BELEZA

O rosto da perfeição

A beleza e o talento da ex-modelo Ana Paula Arósio conquistaram o Brasil

Da Folha Imagem – São Paulo

Aos 12 anos, a menina Ana Paula fazia compras com sua mãe em um supermercado do ABC paulista quando foi convidada para fazer um teste fotográfico. A fada-madrinha era a mulher do dono de uma agência de modelos. O rosto de traços delicados e os cabelos encaracolados a levaram para a capa da revista Capricho, dirigida ao público adolescente. Foi apenas o começo. Logo depois, seus belos olhos azuis começaram a brilhar em capas de revistas. Foram mais de 250, entre publicações nacionais e estrangeiras. Aos 15 anos, já era considerada a dona do rosto mais perfeito do país, e passava a ser conhecida em vários países da Europa, dos Estados Unidos e do Japão por meio de comerciais de televisão. Mas ainda tinha um grande sonho para realizar: o de ser atriz.

O primeiro passo na carreira artística foi dado com uma ponta no filme Forever, de Walter Hugo Khouri, em 1991. Logo depois, foi convidada para fazer a peça Batom, em São Paulo, ao lado de Fúlvio Stefanini e Luiz Gustavo, e chamou a atenção de Nilton Travesso, diretor de teledramaturgia do SBT na época. Era um momento em que os modelos saltavam das passarelas para o vídeo. A resistência da modelo foi driblada pela insistência de Travesso, e Ana Paula estreou na novela Éramos Seis, em 1995. A emissora paulista resolveu investir em seu futuro artístico e bancou cursos de interpretação. O investimento rendeu frutos, e outros trabalhos vieram. Em 1996, Ana Paula viveu Bruna, em Razão de Viver, e, em 1997, Isabel, no remake de Os Ossos do Barão. No ano passado, também participou da montagem da tragédia grega Fedra, dirigida por Antônio Abujamra, em São Paulo, na qual interpretava um personagem masculino.

Mas foi ao dar vida a Hilda Furacão que a ex-modelo conquistou o Brasil. Quando recebeu o convite do diretor da minissérie, Wolf Maya, Ana Paula se debruçou sobre o romance de Roberto Drummond, no qual se baseia a minissérie, e só o largou na última página. Decidiu batalhar o papel de todas as formas. Emprestada à Rede Globo pelo SBT, de quem ainda era contratada na época da gravação da minissérie, Ana Paula se sentia na obrigação de provar a seus colegas que era capaz de abraçar um trabalho tão consistente. Poucos acreditavam que a aposta pudesse dar certo. Hoje, a maioria dá o braço a torcer. A atriz superou todas as expectativas.

Nos corredores da Globo, comenta-se que Wolf Maya, tido como um grande diretor de atores, transformou Ana Paula em atriz na marra. Preservando a mania dos tempos de modelo, durante as gravações ela comia pouco e passava muitas horas sem se alimentar. Foram incontáveis os desmaios da jovem atriz nos estúdios. Horas excessivas de trabalho e o desgaste das gravações, porém, não assustaram a ex-modelo. Ana Paula Arósio mergulhou de cabeça na nova empreitada e deu certo. A grande audiência de Hilda Furacão confirmou o seu talento e expôs, para o Brasil inteiro, a sua beleza.

Hilda, Gilda, Odete e outras mulheres

Desde o final de maio, Hilda Furacão, a personagem-título do romance de Roberto Drummond adaptado por Glória Perez para a tevê, lançou sua intérprete, Ana Paula Arósio, do patamar de modelo bem-sucedida para o posto de uma das mais promissoras atrizes da nova geração. Aos 22 anos, a jovem paulista se torna alvo de disputa de diretores de televisão e cinema. Acabou de rodar o longa-metragem Os Cristais debaixo do Trono, de Del Rangel, e se prepara para interpretar a atriz Odete Lara na cinebiografia Lara, dirigida por Ana Maria Magalhães, a partir de agosto.

As duas personagens têm pontos em comum com Ana Paula. O sofrimento é a marca de todas. Em Os Cristais debaixo do Trono, ela é Gilda, mulher que nutre um amor obsessivo pelo pai. A história de Odete Lara é conhecida do público. Atriz consagrada no cinema e no teatro, símbolo sexual de uma geração, mergulhou em profunda depressão e, no início dos anos 70, trocou o sucesso pela busca espiritual. Odete Lara endossa a escolha e garante que, por trás da beleza, Ana Paula passa uma imagem de amargura e deve dar força ao papel.

Esse lado sombrio marcado em seu rosto não é acaso. Filha de uma família de classe média alta, Ana Paula conheceu a tragédia de perto no final de 1996. De casamento marcado com o empresário Luiz Carlos Tijurs, viu o noivo se suicidar com um tiro na boca um mês antes da união. O drama forçou a jovem a passar por um processo radical de amadurecimento. Trocou a casa dos pais por um confortável apartamento no bairro Higienópolis, em São Paulo. Sofreu a dor calada e mergulhada no trabalho. O alívio veio com o início do romance com o ator e diretor Tarcísio Filho, com quem contracenou na novela Os Ossos do Barão, no SBT.

O sucesso não atrapalha o amor. Ana Paula justifica que namorar alguém do meio artístico facilita a rotina. Cheia de projetos, pretende montar, no início do ano que vem, um novo espetáculo teatral. Pensou em À Flor da Pele, texto de Consuelo de Castro sobre uma universitária que se apaixona pelo professor maduro. O papel, já vivido por Miriam Mehler no palco e por Denise Bandeira no cinema, não mete medo. Mas a autora prometeu um texto original para a jovem estrela.

Na televisão, Ana Paula grava atualmente uma participação no seriado Mulher, como uma modelo portadora de uma anomalia genética. Seu companheiro de cena é Rodrigo Santoro, parceiro em Hilda Furacão, que termina no dia 17. Além disso, Glória Perez, responsável pelo remake de Pecado Capital, de Janete Clair, a próxima novela das seis da Globo, lembrou de cara de seu nome para viver Lucinha, a operária suburbana de Betty Faria na versão original. Enquanto Carolina Ferraz, a provável intérprete, não dá o seu sim, Ana Paula não foi descartada.

Mas a atriz não está preocupada em assinar contrato com a Rede Globo, que parece ter as melhores intenções em relação a seu nome. Depois de se livrar, em abril, das pendengas do contrato com o SBT, que a cedeu à emissora carioca para fazer Hilda, Ana Paula quer ser, pelo menos por um tempo, dona de seu próprio nariz.


GENTE

O último encontro

Adeus: o último disco da dupla Leandro & Leonardo (reprodução/ZH)

Da redação

Não tem conversa. Aqui o assunto é emoção, perda. E Um Sonhador, último disco gravado pela dupla Leandro & Leonardo, chega às lojas em clima de comoção nacional. Trata-se do último encontro dos dois irmãos que, por esses caminhos e descaminhos que ninguém explica e que alguns chamam de destino, deixaram de compartilhar as trilhas das plantações de tomate para dividir o sucesso fonográfico, a fama, a grana. Um Sonhador foi finalizado antes de Leandro saber da doença que o mataria no dia 23 de junho. E o resto da história você já sabe ou pelo menos intui: o CD chega às lojas com 1,5 milhão de cópias vendidas. Número que supera, de saída, as vendagens dos dois últimos discos da dupla. Deve vender como água. (Parte da renda obtida com a vendagem de Um Sonhador, 3%, será doada para instituições de combate ao câncer, vontade expressa por Leandro antes de morrer.)

Um Sonhador segue no embalo dos discos produzidos pela dupla anteriormente, mas reserva algumas surpresas para os fãs. Pela primeira vez, os artistas optaram por não utilizar o nome Leandro & Leonardo como título do CD. Também resolveram empunhar o violão e arriscar na composição. Nasceu a canção Tô Dando o Fora, incluída no disco novo. Leandro, a segunda voz da dupla, pela primeira vez canta sozinho. Pitadas de ritmos jamais visitados pela dupla foram usadas nas músicas de Um Sonhador: country, axé, forró e rock’n’roll estão lá, em pequenas porções, que chegam a passar despercebidas pelos ouvidos menos atentos.

O forte continua sendo o romantismo. Deu Medo (de César Augusto, o produtor), Solidão por Perto (um pouco mais embaladinha), Tô Querendo você (de José Augusto), Copo de Vinho, Amor Dividido, Não Entrego, Abandonado (de Michael Sullivan) e Vou Onde você Estiver (de Conrado) vão por aí. O country aparece para dar uma levantada no clima em Dia de Rodeio e Paixão de Rodeio, essa última composta por Alexandre Pires, do Só Pra Contrariar. Cumpade e Cumade mistura axé e forró e acaba numa salada meio desandada. Machucando o Coração, de Martinha (aquela do queijinho), carrega no clima de bolero. O disco acaba com Um Sonhador, a faixa que entrou na trilha da novela Era Uma Vez, da Globo. A letra e a interpretação tristes de Leonardo acabam fazendo da música uma das melhores do CD.

Passemos à faixa Amor de Novela, cantada por Leandro. Descobrir a estas alturas do campeonato que Leandro era um belo cantor chega a ser irônico. Leandro tem um tom de voz mais delicado que o do irmão e poderia ter sido melhor aproveitado nos vocais anteriormente. A faixa deve ser saudada como um presente, uma relíquia, pelos fãs saudosos.

Na esteira da comoção nacional, Um Sonhador deve impulsionar a carreira solo de Leonardo. Se a dupla estava em declínio, a fatalidade deve reverter a situação, como ocorreu com Daniel depois da morte do parceiro João Paulo. Daniel passou a explorar uma sensualidade que, na dupla, não fazia sentido. A reboque das vendas de O Sonhador pode vir todo um novo impulso para a música sertaneja, colocada de lado nas paradas depois do boom do pagode. É esperar para ver.

E para quem tinha vontade de mandar algumas palavras solidárias à família do cantor e não sabia como, uma boa notícia: o correio do Estado de Goiás criou um CEP exclusivo para os fãs de Leandro & Leonardo. Enderece a carta assim: "Para a família de Leandro – Goiânia, GO – CEP 74125-900". É colocar Um Sonhador na vitrola, pegar um pedaço de papel e rabiscar algumas linhas.

       SERVIÇO 

O QUE: Um Sonhador, novo disco da dupla Leandro & Leonardo. São 15 faixas produzidas por César Augusto. Lançamento BMG

QUANTO: R$ 18, em média