| FHC/MALUF Maluf garante apoio a Fernando Henrique em 1998
CLÁUDIA CARNEIRO
Da Agência Estado - Brasília
O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) roubou a cena
política ao anunciar ontem seu apoio à reeleição do
presidente Fernando Henrique Cardoso, abandonando a
ameaça de ser adversário na disputa presidencial. Num
dia que deveria ser especial para o governador de São
Paulo, Mário Covas (PSDB), graças ao sucesso do leilão
da CPFL, Maluf tomou o café da manhã no Palácio da
Alvorada, conversou por uma hora e meia com Fernando
Henrique e depois foi recebido com festa pelo presidente
do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para
divulgar sua intenção "irreversível" de
concorrer ao governo de São Paulo.
"Hoje, quem tem melhores condições de levar o
País a aprovar as reformas e de implantar uma economia
de mercado com justiça social é o presidente Fernando
Henrique Cardoso", declarou Paulo Maluf. "Por
que eu, se vier a ser eleito governador de São Paulo,
decidiria não apoiar o presidente nos seus próximos
quatro anos?" Tudo isso, menos de uma semana depois
de elevar o tom nas críticas ao governo, chamando os
juros de pornográficos e dando a entender que poderia
voltar ao páreo presidencial.
O ex-prefeito disse ter apenas reafirmado a conversa que
teve com Fernando Henrique há três meses, mas as bases
do acordo para o apoio de Maluf e de seu partido à
reeleição passaram por ajustes finais. Em troca da
adesão malufista à reeleição e às reformas, o
ex-prefeito garantiu, segundo seus aliados, a
neutralidade do governo nas campanhas estaduais, além de
condições iguais ao PFL e PSDB para o PPB no comitê de
campanha e, obviamente, no futuro governo.
Paulo Maluf ganhou mais do que isso, em troca de seu
apoio à reeleição, segundo alguns interlocutores. A
adesão do PFL nacional à sua candidatura ao governo
paulista e a segurança de que não haverá distinção
de candidatos em São Paulo por parte do governo federal
foram assuntos vitais no acordo. Mesmo sem a garantia de
que o governador Mário Covas desistiu de disputar sua
reeleição, os pepebistas parecem seguros. "O
presidente da República ficará de fora: ele é um homem
que sempre honrou sua palavra", afirmou um dos
líderes do partido.
"Agora somos governo", comunicou Paulo Maluf à
tarde, a uma bancada de 70 deputados e senadores. "O
PPB vai participar do comitê de campanha em condições
igualitárias: se o PFL tiver dois representantes e o
PSDB mais dois, também teremos dois." Essa mesma
bancada estava representada pelo líder na Câmara,
Odelmo Leão (PPB-MG), e outros quatro deputados, num
encontro com Maluf em sua residência em São Paulo, na
noite de segunda-feira (03).
Os parlamentares foram cobrar de Maluf uma definição
quanto ao governo, porque há uma semana ele afirmara aos
mesmos aliados _ quando o procuraram em São Paulo _ que
no momento era mais importante ser o principal candidato
a governador paulista do que terceiro lugar nas pesquisas
para presidente da República. Bastou Maluf voltar da
viagem a Nova York para, no início da semana, criticar
duramente as medidas tomadas pelo governo contra a crise
e chamar as novas taxas de "juros
pornográficos".
A passagem de Maluf ontem por Brasília e suas
declarações surpreenderam algumas pessoas próximas ao
ex-prefeito, que consideraram "cedo" o anúncio
de apoio à reeleição. Mas atendeu às expectativas de
boa parte da bancada.
FHC/DIRCEU
Reformas: oposição acusa governo de
"autoritário"
JOÃO DOMINGOS
Da Agência estado - Brasília
Os líderes do PT, PDT, PSB e PC do B divulgaram ontem
nota na qual afirmam que, ao pretender a aprovação das
reformas rapidamente, o governo está mostrando uma
"tentação autoritária". O presidente do PT,
José Dirceu, disse que o presidente Fernando Henrique
Cardoso quer ser a versão brasileira do presidente do
Peru, Alberto Fujimori, que ao chegar ao poder fechou o
Judiciário e o Congresso. O discurso do presidente
acirrou os ânimos da oposição: até o dia 15, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), Miguel Arraes (PSB) e Leonel
Brizola (PDT) encontram-se em Recife para decidir uma
candidatura única contra Fernando Henrique.
Na nota, os partidos de oposição afirmam que o
presidente Fernando Henrique Cardoso é "incapaz de
assumir suas responsabilidades na grave crise econômica
e social que envolveu o País". Por isto, segundo os
líderes dos quatro partidos, o presidente responsabiliza
a oposição e o Congresso pela crise e exige a
aprovação das reformas da Previdência e
administrativa. A verdade, segundo a oposição, é que
Fernando Henrique e seu governo basearam toda a política
econômica em capitais externos especulativos.
Ainda conforme as oposicionistas, "a crise apenas
expôs de forma cruel a artificialidade, a fragilidade e
o equívoco da política macroeconômica imposta ao
Brasil em favor dos interesses das elites econômicas
brasileira e internacional". As oposições
argumentaram que fizeram vários alertas ao governo sobre
a crise anunciada.
IBOPE/CNI
Pesquisa aponta liderança de FHC na
corrida à Presidência
Da Agência Estado - Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso lidera a
corrida pela Presidência da República com 41% das
intenções de voto contra 43% dos outros candidatos
juntos, segundo pesquisa do Ibope, encomendada pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada
ontem. A pesquisa ouviu duas mil pessoas em todo o País
entre os dias 15 e 22 de outubro, antes, portanto, da
crise mundial das bolsas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
recebeu 16% dos votos, o senador José Sarney (PMDB-AP),
9%, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), 8%, o ex-presidente
Itamar Franco (PMDB), 6%, e o ex-ministro Ciro Gomes
(PPS), 4%. 9% votariam nulo ou em branco e 7% estão
indecisos.
A pesquisa revela, ainda, que, para a população,
Fernando Henrique é o pai do Plano Real. "Não
fizemos ainda um exame de DNA, mas agora sabemos o que o
povo pensa", brincou o presidente da Confederação
Nacional da Indústria, Fernando Bezerra. Na opinião de
70% dos entrevistados, Fernando Henrique, ministro da
Fazenda no governo Itamar Franco, é o responsável pela
estabilidade da moeda. Itamar Franco, que era o
presidente da República na instituição do real, em
julho de 1994, é considerado o pai do programa de
estabilização por 14% dos entrevistados.
As entrevistas foram feitas antes do furacão que varreu
as bolsas de valores, que levou o governo a dobrar as
taxas de juros. A análise da CNI alerta que a medida, se
mantida por muito tempo, agravará o desemprego, tido
pelos brasileiros como o ponto fraco do Plano Real. Os
juros altos também acabarão com o principal
combustível da popularidade de Fernando Henrique até
agora, que são as compras de eletrodomésticos e outros
bens a crediário.
JORGINA
Jorgina recebe seu advogado na
penitenciária, na Costa Rica
Ela cancelou a
entrevista à imprensa e recusou-se a receber o cônsul
do Brasil
IVANA DINIZ MACHADO
Especial para a AE - Brasília
O advogado brasileiro de Jorgina Maria de Freitas,
Carlos Felipe Amadeo, chegou ontem às 10h30 (hora local)
à Penitenciária Bom Pastor, na cidade de São José,
capital da Costa Rica. Ele foi conversar com a cliente,
condenada a 25 anos de prisão por fraudar a Previdência
Social em R$ 112 milhões. Jorgina, que se entregou na
segunda-feira (03) à polícia da Costa Rica, cancelou a
entrevista à imprensa e passou todo o dia fazendo
tratamentos de beleza e cuidando dos cabelos dentro da
penitenciária. A advogada ainda não entrou com nenhum
recurso contra sua extradição para o Brasil.
Funcionários do Setor de Segurança Nacional, do
Departamento de Inteligência e Segurança, confirmaram
à Agência Estado que até a tarde os advogados de
Jorgina não haviam entrado com qualquer recurso contra a
extradição da fraudadora. Para eles, Jorgina estaria
querendo fazer uma cortina de fumaça deixando vazar
informações contraditórias para ganhar tempo e espaço
na imprensa brasileira e negociar um acordo melhor sobre
sua pena. A imprensa costa-riquenha noticiou ontem que a
advogada brasileira tem câncer no seio e precisa de
cuidados médicos.
Fontes ligadas à Polícia Federal desconfiam que Jorgina
esteja distribuindo propina para retardar ao máximo sua
volta ao Brasil. Na terça-feira (04) ela prestou
depoimento ao juiz titular do Juizado Primeiro Penal de
San José, Gerardo Rojas. Ela recusou-se a receber o
cônsul do Brasil, José Gilberto Jungblut, que havia ido
até a penitenciária Bom Pastor acompanhado do advogado
da embaixada brasileira na Costa Rica, Joaquim Vargas,
para verificar as condições da prisioneira e lhe
oferecer a assistência de praxe a brasileiros presos no
exterior.
Assistência gratuita _ O ministro Hélio Mosimann, do
Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou ontem o pedido
de assistência jurídica gratuita solicitado pela
advogada brasileira e encaminhado na última sexta-feira
por um advogado de Jorgina. O ministro argumenta que a
brasileira não ofereceu qualquer comprovação de que
precisa desse tipo de ajuda. O ministro negou também o
pedido de notificação ao Ministério das Relações
Exteriores para que as embaixadas brasileiras em
Washington e Costa Rica promovessem recursos para
concessão de assistência jurídica.
INSS
vasculha contas bancárias de Jorgina
ROBSON PEREIRA
Da Agência Estado - São Paulo
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) espera
recuperar até o final do ano entre US$ 20 milhões e US$
30 milhões mantidos pela advogada Jorgina Maria de
Freitas Fernandes em bancos dos Estados Unidos. Deste
total, US$ 2,2 milhões, depositados em uma agência do
Merryl Linch Bank, em Miami, poderiam ser repatriados
imediatamente, mas o restante ainda depende de uma
decisão da justiça norte-americana.
"Tudo indica que conseguiremos trazer todo o
dinheiro ainda este ano, mas se não for possível
faremos a execução por partes", afirmou ontem o
procurador Zander Martins de Azevedo, responsável pelas
ações de ressarcimento movidas pela autarquia.
No início de 97, o Tribunal da Flórida condenou Jorgina
a devolver ao governo brasileiro US$ 34,2 milhões
desviados por ela da Previdência Social. Como foi
considerada culpada por "furto civil" o valor
foi elevado para US$ 123,3 milhões - acima mesmo dos US$
112 milhões conseguidos por ela em indenizações
fraudulentas na Baixada Fluminense.
Para garantir o pagamento, a justiça americana
determinou o bloqueio de várias contas identificadas
pelo governo brasileiro. Na conta pessoal de Jorgina
estão depositados US$ 2,2 milhões. "Mas queremos
também o dinheiro que está em nome de familiares e das
empresas fantasmas criadas por ela", diz Martins.
ABORTO/LEGAL
CNS quer a regulamentação do aborto
legal no SUS
SÔNIA CRISTINA SILVA
Da Agência Estado - Brasília
O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, tem 15 dias
para decidir se acata ou não resolução aprovada ontem
pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) recomendando que o
Executivo regulamente a realização do aborto legal no
Sistema Único de Saúde. A intenção do conselho é de
que o governo se antecipe à polêmica e demorada
votação no Congresso do projeto de lei autorizando o
SUS a prestar serviços de interrupção da gravidez nos
casos previstos pelo Código Penal _ estupro ou risco de
vida para a mãe.
Carlos Albuquerque, que já causou grande polêmica ao se
declarar contrário ao aborto, fugiu do assunto.
"Não sei do que estão tratando lá dentro",
desconversou ao chegar à sala de reunião do CNS,
minutos após ter sido aprovada a resolução. "Eu
não conheço o teor do documento", argumentou. Em
geral, os ministros acatam as decisões do conselho, um
órgão consultivo do ministério que tem influência
política por reunir representantes de usuários do
sistema de saúde, donos de hospitais, igreja, entidades
ligadas ao setor e aos movimentos sindicais.
"O ministro, que presidente o Conselho, vem acatando
suas decisões, mas se agora for contra terá de explicar
sua posição e certamente ficará em situação
constrangedora", adiantou uma das conselheiras,
Margareth Arílha. A resolução foi aprovada por 17
votos favoráveis e quatro abstenções. Os dois únicos
votos contrários foram de Zilda Arms, representante da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) _ que
já havia pedido vistas ao processo _ e do representante
do Ministério da Educação.
Apoio _ Ao mesmo tempo em que tentam provocar o
Ministério da Saúde para que tome a iniciativa de
regulamentar o aborto legal, os conselheiros fecharam o
cerco também em relação ao Congresso. Eles aprovaram
moção de apoio ao projeto de lei do deputado Eduardo
Jorge. Aprovado em agosto na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), a proposta ainda não tem data para ser
votada em plenário, antes de ser encaminhada ao Senado.
Os conselheiros querem pressionar pela votação e vão
entregar a moção aos presidentes da Câmara, Michel
Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antônio Carlos Magalhães
(PFL-BA).
Antes da votação, os conselheiros ouviram deputados
envolvidos na discussão da projeto de lei. "O
Código Penal já prevê esses casos há 57 anos e já
deveríamos estar estudando a ampliação do
direito", disse o deputado José Pinotti (PSB-SP). A
deputada Marta Suplicy lembrou que hoje oito hospitais do
SUS já fazem o aborto legal e pediu apoio ao projeto.
"Vamos dar uma chance às mulheres pobres e acatar o
aborto caridoso", apelou a deputada Sandra Starling
(PT-MG).
Contrário à realização do aborto legal pelo SUS, o
deputado Hélio Bicudo (PT-SP) disse que apresentará um
substitutivo atribuindo ao Estado a responsabilidade
pelas crianças nascidas de estupro.
CÓDIGO CIVIL
Novo Código Civil diminui maioridade
de 21 para 18 anos
ROSA COSTA
Da Agência Estado - Brasília
O anteprojeto do novo Código Civil está pronto para
ser examinado pelos senadores. O relator Josaphat Marinho
(PFL-BA) citou, entre as principais inovações, a
mudança de idade de responsabilidade civil de 21 para 18
anos.
Outra mudança é a que impede a classificação, até
mesmo na divisão de herança, entre filhos naturais,
ilegítimos ou adotivos. Todos receberão o mesmo tipo de
tratamento. "O filho adotivo será igual aos
outros", explicou Marinho.
A mulher casada fica livre do constrangimento de ter de
se submeter a exame de paternidade. Homens e mulheres
terão os mesmo direitos e obrigações no casamento. Com
isso, desaprece a figura do "pátrio poder" e
surge no lugar o "poder familiar".
O senador esclareceu que não analisou a possibilidade da
união civil homossexual "porque a Constituiçao só
permite tratar da relação entre homem e mulher".
Ele previu a existência de um lobby para mudar a
situação, mas antecipou que a movimentação, por causa
do impedimento constitucional, não terá êxito. Marinho
mantém no texto o artigo do código em vigor
contrariando o lobby dos defensores do aborto, ao
especificar que "o direito do nascituro está
assegurado desde a sua concepção".
O código em vigor, feito em 1916, tem 81 anos e vem
sendo emendado durante todo esse período. O anteprojeto
inicial foi enviado ao Congresso em 1975, no governo
Geisel. Ficou dez anos na Câmara, onde chegou a ser
arquivado "por engano", e, só em 1985, foi
encaminhado ao Senado. A tramitação naquela Casa ficou
suspensa até 1995, quando a relatoria foi entregue a
Marinho.
Ele aceitou 366 emendas apresentadas por colegas, fez
mais 128 modificações, que, juntas às do texto, somam
2.073 artigos. O presidente do Senado, Antônio Carlos
Magalhães (PFL-BA), assegurou que o novo Código será
votado na Casa ainda este ano.
O relator explicou que o Código vai disciplinar várias
mudanças feitas pela atual Constituição, em 1988. Um
desses pontos é o que iguala o companheiro (homem ou
mulher) de união estável aos descendentes na divisão
de bens deixados como herança. Outro ponto é o que
reconhece como "entidade familiar" a união
estável entre o homem e a mulher, que vivam juntos como
se casados por mais de cinco anos.
Ele entregou ontem o parecer aos presidentes do Senado e
da comissão especial encarregada de examinar a matéria,
senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB). Na primeira
reunião, marcada para as 11 horas de hoje, a comissão
deve fechar um acordo para apressar a votação do
código.
Os integrantes vão aprovar, sem debater, o parecer de
Marinho. A idéia é tornar possível que a discussão
comece de uma vez no plenário.
LANÇAMENTO/VLS
Fracasso no lançamento do VLS poderia
ter sido evitado
JÚLIO OTTTOBONI
Da Agência Estado - S.J.dos Campos
O fracasso no lançamento do Veículo Lançador de
Satélites (VLS) poderia ter sido evitado pelos
responsáveis do projeto, segundo um professor do
Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e consultor
técnico do programa. De acordo com esse professor, ele
alertou os militares sobre a alta probabilidade de falha
por falta de testes no conjunto de boosters. As análises
sobre o problema que afetou um dos motores do primeiro
estágio do foguete estão sendo feitas pelos técnicos
do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e não há prazo
para conclusão.
Os engenheiros do Instituto de Aeronáutica e Espaço
(IAE), órgão do CTA e responsável pelo desenvolvimento
do VLS, disse o professor, foram avisados sobre a
possibilidade de defeito do sistema de ignição dos
motores há alguns meses. O consultor informou que era
necessário fazer testes de bancada envolvendo todo o
sistema de boosters, formado por quatro propulsores
primários. Os ensaios de bancada promovidos pelo CTA que
foram bem sucedidos avaliaram os motores separadamente,
nunca num sistema integrado.
Os quatro boosters funcionaram pela primeira vez em
conjunto no dia do lançamento, contrariando as
orientações do professor do ITA. O processo de
ignição iniciou a queima de apenas três motores,
deixando um deles sem acionamento. Isto levou o foguete a
fugir de sua trajetória de órbita e ser autodestruído.
O CTA não quis se pronunciar a respeito e informou que
aguardará o relatório final para fazer qualquer
declaração.
Inpe _ O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
deverá produzir satélites científicos ou reservas para
serem utilizados nos próximos lançamentos do VLS.
Segundo o diretor geral do instituto, Márcio Nogueira
Barbosa, a família de satélites de sensoriamento
remoto, que estão em processo de licitação, não será
colocada em órbita pelo foguete brasileiro.
IRAQUE/ONU
Enviados da ONU têm contato
"cordial" com governo iraquiano
O governo iraquiano, no
entanto, continua impedindo a entrada de americanos em
suas bases militares
Da AE/Reuter - Bagdá
Os três enviados da ONU ao Iraque, encarregados de
resolver a crise criada pela decisão do presidente
Saddam Hussein de expulsar do país inspetores americanos
da Comissão Especial da ONU encarregada de desmantelar o
arsenal iraquiano, classificaram ontem de "muito
bom" o primeiro contato mantido com as autoridades
iraquianas.
"Tivemos uma recepção cordial por parte do
vice-primeiro-ministro Tariq Aziz", disse o
diplomata argelino Lakhdar Brahimi, chefe da missão da
ONU. "Entregamos a ele uma carta do
secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao presidente
Saddam Hussein", acrescentou Brahimi ao fim do
encontro ocorrido pela manhã. "Uma segunda reunião
ocorreu à tarde", informou a agência oficial
iraquiana INA, sem acrescentar detalhes.
O argelino Brahimi _ assessorado pelo argentino Emílio
Cardenas e pelo sueco Jan Eliassin _ não revelou o
conteúdo da carta. Mas o embaixador dos EUA na ONU, Bill
Richardson, deixou claro: "Eles (os enviados da ONU)
não têm mandato para negociar... eles apenas leram para
Saddam Hussein os termos do ato". Richardson
referia-se à resolução aprovada pelo Conselho de
Segurança da ONU que ameaça o Iraque com sérias
sanções casos insista em dificultar os trabalhos da
comissão de desarmamento.
O Iraque voltou a impedir ontem o trabalho das três
equipes da comissão _ especializadas respectivamente em
armas biológicas, bacteriológicas e nucleares _ vetando
o ingresso em seus arsenais de inspetores americanos, que
acusam de "espiões e conspiradores".
Mas, conforme havia anunciado no dia anterior, manteve a
suspensão da ordem de expulsão dos inspetores
americanos do país, atendendo a pedido do
secretário-geral da ONU.
Num gesto de boa vontade _ e contrariando os EUA _ o
chefe da Comissão Especial, Richard Butler, suspendeu
temporariamente os vôos de reconhecimento sobre o
território iraquiano, efetuados por aviões U-2.
"Butler garantiu-nos que os vôos serão retomados
logo", afirmou Richardson, representante dos EUA na
ONU. "O Iraque não deve entender isso como um sinal
de abrandamento de nossa posição."
O presidente Bill Clinton, por sua vez, pediu paciência
a todos, preferindo aguardar os resultados da missão da
ONU em Bagdá. "Peço aos americanos e nossos
aliados de todo o mundo que não se frustrem, que sejam
pacientes, porém firmes."
Segundo Clinton, as conversações que ocorrem na capital
iraquiana "são o melhor caminho para encontrar uma
saída pacífica para a crise". O presidente
americano não deu muita importância para a suspensão
dos vôos dos U2, repetindo as declarações anteriores
de Richardson de que os EUA haviam recebido garantias da
ONU de que as operações aéreas seriam retomadas logo.
O Iraque ameaçou, no início da semana, derrubar os U2 _
segundo especialistas militares, Bagdá dispõe de
mísseis com automia suficiente para cumprir a ameaça.
Segundo a secretária de Estado, Madeleine Albright, os
vôos de reconhecimento serão reiniciados na próxima
semana. "O fato de que uma delegação da ONU estar
em Bagdá não significa um retrocesso da política
internacional empenhada em fazer o Iraque cumprir as
decisões da ONU no que se refere à inspeção e
desmantelamento de seus arsenais."
TUFÃO/VÍTIMAS
Sobe para 208 número de mortos no
Vietnã
Da AE/Reuter - Hanói
Autoridades de 13 provincias vietnamitas informaram
ontem que pelo menos 208 pessoas morreram e 4.900
continuam desaparecidas como resultado da destruição
causada pelo tufão Linda, que atingiu o sul do país no
último fim de semana.
O tufão, considerado pela imprensa local como o pior a
atingir o país neste século, dirigiu-se para o oeste do
Vietnã após varrer a região sul no último domingo.
No entanto, antes de perder suas força, o tufão
continuou varrendo o Golfo do Vietnã, atingindo o
Camboja, onde cerca de 20 pescadores morreram e mais de
220 desapareceram. O tufão passou ainda pela Tailândia
onde matou 3 pessoas, deixou 13 feridas e destruiu
milhares de casas.
O ventos gerados pelo tufão também alimentaram as
chamas dos incêndios que ainda se alastram na
Indonésia, fazendo com que a densa fumaça voltasse a
atingir os países do sudeste asiático.
Os esforços de salvamento efetuados pela polícia e as
forças armadas continuaram na região marítima ao redor
do Vietnã, onde 1.978 barcos de pescadores afundaram e
1.618 desapareceram após os ventos de 100 km/h os
varrerem de vista.
A tempestade arrasou estradas, derrubou barragens e
pontes e destruiu cerca de 142,000 construções,
deixando milhares de pessoas sem teto. Muitas delas foram
transferidas para abrigos em centros comunitários e
receberam alimentos doados em 15 províncias mais
afetadas pelo tufão.
A televisão vietnamita mostrou cenas chocantes de casas
em ruínas, barcos semi-submersos e um grupo de
pescadores descalços, arrasados e cansados, rumando de
volta para as suas vilas.
"Muitas pessoas simplesmente ficam paradas nas
regiões costeiras, à espera de notícias sobre seus
familiares que saíram ao mar no domingo e nunca mais
voltaram", declarou uma funcionária de um hospital
da ilha de Phu Quoc da província de Kien Giang, região
onde o tufão passou com maior força.
Muitos corpos foram deixados na praia da cidade de Rach
Gia, capital da província de Kien Giang.
"O abastecimento de energia foi cortado por dois
dias, árvores e postes de eletricidade foram derrubados
por todo o lado", disse um residente da província
de Bac Lieu. "A cidades está em ruínas, tudo
lembra a guerra", acrescentou.
O jornal Lao Dong informou que a destruição trazida
pelos fortes ventos e chuvas torrencias causaram também
enchentes que cobriram 453 mil hectares de campos de
arroz, representando a perda estimada de US$ 163
milhões.
FRANÇA/CAMINHONEIROS
Europa pressiona França na questão
dos caminhoneiros
REALI JÚNIOR
Da Agência Estado - Paris
Depois do primeiro-ministro britânico, Tony Blair,
também o chanceler alemão, Helmut Kohl, pressionou o
governo francês _ durante visita-relâmpago a Paris,
onde se encontrou com o presidente Jacques Chirac e o
primeiro-ministro Lionel Jospin _ a encontrar uma rápida
solução para a greve dos caminhoneiros que começa a
castigar a economia alemã, prejudicando as exportações
do país para diversos países da União Européia.
As relações entre Paris e Bonn já não são as mesmas.
Outro motivo da visita do chanceler alemão foi comunicar
a Chirac e Jospin que não concorda com a candidatura de
Jean Claude Trichet, atual governador do Banco da
França, para a direção do futuro Banco Central
Europeu.
Se a crise não for solucionada, esse será também o
tema principal do encontro de cúpula franco-britânico,
hoje, em Londres, reunindo Blair, Chirac e Jospin.
Afinal, essa crise está revelando a necessidade de uma
rápida regulamentação européia dessa atividade e da
profissão, o que os países da União Européia até
agora negaram-se a fazer.
Durante todo o dia, os sindicatos de trabalhadores CFDT,
FO e CGT e as organizações patronais UFT e Unostra
negociaram no Ministério dos Transportes buscando uma
saída para a crise. Essa retomada das negociações foi
acompanhada por um reforço das barreiras nas estradas e
depósitos de gasolina. Ontem (05) à noite, 174
barreiras estavam sendo mantidas em todo o país,
permitindo que os sindicatos dos caminhoneiros
negociassem em posição de força.
Os negociadores mostravam-se otimistas diante da
evolução da posição das organizações patronais
admitindo, pela primeira vez, negociar um salario mínimo
mensal aos motoristas, garantido por uma lei, cujo
projeto o governo promete submeter ao Conselho de
Ministros já na segunda-feira. Apesar dos progressos, os
negociadores estão convencidos de que as negociações
poderão se estender pela madrugada.
Se a região parisiense até agora vinha sendo poupada -
sendo a Alta Normandia, no norte, e os Alpes-Côte
d'Azur, no sul, as regiões mais atingidas -, ontem os
caminhoneiros conseguiram burlar a vigilância policial
nas portas da capital, ingressando com veículos médios
e impondo uma barreira no periférico (marginal),
prejudicando o tráfego na hora do rush e provocando
graves congestionamentos. A barreira foi desfeita por
meio de intervenção policial, o que resultou na
suspensão das negociações por alguns minutos.
RÚSSIA
Yeltsin demite Brezovsky do Conselho de
Segurança
Da AE/Reuter - Moscou
O presidente Boris Yeltsin demitiu ontem o empresário
Boris Berezovsky do cargo de vice-secretário do Conselho
de Segurança do Kremlin a pedido de liberais em seu
governo, mas a iniciativa não deve pôr fim a fortes
divergências entre a elite russa. Analistas viram a
remoção de uma das figuras mais influentes da Rússia
como mais uma batalha na guerra de longo prazo entre
facções do Kremlin pela sucessão de Yeltsin no ano
2000 - caso o presidente mantenha sua palavra de não se
recandidatar.
Boris Nemtsov, um primeiro-vice-premier que desafiou o
magnata do petróleo e da mídia este ano, disse que
Berezovsky, 51 anos, foi demitido por usar sua passagem
de um ano pelo Kremlin para promover seus interesses
empresariais.
"O presidente tomou tal decisão de acordo com suas
convicções. Ele tem regularmente advertido todos os
oficiais que eles não podem misturar seus deveres",
afirmou ele, segundo a agência Itar-Tass.
Berezovsky deu o troco, acusando o outro
primeiro-vice-premier Anatoly Chubais de
"hipocrisia" no uso de sua função como chefe
do processo de privatização para favorecer um grupo
empresarial rival, que derrotou Berezovsky e outros na
disputa por antigas empresas estatais nos últimos meses.
Berezovsky, um dos vários magnatas que jogaram seu peso
financeiro e posições na mídia na campanha coordenada
por Chubais para a reeleição de Yeltsin no ano passado,
prometeu continuar na política, apesar de ter descartado
sua candidatura à presidência.
Prometendo não se colocar contra o presidente de 66
anos, a quem ele disse irá apoiar caso concorra
novamente ao cargo, Berezovsky acusou Chubais de
desrespeito do tipo bolchevique a posições de outros e
de ter uma influência indevida sobre o líder do
Kremlin.
ELEIÇÕES
Republicanos ficam com principais
cargos nos EUA
Da AE/Reuter - Nova York
As eleições de anteontem foram para dois governos
estaduais, 11 prefeituras, referendos para aprovação de
projetos de lei em cinco estados e uma cadeira vacante no
Congresso. Os resultados favoreceram aos republicanos.
Mas, e o melhor exemplo foi o ocorrido em Nova York,
desta vez o eleitorado respondeu a plataformas
não-ideológicas. A próxima disputa importante entre os
partidos Republicano e Democrata ocorrerá no ano que
vem.
Em Nova Jersey, a governadora republicana Christie
Whitmann se manteve no cargo com uma vantagem de apenas
um ponto percentual dos votos - 47% a 46%. No ano
passado, ela tinha sido cogitada para vice na chapa de
Bob Dole à presidência. No início da campanha, era
favoritíssima, enquanto o rival democrata, Jim
McGreevey, era um desconhecido. Mas ele conseguiu subir
até o empate técnico nas pesquisas, sempre batendo na
tecla de reduzir o seguro obrigatório para carros - uma
plataforma e tanto num país com 200 milhões de
veículos.
Em cinco estados, o povo votou em referendo a projetos de
lei. No Maine, negando aos doentes mentais o direito ao
voto. No Oregon, mantendo o direito ao suicídio
assistido. Em Washington, rejeitando o uso medicinal de
maconha. Em Nova York, declinando do direito de convocar
uma convenção para examinar a Constituição estadual.
E no Texas, criando programas para minorias em Houston.
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