DOENÇAS DO TRABALHO

Procuradoria exige que INSS mude critérios em relação à LER/Dort

Médicos do instituto estariam abandonando preceitos éticos em nome de interesses administrativos

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem

Acatando representação do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de Mato Grosso (SEEB/MT), o Ministério Público Federal expediu recomendações à gerência executiva do INSS/MT para que sejam revistos os critérios empregados nas perícias médicas do órgão. Conforme entendeu o procurador da República Luiz Roberto Bemvenuto, o órgão estaria aplicando normas administrativas em lugar da medicina.

Segundo o SEEB, 90% dos trabalhadores atingidos por enfermidades conhecidas como LER/Dort (Lesões por Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) em Mato Grosso - bancários em sua maioria - receberam laudos desfavoráveis na última perícia, realizada pelo INSS no mês de julho.

"Os médicos e peritos do INSS, ignorando laudos, relatórios e atestados de diversos profissionais, consideraram a LER/DORT como doença comum, e não ocupacional", reclamou João Luiz Dourado, secretário de Saúde do SEEB. "Com isso, vários trabalhadores perderam direito ao auxílio-doença acidentário, estabilidade de 12 meses após a alta médica e o recolhimento do FGTS durante o período de afastamento".

A decisão dos peritos INSS tem base na Norma Técnica da LER/DORT, definida pela Ordem de Serviço 606/98. Ela permite que a perícia médica do órgão, mesmo reconhecendo a existência de lesões, conclua que estas foram causadas por fatores alheios às condições de trabalho. Segundo Dourado, tal possibilidade está se tornando regra nos laudos médicos expedidos. "Esta mudança permite que o INSS economize 30% sobre o benefício dos trabalhadores", denunciou.

O procurador Luiz Roberto Bemvenuto, em despacho expedido em dezembro, recomendou que "os princípios técnicos e éticos da profissão da médica sejam sobrepostos aos eventuais interesses administrativos ou políticos".

Segundo Bemvenuto, o INSS não deve utilizar-se da OS-606/98 unicamente para afastar a ocorrência das lesões ou doenças do trabalho. "Vê-se que a iniciativa do não reconhecimento quase total por parte do órgão previdenciário não leva em consideração as péssimas condições de trabalho no Brasil", escreveu o procurador. "A Norma apenas estipula orientações, mas não refere à impossibilidade de ocorrência de doença do trabalho por esforço repetitivo".

Na perícia o INSS só levou em consideração as condições de trabalho atuais nos estabelecimentos bancários, acrescenta Dourado. "Hoje a reconstituição do ambiente de trabalho que causou os danos é quase impossível: algumas empresas fecharam, outras passaram por reformas. Mesmo assim, a perícia só considerou o estado atual das empresas", afirmou Dourado.

O prazo inicial dado pelo MPF para a resposta do INSS se expirou ainda em dezembro, mas foi esticado. Segundo Dourado, a partir de agora, o SEEB volta a pressionar o órgão para que os laudos anteriores sejam revalidados. "Ganhamos apenas a primeira batalha".

O OUTRO LADO - O gerente executivo do INSS em Mato Grosso, Manoel Benedito Rosa Filho, informou que encaminhará até amanhã as respostas às recomendações do MPF. A prorrogação do prazo foi solicitada, segundo ele, em função da vinda à Cuiabá do na semana passada do coordenador nacional de benefícios por incapacidade, o médico César de Oliveira. "Aproveitamos a presença do doutor César para, juntamente com 22 médicos do INSS no Estado, discutirmos essa questão da LER/Dort", disse.

Dentre as informações que serão encaminhadas ao MPF, Manoel Rosa adiantou que o instituto concorda que os laudos precisam ser mais detalhados, como recomendou a procuradoria.

Quanto a possíveis reavaliações dos laudos realizados em meados de 99, o gerente lembrou que todos que se sentirem lesados podem recorrer administrativamente a qualquer momento. (colaborou Aline Cubas)


Eletricista relata até humilhação

Da Reportagem

José Luiz Palombo, de 46 anos, contribuiu para o INSS durante vinte anos até sofrer um acidente de trabalho. Eletricista da Cemat, preparava-se para subir num poste quando a escada soltou-se, prensando sua mão. "Registrei o acidente na empresa, enfaixei a mão e procurei um médico", lembra.

A força e a coordenação motora da mão direita haviam sido seriamente prejudicados. Seria necessário um período de tratamento para tentar sanar a lesão. "A princípio o INSS aceitou meus documentos e passei a receber o benefício", conta Palombo. "Mas isso foi até julho do ano passado, quando recebi o comunicado de uma nova perícia".

No prédio do INSS, Palombo descobriu que não era o único convocado para os exames. "Encontrei por acaso um pessoal dos bancários que estava passando por problemas parecidos e que também tinham sido chamados para a nova perícia com o especialista".

Durante a perícia, Palombo conta ter sido pressionado e por vezes humilhado pela equipe médica. "Disseram que o meu problema poderia ser genético e que eu estaria inventando tudo", diz o eletricista. "Argumentei que eu não iria passar vinte anos de minha vida trabalhando para depois inventar uma história destas. Só que eles não quiseram nem ouvir: deram alta para quase todo mundo".

Seguiu-se um momento delicado, lembra Palombo. Para não ser demitido por justa causa, teria que retornar ao trabalho imediatamente, ignorando sua condição física. "Eu estava sentindo fortes dores e sem poder dormir. Nestas condições, como eu poderia trabalhar e enfrentar situações de risco como antigamente?".

Sem ter a quem recorrer, Palombo procurou novamente o INSS e explicou sua situação a um perito. "Ele me disse que não poderia fazer nada, pois não tinha como medir a intensidade da minha dor", reclama.

O que livrou Palombo de retornar ao trabalho naquelas condições foi um exame de densiometria óssea que revelou também um adiantado processo de descalcificação - osteoporose. "No meu caso o INSS foi forçado a recuar, pois seria impossível justificar uma alta", esclarece. "Mas muita gente perdeu o benefício por conta desta armação".

Ele relata que a grande maioria dos médicos do INSS vê os trabalhadores lesionados com desconfiança ou mesmo desdém. "Eles estão ali para um papel administrativo, não para medicina. Com raras exceções, são todos treinados para forçar o doente a retornar ao trabalho, independente de sua condição", denuncia. "Não agem como médicos e todos os que já passaram pela perícia sabem disso".


PM

Tenentes-coronéis pedem mais espaço na polícia

Cargos que deveriam ser deles estão nas mãos de oficias com patente menor

ADILSON ROSA
Da Reportagem

Revoltados por terem sido colocados para escanteio, os cerca de 30 tenentes-coronéis da Polícia Militar de Mato Grosso deverão agendar um encontro com o atual comandante geral, coronel José Renato Martins. Eles vão reivindicar a colocação em prática do Quadro Organizacional da Polícia Militar (QO).

Segundo um dos integrantes da patente, eles reclamam que os cargos destinados a tenentes-coronéis estão sendo ocupados por capitães e majores. O oficial revelou que, atualmente, há oito tenentes-coronéis no Comando Geral da PM sem função específica.

Ele explicou que o QO obriga a nomeação de tenentes-coronéis para as seções, (como PM 01, O2) e também para os Batalhões de Policia. No comando de quatro dos cincos Batalhões da Capital e Várzea Grande, atualmente está um major. Em Várzea Grande, o 4o BPM é comandado pelo tenente-coronel Rufino Lemes.

"Quando há um tenente-coronel, o major deverá ocupar o subcomando e isto não está acontecendo. Na verdade, só queremos a aplicação da lei maior da PM", reclamou o oficial.

De acordo com esse oficial, serão realizadas várias reuniões com o objetivo de se marcar a audiência. Com isso, eles pretendem sensibilizar o comandante geral.

Mas segundo um amigo do coronel Renato Martins, quem está nos cargos principais são considerados de confiança do comandante geral da corporação. E justamente entre os tenentes-coronéis é que estariam os chamados "inimigos" do coronel.

A crise na corporação se acentuou no mês passado quando a associação dos oficiais da PM se reuniu para pedir o afastamento da atual comandante, mas o movimento acabou sendo sufocado. O presidente da associação, major Rutemberg Ferreira, chegou a ter a prisão administrativa decretada, mas coronel Renato voltou atrás.


MATRÍCULAS/INÍCIO

Rede municipal de Cuiabá tem vagas para 60 mil estudantes

Da Reportagem

As escolas públicas municipais de Cuiabá estão preparadas para receber 60 mil alunos no ensino infantil, fundamental e médio em 2000, segundo o secretário de Educação do Município, Edivá Pereira Alves. As matrículas começaram no dia 3 e vão até 31 de janeiro em 80 escolas da zona urbana e 20 da rural.

"Esperamos que a demanda de alunos este ano seja menor que o número de vagas que vamos oferecer. Um levantamento conjunto da realidade escolar feito de setembro a novembro do ano passado apontou as necessidades e tendências para 2000", disse Alves.

No prazo de 21 dias definido pela Secretaria para efetivação da matrícula, cada escola tem liberdade para escolher o período que receberá a sua comunidade. Portanto, é importante que os pais estejam informados sobre a data de matrícula da escola onde pretende colocar seu filho, esclareceu o secretário.

Das 60 mil vagas, cerca de 45 mil são para o ensino fundamental; 8 mil para o infantil; 4 para educação de jovens e adultos e 3 mil para o ensino médio.

Segundo Alves, o município só está oferecendo vagas para o ensino médio para resolver uma necessidade. "Temos bairros muito distantes do centro que não têm nenhuma escola estadual, mas em compensação abriga cinco municipais por exemplo. Nesses casos resolvemos abrir essa exceção", informou.

O número de alunos sob responsabilidade do município vem aumentando proporcionalmente nos últimos quatro anos se comparado aos do ensino estadual. A tendência por um lado é considerada positiva pelo secretário. "É mais fácil para um prefeito melhorar a qualidade do ensino em sua região, pois está próximo daquela realidade. O mesmo não acontece com o governador ou o secretário de educação do estado, que acompanham as escolas estaduais de outros municípios de longe", argumentou Alves.

O aspecto negativo da ampliação dessa responsabilidade seria a falta de recursos, a longo prazo, para garantir a qualidade do ensino. Atualmente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) garante que as escolas recebam recursos de acordo com o número de alunos matriculados. Mas em 2004 o fundo será extinto.


CONDOMÍNIOS

Reunião no Procon resulta em acordo

Da Reportagem

Uma audiência entre os mutuários dos condomínios Vila das Minas do Cuiabá, Lavras do Sutil I e II e a construtora Batec, na Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Procon), ontem à tarde, resultou em acordo entre os proprietários e a construtora.

Os donos de apartamentos haviam recebido uma ação de reintegração de posse da Batec no início de dezembro de 1999, e só ontem foram citados na ação para tentar se defender da ordem de despejo.

A reunião deu resultado a uma proposta chamada de carta consulta que será avaliada pelos moradores. A carta determina a amortização da dívida dos proprietários por 12 meses. Os moradores Condomínio Vila das Minas deverão pagar R$ 200 e Lavras do Sutil R$ 230 em juízo. Os recursos do acordo servirão para manutenção dos imóveis, o desmembramento dos registros dos apartamentos nos cartórios e a liberação do habite-se dos imóveis na prefeitura. Enquanto isso a Treze Construtora e Incorporadora (primeira dona dos Condomínios e devedora da Caixa) se compromete a dar baixa na hipoteca junto à Caixa. A Batec ainda se dispõe a mudar o reajuste das prestações nos contratos feitos com ela - os aumentos deverão ser anuais e não mais mensais como reza o contrato. A construtora ainda propõe discutir outros pedidos com os moradores.

O coordenador do Procom, Alcione Sartori, que intermediou as negociações explica que a proposta precisa de uma adesão mínima de 450 moradores para concretizar o acordo. "Estamos à disposição para possíveis dúvidas ou negociação", informou.

Segundo representantes de moradores, a ação envolve mais de 657 famílias que compraram os imóveis da Batec ou de terceiros. A maioria dos proprietários não paga as prestações há mais de 1 ano e meio por que simplesmente não sabia a quem pagar. A reunião já é a terceira realizada com os representantes dos condomínios e a construtora. "Não queremos deixar de pagar, só queremos saber para quem", desabafou uma moradora. (APC)


ROSÁRIO OESTE

Ação judicial tenta impedir que Unemat feche as portas

ANA PAOLA CARLINI
Da Reportagem

O campus de Rosário Oeste da Universidade Estadual do Mato Grosso pode fechar as portas antes de formar a primeira turma. É o que anunciou o prefeito da cidade – localizada a 120 quilômetros de Cuiabá -, Fernando Luís de Carvalho.

Segundo Carvalho, o reitor da Universidade em Rosário, Arno Rieder, quer que as turmas sejam transferidas para Barra do Bugres (163 Km de Cuiabá) por falta de laboratórios para os cursos.

Os alunos da instituição entraram com mandado de segurança, ontem, contra o fechamento ou transferência da unidade na cidade. "Os estudantes fizeram o vestibular em Rosário e querem estudar aqui e não em outras cidades", disse.

O prefeito informou que para a Universidade continuar na cidade a prefeitura pretende reforçar a sua parcela de manutenção. Com um recurso adicional de R$4 mil e pagamento de todas as despesas como moradia, comida para os professores que irão ministrar as aulas, e ainda um novo prédio com mais 12 salas, refeitórios e espaço para biblioteca.

Para Carvalho, a Universidade precisa continuar na cidade porque 90% dos alunos são professores da rede municipal de ensino. "Temos um documento com mais de 2,5 mil assinaturas pedindo a permanência da unidade", declarou. O prefeito iria se reunir com o secretário estadual da Educação, Antônio Joaquim, ontem à tarde, para pedir apoio à permanência da UNEMAT.

O campus só existe há três anos e tem apenas uma turma nos cursos de Biologia, História, Pedagogia, Geografia. Existem mais de 150 alunos estudando no período de férias na Universidade.


CARTA DE APTIDÃO

BB fala que produtores de Tapurah não têm documento

Da Reportagem

O superintendente Regional do Banco do Brasil (BB), Assis Arruda, informou que os problemas na liberação dos recursos de custeio do Pronaf em Tapurah, 321 quilômetros de Cuiabá, se concentram no assentamento Itanhangá. Dos 1.166 assentados que pediram o recurso, 759 são de lá - e desses, apenas 541 receberam o aval do Incra para usar o dinheiro. Porém, Arruda explicou que no posto do BB em Tapurah, apenas 450 autorizações chegaram até hoje.

"Conseguimos pagar até agora 315 assentados do Itanhangá que estão com a carta de aptidão do Incra e estamos agilizando o pagamento do restante. Mas levantamos que 218 deles não têm o documento, e ainda esperamos a emissão de 91 cartas pelo Incra", disse o superintendente. Os outros 407 assentados estão divididos em seis acampamentos, têm a carta e esperam a liberação do dinheiro segundo Arruda.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tapurah reclama que dos 386 assentados que disseram ter recebido o cheque, apenas a metade conseguiu descontar. "O posto da cidade é pequeno e por isso não deixamos muito dinheiro. Alguns foram descontar o cheque e não encontraram saldo, mas estamos resolvendo esse problema", afirmou Arruda.

As cartas de aptidão seriam o principal motivo para impedir o repasse do dinheiro, segundo o BB. Mas o executor do Incra em Diamantino, Carlos Augusto de Oliveira, informou que 833 delas foram enviadas em dezembro para o banco. E ontem uma lista com o nome dos aptos a receber foi transmitida como reforço à superintendência do BB. "O que o Incra podia fazer já fez. Emitimos cartas de aptidão para 833 assentados e os outros só não obtiveram o documento em função de alguma irregularidade", disse Oliveira.

Arruda informou que conversará com o superintendente do Incra e pedirá que o órgão envie uma segunda via da carta de aptidão para que o BB possa efetuar o pagamento dos que estão na lista.


UNIC

Matrículas para o ano 2000 devem ser feitas até sexta

Da Redação

A Universidade de Cuiabá (Unic) encerra nesta sexta-feira as matrículas para todos os cursos mantidos pela instituição. Os candidatos convocados na segunda chamada terão que fazer sua matrícula nos dias 10 ,11 e 12 de janeiro; e os da terceira, nos dias 13 e 14 de janeiro.

Para a matrícula, serão exigidos os seguintes documentos: duas cópias da cédula de identidade (original para conferência), duas cópias do título de eleitor, duas cópias da certidão de nascimento ou casamento, uma cópia do CIC, duas cópias do certificado de reservista ou alistamento militar (apenas para candidatos do sexo masculino), duas cópias do certificado de conclusão do ensino médio ou equivalente (original para conferência), duas cópias do histórico escolar completo do ensino médio (original para conferência) e três fotos 3X4 idênticas e recentes.

PANFLETAGEM – Membros do Diretório Central dos Estudantes da Unic realizam a partir das 14h no universidade uma panfletagem contra o aumento das mensalidades. Hoje é o último dia pagamento para aqueles que pretendem quitar a rematrícula com desconto de 10%. O diretório move uma ação no Fórum Cível contra o aumento. A Unic diz que obedeceu a lei ao elevar seus preços.


POLUIÇÃO

Indústria de sebo e ração está na mira da Vigilância Sanitária

Fiscalização constata falta de filtro e péssimas condições de trabalhos de funcionários

MÁRCIA MARAFON
Especial para o DIÁRIO

A Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária realizou ontem pela manhã uma inspeção de fiscalização na empresa Sebo Jales Ltda, estabelecida no distrito de Passagem da Conceição, em Várzea Grande. A empresa trabalha com moagem e cozimento de subproduto bovino como ossos, vísceras e carne que são destinados à indústria de cosméticos, sabão e ração animal, e foi denunciada anonimamente como possível responsável pelo mau cheiro que está incomodando moradores da localidade

A inspeção foi comandada pelo próprio coordenador da Vigilância Sanitária, Euze Carvalho, que esteve no local acompanhado de quatro fiscais. A equipe da Vigilância não efetuou nenhuma autuação à empresa, preferindo analisar o problema juntamente com a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Várzea Grande. Segundo o coordenador Euze Carvalho, esse procedimento é necessário tendo vista que o gerente da empresa, Rodrigo Fuga, disse que a Fema vistoria o local todos os meses, desde julho de 98, e somente em dezembro do ano passado exigiu a instalação de um filtro para a caldeira, de onde é exalado o mau cheiro.

Embora a Vigilância ainda não tenha uma laudo sobre a situação, além do mau cheiro são visíveis algumas irregularidades que podem afetar principalmente a saúde dos próprios funcionários da empresa. Os cerca de 45 funcionários não usam proteção como máscaras e roupas apropriadas quando manuseiam as carnes e ossos em estado de avançada decomposição. Há ainda a suspeita de que os dejetos despejados no rio Cuiabá não são tratados adequadamente apesar de haver no local lagoas de tratamento de água.

De acordo com o contador da empresa Sérgio Aparecido Mendes de Almeida, a empresa não adquiriu ainda o filtro para a caldeira por ser um investimento muito caro. "O filtro é muito caro. O cheiro não tem como controlar, é o cheiro da natureza. O filtro ameniza mas não faz com que o cheiro acabe", explicou o gerente.

A empresa funciona desde julho de 1998, mas há cerca de três meses os moradores da zona oeste de Cuiabá, na região do bairro Santa Amália, estão sendo incomodados com o mal cheiro oriundo do cozimento de produto animal.

O morador do bairro Santa Amália, Manuelito de Souza queixou-se que o cheiro insuportável tira até mesmo o apetite. "De manhã e quando o sol está forte não tem quem suporte. Nas festas de final de ano minha família não pôde festejar por causa do cheiro".

Todo o material, ossos, vísceras e carne ficam expostos ao sol sem as mínimas condições de higiene. De acordo com o coordenador da Vigilância Sanitária esse material no mínimo deveria estar acondicionado em câmaras frias, pois, no estado em que se encontravam, podres, não prestavam ao consumo de nenhuma espécie.

Nenhum funcionário quis falar sobre a falta de condições de trabalho. Eles trabalham de bermudas e sem camisas. Alguns usam apenas botas de borracha. A mulher de um funcionário, moradora do local há mais de um ano disse que não se sente incomodada com o cheiro. "Quem precisa de serviço não liga pra cheiro. Aqui só cheira forte quando chove ou quando o sol está muito forte. Não sei porque tanto rumor em torno disso".

Se constatada situações graves a empresa poderá ser multada e até mesmo fechada, já que a Vigilância Sanitária tem autonomia para isso. Será verificado se a empresa possui alvará do município de Várzea Grande para funcionamento.

O coordenador da Vigilância Sanitária, Euze de Carvalho afirmou que sua equipe vai reunir-se com a Fema e a Secretaria do Meio Ambiente de Várzea Grande, pois este assunto diz respeito a estes órgãos e serão apontadas as falhas e soluções no sentido de amenizar e resolver a situação.


Turismo é meta da comunidade

Da Redação

O distrito de Passagem da Conceição, onde está localizada a indústria de sebo Jales Ltda, é um dos mais antigos de Várzea Grande. Sua fundação data de 1813, porém trata-se de uma comunidade de poucas famílias, cerca de 40, e que ainda mantém a tranquilidade de uma vila colonial.

Passagem da Conceição conserva várias das primeiras casas, e até há poucos dias ainda não contava nem mesmo com telefone residencial. As lideranças comunitárias, no entanto, já conseguiram da Telemat a instalação dos primeiros terminais, e acreditam mesmo mantendo as tradições, o distrito poderá melhorar economicamente através do turismo.

O nome do distrito tem história controvertida. Há os que afirmam que lá morava uma pessoa chamada Conceição, onde atracavam os barcos que faziam a travessia dos tropeiros que cruzavam o rio Cuiabá, de Cuiabá em direção às regiões norte e oeste de Mato Grosso.

Mas também há registros indicando que o nome provém de uma santa reverenciada no local, a Nossa Senhora da Conceição. O fato é que Passagem da Conceição é um distrito muito conhecido por suas festas tradicionais, e pela localização privilegiada, às margens do rio Cuiabá, um pouco acima do centro da Capital, que por isso ainda é local de boa pesca e com pouca poluição, uma situação que pode estar sendo mudada em função da fábrica de sebo localizada junto da própria comunidade.


Mau cheiro é comum na cidade

Da Redação

O mau cheiro causado por unidades industriais em Varzea Grande incomoda moradores de vários bairros. Já foram registradas várias reclamações sobre poluição, como o mau cheiro nas proximidades da comunidade de Formigueiro, próxima do distrito de Capão Grande, possivelmente causada por um curtume, e a fumaça exalada por uma indústria madeireira na avenida Júlio Campos.

Há cerca de cinco anos, o problema era com uma fábrica de farinha de osso. O problema se arrastou por muito tempo, e pelo menos as reclamações terminaram. As denúncias constantes sobre mau cheiro têm como causa exatamente a grande quantidade de indústrias localizadas na cidade, principalmente a frigorífica e outras que transformam os subprodutos bovinos, como o couro, sebo e ossos.

Os problemas ambientais em Várzea Grande, no entanto, não se resumem ao mau cheiro causado pelas indústrias de alimentos, que além de causar mau cheiro, ainda poluem os córregos afluentes do rio Cuiabá. A indústria ceramista tem sido responsável pela grande degradação de áreas próximas do rio, devido a retirada de argila para a fabricação de telhas e tijolos. As áreas tornam-se enormes crateras onde não é possível qualquer aproveitamento econômico.

Sobre as cerâmicas, a Secretaria de Meio Ambiente de Várzea Grande está prometendo uma fiscalização cerrada este ano. Porém, o problema é antigo e as soluções nunca saíram das promessas. Sequer há projetos no papel, visando o aproveitamento racional das crateras.


MATRÍCULA ESCOLAR

Cadastro antecipado evitou filas

Coordenadoria da Seduc garante que não haverá alunos do ensino médio fora de salas de aula

MÁRCIA MARAFON
Especial para o DIÁRIO

O ano começa com uma boa notícia para pais e alunos. Não haverá filas nas portas das escolas estaduais de Várzea Grande para fazer matrícula. Isto porque a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) reorganizou o sistema de ensino fazendo o cadastramento antecipado dos estudantes, segundo informou a coordenadora pedagógica da Seduc no município, Eucaris de Arruda Barros.

Eucaris disse ainda que a Secretaria de Educação, mesmo já contando com o cadastro dos alunos para este ano, também vai disponibilizar novas novas salas de aula para o ensino médio(antigo segundo grau), de acordo com um possível aumento da emenda. Em contra partida, a Seduc está extinguindo salas de aula de escolas onde a demanda vem registrando queda, principalmente as das primeiras séries do primeiro grau.

A coordenadora da Seduc em Várzea grande garantiu ainda, que no caso de uma escola ficar lotada, os próprios funcionários do estabelecimento estão encarregados de procurar vagas em outras unidades, dando preferência a um local mais próximo da residência do interessado. Por esse motivo é que não temos o número definido de vagas para este ano. As matrículas vão até o dia 21 de janeiro e com certeza não faltarão vagas".

Em Várzea Grande existem 23 escolas estaduais que oferecem o ensino médio em regime de suplência e regular. Foram extinguidas salas de aula de 1a a 4a série do ensino fundamental que não tinham muita procura. Eucaris atribuiu a pouca procura por estas classes a um fenômeno demográfico. Ela acredita que muitas famílias estão tendo poucos filhos, e se estes crescem, mudam de série e naturalmente reduz-se a demanda pelas primeiras séries do ensino fundamental.

Eucaris Arruda disse também que uma modalidade de ensino que está registrando grande procura é supletivo de segundo grau. Segundo ela, hoje a Coordenadoria da Seduc mantém em Várzea Grande 11 escolas destinadas ao curso de suplência


Sintep discorda apontando falta de vagas

Especial para o DIÁRIO

Se por um lado a coordenação da Secretaria de Educação tranquiliza alunos e pais de alunos, afirmando que não haverá problemas de vagas, por outro, a secretária do Sindicato dos Trabalhadores da Escola Pública (Sintep) de Várzea Grande, Maria Aparecida Cortez, fez críticas ao sistema de educação estadual no município. Ela afirma que "os estudantes de segundo grau encontram dificuldades em matricular-se porque não tem vagas e nem escolas".

Um dos problemas apontados pelo Sintep/VG, que "as Secretarias Estadual e Municipal de Educação dão maior importância à escolas de ensino fundamental do que à escolas de ensino médio e educação infantil". Maria Aparecida reafirmou que muitos alunos que terminam a 8a série não conseguem se matricular no ensino médio. "Procuram e não encontram escolas. Acabam desistindo de estudar".

A coordenadora da Seduc, Eucaris Arruda, rebateu dizendo que estão sendo criadas salas de aula para o ensino médio e educação infantil, mas que a responsabilidade não é só do Estado mas do município também. "Se não tivermos espaço físico emprestaremos salas de igrejas e centros comunitários para não deixar alunos fora da sala de aula", afirmou ela.

Eucaris Arruda disse também que um dos problemas apontados pelo Sintep tem origem na situação econômica da população. "Neste ano estamos recebendo muitos alunos de escolas particulares que por razões econômicas estão vindo para a rede pública é mais uma razão para o fechamento de salas do ensino fundamental que não têm necessidade".

Uma das maiores escolas estaduais de Várzea Grande, a Adalgisa de Barros não houve filas ontem, até porque não há mais vagas. Mas o diretor Balbino Pedroso disse que está encaminhando os alunos às escolas próximas. A Escola Adalgisa de Barros é a única polarizada de ensino médio do município, e uma das mais procuradas pelos estudantes devido sua localização, centro da cidade. (MM)


JANEIRO/LIQUIDAÇÃO

Quem não comprou, pode aproveitar

JOANICE DE DEUS
Da Sucursal

Quem deixou de fazer suas compras para aproveitar as liquidações de janeiro esta pode ser uma boa oportunidade. Em Várzea Grande, algumas lojas já estão com promoções de queima de estoque e oferecendo condições especiais de pagamento.

Quem não vendeu durante o Natal ou Réveillon não está afim de ficar com o estoque encalhado no depósito. Como é o caso de uma loja de calçados localizada na avenida Couto Magalhães. Oferecendo preços mais acessíveis, o proprietário do estabelecimento, Gilson Teixeira, lembra que esta é a época mais certa para os consumidores aproveitarem os preços mais baixos. "Com toda certeza os consumidores vão encontrar preços melhores. É só pesquisar e dar uma boa olhada nas liquidações", comenta.

Segundo Teixeira, as vendas foram boas durante as festas de final de ano. Porém, insuficientes para queimar todo o estoque da loja. "Por isso, as promoções", diz. Em sua loja, podem ser encontrados os mais variados tipos de sapatos e sandálias e, também, promoções.

Os preços das sandálias em promoção variam entre R$ 8,99 e 9,99, à vista. Chinelos Rider, cujo preço normal é de R$ 14,00, podem ser encontrados por R$ 9,99.

Até mesmo as lojas de cama e colchão estão com promoções. O gerente, Ademil Trindade, afirma que a loja não tem estoque de produtos. "O finalidade é chamar a clientela, pois trabalhamos com mercadorias de boa aceitação e giro rápido", afirma.

Na loja, os produtos podem ser parcelados em até 12 vezes (crediário Losango), com juros de 8% ao mês. Outras mercadorias, o parcelamento pode ser de até cinco vezes, sem juros.

De acordo com informações, o movimento do comércio várzea-grandense no final de ano foi bom. Mas, não foi o que maioria dos comerciantes esperava. Em relação ao mês de novembro, os lojistas acreditam que houve um aumento de 10%.


Produtos típicos de Natal encalham em supermercados

Da Sucursal

Os supermercados ainda estão com as prateleiras abarrotadas de panetone e champanhe. Como a procura não foi tão grande, os maiores supermercados de Várzea Grande foram obrigados a fazer boas promoções. Em alguns estabelecimentos, o preço do panetone caiu em até 50%.

De acordo com informações do gerente de um grande supermercado localizado na avenida Filinto Muller, que preferiu não se identificar, a tradição de comer panetone no Natal não é muito seguida pelos várzea-grandenses. Outro problema, é o baixo poder aquisitivo das pessoas.

O gerente, no entanto, nega que a venda dos panetones não foram boas. Segundo ele, como os supermercados não têm uma estatística de mercado é comum sobrar panetone. "As vendas podem aumentar ou diminuir em um ano. O certo é que a procura foi boa", afirma.

O gerente também garante que a loja não terá nenhum prejuízo, já que o estabelecimento poderá devolver os panetones que não foram vendidos. "O acordo com as fábricas foi esse", ressalta. No supermercado o panetones de 80 gramas que antes custava R$ 3,95 até ontem podia ser encontrado por R$ 1,97. Panetone de R$ 9,20 por FR$ 4,60, De R$ 15,50 por R$ R$ 7,75 e de R$ 21,85 por R$ 10,92. De acordo com informações a promoção iria somente até ontem. Hoje, o supermercado estará devolvendo os produtos.

Em outro supermercado localizado na Couto Magalhães também sobrou champanhe. De acordo com o proprietário, Sebastião Galan, apesar das promoções feitas desde o Natal, a sobra foi de 30%. Os consumidores também preferiram os panetones caseiros, feitos pela casa, que possuem os preços mais baixos. "Panetone sobrou muito em todas as lojas", comenta.

O sucesso mesmo foi a venda do peru. Em 99, a encomenda foi 50% menor que o ano anterior e foi o suficiente. "Ano retrasado sobrou peru. Em 99, desde o dia 24, já não tinha mais na cidade", ressalta. (JD)


CONTRADIÇÃO

Mina d’água ilha uma casa no bairro Nova Fronteira

Da Sucursal

Uma mina que verte água praticamente o ano inteiro, tornou-se um tormento para a moradora Marlene Cézar Ledur, do bairro Nova Fronteira. Há dois anos, a água da mina alaga uma grande área, formando um verdadeiro pântano. A mina fica em um terreno ao lado da casa de Marlene Ledur.

A rua 50 esquina com 15 fica praticamente intransitável para os pedestres. Há alguns meses, a rua 15 também ficava alagada. A solução encontrada foi jogar cascalho na rua para a água escorrer. O resultado é que, a água fica parada formando um pântano ao redor da casa de Marlene Ledur. Para contornar a situação, a moradora abriu passagens na rua 15 para a água escorrer.

A moradora reclama dos perigos que ela, seus filhos e os vizinhos estão correndo. Segundo Marlene Ledur, freqüentemente aparecem cobras, aranhas, mosquitos e escorpiões. A situação piora ainda mais, com os mosquitos e os sapos que não deixam ninguém dormir à noite. "É uma verdadeira orquestra sinfônica", brinca. A moradora também fica preocupada com os possíveis casos de dengue que podem aparecer já que a água é limpa e parada.

Marlene Ledur diz que chegou a procurar a Prefeitura Municipal de Várzea Grande pedindo alguma providência. Como nada foi feito a moradora desistiu. "O pessoal da prefeitura disse que não poderia fazer nada", comenta. Talvez, porque a mina não fica ao lado da casa do prefeito ou de nenhum de seus secretariados.

A moradora lembra ainda que enquanto é freqüente a falta de água no bairro, a mina poderia ser aproveitada para a construção de um poço artesiano e o fornecimento do líquido para os moradores. "Alguma providência tem que ser tomada", cobra. (JD)