| NEGÓCIOS Brahma e Antarctica se associam e criam empresa
Da Agência Folha
São Paulo
As arquirrivais Antarctica e Brahma deixaram de lado
sua histórica - e agressiva - disputa pelo consumidor
brasileiro de cerveja e refrigerante. As duas empresas se
associaram e criaram a multinacional AmBev (Companhia de
Bebidas das Américas) para disputar, juntas, também o
consumidor internacional.
A fusão foi comunicada ontem, em Brasília, ao
presidente Fernando Henrique Cardoso pelos presidentes
das empresas. A nova empresa deve responder por cerca de
40% do mercado brasileiro de bebidas e por 70% da
produção nacional de cerveja, o que a obriga a se
submeter à aprovação do Cade (Conselho Administrativo
de Defesa Econômica), que julga casos de fusão que
possam ferir a Lei Antitruste.
Os controladores da Brahma e da Antarctica assinaram
um acordo de acionistas que prevê que nos próximos dez
anos todas as decisões estratégicas da nova empresa, a
AmBev, terão de ser aprovadas pelos representantes das
duas companhias.
A Brahma terá uma parcela da nova empresa muito maior
do que a Antarctica, o que levou muitos analistas a
concluir que o comando da AmBev caberia a ela
preferencialmente.
Apesar da disparidade de tamanho, entretanto, o
espírito dado à nova sociedade é de um controle
compartilhado, de acordo com pessoas que participaram do
desenho da operação ouvidas pela reportagem. Ao menos
ao longo da próxima década.
O símbolo máximo desse controle compartilhado
estará estampado no modelo do conselho de
administração da AmBev. Marcel Telles, presidente do
conselho da Brahma, e Victorio de Marchi, diretor-geral
da Antarctica, serão co-presidentes do conselho da
AmBev.
O modelo foi copiado das megafusões que têm ocorrido
em outros países. O principal exemplo é o da
associação entre o Citicorp e o Travelers Group,
ocorrida no ano passado. John Reed e Sanford Weill são
co-presidentes da empresa que surgiu, o Citigroup.
O valor da Brahma na Bolsa de Valores é de
aproximadamente R$ 7 bilhões, enquanto o da Antarctica
não passa de R$ 500 milhões. De certo modo, essa
diferença esmagadora estará representada na
composição acionária da Ambev.
Mas não foi só isso que pesou no desenho da nova
empresa, já que a supremacia da Brahma sobre a
Antarctica no mercado de bebidas não é tão grande
quanto na Bolsa.
A participação da Brahma no capital da AmBev ficará
em torno de 70%, enquanto a Antarctica terá cerca de
30%.
A princípio, as duas companhias de bebidas continuam
a existir individualmente, agora controladas pela nova
holding.
O que acontece é que, com a criação da AmBev, os
acionistas controladores da Brahma e da Antarctica
substituíram o controle direto das respectivas empresas
pelo controle indireto.
A Fundação Antonio e Helena Zerrenner, que controla
a Antarctica, integralizou todas as suas ações -88,09%
do capital votante e 87,91% do capital total- na AmBev. O
mesmo fizeram os sócios da GP Investimentos, que
colocaram 55,08% do capital votante e 21,17% do capital
total da Brahma dentro da AmBev.
CVM
As ações das companhias Brahma, Antarctica e
associadas foram suspensas do mercado de ações ontem.
As próprias empresas enviaram comunicado à CVM
(Comissão de Valores Mobiliários) pedindo que os
papéis não fossem negociados.
O comunicado foi emitido antes da abertura do pregão.
Segundo a assessoria de imprensa da CVM, as próprias
empresas precisarão pedir o restabelecimento das
operações em Bolsa de Valores.
Foram suspensas as ações de cinco empresas: Aditus
Participações, Antarctica, Antarctica Nordeste, Brahma
e Polar. Todas estavam envolvidas com a fusão de Brahma
e Antarctica.
Quarta-feira, no fechamento do pregão, as ações de
ambas as empresas apresentaram boa valorização. Os
papéis ON (ordinários, com direito a voto) da
Antarctica se valorizaram 8,1%. Já os papéis ON da
Brahma tiveram alta de 11,09%.
Ainda assim, analistas da Bolsa de Valores de São
Paulo disseram não acreditar que a fusão possa ter sido
antecipada. O anúncio foi classificado de
"surpreendente".
"Apesar da valorização dos papéis da Brahma,
terça-feira, o percentual não foi um grande salto. Já
os papéis da Antarctica têm pouca liquidez. Eles foram
comercializados em cerca de 30% dos pregões da Bolsa em
99. Por isso, é comum terem oscilações grandes quando
são vendidos", disse Gabriel Coutinho Jafet,
especialista em Bolsa da Oryx Asset Management.
Ninguém sabe o que pode acontecer com os sistemas
eletrônicos na passagem para o ano 2000. A meia noite de
31 de dezembro de 1999 pode ser que ocorram falhas,
interrupções e outros problemas no funcionamento de
computadores, eletro-domésticos, sistemas de aviação,
telefonia, energia... Mas pode ser também que nada
aconteça, entretanto, essa "quase certeza"
não há quem dê 100% de segurança só
terá quem se preparar.
Há uma expectativa mundial de que os problemas
gerados pelos sistemas eletrônicos na passagem para o
terceiro milênio provoquem indenizações da ordem de R$
3 trilhões. Elas seriam resultado de ações judiciais
ou acordos de consumidores e empresas públicas e
privadas com fabricantes, fornecedores e prestadores de
serviços que não adequaram os equipamentos dispostos no
mercado.
O Governo Federal editou mês passado uma portaria que
trata da questão. A 212/99 responsabiliza quem vendeu
qualquer equipamento eletrônico a partir de 1995 não
adaptado ao "bug do milênio". Entende-se como
razoável essa data em função da vida útil de
equipamentos eletrônicos.
Ontem, o Centro de Processamento de Dados de Mato
Grosso (Cepromat), que presta serviços para cerca de 50
órgãos públicos estaduais e municipais, promoveu o
"I Seminário Bug 2000", onde foram discutidas
as possibilidades de riscos e o que se deve fazer para
preveni-los.
O presidente do Cepromat, Geraldo Tanamati, acha que
as pessoas não estão dando a importância devida aos
riscos de prejuízos na informática. Tanamati quer que
quem presta serviço público ou privado saiba que estão
tratando de um problema de continuidade de serviços,
não apenas de sistemas de informática.
De acordo com Geraldo Tanamati, todos aqueles que
trabalham no setor ainda buscam respostas para
questionamentos sobre o que pode acontecer e o que fazer
para evitar perdas maiores. A partir deste mês,
informou, estarão promovendo palestras no interior do
estado com o objetivo de auxiliar órgão públicos e
privados a se prevenirem.
Apesar de todos os cuidados, reclamou Tanamati, o mais
provável é que cheguem em 31 de dezembro sem conhecer o
tamanho e a potência do inimigo de quem tem ou trabalha
com chips e software. O setor da saúde é o que mais
preocupa os especialistas. Ainda não se sabe o que pode
acontecer com aparelhos utilizados em UTIs, centros
cirúrgicos, marca passo e muitos outros, segundo Solon
Lemos Pinto, secretário de Tecnologia da Informação do
Ministério do Orçamento e Gestão. Solon Lemos Pinto,
disse que a saída é fazer testes com profissionais
especializados e adotar alguns cuidados na hora de
comprar um equipamento novo. Exigir documento de
responsabilidade por prejuízos do fornecedor ou
fabricante é um bom começo.
Aos participantes do seminário, Solon Pinto exibiu a
página da Internet "Programa Brasileiro A
2000", do Governo Federal, onde se pode encontrar
dicas sobre quais os problemas possíveis e como
atacá-los, e distribuiu um guia sobre a influência da
passagem do ano 2000 nos sistemas de informática. Esse
é o endereço: www.a2000.gov.br da página na rede
internet.
INFLAÇÃO
Custo de vida aumenta 0,62% na Grande
Cuiabá
Da redação
O custo de vida em Cuiabá e Várzea Grande teve alta
de 0,62% no mês de junho, 0,58 pontos percentuais a mais
que o mês de maio, acumulando 8,01% de inflação no
ano, segundo dados do Núcleo de Pesquisas Econômicas da
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), único que
mede a inflação no estado.
A pesquisa considera o orçamento de famílias que tem
renda de um a seis salários mínimos e separa seus
gastos em grupos: alimentação, serviços públicos,
produtos não alimentares e outros. Destes, o grupo que
tem maior representação é o da alimentação que teve
baixa de 1,29%. Seu peso na pesquisa é de 46,988% e
inclui alimentação dentro e fora de casa.
São pesquisados 185 produtos alimentares, em junho,
64 aumentaram, 15 mantiveram seus preços e 106 tiveram
baixas. Os que sofreram as maiores altas foram limão,
manga, melancia, cebola, vinagre, maxixe, banha,
chocolate granulado, fermento em pó, sardinha, feijão
roxinho e repolho. Os que tiveram maiores baixas foram
feijão jalo, mexerica, óleo de arroz, palmito, melão e
a banana nanica.
Os dados foram coletados ao longo do mês em
supermercados, feiras e lojas, considerando os preços
médios de junho, comparados com os de maio. Os serviços
públicos tiveram alta de 5,13%, os não alimentares
aumentaram 1,90%, e outros 1,09%.
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