FHC/MALUF

Maluf garante apoio a Fernando Henrique em 1998

CLÁUDIA CARNEIRO
Da Agência Estado - Brasília

O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) roubou a cena política ao anunciar ontem seu apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, abandonando a ameaça de ser adversário na disputa presidencial. Num dia que deveria ser especial para o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), graças ao sucesso do leilão da CPFL, Maluf tomou o café da manhã no Palácio da Alvorada, conversou por uma hora e meia com Fernando Henrique e depois foi recebido com festa pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para divulgar sua intenção "irreversível" de concorrer ao governo de São Paulo.
"Hoje, quem tem melhores condições de levar o País a aprovar as reformas e de implantar uma economia de mercado com justiça social é o presidente Fernando Henrique Cardoso", declarou Paulo Maluf. "Por que eu, se vier a ser eleito governador de São Paulo, decidiria não apoiar o presidente nos seus próximos quatro anos?" Tudo isso, menos de uma semana depois de elevar o tom nas críticas ao governo, chamando os juros de pornográficos e dando a entender que poderia voltar ao páreo presidencial.
O ex-prefeito disse ter apenas reafirmado a conversa que teve com Fernando Henrique há três meses, mas as bases do acordo para o apoio de Maluf e de seu partido à reeleição passaram por ajustes finais. Em troca da adesão malufista à reeleição e às reformas, o ex-prefeito garantiu, segundo seus aliados, a neutralidade do governo nas campanhas estaduais, além de condições iguais ao PFL e PSDB para o PPB no comitê de campanha e, obviamente, no futuro governo.
Paulo Maluf ganhou mais do que isso, em troca de seu apoio à reeleição, segundo alguns interlocutores. A adesão do PFL nacional à sua candidatura ao governo paulista e a segurança de que não haverá distinção de candidatos em São Paulo por parte do governo federal foram assuntos vitais no acordo. Mesmo sem a garantia de que o governador Mário Covas desistiu de disputar sua reeleição, os pepebistas parecem seguros. "O presidente da República ficará de fora: ele é um homem que sempre honrou sua palavra", afirmou um dos líderes do partido.
"Agora somos governo", comunicou Paulo Maluf à tarde, a uma bancada de 70 deputados e senadores. "O PPB vai participar do comitê de campanha em condições igualitárias: se o PFL tiver dois representantes e o PSDB mais dois, também teremos dois." Essa mesma bancada estava representada pelo líder na Câmara, Odelmo Leão (PPB-MG), e outros quatro deputados, num encontro com Maluf em sua residência em São Paulo, na noite de segunda-feira (03).
Os parlamentares foram cobrar de Maluf uma definição quanto ao governo, porque há uma semana ele afirmara aos mesmos aliados _ quando o procuraram em São Paulo _ que no momento era mais importante ser o principal candidato a governador paulista do que terceiro lugar nas pesquisas para presidente da República. Bastou Maluf voltar da viagem a Nova York para, no início da semana, criticar duramente as medidas tomadas pelo governo contra a crise e chamar as novas taxas de "juros pornográficos".
A passagem de Maluf ontem por Brasília e suas declarações surpreenderam algumas pessoas próximas ao ex-prefeito, que consideraram "cedo" o anúncio de apoio à reeleição. Mas atendeu às expectativas de boa parte da bancada.


FHC/DIRCEU

Reformas: oposição acusa governo de "autoritário"

JOÃO DOMINGOS
Da Agência estado - Brasília

Os líderes do PT, PDT, PSB e PC do B divulgaram ontem nota na qual afirmam que, ao pretender a aprovação das reformas rapidamente, o governo está mostrando uma "tentação autoritária". O presidente do PT, José Dirceu, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso quer ser a versão brasileira do presidente do Peru, Alberto Fujimori, que ao chegar ao poder fechou o Judiciário e o Congresso. O discurso do presidente acirrou os ânimos da oposição: até o dia 15, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Miguel Arraes (PSB) e Leonel Brizola (PDT) encontram-se em Recife para decidir uma candidatura única contra Fernando Henrique.
Na nota, os partidos de oposição afirmam que o presidente Fernando Henrique Cardoso é "incapaz de assumir suas responsabilidades na grave crise econômica e social que envolveu o País". Por isto, segundo os líderes dos quatro partidos, o presidente responsabiliza a oposição e o Congresso pela crise e exige a aprovação das reformas da Previdência e administrativa. A verdade, segundo a oposição, é que Fernando Henrique e seu governo basearam toda a política econômica em capitais externos especulativos.
Ainda conforme as oposicionistas, "a crise apenas expôs de forma cruel a artificialidade, a fragilidade e o equívoco da política macroeconômica imposta ao Brasil em favor dos interesses das elites econômicas brasileira e internacional". As oposições argumentaram que fizeram vários alertas ao governo sobre a crise anunciada.


IBOPE/CNI

Pesquisa aponta liderança de FHC na corrida à Presidência

Da Agência Estado - Brasília

O presidente Fernando Henrique Cardoso lidera a corrida pela Presidência da República com 41% das intenções de voto contra 43% dos outros candidatos juntos, segundo pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada ontem. A pesquisa ouviu duas mil pessoas em todo o País entre os dias 15 e 22 de outubro, antes, portanto, da crise mundial das bolsas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 16% dos votos, o senador José Sarney (PMDB-AP), 9%, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), 8%, o ex-presidente Itamar Franco (PMDB), 6%, e o ex-ministro Ciro Gomes (PPS), 4%. 9% votariam nulo ou em branco e 7% estão indecisos.
A pesquisa revela, ainda, que, para a população, Fernando Henrique é o pai do Plano Real. "Não fizemos ainda um exame de DNA, mas agora sabemos o que o povo pensa", brincou o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Fernando Bezerra. Na opinião de 70% dos entrevistados, Fernando Henrique, ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, é o responsável pela estabilidade da moeda. Itamar Franco, que era o presidente da República na instituição do real, em julho de 1994, é considerado o pai do programa de estabilização por 14% dos entrevistados.
As entrevistas foram feitas antes do furacão que varreu as bolsas de valores, que levou o governo a dobrar as taxas de juros. A análise da CNI alerta que a medida, se mantida por muito tempo, agravará o desemprego, tido pelos brasileiros como o ponto fraco do Plano Real. Os juros altos também acabarão com o principal combustível da popularidade de Fernando Henrique até agora, que são as compras de eletrodomésticos e outros bens a crediário.


JORGINA

Jorgina recebe seu advogado na penitenciária, na Costa Rica

Ela cancelou a entrevista à imprensa e recusou-se a receber o cônsul do Brasil

IVANA DINIZ MACHADO
Especial para a AE - Brasília

O advogado brasileiro de Jorgina Maria de Freitas, Carlos Felipe Amadeo, chegou ontem às 10h30 (hora local) à Penitenciária Bom Pastor, na cidade de São José, capital da Costa Rica. Ele foi conversar com a cliente, condenada a 25 anos de prisão por fraudar a Previdência Social em R$ 112 milhões. Jorgina, que se entregou na segunda-feira (03) à polícia da Costa Rica, cancelou a entrevista à imprensa e passou todo o dia fazendo tratamentos de beleza e cuidando dos cabelos dentro da penitenciária. A advogada ainda não entrou com nenhum recurso contra sua extradição para o Brasil.
Funcionários do Setor de Segurança Nacional, do Departamento de Inteligência e Segurança, confirmaram à Agência Estado que até a tarde os advogados de Jorgina não haviam entrado com qualquer recurso contra a extradição da fraudadora. Para eles, Jorgina estaria querendo fazer uma cortina de fumaça deixando vazar informações contraditórias para ganhar tempo e espaço na imprensa brasileira e negociar um acordo melhor sobre sua pena. A imprensa costa-riquenha noticiou ontem que a advogada brasileira tem câncer no seio e precisa de cuidados médicos.
Fontes ligadas à Polícia Federal desconfiam que Jorgina esteja distribuindo propina para retardar ao máximo sua volta ao Brasil. Na terça-feira (04) ela prestou depoimento ao juiz titular do Juizado Primeiro Penal de San José, Gerardo Rojas. Ela recusou-se a receber o cônsul do Brasil, José Gilberto Jungblut, que havia ido até a penitenciária Bom Pastor acompanhado do advogado da embaixada brasileira na Costa Rica, Joaquim Vargas, para verificar as condições da prisioneira e lhe oferecer a assistência de praxe a brasileiros presos no exterior.
Assistência gratuita _ O ministro Hélio Mosimann, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou ontem o pedido de assistência jurídica gratuita solicitado pela advogada brasileira e encaminhado na última sexta-feira por um advogado de Jorgina. O ministro argumenta que a brasileira não ofereceu qualquer comprovação de que precisa desse tipo de ajuda. O ministro negou também o pedido de notificação ao Ministério das Relações Exteriores para que as embaixadas brasileiras em Washington e Costa Rica promovessem recursos para concessão de assistência jurídica.


INSS vasculha contas bancárias de Jorgina

ROBSON PEREIRA
Da Agência Estado - São Paulo

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) espera recuperar até o final do ano entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões mantidos pela advogada Jorgina Maria de Freitas Fernandes em bancos dos Estados Unidos. Deste total, US$ 2,2 milhões, depositados em uma agência do Merryl Linch Bank, em Miami, poderiam ser repatriados imediatamente, mas o restante ainda depende de uma decisão da justiça norte-americana.
"Tudo indica que conseguiremos trazer todo o dinheiro ainda este ano, mas se não for possível faremos a execução por partes", afirmou ontem o procurador Zander Martins de Azevedo, responsável pelas ações de ressarcimento movidas pela autarquia.
No início de 97, o Tribunal da Flórida condenou Jorgina a devolver ao governo brasileiro US$ 34,2 milhões desviados por ela da Previdência Social. Como foi considerada culpada por "furto civil" o valor foi elevado para US$ 123,3 milhões - acima mesmo dos US$ 112 milhões conseguidos por ela em indenizações fraudulentas na Baixada Fluminense.
Para garantir o pagamento, a justiça americana determinou o bloqueio de várias contas identificadas pelo governo brasileiro. Na conta pessoal de Jorgina estão depositados US$ 2,2 milhões. "Mas queremos também o dinheiro que está em nome de familiares e das empresas fantasmas criadas por ela", diz Martins.


ABORTO/LEGAL

CNS quer a regulamentação do aborto legal no SUS

SÔNIA CRISTINA SILVA
Da Agência Estado - Brasília

O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, tem 15 dias para decidir se acata ou não resolução aprovada ontem pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) recomendando que o Executivo regulamente a realização do aborto legal no Sistema Único de Saúde. A intenção do conselho é de que o governo se antecipe à polêmica e demorada votação no Congresso do projeto de lei autorizando o SUS a prestar serviços de interrupção da gravidez nos casos previstos pelo Código Penal _ estupro ou risco de vida para a mãe.
Carlos Albuquerque, que já causou grande polêmica ao se declarar contrário ao aborto, fugiu do assunto. "Não sei do que estão tratando lá dentro", desconversou ao chegar à sala de reunião do CNS, minutos após ter sido aprovada a resolução. "Eu não conheço o teor do documento", argumentou. Em geral, os ministros acatam as decisões do conselho, um órgão consultivo do ministério que tem influência política por reunir representantes de usuários do sistema de saúde, donos de hospitais, igreja, entidades ligadas ao setor e aos movimentos sindicais.
"O ministro, que presidente o Conselho, vem acatando suas decisões, mas se agora for contra terá de explicar sua posição e certamente ficará em situação constrangedora", adiantou uma das conselheiras, Margareth Arílha. A resolução foi aprovada por 17 votos favoráveis e quatro abstenções. Os dois únicos votos contrários foram de Zilda Arms, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) _ que já havia pedido vistas ao processo _ e do representante do Ministério da Educação.
Apoio _ Ao mesmo tempo em que tentam provocar o Ministério da Saúde para que tome a iniciativa de regulamentar o aborto legal, os conselheiros fecharam o cerco também em relação ao Congresso. Eles aprovaram moção de apoio ao projeto de lei do deputado Eduardo Jorge. Aprovado em agosto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta ainda não tem data para ser votada em plenário, antes de ser encaminhada ao Senado. Os conselheiros querem pressionar pela votação e vão entregar a moção aos presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Antes da votação, os conselheiros ouviram deputados envolvidos na discussão da projeto de lei. "O Código Penal já prevê esses casos há 57 anos e já deveríamos estar estudando a ampliação do direito", disse o deputado José Pinotti (PSB-SP). A deputada Marta Suplicy lembrou que hoje oito hospitais do SUS já fazem o aborto legal e pediu apoio ao projeto. "Vamos dar uma chance às mulheres pobres e acatar o aborto caridoso", apelou a deputada Sandra Starling (PT-MG).
Contrário à realização do aborto legal pelo SUS, o deputado Hélio Bicudo (PT-SP) disse que apresentará um substitutivo atribuindo ao Estado a responsabilidade pelas crianças nascidas de estupro.


CÓDIGO CIVIL

Novo Código Civil diminui maioridade de 21 para 18 anos

ROSA COSTA
Da Agência Estado - Brasília

O anteprojeto do novo Código Civil está pronto para ser examinado pelos senadores. O relator Josaphat Marinho (PFL-BA) citou, entre as principais inovações, a mudança de idade de responsabilidade civil de 21 para 18 anos.
Outra mudança é a que impede a classificação, até mesmo na divisão de herança, entre filhos naturais, ilegítimos ou adotivos. Todos receberão o mesmo tipo de tratamento. "O filho adotivo será igual aos outros", explicou Marinho.
A mulher casada fica livre do constrangimento de ter de se submeter a exame de paternidade. Homens e mulheres terão os mesmo direitos e obrigações no casamento. Com isso, desaprece a figura do "pátrio poder" e surge no lugar o "poder familiar".
O senador esclareceu que não analisou a possibilidade da união civil homossexual "porque a Constituiçao só permite tratar da relação entre homem e mulher".
Ele previu a existência de um lobby para mudar a situação, mas antecipou que a movimentação, por causa do impedimento constitucional, não terá êxito. Marinho mantém no texto o artigo do código em vigor contrariando o lobby dos defensores do aborto, ao especificar que "o direito do nascituro está assegurado desde a sua concepção".
O código em vigor, feito em 1916, tem 81 anos e vem sendo emendado durante todo esse período. O anteprojeto inicial foi enviado ao Congresso em 1975, no governo Geisel. Ficou dez anos na Câmara, onde chegou a ser arquivado "por engano", e, só em 1985, foi encaminhado ao Senado. A tramitação naquela Casa ficou suspensa até 1995, quando a relatoria foi entregue a Marinho.
Ele aceitou 366 emendas apresentadas por colegas, fez mais 128 modificações, que, juntas às do texto, somam 2.073 artigos. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), assegurou que o novo Código será votado na Casa ainda este ano.
O relator explicou que o Código vai disciplinar várias mudanças feitas pela atual Constituição, em 1988. Um desses pontos é o que iguala o companheiro (homem ou mulher) de união estável aos descendentes na divisão de bens deixados como herança. Outro ponto é o que reconhece como "entidade familiar" a união estável entre o homem e a mulher, que vivam juntos como se casados por mais de cinco anos.
Ele entregou ontem o parecer aos presidentes do Senado e da comissão especial encarregada de examinar a matéria, senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB). Na primeira reunião, marcada para as 11 horas de hoje, a comissão deve fechar um acordo para apressar a votação do código.
Os integrantes vão aprovar, sem debater, o parecer de Marinho. A idéia é tornar possível que a discussão comece de uma vez no plenário.


LANÇAMENTO/VLS

Fracasso no lançamento do VLS poderia ter sido evitado

JÚLIO OTTTOBONI
Da Agência Estado - S.J.dos Campos

O fracasso no lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) poderia ter sido evitado pelos responsáveis do projeto, segundo um professor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e consultor técnico do programa. De acordo com esse professor, ele alertou os militares sobre a alta probabilidade de falha por falta de testes no conjunto de boosters. As análises sobre o problema que afetou um dos motores do primeiro estágio do foguete estão sendo feitas pelos técnicos do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e não há prazo para conclusão.
Os engenheiros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão do CTA e responsável pelo desenvolvimento do VLS, disse o professor, foram avisados sobre a possibilidade de defeito do sistema de ignição dos motores há alguns meses. O consultor informou que era necessário fazer testes de bancada envolvendo todo o sistema de boosters, formado por quatro propulsores primários. Os ensaios de bancada promovidos pelo CTA que foram bem sucedidos avaliaram os motores separadamente, nunca num sistema integrado.
Os quatro boosters funcionaram pela primeira vez em conjunto no dia do lançamento, contrariando as orientações do professor do ITA. O processo de ignição iniciou a queima de apenas três motores, deixando um deles sem acionamento. Isto levou o foguete a fugir de sua trajetória de órbita e ser autodestruído. O CTA não quis se pronunciar a respeito e informou que aguardará o relatório final para fazer qualquer declaração.
Inpe _ O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) deverá produzir satélites científicos ou reservas para serem utilizados nos próximos lançamentos do VLS. Segundo o diretor geral do instituto, Márcio Nogueira Barbosa, a família de satélites de sensoriamento remoto, que estão em processo de licitação, não será colocada em órbita pelo foguete brasileiro.


IRAQUE/ONU

Enviados da ONU têm contato "cordial" com governo iraquiano

O governo iraquiano, no entanto, continua impedindo a entrada de americanos em suas bases militares

Da AE/Reuter - Bagdá

Os três enviados da ONU ao Iraque, encarregados de resolver a crise criada pela decisão do presidente Saddam Hussein de expulsar do país inspetores americanos da Comissão Especial da ONU encarregada de desmantelar o arsenal iraquiano, classificaram ontem de "muito bom" o primeiro contato mantido com as autoridades iraquianas.
"Tivemos uma recepção cordial por parte do vice-primeiro-ministro Tariq Aziz", disse o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, chefe da missão da ONU. "Entregamos a ele uma carta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao presidente Saddam Hussein", acrescentou Brahimi ao fim do encontro ocorrido pela manhã. "Uma segunda reunião ocorreu à tarde", informou a agência oficial iraquiana INA, sem acrescentar detalhes.
O argelino Brahimi _ assessorado pelo argentino Emílio Cardenas e pelo sueco Jan Eliassin _ não revelou o conteúdo da carta. Mas o embaixador dos EUA na ONU, Bill Richardson, deixou claro: "Eles (os enviados da ONU) não têm mandato para negociar... eles apenas leram para Saddam Hussein os termos do ato". Richardson referia-se à resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que ameaça o Iraque com sérias sanções casos insista em dificultar os trabalhos da comissão de desarmamento.
O Iraque voltou a impedir ontem o trabalho das três equipes da comissão _ especializadas respectivamente em armas biológicas, bacteriológicas e nucleares _ vetando o ingresso em seus arsenais de inspetores americanos, que acusam de "espiões e conspiradores".
Mas, conforme havia anunciado no dia anterior, manteve a suspensão da ordem de expulsão dos inspetores americanos do país, atendendo a pedido do secretário-geral da ONU.
Num gesto de boa vontade _ e contrariando os EUA _ o chefe da Comissão Especial, Richard Butler, suspendeu temporariamente os vôos de reconhecimento sobre o território iraquiano, efetuados por aviões U-2.
"Butler garantiu-nos que os vôos serão retomados logo", afirmou Richardson, representante dos EUA na ONU. "O Iraque não deve entender isso como um sinal de abrandamento de nossa posição."
O presidente Bill Clinton, por sua vez, pediu paciência a todos, preferindo aguardar os resultados da missão da ONU em Bagdá. "Peço aos americanos e nossos aliados de todo o mundo que não se frustrem, que sejam pacientes, porém firmes."
Segundo Clinton, as conversações que ocorrem na capital iraquiana "são o melhor caminho para encontrar uma saída pacífica para a crise". O presidente americano não deu muita importância para a suspensão dos vôos dos U2, repetindo as declarações anteriores de Richardson de que os EUA haviam recebido garantias da ONU de que as operações aéreas seriam retomadas logo.
O Iraque ameaçou, no início da semana, derrubar os U2 _ segundo especialistas militares, Bagdá dispõe de mísseis com automia suficiente para cumprir a ameaça.
Segundo a secretária de Estado, Madeleine Albright, os vôos de reconhecimento serão reiniciados na próxima semana. "O fato de que uma delegação da ONU estar em Bagdá não significa um retrocesso da política internacional empenhada em fazer o Iraque cumprir as decisões da ONU no que se refere à inspeção e desmantelamento de seus arsenais."


TUFÃO/VÍTIMAS

Sobe para 208 número de mortos no Vietnã

Da AE/Reuter - Hanói

Autoridades de 13 provincias vietnamitas informaram ontem que pelo menos 208 pessoas morreram e 4.900 continuam desaparecidas como resultado da destruição causada pelo tufão Linda, que atingiu o sul do país no último fim de semana.
O tufão, considerado pela imprensa local como o pior a atingir o país neste século, dirigiu-se para o oeste do Vietnã após varrer a região sul no último domingo.
No entanto, antes de perder suas força, o tufão continuou varrendo o Golfo do Vietnã, atingindo o Camboja, onde cerca de 20 pescadores morreram e mais de 220 desapareceram. O tufão passou ainda pela Tailândia onde matou 3 pessoas, deixou 13 feridas e destruiu milhares de casas.
O ventos gerados pelo tufão também alimentaram as chamas dos incêndios que ainda se alastram na Indonésia, fazendo com que a densa fumaça voltasse a atingir os países do sudeste asiático.
Os esforços de salvamento efetuados pela polícia e as forças armadas continuaram na região marítima ao redor do Vietnã, onde 1.978 barcos de pescadores afundaram e 1.618 desapareceram após os ventos de 100 km/h os varrerem de vista.
A tempestade arrasou estradas, derrubou barragens e pontes e destruiu cerca de 142,000 construções, deixando milhares de pessoas sem teto. Muitas delas foram transferidas para abrigos em centros comunitários e receberam alimentos doados em 15 províncias mais afetadas pelo tufão.
A televisão vietnamita mostrou cenas chocantes de casas em ruínas, barcos semi-submersos e um grupo de pescadores descalços, arrasados e cansados, rumando de volta para as suas vilas.
"Muitas pessoas simplesmente ficam paradas nas regiões costeiras, à espera de notícias sobre seus familiares que saíram ao mar no domingo e nunca mais voltaram", declarou uma funcionária de um hospital da ilha de Phu Quoc da província de Kien Giang, região onde o tufão passou com maior força.
Muitos corpos foram deixados na praia da cidade de Rach Gia, capital da província de Kien Giang.
"O abastecimento de energia foi cortado por dois dias, árvores e postes de eletricidade foram derrubados por todo o lado", disse um residente da província de Bac Lieu. "A cidades está em ruínas, tudo lembra a guerra", acrescentou.
O jornal Lao Dong informou que a destruição trazida pelos fortes ventos e chuvas torrencias causaram também enchentes que cobriram 453 mil hectares de campos de arroz, representando a perda estimada de US$ 163 milhões.


FRANÇA/CAMINHONEIROS

Europa pressiona França na questão dos caminhoneiros

REALI JÚNIOR
Da Agência Estado - Paris

Depois do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também o chanceler alemão, Helmut Kohl, pressionou o governo francês _ durante visita-relâmpago a Paris, onde se encontrou com o presidente Jacques Chirac e o primeiro-ministro Lionel Jospin _ a encontrar uma rápida solução para a greve dos caminhoneiros que começa a castigar a economia alemã, prejudicando as exportações do país para diversos países da União Européia.
As relações entre Paris e Bonn já não são as mesmas. Outro motivo da visita do chanceler alemão foi comunicar a Chirac e Jospin que não concorda com a candidatura de Jean Claude Trichet, atual governador do Banco da França, para a direção do futuro Banco Central Europeu.
Se a crise não for solucionada, esse será também o tema principal do encontro de cúpula franco-britânico, hoje, em Londres, reunindo Blair, Chirac e Jospin. Afinal, essa crise está revelando a necessidade de uma rápida regulamentação européia dessa atividade e da profissão, o que os países da União Européia até agora negaram-se a fazer.
Durante todo o dia, os sindicatos de trabalhadores CFDT, FO e CGT e as organizações patronais UFT e Unostra negociaram no Ministério dos Transportes buscando uma saída para a crise. Essa retomada das negociações foi acompanhada por um reforço das barreiras nas estradas e depósitos de gasolina. Ontem (05) à noite, 174 barreiras estavam sendo mantidas em todo o país, permitindo que os sindicatos dos caminhoneiros negociassem em posição de força.
Os negociadores mostravam-se otimistas diante da evolução da posição das organizações patronais admitindo, pela primeira vez, negociar um salario mínimo mensal aos motoristas, garantido por uma lei, cujo projeto o governo promete submeter ao Conselho de Ministros já na segunda-feira. Apesar dos progressos, os negociadores estão convencidos de que as negociações poderão se estender pela madrugada.
Se a região parisiense até agora vinha sendo poupada - sendo a Alta Normandia, no norte, e os Alpes-Côte d'Azur, no sul, as regiões mais atingidas -, ontem os caminhoneiros conseguiram burlar a vigilância policial nas portas da capital, ingressando com veículos médios e impondo uma barreira no periférico (marginal), prejudicando o tráfego na hora do rush e provocando graves congestionamentos. A barreira foi desfeita por meio de intervenção policial, o que resultou na suspensão das negociações por alguns minutos.


RÚSSIA

Yeltsin demite Brezovsky do Conselho de Segurança

Da AE/Reuter - Moscou

O presidente Boris Yeltsin demitiu ontem o empresário Boris Berezovsky do cargo de vice-secretário do Conselho de Segurança do Kremlin a pedido de liberais em seu governo, mas a iniciativa não deve pôr fim a fortes divergências entre a elite russa. Analistas viram a remoção de uma das figuras mais influentes da Rússia como mais uma batalha na guerra de longo prazo entre facções do Kremlin pela sucessão de Yeltsin no ano 2000 - caso o presidente mantenha sua palavra de não se recandidatar.
Boris Nemtsov, um primeiro-vice-premier que desafiou o magnata do petróleo e da mídia este ano, disse que Berezovsky, 51 anos, foi demitido por usar sua passagem de um ano pelo Kremlin para promover seus interesses empresariais.
"O presidente tomou tal decisão de acordo com suas convicções. Ele tem regularmente advertido todos os oficiais que eles não podem misturar seus deveres", afirmou ele, segundo a agência Itar-Tass.
Berezovsky deu o troco, acusando o outro primeiro-vice-premier Anatoly Chubais de "hipocrisia" no uso de sua função como chefe do processo de privatização para favorecer um grupo empresarial rival, que derrotou Berezovsky e outros na disputa por antigas empresas estatais nos últimos meses.
Berezovsky, um dos vários magnatas que jogaram seu peso financeiro e posições na mídia na campanha coordenada por Chubais para a reeleição de Yeltsin no ano passado, prometeu continuar na política, apesar de ter descartado sua candidatura à presidência.
Prometendo não se colocar contra o presidente de 66 anos, a quem ele disse irá apoiar caso concorra novamente ao cargo, Berezovsky acusou Chubais de desrespeito do tipo bolchevique a posições de outros e de ter uma influência indevida sobre o líder do Kremlin.


ELEIÇÕES

Republicanos ficam com principais cargos nos EUA

Da AE/Reuter - Nova York

As eleições de anteontem foram para dois governos estaduais, 11 prefeituras, referendos para aprovação de projetos de lei em cinco estados e uma cadeira vacante no Congresso. Os resultados favoreceram aos republicanos. Mas, e o melhor exemplo foi o ocorrido em Nova York, desta vez o eleitorado respondeu a plataformas não-ideológicas. A próxima disputa importante entre os partidos Republicano e Democrata ocorrerá no ano que vem.
Em Nova Jersey, a governadora republicana Christie Whitmann se manteve no cargo com uma vantagem de apenas um ponto percentual dos votos - 47% a 46%. No ano passado, ela tinha sido cogitada para vice na chapa de Bob Dole à presidência. No início da campanha, era favoritíssima, enquanto o rival democrata, Jim McGreevey, era um desconhecido. Mas ele conseguiu subir até o empate técnico nas pesquisas, sempre batendo na tecla de reduzir o seguro obrigatório para carros - uma plataforma e tanto num país com 200 milhões de veículos.
Em cinco estados, o povo votou em referendo a projetos de lei. No Maine, negando aos doentes mentais o direito ao voto. No Oregon, mantendo o direito ao suicídio assistido. Em Washington, rejeitando o uso medicinal de maconha. Em Nova York, declinando do direito de convocar uma convenção para examinar a Constituição estadual. E no Texas, criando programas para minorias em Houston.