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Cuiabá MT, Sábado, 05 de Dezembro de 2020
AMBIENTE
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020, 10h:15

DESTRUIÇÃO DO BIOMA

Pesquisa diz que "boi bombeiro" não impede queimadas no Pantanal

Estudo da UFMG mostra que número de incêndios é maior em regiões onde há mais gado, em MT e MS

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Reprodução
O levantamento foi realizado a partir de dados sobre o rebanho bovino e o número de focos de calor em 2018

Um estudo divulgado nesta semana pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) demonstra que a quantidade de focos de incêndio no Pantanal é maior em cidades onde há mais cabeças de gado.

O resultado contraria a tese do “boi bombeiro”, defendida pelo Governo Federal.

Segundo os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, a ingestão do capim seco pelos animais deixaria a vegetação mais baixa e, assim, menos sujeita à disseminação do fogo.

O levantamento foi realizado a partir de dados sobre o rebanho bovino e o número de focos de calor em 2018.

Os municípios com mais cabeças de gado são também os campeões de queimadas — caso de Corumbá (MS) e Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).

Os especialistas constataram que o consumo de pastagem pelo gado reduz a intensidade dos incêndios, mas o fator preponderante é o uso do fogo para o manejo de pastagem. Logo, quanto mais gado, mais fogo.

Professor de Gestão Ambiental e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia da UFMG, Raoni Rajão destaca que as mudanças climáticas contribuíram para a estiagem no Pantanal, mas o alastramento do fogo se deve à ação humana.

“Houve uma seca significativa, além de alterações no padrão de cheias do Rio Paraguai. O Pantanal transformou-se em um barril de pólvora, mas o fogo não chegou sozinho. O homem foi o responsável por ele. O fogo pode ser usado no bioma de maneira responsável, nunca no pico de uma estiagem”, explica.

Rajão destaca que, segundo as investigações da Polícia Federal, um grupo de latifundiários seria o responsável por atear o fogo, com o provável objetivo de promover a degradação do solo desmatado.

“É um absurdo dizer que mais gado significa menos fogo, ou dar a entender que as medidas de conservação foram as responsáveis por gerar as queimadas”, condena.

Júlio César Sampaio, líder da Iniciativa Pantanal do WWF-Brasil, sublinha que, nos últimos anos, houve um aumento no número de incêndios e de cabeças de gado em cidades do bioma.

“O clima foi um forte componente para os incêndios, mas as queimadas que vemos agora são resultantes de atividades pecuárias. O boi bombeiro é uma figura mitológica. Infelizmente o governo federal insiste em defender uma tese errada e, pior ainda, diz que os ambientalistas querem retirar o gado do Pantanal. Ninguém pediu isso. A pecuária extensiva é uma das principais fontes de renda para a região”, diz.

A atividade econômica, no entanto, deve ser norteada por práticas sustentáveis para a realização do manejo: queimada só em último caso, visando o aproveitamento de nutrientes da terra, e jamais promovida em situações climáticas adversas, onde colocaria em risco ecossistemas vulneráveis como a Serra do Amolar, que há semanas registra incêndios, a despeito da atuação de brigadistas.

“Esse modelo de manejo de terras controlado, que não resulta em incêndios, é o chamado fogo frio. Com ele, o gado poderá aproveitar a vegetação nativa, que é propícia para sua alimentação”, assinala Sampaio.

Em 2020, até a última quinta-feira, o Pantanal registrou 20.796 focos de incêndio. Trata-se de um índice 222% maior do que o registrado no mesmo período no ano passado, e também o recordista da série histórica registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que faz as medições desde 1988.

Corumbá, que liderava o número de cabeças de gado (1,8 milhão) entre as cidades vistas pela UFMG em 2018, já registrou, em 2020, 7.918 incêndios — mais do que qualquer outra cidade do país.

Diante da crise das queimadas no Pantanal e na Amazônia, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, nomeou ontem o tenente-coronel da reserva Ricardo Viana Barreto, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, para chefiar o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). Seu antecessor, José Carlos de Morais, pediu exoneração na semana passada, após ocupar o cargo por apenas um mês, alegando motivos pessoais. 


1 COMENTÁRIO:







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Romildo Gonçalves  21-10-2020 13:59:23
não sabe nada de pantanal seu inocente

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