| SAÚDE INDÍGENA Entidade divulga entre bororos e xavantes
prevenção à Aids e DST
O programa é financiado
pelo Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento
e Ministério da Saúde
FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra do Garças
O Centro Etno-ecológico do Vale do Araguaia (Celva)
está desenvolvendo junto aos índios xavantes e bororos
o projeto de "Educação e Prevenção DST/Aids para
Xavante e Bororo". A cooperação da entidade não
governamental está sendo viabilizada pelo Programa
Nacional de DST/Aids, da Secretaria de Assistência à
Saúde, do Ministério da Saúde, dentro de Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O projeto visa levar informações aos homens e mulheres
índias e, principalmente, aos estudantes das cidades,
sobre os riscos de contágio das "novas
doenças" e as formas de proteção. O trabalho
está, inicialmente, voltado para as cerca de 20 aldeias
dos municípios de General Carneiro, Paranatinga e Barra
do Garças. Há perspetiva de se expandir, apresentando o
material didático que está sendo preparado para as
outras áreas bororos e xavantes de Rondonópolis, Nova
Xavantina e Água Boa, totalizando cerca de 80 aldeias,
ou 50% da população indígena de Mato Grosso.
Como recurso didático estão sendo preparados álbuns
sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids,
nas línguas xavante e bororo, e um pequeno documentário
em VHS também nas línguas indígenas.
"A preocupação, expressa através dos materiais
produzidos, é se mostrar a realidade das doenças
sexuais e Aids, através de fotos, gráficos e frases
reflexivas e orientativas", destaca o indigenista
Guilherme Carrano, coordenador do projeto na região de
Barra do Garças.
O aspecto mais importante a ser alcançado pelo projeto,
segundo Carrano, é discutir nas aldeias sobre as
doenças sexualmente transmissíveis e, caso se perceba
ou se sinta algo, buscar tratamento junto aos órgãos
disponíveis: Casa de Saúde do Índio, Funai, Posto de
Saúde Municipal ou qualquer outro meio.
"É por isso que procuramos usar a cultura indígena
para nos auxiliar. Os `padrinhos', por exemplo, precisam
saber bem sobre DST para explicar aos mais novos os
cuidados que devem tomar. Eles é que irão `liberar', na
cultura indígena, os mais jovens para a vida
sexual", destacou. Padrinhos são os índios adultos
que ajudam na educação dos garotos.
A proposta do projeto foi apresentada pelo Celva aos
órgãos federais e das Nações Unidas e, além da
coordenação do indigenista Guilherme Carrano, que é
membro da entidade e também servidor da Fundação
Nacional do Índio (Funai), conta com o auxílio dos
índios Lino Tsere Ubudzi e Lourenço Wa'ané (xavantes)
e Agostinho Eibajiwu (bororo). Lino tem curso nível
médio de enfermagem e está preocupado em retornar os
conhecimentos para sua comunidades. Lourenço é aluno do
2º grau em Barra do Garças, já tendo trabalhado na
aldeia como professor de 1º grau e Agostinho já foi
professor dos bororos na aldeia Garças e está
terminando o 1º grau em Meruri, no município de General
Carneiro.
Desde a implantação, o projeto já levou conhecimentos
a cerca de 8.500 índios xavantes nas Terras Indígenas
São Marcos (Barra do Garças), Marechal Rondon
(Paranatinga) e Sangradouro (General Carneiro) e um
número aproximado de 600 bororos na Terras Indígenas
Meruri (General Carneiro) e também aos professores
bilíngues do Projeto Tucum, implantado na região para a
formação de professores indígenas.
"A meta é levar o projeto para as aldeias Pimentel
Barbosa e Areões, em Água Boa, Parabuburê, em
Campinápolis, e nas comunidades bororos Tereza Cristina,
Tadarimana e Perigara, em Rondonópolis".
Nessas terras, pretende-se, por meio dos caciques, levar
os trabalhos em álbuns e vídeo para palestras de
orientação aos homens e mulheres, destacou Guilherme,
que desde 1.975 é funcionários da Funai e fundador do
Celva, entidade que vem buscando alternativa para se
viabilizar trabalhos em prol dos índios.
Cacique
culpa branco pelas doenças
O cacique xavante Aniceto, das Terras Indígenas São
Marcos, no município de Barra do Garças, culpa o homem
branco pelo surgimento das doenças sexualmente
transmissíveis. Segundo ele, o branco não pensa no seu
semelhante e faz de tudo para experimentar tudo o que vê
pela frente.
"O homem quer experimentar animais e animais
transmitem doenças. Não pensa como o índio, que hoje
vem sofrendo com as consequências. Se fizesse apenas com
a mulher, talvez não tivesse tantas doenças",
ressaltou, dizendo que os índios hoje não tem
proteção para livrar de tais doenças.
O cacique elogiou a disposição do indigenista Guilherme
Carrano ao coordenar o projeto de Educação e
Prevenção DST/Aids e criticou o Governo Federal pela
política de apoio ao índio. "Antes, índio não
precisava nem de roupas, quanto mais de vacinas e
remédios, e hoje estão morrendo a míngua pelas mãos
do homem branco. Tudo está se acabando, as terras dos
índios não são mais respeitadas e o que se vê são
florestas derrubadas, enfraquecidas e a comunidade
indígena cada vez mais doente".
O documentário em VHS sobre o projeto que está sendo
desenvolvido nas aldeias está em fase de conclusão na
língua xavante e brevemente será editado também em
língua bororo. Com o auxílio do Instituto de Saúde
Coletiva e do Instituto de Ciências e Letras do Médio
Araguaia, da Universidade Federal de Mato Grosso, o
documentário será também reproduzido em português.
(FA)
Chácara Ambulatório de Cuiabá
requer pessoal e equipamentos
ALINE CUBAS
Da Reportagem
A Chácara Ambulatório mantida pela Funai para
receber índios que precisam de tratamento em Cuiabá
sofre com a falta de pessoal e equipamentos. Localizada a
5Km da rodovia Palmiro Paes de Barros, que leva a Santo
Antônio de Leverger, a unidade de saúde indígena
atende em média 40 índios encaminhados pelos núcleos
de apoio da Funai do interior.
No ambulatório é atendida a parte clínica, em uma
espécie de triagem. Casos mais graves _ em que há
necessidade de especialistas ou equipamentos sofisticados
_ são encaminhados para hospitais credenciados ao SUS,
em Cuiabá. A equipe da chácara é formada por 20
funcionários. Mas o único médico atende em apenas um
turno, três vezes por semana.
Outra dificuldade é remover os pacientes, o que é
preciso fazer praticamente todos os dias. Para o
transporte existe um carro. No entanto, nos casos mais
graves, a coisa se complica porque não há ambulância.
Mas, apesar disso, os índios parecem gostar do
atendimento e chegam a relutar em voltar para casa.
"Eles estão me mandando embora porque dizem que eu
não tenho mais nada, eles é que estão me mandando
embora", explicava na semana passada Indiana
Parecis, da aldeia Figueiras, de Barra do Bugres.
Acompanhada da mãe, ela diz que ainda não quer voltar
para a aldeia. "Eu estou sofrendo muito, falam que
não tenho nada, mas estou sofrendo muito",
reforça.
Acendina Bororo também confirma que acha a chácara boa
e que não tem vontade de ir embora. A índia deixou a
Aldeia Perigara, na região do Pantanal, pela primeira
vez na vida ao final de uma gravidez de risco. A
transferência para Cuiabá foi decidida também porque a
aldeia está sem parteira. Depois de ter a criança no
Pronto Socorro na terça-feira passada, Acendina está na
chácara.
Valdeni, da mesma aldeia, está com um filho na UTI em
Cuiabá por causa de uma pneumonia. No caso dela o
prédio-chácara funciona como um local de estadia, outra
função exercida pelo ambulatório.
SAÚDE INDÍGENA 2
Funai reativa equipe volante de saúde
para atender às aldeias
A equipe é formada por
médicos, dentistas, enfermeiros e laboratoristas
ALINE CUBAS
Da Reportagem
Na tentativa de suprir a falta de estrutura para
atender à saúde nas aldeias indígenas, a
Administração Regional da Funai em Cuiabá _ em
parceria com a Fundação Nacional da Saúde (FNS) _
reativou desde setembro a Equipe Volante de Saúde (EVS)
composta por médicos, dentistas, enfermeiros e
laboratoristas.
A equipe percorre as aldeias fazendo atendimentos entre
os doentes, tratamentos dentários e desenvolvendo
ações de prevenção ao câncer de mama e de útero,
além de vacinação.
A EVS foi criada na década de 70 para prevenir e tratar
doenças encontradas nas aldeias, mas foi desativada
ainda no início dos anos 80 sob o argumento de que era
um programa muito caro. "Mas se a saúde é
obrigação do Estado, não há que se discutir se é
oneroso ou não prestar assistência, e sim
atender", afirmou o administrador regional da Funai
em Cuiabá, Idevar Sardinha.
Em meados de outubro, a EVS esteve com os índios
pirigaras, às margens do Rio São Lourenço, no
Pantanal, onde foi constatada alta incidência de vermes
e doenças de pele.
As próximas localidades a serem visitadas serão as
reservas Pakuera e de Santana, dos bakairis; reserva
Sararé, na região do Vale do Guaporé, dos
nhambiquaras. Está prevista também uma visita aos
bororos, no município de Santo Antônio de Leverger.
Conforme a Funai, a meta é fazer o atendimento nessas
comunidades até o final do ano.
Choque
cultural marca tratamento
Da Reportagem
Os choques culturais entre índios e o tratamento dado
na chácara da Funai foi alvo de análise da antropóloga
Renate Brigitte Viertler no livro "A duras penas: um
histórico das relações entre índios Bororo e
`civilizados' no Mato Grosso", (FFLCH-USP), de 1990.
A pesquisadora relata que só em última instância é
que os bororos recorrem à internação na chácara.
Segundo ela, estas estadias eram ordenadas pelos médicos
da equipe volante da Funai e "traumatizavam
intensamente os doentes", além de dar condições
de se "roubar" os corpos dos bororos falecidos.
Para ilustrar, ela conta a história de um bororo,
originário do Meruri, que após uma briga com irmãos de
clã, saiu da aldeia mas adoeceu até ser internado e
morrer na chácara da Funai. No entanto, antes deixou
expresso que queria ser enterrado como "branco"
e não como bororo. Mas um irmão que se encontrava na
chácara na época, acompanhando a esposa e o filho
("pois esta não comeria nada se ele não estivesse
ao seu lado"), acabou levando o corpo para a aldeia.
Outro choque apontado pela pesquisadora é que quando um
bororo está para morrer seus parentes tentam controlar o
desenlace de forma a impedir a interferência do branco.
"Isto porque os `tratamentos intensivos' ordenados
pelos médicos da Funai interferem nas prerrogativas
sociais dos parentes do doente, incumbidos de realizar o
desenlace", afirma. Ainda segundo ela, o direito de
`fazer os mortos' constituía prerrogativa dos xamãs e
dos chefes tradicionais bem como de homens ou mulheres,
parentes próximos, especialmente incumbidos para a
execução do agonizante.
E conclui: "Tirar-lhes esta prerrogativa representa
um forte enfraquecimento da ordem social tradicional que,
apesar de tudo, continua resistindo contra o `civilizado'
por meio da realização dos seus prolongados
funerais". (A.Cb.)
IMPRENSA
Jornalistas discutem Pantanal durante
encontro na UFMS
ANSELMO CARVALHO PINTO
Enviado a Campo Grande
O repórter precisa entender que ser ético no
jornalismo ambiental é ser a favor da natureza, sempre.
A opinião é do editor do Estado Ecológico, do jornal
mineiro O Estado de Minas, Hiran Firmino.
Ele foi um dos palestrantes do Laboratório Ambiental de
Jornalismo "A Imprensa e o Pantanal",
organizado pelo Fundação Konrad Adenauer, da Alemanha,
e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Realizado em Campo Grande (MS), o evento terminou ontem.
O Estado Ecológico, do qual Firmino é editor, é um dos
mais importantes cadernos sobre meio ambiente da imprensa
brasileira. O encarte tem uma periodicidade interessante
_ sai somente na lua cheia.
Em sua palestra Firmino afirmou que o jornalista que
cobre meio ambiente precisa se posicionar contra qualquer
atividade que ponha em risco a natureza. "Sou desde
já contra a Hidrovia Paraguai-Paraná", disse.
"Se o Pantanal estiver correndo o menor risco de ser
prejudicado, o repórter de meio ambiente tem de se opor
ao projeto. É o que estou fazendo".
Para ele, o jornalista de meio ambiente precisa defender
a natureza sempre. "Nós somos diferentes dos
jornalistas comuns", afirmou. "Os outros se
prezam pela imparcialidade; nós não". Mas Firmino
alerta: jamais o jornalista deverá manipular
informação em nome da ecologia.
O caderno do qual Firmino é editor já recebeu diversos
prêmios, o mais recente da revista Imprensa,
especializada em jornalismo. Com uma linguagem leve e
cheio de cores, o caderno é um sucesso em Minas Gerais.
Iniciado quarta-feira, o seminário ambiental levou a
Campo Grande jornalistas e estudiosos de São Paulo,
Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos ligados à
ciência e ao meio ambiente.
O último dia de encontro foi dedicado a um passeio pelo
rio Paraguai, no município de Corumbá, a 400
quilômetros de Campo Grande.
Um dos convidados para o evento foi o editor de ecologia
da rádio Gaúcha, de Porto Alegre (RS), Roberto Villar.
"O jornalista de meio ambiente não pode ser
panfletário e abrir mão da informação verídica em
nome da natureza", dise Villar. Além de jornalistas
e estudiosos, o seminário reuniu ainda pessoas ligadas
ao assunto, tanto de organizações não governamentais _
como o Instituto Centro Vida de Cuiabá e o Ecologia e
Ação, de Campo Grande _ quanto das governamentais, como
o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul,
Celso Martins.
FINADOS
Oitenta mil devem visitar cemitérios
hoje
Prefeitura de Cuiabá
está fazendo recadastramento dos túmulos para
regularização
da documentação dos jazigos para famílias
ALECY ALVES
Da Reportagem
Hoje, Dia de Finados, mais de 80 mil pessoas devem
visitar os cemitérios de Cuiabá e Várzea Grande. Na
capital a Prefeitura está aproveitando a oportunidade
para iniciar o processo de recadastramento dos túmulos e
regularização fundiária.
Nos cinco maiores cemitérios _ Porto, Piedade, Coxipó,
São Gonçalo- Beira Rio e Parque Bom Jesus _ estão
sendo colocados à disposição dos responsáveis pelos
túmulos um formulário que pede, entre outras
informações, a quadra, número da sepultura, data do
sepultamento, além de orientações sobre o
encaminhamento a ser dado para se obter a escritura
definitiva do lote.
O comércio ambulante na porta dos cemitérios também
estará sendo fiscalizado. A Secretaria Municipal de
Serviços Urbanos (SMSU) designou três fiscais para cada
cemitério. Luis Mário do Espírito Santo, diretor de
Serviços Urbanos da SMSU, informou que serão cobrados
impostos para todos os tipo de comércio.
O valor, disse Espírito Santo, será estipulado com base
na UPF (Unidade Padrão Fiscal) de Cuiabá (valor
unitário hoje é R$ 8,08). De acordo com Espírito
Santo, o dinheiro arrecadado será aplicado em obras de
melhorias dos cemitérios, como construção e reforma de
muros e calçadas.
A exemplo de Cuiabá, todos os cemitérios de Várzea
Grande passaram por pequenas reformas e serviços de
limpeza para a visitação no Dia de Finados. Lá,
porém, não haverá cobrança de impostos na porta dos
cemitérios.
Em Várzea Grande, não há cemitérios particulares,
portanto, não se comercializa áreas para sepultamentos.
Entretanto, apenas em um, no Recanto da Saudade, situado
na Cohab Primavera, ainda se faz enterros de pessoas que
não possuíam túmulos familiares.
Esse cemitério foi criado em 14 de outubro de 94 e já
tem 1,7 mil pessoas sepultadas, entre adultos e
crianças.
A área do Recanto da Saudade é pequena, tem 5 mil
hectares, mas deve ser ampliada para 10 mil, segundo o
administrador Francisco Laviola Sobrinho.
Tanto a desapropriação de 5 hectares vizinhos como a
construção de muros e outras melhorias estão
autorizados pelo prefeito Jaime Campos. Francisco Laviola
observou que o projeto prevê ainda a construção de uma
capela.
Budista
adora mortos e espírita crê em renovação
Da Reportagem
As formas com que as pessoas vêem a morte mudam de
acordo com a religião. Para os seguidores da doutrina
espírita morrer nada mais é que uma mudança de estado
vibratório.
Os espíritas, destacou o presidente da Federação
Espírita Mato-grossense, Lacordaire Abraão Faiad,
também sofrem a perda de parentes e amigos, mas não se
desesperam porque sabem que a morte é uma renovação de
vida e que podem reencontrá-los ou fazer contato com
eles daqui da Terra.
Os japoneses estão entre os que adoram seus mortos por
achar que eles renascem ao lado de Buda, o Deus de parte
dos orientais. Em Várzea Grande funciona a única igreja
genuinamente japonesa (na rua Embaúval) onde são feitas
as celebrações.
O empresário Júlio Casicava, mestre nas celebrações,
disse que os budistas sentem a morte, mas acham que quem
morreu terá vida melhor se praticou bons atos. Casicava
considera impossível viver sem cometer pecados, mas acha
que o homem tem de se alicerçar na verdade e viver em
harmonia com a natureza e os animais.
As maiores manifestações religiosas dos japonesas são
de agradecimento porque eles entendem que agradecendo
Buda iluminará o caminho que deve seguir. (AA)
Família
mora no cemitério enquanto faz casa própria
Da Reportagem
Cemitério não é lugar de tristeza para a família
de Maria da Penha Nunes Borges. Desde que ela e o marido
conseguiram um emprego num cemitério, para onde foram
morar com isenção de aluguel, taxa de luz e água, tudo
melhorou e hoje eles riem à toa.
Tudo porque estão conseguindo realizar o maior sonho da
maioria das famílias brasileiras: ter casa própria.
Eles estão concluindo uma casa de 12 peças com quatro
quartos, sendo duas suítes, sala de televisão, de
visitas e outras comodidades, para onde pretendem se
mudar antes do Natal.
Penha contou que moram numa pequena casa de madeira
dentro do cemitério há cerca de três anos. Com o
dinheiro que pagariam aluguel, luz e água e outras
economias conseguiram construir a casa num terreno que
compraram há muitos anos.
Morar no cemitério não é problema para o casal, mas as
filhas (de 15 e 11 anos) vivem reclamando e na escola
deram o endereço de uma parente para ninguém saber onde
moram. As meninas não saem e nem recebem visitas e por
elas a família teria se mudado para a casa nova antes da
conclusão das obras.
Penha disse que conversa muito com as filhas e garante
que ambas sabem o quanto foi importante esse período
morando no cemitério sem pagar aluguel e outros
serviços. (AA)
Cuiabá
tem 21 cemitérios clandestinos
Da Reportagem
Esta semana a comissão criada para levantar a
situação de todos os cemitérios de Cuiabá concluiu os
trabalhos e entregou relatório na última sexta-feira ao
prefeito Roberto França propondo uma série de ações.
Identificou 21 cemitérios clandestinos, a maioria na
zona rural, sugeriu a construção de dois novos
cemitérios, a interdição total de alguns e
levantamentos em outros.
Glória Barini, que presidiu a comissão, sugeriu a
contratação de técnicos especializados para analisar
questões relacionadas ao solo como ver distância de
curso d'água em todos cemitérios irregulares.
A comunidade de Sucuri tem dois cemitérios, ambos
clandestinos, mas bem antigos. Existem há mais de
século, mas foram construídos em pequenas áreas dentro
de sítios particulares. Nenhum oferece condições para
novos sepultamentos, mas continuam sendo usados.
No Sucuri II a população, em parceria com a Prefeitura,
resolveu o problema. Edeval Nunes da Silva, presidente da
Associação de Sucuri, disse que o dono do sítio,
desembargador Ernane Vieira, doou a área ocupada pelo
cemitério à comunidade e agora só as famílias que
têm parentes sepultados lá podem continuar usando-o.
Por determinação da Prefeitura, lembrou Edeval, só
poderão sepultar em gavetas de concreto construídas
sobre o túmulo familiar.
Os cemitérios clandestinos estão no antigo Jardim
Colorado, Sucuri I e II, Comunidade dos Médicos, Nossa
Senhora da Guia, Três Pedras, Laginha, Terra Vermelha,
Aguaçu, Machado, Baús, Cacimbinha, Aricá, Buritizal,
Olho D'água, São Vicente, São Gerônimo, Tarumã,
Farturinha, Conceição Açu, Rio dos Peixes e Bom
Jardim. (AA)
PIRACEMA
Fema insiste que só profissional pode
pescar; Ibama libera amador
Enquanto espera
definição, fiscalização atua preventivamente no fim
de semana
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Os pescadores continuam confusos quanto aos limites de
sua atuação durante a piracema, iniciada ontem e que
vai até o dia 31 de janeiro de 1998. A Fema (Fundação
Estadual de Meio Ambiente) diz que está autorizada a
pesca de subsistência apenas para os pescadores
profissionais, mas portaria da superintendência do Ibama
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis) permite a pesca artesanal e
amadora, desembarcada, também para a subsistência.
Em função disso, o Batalhão de Polícia Florestal
resolveu atuar neste primeiro fim de semana da piracema
de forma educativa, reprimindo apenas a pesca predatória
_ peixes menores que o tamanho mínimo permitido por lei
e "malhados" (com sinal de rede no corpo).
O tenente Alves, chefe da seção de Planejamento do
Batalhão Florestal, disse ontem que espera que amanhã,
segunda, a Fema tenha as informações exatas sobre como
deverá atuar a fiscalização.
CONFUSÃO - O desencontro entre órgão ambientalista
estadual, Fema, e o federal, Ibama, começou quando o
superintendente do Ibama, Jacob Kuffner, baixou portaria
normativa, publicada em 2 de outubro, proibindo a pesca
entre os dias 1º de novembro e 31 de janeiro _ período
passível de prorrogação. Antes, o Consema (Conselho
Estadual de Meio Ambiente) aprovara a piracema entre os
dias 3 de novembro e 20 de fevereiro.
O Consema teve que se reunir novamente e acatou o
período de piracema estabelecido pelo Ibama, porém
acabou proibindo qualquer modalidade de pesca, inclusive
a de subsistência para os pescadores profissionais,
aqueles que têm, comprovadamente, na pesca o único meio
de vida.
A Fema pediu parecer à Procuradoria Geral do Estado, que
orientou o órgão estadual a acompanhar a portaria do
Ibama. Mas a Fema divulgou que só foi liberada a pesca
de subsistência (no limite de 5kg ou um exemplar,
observados os tamanhos mínimos) aos profissionais,
omitindo parte do teor do artigo 2º da portaria do
Ibama, que autoriza também a pesca amadora, sempre com a
finalidade de alimentação, nunca de comércio.
Pela Lei 6672, amador é quem pratica a pesca artesanal
(com linha de mão, caniço simples ou com molinete e
vara com linha e anzol), com fins esportivos e de
subsistência, desde que não envolva comercialização.
ESTOQUES - A equipe de fiscalização iniciou ontem a
verificação de estoques de pescado no Mercado do Porto,
supermercados, bares, lanchonetes, frigoríficos e
peixarias. O objetivo é assegurar que estes locais não
sejam abastecidos durante a piracema com pescado
irregular.
Na sexta-feira (31) venceu o prazo para aos comerciantes
declararem à Fema o estoque de pescado. Em caso de
irregularidade, todo o estoque é apreendido e é emitido
auto de infração. O infrator tem 15 dias para contestar
a apreensão; caso não consiga se defender, ele é
multado no valor de 5 UPF's por quilo de pescado
apreendido.
A fiscalização no rio Cuiabá começou ontem por volta
das 4h da manhã no perímetro urbano. Oito pescadores
(não profissionais) foram advertidos. A fiscalização,
que contará com 250 homens, continua em todos os rios de
Mato Grosso.
Uma outra equipe de fiscalização vistoriou também o
Mercado do Porto. Os fiscais da Fema e o Juvam conferiram
o estoque de 28 boxes, sendo que todos apresentaram a
declaração de estoque à Fema.
Além de confirmar o estoque, os fiscais estão
verificando a forma de apreensão do pescado (sinal de
malha ou rede) e farão o acampanhamento do consumo do
estoque durante a piracema.
No final da manhã de ontem, a Polícia Florestal
apreendeu 160 quilos de pescado irregular estocado numa
loja de rações de peixe na avenida Beira-Rio e, no
Mercado do Porto, uma equipe de fiscalização conjunta
apreendeu 70 quilos de peixes malhados. (Colaborou
Francisca Medeiros).
SANEAMENTO
Limpa-fossa têm até dia 10 para
regularizar atividade
ALECY ALVES
Da Reportagem
A Prefeitura começa semana que vem a fiscalização
nas empresas de limpa-fossa. Das 12 que funcionam hoje na
capital apenas quatro atenderam ao chamado da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano
(Smades) para discussão e assinatura de um termo de
compromisso com a Sanemat e a Prefeitura visando a
regularização do serviço de transporte e descarte de
esgoto doméstico.
Pelo termo assinado na sexta-feira entre o chefe do setor
de Operação e Manutenção de Esgoto na Sanemat,
engenheiro João Batista Xavier, e o diretor de Meio
Ambiente da Smades, Jair Durigon, todas as empresas
terão 10 dias (a contar do dia 31 de outubro) para o
registro da empresa, identificação dos veículos de
transporte de esgoto com nome e telefone e confeção de
bloco de notas fiscais.
A partir do próximo dia 10, prevê o documento, todas
terão de emitir nota fiscal para todos os serviços
identificando nela o tipo de resíduo transportado,
quantidade, origem e destino. Além de contribuir com a
Sanemat para a aquisição de reagentes químicos
necessários à análise dos afluentes lançados na
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE do Dom Aquino).
O chefe de Manutenção e Esgoto da Sanemat, João
Xavier, disse que a partir de agora a Sanemat quer saber
o tipo e a origem dos resíduos que as empresas de
limpa-fossa despejam na ETE. Aquela que não fizer a
identificação na portaria da estação de tratamento
não terão acesso aos locais de descarte.
Xavier explicou que como a estação trata o esgoto
biologicamente, só podem permitir o descarte de
resíduos domésticos. Resíduos de hospitais,
indústrias, postos de combustíveis e similares,
observou Jair Durigon, sequer poderão ser retirados das
fossas, pois não há local apropriado para
descartá-los. Pela legislação ambiental, lembrou
Durigon, essas empresas têm de construir seus próprios
sistemas de tratamento de esgoto.
O diretor de Meio Ambiente da Smades destacou que há
cerca de três meses a secretaria vem discutindo o
problema em Cuiabá. Enviou correspondência às 12
empresas convidando-as para reuniões (fizeram três),
mas só quatro demonstraram interesse em se regularizar.
As demais, alertou Durigon, se não procurarem a
Prefeitura dentro do prazo estabelecido estarão
impedidas de atuar.
PERSONAGEM
Ex-guerrilheiro quer revolucionar
ensino
Carlos Reiners, que, na
juventude defendeu a luta armada, está à frente de
projeto
alternativo de educação no distrito de Mimoso
CAMILA BINI
Enviada especial a Mimoso
De comedor de criancinhas a educador, a quem crianças
e adultos cumprimentam pedindo benção. Essa é a
trajetória de Carlos Reiners, ex-guerrilheiro de 66 anos
que dirige a escola "Santa Claudina" no
distrito de Mimoso, município de Santo Antônio do
Leverger (a 112 km de Cuiabá). Em 1966, entretanto, a
vida de "seu" Carlos pode ter cruzado a linha
da história: ele afirma que o homem que o procurou se
identificando como secretário particular do também
guerrilheiro argentino Ernesto Guevara, o Comandante
Marcos, era na verdade o "Che" (ver matéria
abaixo).
O senhor de olhar curioso e gestos serenos encontrado
pelo DIÁRIO não aparentava ter participado de
guerrilhas rurais no Mato Grosso dos anos 60. Mas
bastaram algumas palavras para identificar idéias antes
revolucionárias e agora democráticas.
A política entrou na vida de Carlos com a morte da mãe,
aos 15 anos. "Ela faleceu à míngua, sabendo que ia
morrer. Hemorragia vaginal, uma coisa simples de se
resolver, por falta de transporte foi letal",
relembrou ele. A revolta com a falta de assistência à
mãe suscitou a preocupação com questões sociais e o
desejo de lutar por dignidade.
Aos 24 anos, Carlos trocou a fazenda do pai no Pantanal
(a 80 Km de Mimoso) por Cuiabá, onde retomou os estudos,
prestou serviço militar e abriu a Casa Reiners, na rua
13 de Junho. "Troquei umas cabeças de gado pela
loja", lamentou ele, pois era um "homem de
ficar em cima de lombo de cavalo" e foi prejudicado
na lida com o comércio.
A década de 50 data o casamento e os primeiros contatos
com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Filiado até
hoje, Carlos ainda se identifica com o partido, mas
considera que a realidade e o contexto histórico atuais
são diferentes se comparados aos anos de revolução.
Com a atividade de líder estudantil na ACES
(Associação Cuiabana de Estudantes Secundaristas),
"que na época ainda era atuante", Carlos
destacou-se politicamente. A idéia de guerrilha rural
eclodiu com o Golpe de 64, fazendo com que cerca de 40
homens rumassem para o sul do estado a fim de organizarem
uma "reação armada" na região de Jaciara.
"Nessa região, os sindicatos eram mais organizados
e atuantes, o que nos favoreceu, porque as pessoas
envolvidas realmente acreditavam na luta pela reforma
agrária", observou "seu" Carlos.
Mas o exílio de João Goulart e Leonel Brizola no
Uruguai enfraqueceu o movimento. "Se eles tiveram
que sair do país, imaginamos como iríamos ter
ajuda", ponderou Carlos. Um dos últimos a abandonar
a "reação armada", o hoje educador foi preso
em 69 quando chegou em Cuiabá.
Depois da prisão, "seu" Carlos
"serenou", como dizemos os cuiabanos. A loja
faliu, ele se formou em direito e hoje trabalha
integralmente na escola. Embora os filhos vivam em
Cuiabá, ele só vem à capital para receber seus R$ 600
da Secretaria de Estado de Educação. Sua meta em Mimoso
é estimular o senso crítico dos alunos para que eles se
tornem "sujeitos da história" (assim como ele
em sua juventude). "Mesmo não podendo fazer uma
revolução a partir do ensino, dou tudo de mim para os
alunos. Estou tentando realizar agora tudo o que não
consegui fazer antes, com outra arma e outra
tática", sintetizou Carlos.
Outra bandeira é o resgate cultural e social das
comunidades de Mimoso. "Somos inocentes por não
utilizarmos Rondon como chamariz para conseguir mudar a
infra-estrutura daqui", criticou Carlos.
Che
Guevara teria passado disfarçado por Cuiabá em 66
Da enviada especial
Em 1966 entrou na Casa Reiners um homem vestido como
soldado. Carlos Reiners atendia a clientes quando o homem
alto, meio sujo, parecido com Ernesto "Che"
Guevara, mas com cabelos mais claros começou a falar em
espanhol, identificando-se como comandante Mário,
secretário particular de Guevara. Assim que os clientes
saíram da loja, Mário explicou que ia em direção à
Bolívia, mas precisava encontrar Virgílio Vincre,
líder da guerrilha em Paranatinga. Antes de sair, Mário
deixou seu casaco na loja, "para que sua mulher
ateste que não sou quem imagina", disse.
Foram a pé do Centro até a casa do irmão de Carlos, de
onde localizaram Virgílio. Na praça Ipiranga, Virgílio
e Mário se reuniram, com Carlos de vigia. "Tenho
certeza de que falaram sobre a união entre o grupo de
Che e o de Virgílio", revelou Carlos, completando
que "depois da reunião, cada um foi para um lado, e
desde então perdi de vista Virgílio e a pessoa que
acredito ser Che".
Para o historiador Tomás Boaventura, é irrelevante sob
o ponto de vista histórico a passagem de Che por
Cuiabá. "Realmente, há um período da vida de
Guevara sobre o qual não se têm nenhum registro, mas
não existe evidência que confirme essa história",
afirmou Boaventura.
Tanto a história de Carlos como a reportagem da revista
IstoÉ de 8 de outubro que afirma que o presidente de
Cuba, Fidel Castro, haveria sabotado os planos de Che
são para Tomás uma tentativa de enfraquecer a imagem da
revolução cubana. Mas pelo menos em um aspecto Carlos
Reiners e Tomás Boaventura concordam: mais que a imagem
de Che, o importante é divulgar e conhecer suas idéias
revolucionárias de organização social. (CB)
Mimoso,
berço de Rondon, quer se livrar do isolamento
Da enviada especial
Terra de Rondon, Mimoso (a 112 km de Cuiabá),
apresenta uma situação paradoxal: como poderia o mais
ilustre mato-grossense (o pai da telecomunicação)
imaginar que, depois de desbravar rios, aldeias e o
interior das regiões Centro-Oeste e Norte do país, sua
cidade natal teria como principal característica o
distanciamento?
Distrito que se destaca pela presença da natureza e pela
simplicidade de seu povo, Mimoso tem como maior desafio
superar a distância da sede do município de Santo
Antônio do Leverger (a 27 km de Cuiabá) ao qual
pertence. Mas o afastamento da localidade traz pelo menos
alguns pontos positivos _ Mimoso foi a primeira
localidade a receber um posto de telefonia que utiliza
luz solar. Além disso, há a hospitalidade dos moradores
e a identificação das pessoas com a região _ aspecto
aproveitado pelo projeto "Terra", da Secretaria
de Estado de Educação (ver matéria ao lado).
O nome, garantem alguns, veio da grande presença de
"capim mimoso", que hoje foi substituído por
capim trazido de outras regiões. "Era só olhar em
volta e você via aquele mar verde", recorda Nercina
de Moura, professora e coordenadora da escola estadual
"Santa Claudina" _ que aglutina todas as 14
comunidades da região.
Até a década de 80, havia uma lei silenciosa que
determinava que apenas os nascidos em Mimoso poderiam
morar lá. "Todo mundo que nascia aqui era
considerado meio parente de Rondon", afirmou
Nercina, completando que somente se o cônjuge fosse da
terra era permitida a moradia.
Um exemplo de como as comunidades são integradas é o
caso da imagem do Santo Antônio. Acredita-se que ela
tenha mais de 200 anos. "Era comum os bandeirantes
andarem com imagens de santos para incentivarem a
catequização. Aqui não foi diferente", observa
Carlos Reiners, diretor da escola. A identificação da
comunidade com a imagem é tão grande que quando um
padre quis trocá-la por uma versão mais
"branca" do santo os fiéis fecharam a igreja,
exigindo que a troca fosse desfeita. (CB)
Projeto
"Terra" tenta ligar ensino à realidade
próxima
Da enviada especial
Em Mimoso, os alunos não têm provas bimestrais e
passam metade do tempo das aulas fora da sala. A escola
"Santa Claudina", erguida para homenagear o
Marechal Rondon, faz parte de um projeto da Secretaria
Estadual de Educação (Seduc) que vem sendo considerado
um avanço na promoção da cidadania entre os alunos.
Inicialmente idealizada para atender a comunidades
rurais, essa nova escola atualmente atinge a 22 escolas
de seis municípios mato-grossenses.
A experiência recebeu o nome de "Projeto
Terra" e tem como principal meta integrar o aluno à
realidade próxima, fazendo com que ele interaja com o
conteúdo apreendido. "Todas os assuntos dados em
sala de aula partem da vivência e realidade do
aluno", esclareceu Maria Lúcia Coradini, técnica
da equipe de Ensino Fundamental e do Projeto Terra.
Para levar o aluno do senso comum para níveis mais
profundos de conhecimento, foi preciso uma nova postura
de professores e pais de alunos. "Foi uma mudança
muito grande. De repente você tem que esquecer o livro
didático e fazer do dia-a-dia o conteúdo das aulas, a
partir das necessidades do aluno", analisou a
coordenadora da escola de Mimoso, Nercina de Moura. Outra
mudança é que os pais não recebem mais notas ou
conceitos, mas um relatório trimestral que descreve a
evolução do filho.
As séries são fundidas em três ciclos, ficando cada
ciclo com três das séries convencionais. O objetivo é
quebrar a ruptura existente na passagem da 4ª para a 5ª
série, por exemplo, quando o aluno passa a ter outro
ritmo de aula (divididas em 45 minutos e com vários
professores).
"Alguns bebês começam a andar com sete meses,
outros com 12, mas no fim todos andam. É a mesma coisa
com o ensino. É preciso respeitar o ritmo de cada
aluno", ressaltou Maria Lúcia.
A receptividade tem sido tão boa que já há a
perspectiva na Seduc de que em 98 todos alunos de 1ª
série em escolas públicas mato-grossenses sejam
incorporados ao projeto Terra. (CB)
CRECI/IRREGULARIDADES
Delegacia notifica e fecha
imobiliárias
Os fatos mais comuns
são de corretores que não recebem honorários e
pessoas que exercem a profissão ilegalmente
PEDRO RIBEIRO
Da Sucursal de Rondonópolis
Depois de fechar um imobiliária (Imobiliária
Econômica), que estava agindo na clandestinidade, a
Delegacia do Creci - Conselho Regional de Corretores de
Imóveis, de Rondonópolis, decidiu apertar o cerco em
cima das demais imobiliárias do município, promovendo
uma fiscalização rigorosa e notificando as que
apresentam irregularidades. Segundo a delegada do Creci
na região Sul do Estado, Neusa Novais da Rocha, são
muitas as reclamações contra as imobiliárias e também
contra os corretores que atuam na área de imóveis.
"Só do ano passado para cá nós registramos 170
reclamações, a maioria envolvendo desavenças entre os
próprios corretores ou imobiliárias. Os fatos mais
comuns são de corretores que não recebem honorários ou
pessoas que exercem a profissão de forma ilegal, sem
terem realizado o curso de Técnicas em Transações
Imobiliárias ou sem estarem devidamente autorizadas para
exercer a profissão", explicou Neusinha.
A delegada do Creci disse que o fechamento da
Imobiliária Econômica, ocorrido na semana passada, se
deu em virtude da empresa estar trabalhando de forma
irregular, sem qualquer registro no órgão e, aida por
cima, lesando pessoas. "Nós n`ao admitimos esse
tipo de coisa e por isso passamos o caso ao Conselho
estadual, em Cuiabá, e as providências foram tomadas,
com o fechamento da empresa. Esperamos que os
proprietários regularizem a mesma, pois do contrário
não poderão mais atuar nessa área aqui em
Rondonópolis", explicou.
A fiscalização do Creci, nos últimos dias, fechou o
cerco em cima de uma outra imobiliária, A Perfil,
acusada de várias irregularidades, entre as quais a de
se apropriar indevidamente de dinheiro de clientes.
Conforme relatou a responsável pelo Creci, o
proprietário da Imobiliária Perfil, identificado como
sendo Ulisses Alves de Macedo Filho, vinha cometendo
irregularidades em toda a cidade. "Ele assinava
contratos para administrar aluguéis de casas e
telefones, e acabava não repassando o dinheiro aos
proprietários. Isto foi feito com muitas pessoas que nos
procuraram em busca de ajuda. Algumas delas,
proprietárias de linhas telefônicas, até perderam seus
bens, pois além de não repassar o dinheiro do alugel, o
proprietário da imobiliária ainda não pagava as contas
junto a Telemat, ocasionando a perda da linha pelo não
pagamento do consumo", disse Neusinha.
Neusa Movais citou o caso de Rosilene Vargas de Oliveira,
uma cliente da Perfil, que teria confiado à empresa a
administração do aluguel de duas linhas telefônicas.
Como a cliente nunca recebeu o dinheiro do aluguel,
procurou a empresa e, depois de muito lutar, ficou
sabendo que uma das linhas havia sido bloqueada por falta
de pagamento. Para não perder a outra linha, a cliente
teve que pagar R$ 900 reais junto a Telemat. "Esse
não foi o único caso. A empresa já provocou prejuízos
a muitas outras pessoas na cidade e agora vai ter que
corrigir seus erros", argumentou.
No caso da Perfil, a delegada do Creci disse que a
empresa terá até a próxima segunda-feira (3) para
saldar seus débitos com os clientes. "Se até lá
não for tomada nenhuma providência, então a Perfil
também será fechada", esclareceu.
TANGARÁ DA SERRA
Município parte em busca da
industrialização
SÉRGIO ROBERTO
Da Sucursal de Tangará da Serra
Tangará da Serra é um município situado social e
economicamente entre os seis maiores de Mato Grosso.
Conta com uma área urbana razoável e uma população
superior a 80 mil habitantes. É o polo do Médio Norte
no que se refere a desenvolvimento e há muito
solidificou-se como centralizador comercial da região.
No entanto, Tangará não foge à regra da realidade
existente em toda a região Centro-Oeste do Brasil: a
incipiente industrialização. Este é o ônus que se
paga pela precariedade das estradas, pela energia
elétrica inconfiável, e pela necessidade de se buscar
mão de obra qualificada.
Mas a ponta da agulha, por menor que seja, é sempre
notada. Um município com tantos habitantes não pode
contentar-se apenas com o setor primário (agricultura),
além de um número reduzido de indústrias, sob pena de
se ver às voltas com o trauma do desemprego. Aliás, o
desemprego já é um câncer sócio-econômico em
perigoso estágio progressivo em Tangará da Serra.
Esta ameaçadora realidade levou o prefeito Jaime Muraro
(PFL) a pensar em soluções. Escolheu o empresário e
economista José Denício Pontes Agostinho, formado em
Mogi das Cruzes (SP), para ocupar a Secretaria Municipal
de Indústria, Comércio e Turismo do município.
De cara, José Denício viu a necessidade de atrair
indústrias por meio de incentivos como concessão de
áreas, terraplanagem, isenção de impostos de até 5
anos, entre outras vantagens. Realista, o secretário
destaca que os critérios para implantar indústrias
passam primeiro pela vocação econômica do município,
que é a agropecuária. "Mais de 90% das propostas
recebidas pela secretaria são de agroindústrias",
confirma. Ele lembra que a realidade industrial do País
vem sofrendo uma metamorfose geoprodutiva com a
necessidade do setor de transformação em se aproximar
das fontes de matéria-prima, citando uma cultura
antiquada onde as indústrias se aglomeram nos grandes
centros urbanos, como o eixo Sudeste-Sul, e apenas
esperam a chegada da matéria-prima. "Hoje as
indústrias precisam ficar perto da sua fonte de recursos
de produção, e isso representa fielmente os efeitos da
globalização e da necessidade de redução de
custos".
DISTRITO - Em meio às suas teorias de
industrialização, José Denício apresenta algo de
concreto. Tangará vai ter, a partir de março do ano que
vem, um frigorífico com capacidade de abate de 600
bovinos/dia, o Fritanser. Ao todo, 120 homens trabalham
na conclusão de uma obra de 13 mil metros quadrados.
Inicialmente, o frigorífico irá abater 200 cabeças/dia
e irá gerar 430 empregos diretos. O principal produto
será a carne resfriada em cortes já embalados para
atender os mercados do Sul e Sudeste do País.
Existem também outras empresas industriais, como
beneficiadoras e empacotadoras de arroz parboilizado,
esmagamento de soja, fábricas de farinha de mandioca, de
ração animal e suplementos minerais, de produção de
sementes, e até mesmo de implementos agrícolas e
móveis tubulares.
José Denício também está organizando a implantação
de um sistema de crédito denominado "Banco do
Povo", o PCPP (Programa de Crédito Popular
Produtivo), que visa fomentar as atividades da indústria
familiar, aquela popularmente chamada de "fundo de
quintal". O secretário explica que o programa irá
consistir numa espécie de consórcio onde prefeitura e
comunidade empresarial irão contribuir com dinheiro para
a integralização de recursos que servirão como fonte
de pequenos financiamentos para as micro-indústrias.
Estas irão reembolsar o empréstimo aos credores a juros
bem abaixo do mercado.
Por outro lado, José Denício afirma que o Distrito
Industrial é um projeto que precisa ser posto em
prática com urgência em Tangará da Serra. Sem ele, a
atividade industrial ficará desordenada e até mesmo
inviabilizada no município. "Precisamos ter a
cidade devidamente zoneada, com a observância da lei de
Uso e Ocupação do Solo. Isso é uma responsabilidade do
governo estadual", disse o secretário,
acrescentando que em termos de energia Tangará estará
em breve bem servida com a rede que virá de Denise e do
complexo de usinas do rio Juba. "Ainda nos faltam as
estradas", finalizou.
HOMENAGEM
Pastores recebem títulos de cidadania
em Barra do Garças
FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra do Garças
A comunidade evangélica de Barra do Garças esteve em
festa neste último final de semana. Além da
inauguração do templo da Assembléia de Deus, numa
solenidade que contou com a presença do senador Júlio
Campos e lideranças da coligação União por Mato
Grosso, sete pastores foram homenageados pela Câmara
Municipal com a entrega de títulos de Cidadania
Barragarcense. A festa começou na sexta-feira com a
abertura da 14ª Convenção dos Ministros Evangélicos e
termina hoje com a inauguração do templo, às 8 horas
da manha.
Numa iniciativa do vereador Alacir Vieira Cândido,
presidente da Câmara Municipal, a sessão solene de
outorga dos títulos de cidadania aconteceu nas
dependências do templo, na noite de ontem. Pela primeira
vez, os vereadores realizaram numa sessão do legislativo
numa igreja evangélica, quando as homenagens foram para
os pastores Manoel Ferreira, Abigail Carlos de Almeida,
Neuton Pereira Abreu, João Alves de Souza, Joaquim Alves
de Souza, João Alves Batista e Moisés Martins da Rocha,
os novos cidadãos.
O vereador Alacir Vieira Cândido justificou a homenagem
como merecida. "São evangélicos com uma grande
folha de serviços prestados à comunidade barragarcense
e nada mais justo, do que homenageá-los com essa
honraria", destacando os fato de cinco, dos sete
pastores, terem passado pelo pastorado em Barra do
Garças, contribuindo para a divulgação da doutrina
evangélica na região do Vale do Araguaia.
COMENDA LEGISLATIVA
Durante a sessão solene no templo da
Assembléia de Deus, os vereadores barragarcense
prestaram outra homenagem, entregando Comendas
Legislativa a quatro autoridades com relevantes serviços
prestados a comunidade local, o senador Júlio Campos, o
prefeito Wanderlei Farias, o ex-prefeito Wilmar Peres e o
vereador-presidente da Câmara Municipal, Alacir Vieira
Cândido, que é evangélico há vários anos.
ESCOLA/BAIRROS
Ação de gangues prejudica maior
integração em Cáceres
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres
A integração entre os estudantes da Escola
Agrotécnica Federal de Cáceres, os chamados
"agricolinos", com os jovens que residem em
bairros próximos ao Distrito Industrial, onde fica a
EAFC, está sendo dificultada devido a ação de
"gangs" das imediações. A integração entre
os jovens internos com a comunidade sempre foi uma
preocupação da direção da escola, e começou a ser
promovida através de ações diversas, entre elas as da
área esportiva, como jogos de futebol que reuniam
agricolinos e jovens da comunidade, especialmente os
residentes no bairro Vila Real.
De uns meses para cá, os estudantes começaram a ser
molestados por gangs não só da Vila Real, mas também
de outros bairros como Paraíso, Rodeio e Garcês.
Recentemente, um confronto envolveu agricolinos e
integrantes da gang da Vila Real, resultando em vários
adolescentes feridos, um deles sendo atingido no olho por
uma garrafa quebrada. Há promessas de futuros
confrontos.
O fato chegou ao Diário de Cuiabá através da Internet,
pelo leitor Paulo Henrique de Oliveira Júnior, que
acredita que a divulgação do problema através da
imprensa desperte a atenção das autoridades para as
providências necessárias, evitando uma tragédia.
O diretor da Escola Agrotécnica (a escola atende a
adolescentes em cursos técnicos que equivalem ao 2º
grau), professor Olegário Balde, afirma que os
professores têm realizado palestras alertando os alunos
sobre o perigo que representa o envolvimento com
adolescente infratores, que fazem parte das gangs.
"Procuramos conscientizar os nossos alunos sobre a
meta que eles tem, que é estudar e concluir o curso,
partindo para a universidade. Os internos estão longe
dos pais e são nossa responsabilidade".
PEDÁGIO
Cobrança depende de um novo acerto
Da Sucursal de Tangará da Serra
Está suspensa até o próximo dia 07, sexta-feira, a
cobrança de pedágio na estrada Nova Fronteira. A
informação é do vice-prefeito Aldir Schneider, de
Sapezal, município localizado a oeste da MT-170 e
principal interessado na estrada.
Na próxima sexta-feira estará acontecendo uma reunião
entre comunidade indígena pareci, Funai, representantes
de prefeituras da região e o procurador da República,
Roberto Cavalcanti. O encontro irá definir a cobrança
ou não do pedágio, que deveria iniciar já nesta
segunda, dia 03, mais foi postergada até que a reunião
aconteça. A princípio, seria cobrado R$ 5 de carros de
passeio; R$ 10 de carretas, caminhões e lotações; R$
20 de ônibus e R$ 0,25 por pedestre.
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