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AGRONEGÓCIOS
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2021, 10h:00

DINHEIRO EMPRESTADO

Maior parte da safra no Estado foi bancada pelo sistema financeiro

Bancos foram os mais demandados e a participação com recursos próprios é a menor em 13 temporadas

MARIANNA PERES
Da Reportagem
Divulgação
Multinacionais, revendas, sistema financeiro, bancos com recursos federais e recursos próprios formam o ‘funding’ de financiamento da safra

Cerca de 35% do custeio da safra de soja 2020/21, em Mato Grosso, foram financiados pelo sistema financeiro, ou seja, por bancos.

Essas instituições ofertaram recursos tanto a juros controlados – via Plano Safra – como a juros livres.

Multinacionais, revendas, sistema financeiro, bancos com recursos federais e recursos próprios formam o ‘funding’ de financiamento da safra, no Estado de Mato Grosso.

Se por um lado o sistema financeiro "bancou" o esse novo ciclo, a parcela de recursos próprios, desembolso do produtor, caiu ao menor nível das últimas 13 safras, chegando a 17%.

Com o custeio estimado em R$ 2.408,34/hectare e uma área projetada em 10,30 milhões de hectares, o investimento total para a nova safra demandou R$ 24,81 bilhões, ante R$ 22,50 bilhões no ciclo anterior.

Desse volume, 83% das cifras foram buscadas fora da receita do produtor, ou seja, ou por empréstimos, créditos ou trocas.

O custeio para a soja apresentou um aumento de 10,25% ante a safra anterior (2019/20), em Mato Grosso.

Essa alta nas despesas do sojicultor se deu, principalmente, pela valorização da moeda norte-americana, que impactou diretamente no custo com insumos agrícolas.

Balanço anual realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revela que as principais alterações no funding foram as contratações de recursos federais que, somados às contratações de recursos livres, colocaram os bancos, de maneira geral, como os maiores financiadores do custeio da soja em Mato Grosso, com um share (participação) de 35%.

A participação das multinacionais nas concessões de crédito para o produtor aumentou (share de 34,71%), ficando em segundo lugar como financiadores da safra 2020/21.

Por outro lado, a redução da participação das revendas foi outro destaque do funding 2020/21, reflexo da maior disponibilidade de recursos federais.

Além disso, o aumento de área foi maior para essa safra, cerca de 3,18%, influenciado pela valorização da soja brasileira em função da crescente demanda e a constante alta dos preços futuros da oleaginosa no mercado nacional e internacional.

“Com um maior volume de recursos necessários para o cultivo no Estado, esse balanço analisa a nova composição do funding do custeio da soja em Mato Grosso”, explicam os analistas do Imea.

No que se refere às revendas, a participação no custeio dessa safra foi menor, 5,36 pontos percentuais.

O principal fator que fez com que o share diminuísse foi a maior participação das multinacionais e dos recursos federais no custeio dessa safra, uma vez que a facilidade do agricultor de acessar crédito com estes players nessa safra foram maiores.

Assim, a participação das revendas ficou em 13,42%. O financiamento com recursos livres, depois de seis safras, apresentou uma redução (1,21 p.p.) na sua participação no funding.

Com a readequação da taxa de juros do Plano Agrícola e Pecuário (PAP), os recursos federais ficaram mais atrativo ao produtor. Além disso, o aumento no montante disponibilizado por essa fonte de recurso também foi maior.

“Desta forma, houve aumento de 2,52 p.p. no share do custeio agrícola da soja em Mato Grosso para essa linha de crédito”, apontam.

Já a participação dos recursos próprios do sojicultor mais uma vez apresentou decréscimo, cerca de 2,57 p.p. no funding da safra 2020/21, com participação de 16,86% da safra.

Segundo as Instituições financeiras, com o aumento do PIB do setor agropecuário, descolocado dos outros segmentos econômicos, a oferta de crédito torna-se mais atrativa.

“Com isso, a tendência de aumento de recursos oriundos do sistema financeiro tende a continuar na próxima safra (2021/22). No entanto, com o aumento nos preços e a comercialização adiantada para a próxima safra (2021/22), os sojicultores poderão estar mais capitalizados para o próximo ano. Assim, os agricultores podem aumentar sua parcela nos recursos próprios, consequentemente, pode alterar as proporções destes agentes no funding da próxima safra”, avaliam.

MIX DE RECURSOS – Como explicam os analistas do Imea, o objetivo do balanço é o de definir a participação de cada agente do mercado no custeio agrícola da soja na safra 2020/21, foi realizado um levantamento junto aos bancos que possuem recursos federais e livres, tradings, multinacionais de fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, revendas de insumos e sementeiras.

“O objetivo foi obter o valor total financiado por esses agentes para o cultivo da oleaginosa mato-grossense. Já os recursos próprios foram medidos pela diferença dos demais agentes pelo valor total do custeio no Estado”.


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