JOGOS PAN-AMERICANOS

Brasil disputa ouro contra Cuba

As meninas do Brasil prometem se vingar das arqui-inimigas conquistando o ouro com uma grande vitória

MARCELO DAMATO
Da Agência Folha – Winnipeg, Canadá

O temor de enfrentar um adversário que parece "dosar" o esforço, como se estivesse sinalizando que atingirá o ápice quando for necessário, acompanha a seleção feminina brasileira de vôlei hoje na decisão do ouro do Pan-Americano.

Brasil e Cuba enfrentam-se hoje às 20h (horário de Mato Grosso), na Arena de Winnipeg, no Canadá. Duas horas antes, EUA e República Dominicana jogam pelo bronze.

A final, na verdade, será um reencontro. Único invicto do torneio, o Brasil bateu Cuba por 3 sets a 2, cinco dias atrás, na última partida da fase classificatória.

Mas o que credencia as cubanas a esta final não é pouca coisa. São as atuais bicampeãs mundiais (94 e 98) e olímpicas (Barcelona-92 e Atlanta-96). Buscam hoje o oitavo título consecutivo em Pan-Americanos - a hegemonia nas Américas começou em Cali-71.

Em confrontos diretos, o Brasil perde de "lavada". Pelo registro da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), são 67 vitórias de Cuba contra parcas 27 das brasileiras.

Dos três últimos confrontos, em torneios oficiais, o Brasil perdeu dois. A vitória veio na final do Grand Prix, em maio de 98. Depois, se sucederam os tropeços.

Assim aconteceu na semifinal do Mundial do Japão, em novembro. E, há um mês, na semifinal da BCV Cup, na Suíça. Nos três jogos o mesmo placar: 3 sets a 1.

"Cuba tem muita moral. Joga quando quer", diz o técnico brasileiro, Bernardinho. "A obrigação de vencer é delas. Estão sob pressão, não por perder do Brasil, mas por perder de um time que não tem Ana Moser, Ana Paula, Fernanda e Márcia Fu", completa, fazendo alusão às jogadoras que, por motivos diversos, não estão na seleção.

"As cubanas vão entrar com mais disposição neste jogo", diz a nova levantadora titular, Fofão.

Há outro fator: a animosidade fora da quadra. "Não gosto das cubanas. Elas provocam muito'', acusa a atacante Leila. "Se estão ganhando, riem da gente. Se começam a perder, brigam entre elas", comenta Virna.


Bernardinho reformula a equipe

Da Agência Folha – Winnipeg, Canadá

A seleção que decide hoje o título do Pan incorporou novos nomes em relação à quarta colocada no Mundial de 98. Mas esse foi um processo feito à força.

Terminado o Mundial, o técnico Bernardinho perdeu de cara a levantadora Fernanda Venturini (se aposentou da seleção). Depois, saiu a meio-de-rede Ana Paula (para o vôlei de praia). Convocada para o Pan, para ser líbero (especialista em defesa), no lugar de Sandra, a meio-de-rede Ana Flávia pediu dispensa. Márcia Fu, também convocada, desistiu da seleção para jogar na Turquia.

O único reforço certo é de Ana Moser. Estrela do time, a atacante está sendo poupada para jogar o Grand Prix, ainda este mês.

No Pan, ao lado das veteranas Leila e Virna, 28, figuram as novatas Walewska e Eríka, 19, Elisângela, 20, Raquel, 21.


Mireya não vê rivalidade

EDGARD ALVES E MARCELO DAMATO
Da Agência Folha – Winnipeg, Canadá

A atacante Mireya Luis, 32, diz não ver qualquer rivalidade especial em relação à equipe brasileira, apesar dos quase constantes desentendimentos na quadra quando as duas equipes se enfrentam.

Com dores nas costas, Mireya quase não tem jogado no Pan, para que possa jogar o máximo possível na final de hoje. Nos jogos em que atuou, ficou sempre atrás, cuidando do saque ou da recepção.

Sexta-feira, após assistir à vitória de sua equipe sobre os EUA, pelas semifinais, assistiu o jogo do Brasil com a República Dominicana. Na arquibancada, deu entrevista.

Pergunta - Você sempre foi conhecida por saltar muito, mais de um metro. Como está agora?

Mireya Luis - É verdade. Quando estou boa alcanço 1,05 m. Atualmente não pulo nada.

Pergunta - Você vai jogar a final?

Mireya - Ainda não sei. Acho que um pouco. As dores nas costas ainda persistem. Vamos esperar até domingo.

Pergunta - O que pensa da atual equipe brasileira

Mireya - Foi feita uma grande mudança. Esse time está se acertando. Vê-se que ainda falta um pouco para acertar.

Pergunta - Quem são os destaques desse time?

Mireya - As jogadoras mais antigas, como a Leila e a Virna.

Pergunta - Você tem algum sentimento de rivalidade em relação ao Brasil?

Mireya - Não, para mim não faz nenhuma diferença contra quem eu jogo, Brasil ou outro. Talvez as brasileiras dêem mais importância a esse confronto do que nós.

Pergunta - Por que acha que surgiu essa rivalidade?

Mireya - Nós nunca começamos as brigas. Talvez as brasileiras briguem na quadra porque não consigam ganhar de nós. O Brasil faz a guerra. Cuba só vence.

Pergunta - Mas você mora na Itália, já há dois anos (atua no Campeonato Italiano). Conseguiu sua independência financeira com isso?

Mireya - Esse é um assunto sobre o qual eu não falo. E seu tempo acabou.


Brasil amplia seu domínio no iatismo em Winnipeg

Da Agência Folha – São Paulo

No Pan-Americano de Winnipeg, o Brasil ampliou seu domínio em um esporte mais que importante para o país: o iatismo.

No Pan de Mar del Plata (Argentina), há quatro anos, o esporte ganhara medalhas com quatro diferentes tripulações.

Nestes Jogos, a "faixa premiada" do Brasil mais que duplicou. De quatro disputas de que saiu medalhista em 95, o país saltou para nove diferentes conquistas.

Todas as tripulações que foram aos Jogos foram premiadas. É o recorde de medalhas do iatismo brasileiro em Pans.

Foram os velejadores os maiores responsáveis pelo desempenho brasileiro no quadro de medalhas dos últimos Jogos Olímpicos (Atlanta-96).

Nos EUA, o iatismo conquistou duas das três medalhas de ouro que os brasileiros obtiveram naquela competição.

À frente do feito histórico obtido em Winnipeg, está Robert Scheidt, maior expoente do esporte no Brasil e medalha de ouro na classe laser - resultado equivalente ao que conseguira nos Jogos de Atlanta.

Além dessas duas medalhas no mínimo de prata, já há três outros segundos lugares assegurados, nas classes lightning (com Cláudio Biekarck, Marcelo Batista e Gunnar Ficker), hobie cat (Cláudio Cardoso e Patrícia Kirschner) e europa (Fernanda Guedes).

E três medalhas de bronze: laser radial (Isabela Malpighi), finn (Bruno Prada) e mistral feminino (Cristina Mattoso Maia).

No total de medalhas, a maior marca antes da obtida em Winnipeg fora a de Havana-91, quando o Brasil teve sete conquistas.

O desempenho em Winnipeg só não é o maior em medalhas de ouro -independentemente dos resultados obtidos ontem, o Brasil não alcançaria os quatro ouros que teve em Caracas-83.

A expectativa é ter de seis a oito barcos competindo entre as 12 classes que serão disputadas nos Jogos.


Atletismo comemora o desempenho

Da Agência Folha – Winnipeg, Canadá

Mais do que as 16 medalhas (7 ouro, 4 prata e 5 bronze), o atletismo brasileiro sai glorificado dos Jogos Pan-Americanos pela performance geral da equipe.

Arrebatou cerca de uma medalha para cada dois atletas - trouxe 31 pessoas a Winnipeg -, conseguiu ainda colocar praticamente todos seus representantes entre os seis primeiros das provas nas quais participou.

Para Sérgio Luiz Coutinho, chefe da equipe brasileira de atletismo, as exceções foram poucas. Ficaram por conta de Márcio Simão Souza, que chegou à semifinal mas não passou para a final dos 110 m com barreiras, e da saltadora Luciana Santos, nona colocada no salto em distância, com apenas duas tentativas, pois ela se contundiu, o que a obrigou a desistir também do salto triplo.

"Estávamos certos nas avaliações que resultaram nas nossas previsões de medalhas", disse Coutinho, que fez questão de ressaltar que o sucesso do time é consequência de um trabalho de pelo menos cinco anos.

"É planejado. Nada ocasional ou fruto do acaso", declarou o dirigente brasileiro.

As medalhas do Brasil em Winnipeg: ouro - Raphael Oliveira, Claudinei Quirino, Edson Luciano e André Domingos (revezamento 4 x 100 m masculino), Claudinei Quirino da Silva (200 m), Eronildes Araújo (400 m com barreiras), Maurren Higa (distância), Vanderlei Cordeiro de Lima (maratona), Elenílson da Silva (10.000 m) e Elisângela Adriano (disco); prata - revezamento 4 x 400 m (Claudinei Quirino, Anderson Santos, Eronildes Araújo e Sanderlei Parrela), Lucimar Moura (200 m), Elenílson da Silva (5.000 m), Maurren Higa (100 m com barreiras); bronze - Hudson de Souza (1.500 m), Éder Fialho e Viviany Anderson (ambos na maratona), Luciane Dambacher (salto em altura) e Claudinei Quirino (100 m rasos).

Embalado pelos resultados do Pan, a equipe brasileira - integrada por 15 atletas - vai participar agora do Campeonato Mundial de Sevilha, Espanha, que começa no próximo dia 20, com a elite da modalidade.


Brasil estréia no basquete derrotando as dominicanas

Da Agência Folha – São Paulo

Após o fracasso no Pré-Olímpico de Porto Rico, quando não obteve vaga para Sydney-2000, a seleção brasileira masculina de basquete estreou com vitória ontem no Pan de Winnipeg.

O time superou uma desfalcada e jovem República Dominicana. Já no primeiro tempo (49 a 27), a superioridade do Brasil ficou clara. No placar final, 102 a 70.

O técnico Hélio Rubens Garcia promoveu algumas mudanças, e o ala Marcelinho e o pivô Aylton Tesch iniciaram como titulares nos lugares de Rogério e Sandro Varejão. Mas com a partida sob controle, quase todos jogaram.

Hoje à noite, o Brasil enfrenta os EUA, que não levou o "Dream Team" (atletas da NBA) ao Pan. A equipe é representada por jogadores da CBA, espécie de segunda divisão da liga profissional norte-americana de basquete.

No feminino, a seleção brasileira, que estreou com vitória contra a poderosa equipe de Cuba (84 a 78) na noite de ontem, joga hoje contra o time da casa, o Canadá, às 14h (de Mato Grosso).


Pentatlo espera garantir Passaporte para Sidney

Da Assessoria do Cob

Em 1951, na disputa dos primeiros Jogos Pan-Americanos, realizados em Buenos Aires, o Brasil teve uma posição de destaque no pentatlo moderno: Eric Tinoco, Eduardo de Medeiros, Edgard Brilhante e Aloysio Borges conquistaram a prata na categoria por equipe; e, competindo individualmente, Tinoco ficou com o ouro. Foi o melhor desempenho brasileiro em Jogos Pan-Americanos.

Hoje a partir das 7h (8h de Mato Grosso), a equipe do Brasil tentará reviver no Maples Complex as glórias de 48 anos atrás. A motivação é grande. Além da possibilidade de garantir mais medalhas para o país, a competição é seletiva para os Jogos Olímpicos de Sydney, no ano 2000 - medalhas de ouro no masculino e no feminino valem as vagas olímpicas. Porém, a equipe brasileira sofreu uma baixa de última hora: por conta de uma inflamação na perna direita, agravada pelos treinos em Winnipeg, Daniel dos Santos não disputará o Pan. Apenas Nilton Rolim, Roberta Doernte e Gisela Ferraz vão participar das cinco provas da modalidade.

Como preparação, os brasileiros tiveram duas competições de extrema importância: o Campeonato Sul-Americano, no Chile, que aconteceu entre 22 e 29 de junho; e o Campeonato Mundial, realizado entre 12 a 18 de julho em Budapeste, na Hungria. Na primeira, Nilton Rolim foi campeão individual, e na categoria feminina, Roberta e Gisela ficaram na segunda e na quinta colocações, respectivamente. Já no Mundial, que tem incluída apenas a categoria masculina, Rolim acabou não conseguindo chegar às finais.


FÓRMULA-1

Volta de Schumacher pode ser antecipada

Tudo vai depender da prova de hoje. Se Hakkinen não vencer ele volta este mês

FÁBIO SEIXAS
Da Agência Folha – Hockenheim, Alemanha

Correndo em casa, um piloto alemão pode decidir hoje o desfecho da "novela Schumacher". Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, larga no segundo lugar do grid do GP da Alemanha, em Hockenheim. A corrida, décima etapa do Mundial de F-1, começa às 8h (de Mato Grosso), com TV.

Ontem, mantendo a rotina, Mika Hakkinen conquistou a sua oitava pole position da temporada. Seu companheiro de McLaren, David Coulthard, sai em terceiro.

O ferrarista Eddie Irvine falhou em sua tentativa de se aproximar das McLaren, foi superado até por seu novo companheiro, Mika Salo, e larga na quinta posição.

Longe do circuito alemão, em sua casa, na Suíça, o ferrarista Michael Schumacher acompanhará a prova pela TV. E decidirá seu futuro para este ano.

Desde que bateu no GP da Inglaterra, há 21 dias, as especulações sobre sua volta vêm dominando as conversas no paddock.

Na "novela Schumacher", prazos são estimados, teorias são criadas. E, em meio ao enredo, o bicampeão da F-1 (94 e 95) já chegou até a ser aposentado.

Só na última semana, quatro pessoas ligadas ao piloto alemão deram declarações à imprensa completamente divergentes.

Na terça-feira, Heiner Buchinger, assessor de Schumacher, disse que "ele pode voltar a pilotar dentro de duas semanas".

No dia seguinte, o irlandês Irvine declarou que "não estranharia se ele se aposentasse".

No mesmo dia, Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, anunciou a volta de Schumacher no GP da Itália, em setembro.

E, na quinta-feira, foi a vez de Willi Weber, empresário do alemão. "Ele ainda ficará de 12 a 16 semanas parado", declarou.

A versão mais sensata por enquanto é a de que Schumacher vai aguardar o resultado da prova de hoje para tomar uma decisão.

Caso Irvine hoje supere as McLaren e assuma a liderança do campeonato, o alemão só voltaria à categoria no ano que vem.

Assim, escaparia de ter que trabalhar pelo título do irlandês nas provas finais desta temporada.

Se Hakkinen vencer, aumentando sua vantagem no campeonato, Schumacher poderia de fato voltar no GP da Itália - ou mesmo na Bélgica, no fim de agosto.

Não teria mais nada a perder. E voltaria à Ferrari no posto em que sempre esteve: o de número um.

O treino de ontem abriu ainda um terceiro cenário: se Frentzen vencer, "embolando" mais o campeonato, Schumacher poderia voltar com chances de título.

Hoje, Hakkinen lidera o Mundial, com 44 pontos, dois a mais que Irvine. Schumacher é o terceiro, com 32 pontos. Frentzen é o quarto, com 29 pontos.


Irvine sente a pressão na Ferrari

Da Agência Folha – São Paulo

O irlandês Eddie Irvine deu ontem mostras de que começa a sentir a pressão de substituir Michael Schumacher na Ferrari.

Subitamente alçado ao posto de primeiro piloto da equipe italiana e à condição de concorrente direto ao título, cometeu uma série de erros no treino em Hockenheim.

Aos 22 minutos da sessão, em sua primeira tentativa de volta rápida, escapou da pista, foi para a caixa de brita e voltou aos boxes com o carro danificado.

Dez minutos depois, marcou o tempo que lhe deu o quinto posto.

No final da sessão, calculou mal o momento de entrar na pista e enfrentou tráfego.

Depois, Irvine tentou disfarçar a decepção. "Aqui é melhor largar em quinto do que em quarto. O lado de fora da pista favorece a tomada da primeira curva."

Entre os brasileiros, o mais bem colocado no grid de largada é Rubens Barrichello, da Stewart, em sexto. "Foi um bom treino. A gente não pode reclamar", disse.

Pedro Paulo Diniz sai em 16º e Ricardo Zonta, em 18º.


CAMPEONATO BRASILEIRO

Corinthians copia esquema da seleção

Oswaldo de Oliveira arma a equipe com três volantes e exige muita aplicação para a partida contra o Botafogo-SP

MAÉRCIO SANTAMARINA
Da Agência Folha – São Paulo

Depois de tentar se afastar da "sombra" de Wanderley Luxemburgo para se firmar em carreira solo, Oswaldo de Oliveira resolveu se render novamente ao "mestre" que o lançou como técnico do Corinthians, copiando o esquema tático da seleção na partida contra o Botafogo-SP, hoje, às 15h, no Pacaembu, em sua segunda partida pelo Brasileiro-99.

Assim como Luxemburgo vem fazendo na Copa das Confederações, no México, Oliveira quer um time com três jogadores de meio-campo com características defensivas. O objetivo é corrigir as falhas da defesa que levaram à derrota de 2 a 1, em casa, na última quarta, para um time teoricamente inferior, o Independiente, da Argentina, pela Copa Mercosul.

Sem o meia Ricardinho, que vai cumprir suspensão por ter sido expulso na estréia, o treinador mostrou preferência por Edu para a vaga. Dinei, Luiz Mário e Andrezinho seriam as outras opções.

"Com o Edu, que atua bem como segundo volante, o time ganha na marcação", afirmou Oliveira, sem receio de admitir a comparação com a seleção.

"Gosto desse esquema de três volantes e não tenho vergonha de imitar o que está dando certo. Mesmo quando o Ricardinho joga, peço para ele voltar e marcar. Mas a minha intenção principal não é a de imitar ninguém."

Edu disse que, no time de juniores do Corinthians, costuma atuar mais recuado. "Dessa forma, vou poder liberar mais o Rincón e o Marcelinho", afirmou, como se já estivesse confirmado no time.

Mesmo que acabe não escalando Edu - a definição será pouco antes da partida -, Oliveira exige três meias ajudando os zagueiros.

"O principal problema nosso é o espaço entre a defesa e o meio-campo. Nos últimos jogos, nossos zagueiros acabaram ficando mano a mano com os atacantes adversários. Mesmo mostrando as falhas nos treinos, a falta de entrosamento acaba fazendo os atletas incorrerem no mesmo erro.".

Foi por isso, segundo ele, que o Corinthians acabou levando quatro gols em dois jogos, embora tenha vencido o Gama, em Brasília, por 4 a 2, na estréia do Brasileiro.

Desta vez, após o resultado negativo na Mercosul, o temor é ainda maior. "Embora sejam competições distintas, a derrota na Mercosul pode interferir no jogo do Brasileiro. Não dá para virar o interruptor a todo momento, passando de uma competição para outra como se a anterior não existisse", disse Oliveira.

O técnico corintiano pretendia promover a estréia do lateral-direito César Prates hoje, no lugar de Índio, mas ficou indeciso no treino da tarde de ontem ao ouvir do médico Paulo Faria que seria pouco provável a liberação do lateral-esquerdo Augusto, que está gripado, para a partida.

"Se tiver que fazer essa alteração na esquerda, não seria bom mexer simultaneamente também na direita. Já seriam duas alterações, incluindo a suspensão de Ricardinho, e mudar muito a equipe causa desequilíbrio. Pode favorecer a posição individualmente, mas, no conjunto, pode comprometer."

Kléber, outro jogador júnior do Corinthians, já está confirmado como substituto de Augusto caso o titular não seja liberado.

O zagueiro Nenê, que havia levado uma pancada no jogo da última quarta-feira e estava com o pé esquerdo dolorido, deve jogar, embora tenha sido poupado dos últimos treinamentos.

CORINTHIANS

Maurício; Índio (César Prates), Nenê, Márcio Costa e Augusto (Kléber); Marcos Senna, Rincón, Edu e Marcelinho; Edílson e Luizão. Técnico - Oswaldo de Oliveira

BOTAFOGO-SP

Alexandre; Júlio César, Bell, Henrique e Cleomir; A. Silva, Marcão (Marquinhos), Júnior e Palhinha; Zé Afonso e Vágner. Técnico - Muricy Ramalho

Local - estádio do Pacaembu, em São Paulo

Horário - 15h

Juiz - Edilson Pereira de Carvalho (SP)


Oliveira enaltece adversário

Da Agência Folha – São Paulo

O técnico Oswaldo de Oliveira resolveu lançar mão do conceito de mimesis também quanto ao aspecto psicológico para a partida de hoje, contra o Botafogo-SP.

Em estratégia idêntica à utilizada por Wanderley Luxemburgo para a conquista do título do Brasileiro-98, o treinador corintiano decidiu inflar o adversário de menor expressão para evitar a acomodação de seu time.

"Trata-se de uma equipe coesa, com setores muito bem arranjados e um excelente sentido de marcação. O atual campeão brasileiro já não é o mesmo, enquanto o Botafogo se reforçou muito. Vai ser uma parada dura", disse ele, entre outras coisas, em uma palestra de quase uma hora com os atletas, antes do treino de ontem.

"A conversa nos motivou muito. Ninguém vai fazer corpo mole", disse o meia-atacante Marcelinho.


Botafogo aposta na torcida

ANGELO SASTRE
Da Agência Folha – Ribeirão Preto, SP

O Botafogo-SP aposta na própria torcida corintiana para superar o rival hoje, no Pacaembu.

O técnico Muricy Ramalho disse acreditar que a pressão dos torcedores vai estimular os corintianos a partir para o ataque, o que pode favorecer as jogadas da equipe de Ribeirão Preto.

"Se a pressão for grande, vamos ter espaço para surpreender o Corinthians", afirmou ele.

Muricy citou como exemplo a derrota corintiana de quarta-feira para o Independiente, da Argentina, pela Copa Mercosul, no mesmo estádio do jogo de hoje.

Além desse apoio indireto da torcida corintiana, o Botafogo, que venceu a Lusa na estréia, por 4 a 2, pretende explorar os contra-ataques para conquistar sua segunda vitória na competição.

A novidade da equipe será a estréia do atacante Zé Afonso, contratado do Grêmio, que formará dupla com Vágner, artilheiro do time, com dois gols.

No treino de ontem, o técnico testou duas táticas distintas. No primeiro tempo, a equipe adotou o esquema 3-5-2. O volante Marcão cumpriu a função de terceiro homem da defesa.


Zagallo adota esquema ofensivo

RODRIGO BUENO
Da Agência Folha – São Paulo

Zagallo, o mais experiente técnico do Campeonato Brasileiro, resgatou o velho jargão de que "a melhor defesa é o ataque".

Hoje, quando a Lusa enfrenta o Guarani, às 15h, no Canindé, Zagallo, insatisfeito com o sistema defensivo de seu time, abandona o esquema com três volantes e aposta em mais um jogador com características ofensivas.

"No primeiro jogo, achei que deveria proteger mais a defesa, e tomamos quatro gols (a Lusa perdeu de 4 a 2 do Botafogo-SP). Agora, vou soltar mais o time, colocando dois jogadores de construção", disse o treinador.

O técnico colocará o meia-atacante Marcinho, destaque do time de aspirantes da Lusa, no lugar do experiente volante Pintado, que se queixa de dores.

Zagallo, que não dispõe de um grande elenco para o Brasileiro, limitou-se a dizer que Marcinho é "um jogador inteligente".

Pintado, que deixa o time - segundo ele, por contusão -, vê riscos na nova formação tática da Lusa e no aproveitamento precoce de um aspirante.

"Isso pode expor o time, expor o garoto", disse o volante.

Zagallo deixa claro que a mudança no meio-campo de sua equipe é mesmo por razões táticas. "O Pintado está machucado, mas eu já havia decidido promover a estréia do garoto Marcinho."

Na defesa, Zagallo vai trocar Marcelo Miguel por Jorginho. O primeiro não fez uma boa partida, segundo o treinador, contra o Botafogo-SP. Jorginho, que está voltando após meses de afastamento por contusão, tem agradado bastante nos treinamentos.

"O Jorginho é um jogador clássico, mais sereno. Ele tem condições de formar uma dupla mais harmoniosa com Maxsandro."

Zagallo não poderá contar com o goleiro Fabiano, que foi expulso em lance polêmico na estréia. Em choque com um atacante rival na área, interpretado pelo juiz como pênalti, o goleiro da Lusa acabou recebendo o cartão vermelho.

O Guarani, que bateu o Inter por 2 a 1 em sua estréia, vai jogar com um ataque improvisado no jogo de hoje. O mais novo contratado do clube, Marcinho, do América de Rio Preto, deve se apresentar ao time só na segunda-feira.

Segundo o técnico do Guarani, Carlos Alberto Silva, falta montar somente o ataque da equipe, elaborado há cerca de um mês.

Hoje, no ataque, o titular Gilson Batata jogará ao lado de Deives ou de Badico. "Se o Deives tiver condição física, começo com ele", disse Carlos Alberto Silva.

LUSA

Adinam; Márcio Goiano, Jorginho, Maxsandro e Jadílson; Simão, Carlinhos, Alexandre e Marcinho; Edu e Márcio. Técnico - Zagallo

GUARANI

Gléguer; Rafael, Marinho, Marcelo Sousa e Rubens Cardoso; André Gomes, Betinho, Silvinho e Renatinho; Gilson Batata e Deives (Badico). Técnico - Carlos Alberto Silva

Local - estádio do Canindé, em São Paulo

Horário - 15h

Juiz - Oscar Roberto Godoi (SP)


Lusa vai ficar 14 dias parada

Da Agência Folha – São Paulo

Depois de sua segunda partida no Campeonato Brasileiro, hoje, contra o Guarani, a Lusa só vai voltar a jogar no torneio no dia 15 de agosto, contra o São Paulo.

O time de Zagallo só enfrentar uma equipe de outro Estado no dia 18 de agosto - joga contra o Sport, na Ilha do Retiro.

Entre o jogo de hoje e o clássico com o São Paulo, a Lusa vai enfrentar ainda o Bragantino, que está na Série A-2 do Paulista, em um amistoso, na quarta-feira.

Para não ficar muito tempo sem jogar, Zagallo pediu à diretoria da Lusa que marcasse amistosos. O outro amistoso, no dia 7 de agosto, possivelmente será contra mais um rival paulista.

A Lusa mandará os clássicos paulistas no Canindé. Pega São Paulo, Santos e Corinthians no estádio. Contra o Palmeiras, o jogo será no Parque Antarctica.


Botafogo-RJ quer a reabilitação

SÉRGIO RANGEL E FÁBIO GUIBU
Da Agência Folha – Rio e Recife, PE

O técnico do Botafogo, Mauro Fernandes, vai mudar o ataque da equipe para a partida contra o Sport, hoje, às 16h, no estádio Caio Martins, em Niterói, pelo Campeonato Brasileiro.

Zé Carlos, que estava na reserva, formará dupla de ataque com Valdir. Com a mudança, Rodrigo será improvisado no meio-campo.

A modificação no ataque se deve à derrota sofrida pela equipe contra o Cruzeiro, por 4 a 1, quarta-feira, no Mineirão. A partida marcou a estréia do time carioca no Brasileiro.

O zagueiro Jorge Luiz, que se recupera de contusão, é dúvida. Caso seja vetado, Bandoch será o substituto.

Sport

A falta de pontaria dos atacantes do Sport é a principal preocupação do técnico Fito Neves para o jogo de hoje contra o Botafogo, no Rio de Janeiro.

Os erros de finalização foram apontados como o principal motivo do empate sem gols contra o Vasco, em Recife, na estréia do time no Campeonato Brasileiro.

O problema, que vem desde o ano passado, se agravou este ano com a dispensa do centroavante Cris. Para o técnico, os jogadores "não pegaram o tempo da bola".

Nos treinos desta semana Fito Neves exigiu atenção dos atletas nas finalizações, principalmente nos chutes de fora da área e após os cruzamentos dos laterais.

BOTAFOGO-RJ

Vágner; Russo, Jorge Luiz (Bandoch), Sandro e Galego; Marcelinho Paulista, Reidner, Sérgio Manoel e Rodrigo; Zé Carlos e Valdir. Técnico - Mauro Fernandes

SPORT

Albérico; Saulo, Márcio, Sandro Blum e Vitor (Edson); Gottardo, Sangaletti, Wallace e Nildo; Leonardo e Juninho Petrolina (Irani). Técnico - Fito Neves

Local - estádio Caio Martins, em Niterói (RJ)

Horário - 16h

Juiz - Paulo César de Oliveira (SP)


Lúcio Flávio estréia no Inter

CARLOS ALBERTO DE SOUZA E WAGNER OLIVEIRA
Da Agência Folha – Porto Alegre, RS e Curitiba, PR

A estréia do meia Lúcio Flávio é a principal atração do Internacional para a partida de hoje, às 16h, contra o Coritiba, no estádio Beira Rio, em Porto Alegre. O jogador, contratado ao Paraná, já integrou seleções de base do Brasil.

Os volantes Dunga e Enciso, que não atuaram na primeira rodada -derrota de 2 a 1 para o Guarani -, reforçarão o Inter. O técnico Paulo Autuori, com Christian na seleção, não tem um centroavante para escalar e deve improvisar Almir na posição.

Como Almir jogou mal contra o Guarani, não está descartado o aproveitamento de Everaldo ou de Diogo Rincón ao lado de Fabiano no ataque.

Coritiba

O Coritiba poderá contar com um reforço no jogo de hoje contra o Internacional.

O lateral-esquerdo Dutra deverá voltar à equipe depois de mais de um mês de afastamento por causa de uma contusão.

O departamento médico do clube queria que o jogador ficasse mais algum tempo afastado, mas Dutra treinou na sexta-feira e disse que não sentiu dores.

O técnico Abel Braga considera o lateral um dos melhores do time e acha importante a escalação dele para que Coritiba consiga um bom resultado diante do Inter.

INTERNACIONAL

Preto; Denilson, Lúcio, Gonçalves e Alex; Enciso, Dunga, Lúcio Flávio e Elivélton; Fabiano e Almir. Técnico - Paulo Autuori

CORITIBA

Gilberto; Reginaldo Araújo, Leonardo, Flávio e Dutra (Fábio Vidal); Reginaldo Nascimento, Luiz Carlos, Mozart e Yan; Sinval e Cleber. Técnico - Abel Braga

Local - estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)

Horário - 16h

Juiz - Reinaldo Ribas Vieira (RJ)


COPA DAS CONFEDERAÇOES

Brasil é favorito contra a Arábia

Mesmo não mostrando um grande futebol a seleção entra em campo hoje como favorita a uma vitória de goleada

FÁBIO VICTOR
Da Agência Folha – São Paulo

Wanderley Luxemburgo, que se desenvolveu na profissão de técnico na Arábia Saudita, terá hoje a missão de eliminar a seleção desse país nas semifinais da Copa das Confederações, às 16h, em Guadalajara (México).

Suas passagens pelo Al-Ittihad (1984) e Al-Shabab (1987), como auxiliar técnico de Joubert Moura, funcionaram como um período de aprendizado que alavancou para sua carreira.

"Aprendi algumas coisas por lá. Mas o mais importante foi o lado financeiro", disse o técnico sobre o futebol do país, que pagava salário cinco vezes superiores aos praticados no Brasil, numa época em que o petróleo tinha seu preço internacional supervalorizado.

Depois de sua estadia na Arábia Saudita, Luxemburgo foi para o Bragantino, clube que o projetou com o título paulista de 1990.

O consultor técnico Candinho também esteve por lá, sendo campeão nacional duas vezes com Al-Helal e chegando a dirigir a seleção, classificando-a para a Copa do Mundo de 1994.

Além deles, o preparador físico Antônio Mello e o massagista Luizão trabalharam na Arábia.

BRASIL

Dida; Evanílson, Odvan, João Carlos e Serginho; Flávio Conceição, Émerson, Vampeta e Zé Roberto; Ronaldinho e Christian. Técnico - Wanderley Luxemburgo

ARÁBIA SAUDITA

Al Dayea; Al Jahani, Zubromawi, Al Dawod e Al Harbi; Al Shahrani, Al Otaibi, Sulimani e Al Subaie; Al Temyat e Harthi. Técnico - Milán Micala

Local - estádio Jalisco, em Guadalajara (México)

Horário - 16h


Seleção reduz as faltas

FÁBIO VICTOR
Da Agência Folha – Guadalajara, México

Se o futebol da seleção brasileira na Copa das Confederações diminuiu em relação à Copa América, o mesmo se pode dizer das faltas.

No torneio disputado no mês passado no Paraguai, o Brasil teve um "boom" de faltas - comparando-se com os números dos últimos antecessores de Wanderley Luxemburgo na equipe.

A seleção cometeu uma média de 23,2 infrações por partida, uma das mais altas da Copa América.

Agora, computados os três jogos que o time já fez na Copa das Confederações, a média caiu para 14,3 - uma redução de 38%.

Houve uma mudança significativa na composição do time titular do Brasil de um torneio para outro, com apenas cinco jogadores tendo permanecido.

As interpretações dos brasileiros para a tendência são as mais diversas. Luxemburgo afirmou que não pediu aos seus atletas para mudar a marcação dos rivais.

"Não houve pedido nenhum nesse sentido. Foi uma mera coincidência», declarou.

Não é o que pensam os jogadores - que, no entanto, confirmaram não ter havido qualquer recomendação do treinador.

Para Alex, por exemplo, a redução das faltas se deve ao entrosamento do grupo, já que 16 dos 20 convocados para o torneio mexicano estavam na Copa América.

"A equipe vai crescendo, se conhecendo mais, ocupando melhor os espaços no campo", analisou o meia palmeirense, um dos que estiveram no Paraguai.


Sauditas apostam em otaibi

Da Agência Folha – Guadalajara, México

Os sauditas também têm o seu Ronaldinho. O meia-atacante Marzuk Al Otaibi, artilheiro da Copa das Confederações, junto com o mexicano Blanco, com quatro gols, virou a principal atração da seleção saudita ao marcar quatro gols, um deles belíssimo, na goleada de 5 a 1 sobre o Egito na quinta-feira.

Como o colega brasileiro, Al Otaibi ganhou uma vaga na seleção pelos gols, que garantiram a passagem de sua equipe para as semifinais do torneio mexicano. Até aquela partida, o jogador do Al Shabab ainda não havia sido titular na competição.

Também como vem ocorrendo com Ronaldinho, Al Otaibi transformou-se de forma meteórica no novo xodó da torcida saudita.

Outro destaque da seleção árabe é o goleiro e capitão Al Deayea, velho conhecido do consultor técnico do Brasil, Candinho.

Segundo o consultor, Al Deayea foi o pivô de sua demissão da seleção saudita, em 1993. "Ele era meu titular, mas o filho do rei ordenou que o tirasse do time. Preferi ir embora", contou Candinho, que trabalhou em três temporadas na Arábia, principalmente treinando o clube Al-Helal, um dos clubes mais populares do país.

Com essa experiência, Candinho é o brasileiro com mais conhecimento sobre os rivais de amanhã, na partida que vai decidir uma vaga na final da Copa das Confederações.

"A defesa é experiente, inclusive com jogadores que participaram de Copas do Mundo. Do meio para a frente, eles estão renovando o time, com jogadores mais jovens e rápidos."

Candinho também comenta o estilo de jogo dos árabes, "parecido com o brasileiro, com toque de bola e sem violência."

"Eles procuram jogar com a bola no chão. Não é bumba-meu-boi não", afirma.

Luxemburgo confirmou a análise de Candinho quanto ao estilo de jogo árabe, mas disse que o Brasil é que deverá alcançar a final.

"Temos que respeitar a Arábia Saudita. Mas entendendo que o Brasil pode jogar um futebol convincente e chegar à decisão", afirmou o treinador da seleção.


Al-Dabal preside o torneio

Da Agência Folha – Guadalajara, México

Não são exatamente os jogadores da Arábia Saudita, mas um poderoso dirigente daquele país, a principal preocupação do Brasil para a partida de hoje à tarde (16h, horário de Mato Grosso), no estádio Jalisco, que define um dos finalistas da Copa das Confederações.

Abdullah Al-Dabal é ninguém menos do que o presidente do comitê organizador do torneio realizado no México.

Também integra o comitê executivo da Fifa, instância deliberativa do órgão, e irá presidir o comitê organizador do 1º Mundial de clubes, que acontece em janeiro do próximo ano no Brasil.

É hoje um homem influente na entidade que comanda o futebol mundial, reconhecido nos bastidores como alguém que tem uma atração irresistível pelo poder e não mede esforços para alavancar a Arábia Saudita e a Ásia no cenário do futebol mundial.

É Al-Dabal quem está mais se mobilizando para conseguir uma vaga a mais para a Ásia na Copa do Mundo de 2002.

O continente tem quatro vagas para o Mundial, mas duas já são de Japão e Coréia do Sul, os países-sede da competição.

Os asiáticos acham pouco as duas vagas restantes, e querem tirar uma da América do Sul (que terá quatro fixas e uma a ser disputada com a Oceania).

Os inimigos de Al-Dabal o definem como um "puxa-saco" do presidente da Fifa, Joseph Blatter, o que seria mais uma das suas credenciais de poder.

A delegação do Egito, goleada por 5 a 1 pelos sauditas na última quinta-feira, na maior surpresa da Copa das Confederações até o momento, vem se dizendo prejudicada no torneio.

Naquela partida, os egípcios, que até então tinham apresentado um futebol muito mais convincente do que os sauditas, tiveram três jogadores expulsos pelo árbitro paraguaio Ubaldo Aquino, dois deles no primeiro tempo.

Após o jogo, dirigentes egípcios tentaram agredir Aquino nos vestiários. O juiz teve de deixar o estádio Azteca sob escolta policial.

A Folha de S.Paulo apurou que, por tudo isso, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ficou preocupada ao saber que enfrentaria a Arábia Saudita na semifinal e iria se mover politicamente para garantir uma arbitragem isenta na partida de hoje.

A entidade brasileira tem ao seu lado a evidência de que uma final entre México (ou EUA) e Brasil seria muito mais atrativa do que se a classificada for a Arábia Saudita - ainda mais num torneio que não vem atraindo muita atenção dos torcedores.

O técnico Wanderley Luxemburgo e os jogadores disseram não crer em um suposto esquema para favorecer os sauditas. "Não acredito que isso aconteça numa competição internacional como essa", afirmou o treinador.

"Tem o mundo todo vendo. O árbitro não vai querer estragar sua carreira em uma partida. Ainda mais porque a repercussão de um jogo contra o Brasil é muito maior do que um contra o Egito", completou o meia Alex.

Se procura se resguardar nos bastidores, também no gramado o Brasil quer evitar surpresas.

Os sete titulares poupados no jogo contra a Nova Zelândia voltam à equipe. Além disso, o atacante Christian, que não convenceu nas três chances que teve como titular da seleção, pode perder a vaga para Warley.

Luxemburgo garantiu que seu time atuará com mais motivação do que nos jogos contra EUA e Nova Zelândia - quando foi vaiado pela torcida mexicana. "Num jogo decisivo, muda todo o emocional nosso e deles (jogadores). Será muito diferente do que foi nesse (contra a Nova Zelândia)", afirmou.

O vencedor em Guadalajara fará a final na próxima quarta contra México ou EUA, que se enfrentam hoje, ao meio-dia (horário de Brasília), na Cidade do México.


Candinho confia na vitória

Da AJB – Guadalajara, México

A Seleção da Arábia Saudita que o Brasil enfrenta neste domingo não é tão misteriosa para um integrante da Comissão Técnica: Candinho. No começo dos anos 90, ele dirigiu a equipe e chegou a classificá-la para a Copa dos EUA - depois brigou com o príncipe Bin Fahd Abdulaziz e pediu demissão.

Nesta Copa das Confederações, Candinho viu em vídeo algumas partidas da Arábia Saudita e constatou que o futebol daquele país continua em evolução. "Eles eram primários, mas a presença dos técnicos brasileiros ajudou no desenvolvimento do futebol", disse o técnico.

Candinho foi um dos muitos técnicos que passaram pelo mundo árabe. Parece até haver uma relação entre trabalhar naqueles países e depois dirigir ou participar das comissões técnicas das seleções brasileiras.

Com exceção de Paulo Roberto Falcão, todos os outros profissionais que dirigiram a Seleção Brasileira nestes anos 90 atuaram no mundo árabe. Sebastião Lazaroni, técnico no Mundial de 90, passou anos acumulando dólares no Oriente Médio. Parreira dirigiu o Kuwait na Copa de 82 (Espanha) e os Emirados Árabes na de 90 (Itália). Zagallo classificou os Emirados para a Copa de 90. Ambos trabalharam em outros países, e Parreira ainda dirigiu a seleção da Arábia Saudita na Copa da França, em 98. "A vida lá não é fácil. Você fica longe dos amigos, da família e a única opção que resta é trabalhar e trabalhar", afirma.