| OUSADIA Dupla tenta resgatar mulher traficante
Tudo aconteceu quando a traficante
caminhava pelo centro de Cuiabá acompanhada de uma
agente carcerária
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A tentativa de resgate da traficante Creuza Buss
Melotto, a "Creuza Boiadeira", 33 anos, teve
cenas cinematográficas ontem de manhã no centro de
Cuiabá e acabou com a prisão de duas pessoas acusadas
de facilitação de fuga. O vendedor Marco Antônio do
Couto, 35 anos, e o fazendeiro Clóvis Buss Melotto, 26
anos, foram presos quando tentaram resgatar Creuza
Boideira quando ela caminhava próximo das Lojas
Riachuelo, na avenida Getúlio Vargas, em companhia de
uma agente carcerária.
Couto veio do Rio de Janeiro para coordenar o resgate.
A polícia suspeita da participação de traficantes
cariocas na frustrada tentativa de fuga. Boiadeira foi
presa pela Polícia Federal no início deste mês com 44
quilos de cocaína. Ela se encontra presa no Presídio
Feminino, onde aguarda julgamento.
Ontem de manhã, ela obteve autorização do diretor
interino do presídio, Renato dos Santos, para ir até a
Clínica Hirpha e também comprar algumas roupas
íntimas.
Sem algemas e acompanhada da agente carcerária
Amália Gomes, a traficante sacou dinheiro no caixa
eletrônico e fez compras numa loja de departamentos. Na
saída, ela recebeu um sinal do vendedor que estava no
automóvel estacionado do outro lado da rua.
Creuza Boiadeira ainda se despediu da agente
carcerária: "Me desculpe, mas já estou indo".
Em seguida, cruzou a rua no meio dos carros. Policiais
militares que passavam pela rua perceberam a
movimentaçào e sairam correndo atrás da fugitiva.
Boiadeira embarcou no Kadett dirigido por Clóvis e
saiu em direção à travessa João Dias com o intuito de
dirigir-se para a rua 13 de junho. Mas durante o trajeto
o veículo bateu na traseiro de outro carro.
Nesse momento apareceu Couto que puxou Boiadeira pelo
braço e sairam correndo em direção à praça Ipiranga.
Mas próximo das Lojas Brasileiras, eles foram detidos
por policiais que abandonaram a viatura e foram a pé. A
prisão foi presenciada por dezenas de pessoas que
caminhavam pelas ruas e imaginavam que se tratava de
algum assalto.
Para tentar reverter a prisão, a traficante ainda
tentou subornar os policiais militares oferecendo R$
5.000,00 em dinheiro e também o Kadett. A tentativa foi
presenciada por dezenas de populares que se aglomeravam
para ver o desfecho.
Levados à Delegacia Metropolitana de Cuiabá, Couto e
Melotto foram presos em flagrante acusados de
facilitação de fuga. O crime não é afiançável e
eles foram encaminhados para a Cadeia Pública do
Carumbé, onde ficarão à disposição da Justiça.
Usaram
telefone celular
Da Reportagem
O vendedor Marco Antônio Couto estava com um telefone
celular de prefixo 031, de Minas Gerais. O aparelho,
usado para finalizar os últimos detalhes do resgate,
servia de contato entre Couto e o irmão de Creuza
Boiadeira. Segundo um policial civil da Delegacia
Metropolitana de Cuiabá, a última ligação realizada
pelo vendedor antes de bloqueá-lo foi para a gerência
do Banco Bradesco, em Cuiabá.
A reportagem do DIÁRIO ligou para o número que
estava na memória do celular e uma secretária informou
que as ligações para esse número são realizadas por
pessoas que fazem saques de grandes quantias. A polícia
suspeita que Boiadeira iria distribuir propinas para
várias pessoas que facilitariam a fuga.
Boiadeira foi presa, no dia 31 de março na cidade de
São José dos Quatro Marcos após policiais federais
apreenderam 44 quilos de cocaína no Trevo do Lagarto, em
Várzea Grande. A droga estava escondida dentro de um
galão vermelho colocado em cima de um estepe.
Foram presos em flagrante o motorista Geovane
Contreiras Araújo, 39 anos e seu ajudante Ivan Marque da
Rosa, 33 anos. Eles apontaram Boiadeira e o quarto
integrante da quadrilha identificado como "El
Nino" que estavam em Quatro Marcos.
O delegado Joaquim Mesquita conseguiu a prisão
preventiva dos dois que foram presos no final da tarde. A
droga, comprada em San Vicente, na Bolívia seria levada
para Americana (SP).
Segundo o delegado Mesquita, Boiadeira é uma
traficante perigosa. "Um pessoa que é presa com
grande quantidade de drogas não pode ser considerada uma
pessoa comum", comentou.
Para evitar uma nova tentativa de fuga, a promotoria
da 2a Vara Criminal de Várzea Grande já requisitou a
escolta da Polícia Federal nas próximas audiências.
"OPERAÇÃO
FRONTEIRA"
Cinco carretas são apreendidas
Da Reportagem
Pelo menos dez veículos _ sendo cinco carretas com o
chassi adulterados, três motocicletas e duas picapes F
1000 _ foram apreendidos por policiais militares durante
a Operação Fronteira realizada no último final de
semana numa faixa de 200 km, na fronteira com a Bolívia.
A operação foi determinada pelo secretário de
Segurança Pública, Hilário Mozer, que está preocupado
com o índice de criminalidade na região.
Das carretas apreendidas e carregadas com madeiras,
quatro estavam saindo do país. Segundo seus respectivos
motoristas, os veículos estavam fazendo frete e
voltariam com a madeira. Toda a carga foi revistada
minuciosamente à procura de drogas e, principalmente,
armamento.
Os veículos foram apreendidos na última
segunda-feira de madrugada na estrada do Matão, que dá
acesso ao município de San Inácio, já em território
boliviano.
Além da remarcação dos chassis, as carretas e os
demais veículos apresentavam problemas de documentação
e falta de equipamentos obrigatórios.
Entre os veículos apreendidos, está uma picape F
1000 que carregava cerca de 50 pacotes de cigarros, no
valor de R$ 1.100,00. Foram presos Joaci da Silva e Zildo
Gonçalves Delgado. A apreensão e a prisão dos
suspeitos aconteceu na estrada Zeca Lemes na divisa com a
Bolívia.
De acordo com moradores da região, o contrabando é
feito na chamada "fronteira seca", região onde
há dezenas de fazendas que possuem parte no Brasil e se
estendem até a Bolívia. "
"Há fazendeiros que cobram R$ 300,00 em dinheiro
para deixar passar uma carreta. Outras quadrilhas rendem
os funcionários e passam à força" comentou um dos
10 PMs que trabalhou na operação.
Segundo Major PM Fernandes, da Coordenadoria
Operacional da Secretaria de Segurança Pública, que
chefiou a operação, não foi possível saber se os
veículos são roubados porque não teve acesso aos
números do sistema Renavam. "Estávamos o tempo
todo no mato e nem rádio tínhamos", explicou.
Major Fernandes acrescentou que o resultado superou as
expectativas, embora o plano inicial era apreender drogas
e também armamentos contrabandeados. "Tivemos
dificuldades porque choveu muito durante os dias em que
ficamos na fronteira", comentou. Novas operações
estão previstas nas próximas semanas.
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