU a fazer as alterações
necessárias nos aparelhos para que se adéquem à nova
lei. (JD)
COMUNICAÇÃO
Telefone celular deve ser programado
só para banda A
ANSELMO CARVALHO PINTO
Da Reportagem
A Telemat está enviando comunicado aos usuários da
telefonia celular em Mato Grosso solicitando a
reprogramação dos telefones para operar somente na
banda A.
A intenção é evitar que haja interferência com a
banda B, que está entrando no Brasil por meio de
empresas privadas de telecomunicação.
As interferências acontecem em locais onde a banda B já
está operando, como Brasília (DF). Se não fizer a
reprogramação, o mato-grossense em viagem não poderá
gerar nem receber qualquer ligação. A medida também
antecede problemas que possam aparecer quando a banda B
começar a ser operada no Estado.
A Telemat, no entanto, informa que cada marca de aparelho
tem sua forma de reprogramação. Acompanhe a seguir os
passos a serem seguidos _ cada número representa um
passo.
Se o seu aparelho for Ericsson: 1) Tecle FCN e o número
5; 2) Tecle o número 5 até aparecer a indicação
"PREF ONLY" no visor; 3) Tecle "STO"
para confirmar a programação.
Se for Motorola: 1) Tecle RCL e *; 2) Tecle * até
aparecer "SCAN A" no visor; 3) Tecle STO para
confirmar a programação.
Se for Gradiente/Nokia: 1) Tecle MENU e 1 (caso o
aparelho Nokia seja o modelo 636, tecle MENU e o número
5); 2) Tecle ^ até aparecer "SISTEM SELECT" no
visor e tecle STO; 3) Tecle ^ até surgir "HOME TYPE
A" no visor; 4) Tecle STO para confirmar.
Se for Sansumg: 1) Tecle FCN e 0; 2) Tecle ^ até
aparecer "A ONLY" no visor; 3) Tecle STO para
confirmar.
Se for Sony/Sanyo: 1) Pressione dial (botão na lateral
do aparelho); 2) Tecle 6 e 1; 3) Pressione o dial
novamente; 4) Tecle 1; 5) Tecle END.
Se for da marca Nec: 1) Tecle FCN, 5 e 4; 2) Tecle RCL
até aparecer "SYS A ONLY"; 3) Tecle CLR para
confirmar a programação.
Esclarecimentos adicionais poderão ser obtidos pelo
telefone 1404 ou em qualquer loja da Telemat ou
credenciadas.
CÂNCER/FALSIFICAÇÃO
Polícia identifica enfermeiro suspeito
de desviar remédios
CLÁUDIO RENATO
Da Agência Estado - Rio
A Polícia do Rio já identificou e obteve o endereço
do enfermeiro que teria desviado os medicamentos
Granulokine 30 e Dobutrex da enfermaria de um hospital na
Baixada Fluminense para que, depois de falsificados, eles
fossem vendidos a clínicas no Rio e de outros Estados do
Sudeste. O enfermeiro _ cujo nome está sendo mantido em
sigilo _ é peça-chave para se desvendar a cadeia de
falsificadores do Granulokine, remédio injetável para
manter o equilíbrio do organismo de pessoas submetidas
à quimioterapia e usado apenas para pacientes terminais
de câncer.
Na sexta-feira, a Delegacia Fazendária da Polícia Civil
começou a desmantelar a quadrilha, prendendo quatro de
seus integrantes, que falsificavam o medicamento e
vendiam água como sendo Granulokine. A mesma quadrilha
falsificava outro medicamento, o Dobutrex, para
cardíacos. O delegado Pedro Paulo Ponte Pinho disse que
já dispõe de informações sobre a localização da
fábrica onde foram feitas as falsificações. "Só
posso dizer que a fábrica fica na região Sudeste, fora
do Rio", afirmou.
De acordo com Pinho, o enfermeiro _ que deverá ser
ouvido pela polícia amanhã - é o principal suspeito de
ter desviado o medicamento, fabricado pela Roche.
"Após ouvir o enfermeiro, vamos conferir no
hospital o estoque do Granulokine", afirmou. O
delegado disse que pretende pedir na Justiça a prisão
preventiva do enfermeiro.
Pinho informou que a Roche está colaborando com as
investigações. "A fábrica está mandando circular
a todos os clientes que compraram Granulokine diretamente
dela que use outro medicamento", afirmou.
O delegado disse ainda que, se aparecer médico ou
parente de alguém, denunciando que algum paciente
morreu, por causa da falsificação do Granulokine, os
integrantes da quadrilha serão indiciados por homicídio.
|
 |