| HOLANDA X ARGENTINA Holanda elimina Argentina e enfrenta Brasil na
semifinal
Bergkamp marca um gol no último minuto e
garante a vitória holandesa por 2 a 1; Numan foi expulso
e não joga contra o Brasil
Da Agência Estado Marselha
A seleção brasileira vai enfrentar a Holanda na
semifinal da Copa do Mundo da França. Em jogo muito
equilibrado tecnicamente, os holandeses venceram ontem a
Seleção da Argentina por 2 a 1 e garantiu a passagem à
próxima fase da Mundial. Os gols foram marcados por
Kluivert e Bergkamp para a Holanda e por Cláudio López
para a Argentina. Numan foi expulso no segundo tempo e
não poderá jogar contra o Brasil.
A Seleção da Holanda começou ameaçando e, logo aos
4 minutos, Cocu chuta, mas Almeyda bloqueia. A sobra
ficou com Jonk, que assustou o goleiro Roa chutando forte
em cima da trave. O ataque holandês funcionou aos 11
minutos, quando Ronald de Boer cruzou Bergkamp, que, com
um belo passe de cabeça, deixou Kluivert livre para
abrir o placar.
Os argentinos demoraram apenas seis minutos para
reagir. Véron não conseguiu alcançar a bola, lançada
de escanteio, e quase marca. Mas foi o mesmo Véron que
lançou Cláudio López no meio da defesa holandesa.
López entrou na área e ainda esperou o goleiro Van der
Sar sair para empatar o jogo.
Os holandeses tocavam melhor a bola e tiveram melhor
domínio no meio-de-campo dificultando a criação de
jogadas pela Argentina. Mas as duas equipes, apesar de
mostrarem habilidade, não impuseram velocidade à
partida. E a superioridade dos holandeses só ficou
evidente nas chances desperdiçadas.
O meia Davids desceu sozinho, levou a bola para a
direita e, ao invés de cruzar, chutou para fora. Depois,
Ronald de Boer tocou para Jong chutar em cima do goleiro
Roa. A Argentina equilibrou aos 37 minutos, com um forte
chute de Ortega na trave e Simeone, no último minuto da
primeira fase, ainda chuta de frente para o gol para
fora.
No segundo tempo, as duas equipes voltaram
apresentando o mesmo futebol. Lento, mas com jogadores
habilidosos suficiente para definir a partida antes da
prorrogação. Ainda aos 7 minutos, Kluivert recebe
livre, mas vira mal e não consegue concluir. Os
argentinos revidaram com Batistuta, que saiu rápido no
contra-ataque, mas desperdiçou uma outra oportunidade da
Argentina na trave.
Um minuto depois a Holanda chega. Kluivert toca de
cabeça e o goleiro Roa evita o desempate quando a bola
estava quase dentro do gol. O jogo prosseguiu
normalmente. Nem a expulsão de Numan, que fez uma falta
violenta em Simeone, alterou o ritmo do jogo. O jogador
já tinha recebido um cartão amarelo. Sem um jogador e
também sem velocidade, as duas equipes estavam iguais em
campo.
O desempate só saiu no fim do jogo. Ortega deu uma
cabeçada no goleiro Van der Sar e foi expulso. Com
número igual de jogadores em campo, a Holanda aparentou
ter recuperado a disposição para marcar. Frank de Boer
fez um belo lançamento. Bergkamp esticou a perna direita
para receber, pisou na bola para tirar o zagueiro Ayala
da jogada e colocou a bola no canto direito do goleiro
Roa. O gol praticamente matou os argentinos em campo, que
também não tiveram tempo para buscar o empate
Argentina - Carlos Roa; Javier Zanetti, Roberto Ayala,
Roberto Sensini e José Chamot (Abel Balbo); Diego
Simeone, Matías Almeyda (Pineda), Juan Verón e Ariel
Ortega; Gabriel Batistuta Claudio López. Técnico -
Daniel Passarella.
Holanda - Edwin van der Sar; Michael Reiziger, Jaap
Stam, Frank de Boer e Arthur Numan; Ronald de Boer (Marc
Overmars) Wim Jonk, Edgar Davids e Phillip Cocu; Dennis
Bergkamp e Patrick Kluivert. Técnico - Guus Hiddink.
Gols - Kluivert, aos 11 minutos, Lopez, aos 17 minutos do
primeiro tempo, e Bergkamp, aos 44 do segundo tempo.
Árbitro - Arturo Brizio Carter (México) Auxiliares -
Owen Powell (Jamaica), Elias Salinas Rostran (Honduras)
Cartões Amarelos - Stam, Numan, Chamot, Zanneti
Cartão Vermelho - Numan, Ortega
Local - Estádio Velodrome, em Marselha
Hiddink
não esconde alegria
Da Agência Estado Marselha
O técnico da Holanda, Guus Hiddink, não escondeu sua
alegria pela classificação para as semi-finais.
"Creio que foi uma partida em que dominamos todo o
tempo", exagerou ele, fazendo, em seguida, uma
brincadeira com os jornalistas. "Não vamos brindar
com champanhe, como os franceses. Quem sabe abriremos uma
garrafa de vinho".
Quando resolveu falar mais sério, disse que "foi
um jogo duro, mas merecemos ganhar, pois nosso domínio
no segundo tempo foi total". Sobre a semi-final
contra o Brasil, Hiddink confessou que gostou de ter que
jogar contra o time de Zagallo.
"Conhecemos bem o Brasil e vice-versa. Ao
contrário de 1994, quando fomos eliminados pelos
brasileiros nas quartas-de-final, vamos enfrentá-los nas
semi-finais. Isso é melhor. Sem esquecer que teremos
muitos craques em campo. Será uma partida
interessante", concluiu ele.
Já o ex-jogador holandês, Johan Cruyff, destacou que
a equipe teve um desempenho fantástico. "Desta vez,
temos que tentar conquistar nosso primeiro título. temos
uma equipe fantástica e somos melhores que o
Brasil".
SEMIFINAL
Brasil e Holanda resgata arte no
futebol
O coordenador técnico Zico assiste a
vitória da Holanda sobre a Argentina e elogia o futebol
holandês
Paulo Guilherme e
Ubiratan Brasil
Da Agência Estado Marselha
O coordenador técnico da seleção brasileira o
ex-jogador Zico, deixou o Estádio Vélodrome satisfeito
com a vitória da Holanda sobre a Argentina. "São
duas equipes que jogam com o mesmo estilo, para frente,
buscando sempre a vitória
mas o tipo de jogo da Holanda é muito bom para o
Brasil", analisou.
Adepto do chamado futebol-arte, o ex-camisa 10 da
seleção acha que a vitória holandesa é uma conquista
para o futebol. "Valoriza o futebol ofensivo".
O assistente de Zagallo esteve em Marselha acompanhado
pelo espião Jairo do Santos colhendo informações para
passar para técnico e os jogadores da seleção
brasileira.
Para Zico, "os holandeses têm dificuldades para
jogar quando o adversário faz uma forte marcação sobre
eles". O ex-jogador acredita que o Brasil tem boas
chances de passar pela Holanda e chegar à final do
Mundial, principalmente se explorar algumas falhas que
ele identificou na defesa adversária, como o fato de os
zagueiros holandeses jogarem em linha.
Entre os pontos fortes da equipe holandesa, Zico
destacou a boa visão de jogo dos homens do meio-de-campo
e pelo menos uma jogada muito perigosa: a inversão do
jogo. "Quando um jogador do meio pega a bola, um dos
atacantes se desloca para o outro lado para receber
livre, em velocidade, como foi o gol do Bergkamp que deu
a vitória sobre a Argentina".
A seleção bbrasileira, segundo Zico, deve prestar
muita atenção em quatro jogadores: o zagueiro Frank De
Boer, capitão do time, que é muito eficiente na
marcação; o meia Davids, que corre o campo todo; e os
atacantes Bergkamp e Kluivert, que são habilidosos e
bons finalizadores. Outra preocupação é evitar que o
volante Jonk chute de fora da área.
Zico acredita que o confronto entre Brasil e Holanda,
acima de tudo, vai marcar a consagração do
futebol-arte, há muito tempo afastado dos encontros de
Copa do Mundo. Sobre o sentimento de vingança que pode
motivar os holandeses a devolver a derrota por 3 a 2 na
Copa de 1994, Zico retruca: "Eles não podem falar
nada porque ganharam da gente em 1974", lembra.
"Está tudo igual, 1 a 1."
Estrangeiros
elogiam Rivaldo
Da Agência Estado Copenhague
Os jornais dinamarqueses na Internet destacaram a
brilhante atuação de Rivaldo e da seleção do país na
partida contra o Brasil. O meia também chamou a
atenção da imprensa européia, que, de maneira geral,
fez elogios ao nível técnico do jogo. "Rivaldo
pagou a entrada", é o título do jornal
dinamarquês Ekstrabladet.
"O elegante brasileiro é um melhores personagens
do Mundial." O Politiken destaca a boa
apresentação da seleção e a despedida de Michael
Laudrup. "A Dinamarca foi o primeiro país no
torneio a desafiar os brasileiros em seus termos, jogando
um futebol técnico, com esperteza e em combinações
rápidas." A reportagem chama atenção ao fato de
que a defesa conseguiu inutilizar Ronaldinho.
Entusiasmo - "Rivaldazo", é o título do
jornal espanhol Marca na partida entre Brasil e
Dinamarca. "Os europeus não depreciaram o toque de
bola mesmo quando sofreram o magnífico gol de Rivaldo -
que grande partida fez o jogador azul e vermelho (cores
do Barcelona) - também fizeram desfrutar os amantes do
futebol fino."
Menos empolgado, o jornal El Mundo publica que a
seleção merecia vencer, mas tanto Brasil como Dinamarca
poderiam fazer mais gols. "Muito Brasil, muita
Dinamarca, enfim, futebol", é a frase do jornal
italiano Corriere della Sera, que também destacou o fato
da seleção brasileira ter mostrado capacidade para
reverter o placar. "Rivaldo dá uma de Ronaldo e
Brasil segue adiante", diz La Gazzeta dello Sport,
que destaca também a boa atuação dinamarquesa.
"Rivaldo correndo como louco enquanto campeão
engrena", é o título do The Guardian. "As
duas delícias de Rivaldo para o Brasil", descaca
The Independent. "O Brasil, com Bebeto e duas vezes
Rivaldo, mostrou que realmente tem consistência e que
pode superar suas falhas de defesa e, claro, fazer gols
sobre qualquer um que vá para cima dele", opina o
The Times.
"Argentina
morreu com seu próprio veneno"
Sebastião Reis
Da Agência Estado Lésigny
Deixar de enfrentar um adversário tradicional, como a
Argentina, na fase semifinal da Copa do Mundo, deixou
Zagallo feliz. Mal o árbitro apitou o final da partida
em Marselha, ontem, Zagallo apareceu na frente do
Château de Grande Romaine com indisfarçável ar de
felicidade. Ao lado do assessor de imprensa da seleção,
Nélson Borges, fez questão de posar para uma foto na
frente dos jornalistas que o aguardavam. "O azul e
branco foi embora e ficou o verde-e-amarelo",
afirmou, sorrindo.
Zagallo considera o time da Holanda superior ao da
Argentina, mas ficou menos preocupado com o resultado,
por ter se livrado de um dos seus fantasmas. No amistoso
do dia 29 de abril, no Rio, a Argentina havia derrotado o
Brasil por 1 a 0. "Eles fizeram três amistosos na
Europa para enfrentar o Brasil, comemoraram o resultado,
mas agora quem continua na Copa somos nós, e não
eles", comentou.
Para o Brasil, segundo Zagallo, o quinto título
mundial está mais próximo. "Faltam dois jogos para
a conquista do século", afirmou. A vitória da
Holanda foi o resultado mais justo, na opinião do
técnico brasileiro. "A Argentina passou o jogo todo
explorando os contra-ataques, mesmo quando tinha um
jogador a mais, e morreu com o seu próprio veneno",
disse. O gol da vitória da Holanda surgiu de um
lançamento longo para Bergkamp, um contra-ataque, como
fez questão de enfatizar Zagallo.
Perguntado se tinha pena da Argentina, por ter sido
eliminada, o treinador foi enfático: "Eu não tenho
pena de ninguém; ninguém tem pena da gente." O
confronto com os holandeses vai ser difícil, como em 94,
nos Estados Unidos, quando o Brasil venceu por 3 a 2,
comparou o treinador. Ele disse que a Holanda mostrou
desde o início da competição, que tem um grande time.
"Falei isso quando vi o seu desempenho no jogo com a
Bélgica." Para Zagallo, a Holanda é um time que
não tem pressa e que também tem o objetivo de ser
campeã. Os holandeses têm bom toque de bola e excelente
material humano, afirma Zagallo. "Se o Seedorf ficou
no banco, mesmo sendo um grande jogador, é porque o time
deles é muito forte", justificou.
BRASIL
Zagallo confirma Zé Carlos na
semifinal
O lateral direito do São Paulo jogará no
lugar de Cafu na terça-feira
Mário Iório
DA Agência Estado - Ozoir-la-Ferriére
Zagallo confirmou ontem a presença do lateral-direito
Zé Carlos no lugar de Cafu, para o jogo das semifinais
da Copa do Mundo da França, que será disputado com o
vencedor do jogo entre Holanda e Argentina, que será
realizado às 11h30. O técnico garante que o jogador do
São Paulo "está preparado" para executar a
função. "Se não tivesse condições não estaria
aqui", disse.
Ontem, o treinador estava muito nervoso por causa do
jogo contra a Dinamarca e explicou. "Foi uma partida
que todo mundo ficou tenso do primeiro ao último
minuto." Zagallo destacou que, se o Brasil se não
fosse uma seleção "de garra e talento", não
teria ganho a partida. Elogiou a boa movimentação de
Ronaldinho, que deu os passes para dois dos três gols, e
disse que o atacante "fez uma boa partida, mesmo sem
ter feito gols".
Zagallo reclamou dos dois gols sofridos marcados pelos
dinamarqueses. Ressaltou a falha coletiva no primeiro
gol, pois os jogadores já conheciam a jogada dos teipes
apresentados pelo espião Gilmar. No segundo gol, Zagallo
brincou e disse que Roberto Carlos deu uma
"bicicleta de pneu furado", mas espera que o
pneu esteja cheio na próxima partida. O técnico, no
entanto, lembrou que o jogador não tinha outra
alternativa e se desequilibrou ao tentar fazer o corte.
"A gente enche o pneu furado para o próximo
jogo", insistiu.
Zé
Carlos não está adaptado a seleção
Arnaldo Ribeiro
DA Agência Estado - Ozoir-la-Ferrière
Zé Carlos não esperava ser convocado para a
seleção brasileira. Foi. Não esperava estar na lista
final dos 22 atletas para a Copa do Mundo. Entrou no
final com o corte de Flávio Conceição. Não esperava
que Cafu, que dificilmente fica contundido ou fosse
suspenso, deixasse uma brecha para ele jogar. Deixou.
Talvez por todas essas contingências surpreendentes, o
lateral-direito do São Paulo, de 29 anos, ainda não
tenha se adaptado ao ambiente da seleção. Tímido
dentro e fora de campo, ele nem lembra o jogador alegre e
piadista, especialista em imitar bichos e feirantes. Zé
Carlos parece deslocado no grupo de jogadores: um peixe
fora d'àgua.
Agora, ele teme perder a chance de sua vida: disputar
pela primeira vez, e provavelmente pela última, uma
partida de Copa do Mundo. O técnico Zagallo ainda pode
optar pela improvisação do meia Emerson no lugar do
suspenso Cafu, mas Zé Carlos tenta não acreditar nisso.
"Sou o substituto natural e estou pronto para jogar,
mas vou respeitar a decisão do técnico porque ele já
demonstrou em toda a sua carreira vitoriosa que sabe o
que faz", disse.
Ao lado do zagueiro André Cruz e dos goleiros Dida e
Carlos Germano, Zé Carlos é um dos quatro atletas do
grupo da seleção que ainda não teve a oportunidade de
jogar no Mundial da França. O treinador já utilizou 18
jogadores na Copa: Zé Roberto e Emerson entraram poucos
minutos na última partida, contra a Dinamarca.
Zagallo deve manter o mistério até momentos antes da
partida, mas vai indicar no treino de hoje, o único para
valer para as semifinais, quem vai entrar no lugar de
Cafu. Com Zé Carlos, o especialista, a equipe ganha em
velocidade e nos cruzamentos, mas perde na marcação.
Com Emerson, ganha força e toque de bola, mas perde a
saída rápida pela direita.
O técnico da seleção tem outras preocupações.
Leonardo, Aldair e Roberto Carlos também estão
"pendurados" com um cartão amarelo cada. Se
forem advertidos nas semifinais, não jogam a decisão ou
a disputa do terceiro e quarto lugares.
Pentacampeonato
vai dar prejuízo a CBF
Sebastião Reis
DA Agência Estado - Ozoir-la-Ferrière
A vitória sobre a Dinamarca garantiu o dinheiro da
seleção brasileira na Copa do Mundo na França. O time,
seja qual for a sua colocação a partir de agora,
realizará sete partidas e garantirá um prêmio de cerca
de US$ 4,9 milhões por sua participação no torneio -
US$ 700 mil por jogo. Pode ser alto, se comparado ao
prêmio da Copa de 94, nos Estados Unidos, de US$ 3,8
milhões, mas insuficiente para cobrir as despesas do
time caso o Brasil seja campeão do mundo. "É o
tipo do prejuízo que todos os brasileiros queriam
ter", disse o presidente da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.
Dinheiro não chega a ser problema para a CBF, apesar
de prejuízo ser uma palavra abominável em qualquer tipo
de negócio. A entidade tem um contrato milionário com a
Nike, o maior do mundo em termos de patrocínio de
seleção, no valor de US$ 400 milhões _ US$ 270
milhões em dinheiro e o restante em material e na
construção da nova sede da CBF, na Barra da Tijuca.
São US$ 40 milhões por ano em dez anos de contrato com
a multinacional norte-americana de material esportivo.
O título da Copa do Mundo deixaria o caixa da CBF no
vermelho porque o prêmio pela conquista é alto. Cada
jogador terá um "bicho", como dizem no jargão
futebolístico, de US$ 170 mil. No total, os 22 jogadores
convocados pelo técnico Zagallo embolsarão no total US$
3,7 milhões. O valor é mais alto quando incluído no
pacote os demais integrantes da comissão técnica. Mais
de 40 pessoas, incluindo jogadores e comissão técnica,
participarão da divisão do prêmio. Só com
premiação, a CBF gastará, se o time for campeão, uma
quantia superior a US$ 5 milhões. E lá se foi o
dinheiro das cotas dos jogos.
O prolongado período de concentração no Château de
Grande Romaine, em Lésigny, saiu por um custo de US$ 1,2
milhão. Somando outras despesas, como alimentação,
medicamento e transporte, a CBF calcula que gastará
cerca de US$ 10 milhões pela conquista do quinto título
mundial. "Pagar pelo título não nos preocupa, é
uma satisfação", garante Ricardo Teixeira. Segundo
ele, o investimento que está sendo feito agora
proporcionará lucro mais adiante, caso o time seja
campeão.
Na última Copa do Mundo, a conquista valorizou a
seleção brasileira. A equipe, que cobrava cerca de US$
200 mil de cota nos amistosos, passou a exigir US$ 500
mil, livres de despesas. E teve uma agenda lotada nos
quatro anos de preparação para a Copa na França,
jogando praticamente todos os dias disponíveis.
BRASIL
Os gols decisivos de Bebeto na Copa
Bebeto diz que não se abala com as
constantes críticas da imprensa e da torcida
Cláudio Arreguy
Da Agência Estado - Ozoir-la-Ferrière
Um dos mais criticados jogadores da seleção
brasileira na França garante que não se abala com as
vaias que recebe em alguns jogos. Bebeto, que participa
de sua terceira Copa do Mundo, diz que tem consciência
de seu papel na equipe e entende por que Zagallo o tem
substituído sistematicamente, para a entrada de
Denílson.
"Eu acho que estou bem, mas entendo que, a partir
de um determinado momento do jogo, o time precisa ter uma
variação tática", afirma. Talvez para evitar
interpretações negativas, Zagallo, sempre que substitui
Bebeto, faz questão de recebê-lo no banco e de
abraçá-lo. Diante da Dinamarca, anteontem, deu um beijo
no jogador. Vizinhos no Rio, eles são muito amigos. A
mulher do treinador, Alcina, costuma fazer compras junto
com a do craque, Denise.
Para Bebeto, que já tem tantos gols nesta Copa
(três) quanto na dos Estados Unidos, com dois jogos a
menos do que há quatro anos agradece a Deus a fase
atual. "Com a forte marcação feita em cima do
Ronaldinho, eu procuro fazer uma movimentação forte
para abrir espaços, e ele tem me servido muito bem, como
aconteceu contra a Dinamarca". Religioso, o atacante
procura, nas reuniões de oração com alguns
companheiros, no Chateau de Grande Romaine, buscar
forçar para manter-se motivado e tranqüilo. "A
presença de Deus é muito grande em minha vida".
O companheiro de Ronaldinho lembra a primeira vez em
que atuaram juntos, há três anos, querendo demonstrar
que tem participação no fato de o parceiro ter-se
firmado na seleção. "Foi no amistoso contra o
Uruguai, em 95, em Salvador", recorda. "Na
época, eu disse que iria consagrar o Ronaldinho e ele
marcou os dois gols da nossa vitória, com dois passes
meus".
Bebeto assegura que não se abala com a manifestação
da torcida e da imprensa em favor de sua substituição
por Denílson. "Isso é coisa de uma minoria",
afirma. "A torcida gosta de mim, ela sempre me
apoiou, desde que comecei a jogar na seleção",
garante Bebeto, que foi convocado pela primeira vez em
1985, quando o técnico era Evaristo de Macedo.
Na Copa do Mundo da França, ele é o mais criticado
dos titulares. Mas tem tantos gols quanto os outros
artilheiros do time - César Sampaio, Rivaldo e,
principalmente, Ronaldinho. Fez gols importantes, como o
terceiro diante de Marrocos, em Nantes, quando consolidou
a vitória brasileira por 3 a 0; o que poderia ter sido o
da vitória diante da Noruega, em Marselha, se a defesa
não cometesse erros lá atrás e permitisse a reação
do adversário nos minutos finais; e o do empate contra a
Dinamarca, em Nantes, sexta, pelas quartas-de-final, num
momento do jogo em que o Brasil era dominado pelos
dinamarqueses e mostrava-se intranqüilo. "Sei que
sou importante para a equipe e não me abalo com as
manifestações dessa minoria", diz Bebeto.
"Tenho fé em Deus e, a cada jogo, vou-me entendendo
melhor com Ronaldinho", prossegue. "Sou um cara
de bem com a vida".
Brasil
demonstra equilíbrio em relação a 94
Cláudio Arreguy
DA Agência Estado - Ozoir-la-Ferrière
A seleção brasileira tem-se valido mais de destaques
individuais do que a que conquistou o título mundial em
1994, nos Estados Unidos, embora, naquela campanha,
nenhum outro jogador da equipe dirigida pelo técnico
Carlos Alberto Parreira chegasse perto do que produziu,
sozinho, o craque Romário. Desta vez, porém, são
vários os jogadores que se têm destacado. A cada
partida, um é o grande nome.
A equipe de 94 era bem mais equilibrada nas funções
defensiva e ofensiva. Tanto que, nos sete jogos
disputados nos gramados norte-americanos, o goleiro
Taffarel, que tinha sofrido dois gols nos quatro jogos do
Brasil em 90, sofreu apenas três.
Em 98 em cinco jogos, a defesa já foi superada por
seis vezes. Ou seja, numa só Copa, que ainda nem
terminou para o time brasileiro, Taffarel já buscou mais
bolas dentro do gol do que nos dois mundiais anteriores
somados.
Em compensação, o ataque tem funcionado bem melhor
do que antes. Nos Estados Unidos, nas sete partidas,
foram feitos 11 gols - cinco deles de Romário, três de
Bebeto, um de Raí, um de Márcio Santos e um de Branco.
Quatro anos depois, a produção brasileira, em cinco
partidas, já é de 13 gols. E os artilheiros ao
contrário do Mundial norte-americano, estão mais
divididos. Quatro jogadores estão com três gols - o
badalado Ronaldinho, que era o mais cotado nas apostas
internacionais para assumir essa condição de goleador
sozinho; Bebeto, Rivaldo e César Sampaio. Além desse
quarteto, o Brasil teve a ajuda do escocês Boyd, que fez
um gol contra, no jogo de estréia.
Todo técnico gosta de dizer que o equilíbrio é
fundamental. Parreira conseguiu levar isso ao extremo,
com uma média pragmática em 94. Zagallo, agora, conta
com um time mais voltado para o gol, numa filosofia que,
em conseqüência, deixa mais vulnerável o setor
defensivo. No título mundial de 70, em que ele era o
treinador da equipe, o Brasil marcou 19 gols e levou
sete. Um ataque eficientíssimo e uma defesa nem tanto.
No Mundial da França, pode-se imaginar o que poderia
ser a produção ofensiva do Brasil se houvesse um
armador de fato no meio-de-campo e se Ronaldinho não
estivesse sentindo o problema de tendinite que afeta sua
velocidade, sem contar que Bebeto, apesar de ter ainda o
senso do gol, não tem a mesma explosão de quatro anos
antes.
A dificuldade de Ronaldinho, por outro lado, abre
espaço para que os companheiros apareçam. O atacante
que foi eleito, por dois anos consecutivos, o melhor
jogador do mundo tem sido muito marcado. E, como tem
talento, procura compensar isso chamando para si a
marcação e deixando os companheiros livres. Às vezes,
até faz passes primorosos para os outros, como nos dois
primeiros gols diante da Dinamarca, ontem, pelas
quartas-de-final, em Nantes. No primeiro, desconcertou a
defesa dinamarquesa com um lançamento de canhota para
Bebeto. No segundo, arrumou o lance para Rivaldo fazer o
gol da virada.
BRASIL
Zagallo não quer mudanças no time
Técnico quer Brasil como no jogo com a
Dinamarca, ele acredita que o time já está com um
excelente nível técnico
Dinoel Marcos de Abreu
DA Agência Estado Lésigny
O técnico Mário Jorge Lôbo Zagallo quer ver nas
semifinais o mesmo futebol que o Brasil apresentou na
vitória sobre a Dinamarca por 3 a 2, ontem, em Nantes,
pelas quartas-de-final da Copa. Na entrevista coletiva
realizada ontem à tarde, na concentração da seleção
em Lésigny, o treinador disse que o Brasil atingiu um
excelente nível técnico. "Tivemos futebol, garra e
determinação", afirmou. "É assim que
imaginamos a seleção para o próximo jogo, e a torcida
brasileira pode ficar tranqüila, porque não vai faltar
empenho."
O treinador só faz restrições aos erros da defesa
nos lances que proporcionaram os gols do adversário. Ele
explicou que as falhas na partida de sexta-feira podem
servir de lição para o time brasileiro. No início da
entrevista, o treinador disse que se recuperou do
desgaste emocional e físico, provocado pelo jogo contra
os dinamarqueses. "Não tive nenhum problema de
saúde e estou pronto para a próxima partida",
disse o treinador, que admitiu ter tomado um calmante
para "relaxar", ao chegar no hotel da
delegação.
Zagallo confirmou que realmente ficou emocionado
depois do jogo principalmente após conversar com sua
família, por telefone. "Sou uma pessoa emotiva, mas
estou habituado a passar por momentos como esse ao longo
da minha carreira", disse. "Vejam as minhas
fotos de outras épocas."
Zagallo antecipou que a entrada de Zé Carlos no lugar
de Cafu, que está suspenso com dois cartões amarelos
será a única modificação da equipe e que Bebeto será
mantido na seleção. O treinador explicou que o atacante
do Botafogo foi substituído por Denílson no segundo
tempo por uma questão tática."Mas ele estava bem
no jogo e por isso será mantido".
A seleção está com três jogadores suspensos com um
cartão cada (Aldair, Roberto Carlos e Leonardo). Zagallo
disse que vai orientar os três para que eles tomem
cuidado com novas advertências na partida das
semifinais. "Mas confesso que é difícil entender o
critério dos juizes nesse tipo de punição",
afirmou. "Até agora não entendi porque Cafu levou
o cartão amarelo no jogo contra a Dinamarca". Os
jogadores voltam a treinar neste domingo à tarde em
Ozoir-la-Ferrière. Na segunda-feira a delegação
viajará para Marselha, local da partida de terça-feira
pelas semifinais.
Gilmar
está feliz com o reconhecimento de Zagallo
DA Agência Estado - Lesigny
Antes de seguir rumo a Lyon, onde assistiria ao jogo
Alemanha x Croácia, o ex-goleiro e espião da seleção,
Gilmar Rinaldi, reiterou neste sábado, na porta do
Château de Grand Romaine, local de concentração da
delegação brasileira, a receptividade e a harmonia da
comissão técnica em relação ao seu trabalho e a
satisfação pelo serviço que está prestando.
"Zagallo está muito interessado em acompanhar as
informações e está mostrando que não é aquela pessoa
que todos pensavam", disse, prestes a entrar no
táxi conduzido pela portuguesa Graça, que o levaria ao
aeroporto.
Gilmar comentou que, na véspera do confronto com a
Dinamarca, o técnico da seleção pediu para ver e rever
os taipes do adversário, além de ter analisado todos os
relatórios feitos, recheado de informações que
poderiam ser úteis. "Ele me disse que gostaria de
assistir novamente aos vídeos, para que, assim, pudesse
assimilar os nomes e as características dos jogadores
dinamarqueses". Tamanha motivação o trasnformou em
um notívago. "Retorno após o jogo e, às 4 horas
da madrugada, já começo a editar o material e a
preparar o relatório sobre o time vencedor".
Entre as informações colhidas previamente sobre o
adversário de anteontem, destacou uma. "Sabia que o
Michael Laudrup não poderia erguer a cabeça, se
deixassem ele pensar, poderia ter feito estrago bem
maior." Em relação ao primeiro gol feito pelo
adversário, logo no começo do jogo, disse ter ficado
contente e triste, ao mesmo tempo. "Triste pelo gol
sofrido e contente porque havia colocado no relatório
que eles freqüentemente batiam faltas rapidamente".
O espião de Zagallo também esteve na partida de
sexta-feira entre França e Itália, em Saint-Denis, na
qual a seleção anfitriã eliminou os vice-campeões
mundiais na decisão por pênaltis. "Os franceses
jogaram muito bem, só não fizeram o gol", elogiou.
"Estão crescendo a cada jogo e a tendência é
chegarem à decisão do título".
Dunga
aponta defeitos na seleção brasileira
Arnaldo Ribeiro
Da Agência Estado - Ozoir-la-Ferrière
Para o capitão Dunga, a seleção brasileira tem um
pequeno defeito que não será corrigido até o fim da
Copa: o time não sabe administrar resultados
favoráveis, o que deixa as partidas emocionantes.
"Pelas características dos jogadores, pelo
instinto, o time busca o gol mesmo quando a partida está
a nosso favor, quando o ideal seria tocar a bola e deixar
o tempo passar'', disse.
Dunga entende que o individualismo exagerado de alguns
jogadores, como Rivaldo e Denílson, que acabam
inviabilizando um jogo cadenciado, também é uma
característica particular desses atletas. "Dentro
do possível, um tem procurado achar o outro e driblar
só no momento certo''.
O capitão, apesar das ponderações, disse que a
equipe brasileira está em processo de evolução.
"Estamos num bom momento, mostrando maturidade e
buscando nossos objetivos: vamos crescer nos próximos
dois jogos'', afirmou.
Para o volante, a partida contra a Dinamarca foi
atípica e muito atrativa. "Quando você encontra um
adversário que quer jogar, que parte para cima, o jogo
fica bonito''. Segundo ele, a seleção tem mais
dificuldades quando enfrenta adversários que jogam
"exclusivamente atrás, explorando escanteios e as
bolas paradas''. Talvez por isso, o capitão jamais tenha
temido pela sorte do Brasil diante dos dinamarqueses.
"Quando eles fizeram o segundo gol, eu pensei que
tudo seria como contra a Holanda, nas quartas-de-final da
Copa de 94, quando conseguimos ganhar por 3 a 2'', disse.
Mas o jogador não quer mais que a equipe saia atrás
no placar durante os jogos decisivos. "Isso provoca
um desgaste muito grande, que vamos sentir nas próximas
partidas e, além disso, faz a torcida sofrer demais'',
justificou. Dunga deu quatro conselhos para a seleção
não correr tantos riscos daqui para frente: sempre
quando o Brasil cometer uma falta, um homem de ataque tem
de ficar colado à bola, para evitar uma cobrança muito
rápida; os jogadores do banco de reservas devem estar
sempre atentos ao jogo para, quando entrarem,
determinarem um novo ritmo à partida; o time deve viver
o presente, pensar sempre na próxima partida; se um
jogador pendurado pelos cartões amarelos tiver de matar
uma jogada e ficar de fora da final para ajudar o time,
tem de fazer isso; o Brasil não vai conseguir nada se
não sofrer: "Não dá para colher uma rosa sem
machucar-se nos espinhos'', afirmou.
Quanto ao recorde de partidas pela seleção numa Copa
do Mundo, o capitão disse que ele só terá sentido se o
Brasil for campeão. "Um recorde perdedor não
adianta nada'', justificou. Atualmente, ele e Taffarel
estão empatados com Jairzinho, com 16 partidas
disputadas em Mundiais.
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