SAÚDE INDÍGENA

Entidade divulga entre bororos e xavantes prevenção à Aids e DST

O programa é financiado pelo Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento e Ministério da Saúde

FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra do Garças

O Centro Etno-ecológico do Vale do Araguaia (Celva) está desenvolvendo junto aos índios xavantes e bororos o projeto de "Educação e Prevenção DST/Aids para Xavante e Bororo". A cooperação da entidade não governamental está sendo viabilizada pelo Programa Nacional de DST/Aids, da Secretaria de Assistência à Saúde, do Ministério da Saúde, dentro de Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O projeto visa levar informações aos homens e mulheres índias e, principalmente, aos estudantes das cidades, sobre os riscos de contágio das "novas doenças" e as formas de proteção. O trabalho está, inicialmente, voltado para as cerca de 20 aldeias dos municípios de General Carneiro, Paranatinga e Barra do Garças. Há perspetiva de se expandir, apresentando o material didático que está sendo preparado para as outras áreas bororos e xavantes de Rondonópolis, Nova Xavantina e Água Boa, totalizando cerca de 80 aldeias, ou 50% da população indígena de Mato Grosso.
Como recurso didático estão sendo preparados álbuns sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, nas línguas xavante e bororo, e um pequeno documentário em VHS também nas línguas indígenas.
"A preocupação, expressa através dos materiais produzidos, é se mostrar a realidade das doenças sexuais e Aids, através de fotos, gráficos e frases reflexivas e orientativas", destaca o indigenista Guilherme Carrano, coordenador do projeto na região de Barra do Garças.
O aspecto mais importante a ser alcançado pelo projeto, segundo Carrano, é discutir nas aldeias sobre as doenças sexualmente transmissíveis e, caso se perceba ou se sinta algo, buscar tratamento junto aos órgãos disponíveis: Casa de Saúde do Índio, Funai, Posto de Saúde Municipal ou qualquer outro meio.
"É por isso que procuramos usar a cultura indígena para nos auxiliar. Os `padrinhos', por exemplo, precisam saber bem sobre DST para explicar aos mais novos os cuidados que devem tomar. Eles é que irão `liberar', na cultura indígena, os mais jovens para a vida sexual", destacou. Padrinhos são os índios adultos que ajudam na educação dos garotos.
A proposta do projeto foi apresentada pelo Celva aos órgãos federais e das Nações Unidas e, além da coordenação do indigenista Guilherme Carrano, que é membro da entidade e também servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), conta com o auxílio dos índios Lino Tsere Ubudzi e Lourenço Wa'ané (xavantes) e Agostinho Eibajiwu (bororo). Lino tem curso nível médio de enfermagem e está preocupado em retornar os conhecimentos para sua comunidades. Lourenço é aluno do 2º grau em Barra do Garças, já tendo trabalhado na aldeia como professor de 1º grau e Agostinho já foi professor dos bororos na aldeia Garças e está terminando o 1º grau em Meruri, no município de General Carneiro.
Desde a implantação, o projeto já levou conhecimentos a cerca de 8.500 índios xavantes nas Terras Indígenas São Marcos (Barra do Garças), Marechal Rondon (Paranatinga) e Sangradouro (General Carneiro) e um número aproximado de 600 bororos na Terras Indígenas Meruri (General Carneiro) e também aos professores bilíngues do Projeto Tucum, implantado na região para a formação de professores indígenas.
"A meta é levar o projeto para as aldeias Pimentel Barbosa e Areões, em Água Boa, Parabuburê, em Campinápolis, e nas comunidades bororos Tereza Cristina, Tadarimana e Perigara, em Rondonópolis".
Nessas terras, pretende-se, por meio dos caciques, levar os trabalhos em álbuns e vídeo para palestras de orientação aos homens e mulheres, destacou Guilherme, que desde 1.975 é funcionários da Funai e fundador do Celva, entidade que vem buscando alternativa para se viabilizar trabalhos em prol dos índios.


Cacique culpa branco pelas doenças

O cacique xavante Aniceto, das Terras Indígenas São Marcos, no município de Barra do Garças, culpa o homem branco pelo surgimento das doenças sexualmente transmissíveis. Segundo ele, o branco não pensa no seu semelhante e faz de tudo para experimentar tudo o que vê pela frente.
"O homem quer experimentar animais e animais transmitem doenças. Não pensa como o índio, que hoje vem sofrendo com as consequências. Se fizesse apenas com a mulher, talvez não tivesse tantas doenças", ressaltou, dizendo que os índios hoje não tem proteção para livrar de tais doenças.
O cacique elogiou a disposição do indigenista Guilherme Carrano ao coordenar o projeto de Educação e Prevenção DST/Aids e criticou o Governo Federal pela política de apoio ao índio. "Antes, índio não precisava nem de roupas, quanto mais de vacinas e remédios, e hoje estão morrendo a míngua pelas mãos do homem branco. Tudo está se acabando, as terras dos índios não são mais respeitadas e o que se vê são florestas derrubadas, enfraquecidas e a comunidade indígena cada vez mais doente".
O documentário em VHS sobre o projeto que está sendo desenvolvido nas aldeias está em fase de conclusão na língua xavante e brevemente será editado também em língua bororo. Com o auxílio do Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto de Ciências e Letras do Médio Araguaia, da Universidade Federal de Mato Grosso, o documentário será também reproduzido em português. (FA)


Chácara Ambulatório de Cuiabá requer pessoal e equipamentos

ALINE CUBAS
Da Reportagem

A Chácara Ambulatório mantida pela Funai para receber índios que precisam de tratamento em Cuiabá sofre com a falta de pessoal e equipamentos. Localizada a 5Km da rodovia Palmiro Paes de Barros, que leva a Santo Antônio de Leverger, a unidade de saúde indígena atende em média 40 índios encaminhados pelos núcleos de apoio da Funai do interior.
No ambulatório é atendida a parte clínica, em uma espécie de triagem. Casos mais graves _ em que há necessidade de especialistas ou equipamentos sofisticados _ são encaminhados para hospitais credenciados ao SUS, em Cuiabá. A equipe da chácara é formada por 20 funcionários. Mas o único médico atende em apenas um turno, três vezes por semana.
Outra dificuldade é remover os pacientes, o que é preciso fazer praticamente todos os dias. Para o transporte existe um carro. No entanto, nos casos mais graves, a coisa se complica porque não há ambulância.
Mas, apesar disso, os índios parecem gostar do atendimento e chegam a relutar em voltar para casa. "Eles estão me mandando embora porque dizem que eu não tenho mais nada, eles é que estão me mandando embora", explicava na semana passada Indiana Parecis, da aldeia Figueiras, de Barra do Bugres. Acompanhada da mãe, ela diz que ainda não quer voltar para a aldeia. "Eu estou sofrendo muito, falam que não tenho nada, mas estou sofrendo muito", reforça.
Acendina Bororo também confirma que acha a chácara boa e que não tem vontade de ir embora. A índia deixou a Aldeia Perigara, na região do Pantanal, pela primeira vez na vida ao final de uma gravidez de risco. A transferência para Cuiabá foi decidida também porque a aldeia está sem parteira. Depois de ter a criança no Pronto Socorro na terça-feira passada, Acendina está na chácara.
Valdeni, da mesma aldeia, está com um filho na UTI em Cuiabá por causa de uma pneumonia. No caso dela o prédio-chácara funciona como um local de estadia, outra função exercida pelo ambulatório.


SAÚDE INDÍGENA 2

Funai reativa equipe volante de saúde para atender às aldeias

A equipe é formada por médicos, dentistas, enfermeiros e laboratoristas

ALINE CUBAS
Da Reportagem

Na tentativa de suprir a falta de estrutura para atender à saúde nas aldeias indígenas, a Administração Regional da Funai em Cuiabá _ em parceria com a Fundação Nacional da Saúde (FNS) _ reativou desde setembro a Equipe Volante de Saúde (EVS) composta por médicos, dentistas, enfermeiros e laboratoristas.
A equipe percorre as aldeias fazendo atendimentos entre os doentes, tratamentos dentários e desenvolvendo ações de prevenção ao câncer de mama e de útero, além de vacinação.
A EVS foi criada na década de 70 para prevenir e tratar doenças encontradas nas aldeias, mas foi desativada ainda no início dos anos 80 sob o argumento de que era um programa muito caro. "Mas se a saúde é obrigação do Estado, não há que se discutir se é oneroso ou não prestar assistência, e sim atender", afirmou o administrador regional da Funai em Cuiabá, Idevar Sardinha.
Em meados de outubro, a EVS esteve com os índios pirigaras, às margens do Rio São Lourenço, no Pantanal, onde foi constatada alta incidência de vermes e doenças de pele.
As próximas localidades a serem visitadas serão as reservas Pakuera e de Santana, dos bakairis; reserva Sararé, na região do Vale do Guaporé, dos nhambiquaras. Está prevista também uma visita aos bororos, no município de Santo Antônio de Leverger. Conforme a Funai, a meta é fazer o atendimento nessas comunidades até o final do ano.


Choque cultural marca tratamento

Da Reportagem

Os choques culturais entre índios e o tratamento dado na chácara da Funai foi alvo de análise da antropóloga Renate Brigitte Viertler no livro "A duras penas: um histórico das relações entre índios Bororo e `civilizados' no Mato Grosso", (FFLCH-USP), de 1990.
A pesquisadora relata que só em última instância é que os bororos recorrem à internação na chácara. Segundo ela, estas estadias eram ordenadas pelos médicos da equipe volante da Funai e "traumatizavam intensamente os doentes", além de dar condições de se "roubar" os corpos dos bororos falecidos. Para ilustrar, ela conta a história de um bororo, originário do Meruri, que após uma briga com irmãos de clã, saiu da aldeia mas adoeceu até ser internado e morrer na chácara da Funai. No entanto, antes deixou expresso que queria ser enterrado como "branco" e não como bororo. Mas um irmão que se encontrava na chácara na época, acompanhando a esposa e o filho ("pois esta não comeria nada se ele não estivesse ao seu lado"), acabou levando o corpo para a aldeia.
Outro choque apontado pela pesquisadora é que quando um bororo está para morrer seus parentes tentam controlar o desenlace de forma a impedir a interferência do branco. "Isto porque os `tratamentos intensivos' ordenados pelos médicos da Funai interferem nas prerrogativas sociais dos parentes do doente, incumbidos de realizar o desenlace", afirma. Ainda segundo ela, o direito de `fazer os mortos' constituía prerrogativa dos xamãs e dos chefes tradicionais bem como de homens ou mulheres, parentes próximos, especialmente incumbidos para a execução do agonizante.
E conclui: "Tirar-lhes esta prerrogativa representa um forte enfraquecimento da ordem social tradicional que, apesar de tudo, continua resistindo contra o `civilizado' por meio da realização dos seus prolongados funerais". (A.Cb.)


IMPRENSA

Jornalistas discutem Pantanal durante encontro na UFMS

ANSELMO CARVALHO PINTO
Enviado a Campo Grande

O repórter precisa entender que ser ético no jornalismo ambiental é ser a favor da natureza, sempre. A opinião é do editor do Estado Ecológico, do jornal mineiro O Estado de Minas, Hiran Firmino.
Ele foi um dos palestrantes do Laboratório Ambiental de Jornalismo "A Imprensa e o Pantanal", organizado pelo Fundação Konrad Adenauer, da Alemanha, e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Realizado em Campo Grande (MS), o evento terminou ontem.
O Estado Ecológico, do qual Firmino é editor, é um dos mais importantes cadernos sobre meio ambiente da imprensa brasileira. O encarte tem uma periodicidade interessante _ sai somente na lua cheia.
Em sua palestra Firmino afirmou que o jornalista que cobre meio ambiente precisa se posicionar contra qualquer atividade que ponha em risco a natureza. "Sou desde já contra a Hidrovia Paraguai-Paraná", disse. "Se o Pantanal estiver correndo o menor risco de ser prejudicado, o repórter de meio ambiente tem de se opor ao projeto. É o que estou fazendo".
Para ele, o jornalista de meio ambiente precisa defender a natureza sempre. "Nós somos diferentes dos jornalistas comuns", afirmou. "Os outros se prezam pela imparcialidade; nós não". Mas Firmino alerta: jamais o jornalista deverá manipular informação em nome da ecologia.
O caderno do qual Firmino é editor já recebeu diversos prêmios, o mais recente da revista Imprensa, especializada em jornalismo. Com uma linguagem leve e cheio de cores, o caderno é um sucesso em Minas Gerais.
Iniciado quarta-feira, o seminário ambiental levou a Campo Grande jornalistas e estudiosos de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos ligados à ciência e ao meio ambiente.
O último dia de encontro foi dedicado a um passeio pelo rio Paraguai, no município de Corumbá, a 400 quilômetros de Campo Grande.
Um dos convidados para o evento foi o editor de ecologia da rádio Gaúcha, de Porto Alegre (RS), Roberto Villar. "O jornalista de meio ambiente não pode ser panfletário e abrir mão da informação verídica em nome da natureza", dise Villar. Além de jornalistas e estudiosos, o seminário reuniu ainda pessoas ligadas ao assunto, tanto de organizações não governamentais _ como o Instituto Centro Vida de Cuiabá e o Ecologia e Ação, de Campo Grande _ quanto das governamentais, como o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Celso Martins.


FINADOS

Oitenta mil devem visitar cemitérios hoje

Prefeitura de Cuiabá está fazendo recadastramento dos túmulos para regularização
da documentação dos jazigos para famílias

ALECY ALVES
Da Reportagem

Hoje, Dia de Finados, mais de 80 mil pessoas devem visitar os cemitérios de Cuiabá e Várzea Grande. Na capital a Prefeitura está aproveitando a oportunidade para iniciar o processo de recadastramento dos túmulos e regularização fundiária.
Nos cinco maiores cemitérios _ Porto, Piedade, Coxipó, São Gonçalo- Beira Rio e Parque Bom Jesus _ estão sendo colocados à disposição dos responsáveis pelos túmulos um formulário que pede, entre outras informações, a quadra, número da sepultura, data do sepultamento, além de orientações sobre o encaminhamento a ser dado para se obter a escritura definitiva do lote.
O comércio ambulante na porta dos cemitérios também estará sendo fiscalizado. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSU) designou três fiscais para cada cemitério. Luis Mário do Espírito Santo, diretor de Serviços Urbanos da SMSU, informou que serão cobrados impostos para todos os tipo de comércio.
O valor, disse Espírito Santo, será estipulado com base na UPF (Unidade Padrão Fiscal) de Cuiabá (valor unitário hoje é R$ 8,08). De acordo com Espírito Santo, o dinheiro arrecadado será aplicado em obras de melhorias dos cemitérios, como construção e reforma de muros e calçadas.
A exemplo de Cuiabá, todos os cemitérios de Várzea Grande passaram por pequenas reformas e serviços de limpeza para a visitação no Dia de Finados. Lá, porém, não haverá cobrança de impostos na porta dos cemitérios.
Em Várzea Grande, não há cemitérios particulares, portanto, não se comercializa áreas para sepultamentos. Entretanto, apenas em um, no Recanto da Saudade, situado na Cohab Primavera, ainda se faz enterros de pessoas que não possuíam túmulos familiares.
Esse cemitério foi criado em 14 de outubro de 94 e já tem 1,7 mil pessoas sepultadas, entre adultos e crianças.
A área do Recanto da Saudade é pequena, tem 5 mil hectares, mas deve ser ampliada para 10 mil, segundo o administrador Francisco Laviola Sobrinho.
Tanto a desapropriação de 5 hectares vizinhos como a construção de muros e outras melhorias estão autorizados pelo prefeito Jaime Campos. Francisco Laviola observou que o projeto prevê ainda a construção de uma capela.


Budista adora mortos e espírita crê em renovação

Da Reportagem

As formas com que as pessoas vêem a morte mudam de acordo com a religião. Para os seguidores da doutrina espírita morrer nada mais é que uma mudança de estado vibratório.
Os espíritas, destacou o presidente da Federação Espírita Mato-grossense, Lacordaire Abraão Faiad, também sofrem a perda de parentes e amigos, mas não se desesperam porque sabem que a morte é uma renovação de vida e que podem reencontrá-los ou fazer contato com eles daqui da Terra.
Os japoneses estão entre os que adoram seus mortos por achar que eles renascem ao lado de Buda, o Deus de parte dos orientais. Em Várzea Grande funciona a única igreja genuinamente japonesa (na rua Embaúval) onde são feitas as celebrações.
O empresário Júlio Casicava, mestre nas celebrações, disse que os budistas sentem a morte, mas acham que quem morreu terá vida melhor se praticou bons atos. Casicava considera impossível viver sem cometer pecados, mas acha que o homem tem de se alicerçar na verdade e viver em harmonia com a natureza e os animais.
As maiores manifestações religiosas dos japonesas são de agradecimento porque eles entendem que agradecendo Buda iluminará o caminho que deve seguir. (AA)


Família mora no cemitério enquanto faz casa própria

Da Reportagem

Cemitério não é lugar de tristeza para a família de Maria da Penha Nunes Borges. Desde que ela e o marido conseguiram um emprego num cemitério, para onde foram morar com isenção de aluguel, taxa de luz e água, tudo melhorou e hoje eles riem à toa.
Tudo porque estão conseguindo realizar o maior sonho da maioria das famílias brasileiras: ter casa própria. Eles estão concluindo uma casa de 12 peças com quatro quartos, sendo duas suítes, sala de televisão, de visitas e outras comodidades, para onde pretendem se mudar antes do Natal.
Penha contou que moram numa pequena casa de madeira dentro do cemitério há cerca de três anos. Com o dinheiro que pagariam aluguel, luz e água e outras economias conseguiram construir a casa num terreno que compraram há muitos anos.
Morar no cemitério não é problema para o casal, mas as filhas (de 15 e 11 anos) vivem reclamando e na escola deram o endereço de uma parente para ninguém saber onde moram. As meninas não saem e nem recebem visitas e por elas a família teria se mudado para a casa nova antes da conclusão das obras.
Penha disse que conversa muito com as filhas e garante que ambas sabem o quanto foi importante esse período morando no cemitério sem pagar aluguel e outros serviços. (AA)


Cuiabá tem 21 cemitérios clandestinos

Da Reportagem

Esta semana a comissão criada para levantar a situação de todos os cemitérios de Cuiabá concluiu os trabalhos e entregou relatório na última sexta-feira ao prefeito Roberto França propondo uma série de ações. Identificou 21 cemitérios clandestinos, a maioria na zona rural, sugeriu a construção de dois novos cemitérios, a interdição total de alguns e levantamentos em outros.
Glória Barini, que presidiu a comissão, sugeriu a contratação de técnicos especializados para analisar questões relacionadas ao solo como ver distância de curso d'água em todos cemitérios irregulares.
A comunidade de Sucuri tem dois cemitérios, ambos clandestinos, mas bem antigos. Existem há mais de século, mas foram construídos em pequenas áreas dentro de sítios particulares. Nenhum oferece condições para novos sepultamentos, mas continuam sendo usados.
No Sucuri II a população, em parceria com a Prefeitura, resolveu o problema. Edeval Nunes da Silva, presidente da Associação de Sucuri, disse que o dono do sítio, desembargador Ernane Vieira, doou a área ocupada pelo cemitério à comunidade e agora só as famílias que têm parentes sepultados lá podem continuar usando-o. Por determinação da Prefeitura, lembrou Edeval, só poderão sepultar em gavetas de concreto construídas sobre o túmulo familiar.
Os cemitérios clandestinos estão no antigo Jardim Colorado, Sucuri I e II, Comunidade dos Médicos, Nossa Senhora da Guia, Três Pedras, Laginha, Terra Vermelha, Aguaçu, Machado, Baús, Cacimbinha, Aricá, Buritizal, Olho D'água, São Vicente, São Gerônimo, Tarumã, Farturinha, Conceição Açu, Rio dos Peixes e Bom Jardim. (AA)


PIRACEMA

Fema insiste que só profissional pode pescar; Ibama libera amador

Enquanto espera definição, fiscalização atua preventivamente no fim de semana

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Os pescadores continuam confusos quanto aos limites de sua atuação durante a piracema, iniciada ontem e que vai até o dia 31 de janeiro de 1998. A Fema (Fundação Estadual de Meio Ambiente) diz que está autorizada a pesca de subsistência apenas para os pescadores profissionais, mas portaria da superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) permite a pesca artesanal e amadora, desembarcada, também para a subsistência.
Em função disso, o Batalhão de Polícia Florestal resolveu atuar neste primeiro fim de semana da piracema de forma educativa, reprimindo apenas a pesca predatória _ peixes menores que o tamanho mínimo permitido por lei e "malhados" (com sinal de rede no corpo).
O tenente Alves, chefe da seção de Planejamento do Batalhão Florestal, disse ontem que espera que amanhã, segunda, a Fema tenha as informações exatas sobre como deverá atuar a fiscalização.
CONFUSÃO - O desencontro entre órgão ambientalista estadual, Fema, e o federal, Ibama, começou quando o superintendente do Ibama, Jacob Kuffner, baixou portaria normativa, publicada em 2 de outubro, proibindo a pesca entre os dias 1º de novembro e 31 de janeiro _ período passível de prorrogação. Antes, o Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente) aprovara a piracema entre os dias 3 de novembro e 20 de fevereiro.
O Consema teve que se reunir novamente e acatou o período de piracema estabelecido pelo Ibama, porém acabou proibindo qualquer modalidade de pesca, inclusive a de subsistência para os pescadores profissionais, aqueles que têm, comprovadamente, na pesca o único meio de vida.
A Fema pediu parecer à Procuradoria Geral do Estado, que orientou o órgão estadual a acompanhar a portaria do Ibama. Mas a Fema divulgou que só foi liberada a pesca de subsistência (no limite de 5kg ou um exemplar, observados os tamanhos mínimos) aos profissionais, omitindo parte do teor do artigo 2º da portaria do Ibama, que autoriza também a pesca amadora, sempre com a finalidade de alimentação, nunca de comércio.
Pela Lei 6672, amador é quem pratica a pesca artesanal (com linha de mão, caniço simples ou com molinete e vara com linha e anzol), com fins esportivos e de subsistência, desde que não envolva comercialização.
ESTOQUES - A equipe de fiscalização iniciou ontem a verificação de estoques de pescado no Mercado do Porto, supermercados, bares, lanchonetes, frigoríficos e peixarias. O objetivo é assegurar que estes locais não sejam abastecidos durante a piracema com pescado irregular.
Na sexta-feira (31) venceu o prazo para aos comerciantes declararem à Fema o estoque de pescado. Em caso de irregularidade, todo o estoque é apreendido e é emitido auto de infração. O infrator tem 15 dias para contestar a apreensão; caso não consiga se defender, ele é multado no valor de 5 UPF's por quilo de pescado apreendido.
A fiscalização no rio Cuiabá começou ontem por volta das 4h da manhã no perímetro urbano. Oito pescadores (não profissionais) foram advertidos. A fiscalização, que contará com 250 homens, continua em todos os rios de Mato Grosso.
Uma outra equipe de fiscalização vistoriou também o Mercado do Porto. Os fiscais da Fema e o Juvam conferiram o estoque de 28 boxes, sendo que todos apresentaram a declaração de estoque à Fema.
Além de confirmar o estoque, os fiscais estão verificando a forma de apreensão do pescado (sinal de malha ou rede) e farão o acampanhamento do consumo do estoque durante a piracema.
No final da manhã de ontem, a Polícia Florestal apreendeu 160 quilos de pescado irregular estocado numa loja de rações de peixe na avenida Beira-Rio e, no Mercado do Porto, uma equipe de fiscalização conjunta apreendeu 70 quilos de peixes malhados. (Colaborou Francisca Medeiros).


SANEAMENTO

Limpa-fossa têm até dia 10 para regularizar atividade

ALECY ALVES
Da Reportagem

A Prefeitura começa semana que vem a fiscalização nas empresas de limpa-fossa. Das 12 que funcionam hoje na capital apenas quatro atenderam ao chamado da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Smades) para discussão e assinatura de um termo de compromisso com a Sanemat e a Prefeitura visando a regularização do serviço de transporte e descarte de esgoto doméstico.
Pelo termo assinado na sexta-feira entre o chefe do setor de Operação e Manutenção de Esgoto na Sanemat, engenheiro João Batista Xavier, e o diretor de Meio Ambiente da Smades, Jair Durigon, todas as empresas terão 10 dias (a contar do dia 31 de outubro) para o registro da empresa, identificação dos veículos de transporte de esgoto com nome e telefone e confeção de bloco de notas fiscais.
A partir do próximo dia 10, prevê o documento, todas terão de emitir nota fiscal para todos os serviços identificando nela o tipo de resíduo transportado, quantidade, origem e destino. Além de contribuir com a Sanemat para a aquisição de reagentes químicos necessários à análise dos afluentes lançados na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE do Dom Aquino).
O chefe de Manutenção e Esgoto da Sanemat, João Xavier, disse que a partir de agora a Sanemat quer saber o tipo e a origem dos resíduos que as empresas de limpa-fossa despejam na ETE. Aquela que não fizer a identificação na portaria da estação de tratamento não terão acesso aos locais de descarte.
Xavier explicou que como a estação trata o esgoto biologicamente, só podem permitir o descarte de resíduos domésticos. Resíduos de hospitais, indústrias, postos de combustíveis e similares, observou Jair Durigon, sequer poderão ser retirados das fossas, pois não há local apropriado para descartá-los. Pela legislação ambiental, lembrou Durigon, essas empresas têm de construir seus próprios sistemas de tratamento de esgoto.
O diretor de Meio Ambiente da Smades destacou que há cerca de três meses a secretaria vem discutindo o problema em Cuiabá. Enviou correspondência às 12 empresas convidando-as para reuniões (fizeram três), mas só quatro demonstraram interesse em se regularizar. As demais, alertou Durigon, se não procurarem a Prefeitura dentro do prazo estabelecido estarão impedidas de atuar.


PERSONAGEM

Ex-guerrilheiro quer revolucionar ensino

Carlos Reiners, que, na juventude defendeu a luta armada, está à frente de projeto
alternativo de educação no distrito de Mimoso

CAMILA BINI
Enviada especial a Mimoso

De comedor de criancinhas a educador, a quem crianças e adultos cumprimentam pedindo benção. Essa é a trajetória de Carlos Reiners, ex-guerrilheiro de 66 anos que dirige a escola "Santa Claudina" no distrito de Mimoso, município de Santo Antônio do Leverger (a 112 km de Cuiabá). Em 1966, entretanto, a vida de "seu" Carlos pode ter cruzado a linha da história: ele afirma que o homem que o procurou se identificando como secretário particular do também guerrilheiro argentino Ernesto Guevara, o Comandante Marcos, era na verdade o "Che" (ver matéria abaixo).
O senhor de olhar curioso e gestos serenos encontrado pelo DIÁRIO não aparentava ter participado de guerrilhas rurais no Mato Grosso dos anos 60. Mas bastaram algumas palavras para identificar idéias antes revolucionárias e agora democráticas.
A política entrou na vida de Carlos com a morte da mãe, aos 15 anos. "Ela faleceu à míngua, sabendo que ia morrer. Hemorragia vaginal, uma coisa simples de se resolver, por falta de transporte foi letal", relembrou ele. A revolta com a falta de assistência à mãe suscitou a preocupação com questões sociais e o desejo de lutar por dignidade.
Aos 24 anos, Carlos trocou a fazenda do pai no Pantanal (a 80 Km de Mimoso) por Cuiabá, onde retomou os estudos, prestou serviço militar e abriu a Casa Reiners, na rua 13 de Junho. "Troquei umas cabeças de gado pela loja", lamentou ele, pois era um "homem de ficar em cima de lombo de cavalo" e foi prejudicado na lida com o comércio.
A década de 50 data o casamento e os primeiros contatos com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Filiado até hoje, Carlos ainda se identifica com o partido, mas considera que a realidade e o contexto histórico atuais são diferentes se comparados aos anos de revolução.
Com a atividade de líder estudantil na ACES (Associação Cuiabana de Estudantes Secundaristas), "que na época ainda era atuante", Carlos destacou-se politicamente. A idéia de guerrilha rural eclodiu com o Golpe de 64, fazendo com que cerca de 40 homens rumassem para o sul do estado a fim de organizarem uma "reação armada" na região de Jaciara.
"Nessa região, os sindicatos eram mais organizados e atuantes, o que nos favoreceu, porque as pessoas envolvidas realmente acreditavam na luta pela reforma agrária", observou "seu" Carlos.
Mas o exílio de João Goulart e Leonel Brizola no Uruguai enfraqueceu o movimento. "Se eles tiveram que sair do país, imaginamos como iríamos ter ajuda", ponderou Carlos. Um dos últimos a abandonar a "reação armada", o hoje educador foi preso em 69 quando chegou em Cuiabá.
Depois da prisão, "seu" Carlos "serenou", como dizemos os cuiabanos. A loja faliu, ele se formou em direito e hoje trabalha integralmente na escola. Embora os filhos vivam em Cuiabá, ele só vem à capital para receber seus R$ 600 da Secretaria de Estado de Educação. Sua meta em Mimoso é estimular o senso crítico dos alunos para que eles se tornem "sujeitos da história" (assim como ele em sua juventude). "Mesmo não podendo fazer uma revolução a partir do ensino, dou tudo de mim para os alunos. Estou tentando realizar agora tudo o que não consegui fazer antes, com outra arma e outra tática", sintetizou Carlos.
Outra bandeira é o resgate cultural e social das comunidades de Mimoso. "Somos inocentes por não utilizarmos Rondon como chamariz para conseguir mudar a infra-estrutura daqui", criticou Carlos.


Che Guevara teria passado disfarçado por Cuiabá em 66

Da enviada especial

Em 1966 entrou na Casa Reiners um homem vestido como soldado. Carlos Reiners atendia a clientes quando o homem alto, meio sujo, parecido com Ernesto "Che" Guevara, mas com cabelos mais claros começou a falar em espanhol, identificando-se como comandante Mário, secretário particular de Guevara. Assim que os clientes saíram da loja, Mário explicou que ia em direção à Bolívia, mas precisava encontrar Virgílio Vincre, líder da guerrilha em Paranatinga. Antes de sair, Mário deixou seu casaco na loja, "para que sua mulher ateste que não sou quem imagina", disse.
Foram a pé do Centro até a casa do irmão de Carlos, de onde localizaram Virgílio. Na praça Ipiranga, Virgílio e Mário se reuniram, com Carlos de vigia. "Tenho certeza de que falaram sobre a união entre o grupo de Che e o de Virgílio", revelou Carlos, completando que "depois da reunião, cada um foi para um lado, e desde então perdi de vista Virgílio e a pessoa que acredito ser Che".
Para o historiador Tomás Boaventura, é irrelevante sob o ponto de vista histórico a passagem de Che por Cuiabá. "Realmente, há um período da vida de Guevara sobre o qual não se têm nenhum registro, mas não existe evidência que confirme essa história", afirmou Boaventura.
Tanto a história de Carlos como a reportagem da revista IstoÉ de 8 de outubro que afirma que o presidente de Cuba, Fidel Castro, haveria sabotado os planos de Che são para Tomás uma tentativa de enfraquecer a imagem da revolução cubana. Mas pelo menos em um aspecto Carlos Reiners e Tomás Boaventura concordam: mais que a imagem de Che, o importante é divulgar e conhecer suas idéias revolucionárias de organização social. (CB)


Mimoso, berço de Rondon, quer se livrar do isolamento

Da enviada especial

Terra de Rondon, Mimoso (a 112 km de Cuiabá), apresenta uma situação paradoxal: como poderia o mais ilustre mato-grossense (o pai da telecomunicação) imaginar que, depois de desbravar rios, aldeias e o interior das regiões Centro-Oeste e Norte do país, sua cidade natal teria como principal característica o distanciamento?
Distrito que se destaca pela presença da natureza e pela simplicidade de seu povo, Mimoso tem como maior desafio superar a distância da sede do município de Santo Antônio do Leverger (a 27 km de Cuiabá) ao qual pertence. Mas o afastamento da localidade traz pelo menos alguns pontos positivos _ Mimoso foi a primeira localidade a receber um posto de telefonia que utiliza luz solar. Além disso, há a hospitalidade dos moradores e a identificação das pessoas com a região _ aspecto aproveitado pelo projeto "Terra", da Secretaria de Estado de Educação (ver matéria ao lado).
O nome, garantem alguns, veio da grande presença de "capim mimoso", que hoje foi substituído por capim trazido de outras regiões. "Era só olhar em volta e você via aquele mar verde", recorda Nercina de Moura, professora e coordenadora da escola estadual "Santa Claudina" _ que aglutina todas as 14 comunidades da região.
Até a década de 80, havia uma lei silenciosa que determinava que apenas os nascidos em Mimoso poderiam morar lá. "Todo mundo que nascia aqui era considerado meio parente de Rondon", afirmou Nercina, completando que somente se o cônjuge fosse da terra era permitida a moradia.
Um exemplo de como as comunidades são integradas é o caso da imagem do Santo Antônio. Acredita-se que ela tenha mais de 200 anos. "Era comum os bandeirantes andarem com imagens de santos para incentivarem a catequização. Aqui não foi diferente", observa Carlos Reiners, diretor da escola. A identificação da comunidade com a imagem é tão grande que quando um padre quis trocá-la por uma versão mais "branca" do santo os fiéis fecharam a igreja, exigindo que a troca fosse desfeita. (CB)


Projeto "Terra" tenta ligar ensino à realidade próxima

Da enviada especial

Em Mimoso, os alunos não têm provas bimestrais e passam metade do tempo das aulas fora da sala. A escola "Santa Claudina", erguida para homenagear o Marechal Rondon, faz parte de um projeto da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) que vem sendo considerado um avanço na promoção da cidadania entre os alunos. Inicialmente idealizada para atender a comunidades rurais, essa nova escola atualmente atinge a 22 escolas de seis municípios mato-grossenses.
A experiência recebeu o nome de "Projeto Terra" e tem como principal meta integrar o aluno à realidade próxima, fazendo com que ele interaja com o conteúdo apreendido. "Todas os assuntos dados em sala de aula partem da vivência e realidade do aluno", esclareceu Maria Lúcia Coradini, técnica da equipe de Ensino Fundamental e do Projeto Terra.
Para levar o aluno do senso comum para níveis mais profundos de conhecimento, foi preciso uma nova postura de professores e pais de alunos. "Foi uma mudança muito grande. De repente você tem que esquecer o livro didático e fazer do dia-a-dia o conteúdo das aulas, a partir das necessidades do aluno", analisou a coordenadora da escola de Mimoso, Nercina de Moura. Outra mudança é que os pais não recebem mais notas ou conceitos, mas um relatório trimestral que descreve a evolução do filho.
As séries são fundidas em três ciclos, ficando cada ciclo com três das séries convencionais. O objetivo é quebrar a ruptura existente na passagem da 4ª para a 5ª série, por exemplo, quando o aluno passa a ter outro ritmo de aula (divididas em 45 minutos e com vários professores).
"Alguns bebês começam a andar com sete meses, outros com 12, mas no fim todos andam. É a mesma coisa com o ensino. É preciso respeitar o ritmo de cada aluno", ressaltou Maria Lúcia.
A receptividade tem sido tão boa que já há a perspectiva na Seduc de que em 98 todos alunos de 1ª série em escolas públicas mato-grossenses sejam incorporados ao projeto Terra. (CB)


CRECI/IRREGULARIDADES

Delegacia notifica e fecha imobiliárias

Os fatos mais comuns são de corretores que não recebem honorários e
pessoas que exercem a profissão ilegalmente

PEDRO RIBEIRO
Da Sucursal de Rondonópolis

Depois de fechar um imobiliária (Imobiliária Econômica), que estava agindo na clandestinidade, a Delegacia do Creci - Conselho Regional de Corretores de Imóveis, de Rondonópolis, decidiu apertar o cerco em cima das demais imobiliárias do município, promovendo uma fiscalização rigorosa e notificando as que apresentam irregularidades. Segundo a delegada do Creci na região Sul do Estado, Neusa Novais da Rocha, são muitas as reclamações contra as imobiliárias e também contra os corretores que atuam na área de imóveis. "Só do ano passado para cá nós registramos 170 reclamações, a maioria envolvendo desavenças entre os próprios corretores ou imobiliárias. Os fatos mais comuns são de corretores que não recebem honorários ou pessoas que exercem a profissão de forma ilegal, sem terem realizado o curso de Técnicas em Transações Imobiliárias ou sem estarem devidamente autorizadas para exercer a profissão", explicou Neusinha.
A delegada do Creci disse que o fechamento da Imobiliária Econômica, ocorrido na semana passada, se deu em virtude da empresa estar trabalhando de forma irregular, sem qualquer registro no órgão e, aida por cima, lesando pessoas. "Nós n`ao admitimos esse tipo de coisa e por isso passamos o caso ao Conselho estadual, em Cuiabá, e as providências foram tomadas, com o fechamento da empresa. Esperamos que os proprietários regularizem a mesma, pois do contrário não poderão mais atuar nessa área aqui em Rondonópolis", explicou.
A fiscalização do Creci, nos últimos dias, fechou o cerco em cima de uma outra imobiliária, A Perfil, acusada de várias irregularidades, entre as quais a de se apropriar indevidamente de dinheiro de clientes. Conforme relatou a responsável pelo Creci, o proprietário da Imobiliária Perfil, identificado como sendo Ulisses Alves de Macedo Filho, vinha cometendo irregularidades em toda a cidade. "Ele assinava contratos para administrar aluguéis de casas e telefones, e acabava não repassando o dinheiro aos proprietários. Isto foi feito com muitas pessoas que nos procuraram em busca de ajuda. Algumas delas, proprietárias de linhas telefônicas, até perderam seus bens, pois além de não repassar o dinheiro do alugel, o proprietário da imobiliária ainda não pagava as contas junto a Telemat, ocasionando a perda da linha pelo não pagamento do consumo", disse Neusinha.
Neusa Movais citou o caso de Rosilene Vargas de Oliveira, uma cliente da Perfil, que teria confiado à empresa a administração do aluguel de duas linhas telefônicas. Como a cliente nunca recebeu o dinheiro do aluguel, procurou a empresa e, depois de muito lutar, ficou sabendo que uma das linhas havia sido bloqueada por falta de pagamento. Para não perder a outra linha, a cliente teve que pagar R$ 900 reais junto a Telemat. "Esse não foi o único caso. A empresa já provocou prejuízos a muitas outras pessoas na cidade e agora vai ter que corrigir seus erros", argumentou.
No caso da Perfil, a delegada do Creci disse que a empresa terá até a próxima segunda-feira (3) para saldar seus débitos com os clientes. "Se até lá não for tomada nenhuma providência, então a Perfil também será fechada", esclareceu.


TANGARÁ DA SERRA

Município parte em busca da industrialização

SÉRGIO ROBERTO
Da Sucursal de Tangará da Serra

Tangará da Serra é um município situado social e economicamente entre os seis maiores de Mato Grosso. Conta com uma área urbana razoável e uma população superior a 80 mil habitantes. É o polo do Médio Norte no que se refere a desenvolvimento e há muito solidificou-se como centralizador comercial da região.
No entanto, Tangará não foge à regra da realidade existente em toda a região Centro-Oeste do Brasil: a incipiente industrialização. Este é o ônus que se paga pela precariedade das estradas, pela energia elétrica inconfiável, e pela necessidade de se buscar mão de obra qualificada.
Mas a ponta da agulha, por menor que seja, é sempre notada. Um município com tantos habitantes não pode contentar-se apenas com o setor primário (agricultura), além de um número reduzido de indústrias, sob pena de se ver às voltas com o trauma do desemprego. Aliás, o desemprego já é um câncer sócio-econômico em perigoso estágio progressivo em Tangará da Serra.
Esta ameaçadora realidade levou o prefeito Jaime Muraro (PFL) a pensar em soluções. Escolheu o empresário e economista José Denício Pontes Agostinho, formado em Mogi das Cruzes (SP), para ocupar a Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo do município.
De cara, José Denício viu a necessidade de atrair indústrias por meio de incentivos como concessão de áreas, terraplanagem, isenção de impostos de até 5 anos, entre outras vantagens. Realista, o secretário destaca que os critérios para implantar indústrias passam primeiro pela vocação econômica do município, que é a agropecuária. "Mais de 90% das propostas recebidas pela secretaria são de agroindústrias", confirma. Ele lembra que a realidade industrial do País vem sofrendo uma metamorfose geoprodutiva com a necessidade do setor de transformação em se aproximar das fontes de matéria-prima, citando uma cultura antiquada onde as indústrias se aglomeram nos grandes centros urbanos, como o eixo Sudeste-Sul, e apenas esperam a chegada da matéria-prima. "Hoje as indústrias precisam ficar perto da sua fonte de recursos de produção, e isso representa fielmente os efeitos da globalização e da necessidade de redução de custos".
DISTRITO - Em meio às suas teorias de industrialização, José Denício apresenta algo de concreto. Tangará vai ter, a partir de março do ano que vem, um frigorífico com capacidade de abate de 600 bovinos/dia, o Fritanser. Ao todo, 120 homens trabalham na conclusão de uma obra de 13 mil metros quadrados. Inicialmente, o frigorífico irá abater 200 cabeças/dia e irá gerar 430 empregos diretos. O principal produto será a carne resfriada em cortes já embalados para atender os mercados do Sul e Sudeste do País.
Existem também outras empresas industriais, como beneficiadoras e empacotadoras de arroz parboilizado, esmagamento de soja, fábricas de farinha de mandioca, de ração animal e suplementos minerais, de produção de sementes, e até mesmo de implementos agrícolas e móveis tubulares.
José Denício também está organizando a implantação de um sistema de crédito denominado "Banco do Povo", o PCPP (Programa de Crédito Popular Produtivo), que visa fomentar as atividades da indústria familiar, aquela popularmente chamada de "fundo de quintal". O secretário explica que o programa irá consistir numa espécie de consórcio onde prefeitura e comunidade empresarial irão contribuir com dinheiro para a integralização de recursos que servirão como fonte de pequenos financiamentos para as micro-indústrias. Estas irão reembolsar o empréstimo aos credores a juros bem abaixo do mercado.
Por outro lado, José Denício afirma que o Distrito Industrial é um projeto que precisa ser posto em prática com urgência em Tangará da Serra. Sem ele, a atividade industrial ficará desordenada e até mesmo inviabilizada no município. "Precisamos ter a cidade devidamente zoneada, com a observância da lei de Uso e Ocupação do Solo. Isso é uma responsabilidade do governo estadual", disse o secretário, acrescentando que em termos de energia Tangará estará em breve bem servida com a rede que virá de Denise e do complexo de usinas do rio Juba. "Ainda nos faltam as estradas", finalizou.


HOMENAGEM

Pastores recebem títulos de cidadania em Barra do Garças

FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra do Garças

A comunidade evangélica de Barra do Garças esteve em festa neste último final de semana. Além da inauguração do templo da Assembléia de Deus, numa solenidade que contou com a presença do senador Júlio Campos e lideranças da coligação União por Mato Grosso, sete pastores foram homenageados pela Câmara Municipal com a entrega de títulos de Cidadania Barragarcense. A festa começou na sexta-feira com a abertura da 14ª Convenção dos Ministros Evangélicos e termina hoje com a inauguração do templo, às 8 horas da manha.
Numa iniciativa do vereador Alacir Vieira Cândido, presidente da Câmara Municipal, a sessão solene de outorga dos títulos de cidadania aconteceu nas dependências do templo, na noite de ontem. Pela primeira vez, os vereadores realizaram numa sessão do legislativo numa igreja evangélica, quando as homenagens foram para os pastores Manoel Ferreira, Abigail Carlos de Almeida, Neuton Pereira Abreu, João Alves de Souza, Joaquim Alves de Souza, João Alves Batista e Moisés Martins da Rocha, os novos cidadãos.
O vereador Alacir Vieira Cândido justificou a homenagem como merecida. "São evangélicos com uma grande folha de serviços prestados à comunidade barragarcense e nada mais justo, do que homenageá-los com essa honraria", destacando os fato de cinco, dos sete pastores, terem passado pelo pastorado em Barra do Garças, contribuindo para a divulgação da doutrina evangélica na região do Vale do Araguaia.

COMENDA LEGISLATIVA
Durante a sessão solene no templo da Assembléia de Deus, os vereadores barragarcense prestaram outra homenagem, entregando Comendas Legislativa a quatro autoridades com relevantes serviços prestados a comunidade local, o senador Júlio Campos, o prefeito Wanderlei Farias, o ex-prefeito Wilmar Peres e o vereador-presidente da Câmara Municipal, Alacir Vieira Cândido, que é evangélico há vários anos.


ESCOLA/BAIRROS

Ação de gangues prejudica maior integração em Cáceres

CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres

A integração entre os estudantes da Escola Agrotécnica Federal de Cáceres, os chamados "agricolinos", com os jovens que residem em bairros próximos ao Distrito Industrial, onde fica a EAFC, está sendo dificultada devido a ação de "gangs" das imediações. A integração entre os jovens internos com a comunidade sempre foi uma preocupação da direção da escola, e começou a ser promovida através de ações diversas, entre elas as da área esportiva, como jogos de futebol que reuniam agricolinos e jovens da comunidade, especialmente os residentes no bairro Vila Real.
De uns meses para cá, os estudantes começaram a ser molestados por gangs não só da Vila Real, mas também de outros bairros como Paraíso, Rodeio e Garcês. Recentemente, um confronto envolveu agricolinos e integrantes da gang da Vila Real, resultando em vários adolescentes feridos, um deles sendo atingido no olho por uma garrafa quebrada. Há promessas de futuros confrontos.
O fato chegou ao Diário de Cuiabá através da Internet, pelo leitor Paulo Henrique de Oliveira Júnior, que acredita que a divulgação do problema através da imprensa desperte a atenção das autoridades para as providências necessárias, evitando uma tragédia.
O diretor da Escola Agrotécnica (a escola atende a adolescentes em cursos técnicos que equivalem ao 2º grau), professor Olegário Balde, afirma que os professores têm realizado palestras alertando os alunos sobre o perigo que representa o envolvimento com adolescente infratores, que fazem parte das gangs. "Procuramos conscientizar os nossos alunos sobre a meta que eles tem, que é estudar e concluir o curso, partindo para a universidade. Os internos estão longe dos pais e são nossa responsabilidade".


PEDÁGIO

Cobrança depende de um novo acerto

Da Sucursal de Tangará da Serra

Está suspensa até o próximo dia 07, sexta-feira, a cobrança de pedágio na estrada Nova Fronteira. A informação é do vice-prefeito Aldir Schneider, de Sapezal, município localizado a oeste da MT-170 e principal interessado na estrada.
Na próxima sexta-feira estará acontecendo uma reunião entre comunidade indígena pareci, Funai, representantes de prefeituras da região e o procurador da República, Roberto Cavalcanti. O encontro irá definir a cobrança ou não do pedágio, que deveria iniciar já nesta segunda, dia 03, mais foi postergada até que a reunião aconteça. A princípio, seria cobrado R$ 5 de carros de passeio; R$ 10 de carretas, caminhões e lotações; R$ 20 de ônibus e R$ 0,25 por pedestre.